Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis...




Resenhas - Memórias Póstumas de Brás Cubas


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Ana 19/04/2018

Um morto muito (louco) irônico
Fui uma das muitas jovens que leu esse livro para o vestibular, mais precisamente para uma das fases do PSS - Processo Seletivo Seriado, vestibular daqui de Belém-PA, de meados dos anos 2000.
Eu tinha 14 anos, e nem preciso dizer que naquela época, muita frase desse livro eu não entendi patavina, claro.
Mas eu sabia que era um livro genial, literários e acadêmicos não podem estar todos errados, afinal. E anos mais tarde, reli o livro, já com outra cabeça. E sim, é um livro sensacional, para quem gosta e entende Machado de Assis, principalmente. Afinal, quem pensaria em escrever um livro onde o narrador-protagonista é um morto? Uma loucura!
Brás Cubas é um defunto com uma ironia única, ao narrar acontecimentos de sua vida. Esse livro só precisa de carinho, e que deêm atenção para ele, na minha opinião. É para poucos? É. Mas ainda bem que Machado de Assis ainda tem fãs.
Não deixem Brás Cubas ''morrer''.
Michel 19/04/2018minha estante
Então, eu também li Brás Cubas quando jovem e fiquei frustrado. Na época eu estava encantado com a literatura e envaidecido por poder enaltecer numa roda de bar que já havia lido este clássico... Bom, já na fase adulta reli e finalmente enterneci-me com a magia de Machado... Orgulho Nacional!!


Ana 20/04/2018minha estante
Muito bom Mesmo. Orgulho nacional




Carlos Nunes 19/03/2018

Reminiscências de um defunto autor
O que dizer de MEMÒRIAS PÓSTUMAS, um dos livros mais amados, lidos e comentados da literatura brasileira? Obra-prima (mais uma) de Machado de Assis, o livro rompe com o Romantismo não apenas na forma, mas no conteúdo, no enredo, na distribuição dos capítulos, ou seja, é realmente o divisor de águas, não só na carreira do escritor, mas também da literatura brasileira. Com uma ironia insuspeitada, Machado nos brinda com um romance espetacular, que prenunciaria sua fase mais madura e brilhante. O que se destaca aqui, comparando a obra com outras posteriores, é o humor e o sarcasmo da personagem principal. Como está morto, não tem nada a perder e, sem medo das críticas que não podem atingi-lo, fala francamente com o leitor, expondo toda sua vida fútil, sem esconder seus erros e sua canalhice. Até o amor relatado no livro não é romântico, a mocinha "perfeita" do Romantismo aqui ou tem marcas no rosto, ou é prostituta, ou tem deformidades físicas ou só é mesmo realista, preferindo um casamento que lhe dará um futuro promissor do que ceder aos desejos do coração. Outro grande destaque é a participação mais do que especial de Quincas Borba, outro grande personagem de Machado, em diversos momentos do livro. Um romance memorável, já citado até como um dos preferidos do cineasta Woody Allen (aliás, não sei como ele não resolveu filmar essa história, tem tudo a ver com ele). Esqueça o ranço das listas de leituras obrigatórias para vestibulares e entregue-se à deliciosa leitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas!
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Izu 01/03/2018

Meu favorito
Leitura obrigatória na época que prestei vestibular. Até agora , meu livro favorito
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André 01/02/2018

6º Livro, 2º ano do Ensino Médio; 2º Livro, Fuvest 2017
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Ulisses_Condutta 11/01/2018

Uma obra fantástica que mostra o melhor de Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas foi lançada em 1881. Diferente da tendência romântica da primeira metade do século XIX, este livro não tem um protagonista 'bom', ou algum tipo de herói.

Brás Cubas, agora morto, não precisa esconder seus desvios da vida do julgamento da alta sociedade e nem de ninguém. É um relato muito coerente com o modo de vida da alta sociedade carioca do século XIX: cargos importantes na política, formação de direito em Coimbra, etc. A manutenção do status era uma prioridade, mas o mesmo Cubas não tinha isso como algo tão importante assim pra vida, mas sim outra coisa: Virgília. Virgília era tudo para Cubas: era amor, futuro, vida. Mas essa personagem também tão construída mostra que vive num dualismo entre manter um romance adúltero e manter seu importante status social que tinha graças ao marido.

Machado foi genial na proposta do livro.
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Sara Muniz 08/12/2017

Resenha - Memórias póstumas de Brás Cubas
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, foi publicada inicialmente em folhetins em 1880, tendo a publicação como livro em 1881 (iniciando o movimento realista na Literatura Brasileira). Essa obra pode ter causado muitos traumas nas adolescências alheias, mas a verdade é que o livro é genial.

Após ler Dom Casmurro (minha primeira leitura Machadiana), que inclusive eu adorei. Fui então, para Memórias póstumas de Brás Cubas. Confesso que antes de ler, eu já estava com certo receio de que fosse chato. Ah! Como as pessoas acreditam no que as outras dizem, não é mesmo? Eu AMEI esse livro de um jeito... Mas, vamos ao enredo.

Brás Cubas é um defunto autor, ou seja, ele está contando a história depois de morto (e isso não é spoiler, está na primeira página).

O defunto autor está na eternidade e, convenhamos, sem wifi e sem livros, não há muito o que fazer por lá, portanto, ele decide escrever suas memórias póstumas. Podemos ler então, os episódios da vida de Brás Cubas, seus romances, sua vida rica, sua experiência na faculdade de Coimbra, suas experiências filosóficas com Quincas Borba, e todos os seus pensamentos e pontos de vista, pois também acompanhamos o fluxo de ideias de Brás Cubas, que uma hora fala de Virgília, e no outro capítulo fala que é bom não escrever capítulos longos. São memórias, que vão vindo fora de ordem e que tornam tudo, na minha opinião, mais interessante.

Na obra, é estabelecida uma narrativa de aproximação do leitor, ou seja, o autor estará se referindo o tempo todo ao leitor (justamente porque começou sendo publicado em folhetim), e isso te faz se identificar muito com o Brás Cubas, com os pensamentos satíricos dele.

Em falar em sátira, esse livro é uma sátira do início ao fim. Com humor, o autor critica muitos momentos de nossas vidas, por meio da sua própria.

Não li Machado de Assis na adolescência e creio que isso me poupou de ter um primeiro momento ruim com a obra dele. Acredito que comecei no tempo certo, já que gostei muito. Se você ainda não é um leitor que sente que pode ler qualquer coisa, talvez você ainda não esteja pronto para a grandiosidade de Machado de Assis, o fundador da Academia de Letras.

E se você quer fazer Letras, ou já está (como eu) se graduando e se preparando para ser um professor de Língua Portuguesa, acredito que precisamos ter isso em mente também, na hora de exigir a leitura de um clássico. Não estraguemos as primeiras experiências que tinham tudo para ser boas, mas acabaram sendo ruins porque não soubemos reconhecer a maturidade de nossos alunos. (ficaadica)

site: http://interesses-sutis.blogspot.com.br/2017/10/resenha-memorias-postumas-de-bras-cubas.html
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J R Corrêa 25/11/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Memórias Póstumas de Brás Cubas é um famoso romance machadiano, que como o próprio nome sugere, conta a história de um defunto autor (e não de um autor defunto, como o próprio Brás Cubas faz questão de enfatizar no início da obra) que narra a sua vida: seus amores, aventuras, frustrações.

Em 'Memórias póstumas de Brás Cubas', Machado de Assis busca construir, na figura de um 'defunto-autor' e não um 'autor-defunto' - como bem se define o próprio Brás Cubas -, o motivo central de sua crítica à sociedade, pois estando distanciado do mundo dos vivos, o morto Brás Cubas destrói, a partir de suas relações sociais, a sociedade do Brasil do século XIX, com seus vícios, seu parasitismo e suas mesquinharias.

Brás Cubas é um personagem que nos é apresentado na infância como um menino muito levado, denominado de “menino diabo”. Comprova-se o valor desse carinhoso apelido quando o “menino diabo” descobre o romance secreto entre dona Eusébia e o Dr. Vilaça e revela-o a todos. Na juventude Brás Cubas nos narra sua paixão avassaladora pela prostituta Marcela e na sua maturidade ele vive um grande amor com Virgília, que era esposa de seu amigo Lobo Neves e, é nessa fase também, que o narrador/personagem conta-nos seu fracasso na carreira política. Esse é um pequeno resumo do que o leitor irá encontrar nesse romance.

Considero que o sucesso de Memórias Póstumas de Brás Cubas é resultado de vários fatores, mas destaco que primeiramente deve-se ao brilhante texto, sendo que não poderia ser diferente tratando-se de Machado de Assis, e também por ter como personagem um homem de “verdade”, falo no sentido de Brás Cubas não ser um homem “bonzinho” e sim ter atitudes e vivências naturalmente humanas, como pode-se observar na síntese da obra apresentada no parágrafo anterior.

Ressalto que o livro não é de fácil leitura, pois tratando-se de um texto escrito no século XIX tem um vocabulário característico da época, além de metáforas e intertextos, como por exemplo quando é citado Hamlet, As Mil e Uma Noites e outras obras, que exigem do leitor um pré-conhecimento das mesmas para que se possa entender a mensagem que o autor quis passar. Mas independente da dificuldade que se tem para entender a obra de início, com o avançar das páginas a leitura vai ficando mais tranquila de ser compreendida e também divertida, pois é um texto carregado de ironias.
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Peter 09/11/2017

Difícil tarefa é resenhar um livro clássico da literatura brasileira, mas vamos tentar. Memórias Póstumas de Brás Cubas (como o título sugere) é um livro onde Brás Cubas, após a morte, narra as memórias sobre sua vida. Pode parecer uma trama um tanto fantasiosa, e de certa forma é (principalmente em alguns capítulos específicos), mas é notável também como o enredo é realista (você provavelmente já deve saber que esse foi o livro responsável por iniciar o movimento do Realismo no Brasil, portanto não vou me ater a ficar falando coisas óbvias).

Brás Cubas era um ser humano vaidoso, sarcástico, cético, inteligente, egoísta, dentre muitos outros adjetivos que são perceptíveis desde o principio... Ele era uma pessoa difícil. E não teve uma vida tão grandiosa. Muitas coisas ruins acontecem e quase nada dá certo.

“Todavia, importa dizer que este livro é escrito com pachorra, com a pachorra de um homem já desafrontado da brevidade do século, obra supinamente filosófica, de uma filosofia desigual, agora austera, logo brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem regela, e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado.” Essa citação do capítulo 4 é um resumo perfeito sobre como é a narrativa. Brás Cubas está morto e com isso não tem nada a temer, portanto expõe tudo com muita honestidade e até chega a assumir que muitos poderão não gostar de seu livro. Uma narrativa quase isenta da “quarta parede”, o narrador fala direto ao leitor. Ele cita os próprios capítulos, referencia as obras e autores que o inspiraram. E não narra de forma linear, afinal são memórias, ele as conta conforme se lembra e isso abre espaço até mesmo pra ele “brincar de mistérios”.

Com um olhar superficial pode parecer que esse não passa de um livro sobre um cara com uma vida desinteressante. Mas é uma crítica tão diversa ao governo da época, a elite, a escravidão, que não só o Brás Cubas sarcasticamente critica as coisas, como o Machado de Assis usa ironicamente a vida do personagem como crítica.

Há um número grandioso de capítulos e passagens memoráveis para um livro tão pequeno (em torno de 170 páginas, com capítulos curtos). Deixa sua marca desde o inesquecível Prefácio e claro sobre o quê, e como, pretende falar ao longo da narrativa desde o apaixonante Prólogo. Destaque para o capítulo 7 que é tão onírico, lírico, surreal, penetrante, estranho e elevador. Mas façamos justiça também para o capítulo 25 com sua melancolia, capítulo 45 com sua sequidão, capítulo 56 com sua peculiaridade, capítulo 71 com sua honestidade, capítulo 98 com sua veia cômica e capítulo 160 por finalizar o livro de forma tão magistral.

Publicado em 1881, com certeza não tem uma linguagem moderna. Há palavras que caíram em desuso (talvez você precise procurá-las no dicionário), é formal (apesar do humor do Brás), mas também não chega a ser impossível de se ler, para quem já leu livros publicados há mais de 60 anos não tem nada com que se incomodar aqui.

Tão real, autêntico, poético, divertido, triste em certos momentos, Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro que é um espelho da humanidade, que pára para pensar na vida do Homem. Não é à toa que é um clássico da nossa literatura.

site: http://petercisco.blogspot.com.br/2017/11/resenha-memorias-postumas-de-bras-cubas.html
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Daniel 05/11/2017

Uma autobiografia cadavérica
Difícil falar sobre um clássico. Todas as definições parecem medíocres perante a grandiosidade de uma obra tão complexa, capaz de expor e analisar o ser humano de forma profunda, irônica, filosófica, sutil, sem em nenhum momento sucumbir à monotonia. Assim é Machado de Assis. Assim são suas Memórias Póstumas.
O enredo é a autobiografia póstuma de Brás Cubas, um indivíduo da alta sociedade que decide contar, após a morte, a história de sua vida, repleta de sentimentos vazios, futilidades e atitudes no mínimo questionáveis.
Hipócrita, dissimulado, mesquinho, debochado, soberbo... São muitos os adjetivos para classificar Brás Cubas. Morto, e portanto livre da sociedade e de suas amarras morais, o protagonista destrincha suas mais íntimas memórias sem qualquer filtro, expondo toda a podridão de uma vida de aparências. Tudo isso com o recheio da mais fina ironia. Filho mimado de uma família abastada, Cubas quase sempre deixa de lado os escrúpulos, agindo de acordo com seus próprios desejos, sem levar em consideração as consequências de seus atos. Seu envolvimento com Virgilia, por exemplo, parece ter sido mais por capricho do que por amor, sendo uma forma de atingir seu rival, Lobo Neves. É de longe o personagem mais cínico da literatura brasileira.
Parte da genialidade de Machado de Assis está em sua análise perfeita acerca do comportamento humano, do modo como nossas ações individuais constroem e modificam o meio em que vivemos. Seus personagens são profundamente anti - românticos, repletos de defeitos e umas poucas qualidades, servindo de espelho ao próprio leitor. Afinal, sendo todos nós seres humanos e partes constituintes de uma sociedade frívola, todos nós temos um pouco de Brás Cubas.
Uma obra prima da literatura universal.
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Aline Costa 05/11/2017

Encantador
Estou extasiada com esse livro, que a princípio me causava receio da leitura complexa e da sua linguagem um tanto arcaica. No entanto, quando finalmente consegui engrenar a leitura, me apaixonei pela história e não consigo largar o livro.
Brás Cubas conversa conosco e narra suas memórias de vida de maneira crítica e sincera. É uma narrativa que vale a pena ser lida e relida.
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Pedro Henrique 05/11/2017

Como sempre...
Um livro clássico-evveeerr do Assis !!
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Sanoli 27/10/2017

http://surteipostei.blogspot.com.br/2017/10/memorias-postumas-de-bras-cubas.html
http://surteipostei.blogspot.com.br/2017/10/memorias-postumas-de-bras-cubas.html

site: http://surteipostei.blogspot.com.br/2017/10/memorias-postumas-de-bras-cubas.html
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Fernando Lafaiete 24/10/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Uma "resenha resposta" para os pseudo-intelectuais do Skoob.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é o livro que inaugurou o realismo no Brasil. Publicado pela primeira vez em 1881, a obra prima de Machado de Assis foi fortemente criticada por não trazer uma narrativa convencial e positiva. Ainda assim, ao longo do tempo, a mesma se consagrou como uma das histórias mais importantes da literarura brasileira e se tornou um marco na literatura Internacional.

Machado de Assis foi um grande estudioso e seu conhecimento em literatura e em questões linguísticas chega a ser invejável. Este conhecimento se reflete solidamente em sua narrativa. Ele foi responsável pelas primeiras traduções realizadas de Os Trabalhadores do Mar de Victor Hugo e de Oliver Twist de Charles Dickens, duas das maiores obras-primas da literatura universal.

Em seu clássico realista, acompanhamos a "jornada" de Brás Cubas, o defunto autor, que após a morte decide escrever um livro de memórias. A narrativa não é linear e é regada de ironias, pessimismos, momentos oníricos, poéticos e muitas vezes reflexivos.

Brás Cubas é um protagonista difícil de se gostar. Ele é apático, quase nulo de sentimentos, o que faz com que seus relacionamentos interpessoais soem todos como superficiais e sem propósitos. Tal personagem não tem um objetivo palpável na vida e sempre almeja/deseja aquilo que não pode ter. Ele é pessimista e sempre apresenta opiniões pejorativas e desnecessárias sobre as pessoas as quais ele se relaciona. Todas as relações do livro carecem de sentimentos mais tridimensionais, e o que encontramos nada mais é do uma unilateralidade sentimental crua que mesmo assim ainda traz peso narrativo mais que significativo.

Nesta obra também nos é apresentado pela primeira vez Quincas Borba que acabará se tornando posteriormente o protagonista do clássico que levará o seu nome e que será considerado o segundo livro da trilogia realista de Machado de Assis.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro considerado por muitos como sendo de difícil leitura. Ele tem uma quantidade absurda de abandonos aqui no Skoob. Lendo algumas resenhas aqui postadas, me deparei com opiniões bem problemáticas (em minha percepção) acerca deste assunto. Quais são os reais motivos de tantos abandonos? Seria uma questão relacionada ao intelecto dos leitores brasileiros ou seria uma questão de incompetência da administração cultural da literatura em nosso país?

Antes de entrar no cerne destas questões, quero reforçar que esta minha leitura não foi inédita. Li este livro pela primeira vez aos 15 anos e odiei. O mesmo me deixou por um tempo traumatizado sobre livros clássicos. Somente com esta releitura e levando em consideração minha atual bagagem de leitura, pude constatar a genialidade de Machado de Assis.

Antes de voltar as questões que levantei anteriormente, preciso reforçar também, que assim como em Vidas Secas de Graciliano Ramos, Memórias Póstumas também possui um capítulo famoso, considerado por críticos literários como sendo uma perfeição narrativa. O famigerado capítulo 7, denominado de "O Delírio", apresenta o encontro do protagonista com a Natureza/Pandora que o indaga sobre qual seria o verdadeiro sentido da vida. É uma passagem bonita, poética e onírica. De fato uma verdadeira perfeição narrativa que resume bem o livro que possui um personagem central que vive sem viver.

Agora vamos retroceder as questões que tanto faço questão de introduzir nesta resenha. Muitos afirmam que tais abandonos são frutos da incapacidade dos leitores brasileiros em assimilarem uma narrativa mais truncada por simplesmente estarem acostumados com livros modinhas como Crepúsculo e livros de autojuda, que muitos afirmam não ser literatura. Quero frisar aqui que li toda a série Crepúsculo e não me envergonho disso. Tais livros foram extremamente importantes para a minha formação como leitor e não só os li como pretendo um dia relê-los. E se você já tentou ler Machado de Assis (por este livro ou por qualquer outro) e não conseguiu e abandonou, não se envergonhe e nem se incomode com isso. Você não é menos leitor do que eu ou do que qualquer outra pessoa. Você apenas não estava preparado(a) para ler este autor neste momento, assim como aconteceu comigo aos 15 anos. Não tem nada a ver com intelecto, tem apenas a ver com o momento certo de ler determinado autor. Não se obriguem a ler nada, a leitura precisa ser um processo agradável e engrandecedor e não algo respaldado pela obrigação. A obrigação literária é que é a grande culpada na questão do distanciando dos jovens em relação a livros clássicos.

Sobre as milhares de críticas que leitores de autoajuda recebem dos pseudo-intelectuais que afirmam que este gênero não é literatura; apenas lhes dou um conselho: "Ignorem estas críticas inúteis." A organização de palavras que resulta em um texto que lhe apresenta algum tipo de conhecimento, reflexão e divertimento, é literatura. Até a bula de remédios é literatura. Não confundam o que é literatura, com o que é texto literário e texto não-literário. Auto-ajuda não é texto literário, mas é sim literatura no seu âmbito mais profundo.

Julgamentos, afirmações, e expressões como sub-literatura e outros termos pejorativos não existem de maneira sólida nos estudos literários. Tais coisas nada mais são do que invenções de leitores que sentem a necessidade de inflamarem seus próprios egos diminuindo outros leitores. Em um país onde o número de leitores é medíocre, tais agressões de leitores para leitores são injustificáveis. Qual o sentido de escrever uma resenha inferiorizando outros leitores levando em consideração seus gostos literários? Na atual situação de nosso país, devemos incentivar a leitura e não desanimar as pessoas a lerem Independente de seus gostos pessoais.

Não tive nenhuma dificuldade em relação ao vocabulário do livro. A única coisa que enxerguei como sendo um possível problema são as diversas referências literárias e menções a pessoas célebres. Mas não se preocupem, as notas de rodapé estão ali para anular este possível empecilho, e portanto, devem ser lidas. Não as evitem!

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro excepcional, com uma narrativa incrível e com uma estrutura sensacional. Apesar de ser um livro genial, ele não deve ser usado como parâmetro intelectual para leitores. Na verdade, nenhum livro é genial à este ponto. Inferiorizar pessoas que não leem clássicos é atitude de quem deseja se reafirmar como intelectual. Muito triste encontrar esse tipo de atitude em uma rede social onde o que deveria prevalecer é o amor pela literatura no geral!
Carol 24/10/2017minha estante
Linda resenha!


JANEREINANDO 24/10/2017minha estante
Parabens! Amei a resenha.?


Pedro 24/10/2017minha estante
Excelente resenha Fernando! Mais do que gostei, principalmente no tocante aos preconceitos literários. Eu também li o livro em questão quando tinha aproximadamente 15 anos e detestei, porém ao ler a sua resenha fiquei com vontade de reler.

Sempre quando estamos lendo nos remetemos a outras leituras, pelo menos eu. Agora estou lendo "Formação do Brasil Contemporâneo" (Caio Prado Jr.) e me espanto com a quantidade de preconceitos explicitamente expostos, principalmente com negros e índios, para se ter ideia o autor escreve o seguinte: "Sabe-se que até hoje os índios de Goiás ainda não estão inteiramente dominados, e formam um dos últimos redutos de índios selvagens do país." (p. 61) e "A comarca do Norte de Goiás sofria duramente da hostilidade dos índios (...) e mesmo parte da outra margem em que se estabeleceram a colonização. As suas incursões se repetiam periodicamente, e não se conseguira, ainda em princípios do século XIX, pacificá-los ou os repelir definitivamente." (p. 61) Esse livro é até hoje considerado como um clássico e lendo as poucas resenhas que dele encontram-se aqui no Skoob é observável uma concordância implícita e explicita (da maioria). Alguns argumentam que é necessário ler sem incorrer em anacronismos, porém uma coisa é uma escrita literária ou etnográfica voltadas para o realismo outra completamente diferente é uma escrita evidentemente pautada no preconceito. Neste ponto acho que é necessário rever algumas das obras que são consideradas como "clássicas", não estou falando de Machado de Assis, pois para tal tipo de julgamento, referente a ele, eu teria de reler.

Sua resenha me fez lembrar muito de quando Paulo Coelho foi indicado para Academia de Letras, choveram críticas. Porém, Paulo Coelho tem uma escrita fluida e agradável, isso não há como negar. Uma escrita acessível. Além dos pseudointelectuais aos quais você se refere, Fernando, eu acrescento também os intelectuais nocivos (que incomodam-se muito quando a população começa a ler e tentam de todas as formas desestimular, pois são temerários de sua "posição"), afinal de contas ninguém começa a ler os livros mais complexos e mesmo que comece por tais é praticamente certo que não irão entender e provavelmente criar uma antipatia pela leitura. Acho que alguns dos livros literários que são leitura obrigatória no ensino médio deveriam ser revistos, pois requerem um maior grau de amadurecimento e carga de leitura. Não precisamos afastar ou desestimular os pouco leitores que temos aqui no Brasil, pelo contrário, necessitamos pensar em formas de aumentar esse número.

Ainda sobre essas questões de preconceito, ontem mesmo eu presenciei uma cena terrível. Estava em uma livraria que também funciona como cafeteria, na cidade que moro (Garanhuns - PE) e um adolescente entrou pedindo dinheiro. Quando ele chegou em uma determinada mesa um "sujeito" falou maios ou menos o seguinte: - "Saia daqui, se não eu vou chamar a polícia para lhe enviar para FUNASE" (antiga FEBEM, que ainda hoje funciona basicamente como uma unidade prisional para menores de idade que lá podem ficar até os 21 anos).
Depois comentou: "- Fica pedindo, depois fica ai. Não vai querer trabalhar. Depois vai pegar e assaltar quem lhe deu esmola."
Em outra mesa tinham dois homens conversando, aparentemente eram religiosos. Conversando sobre teologia, conversando relativamente alto para que as demais pessoas do estabelecimento escutassem sobre sua "erudição", teve momentos em que chegaram até a conversar sobre A cidade de Deus de Agostinho de Hipona. Sabe o que um deles tinha comentado quando o adolescente chegou em sua mesa (foi antes do que eu já contei): - "Você de novo!" e fez uma expressão de reprovação e virou o rosto.
Eu ainda tentei me controla e não falar nada, porém não me contive. Levantei e falei mais ou menos o seguinte: - "Você deveria ter vergonha na cara. Queria ver se teria essa mesma atitude com um político corrupto. São por conta de pessoas com uma mentalidade preconceituosa como a sua que o Brasil encontra-se nesse estado.", para o que falou de chamar a polícia, paguei minha conta e retirei-me.

Sabe, Fernando, não é somente uma questão de que algumas pessoas se acham melhores por estarem lendo um determinado gênero literário em detrimento de outros, é o elitismo preconceituoso entranhado em nossa sociedade, principalmente entre aqueles mais letrados ou que assim se consideram, mesmo sem o ser. Como você mesmo, bem colocou, determinadas leituras são mais complexas que outras, necessitam de mais maturidade, conhecimento e quando vamos treinando (com leituras mais simples) fica mais fácil compreender o mais complexo. E as pessoas que tem um determinando nível de conhecimento têm clara noção disso.

Desculpe-me pela prolixidade e mistura de assuntos, mas sua resenha me remeteu a muita coisa e de certa forma eu estava com isso entalado na garganta.


Fernando Lafaiete 24/10/2017minha estante
Que bom que gostaram da minha resenha. Eu já estou cansado de ver tantas resenhas que reforçam a inferiorização literária. Acho isso um saco e de fato me irrito! Como você mesmo citou Pedro; pior que os leitores que se auto-intitulam intelectuais através de comentários ou resenhas pejorativas; são os reais intelectuais que dão entrevistas ou postam comentários que reforçam estes aspectos desnecessários do mundo literário. Um bom exemplo disso é a aclamada autora Ruth Rocha que afirmou que Harry Potter não é literatura. Fiquei muito surpreso com o fato desta tão bem sucedida autora fazer um comentário tão idiota como esse.

Eu também já passei por situações revoltantes em livrarias. Já fui julgado por pessoas que me consideram inteligente por simplesmente estar na sessão de livros de fantasia. Este é mais uma coisa que as pessoas deturpam... Elas esquecem que inteligência é algo subjetivo e mais uma vez vez eu repito: NÃO tem nada a ver com preferência literária. Mas eu espero que as pessoas parem de ficar julgando os gostos dos outros e passem a se preocupar com coisas mais importantes.

E não se preocupe com comentários prolixos Pedro. Gosto dessas interações e aprendo muito com estes debates nas resenhas!


Junior 24/10/2017minha estante
Machado, Incrível. ??


Fernando Lafaiete 24/10/2017minha estante
Não curte Machado Junior?? Em questão de escrita ele é impecável!!


Junior 25/10/2017minha estante
Amooo nosso eterno Machado.


Fernando Lafaiete 25/10/2017minha estante
Que bom! Espero que o momento dele ser lido chegue pra todo mundo. Porque lê-lo na hora errada pode de fato fazer com que as pessoas peguem raiva do livro e do autor.




Nat 19/10/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Como todos sabem, Machado de Assis é um dos meus escritores preferidos e é muito gratificante poder falar um pouco sobre ele e sobre essa obra incrível que é Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Memórias Póstumas é a obra que inaugura o realismo aqui no Brasil. Primeiro publicada em formato de folhetim, foi publicada como livro em 1881.
“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. Memórias Póstumas tem várias frases que ficaram famosas e essa uma delas, e muitas vezes as pessoas nem sabem do que se trata o livro mas gosta da frase.
Brás Cubas é um aristocrata de classe média que morreu, sem deixar filhos ou qualquer outro grande feito para a sociedade. Depois de morto, ele resolve escrever sua biografia. “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”.
Evidentemente, Memórias Póstumas é um romance não linear, não segue a cronologia normal dos acontecimentos.
Não nos é revelado muito sobre a infância de Brás, além de seu amigo de escola Quincas Borba (que ganhou livro posteriormente) e de ser muito encapetado e atormentar o escravo da família. Ainda jovem, envolve-se com uma prostituta de luxo e acaba por gastar muito dinheiro com ela. Em nenhum momento Brás a chama de prostituta e tem certeza de que ela o amou – “Marcela amou-me por quinze meses e onze contos de réis; nada menos”. Para resolver o problema, seu pai o enviou para Coimbra para cursar faculdade. Ao retornar ao Brasil, vive uma vida de playboyzinho, esbanjando futilidade. Tem mais alguns amores e desamores, mas nada que dure ou que vire casamento. Decide dedicar-se a política e a obras de caridade, sem nenhum talento nem nenhuma paixão. E morre sozinho.
O livro, de uma forma geral, é bem crítico, principalmente em relação aos privilégios da elite da época. Temos dois Brás Cubas: um vivo e um morto. Brás vivo leva uma vida frívola sem se importar com isso. O Brás morto já não tem vergonha de apontar seus defeitos; vê tudo com muito ceticismo, desprezo, critica o próprio ser humano. O Brás morto é muito pessimista em relação à continuidade do ser humano.
Apesar do pessimismo, o texto tem um toque de humor. Por isso, temos que tomar cuidado ao ler para não confundir o humor com aprovação à sociedade. Na verdade, é o contrário.

site: https://www.youtube.com/c/PilhadeLeituradaNat
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Rodrigo Pamplona 06/10/2017

Uma viagem peculiar (Sem Spoilers)
De uma forma ou de outra, Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro que quase todo mundo conhece.

Muita gente leu obrigado na escola.
Muita gente leu porque caiu no vestibular.
E muita gente copiou do coleguinha aqueles resumos literários feitos para estudantes.

Assim, temendo cair na redundância, vou me limitar a dizer que achei este livro genial.
Como um breve resumo, a história é contada sob o ponto de vista de um defunto, o Brás Cubas. Depois de morto, Brás acha interessante partilhar sua vida conosco, os vivos. Para isso, abusa da ironia, do sarcasmo, da análise introspectiva, da crítica social mordaz.

A leitura alça voo já na primeira página, quando, em um lance impactante, Brás dedica o livro como saudosa lembrança ?ao “verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”?. Essa introdução, pra mim, foi tão forte como as primeiras linhas de A Metamorfose, de Kafka, onde Gregor Sansa acorda de sonos intranquilos metamorfoseado em um inseto gigante.

Como bom narrador, Brás Cubas preocupa-se com a recepção de sua obra e escreve um prólogo ao leitor para dizer que é uma “obra de finado”. Daí em diante, o livro segue de forma não-linear, ao sabor das lembranças do defunto narrador. A ironia destaca-se no decorrer da obra e Brás “arrasta” o leitor para seus amores, decepções, viagens, projetos e sonhos. As experiências amorosas, confesso, foram as que mais me interessaram. Brás não tem nada de Casanova, mas certamente sabe como “sweet-talk” ladies.

Então, o que você pode esperar do livro?

- Português difícil. Tenha o celular à mão, pois a pesquisa de palavras vai ser intensa;
- Críticas ferrenhas;
- Humor sagaz, reflexões de vida, um pouco de filosofia;
- Niilismo, romantismo, metalinguagem;
- Diversão, risos, melancolia. Talvez um espanto aqui e ali.

E uma enxurrada de outros sentimentos que, com certeza, vão fazer desse livro uma experiência única pra você. Até então, o que eu tinha lido de mais parecido com Brás Cubas foi “Enquanto Agonizo”, de William Faulkner. E ambos são geniais.

Passagem bonita:

“E assim, reatamos o fio da aventura, como a sultana Scherazade […]. Esse foi, cuido eu, o ponto máximo do nosso amor, o cimo da montanha, donde por algum tempo divisamos os vales de leste e oeste, e por cima de nós o céu tranquilo e azul. Repousado esse tempo, começamos a descer a encosta, com as mãos presas ou soltas, mas a descer, a descer...” (pág. 117)
Oz 07/10/2017minha estante
Legal a resenha. Vou colocar na minha lista para ler. Não dá para deixar de lado um livro que todo mundo gosta e recomenda!


Rodrigo Pamplona 07/10/2017minha estante
Espero que você curta, Oz. Comprei o meu em um sebo por R$ 5,00. Valeu muito a pena.


Oz 07/10/2017minha estante
Pois é, esse é facil achar no sebo. Farei o mesmo!




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