Céu Sem Estrelas

Céu Sem Estrelas Iris Figueiredo




Resenhas -


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Queria Estar Lendo 28/07/2018

Resenha: Céu sem estrelas
Céu sem estrelas - publicado pela Editora Seguinte - é o mais recente lançamento da autora Íris Figueiredo. Com uma narrativa sensível, a autora entrega uma história carregada de emoções, que vai ficar com os leitores por muito tempo.

A trama acompanha a vida de dois personagens principais: Cecília e Bernardo. A irmã de Bernardo é a melhor amiga de Cecília, e esse é o elo em comum entre os dois; conforme a história avança, no entanto, a aproximação vai além do cotidiano e envolve muito das emoções e das vivências e das coisas que eles têm em comum - e também das que não têm. Com sensibilidade e delicadeza, esse livro fala sobre saúde mental, aceitação do próprio corpo e das diversas maneiras com que as pessoas lidam com as dores, com os medos e com o mundo ao seu redor.

Alguns livros falam com a gente, e acredito que esse seja o caso de Céu sem estrelas. A história da Cecília falou comigo e me deixou conversar com ela; conforme nos aproximamos da personagem, dos seus medos e receios, sonhos e incertezas, nos tornamos confidentes dela. Mesmo tão reclusa para os personagens ao seu redor e até dentro da própria cabeça, com todas as inseguranças e os fragmentos que a compõem, Cecília se torna real muito facilmente.

"Eu estava cansada de pedir desculpas por meus sentimentos. Às vezes tinha a impressão de que fazia isso o tempo inteiro."

Ela representa uma amiga, uma pessoa conhecida, um sentimento, nossos próprios medos. A empatia que se gera com o andar da história é poderosa. Fala diretamente com a gente, mostra os terrores e os problemas e as sensações experimentadas por quem sofre o que a Cecília vem sofrendo. Depressão é uma doença perigosa, e é importante como a narrativa mostra isso de maneira bem clara. Expõe os terrores e a solidão como monstros silenciosos e traiçoeiros, desenvolve-os através das vivências da Cecília; explica aos leitores o que ela está sofrendo, e como pode procurar ajuda.

"Ser gordo ia além de ser uma massa de gordura. As pessoas me encaravam e automaticamente calculavam quanto peso ganhei ou perdi desde a última vez que nos vimos [...] Aquilo me deixava louca. Simplesmente por não ter pedido a opinião de ninguém. Como alguém achava que estava no direito de opinar sobre quem eu era, o que vestia? Como alguém se sentia no direito de me deixar mal só por existir?"

Outro ponto maravilhosamente trabalhado foi o do corpo da protagonista. Cecília é gorda, e inúmeras são as cenas em que ela vive situações gordofóbicas por parte de figurantes ou mesmo de familiares. O quanto isso a afeta se desenvolve dentro do arco da saúde mental, mas também serve como um tapa na cara para quem pratica esse preconceito no dia-a-dia. Comentários sobre "estar fortinha", entrar em uma loja e descobrir que o maior número do manequim não serve são situações que perturbam e servem para questionar, para mostrar que o padrão de corpo imposto pela nossa sociedade é extremamente prejudicial e perturbador.

Ao mesmo tempo em que mostra a gordofobia, também fala sobre aceitação. Sobre entender quem você é e entender a sua beleza, o que ela representa para você, como ela é importante para você. Que o que foge do padrão é importante, é belo, é seu.

Bernardo, por outro lado, é o arco mais suave da trama. É o olhar de quem está por fora e quer entender. De quem quer ajudar; é um rapaz privilegiado que, mesmo com suas dores, entende e aceita seu lugar de privilégio. Mesmo com os erros e os escorregões que ele vive na história, é impossível não se apaixonar pela doçura e pelo carisma, mas principalmente pela humanidade que ele carrega.

"- Não existe um céu sem estrelas, Cecília. Mesmo quando estão encobertas pelas nuvens, ainda estão lá. A gente só não consegue enxergar.
- É como a esperança."

Aliás, humanidade é uma palavra-chave para esse livro. O quanto a história soou humana e me aproximou daqueles que a viveram foi o que mais me fez sorrir e chorar durante a leitura.

As relações familiares são um ponto importante de toda obra. Enquanto no âmbito do Bernardo temos um pouco de estabilidade - ainda que não tão estável assim (não vou revelar pra não entregar demais) -, o arco da Cecília serve, mais uma vez, para ativar boas discussões. Achei seu relacionamento com a mãe extremamente desesperador e abusivo. Não tem figura que tenha me deixado mais pistola dentro do livro do que a mãe dela, real oficial. Em contraponto para equilibrar e mostrar que "família é quem ama e cuida" estão sua avó e seus amigos. As pessoas que se importam, que lutam por ela, que a protegem e querem seu bem.

Os debates dentro de Céu sem estrelas são essenciais e precisam ser trazidos à tona, especialmente na literatura jovem. Discussões sobre gordofobia, racismo, machismo e tantas outras problemáticas extremamente prejudiciais se encaixam com sensatez e muita ciência na narrativa. As cenas estão ali nos momentos certos, com o tom certo e a devida importância.

"- A Mística. Gosto dela. Pode ser quem quiser.
- Porque o mundo não quer que a Mística seja ela mesma.
- E não é assim com todo mundo?"

Personagens coadjuvantes são de uma riqueza ímpar para compor o background dessa história. Iasmim - irmã de Bernardo e melhor amiga da Cecília - foi uma das mais interessantes de acompanhar; aos meus olhos, não a mais carismática e empática - e nem um pouco altruísta, porque santa Eva Green o ego dessa menina! - mas bem construída, com seus momentos de fraqueza e de força. A sensação que ficou é de que tem mais dela a ser contado, e espero que isso seja um sinal para um possível livro solo da Iasmim no futuro.

A edição é uma das mais lindas que já vi a Editora Seguinte produzir - e olha que eles têm um catálogo cheio de edições arrasadoras. A capa condiz perfeitamente com o tom do livro; meio melancólica, mas com um fundo cheio de estrelas e esperança.

Céu sem estrelas é um romance emocionante, desenvolvido através de seus personagens, mas principalmente através da sensibilidade. É o tipo de livro perfeito para sorrir e para chorar e para carregar no seu coração por todo o sempre.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/07/resenha-ceu-sem-estrelas.html
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Solaine 20/05/2018

Quando li Confissões On-line eu já disse que gostei muito da narrativa da Iris e isso só se intensificou mais com esse livro. Ter a oportunidade de ler essa história e conhecer mais do Bernardo e da Cecília foi uma honra, principalmente porque essa é uma história maravilhosa que eu estou muito feliz que exista. CSE consegue ter um bom equilíbrio entre uma narrativa gostosa, que faz a gente feliz, e momentos tensos com reflexões importantíssimas. É muito admirável ver o cuidado e sensibilidade que a autora trouxe pro romance ao abordar temas como saúde mental, assim como dá para perceber que Iris teve muita responsabilidade ao representar personagens que fazem parte de minorias em seu livro. Eu tive vontade de chorar, eu senti muito perto de mim alguns temas abordados e no final apenas me senti muito grata por essa história. 🌸
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Jéssica 12/06/2018

Por um golpe de sorte da vida, eu pude ler uma prova de "Céu sem estrelas". Foi meu primeiro livro da Iris e acabei xingando mentalmente a Jéssica das Bienais passadas por não ter comprado todos os outros na época... A escrita da Iris é super sensível e consegue fazer pensar, sentir e entender (ou ao menos chegar perto de entender quando não vivenciamos) os temas pesados que aborda -sem que perca a leveza e a fluidez que fazem a gente ler mais da metade do livro de uma vez só.

Um dos principais temas pesados abordados aqui é a saúde mental. As crises. Os bons momentos. Os cuidados no relacionamento com os outros e com nós mesmos. O preconceito com a psicologia e a terapia. A automutilação. O vazio. O autoconhecimento. A jornada, enfim, de descobrir que algo não está bem e saber o que pode ser feito pra acabar com aquela dor. Mesmo não passando nem perto dos mesmos problemas da Cecília, tudo isso foi muito próximo e real e doeu. Acredito que vá doer em muita gente -e por isso é tão necessário.

Além disso, a saúde mental aqui é mostrada do ponto de vista de uma garota que também sofre de uma extrema insegurança com seu corpo -alimentada diariamente pela sociedade pelo fato de ela ser gorda. É bem pesado ver como isso aparece em todas as relações de Cecília com os outros: mesmo os mais próximos, que já tentam mudar certos pensamentos, ainda acabam dizendo e fazendo coisas desagradáveis. Mas é isso mesmo que acontece quando nossos personagens são pessoas reais cheias de falhas que fazem cagadas reais, até mesmo tentando ajudar.

Isso me leva ao Bernardo, naturalmente, a outra metade do romance fofinho e frustrante que nunca mais vai deixar as desgraças dos Fuscas azuis serem os mesmos. Bernardo é um cara bem dentro do padrão e privilegiado em provavelmente todos os sentidos. Ele também faz Engenharia Mecânica e um dos amigos dele me lembra muito um dos meus do mesmo curso e não sei por que isso é relevante. É muito interessante ver a jornada que ele próprio passa ao questionar isso tudo e abrir os olhos para o que está ao redor, inclusive relacionamentos abusivos, por causa da Cecília.

Só pra não terminar sem falar disso: as amizades entre as garotas foram muito bem retratadas, mas fiquei maravilhada mesmo foi com a vó da Cecília! O desenvolvimento dessa família, em partes tão problemática e desestruturada e em outras partes tão positiva e acolhedora, foi um dos pontos mais altos do livro pra mim.

site: https://www.goodreads.com/review/show/2388604575
Pedro 12/06/2018minha estante




Isa | @anatomiapop 06/08/2018

Céu Sem Estrelas | Uma história de amar – o outro e a si próprio
Desde a liberação do título, Céu Sem Estrelas falou comigo de alguma forma. Sempre que me deparava com ele nas redes sociais, sabia que eu tinha que ler a história de Cecília o mais rápido possível. O primeiro livro de Iris Figueiredo pela editora Seguinte, selo jovem do Grupo Companhia das Letras, não é só um rostinho bonito de capa espetacular: Céu Sem Estrelas trabalha sentimentos e conflitos emocionais de uma forma que transbordam qualidade. Mas, estou colocando a carroça na frente dos bois. Vamos à história.

A história de dois jovens e um fusca azul

Cecília acabou de fazer dezoito anos e recebeu um dos piores presentes de aniversário: ela foi demitida da livraria onde trabalhava. Como se não fosse o suficiente, a relação com sua mãe – que nunca foi muito boa – está no limbo graças à traição do seu padrasto. Ela acabou de entrar para a faculdade de desenho industrial, mas não está muito estimulada. Afinal, ela só encontra alegria nos momentos em que está desenhando, mas o curso em si não chegou nem perto dessa felicidade. E, para fechar com chave de ouro, Cecília é gorda e tem sérios problemas de autoestima e aceitação.

Há, entretanto, uns pontinhos de felicidade na sua vida: seus amigos. Em especial, Iasmim e Rachel. As três formam um tipo de amizade especial, moldado e fortalecido pelas diferenças entre elas. Iasmim é aberta ao mundo, curte festas, é super animada. Rachel é bem centrada e determinada. Cecília oscila entre elas, sempre abraçada a insegurança, mas firmando seus pés no chão.

[Continua no site Anatomia Pop - link abaixo]

site: http://anatomiapop.com/2018/08/06/ceu-sem-estrelas-uma-historia-de-amar-o-outro-e-a-si-proprio/
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Tata Araujo 04/07/2018

Céus sem estrelas é meu primeiro livro da Iris Figueiredo, e sinto que comecei muito bem, com uma história não só maravilhosamente escrita, como também com algo que me representa. Vivi muitos anos buscando representatividade nas histórias que lia, e mesmo encontrando um ou outro aspecto, elas nunca conseguiam chegar na questão do que é ser uma pessoa gorda. Muitas das minhas vivências, inseguranças e percepção do eu não eram alcançadas porque não havia com quem me identificar. Fico feliz disso estar mudando de uns tempos pra cá, e essa história é mais um presente que vou guardar com todo amor pelo fato de colocar em palavras diversos sentimentos da Taiany de 18 anos, sentimentos esses que infelizmente não foram todos superados. São muitos anos de coisas para trabalhar ainda, e a gente só continua.

O livro acompanha a Cecília, uma menina super doce e legal, mas que ninguém enxerga. O problema é que ela também não se abre, isso faz com que ninguém conheça a Cecília verdadeiramente, nem a melhor amiga. Todos apenas tem vislumbres de quem ela é, fragmentos que ela solta aos poucos, cada um com uma peça do quebra-cabeça. Isso poderia até não ser um grande problema se a Cecília estivesse conseguindo lidar com todas as coisas que estão acontecendo na sua vida ultimante, no entanto, não é isso que vem acontecendo. E enquanto enfrenta mais uma batalha no relacionamento com a mãe, se sente perdida na faculdade, é demitida do trabalho e tem uma desilusão amorosa, ela vê suas inseguranças tomando cada vez mais espaço e sua saúde mental desmoronando tal qual um castelo de cartas.

Em contra partida, temos o Bernardo, um cara privilegiado e dentro dos padrões, que questiona justamente isso. Ele também tem suas dores, sua dúvidas, dá umas bolas fora algumas vezes, mas percebemos que é uma pessoa boa e sensível que quer muito acertar e descobrir quem é, qual o seu lugar no mundo. Achei isso muito legal no livro, mostrar duas realidades completamente diferentes deixando claro que todos temos nossos demônios, todos fazemos merdas, todos magoamos as pessoas por vezes sem querer. Não existe o perfeito, existe o tentar sempre ser melhor, consertar nossos erros e reconhecê-los.

Acho que a única coisa que fiquei sentindo falta no livro foi um desfecho para a Iasmin. Não no sentido "e assim acabou" - como leitor dava para perceber o caminho para qual ela estava indo - no entanto, nenhum dos personagens fizeram nada em relação a isso, nem sei se eles realmente sabiam sobre o que tava acontecendo apesar de desconfiarem. Ela precisava de ajuda, queria ter visto alguém ajudando. Por outro lado, achei o desenrolar da Luciana, mãe da Cecília, apesar de triste, bem real. Nem sempre as pessoas vão reconhecer seus erros ou mudar, como a gente vai lidar com isso é o que realmente importa.

Uma surpresa agradável foi como a Iris abordou os transtornos psicológicos, saindo do lugar comum que mesmo tendo temas importantes pra serem abordados, é algo já visto. Todavia, a Iris foi além e disse "transtornos psicológicos não são românticos, não é algo que tá na moda, não é bonito ter. Existem uma infinidade de questões que afetam nossa saúde mental ao ponto do adoecimento e é preciso falar sobre elas e mostrar que há uma saída, mesmo quando as nuvens encobrem as estrelas."

Sou cria de literatura estrangeira, acho muito estranho ambientações no Brasil, princialmente quando usam referências de lugares que conheço, tenho dificuldade de enxergar esses lugares nas histórias, mas com Céu sem estrelas isso foi tão natural, acredito que foi uma das coisas que deixou a história mais crível. Parecia mesmo que aquilo tudo estava acontecendo, a faculdade, as festas, as amizades foram retratadas como um dia a dia real. Fiquei absolutamente apaixonada pelo enredo e a escrita desse livro, deu pra ver como que cada detalhe foi bem trabalhado, a insegurança quanto ao trabalho de um psicólogo, o não achar que precisa de ajuda, a certeza que é coisa para maluco. Como psicóloga vejo muito isso, e é algo tão enraizado na crença popular que o ato de procurar ajuda demora, dói, parece mais fraqueza que força. É força, um ato de coragem, um lampejo.

Ah, não posso deixar de falar como a Iris dá uma aula de representatividade. Às vezes as pessoas tentam falar "oi eu coloquei representatividade na minha história" e tudo parece tão forçado, algo que tá ali como uma obrigação, mas que não flui. Outras vezes, e acho que isso é ainda pior, as pessoas fingem que isso de representatividade nem existe. Essas segundas criam justificativas, textos, respostas para se isentarem. "Ah porque na época era assim. O contexto histórico. Minha vivência pi pi pi po po po". Não há o que se possa falar, não existe justificativa para isso. Eis que vem a Iris e simplesmente dá vida para seus personagens. Ela não cria uma representatividade x ou y, ela coloca os personagens na sua história e a gente sabe que eles existem. É assim que se faz.

Eu podia falar cada detalhezinho desse livro lindo, mas acho que a melhor coisa que posso falar agora é :
- Leiam Céu sem estrelas, ele vai tocar o coração de vocês.

E também deixar vocês viciados em fuscas azuis, afinal, dentro deles cabem a quantidade certa de pessoas.

http://www.conversacult.com.br/2018/07/ceu-sem-estrelas-de-iris-figueiredo.html
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Kennia Santos | @LendoDePijamas 03/10/2018

"Às vezes sentia que, não importava o que fizesse, nunca seria suficiente."
Título: Céu Sem Estrelas
Autora: Iris Figueiredo
Classificação: 4/5

Cecília acabou de completar dezoito anos e deveria estar exultante com o pontapé na vida adulta, mas não está. Acabou de perder seu emprego e teve uma briga horrorosa com sua mãe que a expulsou de casa. Ela deveria ir para casa da sua avó, mas decide ir passar um período na casa de sua amiga Iasmin.

Aos olhos de Cecília, Iasmin vive uma vida dos sonhos: além de viver numa casa maravilhosa com seus pais e seu irmão, Bernardo (por quem ela sempre nutriu uma paixonite secreta), ela ainda se encaixa totalmente no padrão de beleza atual, coisa que Cecília definitivamente não faz, principalmente por causa do seu corpo "grande".

"Tudo estava esquisito, a começar por mim. Tinha passado muito tempo sendo mais de uma pessoa, me escondendo atrás de máscaras para me proteger. Agora me via obrigada a despir o disfarce e contar detalhes da minha vida bagunçada a quem estivesse disposto a ajudar. Era o mínimo que eu devia àquelas pessoas, o que não tornava nada mais fácil. Desabafar era desgastante." (p.83)

Como consequência ela começa a passar mais tempo também com Bernardo, coisa que ela não pensava ser possível afinal ele sequer parecia reconhecer sua existência, e descobre que na verdade a casa que ela julgava ser perfeita, é na verdade cheia de rachaduras. Em meio à encontros e desencontros, ela se vê envolvida em um tipo de relacionamento com ele.

O mundo dos dois colidem de forma radical, ela, com suas inseguranças e medos e ele com seus segredos fazem de tudo para encontrar um ponto de equilíbrio. E é quando algo acontece e rompe com tudo de forma abrupta e dolorosa, levando-os à direções opostas.

Será que em meio a tantos sentimentos e emoções confusos, eles conseguirão superar as diferenças que parecem cada vez maiores?

"Às vezes, você tinha a sorte de encontrar alguém que era capaz de ouvir as questões existenciais que você tinha para compartilhar sem rir ou fazer pouco caso." (p.228)

Em "Céu Sem Estrelas", Iris Figueiredo nos apresenta uma história incrivelmente tocante e real, abordando temáticas sensíveis de forma muito realista e verdadeira.

Cecília é uma personagem muito sofrida, devido a diversas circunstâncias de sua vida, como o fato de ter sido abandonada pelo pai, seu relacionamento turbulento com a mãe e seus extremos complexos com relação à si mesma e seu corpo.

"Passava a maior parte do tempo escondendo meus sentimentos, medos e inseguranças. Não queria que vissem aquela parte de mim, vulnerável, e tentava ao máximo disfarçar quem eu era." (p.44)

Eu já li alguns livros que tinham como protagonista uma personagem acima do peso, mas NENHUM deles representou de forma tão fiel e real todos os sentimentos e lutas internas como esse. Digo isso porque sou gorda, e caramba, eu já estava chorando na página 50. E nem chorona eu sou. Às vezes eu me confundia com a Cecília, de tão similares que todas as situações e sensações eram.

"Às vezes eu me pegava pensando como minha vida seria mais fácil se eu fosse magra e pudesse comprar roupas em qualquer lugar, como uma garota normal." (p.115)

"Nunca gostei de comprar roupas, por isso a maioria das peças que eu tinha já podiam quase andar sozinha. Era sempre um momento cansativo e vergonhoso. Como se meu corpo não tivesse direito de existir. Como se eu não tivesse direito de existir." (p.126)

"Só queria me ver livre daquele sentimento, parar de me preocupar tanto com minha aparência." (p.129)

O Bernardo é um personagem muito incrível, também. Porque em momento nenhum ele vê a Cecília como "a menina gorda", ele a enxergava como uma menina como todas as outras. Eu ficava lendo e pensando "MEU DEUS, ISSO É REAL? ISSO É POSSÍVEL?". Sério, eu fiquei completamente chocada e impactada. E maravilhada, também. Afinal nas situações em geral a gordinha fica com o sequelado, ou o esquisito, mas Bernardo é completamente normal.

"Às vezes me perguntava o que queria da vida, para onde estava indo, o tipo de coisa em que a gente se pega pensando de madrugada, quando ninguém pode entrar na nossa cabeça e ver o quanto é uma bagunça." (p.184)

Porém, o andamento do livro a partir da segunda parte foi o que me incomodou um pouco. Acredito que a Iris tenha escolhido uma direção inadequada para a história, afinal, o desfecho foi um tanto "blé". Talvez se ela houvesse optado por uma abordagem diferente na parte 2 em diante, o enredo seria melhor aproveitado, em todos os quesitos.

Mas no fim das contas, o livro é muito bom e importante. Eu me senti abraçada em muitas, muitas partes mesmo. A escrita é incrível, muito boa mesmo: fluida e poética, reflexiva e potente. Recomendo muito!

"O amor é paciente. Ele é feito de respeito e apoio mútuos. Ainda tenho medo do abandono, mas procuro pensar todos os dias que aqueles que importam estarão sempre comigo. Que uns chegam e outros vão, mas que não posso aceitar menos do que eu mereço. Ainda estou descobrindo o que eu mereço." (p.349)
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Liih 23/10/2018

"Minha Representando..."
Ao iniciar este livro, não imaginei que o enredo seria como foi...
A cada fase da Cecília, a cada drama interno e externo dela, eu ia me identificando mais e mais...
Sofri 2x mais por lembrar da fase em que tive/tenho meus maus momentos e por ela...
O final, praticamente desidratei..
Sorte que eu estava num ônibus, viajando, sozinha e ninguém viu. Senão, poderiam se assustar....
Este livro é tudo o que uma pessoa precisa ler, para saber que somos sensíveis, que podemos e temos aonde procurar ajudar.
Eu não sou a única que teve depressão e nem serei a última...
Mas hoje, é importante saber que tem disponível o CVV. Quem precisar de ajuda é só ligar 141 ou 188.
Enfim, como diz a Isis: "Há muitas estrelas no céu, não deixe que as nuvens te façam se esquecer disso".
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joana 27/11/2018

Representatividade em livro
Céu sem estrelas, da escritora naciona Iris Figueiredo foi uma surpresa. Primeiramente, que bom ver autoras brasileiras escrevendo bem e enredos em nosso Brasil. Iris tem uma delicia de escrita. Bem fluida, inteligente e de quem sabe escrever.
Céu sem estrelas é reflexivo e delicado. O leitor vai ver como duas pessoas conseguem ser bem iguais e muito diferentes.
Abordado as doenças mentais - Aviso de gatilho - a autora leva o leitor em direções de narrativas que prendem.
Esse livro fala sobre gordofobia, representatividade mas sem querer forçar leitor nessa vibe, mas fazer pensar sobre tema.
O casal Cecília e Bernardo são cativantes e muito bem escritos.
Uma autora que com certeza irei seguir.
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Cabine de Leitura 15/01/2019

Um livro com diversidade e e muita representatividade.
Céu sem Estrelas é o livro da vez, com o diferencial de que ele entrou para o TOP do ano. E é exatamente por ter sido uma leitura tão boa que neste momento fico perdida pensando em como transmitir para uma simples resenha tudo que senti ao longo dessa leitura, sem dizer na quantidade de quotes que destaquei, são muitos e adoraria colocar todos aqui. Sem mais delongas, vamos a difícil tarefa de falar sobre o livro da Iris Figueiredo.

A sinopse desse livro nós da a entender que a trama se trata de mais um Young Adult, onde os personagens precisam enfrentar o dilema de sua busca por identidade e finalmente ingressar nas responsabilidade da vida adulta, mas ele vai muito além disso. A sinopse deveria conter um aviso de que o leitor estará sujeito a fortes emoções com essa leitura.

Às vezes eu sentia que ia morrer. A falta de ar, de controle e a pressão no peito eram desoladoras. Eu perdia a noção do tempo e do espaço, não sabia quando aquilo ia parar, se é que ia. Era como me afogar em águas rasa, sem perceber que podia simplesmente colocar os pés no chão.

A protagonista, Cecília, é uma garota ansiosa, apreensiva, com desejos suícidas e como ela mesma se define, gorda e desleixada. Que vive com a mãe, uma mulher amarga, que sempre a deixa de lado quando não está disposta a lidar com os "problemas" que a filha lhe causa. O pai é um personagem desconhecido, já que a mãe nunca revelou a identidade dele. Quem faz as vezes dele é o padrasto, Paulo, com quem Cecília não consegue se relacionar depois que descobriu que traia sua mãe. E é nesse ambiente familiar problemático que ela vive, até mais uma vez ser expulsa de casa por conta de uma briga infundada com a mãe.
O esperado era que Cecília buscasse abrigo na casa de sua vó, mas ela aceita abrigo de Iasmin, sua melhor amiga e irmã do seu amor platônico, Bernardo. E é nessa estadia que o rapaz vai descobrir que a menina que lê livros tristes e pensa em super-herói quando tudo na vida parece desmoronar vive, em silêncio, com uma enorme escuridão interior.

Meu pai não me quis, meu padrasto ignorou nossa família e agora minha mãe me coloca para fora de casa de novo. Quantas vezes mais seria deixada de lado por aqueles que deveriam me proteger?

A aproximação de Bernado desperta em Cecília todo seu sentimento de incapacidade e de não merecimento que a anos ela escondia, sempre criando justificativa para se cobrar tanto em relação aos que os outros esperava dela. Ela vivia pedindo desculpas por seus sentimentos, até que Bernardo pisa na bola com ela e Cecília começa a ter certeza de que ninguém é capaz de amá-la e que em algum momentos, todos vão embora.
Diferente da mãe de Cecília que não percebe, a instabilidade emocional da menina é notável desde o começo da narrativa, seja pelos seus próprios relatos ou através dos capítulos narrados por Bernando, que além de viver seus próprios temores em relação ao casamento problemático dos pais, passa a se sentir culpado pelo que está acontecendo com Cecília.

A dor era excruciante. Nenhum lugar doía, mas tudo doía. Era a pior sensação do mundo, e tudo que eu conseguia fazer era me balançar para frente e para trás, olhando para o vazio. Era tudo na minha cabeça. A dor era toda na minha cabeça, mas isso não a tornava menos real.

Esse trecho acima reflete bem a intensidade da história criada pela Iris Figueiredo, são diálogos e pensamentos dos personagens que descrevem com exatidão os sentimentos que uma pessoa com a saúde mental debilitada tem. Não vou entrar nos detalhes sobre os problemas psicológicos retratados aqui, mas eles vão de síndrome do panico á autoflagelação. Falo isso por experiência própria e olha que eu já passei dos meus dezoito anos a muito tempo, mas nunca em toda minha vida me identifiquei tanto com uma personagem como aconteceu com Cecília, mas isso vou deixar para o final da resenha.



V amos falar dos personagens, que vem repletos de diversidade e representatividade.
Eu simplesmente odiei a mãe da Cecília, que mulher insensível. Mas então aparece a tia dela, Eunice. Uma mulher mesquinha e preconceituosa, que no pouco que apareceu já deu nos nervos, mas que retrata bem aquele parente que quase todos nos temos e que no fim aturamos por causa da matriarca da família e a matriarca dessa família merece todo sacrifício.
Marília é a avó mais real que já vi em um livro, desde aqueles almoços de finais de semana para reunir a família, até as flores plantadas em latas de tinta no quintal. É incrível como a autora conseguiu me transportar para dentro do mundo dessa história através da ambientação simples que criou.

Alguns personagens ficaram sem desfecho, como o caso da Iasmim, que em um certo momento acaba entrando em um relacionamento tóxico, fadado ao erro, mas que não sabemos como fica. E ainda temos a prima da Cecília, Tata, que é gay, as amigas Stephanie, que é negra e Rachel, que é cadeirante. Apesar da trama simples, o livro possui bons ganchos para ter uma continuação, ou mesmo um spin-off sobre essas personagens, pois todas, a sua maneira, tornaram a história da Cecília ainda mais emocionante.

Uma vez ela me disse que precisa ser duas vezes melhor do que todas as concorrentes. Que tinha nascido em desvantagem dupla, por ser mulher e negra. Tinha uma consciência enorme de sua própria identidade, o que tornava algumas coisas muito dolorosas.

O mais importante neste livro está em sua premissa, na mensagem que a autora nos passa por meio da história de Cecília. Se por um acaso você leu e não compreendeu, a autora fez uma nota no final, relatando ter escrito o livro pensando em todas as vezes que se sentiu triste e sozinha, esperando que em algum lugar houvesse outra pessoa capaz de entender o que se passava com ela. Iris soube finalizar a trama destacando a importância de procurar ajuda profissional e tratamento adequado para problemas emocionais e que mesmo assim ainda teremos dias de céu sem estrelas, o que não significa que elas deixaram de existir, apenas estão encobertas por nuvens passageiras.

Como eu disse na minha postagem de desabafo aqui, eu me apaixonei por esse livro e continuo incapaz de descrever a quantidade de sentimentos que essa leitura despertou em mim. Não sei contar quantos sorrisos bobos ela me tirou, na mesma medida que me enterneci com os dramas de cada personagem. Não é um livro apenas para ser lido, ele é para ser sentido. Uma história sensível, profunda, extremamente marcante, e para mim, muito emocionante, daquelas que acaba e nos deixa pensando na vida por horas, que queremos guardar em um potinho de tanto que nos identificamos com ela.

E para finalizar eu faço uso das palavras da autora: Se você está experimentando sentimentos similares ao da Cecília e lida com pensamentos suicidas e de autoflagelação, saiba que é possível encontrar ajuda.


CVV - Centro de Valorização da Vida

Disque 141
http://www.cvv.org.br


O CVV - Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias. Lembrando que o CVV não substitui o atendimento profissional especializado.

site: https://acabinedeleitura.blogspot.com/2018/07/resenha-ceu-sem-estrelas.html
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Jessé 22/02/2019

A vida de Cecília não é das mais fáceis. Muito pelo contrário. A faculdade de desenho industrial talvez não seja aquilo que ela ama fazer. O relacionamento com sua mãe não é dos melhores. Ela não faz ideia de quem seja seu pai e, se pudesse, gastaria seu réu primário socando a cara de seu padrasto.

Está ruim, mas pode piorar. Perdeu o emprego, não sabe como contar para a mãe, tem uma queda pelo irmão da melhor amiga e sente-se invisível e insegura, por estar acima do peso.

A narrativa alterna entre Cecília e Bernardo, o irmão de Iasmin (melhor amiga de Cecília). É interessante ver o relacionamento deles nascendo pouco a pouco, sem forçar a barra. É um casal que você não dá muito crédito mas, depois que conhece, passa a shippar, com todos os acertos e erros.

Enquanto Bernardo e Iasmin possuem uma ótima vida financeira, Cecília é um turbilhão de acontecimentos ruins. Por mais que ela se esforce, nem tudo dá certo em sua vida, e isso ferra ainda mais com o psicológico da protagonista.

Mas nem só de problemas a vida é feita. Todo mundo tem uma luz no fim do túnel. Além de Bernardo (que acaba fazendo caquinha na história), Cecília também tem sua avó e suas amigas. Pessoas que realmente se importam com quem ela é. A história é fluída, e você simplesmente não consegue parar de ler. Logo eu, que não sou fã de romances, devorei o livro em 24 horas!

A diagramação está impecável e, em algumas cenas, há até mesmo prints de conversas e posts em redes sociais! Sem contar também com as várias referências a livros e autores. Além de fofo e divertido, o livro também nos passa uma mensagem muito importante sobre nossos medos e inseguranças. Infelizmente, a vida de Cecília é a realidade de muitos jovens e, durante um tempo, foi a minha também. Algumas pessoas sentem-se inferiores devido ao seu peso, seja ela gorda ou magra (o meu caso). Não é fácil lidar com a solidão, com a sociedade e com o bullying. Sério, galera. Piadas sobre o peso de alguém não são legais. Parem com isso.

Algumas pessoas são tóxicas, eu sei, e às vezes, são da nossa própria família. Então, lembrem-se. Família não é feita apenas de laços sanguíneos, mas de quem você ama e de quem ama você. E, se você também se sente assim, não tenha medo de procurar ajuda. Você não está sozinho (a). Nós estamos aqui.



site: www.dicasdojess.com
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Ludy 15/10/2018

Sempre haverá estrelas
Céu sem estrelas - Iris Figueiredo
360 páginas/Editora Seguinte


Esse livro contém gatilhos: crises de ansiedade, ataques de pânico e automutilação.

Cecília só tem 18 anos, mas desde sempre escuta as pessoas falando sobre o seu peso.
Cecília só tem 18 anos, mas desde sempre convive com uma mãe que não faz a menor questão de ser amável.
A relação com a mãe e o padrasto é complicada, e uma mentira de Cecília faz com que ela seja mandada para casa da avó. Mas ela acaba pedindo auxílio para sua melhor amiga, Iasmin.
Morando sob o mesmo teto que Bernardo - seu crush desde sempre - Cecília tem a chance de conhecê-lo um pouco mais.
Mas, no momento, seu emocional está abalado. Ela está insegura, frágil, sem autoestima e sem saber o que fazer.
Será que essa relação pode dar certo?

Confesso que não me conectei com o início. A narrativa é bem fluida, mas eu sentia que estava raso. Cecília estava um tanto apática, Bernardo me deixava em dúvida e cheguei a pensar que iria me decepcionar.
É preciso começar essa leitura tendo em mente que Cecília não é uma personagem para ser julgada, e sim, compreendida.
A medida que fui entendo os motivos que levaram ela a ser quem é, tudo fez sentido.

A história é intercalada entre Cecília e Bernardo; foi ótimo conhecê-lo. Ele está na fase de transição, de sentir que não se encaixa mais em determinado grupo.
O que me encantou nesse livro, foi o fato do Bernardo se apaixonar pela Cecília naturalmente, ele não se questiona por conta da aparência dela; ele gosta.
A maneira que o romance entre eles foi construído também é lindo.
Ah, impossível não suspirar com esses dois.
Cecília está perdida, mas percebe que lar nem sempre é um local, mas uma pessoa.
Só que um deslize do Bernardo coloca tudo a perder. Cecília que já estava fragilizada acaba caindo ainda mais.

Me identifiquei com a Cecília, chorei com ela e torci para que tivesse um final feliz.
É preciso pedir ajuda, colocar pra fora e entender que os medos nem sempre são reais, mas acima de tudo, ter a certeza que sempre terá alguém por você.
Estaremos todos no fusca azul.
Gratidão, Iris!

- Sim, sempre existe uma saída. Sempre existem estrelas."

#resenhaemalgumlugar

site: @emalgumlugarnoslivros
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Carol 01/10/2018

Melhor leitura do ano
Resenha feita originalmente no blog Virando Amor

Cecília acaba de completar a maioridade, e bem no dia do seu aniversário é despedida de seu trabalho. Ela esconde isso de amigos e de sua mãe, por não querer demonstrar mais um fracasso de sua parte. Cecília tem baixa autoestima, tem que lidar com piadas gordofóbicas por parte de desconhecidos e familiares; além disso, mora com a mãe que está mais preocupada em perdoar o padrasto de Cecília, Paulo, que a traiu, do que com a própria filha. Mas quando ela descobre que Cecília foi despedida e mentiu sobre isso, foi a gota d'água. Cecília está acostumada a ser mandada pra casa da avó quando tem essas brigas com sua mãe, mas dessa vez, ela pede pra ficar morando por uns tempos na casa de sua melhor amiga, Iasmin.

Durante sua estadia na casa de Iasmin, Cecília conhece melhor o irmão de sua amiga, Bernardo, por quem ela teve uma quedinha desde a infância. Eles começam a se relacionar escondido, porque Cecília não sabe como Iasmin, que tem ciúmes do irmão, vai reagir.

Cecília não é um livro aberto, prefere guardar seus problemas para si mesma. Ela é o oposto de Bernardo, que tem facilidade de conhecer as pessoas, e é nessa diferença que eles encontram algo em comum, pois apesar de Bernardo parecer ter uma vida ótima e perfeita, ele anda meio perdido em relação a seu futuro. A construção do relacionamento dos dois foi muito linda e feita de forma leve.

Essa história é muito importante, por abordar de forma sensível sobre saúde mental, aceitação do próprio corpo e as formas diferentes de como lidamos com a dor. A Iris escreve com uma delicadeza, e é por isso que ela é uma das minhas autoras favoritas, porque tudo que ela escreve é genuíno e qualquer pessoa que passa por algum problema irá sentir conforto em suas palavras, e um quote do livro mostra isso (eu fiquei impactada por esse quote):

"– Não existe um céu sem estrelas, Cecília. Mesmo quando estão encobertas pelas nuvens, ainda estão lá. A gente só não consegue enxergar."

A história é contada ora pelo ponto de vista de Cecília, ora pelo ponto de vista de Bernardo. E é incrível que, mesmo que Cecília seja uma pessoa "misteriosa" para aqueles à sua volta, a autora conseguiu mostrar muito bem a dor da personagem, nos faz sentir empatia genuína por aquilo que ela está passando, com seus medos e inseguranças, e ela foi como uma amiga pra mim. Bernardo é uma pessoa maravilhosa, sempre disposto a ajudar Cecília, tentando entender aquilo que ela tá passando. Por mais Bernardos no mundo. 🎔

Esse é um livro que eu precisava no momento que eu precisava, e entrou pra minha lista de favoritos. Eu gostei muito que a autora deu um final real, que os problemas não são resolvidos como um passe de mágica; é preciso levar um dia de cada vez, e como a autora mesmo disse no final, "há muitas estrelas no céu, não deixe que as nuvens te façam se esquecer disso". Recomendo muito, e espero reler em breve!

site: https://www.virandoamor.com/2018/08/resenha-ceu-sem-estrelas-de-iris.html
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Hellen @Sobreumlivro 12/08/2018

Pense sobre se encontrar e buscar pessoas que te façam bem, questione-se e ame-se.
Céu sem estrelas tem todas as coisas necessárias para compôr uma boa história: personagens encantadores, conflitos familiares, autoconhecimento e romance. E uma escrita encantadoramente viciante! 🌌🌃
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Todo adolescente sonha em chegar aos 18 anos. Aparentemente, a idade tem um toque mágico de transformação. Só que, na realidade, não é bem assim. Mesmo depois de assoprar as velinhas e cantar os parabéns, a vida continua igual. Mas bem que poderia ser diferente, né?

Esse é o desejo de Cecília, que a sua vida seja diferente. Depois de perder seu primeiro emprego e de sido expulsa de casa, a garota se muda para a casa da sua melhor amiga e lá ela se reaproximará de um antigo e secreto amor (ok, não tão antigo assim).
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Não se engane pela simplicidade da premissa. Céu sem estrelas não se limita a uma história clichê sobre o primeiro amor. É sobre se encontrar e se amar; sobre lidar com a ansiedade e a depressão, os medos, a instabilidade emocional e as inseguranças em relação ao corpo.

Iris Figueiredo me encantou desde o início. Não bastando essa capa encantadora, que já nos deixa totalmente ansiosos e animados em relação a leitura, a autora escreve uma história com muita sensibilidade - o que é incrível, visto que os temas abordados na história são pesados.
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"O amor é paciente. Ele é feito de respeito e apoio mútuos. Ainda tenho medo do abandono, mas procuro pensar todos os dias que aqueles que importam estarão sempre comigo. Que uns chegam e outros vão, mas que não posso aceitar menos do que eu mereço." - Hino de quote!
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É, por fim, uma história que acalenta, que nos deixa encantados pela simplicidade da escrita e tristes com a situação; nos deixa com aquele imenso desejo de salvar todas as Cecília's que pudermos.
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DÁ SÉRIE, SE VOCÊ GOSTOU DE...
À Procura de Audrey, A Lista Negra, Os bons Segredos ou O Sol também é uma estrela, com certeza VAI GOSTAR DE Céu sem estrelas.

site: instagram.com/sobreumlivro/
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Suelen 26/06/2018

Sabe quando um livro te encanta pela capa (lindíssima) mas te ganha pelo conteúdo?

Uma história que fala sobre a saúde mental, escrita de uma forma sensível e honesta que nos faz refletir um pouco sobre essa realidade.

"Quando nos importamos com alguém que vive uma luta tão profunda contra seus próprios monstros, o medo de que algo esteja fora do lugar, sempre bate à porta".

Em diversos momentos fiquei com o sentimento de empatia pelos personagens, querendo dar um abraço daqueles bem quentinhos e dizer que: "Sempre existem estrelas".

E no final do livro, a gente fica com vontade de sentar nesse fusquinha, junto com a Cecília e o Bernardo e conversar sobre as coisas da vida!
AMEI o livro e SUPER recomendo a leitura!
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zoni 13/08/2018

Quando não vemos estrelas no céu, é preciso buscar a luz ao nosso redor.
Em um enrendo espetacular e sensível, Iris nos mostra que precisamos encontrar nossa força mesmo quando não vemos mais esperança, quando estamos com medo e quando nos sentimos sozinhos. De um jeito profundo e brilhante, a autora dá voz a personagens que estão na profunda busca de encontrar seu lugar no mundo.

Eu preciso confessar que quando comecei o livro cheguei a achar que seria apenas um simples romance jovem narrado por duas pessoas, carregado de muitas emoções que vivemos na adolescência, e isso já não era ruim, pois não tem como algo ser ruim quando Iris tem uma escrita impecável e envolvente, mas o que acontece é que a cada capítulo avançado, vamos vendo a trama ficar profunda e assuntos de suma importância vão começando a surgir. A abordagem de Iris aos transtornos psicológicos é surpreendentemente real, ela trata o assunto tal qual realmente é: escreve as crises, os momentos ruins, os picos de bons momentos, o medo de procurar ajuda psicológica, a automutilação (que não ocorre com todos, mas ocorre em muitos dos casos), o vazio, o autoconhecimento, a jornada de alguém em depressão ou com algum transtorno psicológico. E é tudo com tanta maestria e empatia que não tem como deixar de se envolver na história e torcer, ou sofrer junto com as personagens.

Cecília é aquele tipo de personagem difícil de gostar, mas fácil de se identificar, me identifiquei com ela logo no prólogo, mas amar a personagem demorou um pouco, levei alguns capítulos pra sentir que a amava de verdade. Já Bernardo foi totalmente o inverso, o amei de primeira, e fui entendendo seus dramas e sua vida aos poucos, de pouquinho em pouquinho fui me identificando com ele. E os dois de formas diferentes nos passam muitos aprendizados. Eu sempre me apaixono por personagens secundários, eles são tão importantes para compor a história, e nesse volume, Iris nos dá personagens tão incríveis e lindos como os protagonistas, e cada um nos ganham de alguma forma.

Céu sem estrelas é um romance emocionante, com muita diversidade, com vários posicionamentos admiráveis, com personagens cativantes e cheio de ternura. É o tipo de livro que nos faz sorrir e chorar, que abre e toma um espaço ali no nosso peito e que temos total certeza de que iremos carregar no seu coração por todo o sempre.

site: www.instagram.com/nomeiodatravessia
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