Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis...




Resenhas - Memórias Póstumas de Brás Cubas


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Mih 11/09/2010

Um livro de tamanha genialidade não poderia mesmo ter menos de 775 abandonos numa rede de leitores de Crepúsculo e auto-ajuda.

Diego 27/06/2012minha estante
Atualmente 1486 '-'
Triste realidade


Deby 10/08/2012minha estante
Já que é pra contar...
1578 no momento.
Ainda não o li, mas com certeza o farei.


De.emilio 02/09/2012minha estante
Bizarro isso, o que acho pior é a baixa nota dele apenas 3.9. Um dos melhores livros brasileiros =/


DuDepp 12/09/2012minha estante
Devo falar em defesa daqueles que não leram. O fato de eu não ter lido não me torna um ser medíocre e tampouco fã dessas modinhas do tipo Crepúsculo. Eu simplesmente não consigo ler devido à forma dele de escrever. Eu tentei ler, mas tinha de parar de hora em hora para conferir o dicionário por desconhecer a palavra. E é cansativo parar a leitura para procurar uma palavra. E como você quer que nós, que vivemos no século 21, leiamos com facilidade algo que foi escrito no século 19? É um tanto difícil. Já tentei ler Machado de Assis e José de Alencar e simplesmete desisti por causa da linguagem. É cansativo. E ainda assim, não me torno inferior a quem leu por um motivo como este.


Camilla 24/09/2012minha estante
1 - Por Crepúsculo ter sido "modinha", não podemos julgá-lo ruim antes de o ler. Eu li Crepusculo e gostei. Não é um livro genial, mas é um livro bom de ser lido.(E só como obs.: Pelo que vi no perfil da sr. "Mih", ela mesma já leu Crepúsculo.)
2 - Por que uma pessoa que gosta de ler auto-ajuda é inferior à qualquer outro tipo de leitor?
3 - O fato de uma pessoa não gostar de determinado livro (Memórias Póstumas de Brás Cubas) não significa que essa pessoa é medíocre. O gosto por determinado estilo de leitura não define a sua inteligência.


Mih 24/09/2012minha estante
Camilla:
1 - Não tô julgando pela modinha. Tô julgando pela qualidade. Ah, e eu li Crepúsculo. E, sim, é uma bosta.
2 - Auto-ajuda não é literatura.
3 - Não significa que a pessoa é medíocre, mas que tem gostos medíocres. Você pode discordar, mas na minha opinião é basicamente a mesma coisa.

Dudalak

A graça desse livro é justamente ele ter sido escrito a tanto tempo e conseguir ser absolutamente atual. Se esforce um pouco mais, estude um pouco mais e tente ler de novo. Não é um livro 'difícil'. Passa longe disso. É um livro que te faz pensar e rir MUITO, e a "forma cansativa" da escrita é um dos melhores aspectos do livro. Pena que a molecadinha de hoje em dia tem preguiça do que é mais complexo.


Murillo 11/10/2012minha estante
é, esta em 1700... é uma dó


Charmene 08/11/2012minha estante
Eu li Crepúsculo e leio auto ajuda. Isso não justifica abandonar Memórias Póstumas de Brás Cubas. Achei mais fácil de ler do que a confusão que é a série 50 tons, por exemplo. Li tudo que Machado de Assis publicou, meu favorito é Quincas Borba.

Machado de Assis era um gênio, e não é a toa que Memórias Póstumas de Brás Cubas é um marco na literatura brasileira.


hearjuliaroar 13/11/2012minha estante
Concordo com a dudalak


Kami 19/11/2012minha estante
Concordo em partes. Sim, acho uma pena abandonarem a leitura de obras do Machado de Assis, mas acredito que há tipos e tipos de leitores. Ler literatura brasileira clássica não é algo fácil - requer uma maturidade muito grande do leitor. A questão não é estudar ou não, também é questão de preferência. E a linguagem não é tão fácil assim, como toda a obra do século XIX - portanto, há autores que não são maduros o suficiente para lidar com esse tipo de escrita. Porém, há outros gênios da literatura brasileira cuja linguagem é mais acessível para pessoas que não estão preparadas para algo mais rebuscado. ;)


Edla 10/03/2013minha estante
Não se pode comparar Crepusculo com Memorias são totalmentes diferentes de generos diferente! Crepúsculo é muito bom.... despertou interresse de varias outras pessoas lerem, não axo que se deve comparar mais sim RESPEITAR!


Aline Stechitti 17/03/2013minha estante
A pessoa escreve AXO e pede respeito kkk
Desculpa, não resisti o comentário.


Lilian 20/03/2013minha estante
Não gosto de crepúsculo e já li muita literatura clássica brasileira. Mas esse livro é tremendamente chato, detestei.


Paulinha 11/04/2013minha estante
Acho que ao invés de fazer um comentário tão desrespeitoso em relação a outros tipos de literatura, é necessário fazer uma análise: a maioria das pessoas são obrigadas a lerem esse livro. Dificilmente uma coisa que você é obrigada a fazer se torna prazerosa. Logo daí a quantidade de abandonos (incluindo a mim). Você tem todo o direito de ficar indignada com a quantidade de desistência de um livro que é um marco pra literatura brasileira, porém daí a ofender quem gosta de outros gêneros é demais. Cada um tem um gosto, afinal, o que seria do mundo se todos gostassem das mesmas coisas. Pra mim, escolha medíocre é a escolha que uma pessoa faz quando usa um espaço que deveria ser pra analisar o livro em questão, e o usa pra ofender os demais livros.


Hellen 18/04/2013minha estante
Leu Machado de Assis e já acha que é o poço de cultura.

Talvez se você levasse um pouco em consideração que muitos abandonos acontecem porque infelizmente no Brasil a leitura de livros como este é obrigatória para provas escolares ou vestibulares, você não estaria fazendo um comentário tão infeliz quanto este. Acho muito válido os leitores iniciantes começarem por livros mais leves e não logo de cara Machado de Assis ou Graciliano Ramos, por exemplo. Aposto que você não começou a ser uma leitora através do Memórias Póstumas de Brás Cubas, então não desmereça o trabalho dos demais autores, até os de auto-ajuda.

O restante, faço das palavras da Paulinha as minhas.


Ricardo 31/05/2013minha estante
Já passam dos 2000, me assusta muito.


Renata 01/06/2013minha estante
Isso não foi um comentário muito feliz, é um erro desmerecer e comparar outros gêneros, eu AMO fantasia, já gostei de crepúsculo, e realmente gosto de literatura clássica, mas não consigo me entender com Machado de Assis, até gostei de Dom Casmurro, mas acho que José de Alencar escreve melhor, é claro que isso é a minha opinião, pode se indignar com os desistentes, mas não ofenda os outros gêneros


Murilo 06/06/2013minha estante
Quanto mimimi. Quanta gente chorando por nada. Para aqueles que acham difícil a leitura, ou para aqueles que consideram "Crepúsculo" ou "50 tons de cinza" bons livros realmente não tem nem como começar uma discussão. Alguns dizem que não tem como comparar esses livros com o "Memórias..." Não tem mesmo, pq esses livrinhos de madame não são literatua. Quem fica cansadinho de pegar o dicionário, ou acha difícil tem mais é que ler Paulo Coelho mesmo.


Pati 30/06/2013minha estante
Machado de Assis realmente foi um genio e talvez muita gente (como eu) não soube aproveitar sua obra. Não que Memórias Póstumas seja ruim, a ideia é inteligentíssima mas observe em que contexto a pessoa leu. Eu fui obrigada a ler pra fazer uma prova, tem gente que prefere outro tipo de literatura, há que se respeitar.


DouglasNT 27/07/2013minha estante
"Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem..."

Machado já sabia ;)


Dave 03/08/2013minha estante
Escória do universo esses pseudo-gênios. JAJAJAJA Vão ler bula de remédio ao invés de ficar falando asneira no Skoob. Imaginem essas pessoas conversando pessoalmente? "Tipo assim, já é, vixi, aí sim, mano, mermão". Falam igual todo mundo!
Tudo um bando de merdinha pseudo-intelectual querendo ser grande na internet (aliás, muito mal).


John 21/08/2013minha estante
Falou tudo...


Roany 30/08/2013minha estante
Lamentável ler uma "resenha" dessa ao vir aqui procurar algo que me acrescente. Lamentável.


Amanda 01/09/2013minha estante
Falou tudo!


Patrícia 21/09/2013minha estante
Acho uma falta de respeito pessoas que leem clássicos ficar menosprezando e julgando o gosto dos outros.


Edison Garreta 07/10/2013minha estante
Só acho que julgar a inteligência alheia baseado em gostos pessoais apenas diminui a inteligência da própria pessoa que julga.


Laís 11/10/2013minha estante
Lamentável ainda ser obrigada a ver esse tipo de comentário. Tipo de gente que leu meia dúzia de clássicos e já acha que pode julgar as outras pessoas. Ah, por favor, né?


Klerval 21/10/2013minha estante
Concordo plenamente. Pelo menos este livro está entre os 100 mais lidos.


Géci 30/10/2013minha estante
Gente, calma ela deve conhecer as 775 pessoas pra saber o que cada uma lê e o PORQUE de terem abandonado a leitura. ¬¬
Só uma pessoa mente fechada pra concluir isso, até porque muitos podem ter tido problemas com tempo pra ler, envolvendo trabalho, estudos e etc. Ou como ja aconteceu comigo muitas vezes, por falta de tempo ou por imprevistos, ter que devolver à biblioteca.
Acho que a mocinha aí que precisa de um livro de auto ajuda, pra aprender a respeitar as pessoas, porque atacar e julgar as pessoas assim só pode ser resultado de algum problema pessoal.


Géci 30/10/2013minha estante
O livro é muito bom, porque não falar só dele ? Afinal, aqui é um espaço pra fazer RESENHAS .


Michel 23/05/2014minha estante
eu li inteiro, mas é muito chato.


Micaela 24/05/2014minha estante
Desculpa, mas comparar livros clássico com livros atuais que estão na moda é um tanto quanto incoerente.São décadas de diferenças, publico diferente e ate mesmo motivações diferentes para escreve-los.Enquanto a grande maioria dos livros da atualidade tem com objetivo principal o entretenimento do leitor, os clássico,principalmente Machado de Assis, tinha como maior objetivo as criticas a sociedade da época, como o egoismo,o adultério e entre outros.E na minha opinião ninguém que começa a ler livros por sua própria vontade começa por clássicos, ate porque não tem grande maturidade para isso.


Fádya 26/10/2014minha estante
Finalmente alguém lúcido aqui.


flávia 02/12/2014minha estante
É lugar comum falar mal de auto-ajuda e Crepúsculo. As pessoas bem que podiam ser mais originais! Qual o problema com a auto-ajuda? Como se fossemos super-homens ou algo do gênero! Vejo auto-ajuda na arte o tempo todo:
leia o refrão de "Let It Die" de Ozzy Osbourne (ah, mas no heave metal pode! é "cool!")
"Fuc**ing Perfect", de P!nk, é auto-ajuda do início ao fim. Uma lista intermináveis de filmes, músicas de generos variados tem a auto-ajuda incutida de modo sutil ou explícito. Mas quando se trata de literatura, a auto-ajuda parece o "pecado capital" dos leitores, visto que "eles são deuses, nasceram sabendo td da vida e não precisam da mesma". Quanto à Crepúsculo, bem, só posso dizer que ninguém nasce acima dos 30 anos para apedrejar obras do tipo. E, numa saga, qdo leio o primeiro e acho "uma bosta", não vou esperar que os outros sejam menos que "a mesma bosta"! Medíocre é se achar intelectualmente superior a ponto de julgar as preferências literárias de outros.

Só pra constar: não, eu não fã de carteirinha de Crepúsculo e auto-ajuda, apenas estou defendendo o direito das pessoas de gostarem.

São comentários desse tipo que fazem com que a rede não pareça uma rede social de leitores, afinal, o habito de leitura, teoricamente, forma pessoas melhores.


Aron 09/12/2014minha estante
Minha cara Flávia, existe uma diferença entre leitura, música, produção fílmica engajada e desengajada com a realidade, que dane-se diretos das pessoas sobre o que ler, ela tem que ter responsabilidade e discernimento mental e juízo para saber o que é bom para si, para o intelecto, para com a realidade em que vive e não debruçar-se nessas baboseiras de vitrine de loja que carecem de comprovação mais sistemática, refletindo apenas em crenças pessoais do autor, que ele extraiu de suas próprias experiências ou da experiência de outros próximos a ele em prol somente de lucro


Suz 15/12/2014minha estante
Lendo os comentários dá pra perceber que esse povo não sabe ou não entende que Crepúsculo, 50 tons e auto ajuda NÃO SÃO literatura e jamais serão.
Encarem os fatos, literatura é cânon.


flávia 16/12/2014minha estante
Aron, em primeiro lugar, não sou "sua cara", em segundo, parei de ler seu comentário em "dane-se o direito das pessoas...". Fale comigo quando crescer.


João 23/04/2015minha estante
Somente o número de abandonos alto não necessariamente implica o livro ser bom ou ruim ou as pessoas gostarem mais ou menos dele. Pelo fato de obras famosas atingirem um grande número de leitores, espera-se uma taxa de abandono maior. Talvez seja interessante comparar o número de abandonos com o número de pessoas que leram o livro. Se compararmos Memórias Póstumas de Brás Cubas com Crepúsculo observando a razão entre número de abandonos e número de pessoas que leram, neste momento o primeiro apresenta uma razão igual a 2570/78993 = 0,03 = 3%, enquanto o segundo apresenta 4389/214995 = 2%. Assim, apesar da diferença, vemos que ela não é tão absurda. Além disto, o fato de Crepúsculo ter um número maior de leitores já foi citado por algumas pessoas nos comentários.


Ira 29/06/2015minha estante
Comentário reto e seco, na lata. Perfeito.


Thais 27/10/2015minha estante
Acho que você está se achando um máximo por ler esse livro. Quer saber? Também já li. O livro é um clássico brasileiro, e muito bom, uma história diferente de todas que já li, mais achei uma leitura bem maçante. Machado de Assis é um grande escritor, ele viveu em uma época em que a escrita era diferente da nossa e acho errado você criticar quem lê livros como Crepúsculo e Auto- ajuda. Respeite o gosto das pessoas!!! Eu já li livros clássicos como Memórias Póstuma de Brás Cubas, Dom Casmurro, O Cortiço, Orgulho e Preconceito, O Retrato de Dorian Grey, etc. Assim como já li as Séries Crepúsculo, a Maldição do Tigre, Fallen, Harry Potter, A Seleção etc et all.
Portanto de sua intenção era parecer intelectual, você me pareceu uma pessoa arrogante que não respeita essa rede social. Te dou o conselho de parar de ser preconceituosa e respeitar as pessoas dessa rede. Eu gosto tanto de clássicos como os modernos. É muito triste ler um comentário como o seu, porque vejo que o preconceito está em toda parte! E outra coisa, porque você leu toda a Série Crepúsculo se você não gostou nem do primeiro livro? Não chame as pessoas de medíocres, respeite as opiniões! E por favor, aprenda o que é uma resenha!


Guilherme 30/12/2015minha estante
Já vai pra lá de 2.600. Péssimo.


Matheus 02/03/2017minha estante
Atualizando: 2793 abandonos. Talvez o índice de abandono caia este ano e o próximo, considerando que este livro constará na lista do vestibular da FUVEST.


Lucas 25/03/2017minha estante
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
finalmente, alguém sensato


Ana Alice 13/12/2018minha estante
2.984 :'(




Fernando Lafaiete 24/10/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Uma "resenha resposta" para os pseudo-intelectuais do Skoob.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é o livro que inaugurou o realismo no Brasil. Publicado pela primeira vez em 1881, a obra prima de Machado de Assis foi fortemente criticada por não trazer uma narrativa convencial e positiva. Ainda assim, ao longo do tempo, a mesma se consagrou como uma das histórias mais importantes da literarura brasileira e se tornou um marco na literatura Internacional.

Machado de Assis foi um grande estudioso e seu conhecimento em literatura e em questões linguísticas chega a ser invejável. Este conhecimento se reflete solidamente em sua narrativa. Ele foi responsável pelas primeiras traduções realizadas de Os Trabalhadores do Mar de Victor Hugo e de Oliver Twist de Charles Dickens, duas das maiores obras-primas da literatura universal.

Em seu clássico realista, acompanhamos a "jornada" de Brás Cubas, o defunto autor, que após a morte decide escrever um livro de memórias. A narrativa não é linear e é regada de ironias, pessimismos, momentos oníricos, poéticos e muitas vezes reflexivos.

Brás Cubas é um protagonista difícil de se gostar. Ele é apático, quase nulo de sentimentos, o que faz com que seus relacionamentos interpessoais soem todos como superficiais e sem propósitos. Tal personagem não tem um objetivo palpável na vida e sempre almeja/deseja aquilo que não pode ter. Ele é pessimista e sempre apresenta opiniões pejorativas e desnecessárias sobre as pessoas as quais ele se relaciona. Todas as relações do livro carecem de sentimentos mais tridimensionais, e o que encontramos nada mais é do uma unilateralidade sentimental crua que mesmo assim ainda traz peso narrativo mais que significativo.

Nesta obra também nos é apresentado pela primeira vez Quincas Borba que acabará se tornando posteriormente o protagonista do clássico que levará o seu nome e que será considerado o segundo livro da trilogia realista de Machado de Assis.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro considerado por muitos como sendo de difícil leitura. Ele tem uma quantidade absurda de abandonos aqui no Skoob. Lendo algumas resenhas aqui postadas, me deparei com opiniões bem problemáticas (em minha percepção) acerca deste assunto. Quais são os reais motivos de tantos abandonos? Seria uma questão relacionada ao intelecto dos leitores brasileiros ou seria uma questão de incompetência da administração cultural da literatura em nosso país?

Antes de entrar no cerne destas questões, quero reforçar que esta minha leitura não foi inédita. Li este livro pela primeira vez aos 15 anos e odiei. O mesmo me deixou por um tempo traumatizado sobre livros clássicos. Somente com esta releitura e levando em consideração minha atual bagagem de leitura, pude constatar a genialidade de Machado de Assis.

Antes de voltar as questões que levantei anteriormente, preciso reforçar também, que assim como em Vidas Secas de Graciliano Ramos, Memórias Póstumas também possui um capítulo famoso, considerado por críticos literários como sendo uma perfeição narrativa. O famigerado capítulo 7, denominado de "O Delírio", apresenta o encontro do protagonista com a Natureza/Pandora que o indaga sobre qual seria o verdadeiro sentido da vida. É uma passagem bonita, poética e onírica. De fato uma verdadeira perfeição narrativa que resume bem o livro que possui um personagem central que vive sem viver.

Agora vamos retroceder as questões que tanto faço questão de introduzir nesta resenha. Muitos afirmam que tais abandonos são frutos da incapacidade dos leitores brasileiros em assimilarem uma narrativa mais truncada por simplesmente estarem acostumados com livros modinhas como Crepúsculo e livros de autojuda, que muitos afirmam não ser literatura. Quero frisar aqui que li toda a série Crepúsculo e não me envergonho disso. Tais livros foram extremamente importantes para a minha formação como leitor e não só os li como pretendo um dia relê-los. E se você já tentou ler Machado de Assis (por este livro ou por qualquer outro) e não conseguiu e abandonou, não se envergonhe e nem se incomode com isso. Você não é menos leitor do que eu ou do que qualquer outra pessoa. Você apenas não estava preparado(a) para ler este autor neste momento, assim como aconteceu comigo aos 15 anos. Não tem nada a ver com intelecto, tem apenas a ver com o momento certo de ler determinado autor. Não se obriguem a ler nada, a leitura precisa ser um processo agradável e engrandecedor e não algo respaldado pela obrigação. A obrigação literária é que é a grande culpada na questão do distanciando dos jovens em relação a livros clássicos.

Sobre as milhares de críticas que leitores de autoajuda recebem dos pseudo-intelectuais que afirmam que este gênero não é literatura; apenas lhes dou um conselho: "Ignorem estas críticas inúteis." A organização de palavras que resulta em um texto que lhe apresenta algum tipo de conhecimento, reflexão e divertimento, é literatura. Até a bula de remédios é literatura. Não confundam o que é literatura, com o que é texto literário e texto não-literário. Auto-ajuda não é texto literário, mas é sim literatura no seu âmbito mais profundo.

Julgamentos, afirmações, e expressões como sub-literatura e outros termos pejorativos não existem de maneira sólida nos estudos literários. Tais coisas nada mais são do que invenções de leitores que sentem a necessidade de inflamarem seus próprios egos diminuindo outros leitores. Em um país onde o número de leitores é medíocre, tais agressões de leitores para leitores são injustificáveis. Qual o sentido de escrever uma resenha inferiorizando outros leitores levando em consideração seus gostos literários? Na atual situação de nosso país, devemos incentivar a leitura e não desanimar as pessoas a lerem Independente de seus gostos pessoais.

Não tive nenhuma dificuldade em relação ao vocabulário do livro. A única coisa que enxerguei como sendo um possível problema são as diversas referências literárias e menções a pessoas célebres. Mas não se preocupem, as notas de rodapé estão ali para anular este possível empecilho, e portanto, devem ser lidas. Não as evitem!

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro excepcional, com uma narrativa incrível e com uma estrutura sensacional. Apesar de ser um livro genial, ele não deve ser usado como parâmetro intelectual para leitores. Na verdade, nenhum livro é genial à este ponto. Inferiorizar pessoas que não leem clássicos é atitude de quem deseja se reafirmar como intelectual. Muito triste encontrar esse tipo de atitude em uma rede social onde o que deveria prevalecer é o amor pela literatura no geral!
Carol 24/10/2017minha estante
Linda resenha!


JANEREINANDO 24/10/2017minha estante
Parabens! Amei a resenha.?


Pedro 24/10/2017minha estante
Excelente resenha Fernando! Mais do que gostei, principalmente no tocante aos preconceitos literários. Eu também li o livro em questão quando tinha aproximadamente 15 anos e detestei, porém ao ler a sua resenha fiquei com vontade de reler.

Sempre quando estamos lendo nos remetemos a outras leituras, pelo menos eu. Agora estou lendo "Formação do Brasil Contemporâneo" (Caio Prado Jr.) e me espanto com a quantidade de preconceitos explicitamente expostos, principalmente com negros e índios, para se ter ideia o autor escreve o seguinte: "Sabe-se que até hoje os índios de Goiás ainda não estão inteiramente dominados, e formam um dos últimos redutos de índios selvagens do país." (p. 61) e "A comarca do Norte de Goiás sofria duramente da hostilidade dos índios (...) e mesmo parte da outra margem em que se estabeleceram a colonização. As suas incursões se repetiam periodicamente, e não se conseguira, ainda em princípios do século XIX, pacificá-los ou os repelir definitivamente." (p. 61) Esse livro é até hoje considerado como um clássico e lendo as poucas resenhas que dele encontram-se aqui no Skoob é observável uma concordância implícita e explicita (da maioria). Alguns argumentam que é necessário ler sem incorrer em anacronismos, porém uma coisa é uma escrita literária ou etnográfica voltadas para o realismo outra completamente diferente é uma escrita evidentemente pautada no preconceito. Neste ponto acho que é necessário rever algumas das obras que são consideradas como "clássicas", não estou falando de Machado de Assis, pois para tal tipo de julgamento, referente a ele, eu teria de reler.

Sua resenha me fez lembrar muito de quando Paulo Coelho foi indicado para Academia de Letras, choveram críticas. Porém, Paulo Coelho tem uma escrita fluida e agradável, isso não há como negar. Uma escrita acessível. Além dos pseudointelectuais aos quais você se refere, Fernando, eu acrescento também os intelectuais nocivos (que incomodam-se muito quando a população começa a ler e tentam de todas as formas desestimular, pois são temerários de sua "posição"), afinal de contas ninguém começa a ler os livros mais complexos e mesmo que comece por tais é praticamente certo que não irão entender e provavelmente criar uma antipatia pela leitura. Acho que alguns dos livros literários que são leitura obrigatória no ensino médio deveriam ser revistos, pois requerem um maior grau de amadurecimento e carga de leitura. Não precisamos afastar ou desestimular os pouco leitores que temos aqui no Brasil, pelo contrário, necessitamos pensar em formas de aumentar esse número.

Ainda sobre essas questões de preconceito, ontem mesmo eu presenciei uma cena terrível. Estava em uma livraria que também funciona como cafeteria, na cidade que moro (Garanhuns - PE) e um adolescente entrou pedindo dinheiro. Quando ele chegou em uma determinada mesa um "sujeito" falou maios ou menos o seguinte: - "Saia daqui, se não eu vou chamar a polícia para lhe enviar para FUNASE" (antiga FEBEM, que ainda hoje funciona basicamente como uma unidade prisional para menores de idade que lá podem ficar até os 21 anos).
Depois comentou: "- Fica pedindo, depois fica ai. Não vai querer trabalhar. Depois vai pegar e assaltar quem lhe deu esmola."
Em outra mesa tinham dois homens conversando, aparentemente eram religiosos. Conversando sobre teologia, conversando relativamente alto para que as demais pessoas do estabelecimento escutassem sobre sua "erudição", teve momentos em que chegaram até a conversar sobre A cidade de Deus de Agostinho de Hipona. Sabe o que um deles tinha comentado quando o adolescente chegou em sua mesa (foi antes do que eu já contei): - "Você de novo!" e fez uma expressão de reprovação e virou o rosto.
Eu ainda tentei me controla e não falar nada, porém não me contive. Levantei e falei mais ou menos o seguinte: - "Você deveria ter vergonha na cara. Queria ver se teria essa mesma atitude com um político corrupto. São por conta de pessoas com uma mentalidade preconceituosa como a sua que o Brasil encontra-se nesse estado.", para o que falou de chamar a polícia, paguei minha conta e retirei-me.

Sabe, Fernando, não é somente uma questão de que algumas pessoas se acham melhores por estarem lendo um determinado gênero literário em detrimento de outros, é o elitismo preconceituoso entranhado em nossa sociedade, principalmente entre aqueles mais letrados ou que assim se consideram, mesmo sem o ser. Como você mesmo, bem colocou, determinadas leituras são mais complexas que outras, necessitam de mais maturidade, conhecimento e quando vamos treinando (com leituras mais simples) fica mais fácil compreender o mais complexo. E as pessoas que tem um determinando nível de conhecimento têm clara noção disso.

Desculpe-me pela prolixidade e mistura de assuntos, mas sua resenha me remeteu a muita coisa e de certa forma eu estava com isso entalado na garganta.


Fernando Lafaiete 24/10/2017minha estante
Que bom que gostaram da minha resenha. Eu já estou cansado de ver tantas resenhas que reforçam a inferiorização literária. Acho isso um saco e de fato me irrito! Como você mesmo citou Pedro; pior que os leitores que se auto-intitulam intelectuais através de comentários ou resenhas pejorativas; são os reais intelectuais que dão entrevistas ou postam comentários que reforçam estes aspectos desnecessários do mundo literário. Um bom exemplo disso é a aclamada autora Ruth Rocha que afirmou que Harry Potter não é literatura. Fiquei muito surpreso com o fato desta tão bem sucedida autora fazer um comentário tão idiota como esse.

Eu também já passei por situações revoltantes em livrarias. Já fui julgado por pessoas que me consideram inteligente por simplesmente estar na sessão de livros de fantasia. Este é mais uma coisa que as pessoas deturpam... Elas esquecem que inteligência é algo subjetivo e mais uma vez vez eu repito: NÃO tem nada a ver com preferência literária. Mas eu espero que as pessoas parem de ficar julgando os gostos dos outros e passem a se preocupar com coisas mais importantes.

E não se preocupe com comentários prolixos Pedro. Gosto dessas interações e aprendo muito com estes debates nas resenhas!


Junior 24/10/2017minha estante
Machado, Incrível. ??


Fernando Lafaiete 24/10/2017minha estante
Não curte Machado Junior?? Em questão de escrita ele é impecável!!


Junior 25/10/2017minha estante
Amooo nosso eterno Machado.


Fernando Lafaiete 25/10/2017minha estante
Que bom! Espero que o momento dele ser lido chegue pra todo mundo. Porque lê-lo na hora errada pode de fato fazer com que as pessoas peguem raiva do livro e do autor.




Leitor 02/08/2010

O o livro na minha opinião e muito usado adjetivos e palavras da época por isso não tem motivo para eu continuar eu não entendi nada. Mas espero quando tiver capacidade de entender de desfrutar essa leitura quando tiver 30 ou 50 anos.
Leitor 14/08/2010minha estante
Cada um com sua opinião Arnie :)


Jonathan R. 19/09/2010minha estante
A linguagem do livro é relativamente fácil. Não vejo qual foi o problema.

Tente revisitar as lições de português, e compre um dicionário, depois volte ao livro [2]


Leitor 20/09/2010minha estante
relativamente 0,1


Leitor 23/10/2010minha estante
obrigado Leonardo, agradeço




Matt 11/02/2012

Torturas Póstumas de Brás Cubas
Eu amei, o livro Dom Casmurro que é do mesmo autor, entretanto, a grande obra da literatura brasileira "Memórias Póstumas de Brás Cubas" não me agradou nem um pouco.

As primeiras 50 páginas, são extremamente desagradáveis, depois melhora um pouco e piora novamente.

Terminar esse livro, foi quase impossível.

Os personagens desse livro não tem carisma nenhum, tipo em Dom Casmurro Capitu, Bentinho, a mãe de Bentinho, o velho! Eles tem muito carisma, conseguem envolver o leitor, a trama toda... São personagens muito bem elaborados psicologicamente e tem uma coisa que me envolveu profundamente, por conta do prazer que senti lendo "Dom Casmurro" fui ler "Memórias Póstumas de Brás Cubas", eu esperava alguma coisa no mesmo estilo e me deparei com uma grande decepção.

Todo mundo ama fazer o maior terror sobre Machado de Assis, coisa que não foi confirmada enquanto eu lia Dom Casmurro, mas, "Memórias Póstumas de Brás Cubas" que eu carinhosamente apelidei de "Torturas Póstumas de Brás Cubas", foi para mim, uma decepção, a trama é chata e os personagens são chatos, não tem nada interessante acontecendo, os personagens não tem carisma algum. O livro é ruim de ler... Sei lá.

É um livro muito importante que cai sempre nos vestibulares...
Felipe 26/12/2012minha estante
Na verdade, os personagens não tem carisma propositadamente; o maior objetivo do Machado é criticar a sociedade e os costumes por meio dos personagens. Virgília amava Brás mas não se separava do marido para não perder o status de ser esposa de um homem público. Às vezes, Brás faz alguma caridade e em outras é extremamente preconceituoso e mal. A narrativa arrastada com várias digressões servem para o leitor ter tempo de se perguntar o quanto ele também não é um crápula escondido por máscaras... A leitura de "Memórias" é realmente mais complicada que "Dom Casmurro", mas, a meu ver, a ironia do autor é mais bem trabalhada no primeiro livro.


Matt 28/12/2012minha estante
É a MINHA opinião.


Hel 19/08/2014minha estante
Felipe arrasou neste comentário.


Matheus 02/03/2017minha estante
Excelente comentário, Felipe.




Davi 08/10/2015

Péssimo
Este livro é um dos piores livros que já li! Me arrependo amargamente. Todas as pessoas que conheci que leu este livro falou a mesma coisa,"péssimo", e é mesmo,chato,tediante,ruim,capítulos inútil...uma história repugnante. Só perdi tempo lendo este livro.
Felix 09/10/2015minha estante
vish! haushauhuas- não sou mto fã dos romances de Machado, mas os contos são outro nível! fica a dica ;)


Leonardo 12/10/2015minha estante
Um livro que li do Machado e gostei muito foi "O Alienista", sobre os contos, tem um que se chama "A Igreja do Diabo" bem interessante.


Felix 12/10/2015minha estante
Isso! Mas ainda nao li esse rsrs' indico 'Pai contra mãe', 'A causa secreta' e 'Teoria do medalhão'. Machado é muito ácido nas críticas, gosto assim ;)


Fabio 24/02/2016minha estante
Pelos erros de concordância dá pra entender.....




M. Scheibler 20/11/2009

Sinceramente...é um dos maiores clássicos de nossa literatura, mas...

Tenho esse livro em casa, iniciei duas vezes mas parei em ambas por volta da página 40!!!!

Isento-me de comentários
Matt 01/02/2012minha estante
Eu cheguei na 190... TORTURA PURA. Assim, gostei de algumas partes e tals, até pq eu havia amado Dom Casmurro do mesmo autor, mas esseeeeeeee Memórias é muito chato.!


Gabriel 13/01/2013minha estante
Se você não chega ao fim como pode avaliar algo?


M. Scheibler 13/01/2013minha estante
Se em duas oportunidades iniciei o livro e não gostei, é sinal que não gostei!!!


Lilian 20/03/2013minha estante
Eu comecei três vezes, consegui terminar mas só porque me incomoda não terminar de ler livros que comecei a ler. Se isso não te incomoda, não vale nem a pena, achei o livro todo é chato e arrastado.




17/12/2010

Irritante e Genial
Estou feliz e irritada, simultaneamente, com Machado de Assis.

Feliz pq ficou evidente que a intenção realmente era q Memórias Póstumas, em sua primeira metade, fosse um livro chato e enfadonho.
Ele diz isso com todas as letras.

Então, pq isso me deixa feliz?
São mtos porquês:

- Pq assim posso admirar ainda + Assis.
- Pq poucos são àqueles que tem coragem de propositalmente escrever um livro chato, que cansa, enrolando o leitor ao máximo, antes de nos contar o q realmente interessa. E qdo o faz, é espetacular, envolvente, fica nítido o domínio, o preparo de Assis.

De fato, e inquestionavelmente, um grande escritor!

- Pq faz parte do método do autor defunto ser enfadonho e monótono, na verdade, pq qdo ele nos narra um fato, ele volta àquele momento, e experimenta as mesmas sensações que um dia já vivenciou. E nos faz experimentar essas sensações tb, através da forma única e genial q ele conta suas memórias. Assim podemos compreender com perfeição o q ele sentiu, o q ele viveu.

É sensacional!!! O realismo, a ironia, as digressões, divagações, tudo aquilo q parecia sem importância, sem nexo, como o fatídico episódio, q mto me aborreceu, da borboleta ou mesmo o da formiga versus a mosca, agora ficaram tão claros, tão compreensíveis, e demonstram o quão avançada era a mente de Assis. Sem dúvidas, um gênio.

- E também, pq se eu estava achando o livro chato, significa q entendi perfeitamente o q ele pretendia, afinal a intenção era exatamente essa.
Significa que ele atingiu seu objetivo, e q eu estava ligada, em sintonia, com o propósito dessa obra.

Então, pq estou irritada???
Há apenas um grande pq:
- Pq ele teve a petulância de dizer q se eu estava achando o livro chato e enfadonho, a culpa era exclusivamente minha.

Pois é, minha culpa, e de qualquer outro leitor q tenha sentido o mesmo q eu.

Ele se justifica dizendo q nós leitores somos ansiosos, temos pressa de envelhecer pra então desfrutar do q interessa. (Pq a vida de Brás só fica mesmo interessante após seus 40 anos. E sua infância, adolescência, juventude... uma monotonia!!! Uma chatice!!! Entediante!!!)

Petulante, não??

Ele propositalmente escreve um livro chato, pq sabe q sou ansiosa e vou me irritar com isso.

Dessa forma, vc há de concordar comigo q não dá pra não admirar Assis.
Ele conseguiu prever o q esse livro (não a estória do livro, e sim a forma como ela foi narrada) iria despertar em seus leitores, e obteve sucesso, total êxito, com sua esquisita intenção.

Vc me entende? Entende Assis??
Lembra de ter sentido isso ao ler essa obra dele???

Se a resposta for negativa, principalmente para minha última pergunta, recomendo q vc releia, valerá à pena o que pode parecer um sacrifício (na primeira metade), e um prazer indescritível (na segunda metade do livro) pra assim prestigiar a sensibilidade e inteligência desse autor único.
Fogui 17/12/2010minha estante
Má, juro, fiquei com vontade de reler... vc conseguiu despertar a minha curiosidade... adorei a sua resenha... muito bem escrita... Machado de Assis deve ter virado na tumba de orgulho... Kkkkkk...


Eder 01/07/2016minha estante
Nossa!!! Como é edificante ler uma resenha dessas. Memórias Póstumas... foi o primeiro livro de literatura que eu li, e isso foi a 22 anos atrás. Depois desses comentários até dá uma vontade de fazer uma releitura.
Apesar da erudição e complexidade usada na construção das frases, Machado de Assis nos serve de uma lucidez tamanha, e de uma técnica que nos faz até perder um pouco a ingenuidade, que torna-se recomendável até para adolescentes que almejam adentrar o universo literário. Foi esta magnífica obra que me despertou conhecer os meandros da literatura mundial. Digo mundial pois, nas linhas de Assis, pude perceber outros tantos gênios da literatura, como Allan Poe, Baudelaire, Victor Hugo, e até mesmo Shakespeare, entre tantos outros...
Na época em que li o livro, eu tinha uns 19 anos, e não me preocupei tanto em ficar tangenciando com o dicionário as páginas deste clássico. O importante, pra começo, é seguir adiante e fazer com que a leitura se desenvolva e que, com o tempo, venhamos a nos familiarizar com as terminologias. Um outro livro que vale muito a pena ler, que foi o segundo, na ordem cronológica de minha lista, é "Angústia", de Graciliano Ramos. Um outro gênio que faz com que o leitor entre no psicológico dos personagens! Parabéns pela belíssima e aprofundada resenha.


Rodrigo.Carneiro 22/06/2017minha estante
Novo por aqui no SKOOD e extremamente feliz já pela manhã ao ler essa resenha tão bem explanada.
Paz e boa leitura a todos.




Gadotti 21/01/2010

Abandonei
A leitura não prendeu minha atenção.
Os termos usados são bem antigos e complexos.
O arrasta a leitura e a torna difícil ao meu ver.
Yoshi 25/08/2012minha estante
A narrativa é o principal, e é muito bom( na minha opinião). Se tem dificuldade com o vocabulário, sempre tem versões mais atualizadas, e o bom e velho dicionário.


Elda 22/05/2013minha estante
Pois é Yoshi, lembro d qd li, ainda era adolescente, e ñ dava p ler sem o dicionário; lia um parágrafo e voltava, é um desafio, mas vale mt a pena!! Orgulho desse livro.


Matheus 02/03/2017minha estante
Esta leitura não é para qualquer um mesmo não.




José Ricardo 26/04/2010

Hoje coloco em prática o meu desejo de escrever algumas resenhas para o Skoob e começo com o Memórias que sem dúvida, é um livro do qual não me desapego nunca. Aquela pergunta idiota Qual livro você levaria para uma ilha deserta? seria por mim prontamente respondida com ele. O humor inteligente de Machado me insta a tentar crescer como leitor. Com ele, você tem duas escolhas: aceitar o desafio, conhecer as palavras pra entender a piada, não se intimidar com as digressões e a narrativa arrastada ou simplesmente abandonar a leitura, julgando o livro anacrônico.

A seleção vocabular, a crítica mordaz na hora certa, tudo em Memórias pode servir de exemplo para o que na universidade chamávamos de economia de meios, ou seja, uma literatura na qual nada falta e nada sobra. Tudo está no seu devido lugar. Brás Cubas e as mulheres de Brás Cubas Marcela (Naquele ano, morria de amores por um certo Xavier, sujeito abastado e tísico, uma pérola), Eugênia, dona Loló e é claro, ela: Virgília. Brás Cubas e seus fracassos. Brás Cubas e sua única vitória: a de não ter filhos: não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Mas o que estou fazendo? Estou chovendo no molhado, como diria minha avó. Estou colocando na minha resenha o que tem em todas as outras. Mas isso não é problema. O livro fala por si mesmo. Não precisa de resenhas, de indicações.

Um trecho pra convencer alguém a ler Memórias? Escolho, sem sombra de dúvidas, esse: Não acabarei, porém, o capítulo sem dizer que vi morrer no hospital da Ordem, adivinhem quem?... a linda Marcela; e vi-a morrer no mesmo dia em que, visitando um cortiço, para distribuir esmolas, achei... Agora é que não são capazes de adivinhar... achei a flor da moita, Eugênia, a filha de D. Eusébia e do Vilaça, tão coxa como a deixara, e ainda mais triste.
Paulinha 11/04/2013minha estante
Isso sim é resenha de classe... Parabéns!


Elda 22/05/2013minha estante
Concordo com Mah e Kami!!!!!!!!!!!!!!!


Rodrigo.Carneiro 22/06/2017minha estante
Pra que tanta discussão.
Viva a democracia.
Felicidade a todos e PAZ




* 01/12/2018

Existem olhares e olhares. Se não me falha a memória, que o verme ainda não roeu, Machado de Assis dissertou sobre esses paralelos.
Num âmbito pragmático, podemos reduzir o livro a um conceito sem beleza ou nobreza, ao ficar só com a imagem sobre um defunto que conta sua história.
No olhar de valorização romanesca, a obra poderá tornar-se uma experiência decepcionante com a constatação dessa ausência, se for a procura principal, em uma narrativa atípica, inovadora, sem a ideologia romântica e ainda desafiadora nos dias atuais.
E, como foi sugestivo pelo autor nos textos iniciais, há um olhar sobre a vida de forma inusitada, com reflexões que podem ser comuns no pensamento ou específicas a Machado de Assis, que nos convida a conhece-las (visão que escolhi na experiência com o livro, em disposição que parece óbvia para todo mundo diante de um narrador morto que vai contar como foi sua vida).

O texto é rico em informações, principalmente de forma irônica, como um sarcasmo diante de acertos e erros pela vida, no posicionamento conclusivo do narrador sobre algo que agora parece medíocre, ridículo ou temporal.

Vou registrar alguns momentos que destacaram-se em minha leitura, nas reflexões propostas:
- a última frase do capítulo XXVII pareceu-me a condensação da proposta do livro ("cada estação..."), sobre a transitoriedade da vida e aprendizagens nesse decorrer (lembrei do garoto mala que foi Brás Cubas, que teve aprendizagens na mesma moeda de humilhação na juventude, como a agente disso depois, Marcela, e nesse transitar de vai vem o nosso narrador em outros momentos, até contemplar tudo com sua galhofa no além túmulo). Transitoriedade e aprendizagens, para o bem ou não nas escolhas. Já aviso que foi o que ficou de principal do livro, os subsequentes vem daí;

- no capítulo LXXXII tem um parecer interessante, em que o autor fala de velhice ridícula e triste, quando não há a compostura e austeridade da gentileza do ancião, relacionada a aprendizagens. Achei curiosa a observação.

- o livro tem frases interessantes sobre a transitoriedade que enfatizo, principalmente "a do verme", mas tem uma pouco citada, que destaco em meu registro (não sei como lhe parece, mas foi de carismática revelação). Está no capítulo CXIX, que tem outras curiosas, mas gostei mais desta: "matamos o tempo; o tempo nos enterra.";

- o último registro está em todas as passagens com dissertação sobre o Humanitismo de Quincas Borba (confesso que essa parte foi minha frustração, pois não entendi direito e, o que ficou é que seria uma visão de permissibilidade, disponível e justificável aos mais aptos, como se fosse um princípio universal e natural). Pareceu-me perigoso, tipo o que guiou Raskólnikov no clássico russo (que teria correlação com o que entendi sobre o tal humanitismo). Talvez Machado estivesse, com esse papo, numa crítica a sociedade que se apresentava (glamour assentado em um pensamento pobre e egoísta).

Enfim, é uma leitura com misto de surpresas interessantes ou não, fatos instigantes, reflexões (principalmente na transitoriedade da vida), um pouco de chatice (tiquinho na minha leitura) e desafios para aprendizagens onde certamente muita coisa deixei passar.

Ah, para Brás Cubas e todos nós: acumulemos tesouros no céu, onde nem traça, nem ferrugem corroem (Mateus 6:19 a 23).
* 01/12/2018minha estante
A edição que li (Martin Claret, 2006) traz também o perfil de Machado de Assis em artigo legal e envolvente de Renard Perez. Vale a conferida.


* 01/12/2018minha estante
É tão interessante ver diferentes olhares no mesmo livro. Gosto de ler as resenhas e muita coisa foi envolvente e somatória em aprendizagens ou reavaliações.


* 01/12/2018minha estante
Que o livro evidencia transitoriedade é evidente, mas as aprendizagens nesse avançar não significam redundâncias em nobres desígnios e ideais. Brás Cubas é movido por vaidade e interesses egoístas, explícitos em vários momentos. Miséria que reconhece em seu além-túmulo.




Rodrigo Pamplona 06/10/2017

Uma viagem peculiar (Sem Spoilers)
De uma forma ou de outra, Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro que quase todo mundo conhece.

Muita gente leu obrigado na escola.
Muita gente leu porque caiu no vestibular.
E muita gente copiou do coleguinha aqueles resumos literários feitos para estudantes.

Assim, temendo cair na redundância, vou me limitar a dizer que achei este livro genial.
Como um breve resumo, a história é contada sob o ponto de vista de um defunto, o Brás Cubas. Depois de morto, Brás acha interessante partilhar sua vida conosco, os vivos. Para isso, abusa da ironia, do sarcasmo, da análise introspectiva, da crítica social mordaz.

A leitura alça voo já na primeira página, quando, em um lance impactante, Brás dedica o livro como saudosa lembrança ?ao “verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”?. Essa introdução, pra mim, foi tão forte como as primeiras linhas de A Metamorfose, de Kafka, onde Gregor Sansa acorda de sonos intranquilos metamorfoseado em um inseto gigante.

Como bom narrador, Brás Cubas preocupa-se com a recepção de sua obra e escreve um prólogo ao leitor para dizer que é uma “obra de finado”. Daí em diante, o livro segue de forma não-linear, ao sabor das lembranças do defunto narrador. A ironia destaca-se no decorrer da obra e Brás “arrasta” o leitor para seus amores, decepções, viagens, projetos e sonhos. As experiências amorosas, confesso, foram as que mais me interessaram. Brás não tem nada de Casanova, mas certamente sabe como “sweet-talk” ladies.

Então, o que você pode esperar do livro?

- Português difícil. Tenha o celular à mão, pois a pesquisa de palavras vai ser intensa;
- Críticas ferrenhas;
- Humor sagaz, reflexões de vida, um pouco de filosofia;
- Niilismo, romantismo, metalinguagem;
- Diversão, risos, melancolia. Talvez um espanto aqui e ali.

E uma enxurrada de outros sentimentos que, com certeza, vão fazer desse livro uma experiência única pra você. Até então, o que eu tinha lido de mais parecido com Brás Cubas foi “Enquanto Agonizo”, de William Faulkner. E ambos são geniais.

Passagem bonita:

“E assim, reatamos o fio da aventura, como a sultana Scherazade […]. Esse foi, cuido eu, o ponto máximo do nosso amor, o cimo da montanha, donde por algum tempo divisamos os vales de leste e oeste, e por cima de nós o céu tranquilo e azul. Repousado esse tempo, começamos a descer a encosta, com as mãos presas ou soltas, mas a descer, a descer...” (pág. 117)
Oz 07/10/2017minha estante
Legal a resenha. Vou colocar na minha lista para ler. Não dá para deixar de lado um livro que todo mundo gosta e recomenda!


Rodrigo Pamplona 07/10/2017minha estante
Espero que você curta, Oz. Comprei o meu em um sebo por R$ 5,00. Valeu muito a pena.


Oz 07/10/2017minha estante
Pois é, esse é facil achar no sebo. Farei o mesmo!




Matheus.Silva 31/08/2016

Merdinha
deveria muda para o portugues de 2016
Bruno Gordiano 31/10/2016minha estante
E porque deu 5 estrelas?


Rodrigo Pamplona 06/10/2017minha estante
Facilitaria, mas isso descaracterizaria toda a obra. Como reescrever e assegurar a essência do que o autor quis passar? Quase uma profanação :-)




Serafim 05/04/2012

2 livros
Pra redigir uma resenha preciso dividir o livro em 2:

1° O FILOSÓFICO, onde o autor expõe suas filosofias através do próprio Bras Cubas e mais adiante com Quincas Borbas de cúmplice.
Tudo bem que devemos levar em consideração o cenário da época, mas a linguagem antiga ainda torna difícil compreender por completo os pensamentos do autor. Mas, ainda se salva alguns importantes pensamentos como:
"...somente grandes paixões leva à grandes ações";
"...melhor cair das nuvens que do 3° andar";
"... mulher é igual a cachorrinho, que mesmo sendo muito adestrado um dia haverá de latir" (!)

2° O ROMANCE, onde a história é meio desconexa com alguns pontos interessantes que prende a atenção como qualquer outro bom romance, mas a desconexão mostrada em alguns capítulos estraga essa parte do livro, como:
a historia do tombo que ele levou do cavalo e deu dinheiro ao coxeiro (?), a tal da moça manca (?) e a trama envolta de Marcela.

Quando juntamos o livro em 1, fica uma bagunça!!
Momentos de reflexão junto com historias desconexas deixa o livro desinteressante perdendo o foco e deixando o leitor perdido.

Sei que os estudiosos literários vão dizer que Machado reflete uma época do bla bla bla com um misto de bla bla bla, e respeito fortemente esse contexto, que alias, vou me informar mais agora que li o tão famigerado livro e que inclusive muita, das 'filosofadas' deve ter sido um escândalo pra epoca sendo que muita coisa pode ser muito bem aproveitada até hoje.

Mas em suma, a opinião de quem acabou de ler o livro em 2012 pela primeira vez é essa.
Serafim 06/04/2012minha estante
PS.: Buscando mais informações, descobri que os críticos da época em que o livro foi lançado (1881) também tiveram a mesma impressão que a minha e as resenhas citam quase as mesmas coisas q eu citei!!!

Isso mostra o quanto, nos brasileiros, somos sínicos e providos de um nacionalismo onde não precisaríamos ter.



Guga 12/05/2012minha estante
A filosofia de Quincas Borda não era do Machado de Asis, ela é uma paródia. Leia com mais atenção na próxima.




Ana 19/04/2018

Um morto muito (louco) irônico
Fui uma das muitas jovens que leu esse livro para o vestibular, mais precisamente para uma das fases do PSS - Processo Seletivo Seriado, vestibular daqui de Belém-PA, de meados dos anos 2000.
Eu tinha 14 anos, e nem preciso dizer que naquela época, muita frase desse livro eu não entendi patavina, claro.
Mas eu sabia que era um livro genial, literários e acadêmicos não podem estar todos errados, afinal. E anos mais tarde, reli o livro, já com outra cabeça. E sim, é um livro sensacional, para quem gosta e entende Machado de Assis, principalmente. Afinal, quem pensaria em escrever um livro onde o narrador-protagonista é um morto? Uma loucura!
Brás Cubas é um defunto com uma ironia única, ao narrar acontecimentos de sua vida. Esse livro só precisa de carinho, e que deêm atenção para ele, na minha opinião. É para poucos? É. Mas ainda bem que Machado de Assis ainda tem fãs.
Não deixem Brás Cubas ''morrer''.
Michel 19/04/2018minha estante
Então, eu também li Brás Cubas quando jovem e fiquei frustrado. Na época eu estava encantado com a literatura e envaidecido por poder enaltecer numa roda de bar que já havia lido este clássico... Bom, já na fase adulta reli e finalmente enterneci-me com a magia de Machado... Orgulho Nacional!!


Ana 20/04/2018minha estante
Muito bom Mesmo. Orgulho nacional




Marília 23/08/2016

Edição péssima
Edição péssima da Martin Claret, diagramação horrível, com erros de digitação... Tive que abandonar a leitura e vou procurar outra editora que tenha mais competência e cuidado com suas obras.
Fabio 15/10/2016minha estante
Nunca comprei nada editado por essa editota6


Fabio 15/10/2016minha estante
Nunca comprei nada da Martin claret




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