Máquinas Mortais

Máquinas Mortais Philip Reeve




Resenhas - Máquinas Mortais


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Paraíso das Ideias 06/03/2019

Quase lá
Máquinas Mortais é uma distopia fantástica, que possui como pano de fundo uma Londres destruída após uma Guerra Nuclear, nomeada Guerra dos sessenta minutos, após a destruição em massa dos solos e da natureza, os seres humanos se viram obrigados a viverem acima da terra para fugir da radioatividade.

Sendo assim, as pessoas agora habitam naves de tração, vivem acima do solo, apenas rodando pelas terras e comendo naves menores, o mundo chegou a nova categoria de Darwinismo, onde as maiores cidades, devoram e destroem as menores. E é nesse cenário que vamos conhecer e acompanhar Hester Shaw, uma jovem que só busca vingança e paz.

"Era natural que cidades comessem vilas, assim como as vilas comiam vilarejos, e vilarejos pegavam pequenos assentamentos. Isso era Darwinismo Municipal, e esse era o jeito que o mundo funcionava há mil anos."

Hester era pequena quando seus pais foram assassinados por Thaddeus Valentine, um historiador de primeira categoria da Nova Londres, mas seus fãs e admiradores não sabem do que ele é capaz para manter sua filha Katherine em alta estima na sociedade com tudo do bom e do melhor, mas seu segredo virá à tona quando Hester conseguir entrar na nave e tentar matá-lo.

Tom é um historiador de terceira classe, após perder os pais em um acidente ficou sozinho de todas as formas possíveis, e apesar de conviver com dezenas de historiadores no museu, ainda sim se sente só. Ele é grande fã de Valentine, e quando vê a oportunidade de ficar perto do mesmo na expedição da nova nave devorada por Londres, não perde a oportunidade, é nesse passeio que sua vida muda para sempre. Após salvar Valentine de Hester, o mesmo vai parar no solo com a menina desconhecida e transfigurada. Perdidos nas terras baixas, Tom só deseja voltar para casa e Hester só deseja vingança daquele que destruiu sua família e seu futuro.

No inicio a leitura é bem confusa, o autor não nos apresenta seu mundo, apenas nos joga na aventura através dos olhos de Tom, um personagem que tinha tudo pra ser cativante, mas que me deixou irritada por boa parte dela, se negando a ver o que estava bem na frente dos olhos. Hester por outro lado, é a revolta em pessoa, não se importa em estar viva ou morta, apenas em se vingar e matar Valentine.

O mundo criado por Philip é complexo e bem estruturado, mas nem de longe se torna impossível se levado em consideração a ambição da humanidade e as guerras inúteis que são travadas ao redor do nosso mundo atual, e apesar de confuso, aos poucos você vai se conectando com a história e entendendo os acontecimentos, se ambientando e passando a gostar do que lê.

"Eu tento ser legal. Ninguém nunca fez com que eu me sentisse querida antes, do jeito que você faz. Então tento ser amável e sorridente, como quer que eu seja, mas vejo meu reflexo(...) só consigo pensar em coisas terríveis(...)"

Com relação aos personagens, de todos eles, a que mais me surpreendeu foi Katherine, a filha de Valentine, que tinha tudo para ser uma coadjuvante, mas que deu um show de astúcia, descobrindo não só os podres do próprio pai, mas também a inocência de Hester, além de desabrochar durante o enredo.

Máquinas Mortais é o primeiro livro de uma série lançada em 2001, mas que só chegou ao Brasil em 2018. Recentemente o livro teve o lançamento de sua adaptação nos cinemas e vem fazendo um tremendo sucesso com os fãs de Distopias e Steampunk, e claro, agora me sinto na obrigação de assistir o filme e conferir com meus próprios olhos.

Apesar do livro ser de um gênero que eu amo muito, confesso que não consegui me conectar da forma que gostaria com a história, fiquei sem saber quem era o personagem principal, além do desejo de dar uns tapas no Tom ter me acompanhado a saga toda. Tudo parece muito muito raso, e com uma análise mais profunda a impressão que dá, é de que o autor está usando o primeiro livro para nos ambientar no cenário criado, ou seja, teremos que esperar os próximos capítulos para saber onde tudo isso vai dar.

A escrita do livro é bem gostosa, e apesar de algum momentos confusos é possível acompanhar com facilidade a trama e os personagens. Se você gosta de Distopias e livros de grande aventura com máquinas e mundos distópicos surpreendentes e bem desenvolvidos, então Máquinas Mortais é para você!!

site: http://www.paraisodasideias.com
Isa Gama 28/06/2019minha estante
o livro chegou no brasil bem antes de 2018 mas era pela editora Novo Século... Olhando aqui no skoob parece que foi em 2011...




AndyinhA 14/02/2019

Trecho de resenha do blog MON PETIT POISON

Hoje começo mais uma série aqui no blog, uma distopia, cuja a premissa é bem diferente das coisas que andei lendo. O autor aqui fala de cidades destruídas, mas também fala de cidades móveis, ou seja, as cidades se movimentam e podem consumir outras. No início imaginei algo como aqueles trucks onde um carro bate no outro ou uma corrida maluca tipo ‘Mario Kart’. Até conseguir entender bem a ideia geral foi difícil de processar as informações que eram passadas, mas depois a coisa deslanchou.

Os personagens são bem interessantes e diversificados, e cheio de camadas. A dupla principal tem um misto de ar de vingança e a inocência que dosa bem essa relação, pois Tom sempre viveu nessa nova Londres e acha que tudo que a cidade faz ou fez, ela estava correta e Hester tem um passado meio sombrio, e ela já viu como é a vida lá fora, sem a proteção de uma cidade, vivendo como nômade.

Mas, talvez seja Katherine que tenha me chamado mais atenção, afinal, ela não é exatamente a protagonista e começa sendo a filha mimada e consequentemente, uma bobinha. Mas, ela aos poucos corre atrás de entender o que de fato acontecer e o que Londres deseja fazer. No final do livro ela praticamente ganhou mais destaque de Tom e Hester para mim.

Para saber mais, acesse:

site: http://www.monpetitpoison.com/2019/02/MMortaisPoison.html
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Ivy (De repente, no último livro) 01/02/2019

Resenha do blog "De repente, no último livro"
Máquinas Mortais é o primeiro volume de uma tetralogia steampunk, que recentemente ganhou uma adaptação para o cinema, e que conta com uma grande vantagem: embora seja uma série, suas historias possuem começo, meio e final conclusivos, sendo que cada continuação contará com um conflito diferente do anterior, permitindo que o leitor possa vivenciar toda uma nova situação com cada livro. Num mundo literário onde quase tudo se torna série e as continuações de histórias até comuns parecem se prolongar até o infinito, é bacana poder contar com uma saga que, embora retrate sempre o mesmo universo (que diga-se de passagem é muito original e amplo), vai mudando com relação à trama, inserindo novos personagens e prometendo um final fechado em cada edição.

Nessa primeira parte o leitor é ambientado nesse futuro sombrio e improvável de Phillip Reeve. Depois da grande Guerra dos Sessenta Minutos onde a humanidade praticamente se dizimou, e países inteiros desapareceram do mapa, os sobreviventes tiveram que se reagrupar e com o passar dos anos, a vida em movimento tornou-se a regra. Agora, as cidades já não estão em um lugar definido como outrora, mas são navegantes, mudando a rota e a localização à cada instante. É impossível rastrear outros países e essa inconstância fez cada cidade tornar-se isolada das demais. Além disso, esse novo modo de vida possui sua própria cadeia alimentar. Para sobreviver, uma cidade se alimenta de outras. É como se fossem verdadeiros piratas, engolindo os menores e mais frágeis que há pelo caminho, saqueando seus bens e matéria prima, muitas vezes escravizando populações, tudo em nome de uma sobrevivência voraz.



Thaddeus Valentine é uma lenda em Londres, ele é um famoso historiador, o mais importante de todos e suas descobertas causam inveja. Valentine é aventureiro, desbravador e conhece até os lugares mais longinquos. Ele é um ídolo para Tom Natsworthy, um jovem aprendiz. Porém, quando uma jovem tenta assassinar Valentine, Tom pensa que se tornará um herói ao salvar a vida do grande historiador, no entanto, quando Tom escuta algo que não deveria, ele é traído por Valentine, e arremessado para fora de Londres, em terra firme, forçado a viver como um andarilho, num mundo hostil. Em princípio Tom não entende porque o bondoso Valentine o traiu, mas com o passar do tempo, ao ser obrigado a conviver com Hester Shaw, a garota que busca matar Valentine, Tom descobre que Londres é mais perigosa do que imaginava e que os planos do líder da cidade podem causar uma nova onda de destruição capaz de abalar a civilização inteira mais uma vez.

Enquanto Tom tenta desarmar a ameaça em Londres ao lado de aliados improváveis nesse estranho mundo novo, a filha de Valentine, Katherine, já está desconfiada de algum esquema suspeito e após o atentado contra Valentine, ela fará de tudo para descobrir a verdade por trás das mais famosas expedições de seu famoso pai e essa verdade pode unir os destinos de todos eles, outra vez.



Máquinas Mortais desde os primeiros capítulos já começa cheio de intriga e com revelações inesperadas. O autor vai inserindo o leitor nesse mundo novo bem aos poucos, mas de uma maneira bastante firme, simples, que permite que o leitor entenda sem dificuldades esse universo onde nações se voltam contra outras nações numa espécie de lei do mais forte. Gostei demais do livro porque o ritmo não decaiu nem o começo e nem no final, Reeve soube manter-se sempre na mesma linha de narração, e a alternância de personagens que contam sua história deixou a trama mais interessante, pois temos os pontos de vista de Tom e de Katherine, cada um nos permitindo conhecer um lado diferente da moeda, e ao fim o leitor se torna apto também para julgar quem está correto e quem é vilão.

Os personagens são fortes e carismáticos. Katherine foi uma revelação pra mim porque no começo me pareceu a filha mimada do herói da cidade e então, de repente, se torna uma fortaleza, guerreira e determinada em descobrir uma verdade que ela sabe que foi escondida de todos. Katherine não se ilude, e se permite duvidar de todos, ao mesmo tempo em que ainda mantém uma certa inocência que é coerente com o perfil do personagem.

Os outros dois protagonistas, Tom e Hester também são igualmente interessantes, justamente por não possuírem os perfis típicos de protagonista. Nenhum deles é extremamente heroico, e eles possuem debilidades e complexos que os mostram muitas vezes como frágeis, porém, em momentos cruciais, conseguem se defender, surpreender e garantir momentos de tensão ao leitor. Essas personalidades inconstantes de cada personagem garante um toque bem único à história.



A ambientação foi o que mais gostei porque é complexo, mas não é complicado. Foi fácil de entender os conceitos todos e até mesmo visualizar essa realidade sob rodas criada pelo autor. Embora seja uma ambientação totalmente nova pra mim, não me causou estranheza em nenhum momento, e a linguagem acessível do autor deixou a trama leve, perfeita para todas as idades.



Phillip Reeve não tem dó de seus personagens. É uma trama bem brutal, retratando um mundo predador, então, Reeve consegue deixar bem demonstrada a insegurança daquelas pessoas e o quão incerto é o futuro de cada um deles. A trama toda é cheia de perdas, e o fato de eu ter me apegado à alguns personagens ali só me fez sofrer pois como disse, as perdas são inevitáveis durante toda a trama.



Há mortes, há tiros, há conflitos e traições e temos também um vilão bem caracterizado porque pra mim ele também não foi típico. É um vilão que apesar de fazer o mal, possuí também um lado bom, um vilão que consegue demonstrar frieza e amor em momentos distintos da leitura, e o fato de possuir dois lados, um capaz de amar e outro capaz de destruir o torna inconstante e imprevisível.



A narrativa de Reeve como já disse se mantém sempre no mesmo ritmo, é simples e fácil de entender, numa linguagem agradável, que prende o leitor à história. Nada de palavras rebuscadas ou conclusões difíceis, nada de ficar dissertando demais acerca de um tópico ou aprofundar-se em excesso nas descrições. Phillip Reeve conseguiu poupar o leitor, e entregar uma obra fresca em originalidade e envolvente.



Se eu quero seguir lendo a saga? Com certeza esperarei ansiosa pela segunda parte pois, apesar do final fechadinho, fiquei bem curiosa em conhecer mais desse universo steampunk e futurista, com ares bem obscuros que, com certeza, ainda tem muito à revelar.



Enfim, Máquinas Mortais foi um inicio de saga convincente que pude ler rapidamente por conta da narrativa fluída e simples. Os personagens carregados de dualidades ficaram bem caracterizados e a ambientação foi o que mais me encantou pois é algo novo dentro do que sempre leio. Estou querendo também conferir a adaptação pois uma história grandiosa como essa tem tudo para estar sensacional também nas telonas.

site: http://www.derepentenoultimolivro.com/2018/12/review-255-maquinas-mortais-hungry-city.html
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Vai Lendo 25/01/2019

Corra das cidades, porque elas podem vir atrás de você
Só fiquei sabendo recentemente que seria lançado o filme "Máquinas Mortais", coincidentemente baseado no livro que eu estava lendo.

Era só eu ou mais alguém não sabia que ia virar filme? Porque agora eu me sinto na obrigação de ir assistir.

O livro "Máquinas Mortais", de Philip Reeve, foi lançado pela primeira vez em 2001, se não me engano. Mas só foi trazido para o Brasil agora, pela queridíssima HarperCollins Brasil.

E, pensando bem, acho que esse é o tipo de história que tem muito potencial para se tornar um filme quase melhor do que o livro. E o diretor é Peter Jackson — que dirigiu toda a franquia d’"O Senhor dos Anéis" e "O Hobbit". Então, estou com expectativas altas.

A história se passa em um universo distópico — acho que poderia ser visto como uma espécie bem doida de futuro —, onde as cidades literalmente andam sobre esteiras gigantes, caçando e comendo umas às outras para continuarem funcionando. É o que chamam de Tracionismo.

Tenho que admitir que isso eu nunca imaginei. Foi uma forma de Reeve dizer o mesmo que muitos e muitos outros autores — de que o avanço tecnológico pode ser bom, mas também muito perigoso — de uma forma bem original e inesperada.

Mas o mundo tracionista está entrando em colapso também, porque as cidades estão sendo devoradas e, portanto, tornando-se cada vez mais escassas. Em uma dessas cidades, Londres, vive o nosso protagonista Tom, um aprendiz de historiador quem tem mais problemas do que qualquer outra coisa.

Contudo, como a vida é uma caixinha de horrores, tudo sempre pode ficar pior. E fica mesmo, quando uma garota misteriosa e com uma terrível cicatriz no rosto tenta assassinar o grande historiador Valentine, um dos homens mais famosos de toda Londres.

Essa garota é ninguém menos do que Hester, que, ao que tudo indica, tem um passado sombrio envolvendo o tão valoroso Valentine.

Não vou dar muitos detalhes. Tudo o que vou dizer é que Tom acaba jogado de Londres, no perigoso mundo exterior, longe da proteção da cidade móvel.

Com ninguém menos do que a própria Hester.

E aí é barbaridade atrás de barbaridade.

É sério, Reeve criou um mundo impetuoso e cheio de gente interesseira e malvada. Nas primeiras 120 páginas, Tom e Hester comem o pão que o diabo amassou e, depois de um tempo, até o leitor começa a não confiar em mais ninguém. Ou seja, é problema atrás de problema. Pode ter certeza de que tédio é uma coisa que você não vai sofrer enquanto estiver lendo esse livro. Mas admito que senti um pouco de falta de momentos puramente felizes.

Em contrapartida a Hester e Tom, temos Katherine, filha de Valentine, e, portanto, uma moça que vive na alta sociedade e não sabia o que era sofrimento, até o dia em que Hester tenta matar seu pai.

A partir desse momento, ela começa a fazer perguntas. Por que aquela garota tentou matar seu pai? Como seu novo amigo Tom caiu de Londres? E a pergunta mais inquietante: quem era aquela garota?

Com isso, Katherine começa a desvendar segredos sombrios sobre a cidade, sobre o mundo e sobre o seu próprio pai.

Os personagens são um pouco conflitantes, principalmente Valentine e Hester, na minha opinião. De todos eles, Tom foi o que achei mais bem construído e o único de quem eu realmente gostei. Gostei também do contraste que ele criou ao interagir com Hester, que consegue ser semelhante, mas, ao mento tempo, bem diferente dele. Ambos são órfãos e sofreram na pele a crueldade daquele mundo, a ganância do homem e o preconceito por pertencer a uma classe considerada inferior. Eles têm um início parecido, mas se tornam pessoas completamente diferentes. Enquanto Tom estuda e trabalha para se tornar um historiador, é um garoto gentil, bem educado e, até mesmo, bondoso, Hester cresceu fora das cidades móveis, na maior parte do tempo sozinha ou com um dos Homens Ressuscitados — um tipo de ciborgue louco e sanguinário —, alimentando seu desejo de vingança contra a pessoa que destruiu sua família e marcou seu rosto.

É interessante ver como um consegue influenciar e mudar pouco a pouco o outro. Até o final da história, ambos são pessoas completamente diferentes.

Sinceramente, acho que a base da trama poderia ter sido muito melhor aproveitada, mas não posso dizer que não curti a leitura.

Entretanto, como eu disse no início, acho que pode dar uma ótima adaptação cinematográfica. Consigo imaginar cenas muito bonitas e impressionantes com grandes trilhas sonoras e o toque mágico de Jackson — se ele pegar no roteiro, então, pode ficar ótimo — arrasando em uma tela de cinema.

Quanto ao trabalho da editora, está muito bom. A capa está muito coerente com a história — embora dê para ver logo de cara que se trata da união de várias imagens. E o interior do livro também está muito bem feito.

Meu parecer final é que "Máquinas Mortais" é um bom livro, mas poderia ser ainda melhor. De qualquer forma, admito que o universo que Reeve oferece me parece bastante original e inexplorado. E ainda há outros livros da série.

Vou aguardar por eles.

site: https://www.vailendo.com.br/2019/01/11/maquinas-mortais-de-philip-reeve-resenha/
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Coisas de Mineira 12/01/2019

"Máquinas Mortais" me fez sair da minha zona de conforto, confesso que gostei, apesar de que, no início fiquei um pouco sem conseguir imaginar cidades que andavam e devoravam cidades menores, mas consegui entrar no clima.

O enredo do livro conta a história da humanidade pós-guerra que ficou conhecida como Guerra dos Sessenta Minutos, e devido à falta de alimentos e à alta tecnologia (estamos falando de pós século XXX), as cidades são colocadas em cima de esteiras e rodas, são chamadas de Cidades de Tração e saem à caça de cidades menores, que são engolidas e desmontadas, este fato é citado como Darwinismo Municipal, ou seja, metrópoles consomem as cidades menores, que consomem vilarejos e assim por diante.

“... Mas ele sabia que não devia sentir pena: era natural que cidades comessem vilas, assim como vilas comiam vilarejos e vilarejos pegavam pequenos assentamentos”.

A história começa quando a metrópole Londres “engole” a pequena cidade de Salthook, engolindo junto à jovem amarga e desfigurada Hester Shaw que tenta matar Thaddeus Valentine, o maior arqueólogo da metrópole. Valentine é salvo por Tom Natsworthy, um historiador aprendiz de terceira classe, porém, ao fugir de ser presa Shaw pula para fora da cidade e Natsworty é jogado por Valentine, quem o jovem confiava e acreditava ser um herói da cidade.

Depois que “caem” da cidade Tom e Hester vivem várias aventuras com a intenção de voltar para Londres, ele porque é a sua cidade e ela para concluir o seu plano de vingança. Na tentativa de retornar a Londres, os dois encontram um caminho cheio de saqueadores, piratas e outras Cidades de Tração, e o inocente Tom acaba descobrindo o quanto ruim pode ser uma pessoa, mas que algumas pessoas também são boas e ajudam os desconhecidos, como a aviadora Srta. Fang e seus amigos e descobrem também um plano insano e desumano do prefeito de Londres, chamado de Lorde Prefeito, que pode acabar de vez com toda a humanidade, então decidem voltar a Londres não mais para atender aos seus desejos pessoais, mas para tentar impedir o plano do prefeito.

Enquanto Hester e Tom vivem diversas aventuras longe de Londres. Katherine, filha de Valentine e Bevis Pod, um jovem engenheiro aprendiz, também fazem as suas descobertas em relação à intenção do prefeito de Londres e traçam planos para impedir que ele atinja o seu objetivo.

“... eu tento ser legal. Ninguém nunca fez com que que me sentisse querida antes, do jeito que vocês faz. Então tento ser amável e sorridente, como quer que eu seja, mas vejo meu reflexo ou penso nele e tudo dá errado, só consigo pensar em coisas terríveis, gritar com você e machucá-lo. Sinto muito.”

Philip Reeve conseguiu de forma detalhada e descritiva despertar em mim o gosto pela distopia. Consegui imaginar com detalhes as cenas narradas no livro. Máquinas Mortais é uma tetralogia e já não vejo a hora de ler os outros livros. À medida que ia lendo conseguia identificar o amadurecimento e a mudança de sentimentos dos casais Tom e Hester, e Katherine e Bevis, e torcia para que o plano dos casais de salvar Londres desse certo. Vivenciei cada emoção a cada cena descrita, pessoas antes pacíficas e temerosas conseguiram mudar a postura e tomaram coragem de lutar pelo que queriam.

Fiquei horrorizada com que o Lorde Prefeito foi capaz de fazer para conseguir o que queria, ele pouco estava se importando com os moradores de Londres, queria atingir o seu objetivo, com a desculpa de que seria o melhor para todas as pessoas. Fiquei na expectativa do porque Valentine agiu como agiu e apesar dele ter feito tudo errado fiquei com pena dele, uma vez que no início da história ele era tido o herói da metrópole e aos poucos os seus erros e segredos foram sendo descobertos.

“— Você não é um herói, e eu não sou bonita, e provavelmente nós não viveremos felizes para sempre. Mas estamos vivos e juntos, e nós vamos ficar bem”.

Na loucura do poder, o prefeito e sua equipe de cientistas trazem de volta à vida os stalkers (homens que morreram que guerras e foram transformados em máquinas), e o stalker Shirke é incumbido de procurar por Tom e Hester, mas ele nutre carinho (coisa inexistente nos stlakers) por Hester, por tê-la criado após a morte dos pais, e a deixa escapar várias vezes, além de ficar satisfeito ao ver o quanto ela sabe cuidar de si mesma.

Apaixonei-me pela protagonista Hester Shaw, ela se sente inferiorizada devido à deformação do rosto, é mal humorada e trata todo mundo de forma grosseira, acha que não merece o carinho e a atenção de ninguém, mas mesmo assim acaba se rendendo ao jovem Tom que se mostra muito preocupado com ela e deixa de lutar pelo que conhece e acredita para ajudar a mais nova amiga a atingir o seu objetivo.

O livro fez tanto sucesso que virou filme e é promessa de emoção e muita adrenalina, o que garantirá salas de cinema lotadas. Não conhecia a escrita do autor, mas gostei muito, li várias páginas sem nem perceber, recomendo a leitura de Máquinas Mortais. Phhilip Reeve acabou de ganhar mais uma fiel leitora.

Por: Saionara R.
Site: http://www.coisasdemineira.com/2019/01/resenha-maquinas-mortais-philip-reeve.html
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Leitora Viciada 09/01/2019

Resenha para o blog Leitora Viciada www.leitoraviciada.com
Em 10 de janeiro de 2019 estreia nos cinemas brasileiros o filme Máquinas Mortais (Mortal Engines), uma superprodução dirigida por Christian Rivers (ganhador do Oscar de efeitos visuais por King Kong) e produzida por Peter Jackson (vencedor de 3 Oscars pela trilogia O Senhor dos Anéis). O filme é a adaptação do primeiro livro da série Crônicas das Cidades Famintas do inglês escritor e ilustrador Philip Reeve, originalmente publicado em 2001. Máquinas Mortais continua em Ouro de Predador (Predator's Gold), Artefatos Infernais (Infernal Devices) e Uma Planície Sombria (A Darkling Plain). A saga conta ainda com volumes spin-off, onde o universo foi expandido mostrando o passado (Fever Crumb, A Web of Air e Scrivener's Moon) e o futuro (Night Flights).

Juntos, os quatro volumes centrais abrangem duas décadas da história da Era da Tração, em um futuro muito distante, após o colapso mundial conhecido como a Guerra dos Sessenta Minutos. Agora, as cidades se movem por áreas desoladas, devastadas, perigosas e misteriosas, sempre em busca de outras, de preferência menores, desmantelando-as e absorvendo a força de trabalho (quase sempre em regime de escravidão) e todos os recursos vitais para uso de sua própria população. Portanto, nenhuma cidade pode parar, pois isso significa correr o risco de ser capturada e engolida por outra, enfrentando uma batalha sem estar preparada.

Para ler toda a resenha acesse o Leitora Viciada. -> leitoraviciada.com
Faço isso para me proteger de plágios, pois lá o texto não pode ser copiado devido a proteção no script. Obrigada pela compreensão.

site: http://www.leitoraviciada.com/2019/01/maquinas-mortais.html
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Douglas Lira 09/01/2019

Tração
Uma grande aventura com algumas reviravoltas que te deixam logo de cara com uma dúvida sobre um certo "herói" e sim te faz imaginar se as cidades fossem de tração como seria que nós hoje viveríamos?
Não deixem de conferir essa aventura !
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Silvana - Blog Prefácio 04/01/2019

Estamos no futuro, e depois da "Guerra dos Sessenta Minutos" onde a humanidade quase foi extinta por causa das bombas atômicas e dos vírus projetados, e a tecnologia se tornou coisa do passado, os sobreviventes passaram a viver em Cidades de Tração, que são praticamente imensos veículos movidas por grandes caldeiras a vapor. As cidades estão sempre em movimento, seja para se afastar da radioatividade e doenças, como para se alimentar das cidades menores e não tão rápidas. É assim que o mundo funciona há mil anos, segundo o Darwinismo Municipal: metrópoles consomem as cidades menores, que consomem vilarejos e assim por diante..., desde que o grande engenheiro Nikolas Quirke transformou Londres na primeira Cidade de Tração.

Em Londres as pessoas são divididas em castas sociais, chamadas de Guildas, cada uma especializada em uma área e emprestando seus conhecimentos e estudos visando a sobrevivência de todos. E é na Guilda dos Historiadores que vamos conhecer Tom Natsworthy, um aprendiz de terceira classe, órfão e sem recursos que trabalha no Museu. E é lá que ele estava quando depois de dez anos sem comer nenhuma cidade, Londres começa a perseguir Salthook, uma cidade mineradora. Desobedecendo seu superior, Tom sai do Museu e corre até uma das plataformas de observação assistir a perseguição. E claro que ele se mete em uma confusão e enquanto todos comemoraram a vitória de Londres, ele é mandado para as Entranhas, local onde é desmantelado as cidades que são comidas.

Mas para sua sorte ele encontra Thaddeus Valentine, um ex-catador que se tornou o arqueólogo mais famoso de Londres e é também seu Historiador-Chefe, junto com sua filha Katherine. Valentine é seu ídolo e por isso Tom não hesita quando uma garota se aproxima e tenta matar Valentine. Tom impede a garota e sai correndo atrás dela para tentar capturá-la. E quando ele consegue alcançá-la, na calha de lixo, a garota que tem o rosto desfigurado diz que se chama Hester Shaw e pula dentro da calha. E quando Tom diz isso para Valentine, ele empurra Tom no mesmo buraco que a garota caiu. Tom fica pasmo quando acorda e percebe que Valentine tentou matá-lo e só resta se unir a Hester para tentar sobreviver no Campo de Caça, sem uma cidade para protegê-los. E enquanto isso em Londres, Katherine começa ligar os pontos e descobre que o Lorde Prefeito está de posse de uma arma que pode acabar com o pouco que resta do planeta.

"— Mas você o enganou! — Tom lembrou. — Escapamos!
—Ele não vai ser ludibriado por muito tempo. Logo vai nos rastrear de novo. Stalker significa perseguidor."

Eu tomei conhecimento dessa história pelo trailer do filme que terá sua estreia aqui no Brasil em janeiro. Quando vi o trailer fiquei muito interessada em assistir ao filme, mas confesso que nem imaginava que era baseado em um livro. E quando vi que a HarperCollins estava lançando o primeiro livro da série aqui no Brasil, sim porque é uma série, e que eles estavam disponibilizando o livro para os parceiros, não hesitei em solicitar. Mas depois que o fiz fiquei morrendo de medo porque Ficção Científica, mais precisamente Steampunk, não é um gênero que eu estou acostumada a ler. Na verdade sempre fico na dúvida sobre a definição de Steampunk. Mas me surpreendi quando peguei o livro na mão e comecei a ler.

Quem está acostumada a ler romances de época, fantasia e livros de suspense como eu, tem o hábito de imaginar que ficção cientifica é algo dificil de ser compreendido, que teremos palavras e conceitos mirabolantes e que a leitura será lenta e arrastada. Bom não sei dizer sobre outros livros do gênero, mas pelo menos nesse livro não vi nada de lento, nem de difícil compreensão. As páginas pareciam virar sozinhas e quando percebi eu já tinha terminado o livro e estava ávida por mais dessa história e claro pelo filme também, que já sei que vai ter bastante coisas diferentes só pelo que vi no trailer, mas acho que será uma grande produção e que merece a pena ser visto.

É claro que num primeiro momento, até entendermos o que está acontecendo na história o leitor fica um pouco perdido, mas isso em um ou dois capítulos porque depois a gente mergulha dentro dela e até parece que estamos dentro da história vivendo as mesmas aventuras que os personagens. A narrativa em terceira pessoa, ora acompanha Tom e Hester fora de Londres, ora acompanha as descobertas de Katherine dentro da Cidade. E não sei dizer qual delas gostei mais. Amei viver todos os acontecimentos cheios de ação ao lado de Tom e Hester e também adorei ir encontrando as pistas e descobrindo as coisas ao lado de Katherine. Enquanto numa parte temos mais ação, lutas e novos personagens sendo inseridos, na outra temos mais cautela e descobertas de tirar o folego.

Tom é um personagem cativante. Logo de cara ele ganhou minha simpatia. Ele é um garoto bom, leal e que quer fazer as coisas certas, mesmo que o que ele aprendeu ser certo não seja bem o certo. Hester já é a garota que quer vingança pelo o que aconteceu com seus pais e com ela mesmo, e que vai passar por cima de tudo e de todos para conseguir isso. Mas será que vai mesmo? Já Katherine é a garota rica que acha que o pai é um herói e que depois que descobre que as coisas não são bem assim, vai fazer de tudo para que a justiça seja feita. E tem também a aviadora Anna Fang que será uma importante peça nessa história. E o "vilão" Valentine que a princípio parece ser uma ótima pessoa, mas que vamos variando a opinião sobre ele ao longo da história.

Se tem alguma coisa de "negativa" para falar sobre o livro é que achei que focaram mais nos personagens, todos, não só esses que citei, foram bem construídos, mas faltou um aprofundamento na parte das Cidades de Tração. Mesmo tendo informações sobre a forma que eles vivem, a divisão em castas, o que é importante e o que não é, o que fazem para sobreviver, ainda assim achei que faltou explorar mais sobre toda essa engrenagem em si. Mas pode ser que isso aconteça nos próximos livros da série. E como romântica que sou, achei que podia ter mais romance na história hehe. Mas fora isso o livro é ótimo, tão intenso que até eu que não sou muito de ler o gênero li ele em uma sentada. A edição está muito bem feita e indico o livro para quem gosta do gênero e para quem quer se aventurar e sair da sua zona de conforto. E claro vou conferir o filme porque quero ver nas telonas essas maquinas em ação.

site: https://blogprefacio.blogspot.com/2018/12/resenha-maquinas-mortais-philip-reeve.html
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Aricia 02/01/2019

Resenha original publicada no blog @livrosetal2015

Imaginem um mundo totalmente distópico e super Steampunk: conseguiu? Pois é eu também demorei um pouco a entender o livro, a história e a narração, mas acabei entendendo, e se eu curti? Vamos conferir na resenha!
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Temos no livro uma história muito futurista e peculiar, sem datas definidas, mas uma insinuação de que se passa depois do século XXXI. A cidades são diferentes do que temos hoje em dia, foram devastadas pela Guerra dos Sessenta Minutos, e são construídas em cima de grandes plataformas que se deslocam ao redor do espaço disponível e estão sempre em movimento. A exploração dos recursos naturais destruiu o mundo e essa foi a forma como eles conseguiram se manter a salvos e não sucumbirem. Mas nem tudo são flores, o sistema denominado "Darwinismo Municipal" onde a cidade mais próspera resiste, levando a uma caça em que as grandes cidades "devoram" as pequenas e com isso absorve seus "recursos" e mantém o status.

"Era natural que cidades comessem vilas, assim como as vilas comiam vilarejos, e vilarejos pegavam pequenos assentamentos. Isso era Darwinismo Municipal, e esse era o jeito que o mundo funcionava há mil anos."

Londres é a maior cidade citada no livro, e depois de ficar um tempo parada, volta a caça e deixa seus habitantes em expectativa. É então que somos apresentados a Tom que é um aprendiz de historiador e acaba impedindo o assassinato do seu grande ídolo, Valentim, que é o grande historiador da cidade.

A assassina Hester tem o rosto deformado por cicatrizes, é uma garota misteriosa e que está em busca de vingança, mas principalmente, ela é solitária. Hester não tem mais pelo que lutar além de seu desejo de vingança. Sua trama com Valentim é muito palpável e se justifica e encaixa durante a narrativa.

Já Valentim, não é de todo um grande vilão, aquele que arquiteta maldades e planeja governar o mundo, é claro que ele quer poder, mas ao mesmo tempo em que quer isso, ele percebe que é perigoso e tem muito a perder. Valentim é o tipo de pessoa que cometeu e ainda comete erros sem se importar com as sucatas que ele precisa deixar pelo caminho.

Todos juntos ficam de fora da cidade e precisam arrumar um jeito de sobreviverem e voltar para dentro de Londres. Durante esse plot conhecemos um pouco mais sobre cada personagem e principalmente Tom acaba percebendo que seu ídolo pode não ser tão maravilhoso assim.

Paralelo a isso Katerine, que é filha de Valentim, descobre que seu pai esconde muitos segredos dentre eles, algo relacionado a Medusa... Katerine é um show sempre que aparece durante a leitura. Ela passa de uma menina mimada para uma excelente investigadora.

"Lembre-se, não sabemos o quanto a garota sabia a respeito do trabalho da Mão. Se ela contasse a qualquer outra cidade que nó temos a MEDUSA antes de estarmos prontos para usá-la…”

Vocês precisam ler para sentirem o gostinho dessa criação interessante de Philip! Mas mesmo assim, fiquei com algumas coisas na cabeça a respeito da movimentação das cidades e a falta de descrição nos deixa meio sem saber o que imaginar.

O que eu não posso deixar de pontuar é a forma carregada de adrenalina que o autor emprega no texto, é como se você estivesse vivendo as situações junto com Hester e Tom. Realmente é muito bom!

Trata-se de uma série, portanto, tem continuação, mas a história é fechada nesse livro, ninguém fica frustrado em querer saber como os protagonistas dariam continuidade às coisas, o que dá mais um ponto positivo a obra.


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LT 01/01/2019

Imaginem um mundo totalmente distópico e super Streampunk: conseguiram? Pois é, eu também demorei um pouco a entender o livro, a história e a narrativa, mas acabei entendendo, e se eu curti? Vamos conferir na resenha!

Temos no livro uma história muito futurista e peculiar, sem datas definidas, mas uma insinuação de que se passa depois do século XXXI.

As cidades são diferentes do que temos hoje em dia, foram devastadas pela Guerra dos Sessenta Minutos, e são construídas em cima de grandes plataformas que se deslocam ao redor do espaço disponível e estão sempre em movimento.

A exploração dos recursos naturais destruiu o mundo e essa foi a forma com que eles conseguiram se manter a salvos e não sucumbirem. Mas nem tudo são flores, o sistema denominado "Darwinismo Municipal" onde a cidade mais próspera resiste, levando a uma caça em que as grandes cidades "devoram" as pequenas e com isso absorvem seus "recursos" e mantém o status.

QUOTE: "Era natural que cidades comessem vilas, assim como as vilas comiam vilarejos, e vilarejos pegavam pequenos assentamentos. Isso era Darwinismo Municipal, e esse era o jeito que o mundo funcionava há mil anos."

Londres é a maior cidade citada no livro, e depois de ficar um tempo parada, volta a caça e deixa seus habitantes em expectativa. É então que somos apresentados a Tom, que é um aprendiz de historiador e acaba impedindo o assassinato do seu grande ídolo, Valentim, que é o grande historiador da cidade.

A assassina, Hester, tem o rosto deformado por cicatrizes, é uma garota misteriosa e que está em busca de vingança, mas principalmente, ela é solitária. Hester não tem mais pelo que lutar além de seu desejo de vingança. Sua trama com Valentim é muito palpável e se justifica e encaixa durante a narrativa.

Já Valentim, não é de todo um grande vilão, aquele que arquiteta maldades e planeja governar o mundo, é claro que ele quer poder, mas ao mesmo tempo em que quer isso, ele percebe que é perigoso e tem muito a perder. Valentim é o tipo de pessoa que cometeu e ainda comete erros sem se importar com as sucatas que ele precisa deixar pelo caminho.

Todos juntos ficam de fora da cidade e precisam arrumar um jeito de sobreviverem e voltar para dentro de Londres. Durante esse plot conhecemos um pouco mais sobre cada personagem, e principalmente Tom acaba percebendo que seu ídolo pode não ser tão maravilhoso assim.

Paralelo a isso, Katerine, que é filha de Valentim, descobre que seu pai esconde muitos segredos dentre eles, algo relacionado a Medusa... Katerine é um show sempre que aparece durante a leitura. Ela passa de uma menina mimada para uma excelente investigadora.

QUOTE: "Lembre-se, não sabemos o quanto a garota sabia a respeito do trabalho da Mão. Se ela contasse a qualquer outra cidade que nó temos a MEDUSA antes de estarmos prontos para usá-la??

Vocês precisam ler para sentirem o gostinho dessa criação interessante de Philip! Mas, mesmo assim, fiquei com algumas coisas na cabeça a respeito da movimentação das cidades e a falta de descrição nos deixa meio sem saber o que imaginar.

O que não posso deixar de pontuar é a forma carregada de adrenalina que o autor emprega no texto, é como se você estivesse vivendo as situações junto com Hester e Tom. Realmente é muito bom!

Trata-se de uma série, portanto, tem continuação, mas a história é fechada nesse livro, ninguém fica frustrado em querer saber como os protagonistas dariam continuidade às coisas, o que dá mais um ponto positivo a obra.

Como bem sabemos, o livro tem uma adaptação para as telonas e o filme estreia nos cinemas dia 10 de janeiro, eu estou curiosíssima para visualizar o que não consegui imaginar durante a leitura.

Resenhista: Aricia Aguiar.
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Queria Estar Lendo 05/12/2018

Resenha: Máquinas Mortais
Máquinas Mortais, do autor Philip Reeve, está ganhando uma nova edição aqui no Brasil pela HarperCollins. O livro é uma mistura de distopia e steampunk e apresenta um mundo onde as cidades não permanecem mais no lugar, elas se movem sobre rodas - e são uma ameaça umas às outras.

Na história, uma guerra gigantesca devastou o mundo - a Guerra dos Sessenta Minutos - e milênios se passaram. Agora, a ordem natural das coisas se dá através de caçadas, cidades devorando cidades. A mais forte se torna uma ameaça, as menores precisam acelerar para fugir. Dentro de Londres, Tom crê que vive em uma das mais majestosas e brilhantes criações do homem; uma cidade-tração que é ameaça e sonho para muitas pessoas.

Quando um incidente com o seu ídolo, Valentine, o maior arqueólogo de Londres, coloca Tom no caminho de uma assassina em busca de vingança, tudo em que ele acreditava é posto à prova: a glória das cidades-tração e da ordem estabelecida entre elas e até onde os homens vão para sustentar esse poder, para devorar tudo e todos.

Máquinas Mortais foi, sem sombra de dúvidas, uma das minhas maiores surpresas do ano - positivamente falando. A história de Philip tem um ritmo bem estabelecido, personagens bastante amigáveis e fáceis de se relacionar e um universo fascinante.

Tom, por ser um protagonista, poderia ter caído facilmente naquele esteriótipo de paspalho chato - e eu nem teria considerado ruim, uma vez que já estou acostumada com isso -, mas ele foge. De garoto sonhador com a grandeza para sobrevivente, Tom aprende a encarar o mundo, o estático e o de tração, com outros olhos. Aprende que as histórias contadas têm muitas verdades, e que sua relação com Londres talvez estivesse do lado errado do tabuleiro.

O garoto curioso vivencia muito além da cidade-tração graças ao incidente com a assassina - Hester Shaw aparece de supetão em Londres e tudo que Tom entende é que ela quer matar Valentine; o motivo se torna parte do arco da personagem, seu desenvolvimento de coadjuvante para uma das peças principais da história.

Hester Shaw é uma figura misteriosa, envolta em rancor e desejo de vingança - mas é também uma garota sozinha e perdida que não tem muito a almejar além do coração do homem que arruinou sua vida. Toda a história dela e de Valentine foi bem encaixada na trama, os motivos que guiaram ambos os personagens a fazerem o que fizeram me convenceram e me deixaram ansiosa por mais respostas; é o tipo de arco que dá emoção à trama, mais do que apenas fugir e se correr - como Tom e ela precisam fazer.

Valentine, para minha surpresa, não foi um arquétipo típico de vilão; ele com certeza não é um herói, mas também não carrega toda uma aura maléfica e cruel. Ele é um estudioso que talvez tenha feito a descoberta de uma vida ou talvez tenha cometido um erro. Seu arco é mais rápido na trama, mas é movido pela família, por querer poder e ao mesmo tempo perceber o quanto isso é nocivo.

E por falar em família, chegamos à quarta peça importante dessa história: Katherine. Filha adotiva de Valentine, é uma garota em sua perfeita zona de conforto que não tem muito a questionar sobre a vida e sobre o pai - até que começa a questionar tudo. De madame para investigadora, eu fiquei fascinada pela sua evolução e por como ela sustentou a personalidade frágil e delicada mesmo em seus momentos de maior coragem.

Além deles, figuras como Anna Fang, o historiador Pomeroy, Shrike, o aprendiz Pod e muitos outros personagens enriquecem a trama principal, servindo de suporte para a história se desenvolver e ganhar seus momentos de tensão e de evolução.

"Era natural que cidades comessem vilas, assim como as vilas comiam vilarejos, e vilarejos pegavam pequenos assentamentos. Isso era Darwinismo Municipal, e esse era o jeito que o mundo funcionava há mil anos."

O universo criado pelo autor é de uma genialidade difícil de explicar; Philip estabelece esse mundo onde as cidades viajam a quilômetros por hora com seus milhares de habitantes a bordo, onde o "Darwinismo Municipal" é a ordem natural das coisas - "é devorar ou ser devorado" no sentido mais literal. Imaginar esse cenário, as torres e construções da cidade perseguindo outra, os dirigíveis lotando os céus.

Além dessa tecnologia avançada, mas nem tanto assim, temos flashes de invenções do período da Guerra, ciborgues reanimados que caçam pessoas e armas de destruição em massa que poderiam se tornar o fim das cidades-tração caso caiam nas mãos erradas.

Usando uma narrativa ora pausada e explicativa e ora carregada em adrenalina, o autor entrega um livro que vale a pena conferir - e com um final fechadinho dentro da sua proposta. A série tem continuação, mas a aventura principal de Máquinas Mortais começa e termina dentro desta obra.

"Ele estava cansado de ser varrido de um lado para o outro pelo mundo por planos de outras pessoas."

A edição da HarperCollins ficou a coisa mais linda do mundo - eu amo e venero essa capa, a diagramação tá bem encaixadinha na proposta da série e não passei por nenhum erro de revisão durante a leitura.

Máquinas Mortais é uma boa pedida se você gosta de perseguições e mistérios ancestrais; uma leitura cheia de reviravoltas e personagens bem construídos que não vai deixar que você largue o livro até terminar.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/12/resenha-maquinas-mortais.html
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Jeff.Rodrigues 03/12/2018

Resenha publicada no Leitor Compulsivo
Os avanços tecnológicos sempre são vistos com ressalvas e geram indagações e reflexões poderosas na literatura. Desde os robôs sentimentais de Azimov, passando por gerações de autores, até o alvorecer do século XXI com seu apogeu do domínio da tecnologia, a literatura se debruça sobre os reais benefícios da nossa evolução. Publicado em 2001, Máquinas Mortais, de Philip Reeve, não foge à regra e traz uma visão pouco inovadora nas entrelinhas, mas extremamente original em seu argumento.

No futuro imaginado por Reeve, o mundo como o conhecemos já muito sucumbiu ao poderio nuclear. Restou às pessoas buscar a sobrevivência em cidades que se movimentam, as Cidades de Tração. Gigantescas máquinas sobre rodas que abrigam em incontáveis andares os níveis sociais, administrativos e culturais de uma cidade como outra qualquer. O futuro verticalizou e deu movimento aos aglomerados urbanos e os transformou em “animais” sempre em busca de lugares menores para “devorar” e aumentar suas riquezas ou capacidade de sobrevivência. Em síntese, povoados, aldeias, vilas, cidadelas e metrópoles passaram a se movimentar pela terra arrasada dos continentes e destruir umas às outras. Uma visão bem original e apresentada com pesadas críticas ao nosso comportamento enquanto sociedade “fixa” dos dias de hoje.

A partir desse cenário original e bem diferente do que vemos comumente na literatura, Máquinas Mortais não foge à regra na composição de seus personagens. O casal de protagonistas, Tom e Hester, são órfãos que sofreram na pele as consequências da ganância, da exploração e de pertencer a uma classe inferior. Ao se encontrar para dar vida ao enredo do livro, ambos são movidos por objetivos bem distintos. Tom é um aprendiz de Londres que aparentemente espera apenas ser bem-sucedido na carreira de historiador. Hester é uma garota movida por vingar a morte dos pais. Juntos, os dois vão descobrir que o mundo sobre rodas não é muito diferente dos diversos mundos possíveis, e que as pessoas nem sempre são dignas de confiança, por mais simpáticas que possam parecer.

Com um enredo recheado de aventuras, suspense e boas cenas de ação, Máquinas Mortais novamente foge à regra ao desenvolver seu conjunto de personagens e tramas paralelas sem nenhum compromisso com finais felizes ou com estereótipos. Nenhum dos personagens, a começar pelos protagonistas, são os modelos que estamos acostumados. Não há beleza, coragem, atos heroicos ou casais apaixonados. O mundo é frio e a realidade é dolorosa. Mortes acontecem sem piedade, contudo a capacidade de mudar, se arrepender ou tomar atitudes corretas é valorizada a todo momento. Com isso, nenhum personagem é realmente mocinho ou vilão. Todos estão sujeitos a todo o tipo de atitude. Como qualquer um de nós.

Impulsionado por uma adaptação aos cinemas pelas mãos de Peter Jackson (de O Senhor dos Anéis), Máquinas Mortais tem todos os ingredientes, clichês e originais, para cair no gosto de leitores e cinéfilos. De linguagem leve e leitura fluida, o livro é uma excelente abertura de série – são quatro obras ao todo. Fãs de ficção científica steampunk provavelmente vão se deliciar com a história. Ao fim, a reflexão e a conclusão, são inevitáveis…. Nem sempre evolução é sinônimo de melhorias. Fixos ou sobre rodas, jamais teremos futuro se a essência humana não falar mais alto em meio a tantas ambições desmedidas e pouco caso com tudo o que nos rodeia.

site: http://leitorcompulsivo.com.br/2018/11/26/resenha-maquinas-mortais-philip-reeve/
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douglaseralldo 30/11/2018

10 CONSIDERAÇÕES SOBRE MÁQUINAS MORTAIS, DE PHILIP REEVE OU BEM-VINDOS À ERA DA FUMAÇA
1 - Eletrizante e criativo, Máquinas Mortais explora todas as possibilidades do steampunk, numa narrativa tecida com habilidade e ritmo envolvente que entrega aos leitores ação do princípio ao fim, tudo isso num ambiente novo e velho, recheado de perigos, personagens bem construídos, e paisagens instigantes;

2 - Neste romance, o steampunk não apresenta-se numa visão alternativa da história, mas avança no futuro longínquo que pela visão das obra nos surgirá como um meio do caminho entre nosso presente e passado, aliando tecnologia e combustão numa seleção de máquinas e engenhocas capazes de ligar passado, presente e futuro;

3 - Logicamente estão nas cidades tracionadas as principais máquinas e engenharias do romance. Neste futuro, as cidades em geral são governadas por prefeitos déspotas e constituem elas mesmas gigantescos mecanismos de tração, movidas a combustíveis poluentes ao máximo, mas principalmente pelas ambições dos homens, sempre dispostos a explorar semelhantes e não frear nunca as batalhas por poder;

+:http://www.listasliterarias.com/2018/11/10-consideracoes-sobre-maquinas-mortais.html

site: http://www.listasliterarias.com/2018/11/10-consideracoes-sobre-maquinas-mortais.html
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