Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis...




Resenhas - Memórias Póstumas de Brás Cubas


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Biblioteca Álvaro Guerra 06/06/2018

Memórias Póstumas de Brás Cubas é o maior clássico da literatura realista de língua portuguesa. Publicado em 1881, este livro marca o início oficial do realismo no Brasil e ainda serve de divisão na obra do seu autor, Machado de Assis, marcando o início da fase mais madura e qualificada deste escritor.
Uma narrativa onde predomina a análise psicológica das personagens.

“Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade, advirta que a franqueza é a primeira qualidade de um defunto” Brás Cubas

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Janaina 20/06/2018minha estante
Resenha maravilhosa. Parabéns! :]


Crônicas do Evandro 08/04/2019minha estante
Obrigado, Janaína!




Bruna.Patti 29/04/2018

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Resenha
Livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Autor: Machado de Assis
Lançamento: 1881

No Brasil do fim do século XIX tivemos várias manifestações em relação à questões sociais, culturais e econômicas. A literatura, as artes em geral possuíam o objetivo de analisar criticamente a sociedade extremamente desigual, tendo o ser humano como objeto central de toda a análise.

É nesse contexto que surge um dos grandes nomes da literatura brasileira e mundial: Machado de Assis. Nascido no Rio de Janeiro, negro, de origem humilde. Foi criado pela madrasta, pois seu pai e sua mãe morreram cedo. Frequentou a escola pública e se tornou funcionário público, o que lhe conferiu certa estabilidade financeira.

O Realismo no Brasil tem como origem esse livro que resenho, quando houve a transição do romantismo para o realismo. Durante esse período histórico, o Brasil passava por diversas transformações, como já mencionado no início do texto. O realismo investigava o comportamento humano ao mesmo tempo que denunciava a visão idealizada na escola literária anterior, o romantismo.

A presente obra é narrada por um defunto autor, tendo um narrador morto, o Brás Cubas, que conta toda sua vida, começando de um ponto não comum: sua morte. Até então, nenhuma outra obra havia sido contada pelo ponto de vista de uma pessoa já morta. Brás Cubas, já estando morto, consegue narrar sua vida e falar sobre a sociedade de maneira irônica, ácida e descompromissada, dando ao leitor uma sensação de veracidade , presente em toda a história. A narrativa não possui uma ordem cronológica, sendo o fio condutor as lembranças de Machado: começa com sua morte, vai ao seu nascimento e dá voltas entre esses dois marcos temporais.

Antes dessa obra, as histórias literárias se baseavam mais no fantástico, no irreal. A grande beleza de Memórias Póstumas está na sua total possibilidade de acontecimentos, visto que são narrados acontecimentos do cotidiano, levando-nos à reflexão a partir de fatos que aconteciam frequentemente no dia a dia da população que leu o livro na época.

Brás Cubas é um cidadão que nunca trabalhou na vida, pois sua família vivia às custas da escravidão. Em relação à escravidão, Machado é assertivo: condena veementemente. Sendo ele abolicionista, podemos perceber no enredo desse clássico, críticas ao modo de vida da aristocracia, da burguesia ascendente, que enriquecia às custas do trabalho de negros escravizados. Temos passagens bem ácidas em torno desse tema, onde Machado nos mostra um Brás Cubas escravocrata e que não nos agrada em nada, tocando na ferida, em um momento crucial na história do Brasil.

Brás Cubas não vive um romance de contos de fadas com suas amantes; não se torna um político bem sucedido; não teve filhos, enfim, sua vida foi um sucessão de negativas, como o próprio evidencia ao longo de vários trechos. Podemos perceber um paralelo com o vazio que era a vida dos burgueses e aristocratas, a futilidade latente de seu modo de vida.

Se hoje em dia, essa obra ainda é capaz de nos chocar, imagino quando foi lançado no fim do século XIX, o furor que deve ter sido. Um clássico da literatura brasileira, que recomendo fortemente a leitura, a fim de refletirmos através do nosso cotidiano, de onde podemos tirar lições valiosíssimas.

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hscleandro 21/04/2018

Algumas impressões sobre a obra e o autor
Não faço uma resenha do livro propriamente dito, mas uma impressão ainda que mal descrita da minha experiência de leitura. As resenhas são muito importantes, não nego, contudo esta obra já possui inúmeras, variadas, e de excelentes qualidades. Aqui, me interessa o registro das minhas impressões, observações, e porquê não da minha vivência enquanto leitor da obra.

Sobre a forma que Machado de Assis atribui vida aos personagens, não me parece deste mundo. Antes de ler as obras do citado autor não passava pela minha cabeça que tal descrição tão verossímel da realidade humana fosse possível. É fantástico, é surreal, a impressão que eu tenho é que estava lá no leito de morte de Brás Cubas, e que este me contou todos os fatos descritos no livro, diretamente, pessoalmente, minutos antes de sua morte. Desacreditei desta versão porquê não li nenhuma menção ao meu nome, mas a viagem é tão alucinante que àqueles que procuraram seus nomes nas derradeiras páginas da obra, não podem ser julgados sob qualquer forma.

Tornado ao Skoob após o término da leitura de Brás Cubas li algumas resenhas e vejo que muitas pessoas acharam o livro monótono, enfadonho. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi uma pergunta, porquê? Ok, a primeira não, a segunda. Antes de me perguntar sobre o proquê destas opiniões divergentes me veio um sentimento de desprezo, mesmo que passageiro, rápido, leve, talvez ligado alguma espécie de superioridade pedante intelectual mesquinha que remanesce em cada um de nós. Realmente não sei se de fato tenha sido isso, ou se este desprezo passageiro habita mesmo a consiciência de todos os homens.

O que posso dizer é que em um segundo momento, analisando com mais calma a situação, depois de tomar um café e cumprir algumas das tarefas rotineiras, imaginei que devido o começo da obra coincidir com o final da trama do personagem principal, os leitores mais entusiastas podem ter sofrido uma quebra brusca de expetativa, mesmo que o decorrer da história já não fosse novidade. Leitores entusiastas devoram páginas dos mais vastos e volumosos livros procurando encontrar a fase derradeira da história, o desfecho, entender o que acontece, correlacionar os motivos e os fatos apresentados na vida de cada personagem. Quem de nós não gostaria de conhecer a si mesmo no final da vida e indagár-se sobre seu trajeto? Hollywood tem expertise em conduzir desfechos à histórias no final da trama, seja de super heróis ou de cachorros perdidos dos seus donos. Talvez isso possa explicar o sucesso da industria de filmes americanos e o número de desistências desta obra, mas ainda sim isso é só um palpite.

Sobre o que Machado de Assis queria dizer de fato, bem, não sei. Muitos dizem ser uma crítica a sociedade, outros dizem que o foco é na vida simples do indivíduo, outros ainda dizem… A impressão que eu tive era que o autor sempre estava um passo a minha frente. Eu imergi na trama, e quando ousava a tecer alguma opinião, ou uma sujestão sobre o que quer que fosse, crendo ser muito original, sugestivo, moral talvez... Páginas a frente (as vezes no outro parágrafo) o autor aludia minhas proposições, e as vezes me chamava atenção de tal forma que chegava a me constranger, absurdo! Por exemplo, de um parágrafo que não recordo agora o nome, o autor muda a narrativa de uma forma sutil porém perceptível de que nada influenciará na descrição e no decorrer da trama, ao término do capítulo submergi e comigo mesmo indaguei: “Pra que ele escreveu isso? Não tinha necessidade nenhuma, talvez um lapso de criatividade e prolixia...”. Insiti mais um capítulo na leitura, mesmo que de mal grado, e ao virar a página me deparo com a frase :“Ou muito me engano, ou acabo de escrever um capítulo inútil”. Fechei o livro e fiquei com medo de voltar a lê-lo.

Por fim, ainda sobre a compreensão do autor e da obra, só posso afirmar que as menções a personagens e fatos varrem a história da literatura, o que trás alguma complexidade a leitura, sem demasiado pedantismo. Tamanho arcabouço cultural e criatividade indescritível me levam a crer que antes de tentar compreender o processo criativo do autor, ou mesmo a moral da obra, é preciso uma monstruosidade literária e muito aprendizado. O mais sensato é aproveitar as deixas dadas pelo autor, seguir a forma de seu raciocínio, e mais importante que isso, da sua imaginação. Brás cubas divagava sobre coisas ínfimas do comportamento da natureza e do homem, como uma formiga que sobe nas patas de uma mosca, ou sobre a importância de guradar as cartas da mocidade. As digressões são as verdadeiras expectativas, o trajeto da história do homem nós bem conhecemos porém saber sobre o porquê do nariz ter sido criado, ou sobre a equivalência das Janelas, ou mesmo sobre a reciprocidade (provável) entre os fatos da vida pública e os fatos da vida privada, isto sim é o que faz a obra valer a pena de ser lida e relida quantas e quantas vezes.


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Ana 19/04/2018

Um morto muito (louco) irônico
Fui uma das muitas jovens que leu esse livro para o vestibular, mais precisamente para uma das fases do PSS - Processo Seletivo Seriado, vestibular daqui de Belém-PA, de meados dos anos 2000.
Eu tinha 14 anos, e nem preciso dizer que naquela época, muita frase desse livro eu não entendi patavina, claro.
Mas eu sabia que era um livro genial, literários e acadêmicos não podem estar todos errados, afinal. E anos mais tarde, reli o livro, já com outra cabeça. E sim, é um livro sensacional, para quem gosta e entende Machado de Assis, principalmente. Afinal, quem pensaria em escrever um livro onde o narrador-protagonista é um morto? Uma loucura!
Brás Cubas é um defunto com uma ironia única, ao narrar acontecimentos de sua vida. Esse livro só precisa de carinho, e que deêm atenção para ele, na minha opinião. É para poucos? É. Mas ainda bem que Machado de Assis ainda tem fãs.
Não deixem Brás Cubas ''morrer''.
Michel 19/04/2018minha estante
Então, eu também li Brás Cubas quando jovem e fiquei frustrado. Na época eu estava encantado com a literatura e envaidecido por poder enaltecer numa roda de bar que já havia lido este clássico... Bom, já na fase adulta reli e finalmente enterneci-me com a magia de Machado... Orgulho Nacional!!


Ana 20/04/2018minha estante
Muito bom Mesmo. Orgulho nacional




Carlos Nunes 19/03/2018

Reminiscências de um defunto autor
O que dizer de MEMÒRIAS PÓSTUMAS, um dos livros mais amados, lidos e comentados da literatura brasileira? Obra-prima (mais uma) de Machado de Assis, o livro rompe com o Romantismo não apenas na forma, mas no conteúdo, no enredo, na distribuição dos capítulos, ou seja, é realmente o divisor de águas, não só na carreira do escritor, mas também da literatura brasileira. Com uma ironia insuspeitada, Machado nos brinda com um romance espetacular, que prenunciaria sua fase mais madura e brilhante. O que se destaca aqui, comparando a obra com outras posteriores, é o humor e o sarcasmo da personagem principal. Como está morto, não tem nada a perder e, sem medo das críticas que não podem atingi-lo, fala francamente com o leitor, expondo toda sua vida fútil, sem esconder seus erros e sua canalhice. Até o amor relatado no livro não é romântico, a mocinha "perfeita" do Romantismo aqui ou tem marcas no rosto, ou é prostituta, ou tem deformidades físicas ou só é mesmo realista, preferindo um casamento que lhe dará um futuro promissor do que ceder aos desejos do coração. Outro grande destaque é a participação mais do que especial de Quincas Borba, outro grande personagem de Machado, em diversos momentos do livro. Um romance memorável, já citado até como um dos preferidos do cineasta Woody Allen (aliás, não sei como ele não resolveu filmar essa história, tem tudo a ver com ele). Esqueça o ranço das listas de leituras obrigatórias para vestibulares e entregue-se à deliciosa leitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas!
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Izu 01/03/2018

Meu favorito
Leitura obrigatória na época que prestei vestibular. Até agora , meu livro favorito
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André 01/02/2018

6º Livro, 2º ano do Ensino Médio; 2º Livro, Fuvest 2017
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Ulisses_Condutta 11/01/2018

Uma obra fantástica que mostra o melhor de Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas foi lançada em 1881. Diferente da tendência romântica da primeira metade do século XIX, este livro não tem um protagonista 'bom', ou algum tipo de herói.

Brás Cubas, agora morto, não precisa esconder seus desvios da vida do julgamento da alta sociedade e nem de ninguém. É um relato muito coerente com o modo de vida da alta sociedade carioca do século XIX: cargos importantes na política, formação de direito em Coimbra, etc. A manutenção do status era uma prioridade, mas o mesmo Cubas não tinha isso como algo tão importante assim pra vida, mas sim outra coisa: Virgília. Virgília era tudo para Cubas: era amor, futuro, vida. Mas essa personagem também tão construída mostra que vive num dualismo entre manter um romance adúltero e manter seu importante status social que tinha graças ao marido.

Machado foi genial na proposta do livro.
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Sara Muniz 08/12/2017

Resenha - Memórias póstumas de Brás Cubas
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, foi publicada inicialmente em folhetins em 1880, tendo a publicação como livro em 1881 (iniciando o movimento realista na Literatura Brasileira). Essa obra pode ter causado muitos traumas nas adolescências alheias, mas a verdade é que o livro é genial.

Após ler Dom Casmurro (minha primeira leitura Machadiana), que inclusive eu adorei. Fui então, para Memórias póstumas de Brás Cubas. Confesso que antes de ler, eu já estava com certo receio de que fosse chato. Ah! Como as pessoas acreditam no que as outras dizem, não é mesmo? Eu AMEI esse livro de um jeito... Mas, vamos ao enredo.

Brás Cubas é um defunto autor, ou seja, ele está contando a história depois de morto (e isso não é spoiler, está na primeira página).

O defunto autor está na eternidade e, convenhamos, sem wifi e sem livros, não há muito o que fazer por lá, portanto, ele decide escrever suas memórias póstumas. Podemos ler então, os episódios da vida de Brás Cubas, seus romances, sua vida rica, sua experiência na faculdade de Coimbra, suas experiências filosóficas com Quincas Borba, e todos os seus pensamentos e pontos de vista, pois também acompanhamos o fluxo de ideias de Brás Cubas, que uma hora fala de Virgília, e no outro capítulo fala que é bom não escrever capítulos longos. São memórias, que vão vindo fora de ordem e que tornam tudo, na minha opinião, mais interessante.

Na obra, é estabelecida uma narrativa de aproximação do leitor, ou seja, o autor estará se referindo o tempo todo ao leitor (justamente porque começou sendo publicado em folhetim), e isso te faz se identificar muito com o Brás Cubas, com os pensamentos satíricos dele.

Em falar em sátira, esse livro é uma sátira do início ao fim. Com humor, o autor critica muitos momentos de nossas vidas, por meio da sua própria.

Não li Machado de Assis na adolescência e creio que isso me poupou de ter um primeiro momento ruim com a obra dele. Acredito que comecei no tempo certo, já que gostei muito. Se você ainda não é um leitor que sente que pode ler qualquer coisa, talvez você ainda não esteja pronto para a grandiosidade de Machado de Assis, o fundador da Academia de Letras.

E se você quer fazer Letras, ou já está (como eu) se graduando e se preparando para ser um professor de Língua Portuguesa, acredito que precisamos ter isso em mente também, na hora de exigir a leitura de um clássico. Não estraguemos as primeiras experiências que tinham tudo para ser boas, mas acabaram sendo ruins porque não soubemos reconhecer a maturidade de nossos alunos. (ficaadica)

site: http://interesses-sutis.blogspot.com.br/2017/10/resenha-memorias-postumas-de-bras-cubas.html
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J R Corrêa 25/11/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Memórias Póstumas de Brás Cubas é um famoso romance machadiano, que como o próprio nome sugere, conta a história de um defunto autor (e não de um autor defunto, como o próprio Brás Cubas faz questão de enfatizar no início da obra) que narra a sua vida: seus amores, aventuras, frustrações.

Em 'Memórias póstumas de Brás Cubas', Machado de Assis busca construir, na figura de um 'defunto-autor' e não um 'autor-defunto' - como bem se define o próprio Brás Cubas -, o motivo central de sua crítica à sociedade, pois estando distanciado do mundo dos vivos, o morto Brás Cubas destrói, a partir de suas relações sociais, a sociedade do Brasil do século XIX, com seus vícios, seu parasitismo e suas mesquinharias.

Brás Cubas é um personagem que nos é apresentado na infância como um menino muito levado, denominado de “menino diabo”. Comprova-se o valor desse carinhoso apelido quando o “menino diabo” descobre o romance secreto entre dona Eusébia e o Dr. Vilaça e revela-o a todos. Na juventude Brás Cubas nos narra sua paixão avassaladora pela prostituta Marcela e na sua maturidade ele vive um grande amor com Virgília, que era esposa de seu amigo Lobo Neves e, é nessa fase também, que o narrador/personagem conta-nos seu fracasso na carreira política. Esse é um pequeno resumo do que o leitor irá encontrar nesse romance.

Considero que o sucesso de Memórias Póstumas de Brás Cubas é resultado de vários fatores, mas destaco que primeiramente deve-se ao brilhante texto, sendo que não poderia ser diferente tratando-se de Machado de Assis, e também por ter como personagem um homem de “verdade”, falo no sentido de Brás Cubas não ser um homem “bonzinho” e sim ter atitudes e vivências naturalmente humanas, como pode-se observar na síntese da obra apresentada no parágrafo anterior.

Ressalto que o livro não é de fácil leitura, pois tratando-se de um texto escrito no século XIX tem um vocabulário característico da época, além de metáforas e intertextos, como por exemplo quando é citado Hamlet, As Mil e Uma Noites e outras obras, que exigem do leitor um pré-conhecimento das mesmas para que se possa entender a mensagem que o autor quis passar. Mas independente da dificuldade que se tem para entender a obra de início, com o avançar das páginas a leitura vai ficando mais tranquila de ser compreendida e também divertida, pois é um texto carregado de ironias.
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Peter 09/11/2017

Difícil tarefa é resenhar um livro clássico da literatura brasileira, mas vamos tentar. Memórias Póstumas de Brás Cubas (como o título sugere) é um livro onde Brás Cubas, após a morte, narra as memórias sobre sua vida. Pode parecer uma trama um tanto fantasiosa, e de certa forma é (principalmente em alguns capítulos específicos), mas é notável também como o enredo é realista (você provavelmente já deve saber que esse foi o livro responsável por iniciar o movimento do Realismo no Brasil, portanto não vou me ater a ficar falando coisas óbvias).

Brás Cubas era um ser humano vaidoso, sarcástico, cético, inteligente, egoísta, dentre muitos outros adjetivos que são perceptíveis desde o principio... Ele era uma pessoa difícil. E não teve uma vida tão grandiosa. Muitas coisas ruins acontecem e quase nada dá certo.

“Todavia, importa dizer que este livro é escrito com pachorra, com a pachorra de um homem já desafrontado da brevidade do século, obra supinamente filosófica, de uma filosofia desigual, agora austera, logo brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem regela, e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado.” Essa citação do capítulo 4 é um resumo perfeito sobre como é a narrativa. Brás Cubas está morto e com isso não tem nada a temer, portanto expõe tudo com muita honestidade e até chega a assumir que muitos poderão não gostar de seu livro. Uma narrativa quase isenta da “quarta parede”, o narrador fala direto ao leitor. Ele cita os próprios capítulos, referencia as obras e autores que o inspiraram. E não narra de forma linear, afinal são memórias, ele as conta conforme se lembra e isso abre espaço até mesmo pra ele “brincar de mistérios”.

Com um olhar superficial pode parecer que esse não passa de um livro sobre um cara com uma vida desinteressante. Mas é uma crítica tão diversa ao governo da época, a elite, a escravidão, que não só o Brás Cubas sarcasticamente critica as coisas, como o Machado de Assis usa ironicamente a vida do personagem como crítica.

Há um número grandioso de capítulos e passagens memoráveis para um livro tão pequeno (em torno de 170 páginas, com capítulos curtos). Deixa sua marca desde o inesquecível Prefácio e claro sobre o quê, e como, pretende falar ao longo da narrativa desde o apaixonante Prólogo. Destaque para o capítulo 7 que é tão onírico, lírico, surreal, penetrante, estranho e elevador. Mas façamos justiça também para o capítulo 25 com sua melancolia, capítulo 45 com sua sequidão, capítulo 56 com sua peculiaridade, capítulo 71 com sua honestidade, capítulo 98 com sua veia cômica e capítulo 160 por finalizar o livro de forma tão magistral.

Publicado em 1881, com certeza não tem uma linguagem moderna. Há palavras que caíram em desuso (talvez você precise procurá-las no dicionário), é formal (apesar do humor do Brás), mas também não chega a ser impossível de se ler, para quem já leu livros publicados há mais de 60 anos não tem nada com que se incomodar aqui.

Tão real, autêntico, poético, divertido, triste em certos momentos, Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro que é um espelho da humanidade, que pára para pensar na vida do Homem. Não é à toa que é um clássico da nossa literatura.

site: http://petercisco.blogspot.com.br/2017/11/resenha-memorias-postumas-de-bras-cubas.html
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Daniel 05/11/2017

Uma autobiografia cadavérica
Difícil falar sobre um clássico. Todas as definições parecem medíocres perante a grandiosidade de uma obra tão complexa, capaz de expor e analisar o ser humano de forma profunda, irônica, filosófica, sutil, sem em nenhum momento sucumbir à monotonia. Assim é Machado de Assis. Assim são suas Memórias Póstumas.
O enredo é a autobiografia póstuma de Brás Cubas, um indivíduo da alta sociedade que decide contar, após a morte, a história de sua vida, repleta de sentimentos vazios, futilidades e atitudes no mínimo questionáveis.
Hipócrita, dissimulado, mesquinho, debochado, soberbo... São muitos os adjetivos para classificar Brás Cubas. Morto, e portanto livre da sociedade e de suas amarras morais, o protagonista destrincha suas mais íntimas memórias sem qualquer filtro, expondo toda a podridão de uma vida de aparências. Tudo isso com o recheio da mais fina ironia. Filho mimado de uma família abastada, Cubas quase sempre deixa de lado os escrúpulos, agindo de acordo com seus próprios desejos, sem levar em consideração as consequências de seus atos. Seu envolvimento com Virgilia, por exemplo, parece ter sido mais por capricho do que por amor, sendo uma forma de atingir seu rival, Lobo Neves. É de longe o personagem mais cínico da literatura brasileira.
Parte da genialidade de Machado de Assis está em sua análise perfeita acerca do comportamento humano, do modo como nossas ações individuais constroem e modificam o meio em que vivemos. Seus personagens são profundamente anti - românticos, repletos de defeitos e umas poucas qualidades, servindo de espelho ao próprio leitor. Afinal, sendo todos nós seres humanos e partes constituintes de uma sociedade frívola, todos nós temos um pouco de Brás Cubas.
Uma obra prima da literatura universal.
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Aline Costa 05/11/2017

Encantador
Estou extasiada com esse livro, que a princípio me causava receio da leitura complexa e da sua linguagem um tanto arcaica. No entanto, quando finalmente consegui engrenar a leitura, me apaixonei pela história e não consigo largar o livro.
Brás Cubas conversa conosco e narra suas memórias de vida de maneira crítica e sincera. É uma narrativa que vale a pena ser lida e relida.
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Pedro Henrique 05/11/2017

Como sempre...
Um livro clássico-evveeerr do Assis !!
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