Entre as Estrelas : Aquiles

Entre as Estrelas : Aquiles Marcílio Moraes




Resenhas - Entre as Estrelas : Aquiles


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Alexandre Kovacs / Mundo de K 05/06/2018

Marcílio Moraes - Entre as Estrelas: Aquiles
Editora 7 Letras - 140 Páginas - Lançamento: 01/01/2018.

O escritor e dramaturgo Marcílio Moraes foi também professor, tradutor, jornalista, crítico de teatro, publicitário, revisor, dicionarista e assessor técnico da Fundação Nacional de Arte – Funarte. Ele desenvolveu uma longa carreira na televisão brasileira, tendo iniciado a escrever novelas na TV Globo na década de 80, no início em colaboração com autores que marcaram época no gênero, caso de Dias Gomes com "Roque Santeiro" e Lauro Cesar Muniz com "Roda de Fogo", mais tarde trabalhou, na mesma empresa, em roteiros de minisséries de sucesso, tais como: "A Grande Família", "Noivas de Copacabana", “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Chiquinha Gonzaga”. Desde 2005, Marcílio Moraes é autor contratado da TV Record onde escreveu, entre outras, a novela “Vidas Opostas”, vencedora do Troféu Imprensa de 2008 e os seriados: "A Lei e o Crime" (2009), "Fora de Controle" (2012) e "Plano Alto" (2014).

É natural que o leitor, influenciado pelo extenso currículo de Marcílio Moraes na atividade de roteirista de teledramaturgia e o sugestivo subtítulo, A saga de um autor de telenovelas, tenha dúvidas quanto ao estilo que se apresenta neste livro, mas posso garantir que, tanto em termos de conteúdo quanto de forma narrativa, o texto pode — e deve — ser classificado como romance de literatura brasileira e avaliado, portanto, sem preconceitos, procedimento que adotei durante a minha própria leitura e não me arrependi. Utilizando a sua vocação original de dramaturgo, Marcílio surpreende com um texto forte e criativo que certamente não seria aprovado como base de um roteiro para telenovela na TV Globo ou, muito menos, na TV Record.

A inspiração vem do universo televisivo e do comportamento nada ético de autores, diretores e executivos envolvidos na produção de uma telenovela, sendo o protagonista um experiente e amargurado autor em crise. Logo, outro questionamento Inevitável do leitor poderia ser o quanto de autobiográfico está presente no romance. Bem, este é um ponto mais subjetivo e de difícil comprovação, já que somente Marcílio Moraes poderia identificar as pessoas reais que inspiraram a criação dos personagens — coisa que ele dificilmente fará — mas obviamente a sua vivência na área deve ter sido relevante na construção do texto de ficção e a semelhança com pessoas e celebridades reais não parece ter sido uma mera coincidência.

A trama é ambientada no início dos anos 90, um período anterior ao dos canais de televisão fechados, quando o poder das telenovelas era ainda mais determinante para a sobrevivência financeira das emissoras, o protagonista João Carlos, ou Joca, como é chamado pelos colegas, é um experiente escritor que está iniciando os primeiros capítulos de um roteiro quando é informado de que uma das atrizes escalada para sua próxima novela será transferida para outra produção, que passa por uma crise de audiência. Joca fica transtornado com a notícia e entra em rota de colisão com o diretor e o executivo mais importante da emissora pelo retorno da atriz.

No decorrer do texto, fica claro que o interesse de Joca por Nize, a jovem e bela atriz em disputa, não é unicamente fruto de sua preocupação com o sucesso da produção, ele pretende se aproveitar do fato de ter sido o responsável pela descoberta e ascensão profissional da atriz, cobrando o preço tradicional nesses casos, e ignorando a relação, de aparências, que ainda mantém com a sua esposa, ambos "adestrados na chacina dos sentimentos conjugais". Na verdade, Joca está plenamente inserido na rede de interesses egocêntricos do poderoso canal de TV para o qual trabalha e fará qualquer coisa para manter o seu status.

Marcílio Moraes demonstra facilidade na construção de diálogos rápidos e carregados de tensão psicológica, mas sem dispensar referências a temas da história, literatura e mitologia grega clássica, como na reunião entre Joca e Menão, o todo poderoso executivo da emissora, durante o almoço no "Parnaso" com os "janízaros lambedores de saco". Por sinal, um recurso interessante é o uso de vocabulário inusitado em algumas passagens, por exemplo os substantivos: "jabarandaia", "morubixaba" ou "tutumumbuca" todos sinônimos para mandachuva, outra marca de um escritor profissional que foi também dicionarista, diga-se de passagem.

A construção psicológica do protagonista é muito rica em seus contrastes porque ao mesmo tempo em que este demonstra desprezo pelas pessoas ao seu redor e frustração com a carreira de roteirista, é impotente para mudar o seu próprio comportamento egoísta e covarde, inclusive com outros colegas escritores. Nos seus momentos de crise busca refúgio no álcool, mas começa a perder o controle de suas ações como no trecho abaixo em que, completamente bêbado, é convidado a discursar ao final de um elegante jantar com os amigos da esposa e acaba descarregando todo o seu ódio acumulado pela carreira na televisão.

"— Fui instado a discursar, não pelos meus méritos ou deméritos de ser humano, mas porque sou homem de televisão. Assim sendo é sobre ela que vou falar. Meus amigos, a televisão é uma merda. Tudo que ela atinge vira merda. Eu me tornei um merda. E quando sou paparicado por vocês, que me acham grande coisa, também transformo vocês em merda. Escrevo para televisão porque gosto de dinheiro. Quem já dependeu de uma peça de teatro para viver sabe da indigência de que falo. Hoje estou aqui, no meio dos grã-finos, tomando champanhe e entupindo meus ouvidos de besteiras. Era tudo que eu queria nos tempos em que girava sem sentido na solidão das praças públicas, objeto do escárnio e das gozações dos filhos da puta que assistiam e jogavam os sacos de pipoca amassados em mim. Eu olhava para cima, via o céu brilhando e dizia: um dia vou estar entre as estrelas. E lá cheguei. História bonita, hein? Trama de novela. Quem sabe eu não possa me apresentar diante do eterno e dizer com toda convicção: eu sou aquele que circulava em volta do nada e queria estrelas e hoje as estrelas giram em volta de mim que sou nada, trapaceiro que ludibria enganadores, pilantra que enaltece mariolas, puxa-saco que bajula lambe-cus, soberbo que convence arrogantes de que são humildes, bêbado que prega o comedimento. Termino com o velho Pessoa: ó príncipes, meus irmãos, onde é que há gente na porra deste mundo?" (Pág. 83)

O romance é narrado em terceira pessoa, contudo com inserções de fluxo de consciência. Esta alternância do discurso narrativo ajuda na criação de contrastes e apresenta uma chance única de percebermos as verdadeiras intenções do protagonista que não é confiável, mas desperta a nossa simpatia pelo que representa de humano e verdadeiro. Outra característica da construção do texto é a mistura com partes dos capítulos que estão sendo escritos para a telenovela, possibilitando um interessante efeito de oposição entre ficção e realidade.
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Vinicius 14/06/2018

Ninguém imagina o que está por trás das câmeras de uma novela de sucesso.
Todo o sortimento de intrigas, jogo de poder, inveja e concupiscência permeiam um simples entretenimento televisivo.

Numa obra que mistura três níveis de interpretação fica até difícil distinguir o que é real do que é ficção e do que é o sonho dentro da ficção. De tudo aquilo que acontece, que personagens foram inspirados em pessoas de verdade? Ou quais situações ocorreram na vida de Marcílio? É muito bom viajar pelas entrelinhas de "Entre as Estrelas: Aquiles".

" - Deixa, Sandra. No fundo, a vocação dele é de sacerdote.
- Na mosca. Eu não escrevo, oficio todas as noites a comunhão do povo brasileiro com a mediocridade do seu destino."



João Carlos é um autor de telenovelas e está escrevendo seu próximo sucesso. O problema é que, aos poucos, as coisas saem do controle. Tudo por conta de uma atriz, Nize, pela qual ele nutre uma oculta paixão. Ela é retirada da obra de Joca, como é conhecido, para atuar numa outra novela que é um fiasco. Mas Joca não recebe a notícia de forma pacífica e toda a sua novela é ameaçada pelas suas atitudes subsequentes.

A trama se desenrola de forma sutil, super íntima, nada é entregue ao leitor sem passar pelos devaneios do protagonista. Os pensamentos sempre sujos e baixos de joca contrastam com as atitudes do personagem, que se afoga na bebida e enfrenta problemas cada vez maiores com sua esposa, com a emissora em que trabalha e também com seu passado. Cada gole do que quer que seja ajuda o autor a enfrentar esse jogo que a vida rege com o máximo de cinismo e autocontrole que ele consegue.

Os personagens secundários também são bem reais: Menão, Sandra, Amorim, Mafim, Durval... Você imagina que aquelas pessoas realmente existem, com todos os seus desejos e malcriações.

Veja a resenha completa aqui: bit.ly/4SAquiles

site: bit.ly/4SAquiles
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Blog De Bem Com a Leitura 01/08/2018

Joca é um consagrado autor de novelas e está com um trabalho em andamento, a novela já está para estrear e as coisas iam muito bem - embora os preparativos estivessem com o prazo apertado - até lhe tirarem a sua atriz queridinha, deixando-o completamente irritado. Nize foi a sua grande descoberta, ele foi o responsável por levá-la às novelas e não aceita que a roubem dele.

Mas não é apenas por Nize ser uma boa atriz que Joca fica tão insatisfeito, é porque ele a deseja secretamente. Ao lhe arrancarem a mulher de suas fantasias, Joca sente-se traído. Pior foi a justificativa para tirarem a atriz de seu elenco. Há uma outra novela da emissora que está muito mal de audiência, um verdadeiro fiasco, e Nize pode levar alguma melhora para a trama.

Joca é um homem amargurado, não gosta de interagir com outras pessoas porque acha que elas veem nele apenas a chance de se promoverem. E cada vez mais ele se afunda em bebidas alcoólicas, o que lhe rende momentos constrangedores e brigas com a sua esposa. Joca é casado com Sandra há muitos anos, mas a chama de seu casamento está se apagando e o casamento está se acabando.

Quando conheceu Nize, Joca se encantou pela linda jovem e, desde então, não a tira de seus pensamentos. Ele escreveu um papel especialmente para ela, mesmo não sendo a protagonista, Joca faz questão de afirmar que é um dos mais importantes e que sem ele a novela não será mais a mesma. Por isso bate o pé ao querer sua atriz, o papel é dela e não há outra pessoa que se encaixará nele.

A maneira como ele descobriu tudo foi o que mais lhe irritou, não pacificamente, mas através de boatos. Ele tenta a qualquer custo recuperar Nize para a sua novela, enfrenta os grandes responsáveis pela emissora, não tem medo do que pode lhe acontecer, pois sabe que é um dos melhores autor de novelas. Mas todo o seu esforço parece não surtir efeito e isso o deixa ainda mais zangado.

Enquanto isso, precisa terminar de escrever as cenas, a novela está para ir ao ar e ele deve adiantar alguns capítulos para entregar, mas não consegue escrever passando por essa situação. Joca está sob pressão, são muitas cobranças em cima dele.

Leia a resenha completa lá no blog > https://goo.gl/HyfVYL

site: http://vocedebemcomaleitura.blogspot.com.br/
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Lucas Furlan - Valeu, Gutenberg! 15/09/2018

Entre as estrelas: Aquiles - A saga de um autor de telenovelas
Marcílio Moraes deve ter perdido as contas de quantas vezes foi questionado se Entre as estrelas: Aquiles – A saga de um autor de telenovelas, seu segundo romance, é uma obra autobiográfica.

É difícil fugir dessa pergunta, já que Marcílio se tornou conhecido justamente escrevendo novelas na Globo e na Record (ele criou folhetins como Sonho meu e Vidas opostas, além de ter colaborado em produções importantíssimas da televisão, como Roque Santeiro e As noivas de Copacabana).

Mas a resposta do autor é: não, o livro não é autobiográfico. Isso não deve diminuir em nada o interesse pela obra, que tem uma linguagem bastante original e ainda por cima é muito engraçada.

Entre as estrelas: Aquiles se passa no começo da década de 1990 e narra a história de Joca, um dos melhores novelistas do Brasil. Apesar de todo o seu prestígio, ele se sente traído pela própria emissora depois que Nize, uma atriz que iria atuar em sua próxima novela, é remanejada para o elenco de uma trama que vinha sendo exibida.

Joca não aceita que eles tenham mexido justamente com a Nize: uma atriz que ele descobrira, pra quem ele tinha escrito um papel sob medida, e por quem ele sentia uma atração irresistível (mesmo sendo casado).

Dessa forma, o enredo do livro é, basicamente, a “saga” de Joca tentando convencer a emissora a mudar de ideia e devolver sua atriz. Enquanto isso, acompanhamos seu consumo cada vez maior de bebidas, sua rotina de trabalho e sua relação – quase nunca amistosa – com outros profissionais da televisão: atores, atrizes, diretores, secretárias, executivos… Com o orgulho ferido, Joca enxerga a todos como rivais.

O que mais me agradou em Entre as estrelas: Aquiles não foi a trama, mas sim a construção do texto. Marcílio Moraes combina a narração tradicional em terceira pessoa com o fluxo de consciência em primeira pessoa do protagonista, o que gera um resultado inusitado e, por isso mesmo, muito interessante.

Ao escrever o que Joca está pensando, o autor abandona a pontuação e mistura erudição, palavrões e gírias em frases explosivas. Muitas vezes, o que o personagem pensa contradiz sua atitude naquele mesmo momento, gerando um efeito muito engraçado.

Marcílio Moraes também incluiu no texto marcações de cena como “OFF”, além de trechos de roteiros escritos por Joca. O autor ainda brinca com situações que se tornaram clichês em novelas, como o homem que chega em casa e vai direto pegar um copo de uísque.

Um aspecto que pode desagradar algumas pessoas é o lado grosseiro de Joca. O personagem fala (e pensa) muitos palavrões, chegando a ser estúpido e preconceituoso – principalmente quando está alcoolizado. Esse lado mais “desagradável” do protagonista pode incomodar leitores mais sensíveis.

Mas eu gostei bastante de Entre as estrelas: Aquiles e recomendo a leitura, sendo você um fãs das novelas escritas por Marcílio, ou não. É um livro irônico, divertido e com um estilo muito ousado e original.

site: www.valeugutenberg.wordpress.com
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Douglas | @estacaoimaginaria 05/11/2018

Resenha: Entre as Estrelas: Aquiles
Falar desse livro do autor brasileiro Marcílio Moraes poderia ser um grande desafio. Mas a narrativa que o escritor emprega em seu livro “Entre as Estrelas: Aquiles” facilita esse trabalho. Não por ser simples, mas pela fluidez que o texto tem e o raciocínio lógico que Moraes consegue colocar na sua escrita. Sem mais delongas, vamos à resenha desse livro que tem o subtítulo de: A saga de autor de telenovelas.

Ao contrário do que se pode parecer, esse não é um livro que pode te irritar pelo fato de ser sobre telenovelas. É curioso conhecer os bastidores que permeavam esse mundo nos anos 1990, época em que se passa o romance. Nesse livro, conheceremos Joca, ou João Carlos, um autor bem-sucedido no quesito telenovela e que está escrevendo sua mais nova obra. É enquanto ele escreve essa novela que se passa essa história. Toda trama, na verdade, está envolvida no fato de Nize, uma atriz que ele conheceu há alguns anos, ter sido escalada para outro papel, para salvar uma outra novela que estava em baixa. O problema é que Joca, aficionado por Nize, havia preparado um papel especial para a atriz, um papel que, para Joca, somente ela poderia encenar. E aí… o caos está feito e parece que tudo começa a dar errado para o autor.

Resumo do livro feito, vamos falar das minhas percepções dessa obra. Confesso que me surpreendi bastante com o livro. Eu já conhecia o trabalho de Marcílio Moraes, mas não nos romances, e sim em novelas, na época que eu assistia novelas, pelo menos. Admirava seu trabalho e sua escrita e passei a admirar ainda mais agora, após a leitura desse livro. Para começar, o livro não tem capítulos. É uma narrativa fluída, com pequenas pausas para dividir momentos, mas sem especificar divisão por capítulos. Achei isso positivo, apesar de preferir essa divisão, pois tornou a leitura muito mais fluída. Comecei e terminei a leitura de uma só vez e acho que essa narrativa contribui para isso.

Outro ponto positivo da história é a forma como o autor insere a consciência de Joca no meio da história, falas e devaneios. É muito inteligente a forma que ele coloca essas coisas que sabemos que está apenas na cabeça de Joca. E o autor, geralmente, coloca isso numa tacada só, mostrando como funciona nossa mente, mesmo. Afinal, quando pensamos, é um turbilhão de coisas e tudo corrido, tudo “jogado”. Achei sensacional essa sacada de Moraes. Isso e os devaneios da mente de Joca. Tem situações que acontecem no texto, mas na verdade não aconteceram de fato no livro. É só a imaginação de Joca de como aquele momento seria ou deveria ser. No começo até me confundi, mas quando entendi a jogada do autor, vi com bons olhos essa forma de narrar a história.

Uma coisa incrível é o vocabulário do autor. É uma riqueza sem tamanho de formas e palavras que nem eu conhecia e que, de certa forma, mostram uma certa narrativa rebuscada, mas, ao mesmo tempo, uma escrita muito comum, principalmente nos pensamentos de Joca. A mente irônica e sagaz dele é incrível. Os xingamentos, os palavrões, sem medo de ofender quem quer que seja. Isso tudo, apenas na mente de Joca, é claro. Na vida real, ele tenta se mostrar o mais educado e cordial possível, menos quando bebe…

Eu vi algumas entrevistas do autor a respeito desse livro sobre a possibilidade de esse livro ser uma forma irônica de apresentar o que de fato acontecia e acontece nos bastidores da TV. Moraes fala que é tudo ironia, mas não necessariamente da realidade do que acontece. Não sei mesmo se essa foi a intenção do autor, mas por ele ser um autor de telenovelas também, enquanto lia esse livro, não deixei de imaginar e ligar alguns pontos com os bastidores das novelas no Brasil que, geralmente, conhecemos.

Enfim, para finalizar, as 140 páginas desse livro tem tanta história quanto se fossem 500 páginas. Acho que é um dos livros brasileiros mais interessantes que li, porque, apesar de ser sobre os bastidores da telenovela no Brasil, há muito mais envolvido que você só descobrirá lendo essa obra. Portanto, eu indico que você adquira e leia esse livro. Vale muito a pena!

Espero que tenham gostado da resenha, espero que leiam essa obra e espero que vocês comentem o que acharam da resenha, o que acharam do livro, se já leram, e se concordam ou discordam comigo. Espero vocês!

site: https://estacaoimaginaria.wordpress.com/2018/08/24/resenha-entre-as-estrelas-aquiles-de-marcilio-moraes/
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Aguinaldo 26/12/2018

entre as estrelas: aquiles
Marcílio Moraes é escritor e dramaturgo experimentado, co-autor ou autor de várias novelas, minisséries e outros programas de televisão, tendo também produzido cousas para o teatro e o cinema. "Entre as estrelas: Aquiles" é seu segundo romance publicado (o primeiro foi "O crime da Gávea", adaptado para o cinema no ano passado). Dá leitura desse seu "Entre as estrelas" percebe-se que Marcílio escreve sobre o que conhece muito bem. O romance gravita o mundo da produção de telenovelas, as disputas de poder e os egos em fúria de roteiristas, diretores, empresários e atores, as fofocas de jornal, as intrigas dos funcionários que ambicionam prejudicar ou se envolver com os atores. Há um jogo bacana no livro, que é a progressiva confusão entre o que é ficção, invenção, e o que é realidade, espelhando aquilo que todos aqueles que um dia se interessaram por novelas sabem muito bem. O cenário é obviamente o Rio de Janeiro, mas a cidade não chega a aparecer muito, é um personagem coadjuvante, que se não faz feio, não é devidamente explorada. O romance é escrito basicamente na forma de diálogos rápidos, sem muita descrição. Claro, o narrador faz com o que o leitor saiba tudo o que importa sobre os sucessos da trama. O protagonista é João Carlos, um autor de telenovelas que entra em conflito com o diretor da produção e demais superiores por conta de uma atriz. Aprendemos algo sobre a rotina e o ritmo das produções televisivas, os bastidores obviamente nada glamourizado deste ofício. João já escreveu uns vinte capítulos e as filmagens já começaram, mas a atriz com quem ele esperava flertar através da novela é escalada para uma outra, que está com problemas de audiência. Desta situação a narrativa se resolve cronológica e rapidamente, em pouco mais de cinco dias (há um avanço temporal no final do livro, mas apenas para amarrar as pontas soltas da história. Apesar de previsível o romance é bem escrito. Marcílio faz seu João bastante cabotino, afetado, que não disfarça uma cultura que se já foi sofisticada afogou-se nas profundezas do entretenimento popular, onde fórmulas, clichês e situações previsíveis são as que fazem mais sucesso. Isso humaniza o personagem e dá verossimilhança ao livro. Enfim, o romance de Marcílio tem força por conta deste sarcasmo velado, como se ele estivesse piscando o olho para o leitor, fazendo-o cúmplice deste deboche. De qualquer forma, trata-se de um romance honesto, que oferece entretenimento e boas horas de diversão, como toda boa novela (mas se você realmente gostar de novelas vai divertir-se mais). Vale!
Registro #1349 (romance #353)
[início 11/09/2018 - fim: 13/09/2018]
"Entre as estrelas: Aquiles", Marcílio Moraes, Rio de Janeiro: 7Letras, 1a. edição (2018), brochura 14x21, 140 pág. ISBN: 978-84-421-0639-8

site: http://guinamedici.blogspot.com/2018/12/entre-as-estrelas-aquiles.html
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