Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis...




Resenhas - Memórias Póstumas de Brás Cubas


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Mih 11/09/2010

Um livro de tamanha genialidade não poderia mesmo ter menos de 775 abandonos numa rede de leitores de Crepúsculo e auto-ajuda.

Diego 27/06/2012minha estante
Atualmente 1486 '-'
Triste realidade


Deby 10/08/2012minha estante
Já que é pra contar...
1578 no momento.
Ainda não o li, mas com certeza o farei.


De.emilio 02/09/2012minha estante
Bizarro isso, o que acho pior é a baixa nota dele apenas 3.9. Um dos melhores livros brasileiros =/


DuDepp 12/09/2012minha estante
Devo falar em defesa daqueles que não leram. O fato de eu não ter lido não me torna um ser medíocre e tampouco fã dessas modinhas do tipo Crepúsculo. Eu simplesmente não consigo ler devido à forma dele de escrever. Eu tentei ler, mas tinha de parar de hora em hora para conferir o dicionário por desconhecer a palavra. E é cansativo parar a leitura para procurar uma palavra. E como você quer que nós, que vivemos no século 21, leiamos com facilidade algo que foi escrito no século 19? É um tanto difícil. Já tentei ler Machado de Assis e José de Alencar e simplesmete desisti por causa da linguagem. É cansativo. E ainda assim, não me torno inferior a quem leu por um motivo como este.


Camilla 24/09/2012minha estante
1 - Por Crepúsculo ter sido "modinha", não podemos julgá-lo ruim antes de o ler. Eu li Crepusculo e gostei. Não é um livro genial, mas é um livro bom de ser lido.(E só como obs.: Pelo que vi no perfil da sr. "Mih", ela mesma já leu Crepúsculo.)
2 - Por que uma pessoa que gosta de ler auto-ajuda é inferior à qualquer outro tipo de leitor?
3 - O fato de uma pessoa não gostar de determinado livro (Memórias Póstumas de Brás Cubas) não significa que essa pessoa é medíocre. O gosto por determinado estilo de leitura não define a sua inteligência.


Mih 24/09/2012minha estante
Camilla:
1 - Não tô julgando pela modinha. Tô julgando pela qualidade. Ah, e eu li Crepúsculo. E, sim, é uma bosta.
2 - Auto-ajuda não é literatura.
3 - Não significa que a pessoa é medíocre, mas que tem gostos medíocres. Você pode discordar, mas na minha opinião é basicamente a mesma coisa.

Dudalak

A graça desse livro é justamente ele ter sido escrito a tanto tempo e conseguir ser absolutamente atual. Se esforce um pouco mais, estude um pouco mais e tente ler de novo. Não é um livro 'difícil'. Passa longe disso. É um livro que te faz pensar e rir MUITO, e a "forma cansativa" da escrita é um dos melhores aspectos do livro. Pena que a molecadinha de hoje em dia tem preguiça do que é mais complexo.


Murillo 11/10/2012minha estante
é, esta em 1700... é uma dó


Charmene 08/11/2012minha estante
Eu li Crepúsculo e leio auto ajuda. Isso não justifica abandonar Memórias Póstumas de Brás Cubas. Achei mais fácil de ler do que a confusão que é a série 50 tons, por exemplo. Li tudo que Machado de Assis publicou, meu favorito é Quincas Borba.

Machado de Assis era um gênio, e não é a toa que Memórias Póstumas de Brás Cubas é um marco na literatura brasileira.


hearjuliaroar 13/11/2012minha estante
Concordo com a dudalak


Kami 19/11/2012minha estante
Concordo em partes. Sim, acho uma pena abandonarem a leitura de obras do Machado de Assis, mas acredito que há tipos e tipos de leitores. Ler literatura brasileira clássica não é algo fácil - requer uma maturidade muito grande do leitor. A questão não é estudar ou não, também é questão de preferência. E a linguagem não é tão fácil assim, como toda a obra do século XIX - portanto, há autores que não são maduros o suficiente para lidar com esse tipo de escrita. Porém, há outros gênios da literatura brasileira cuja linguagem é mais acessível para pessoas que não estão preparadas para algo mais rebuscado. ;)


Edla 10/03/2013minha estante
Não se pode comparar Crepusculo com Memorias são totalmentes diferentes de generos diferente! Crepúsculo é muito bom.... despertou interresse de varias outras pessoas lerem, não axo que se deve comparar mais sim RESPEITAR!


Aline Stechitti 17/03/2013minha estante
A pessoa escreve AXO e pede respeito kkk
Desculpa, não resisti o comentário.


Lilian 20/03/2013minha estante
Não gosto de crepúsculo e já li muita literatura clássica brasileira. Mas esse livro é tremendamente chato, detestei.


Paulinha 11/04/2013minha estante
Acho que ao invés de fazer um comentário tão desrespeitoso em relação a outros tipos de literatura, é necessário fazer uma análise: a maioria das pessoas são obrigadas a lerem esse livro. Dificilmente uma coisa que você é obrigada a fazer se torna prazerosa. Logo daí a quantidade de abandonos (incluindo a mim). Você tem todo o direito de ficar indignada com a quantidade de desistência de um livro que é um marco pra literatura brasileira, porém daí a ofender quem gosta de outros gêneros é demais. Cada um tem um gosto, afinal, o que seria do mundo se todos gostassem das mesmas coisas. Pra mim, escolha medíocre é a escolha que uma pessoa faz quando usa um espaço que deveria ser pra analisar o livro em questão, e o usa pra ofender os demais livros.


Hellen 18/04/2013minha estante
Leu Machado de Assis e já acha que é o poço de cultura.

Talvez se você levasse um pouco em consideração que muitos abandonos acontecem porque infelizmente no Brasil a leitura de livros como este é obrigatória para provas escolares ou vestibulares, você não estaria fazendo um comentário tão infeliz quanto este. Acho muito válido os leitores iniciantes começarem por livros mais leves e não logo de cara Machado de Assis ou Graciliano Ramos, por exemplo. Aposto que você não começou a ser uma leitora através do Memórias Póstumas de Brás Cubas, então não desmereça o trabalho dos demais autores, até os de auto-ajuda.

O restante, faço das palavras da Paulinha as minhas.


Ricardo 31/05/2013minha estante
Já passam dos 2000, me assusta muito.


Renata 01/06/2013minha estante
Isso não foi um comentário muito feliz, é um erro desmerecer e comparar outros gêneros, eu AMO fantasia, já gostei de crepúsculo, e realmente gosto de literatura clássica, mas não consigo me entender com Machado de Assis, até gostei de Dom Casmurro, mas acho que José de Alencar escreve melhor, é claro que isso é a minha opinião, pode se indignar com os desistentes, mas não ofenda os outros gêneros


Murilo 06/06/2013minha estante
Quanto mimimi. Quanta gente chorando por nada. Para aqueles que acham difícil a leitura, ou para aqueles que consideram "Crepúsculo" ou "50 tons de cinza" bons livros realmente não tem nem como começar uma discussão. Alguns dizem que não tem como comparar esses livros com o "Memórias..." Não tem mesmo, pq esses livrinhos de madame não são literatua. Quem fica cansadinho de pegar o dicionário, ou acha difícil tem mais é que ler Paulo Coelho mesmo.


Pati 30/06/2013minha estante
Machado de Assis realmente foi um genio e talvez muita gente (como eu) não soube aproveitar sua obra. Não que Memórias Póstumas seja ruim, a ideia é inteligentíssima mas observe em que contexto a pessoa leu. Eu fui obrigada a ler pra fazer uma prova, tem gente que prefere outro tipo de literatura, há que se respeitar.


DouglasNT 27/07/2013minha estante
"Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem..."

Machado já sabia ;)


Dave 03/08/2013minha estante
Escória do universo esses pseudo-gênios. JAJAJAJA Vão ler bula de remédio ao invés de ficar falando asneira no Skoob. Imaginem essas pessoas conversando pessoalmente? "Tipo assim, já é, vixi, aí sim, mano, mermão". Falam igual todo mundo!
Tudo um bando de merdinha pseudo-intelectual querendo ser grande na internet (aliás, muito mal).


John 21/08/2013minha estante
Falou tudo...


Roany 30/08/2013minha estante
Lamentável ler uma "resenha" dessa ao vir aqui procurar algo que me acrescente. Lamentável.


Amanda 01/09/2013minha estante
Falou tudo!


Patrícia Lasco 21/09/2013minha estante
Acho uma falta de respeito pessoas que leem clássicos ficar menosprezando e julgando o gosto dos outros.


Edison Garreta 07/10/2013minha estante
Só acho que julgar a inteligência alheia baseado em gostos pessoais apenas diminui a inteligência da própria pessoa que julga.


Laís 11/10/2013minha estante
Lamentável ainda ser obrigada a ver esse tipo de comentário. Tipo de gente que leu meia dúzia de clássicos e já acha que pode julgar as outras pessoas. Ah, por favor, né?


Klerval 21/10/2013minha estante
Concordo plenamente. Pelo menos este livro está entre os 100 mais lidos.


Géci 30/10/2013minha estante
Gente, calma ela deve conhecer as 775 pessoas pra saber o que cada uma lê e o PORQUE de terem abandonado a leitura. ¬¬
Só uma pessoa mente fechada pra concluir isso, até porque muitos podem ter tido problemas com tempo pra ler, envolvendo trabalho, estudos e etc. Ou como ja aconteceu comigo muitas vezes, por falta de tempo ou por imprevistos, ter que devolver à biblioteca.
Acho que a mocinha aí que precisa de um livro de auto ajuda, pra aprender a respeitar as pessoas, porque atacar e julgar as pessoas assim só pode ser resultado de algum problema pessoal.


Géci 30/10/2013minha estante
O livro é muito bom, porque não falar só dele ? Afinal, aqui é um espaço pra fazer RESENHAS .


Michel 23/05/2014minha estante
eu li inteiro, mas é muito chato.


Micaela 24/05/2014minha estante
Desculpa, mas comparar livros clássico com livros atuais que estão na moda é um tanto quanto incoerente.São décadas de diferenças, publico diferente e ate mesmo motivações diferentes para escreve-los.Enquanto a grande maioria dos livros da atualidade tem com objetivo principal o entretenimento do leitor, os clássico,principalmente Machado de Assis, tinha como maior objetivo as criticas a sociedade da época, como o egoismo,o adultério e entre outros.E na minha opinião ninguém que começa a ler livros por sua própria vontade começa por clássicos, ate porque não tem grande maturidade para isso.


Fádya 26/10/2014minha estante
Finalmente alguém lúcido aqui.


flávia 02/12/2014minha estante
É lugar comum falar mal de auto-ajuda e Crepúsculo. As pessoas bem que podiam ser mais originais! Qual o problema com a auto-ajuda? Como se fossemos super-homens ou algo do gênero! Vejo auto-ajuda na arte o tempo todo:
leia o refrão de "Let It Die" de Ozzy Osbourne (ah, mas no heave metal pode! é "cool!")
"Fuc**ing Perfect", de P!nk, é auto-ajuda do início ao fim. Uma lista intermináveis de filmes, músicas de generos variados tem a auto-ajuda incutida de modo sutil ou explícito. Mas quando se trata de literatura, a auto-ajuda parece o "pecado capital" dos leitores, visto que "eles são deuses, nasceram sabendo td da vida e não precisam da mesma". Quanto à Crepúsculo, bem, só posso dizer que ninguém nasce acima dos 30 anos para apedrejar obras do tipo. E, numa saga, qdo leio o primeiro e acho "uma bosta", não vou esperar que os outros sejam menos que "a mesma bosta"! Medíocre é se achar intelectualmente superior a ponto de julgar as preferências literárias de outros.

Só pra constar: não, eu não fã de carteirinha de Crepúsculo e auto-ajuda, apenas estou defendendo o direito das pessoas de gostarem.

São comentários desse tipo que fazem com que a rede não pareça uma rede social de leitores, afinal, o habito de leitura, teoricamente, forma pessoas melhores.


Aron 09/12/2014minha estante
Minha cara Flávia, existe uma diferença entre leitura, música, produção fílmica engajada e desengajada com a realidade, que dane-se diretos das pessoas sobre o que ler, ela tem que ter responsabilidade e discernimento mental e juízo para saber o que é bom para si, para o intelecto, para com a realidade em que vive e não debruçar-se nessas baboseiras de vitrine de loja que carecem de comprovação mais sistemática, refletindo apenas em crenças pessoais do autor, que ele extraiu de suas próprias experiências ou da experiência de outros próximos a ele em prol somente de lucro


Suz 15/12/2014minha estante
Lendo os comentários dá pra perceber que esse povo não sabe ou não entende que Crepúsculo, 50 tons e auto ajuda NÃO SÃO literatura e jamais serão.
Encarem os fatos, literatura é cânon.


flávia 16/12/2014minha estante
Aron, em primeiro lugar, não sou "sua cara", em segundo, parei de ler seu comentário em "dane-se o direito das pessoas...". Fale comigo quando crescer.


João 23/04/2015minha estante
Somente o número de abandonos alto não necessariamente implica o livro ser bom ou ruim ou as pessoas gostarem mais ou menos dele. Pelo fato de obras famosas atingirem um grande número de leitores, espera-se uma taxa de abandono maior. Talvez seja interessante comparar o número de abandonos com o número de pessoas que leram o livro. Se compararmos Memórias Póstumas de Brás Cubas com Crepúsculo observando a razão entre número de abandonos e número de pessoas que leram, neste momento o primeiro apresenta uma razão igual a 2570/78993 = 0,03 = 3%, enquanto o segundo apresenta 4389/214995 = 2%. Assim, apesar da diferença, vemos que ela não é tão absurda. Além disto, o fato de Crepúsculo ter um número maior de leitores já foi citado por algumas pessoas nos comentários.


Ira 29/06/2015minha estante
Comentário reto e seco, na lata. Perfeito.


Thais 27/10/2015minha estante
Acho que você está se achando um máximo por ler esse livro. Quer saber? Também já li. O livro é um clássico brasileiro, e muito bom, uma história diferente de todas que já li, mais achei uma leitura bem maçante. Machado de Assis é um grande escritor, ele viveu em uma época em que a escrita era diferente da nossa e acho errado você criticar quem lê livros como Crepúsculo e Auto- ajuda. Respeite o gosto das pessoas!!! Eu já li livros clássicos como Memórias Póstuma de Brás Cubas, Dom Casmurro, O Cortiço, Orgulho e Preconceito, O Retrato de Dorian Grey, etc. Assim como já li as Séries Crepúsculo, a Maldição do Tigre, Fallen, Harry Potter, A Seleção etc et all.
Portanto de sua intenção era parecer intelectual, você me pareceu uma pessoa arrogante que não respeita essa rede social. Te dou o conselho de parar de ser preconceituosa e respeitar as pessoas dessa rede. Eu gosto tanto de clássicos como os modernos. É muito triste ler um comentário como o seu, porque vejo que o preconceito está em toda parte! E outra coisa, porque você leu toda a Série Crepúsculo se você não gostou nem do primeiro livro? Não chame as pessoas de medíocres, respeite as opiniões! E por favor, aprenda o que é uma resenha!


Guilherme 30/12/2015minha estante
Já vai pra lá de 2.600. Péssimo.


Matheus 02/03/2017minha estante
Atualizando: 2793 abandonos. Talvez o índice de abandono caia este ano e o próximo, considerando que este livro constará na lista do vestibular da FUVEST.


Lucas 25/03/2017minha estante
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
finalmente, alguém sensato


Ana Alice 13/12/2018minha estante
2.984 :'(




José Ricardo 26/04/2010

Hoje coloco em prática o meu desejo de escrever algumas resenhas para o Skoob e começo com o Memórias que sem dúvida, é um livro do qual não me desapego nunca. Aquela pergunta idiota Qual livro você levaria para uma ilha deserta? seria por mim prontamente respondida com ele. O humor inteligente de Machado me insta a tentar crescer como leitor. Com ele, você tem duas escolhas: aceitar o desafio, conhecer as palavras pra entender a piada, não se intimidar com as digressões e a narrativa arrastada ou simplesmente abandonar a leitura, julgando o livro anacrônico.

A seleção vocabular, a crítica mordaz na hora certa, tudo em Memórias pode servir de exemplo para o que na universidade chamávamos de economia de meios, ou seja, uma literatura na qual nada falta e nada sobra. Tudo está no seu devido lugar. Brás Cubas e as mulheres de Brás Cubas Marcela (Naquele ano, morria de amores por um certo Xavier, sujeito abastado e tísico, uma pérola), Eugênia, dona Loló e é claro, ela: Virgília. Brás Cubas e seus fracassos. Brás Cubas e sua única vitória: a de não ter filhos: não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Mas o que estou fazendo? Estou chovendo no molhado, como diria minha avó. Estou colocando na minha resenha o que tem em todas as outras. Mas isso não é problema. O livro fala por si mesmo. Não precisa de resenhas, de indicações.

Um trecho pra convencer alguém a ler Memórias? Escolho, sem sombra de dúvidas, esse: Não acabarei, porém, o capítulo sem dizer que vi morrer no hospital da Ordem, adivinhem quem?... a linda Marcela; e vi-a morrer no mesmo dia em que, visitando um cortiço, para distribuir esmolas, achei... Agora é que não são capazes de adivinhar... achei a flor da moita, Eugênia, a filha de D. Eusébia e do Vilaça, tão coxa como a deixara, e ainda mais triste.
Paulinha 11/04/2013minha estante
Isso sim é resenha de classe... Parabéns!


Elda 22/05/2013minha estante
Concordo com Mah e Kami!!!!!!!!!!!!!!!


Rodrigo.Carneiro 22/06/2017minha estante
Pra que tanta discussão.
Viva a democracia.
Felicidade a todos e PAZ




Evelyn Ruani 20/01/2011

"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas".

É com esta epígrafe que Machado de Assis inicia sua obra e inaugura o realismo na literatura brasileira. Narrado de maneira surpreendentemente irreverente e irônica por um "defunto autor" (e não um "autor defunto", como podem pensar) este livro nos prende a leitura mesmo com suas várias digressões. Brás Cubas por estar morto, se acha livre para criticar a sociedade e revelar as hipocrisias e vaidades das pessoas com que conviveu e de forma bastante humorística vai contando sua vida e os vários episódios que viveu. O mais importante desta obra, conforme diversas resenhas literárias, é a linguagem utilizada e a denúncia tácita da sociedade por meio da leve irônia e humor, mas em minha opnião a obra como um todo é de valor inestimável. Criativa, irreverente e extremamente envolvente se tornou com toda certeza o meu livro favorito de toda a literatura brasileira. Leitura mais do que recomendada!
Elda 22/05/2013minha estante
Qd li essa frase, pensei: o q é isso???? É Fantástico!!




17/12/2010

Irritante e Genial
Estou feliz e irritada, simultaneamente, com Machado de Assis.

Feliz pq ficou evidente que a intenção realmente era q Memórias Póstumas, em sua primeira metade, fosse um livro chato e enfadonho.
Ele diz isso com todas as letras.

Então, pq isso me deixa feliz?
São mtos porquês:

- Pq assim posso admirar ainda + Assis.
- Pq poucos são àqueles que tem coragem de propositalmente escrever um livro chato, que cansa, enrolando o leitor ao máximo, antes de nos contar o q realmente interessa. E qdo o faz, é espetacular, envolvente, fica nítido o domínio, o preparo de Assis.

De fato, e inquestionavelmente, um grande escritor!

- Pq faz parte do método do autor defunto ser enfadonho e monótono, na verdade, pq qdo ele nos narra um fato, ele volta àquele momento, e experimenta as mesmas sensações que um dia já vivenciou. E nos faz experimentar essas sensações tb, através da forma única e genial q ele conta suas memórias. Assim podemos compreender com perfeição o q ele sentiu, o q ele viveu.

É sensacional!!! O realismo, a ironia, as digressões, divagações, tudo aquilo q parecia sem importância, sem nexo, como o fatídico episódio, q mto me aborreceu, da borboleta ou mesmo o da formiga versus a mosca, agora ficaram tão claros, tão compreensíveis, e demonstram o quão avançada era a mente de Assis. Sem dúvidas, um gênio.

- E também, pq se eu estava achando o livro chato, significa q entendi perfeitamente o q ele pretendia, afinal a intenção era exatamente essa.
Significa que ele atingiu seu objetivo, e q eu estava ligada, em sintonia, com o propósito dessa obra.

Então, pq estou irritada???
Há apenas um grande pq:
- Pq ele teve a petulância de dizer q se eu estava achando o livro chato e enfadonho, a culpa era exclusivamente minha.

Pois é, minha culpa, e de qualquer outro leitor q tenha sentido o mesmo q eu.

Ele se justifica dizendo q nós leitores somos ansiosos, temos pressa de envelhecer pra então desfrutar do q interessa. (Pq a vida de Brás só fica mesmo interessante após seus 40 anos. E sua infância, adolescência, juventude... uma monotonia!!! Uma chatice!!! Entediante!!!)

Petulante, não??

Ele propositalmente escreve um livro chato, pq sabe q sou ansiosa e vou me irritar com isso.

Dessa forma, vc há de concordar comigo q não dá pra não admirar Assis.
Ele conseguiu prever o q esse livro (não a estória do livro, e sim a forma como ela foi narrada) iria despertar em seus leitores, e obteve sucesso, total êxito, com sua esquisita intenção.

Vc me entende? Entende Assis??
Lembra de ter sentido isso ao ler essa obra dele???

Se a resposta for negativa, principalmente para minha última pergunta, recomendo q vc releia, valerá à pena o que pode parecer um sacrifício (na primeira metade), e um prazer indescritível (na segunda metade do livro) pra assim prestigiar a sensibilidade e inteligência desse autor único.
Fogui 17/12/2010minha estante
Má, juro, fiquei com vontade de reler... vc conseguiu despertar a minha curiosidade... adorei a sua resenha... muito bem escrita... Machado de Assis deve ter virado na tumba de orgulho... Kkkkkk...


Eder 01/07/2016minha estante
Nossa!!! Como é edificante ler uma resenha dessas. Memórias Póstumas... foi o primeiro livro de literatura que eu li, e isso foi a 22 anos atrás. Depois desses comentários até dá uma vontade de fazer uma releitura.
Apesar da erudição e complexidade usada na construção das frases, Machado de Assis nos serve de uma lucidez tamanha, e de uma técnica que nos faz até perder um pouco a ingenuidade, que torna-se recomendável até para adolescentes que almejam adentrar o universo literário. Foi esta magnífica obra que me despertou conhecer os meandros da literatura mundial. Digo mundial pois, nas linhas de Assis, pude perceber outros tantos gênios da literatura, como Allan Poe, Baudelaire, Victor Hugo, e até mesmo Shakespeare, entre tantos outros...
Na época em que li o livro, eu tinha uns 19 anos, e não me preocupei tanto em ficar tangenciando com o dicionário as páginas deste clássico. O importante, pra começo, é seguir adiante e fazer com que a leitura se desenvolva e que, com o tempo, venhamos a nos familiarizar com as terminologias. Um outro livro que vale muito a pena ler, que foi o segundo, na ordem cronológica de minha lista, é "Angústia", de Graciliano Ramos. Um outro gênio que faz com que o leitor entre no psicológico dos personagens! Parabéns pela belíssima e aprofundada resenha.


Rodrigo.Carneiro 22/06/2017minha estante
Novo por aqui no SKOOD e extremamente feliz já pela manhã ao ler essa resenha tão bem explanada.
Paz e boa leitura a todos.




Carol- Books and Tea 24/05/2013

"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas".
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis - 213 páginas



Devido á vida de estudante, este como vários outros, que já havia lido, tiveram de ser relidos. Não sou metida a intelectual, alguns clássicos da literatura me comovem, outros me fascinam, uns me irritam, outros não tenho paciência para ler, e Brás Cubas me envolveu de tal forma, que senti todas essas sensações.

Personagens bem escritos, onde mesmo com uma narrativa um tanto confusa, e com linguagem de época, que para quem acaba não tendo costume de leitura, pesa um pouco e acaba demorando.
Li Memórias 3 vezes, uma vez para uma peça, outra para uma prova, e novamente, ah, pelos simples prazer de ler.

Inicialmente, o livro é cansativo, até porque começa digamos, que de "do fim para o início", onde primeiramente Brás relata sua morte, até o início de sua infância.
Passando por suas desilusões amorosas, primeiro com a cortesã Marcella, até o caso extraconjugal de Virgília. Sua descrença com a linda jovem moça, Eugênia, pelo simples motivo da mesma ser coxa. Como ele mesmo descreve, linda e coxa, coxa e linda.
"Como linda se coxa, como coxa se linda"
Preconceito de sua parte é claro, o qual ele mesmo ironiza por sua pessoa. Mas calma, se o livro vai a partir de sua morte, a sua infância, e ele narra, ele é um autor-defunto? Não, mas sim, um defunto-autor, pois narra sua autobiografia, após sua morte.

O livro, ironiza pela vida de Cubas, a própria sociedade de época, mesquinha,mandonista e machista. Narrando as derrotas de Brás, seus altos e baixos, na maior parte, ou se bem dizer, seus baixos, já que poucos foram os curtos momentos de altos.

Não se casou,não se tornou ministro,não criou o Emplasto, não teve filhos... Morreu só, pagando um "amigo" para falar em seu enterro. Ah quem dirá vida de Brás, só,relutante e cego pelo desejo de sucesso, quem dirá a falta de competência, e a alta mediocridade que lhe deram um péssimo momento de deputado.

Uma verdadeira obra, de grande júbilo nacional, a qual levou a prosa romântica nacional, ao mais alto nível, destacando nossas obras, como as melhores, grandiosas.
Em momentos como os quais, Quincas, amigo de infância de Brás, que sempre foi mimado por seus pais se vê dormindo no 3°degrau de um escadão, satirizando o positivismo de época, onde características nacionais não se perdem, e diante de valores, os tais do personagem perdidos ao longo de sua vida, devido á criação, é narrado pelo próprio Brás.

Uma grande obra, como várias outras,não é a melhor de Machado de Assis, mas de feliz leitura, seja obrigatoriamente para vestibular, ou apenas por ler!

Boa Leitura :)
comentários(0)comente



Gadotti 21/01/2010

Abandonei
A leitura não prendeu minha atenção.
Os termos usados são bem antigos e complexos.
O arrasta a leitura e a torna difícil ao meu ver.
Yoshi 25/08/2012minha estante
A narrativa é o principal, e é muito bom( na minha opinião). Se tem dificuldade com o vocabulário, sempre tem versões mais atualizadas, e o bom e velho dicionário.


Elda 22/05/2013minha estante
Pois é Yoshi, lembro d qd li, ainda era adolescente, e ñ dava p ler sem o dicionário; lia um parágrafo e voltava, é um desafio, mas vale mt a pena!! Orgulho desse livro.


Matheus 02/03/2017minha estante
Esta leitura não é para qualquer um mesmo não.




M. Scheibler 20/11/2009

Sinceramente...é um dos maiores clássicos de nossa literatura, mas...

Tenho esse livro em casa, iniciei duas vezes mas parei em ambas por volta da página 40!!!!

Isento-me de comentários
Matt 01/02/2012minha estante
Eu cheguei na 190... TORTURA PURA. Assim, gostei de algumas partes e tals, até pq eu havia amado Dom Casmurro do mesmo autor, mas esseeeeeeee Memórias é muito chato.!


Gabriel 13/01/2013minha estante
Se você não chega ao fim como pode avaliar algo?


M. Scheibler 13/01/2013minha estante
Se em duas oportunidades iniciei o livro e não gostei, é sinal que não gostei!!!


Lilian 20/03/2013minha estante
Eu comecei três vezes, consegui terminar mas só porque me incomoda não terminar de ler livros que comecei a ler. Se isso não te incomoda, não vale nem a pena, achei o livro todo é chato e arrastado.




Biiah-chan 27/02/2013

Memórias Póstumas de Brás Cubas
“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas” E é assim, com essa “introdução-epitáfia” que o romance de Machado de Assis, publicado originalmente em folhetins no ano de 1880, começa. Não há quem não diga que essa frase dá uma pitada de curiosidade para conhecer o resto da história. Algo que particularmente acho demais, é as explicações ao leitor que o Machado de Assis dá sobre seus escritos, nesta obra em questão há esse capítulo que o autor já assina como personagem Brás Cubas.

A história começa ao contrário. Começa da morte de Brás Cubas, que irá narrar ao leitor sua vida até o momento inicial do livro (seu enterro). Nasceu em boa família no estado do Rio de Janeiro. Porém os ápices de sua vida são os romances nos quais viveu.

Seu primeiro relacionamento chama-se Marcela. Ela era mais velha e ele tentava agradá-la de todas as formas gastando muito dinheiro comprando presentes para ela. Seu pai obviamente ficou preocupado e o mandou para estudar em Portugal. Assim que recebe o diploma, volta para o Rio de Janeiro e tem uma paixãozinha por Eugênia, uma adolescente muito bonita, porém há um defeito: é coxa. Cria-se um conflito nos pensamentos do Cubas, nos quais rondavam as frases “tão bela, mas coxa. Coxa de nascença” (preconceituoso). Enquanto isso, o pai de Cubas está procurando uma dama para casar com seu filho, sua primeira opção é Virgília, filha de um político. Os dois chegam a dançar em alguns bailes, mas ela prefere se casar com Lobo Neves. Brás Cubas sofre, pois já via Virgília como sua pretendente, mas não demonstra seu desapontamento.

O pai de Brás Cubas morre, e começa o processo de separação de herança entre ele, a irmã e o cunhado. O resultado estende-se e ele tem um romance com Nhã-loló, uma menina muito meiga. Cubas pensa em casar-se com ela, para seguir definitivamente sua vida, já que Virgília não o quis, contudo, um infortúnio acontece e Nhã-loló morre aos dezenove anos de febre. Sobre isso ele apenas diz: “(...) despedi triste, mas sem lágrimas. Concluí que talvez não a amasse deveras” (e eu concordo). Começa o grande romance do livro: Vírgilia e Brás Cubas! SIM, é isso o que você está pensando, ela começa a se encontrar escondido com o Cubas (que se finge o maior amigo de Lobo Neves, safado) apesar das traições ela nunca chegou a se separar do marido.

Um dia lhe aparece na rua um mendigo, esse é Quincas Borba, um amigo da época da escola, nesse encontro Quincas fala rapidamente sobre suas dificuldades, Cubas lhe dá dinheiro, mas não foi apenas isso que Quincas pegou do amigo, este rouba-lhe o relógio. Mas calma, não vão achando que o pobre Quincas Borba é um mau caráter. Sua vida muda após receber uma herança de um tio. Ele vai a casa do Cubas e lhe dá um relógio novo e os dois voltam a ser amigos próximos. Na verdade o Quincas Borba é sátira que Machado faz do Positivismo e Evolucionismo, coisa filosófica que estavam na moda naquela época, o autor satiriza colocando um personagem mendigo e consciente de sua loucura, que defende uma doutrina de valorização da vida.

Brás Cubas fica admirado e sofre um momento ilusório com as sabedorias e loucuras de Quincas Borba que acaba por falecer e Cubas volta a sua realidade. Seu caso com Vírgilia fica mais forte, começa a "fofocaiada" da vizinhança e a desconfiança de Lobo Neves chega ao ponto de ele aceitar um cargo político no Maranhão, levando a esposa junto.

A vida medíocre de Brás Cubas continua, nunca casou, sem filhos, deputado por não ter melhor opção, chega aos seus cinquenta anos, tenta ser Ministro de Estado, não consegue, funda um jornal e falhe seis meses depois. Muita gente que fez parte da sua história morre, Lobo Neves e Marcela são exemplos. Eugênia mora em um cortiço, numa vida lamentável. Virgília chora muito a morte de Lobo Neves, repete que sempre foi um bom marido.

E finalmente aos 64 anos, morre Brás Cubas, fim do romance, que de tão emocionante tem um fundo irônico. A história é simplesmente sobre alguém que não fez nada esplêndido na vida, mas que teve seu nome eternizado. Quem aqui não conhece Brás Cubas, ou nem ao menos já ouviu falar? São poucos, pouquíssimos! E seu único feito, é o mais comum possível, ter seu nome em uma lápide.

mais resenha em http://www.queridaprateleira.com.br
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Franco 22/01/2013

"Meu Deus, devolve esse livro! Você não pode ler isso ainda!", disse minha professora, na quinta série, quando casualmente o escolhi para a leitura semanal.

E hoje, depois de ler, dou razão ao choque dela. Não é um livro para quinta série.

Quase que o livro inteiro ficaria encoberto: as finas ironias, o perfil das mediocridades de uma época, o estilo de escrita sensacional e característico, e mesmo o realismo seria, tal qual era o romantismo na minha quinta série, uma bobagem das aulas de português.

Alguns trechos do livro são eternos; perfeitas citações para Facebook escritos no século retrasado. Se não fosse uma quebra dos bons costumes de leitor, citaria o final, uma página orgasmática. Contento-me então com uma frase só, curta mas digna, famosa e citada em qualquer aula sobre o Realismo: Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.

Ainda hoje o dito aplaca muita dor de corno por aí...

Tirando a restrição de idade, o livro é indispensável. Bem, Machado de Assis é indispensável.
Matheus 02/03/2017minha estante
Imagina se você tivesse pegado "O Cortiço" para ler... sua professora teria tido um AVC hehehehehe




Mateus Almeida 09/02/2013

Genial
Escrito em 1881 e Narrado em primeira pessoa e em tom cáustico, este romance conta a história de Brás Cubas, homem que morre de pneumonia mas mesmo assim deseja escrever a autobiografia.

O livro trata de uma verdadeira busca para uma forma de conceituar o homem e sua podridão.

Brás cubas já morto não tem nada a temer, revela de maneira clara e sincera os fatos de sua vida e suas impressões sobre as pessoas. Ninguém melhor para julgar o mundo dos vivos se não um morto.

Durante todo o livro Brás mostra como o ser humano é sujo, ganancioso e frívolo mas nada disso e mostrado de forma devassada tudo é contado de forma sutil e calma, da maneira que só Machado de Assis consegue fazer.
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Fernando Lafaiete 24/10/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Uma "resenha resposta" para os pseudo-intelectuais do Skoob.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é o livro que inaugurou o realismo no Brasil. Publicado pela primeira vez em 1881, a obra prima de Machado de Assis foi fortemente criticada por não trazer uma narrativa convencial e positiva. Ainda assim, ao longo do tempo, a mesma se consagrou como uma das histórias mais importantes da literarura brasileira e se tornou um marco na literatura Internacional.

Machado de Assis foi um grande estudioso e seu conhecimento em literatura e em questões linguísticas chega a ser invejável. Este conhecimento se reflete solidamente em sua narrativa. Ele foi responsável pelas primeiras traduções realizadas de Os Trabalhadores do Mar de Victor Hugo e de Oliver Twist de Charles Dickens, duas das maiores obras-primas da literatura universal.

Em seu clássico realista, acompanhamos a "jornada" de Brás Cubas, o defunto autor, que após a morte decide escrever um livro de memórias. A narrativa não é linear e é regada de ironias, pessimismos, momentos oníricos, poéticos e muitas vezes reflexivos.

Brás Cubas é um protagonista difícil de se gostar. Ele é apático, quase nulo de sentimentos, o que faz com que seus relacionamentos interpessoais soem todos como superficiais e sem propósitos. Tal personagem não tem um objetivo palpável na vida e sempre almeja/deseja aquilo que não pode ter. Ele é pessimista e sempre apresenta opiniões pejorativas e desnecessárias sobre as pessoas as quais ele se relaciona. Todas as relações do livro carecem de sentimentos mais tridimensionais, e o que encontramos nada mais é do uma unilateralidade sentimental crua que mesmo assim ainda traz peso narrativo mais que significativo.

Nesta obra também nos é apresentado pela primeira vez Quincas Borba que acabará se tornando posteriormente o protagonista do clássico que levará o seu nome e que será considerado o segundo livro da trilogia realista de Machado de Assis.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro considerado por muitos como sendo de difícil leitura. Ele tem uma quantidade absurda de abandonos aqui no Skoob. Lendo algumas resenhas aqui postadas, me deparei com opiniões bem problemáticas (em minha percepção) acerca deste assunto. Quais são os reais motivos de tantos abandonos? Seria uma questão relacionada ao intelecto dos leitores brasileiros ou seria uma questão de incompetência da administração cultural da literatura em nosso país?

Antes de entrar no cerne destas questões, quero reforçar que esta minha leitura não foi inédita. Li este livro pela primeira vez aos 15 anos e odiei. O mesmo me deixou por um tempo traumatizado sobre livros clássicos. Somente com esta releitura e levando em consideração minha atual bagagem de leitura, pude constatar a genialidade de Machado de Assis.

Antes de voltar as questões que levantei anteriormente, preciso reforçar também, que assim como em Vidas Secas de Graciliano Ramos, Memórias Póstumas também possui um capítulo famoso, considerado por críticos literários como sendo uma perfeição narrativa. O famigerado capítulo 7, denominado de "O Delírio", apresenta o encontro do protagonista com a Natureza/Pandora que o indaga sobre qual seria o verdadeiro sentido da vida. É uma passagem bonita, poética e onírica. De fato uma verdadeira perfeição narrativa que resume bem o livro que possui um personagem central que vive sem viver.

Agora vamos retroceder as questões que tanto faço questão de introduzir nesta resenha. Muitos afirmam que tais abandonos são frutos da incapacidade dos leitores brasileiros em assimilarem uma narrativa mais truncada por simplesmente estarem acostumados com livros modinhas como Crepúsculo e livros de autojuda, que muitos afirmam não ser literatura. Quero frisar aqui que li toda a série Crepúsculo e não me envergonho disso. Tais livros foram extremamente importantes para a minha formação como leitor e não só os li como pretendo um dia relê-los. E se você já tentou ler Machado de Assis (por este livro ou por qualquer outro) e não conseguiu e abandonou, não se envergonhe e nem se incomode com isso. Você não é menos leitor do que eu ou do que qualquer outra pessoa. Você apenas não estava preparado(a) para ler este autor neste momento, assim como aconteceu comigo aos 15 anos. Não tem nada a ver com intelecto, tem apenas a ver com o momento certo de ler determinado autor. Não se obriguem a ler nada, a leitura precisa ser um processo agradável e engrandecedor e não algo respaldado pela obrigação. A obrigação literária é que é a grande culpada na questão do distanciando dos jovens em relação a livros clássicos.

Sobre as milhares de críticas que leitores de autoajuda recebem dos pseudo-intelectuais que afirmam que este gênero não é literatura; apenas lhes dou um conselho: "Ignorem estas críticas inúteis." A organização de palavras que resulta em um texto que lhe apresenta algum tipo de conhecimento, reflexão e divertimento, é literatura. Até a bula de remédios é literatura. Não confundam o que é literatura, com o que é texto literário e texto não-literário. Auto-ajuda não é texto literário, mas é sim literatura no seu âmbito mais profundo.

Julgamentos, afirmações, e expressões como sub-literatura e outros termos pejorativos não existem de maneira sólida nos estudos literários. Tais coisas nada mais são do que invenções de leitores que sentem a necessidade de inflamarem seus próprios egos diminuindo outros leitores. Em um país onde o número de leitores é medíocre, tais agressões de leitores para leitores são injustificáveis. Qual o sentido de escrever uma resenha inferiorizando outros leitores levando em consideração seus gostos literários? Na atual situação de nosso país, devemos incentivar a leitura e não desanimar as pessoas a lerem Independente de seus gostos pessoais.

Não tive nenhuma dificuldade em relação ao vocabulário do livro. A única coisa que enxerguei como sendo um possível problema são as diversas referências literárias e menções a pessoas célebres. Mas não se preocupem, as notas de rodapé estão ali para anular este possível empecilho, e portanto, devem ser lidas. Não as evitem!

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro excepcional, com uma narrativa incrível e com uma estrutura sensacional. Apesar de ser um livro genial, ele não deve ser usado como parâmetro intelectual para leitores. Na verdade, nenhum livro é genial à este ponto. Inferiorizar pessoas que não leem clássicos é atitude de quem deseja se reafirmar como intelectual. Muito triste encontrar esse tipo de atitude em uma rede social onde o que deveria prevalecer é o amor pela literatura no geral!
Carol 24/10/2017minha estante
Linda resenha!


JANEREINANDO 24/10/2017minha estante
Parabens! Amei a resenha.?


Pedro 24/10/2017minha estante
Excelente resenha Fernando! Mais do que gostei, principalmente no tocante aos preconceitos literários. Eu também li o livro em questão quando tinha aproximadamente 15 anos e detestei, porém ao ler a sua resenha fiquei com vontade de reler.

Sempre quando estamos lendo nos remetemos a outras leituras, pelo menos eu. Agora estou lendo "Formação do Brasil Contemporâneo" (Caio Prado Jr.) e me espanto com a quantidade de preconceitos explicitamente expostos, principalmente com negros e índios, para se ter ideia o autor escreve o seguinte: "Sabe-se que até hoje os índios de Goiás ainda não estão inteiramente dominados, e formam um dos últimos redutos de índios selvagens do país." (p. 61) e "A comarca do Norte de Goiás sofria duramente da hostilidade dos índios (...) e mesmo parte da outra margem em que se estabeleceram a colonização. As suas incursões se repetiam periodicamente, e não se conseguira, ainda em princípios do século XIX, pacificá-los ou os repelir definitivamente." (p. 61) Esse livro é até hoje considerado como um clássico e lendo as poucas resenhas que dele encontram-se aqui no Skoob é observável uma concordância implícita e explicita (da maioria). Alguns argumentam que é necessário ler sem incorrer em anacronismos, porém uma coisa é uma escrita literária ou etnográfica voltadas para o realismo outra completamente diferente é uma escrita evidentemente pautada no preconceito. Neste ponto acho que é necessário rever algumas das obras que são consideradas como "clássicas", não estou falando de Machado de Assis, pois para tal tipo de julgamento, referente a ele, eu teria de reler.

Sua resenha me fez lembrar muito de quando Paulo Coelho foi indicado para Academia de Letras, choveram críticas. Porém, Paulo Coelho tem uma escrita fluida e agradável, isso não há como negar. Uma escrita acessível. Além dos pseudointelectuais aos quais você se refere, Fernando, eu acrescento também os intelectuais nocivos (que incomodam-se muito quando a população começa a ler e tentam de todas as formas desestimular, pois são temerários de sua "posição"), afinal de contas ninguém começa a ler os livros mais complexos e mesmo que comece por tais é praticamente certo que não irão entender e provavelmente criar uma antipatia pela leitura. Acho que alguns dos livros literários que são leitura obrigatória no ensino médio deveriam ser revistos, pois requerem um maior grau de amadurecimento e carga de leitura. Não precisamos afastar ou desestimular os pouco leitores que temos aqui no Brasil, pelo contrário, necessitamos pensar em formas de aumentar esse número.

Ainda sobre essas questões de preconceito, ontem mesmo eu presenciei uma cena terrível. Estava em uma livraria que também funciona como cafeteria, na cidade que moro (Garanhuns - PE) e um adolescente entrou pedindo dinheiro. Quando ele chegou em uma determinada mesa um "sujeito" falou maios ou menos o seguinte: - "Saia daqui, se não eu vou chamar a polícia para lhe enviar para FUNASE" (antiga FEBEM, que ainda hoje funciona basicamente como uma unidade prisional para menores de idade que lá podem ficar até os 21 anos).
Depois comentou: "- Fica pedindo, depois fica ai. Não vai querer trabalhar. Depois vai pegar e assaltar quem lhe deu esmola."
Em outra mesa tinham dois homens conversando, aparentemente eram religiosos. Conversando sobre teologia, conversando relativamente alto para que as demais pessoas do estabelecimento escutassem sobre sua "erudição", teve momentos em que chegaram até a conversar sobre A cidade de Deus de Agostinho de Hipona. Sabe o que um deles tinha comentado quando o adolescente chegou em sua mesa (foi antes do que eu já contei): - "Você de novo!" e fez uma expressão de reprovação e virou o rosto.
Eu ainda tentei me controla e não falar nada, porém não me contive. Levantei e falei mais ou menos o seguinte: - "Você deveria ter vergonha na cara. Queria ver se teria essa mesma atitude com um político corrupto. São por conta de pessoas com uma mentalidade preconceituosa como a sua que o Brasil encontra-se nesse estado.", para o que falou de chamar a polícia, paguei minha conta e retirei-me.

Sabe, Fernando, não é somente uma questão de que algumas pessoas se acham melhores por estarem lendo um determinado gênero literário em detrimento de outros, é o elitismo preconceituoso entranhado em nossa sociedade, principalmente entre aqueles mais letrados ou que assim se consideram, mesmo sem o ser. Como você mesmo, bem colocou, determinadas leituras são mais complexas que outras, necessitam de mais maturidade, conhecimento e quando vamos treinando (com leituras mais simples) fica mais fácil compreender o mais complexo. E as pessoas que tem um determinando nível de conhecimento têm clara noção disso.

Desculpe-me pela prolixidade e mistura de assuntos, mas sua resenha me remeteu a muita coisa e de certa forma eu estava com isso entalado na garganta.


Fernando Lafaiete 24/10/2017minha estante
Que bom que gostaram da minha resenha. Eu já estou cansado de ver tantas resenhas que reforçam a inferiorização literária. Acho isso um saco e de fato me irrito! Como você mesmo citou Pedro; pior que os leitores que se auto-intitulam intelectuais através de comentários ou resenhas pejorativas; são os reais intelectuais que dão entrevistas ou postam comentários que reforçam estes aspectos desnecessários do mundo literário. Um bom exemplo disso é a aclamada autora Ruth Rocha que afirmou que Harry Potter não é literatura. Fiquei muito surpreso com o fato desta tão bem sucedida autora fazer um comentário tão idiota como esse.

Eu também já passei por situações revoltantes em livrarias. Já fui julgado por pessoas que me consideram inteligente por simplesmente estar na sessão de livros de fantasia. Este é mais uma coisa que as pessoas deturpam... Elas esquecem que inteligência é algo subjetivo e mais uma vez vez eu repito: NÃO tem nada a ver com preferência literária. Mas eu espero que as pessoas parem de ficar julgando os gostos dos outros e passem a se preocupar com coisas mais importantes.

E não se preocupe com comentários prolixos Pedro. Gosto dessas interações e aprendo muito com estes debates nas resenhas!


Junior 24/10/2017minha estante
Machado, Incrível. ??


Fernando Lafaiete 24/10/2017minha estante
Não curte Machado Junior?? Em questão de escrita ele é impecável!!


Junior 25/10/2017minha estante
Amooo nosso eterno Machado.


Fernando Lafaiete 25/10/2017minha estante
Que bom! Espero que o momento dele ser lido chegue pra todo mundo. Porque lê-lo na hora errada pode de fato fazer com que as pessoas peguem raiva do livro e do autor.




SakuraUchiha 22/03/2015

Escritor imortal e incomparável.
Imagine um livro contado pela narração de um morto? Brás Cubas morreu, e depois disso, conta sua estória. O defunto conversa com o leitor para narrar casos de adultério e tramas políticas da elite do período. Só isso torna o livro marcante e fantástico, pelo seu sentido de humor. Com uma escrita irônica e inteligente, este livro torna-se um desafio constante ao leitor. O narrador e personagem principal é apresentado como uma espécie de anti-herói de raciocínio lento, leviano e egocêntrico. A escrita é entorpecente e às vezes engraçada, rica em metáforas e, um ar poético muito literário.
É "póstuma" pela simples razão de que, para escrever a história de toda a sua vida, um homem deve esperar até que ele esteja morto e assim a história estará completa. Ele começa o livro dizendo sobre sua morte, em 1869 aos 64 anos, sendo solteiro e sem filhos-, por isso, já percebemos de antemão o resultado infrutífero dos casos de amor que dominam suas memórias. Voltando ao seu começos, Brás Cubas descreve sua ascendência - como ele conseguiu ser rico o suficiente para nunca precisar trabalhar em toda sua vida - e sua infância mimada. Brás Cubas mal tinha crescido barbas antes dele desperdiçar uma fortuna com uma prostituta de seu gosto. Seu pai indulgente, finalmente perdendo a paciência com ele, envia-o para a Europa para terminar seus estudos. Voltando depois de mal ter se formado, ele se recusa a entrar na carreira na política e aceitar o casamento arranjado que seu pai armou com a bela Virgília. Só que, logo após Virgília se casar com outro, ele se vê perdidamente apaixonado por ela.
Machado de Assis quase o tempo todo se nega na sequência cronológica dos fatos e segue apenas as divagações mentais de Brás Cubas. É a sua mente que o livro percorre, mais do que a sua vida, por isso um anti-herói de raciocínio lento. Ele não respeita um padrão ético, já que não é a trama em si, mas a forma como ele conta que é fantástica, e por isso causa uma simpatia pelo personagem de Cubas.
Enfim, um livro de marco histórico na literatura brasileira, porém também considerado um livro simples que se lê com agrado e boa disposição, por isso arrebata tantos escritores modernos. As obras de Machado de Assis, uma das figuras literárias mais importantes do Brasil, são espirituoso, eloquente e erudita.

"Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."
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Andre 23/06/2009

Ao verme que primeiro roeu...
Sempre tive um certo receio de ler autores brasileiros. Ainda o tenho. Só que em tudo exsitem exceções, e Machado é uma delas.

Já tinha lido "Quincas Borba" e estava prestes a ler esse. O que apressou a minha leitura foi um trabalho escolar que tive de fazer.

O que mais me agrada em Machado é sua ironia. Ninguém sabe ser tão irônico como ele. É engraçado porque não é aquela ironia comum, é uma ironia sofisticada. Ele faz críticas que não são diretas, mas se sabe a quem e a que elas são direcionadas.

A forma como ele conversa com o leitor torna-se algo totalmente cativante. É como se ele pedisse a sua opinião sobre o que acontece; ele quer que você entre na história junto com ele, sentisse o que o personagem sente. E isso ele consegue perfeitamente.

A única coisa de negativo que há nesse livro é sua linguagem exageradamente pomposa e difícil. Isso pode tornar a leitura um pouco cansativa. Ele não gosta de ser objetivo. Dá voltas e voltas até chegar ao clímax.

Algo que achei de mais positivo foi suas descrições psicológicas. A parte física fica em segundo plano. O que interessa é o que o personagem pensa.

"Memórias Póstumas de Brás Cubas" é o realismo em sua mais perfeita forma!!!
Aline 11/10/2013minha estante
Na escola li apenas os resumos das obras dele. Após o ensino médio decidir ler os livros, estou fascinada!




Matt 11/02/2012

Torturas Póstumas de Brás Cubas
Eu amei, o livro Dom Casmurro que é do mesmo autor, entretanto, a grande obra da literatura brasileira "Memórias Póstumas de Brás Cubas" não me agradou nem um pouco.

As primeiras 50 páginas, são extremamente desagradáveis, depois melhora um pouco e piora novamente.

Terminar esse livro, foi quase impossível.

Os personagens desse livro não tem carisma nenhum, tipo em Dom Casmurro Capitu, Bentinho, a mãe de Bentinho, o velho! Eles tem muito carisma, conseguem envolver o leitor, a trama toda... São personagens muito bem elaborados psicologicamente e tem uma coisa que me envolveu profundamente, por conta do prazer que senti lendo "Dom Casmurro" fui ler "Memórias Póstumas de Brás Cubas", eu esperava alguma coisa no mesmo estilo e me deparei com uma grande decepção.

Todo mundo ama fazer o maior terror sobre Machado de Assis, coisa que não foi confirmada enquanto eu lia Dom Casmurro, mas, "Memórias Póstumas de Brás Cubas" que eu carinhosamente apelidei de "Torturas Póstumas de Brás Cubas", foi para mim, uma decepção, a trama é chata e os personagens são chatos, não tem nada interessante acontecendo, os personagens não tem carisma algum. O livro é ruim de ler... Sei lá.

É um livro muito importante que cai sempre nos vestibulares...
Felipe 26/12/2012minha estante
Na verdade, os personagens não tem carisma propositadamente; o maior objetivo do Machado é criticar a sociedade e os costumes por meio dos personagens. Virgília amava Brás mas não se separava do marido para não perder o status de ser esposa de um homem público. Às vezes, Brás faz alguma caridade e em outras é extremamente preconceituoso e mal. A narrativa arrastada com várias digressões servem para o leitor ter tempo de se perguntar o quanto ele também não é um crápula escondido por máscaras... A leitura de "Memórias" é realmente mais complicada que "Dom Casmurro", mas, a meu ver, a ironia do autor é mais bem trabalhada no primeiro livro.


Matt 28/12/2012minha estante
É a MINHA opinião.


Hel 19/08/2014minha estante
Felipe arrasou neste comentário.


Matheus 02/03/2017minha estante
Excelente comentário, Felipe.




Carlinha 05/01/2009

Criatividade em alta.
Machado de Assis usou de vários artifícios, inclusive a ironia para escrever essa história. Já começa ao ser narrada de trás para frente! O personagem relata sua própria vida ao começar por seu funeral, e a partir disso, conta a marcante vivência com vários personagens. Alguns trata com ardente paixão, e ao mesmo tempo, grande ódio.
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