Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis...




Resenhas - Memórias Póstumas de Brás Cubas


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Sanoli 27/10/2017

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Fernando Lafaiete 24/10/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Uma "resenha resposta" para os pseudo-intelectuais do Skoob.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é o livro que inaugurou o realismo no Brasil. Publicado pela primeira vez em 1881, a obra prima de Machado de Assis foi fortemente criticada por não trazer uma narrativa convencial e positiva. Ainda assim, ao longo do tempo, a mesma se consagrou como uma das histórias mais importantes da literarura brasileira e se tornou um marco na literatura Internacional.

Machado de Assis foi um grande estudioso e seu conhecimento em literatura e em questões linguísticas chega a ser invejável. Este conhecimento se reflete solidamente em sua narrativa. Ele foi responsável pelas primeiras traduções realizadas de Os Trabalhadores do Mar de Victor Hugo e de Oliver Twist de Charles Dickens, duas das maiores obras-primas da literatura universal.

Em seu clássico realista, acompanhamos a "jornada" de Brás Cubas, o defunto autor, que após a morte decide escrever um livro de memórias. A narrativa não é linear e é regada de ironias, pessimismos, momentos oníricos, poéticos e muitas vezes reflexivos.

Brás Cubas é um protagonista difícil de se gostar. Ele é apático, quase nulo de sentimentos, o que faz com que seus relacionamentos interpessoais soem todos como superficiais e sem propósitos. Tal personagem não tem um objetivo palpável na vida e sempre almeja/deseja aquilo que não pode ter. Ele é pessimista e sempre apresenta opiniões pejorativas e desnecessárias sobre as pessoas as quais ele se relaciona. Todas as relações do livro carecem de sentimentos mais tridimensionais, e o que encontramos nada mais é do uma unilateralidade sentimental crua que mesmo assim ainda traz peso narrativo mais que significativo.

Nesta obra também nos é apresentado pela primeira vez Quincas Borba que acabará se tornando posteriormente o protagonista do clássico que levará o seu nome e que será considerado o segundo livro da trilogia realista de Machado de Assis.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro considerado por muitos como sendo de difícil leitura. Ele tem uma quantidade absurda de abandonos aqui no Skoob. Lendo algumas resenhas aqui postadas, me deparei com opiniões bem problemáticas (em minha percepção) acerca deste assunto. Quais são os reais motivos de tantos abandonos? Seria uma questão relacionada ao intelecto dos leitores brasileiros ou seria uma questão de incompetência da administração cultural da literatura em nosso país?

Antes de entrar no cerne destas questões, quero reforçar que esta minha leitura não foi inédita. Li este livro pela primeira vez aos 15 anos e odiei. O mesmo me deixou por um tempo traumatizado sobre livros clássicos. Somente com esta releitura e levando em consideração minha atual bagagem de leitura, pude constatar a genialidade de Machado de Assis.

Antes de voltar as questões que levantei anteriormente, preciso reforçar também, que assim como em Vidas Secas de Graciliano Ramos, Memórias Póstumas também possui um capítulo famoso, considerado por críticos literários como sendo uma perfeição narrativa. O famigerado capítulo 7, denominado de "O Delírio", apresenta o encontro do protagonista com a Natureza/Pandora que o indaga sobre qual seria o verdadeiro sentido da vida. É uma passagem bonita, poética e onírica. De fato uma verdadeira perfeição narrativa que resume bem o livro que possui um personagem central que vive sem viver.

Agora vamos retroceder as questões que tanto faço questão de introduzir nesta resenha. Muitos afirmam que tais abandonos são frutos da incapacidade dos leitores brasileiros em assimilarem uma narrativa mais truncada por simplesmente estarem acostumados com livros modinhas como Crepúsculo e livros de autojuda, que muitos afirmam não ser literatura. Quero frisar aqui que li toda a série Crepúsculo e não me envergonho disso. Tais livros foram extremamente importantes para a minha formação como leitor e não só os li como pretendo um dia relê-los. E se você já tentou ler Machado de Assis (por este livro ou por qualquer outro) e não conseguiu e abandonou, não se envergonhe e nem se incomode com isso. Você não é menos leitor do que eu ou do que qualquer outra pessoa. Você apenas não estava preparado(a) para ler este autor neste momento, assim como aconteceu comigo aos 15 anos. Não tem nada a ver com intelecto, tem apenas a ver com o momento certo de ler determinado autor. Não se obriguem a ler nada, a leitura precisa ser um processo agradável e engrandecedor e não algo respaldado pela obrigação. A obrigação literária é que é a grande culpada na questão do distanciando dos jovens em relação a livros clássicos.

Sobre as milhares de críticas que leitores de autoajuda recebem dos pseudo-intelectuais que afirmam que este gênero não é literatura; apenas lhes dou um conselho: "Ignorem estas críticas inúteis." A organização de palavras que resulta em um texto que lhe apresenta algum tipo de conhecimento, reflexão e divertimento, é literatura. Até a bula de remédios é literatura. Não confundam o que é literatura, com o que é texto literário e texto não-literário. Auto-ajuda não é texto literário, mas é sim literatura no seu âmbito mais profundo.

Julgamentos, afirmações, e expressões como sub-literatura e outros termos pejorativos não existem de maneira sólida nos estudos literários. Tais coisas nada mais são do que invenções de leitores que sentem a necessidade de inflamarem seus próprios egos diminuindo outros leitores. Em um país onde o número de leitores é medíocre, tais agressões de leitores para leitores são injustificáveis. Qual o sentido de escrever uma resenha inferiorizando outros leitores levando em consideração seus gostos literários? Na atual situação de nosso país, devemos incentivar a leitura e não desanimar as pessoas a lerem Independente de seus gostos pessoais.

Não tive nenhuma dificuldade em relação ao vocabulário do livro. A única coisa que enxerguei como sendo um possível problema são as diversas referências literárias e menções a pessoas célebres. Mas não se preocupem, as notas de rodapé estão ali para anular este possível empecilho, e portanto, devem ser lidas. Não as evitem!

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro excepcional, com uma narrativa incrível e com uma estrutura sensacional. Apesar de ser um livro genial, ele não deve ser usado como parâmetro intelectual para leitores. Na verdade, nenhum livro é genial à este ponto. Inferiorizar pessoas que não leem clássicos é atitude de quem deseja se reafirmar como intelectual. Muito triste encontrar esse tipo de atitude em uma rede social onde o que deveria prevalecer é o amor pela literatura no geral!
Carol 24/10/2017minha estante
Linda resenha!


JANEREINANDO 24/10/2017minha estante
Parabens! Amei a resenha.?


Pedro 24/10/2017minha estante
Excelente resenha Fernando! Mais do que gostei, principalmente no tocante aos preconceitos literários. Eu também li o livro em questão quando tinha aproximadamente 15 anos e detestei, porém ao ler a sua resenha fiquei com vontade de reler.

Sempre quando estamos lendo nos remetemos a outras leituras, pelo menos eu. Agora estou lendo "Formação do Brasil Contemporâneo" (Caio Prado Jr.) e me espanto com a quantidade de preconceitos explicitamente expostos, principalmente com negros e índios, para se ter ideia o autor escreve o seguinte: "Sabe-se que até hoje os índios de Goiás ainda não estão inteiramente dominados, e formam um dos últimos redutos de índios selvagens do país." (p. 61) e "A comarca do Norte de Goiás sofria duramente da hostilidade dos índios (...) e mesmo parte da outra margem em que se estabeleceram a colonização. As suas incursões se repetiam periodicamente, e não se conseguira, ainda em princípios do século XIX, pacificá-los ou os repelir definitivamente." (p. 61) Esse livro é até hoje considerado como um clássico e lendo as poucas resenhas que dele encontram-se aqui no Skoob é observável uma concordância implícita e explicita (da maioria). Alguns argumentam que é necessário ler sem incorrer em anacronismos, porém uma coisa é uma escrita literária ou etnográfica voltadas para o realismo outra completamente diferente é uma escrita evidentemente pautada no preconceito. Neste ponto acho que é necessário rever algumas das obras que são consideradas como "clássicas", não estou falando de Machado de Assis, pois para tal tipo de julgamento, referente a ele, eu teria de reler.

Sua resenha me fez lembrar muito de quando Paulo Coelho foi indicado para Academia de Letras, choveram críticas. Porém, Paulo Coelho tem uma escrita fluida e agradável, isso não há como negar. Uma escrita acessível. Além dos pseudointelectuais aos quais você se refere, Fernando, eu acrescento também os intelectuais nocivos (que incomodam-se muito quando a população começa a ler e tentam de todas as formas desestimular, pois são temerários de sua "posição"), afinal de contas ninguém começa a ler os livros mais complexos e mesmo que comece por tais é praticamente certo que não irão entender e provavelmente criar uma antipatia pela leitura. Acho que alguns dos livros literários que são leitura obrigatória no ensino médio deveriam ser revistos, pois requerem um maior grau de amadurecimento e carga de leitura. Não precisamos afastar ou desestimular os pouco leitores que temos aqui no Brasil, pelo contrário, necessitamos pensar em formas de aumentar esse número.

Ainda sobre essas questões de preconceito, ontem mesmo eu presenciei uma cena terrível. Estava em uma livraria que também funciona como cafeteria, na cidade que moro (Garanhuns - PE) e um adolescente entrou pedindo dinheiro. Quando ele chegou em uma determinada mesa um "sujeito" falou maios ou menos o seguinte: - "Saia daqui, se não eu vou chamar a polícia para lhe enviar para FUNASE" (antiga FEBEM, que ainda hoje funciona basicamente como uma unidade prisional para menores de idade que lá podem ficar até os 21 anos).
Depois comentou: "- Fica pedindo, depois fica ai. Não vai querer trabalhar. Depois vai pegar e assaltar quem lhe deu esmola."
Em outra mesa tinham dois homens conversando, aparentemente eram religiosos. Conversando sobre teologia, conversando relativamente alto para que as demais pessoas do estabelecimento escutassem sobre sua "erudição", teve momentos em que chegaram até a conversar sobre A cidade de Deus de Agostinho de Hipona. Sabe o que um deles tinha comentado quando o adolescente chegou em sua mesa (foi antes do que eu já contei): - "Você de novo!" e fez uma expressão de reprovação e virou o rosto.
Eu ainda tentei me controla e não falar nada, porém não me contive. Levantei e falei mais ou menos o seguinte: - "Você deveria ter vergonha na cara. Queria ver se teria essa mesma atitude com um político corrupto. São por conta de pessoas com uma mentalidade preconceituosa como a sua que o Brasil encontra-se nesse estado.", para o que falou de chamar a polícia, paguei minha conta e retirei-me.

Sabe, Fernando, não é somente uma questão de que algumas pessoas se acham melhores por estarem lendo um determinado gênero literário em detrimento de outros, é o elitismo preconceituoso entranhado em nossa sociedade, principalmente entre aqueles mais letrados ou que assim se consideram, mesmo sem o ser. Como você mesmo, bem colocou, determinadas leituras são mais complexas que outras, necessitam de mais maturidade, conhecimento e quando vamos treinando (com leituras mais simples) fica mais fácil compreender o mais complexo. E as pessoas que tem um determinando nível de conhecimento têm clara noção disso.

Desculpe-me pela prolixidade e mistura de assuntos, mas sua resenha me remeteu a muita coisa e de certa forma eu estava com isso entalado na garganta.


Fernando Lafaiete 24/10/2017minha estante
Que bom que gostaram da minha resenha. Eu já estou cansado de ver tantas resenhas que reforçam a inferiorização literária. Acho isso um saco e de fato me irrito! Como você mesmo citou Pedro; pior que os leitores que se auto-intitulam intelectuais através de comentários ou resenhas pejorativas; são os reais intelectuais que dão entrevistas ou postam comentários que reforçam estes aspectos desnecessários do mundo literário. Um bom exemplo disso é a aclamada autora Ruth Rocha que afirmou que Harry Potter não é literatura. Fiquei muito surpreso com o fato desta tão bem sucedida autora fazer um comentário tão idiota como esse.

Eu também já passei por situações revoltantes em livrarias. Já fui julgado por pessoas que me consideram inteligente por simplesmente estar na sessão de livros de fantasia. Este é mais uma coisa que as pessoas deturpam... Elas esquecem que inteligência é algo subjetivo e mais uma vez vez eu repito: NÃO tem nada a ver com preferência literária. Mas eu espero que as pessoas parem de ficar julgando os gostos dos outros e passem a se preocupar com coisas mais importantes.

E não se preocupe com comentários prolixos Pedro. Gosto dessas interações e aprendo muito com estes debates nas resenhas!


Junior 24/10/2017minha estante
Machado, Incrível. ??


Fernando Lafaiete 24/10/2017minha estante
Não curte Machado Junior?? Em questão de escrita ele é impecável!!


Junior 25/10/2017minha estante
Amooo nosso eterno Machado.


Fernando Lafaiete 25/10/2017minha estante
Que bom! Espero que o momento dele ser lido chegue pra todo mundo. Porque lê-lo na hora errada pode de fato fazer com que as pessoas peguem raiva do livro e do autor.




Nat 19/10/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Como todos sabem, Machado de Assis é um dos meus escritores preferidos e é muito gratificante poder falar um pouco sobre ele e sobre essa obra incrível que é Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Memórias Póstumas é a obra que inaugura o realismo aqui no Brasil. Primeiro publicada em formato de folhetim, foi publicada como livro em 1881.
“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. Memórias Póstumas tem várias frases que ficaram famosas e essa uma delas, e muitas vezes as pessoas nem sabem do que se trata o livro mas gosta da frase.
Brás Cubas é um aristocrata de classe média que morreu, sem deixar filhos ou qualquer outro grande feito para a sociedade. Depois de morto, ele resolve escrever sua biografia. “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”.
Evidentemente, Memórias Póstumas é um romance não linear, não segue a cronologia normal dos acontecimentos.
Não nos é revelado muito sobre a infância de Brás, além de seu amigo de escola Quincas Borba (que ganhou livro posteriormente) e de ser muito encapetado e atormentar o escravo da família. Ainda jovem, envolve-se com uma prostituta de luxo e acaba por gastar muito dinheiro com ela. Em nenhum momento Brás a chama de prostituta e tem certeza de que ela o amou – “Marcela amou-me por quinze meses e onze contos de réis; nada menos”. Para resolver o problema, seu pai o enviou para Coimbra para cursar faculdade. Ao retornar ao Brasil, vive uma vida de playboyzinho, esbanjando futilidade. Tem mais alguns amores e desamores, mas nada que dure ou que vire casamento. Decide dedicar-se a política e a obras de caridade, sem nenhum talento nem nenhuma paixão. E morre sozinho.
O livro, de uma forma geral, é bem crítico, principalmente em relação aos privilégios da elite da época. Temos dois Brás Cubas: um vivo e um morto. Brás vivo leva uma vida frívola sem se importar com isso. O Brás morto já não tem vergonha de apontar seus defeitos; vê tudo com muito ceticismo, desprezo, critica o próprio ser humano. O Brás morto é muito pessimista em relação à continuidade do ser humano.
Apesar do pessimismo, o texto tem um toque de humor. Por isso, temos que tomar cuidado ao ler para não confundir o humor com aprovação à sociedade. Na verdade, é o contrário.

site: https://www.youtube.com/c/PilhadeLeituradaNat
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Rodrigo Pamplona 06/10/2017

Uma viagem peculiar (Sem Spoilers)
De uma forma ou de outra, Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro que quase todo mundo conhece.

Muita gente leu obrigado na escola.
Muita gente leu porque caiu no vestibular.
E muita gente copiou do coleguinha aqueles resumos literários feitos para estudantes.

Assim, temendo cair na redundância, vou me limitar a dizer que achei este livro genial.
Como um breve resumo, a história é contada sob o ponto de vista de um defunto, o Brás Cubas. Depois de morto, Brás acha interessante partilhar sua vida conosco, os vivos. Para isso, abusa da ironia, do sarcasmo, da análise introspectiva, da crítica social mordaz.

A leitura alça voo já na primeira página, quando, em um lance impactante, Brás dedica o livro como saudosa lembrança ?ao “verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”?. Essa introdução, pra mim, foi tão forte como as primeiras linhas de A Metamorfose, de Kafka, onde Gregor Sansa acorda de sonos intranquilos metamorfoseado em um inseto gigante.

Como bom narrador, Brás Cubas preocupa-se com a recepção de sua obra e escreve um prólogo ao leitor para dizer que é uma “obra de finado”. Daí em diante, o livro segue de forma não-linear, ao sabor das lembranças do defunto narrador. A ironia destaca-se no decorrer da obra e Brás “arrasta” o leitor para seus amores, decepções, viagens, projetos e sonhos. As experiências amorosas, confesso, foram as que mais me interessaram. Brás não tem nada de Casanova, mas certamente sabe como “sweet-talk” ladies.

Então, o que você pode esperar do livro?

- Português difícil. Tenha o celular à mão, pois a pesquisa de palavras vai ser intensa;
- Críticas ferrenhas;
- Humor sagaz, reflexões de vida, um pouco de filosofia;
- Niilismo, romantismo, metalinguagem;
- Diversão, risos, melancolia. Talvez um espanto aqui e ali.

E uma enxurrada de outros sentimentos que, com certeza, vão fazer desse livro uma experiência única pra você. Até então, o que eu tinha lido de mais parecido com Brás Cubas foi “Enquanto Agonizo”, de William Faulkner. E ambos são geniais.

Passagem bonita:

“E assim, reatamos o fio da aventura, como a sultana Scherazade […]. Esse foi, cuido eu, o ponto máximo do nosso amor, o cimo da montanha, donde por algum tempo divisamos os vales de leste e oeste, e por cima de nós o céu tranquilo e azul. Repousado esse tempo, começamos a descer a encosta, com as mãos presas ou soltas, mas a descer, a descer...” (pág. 117)
Oz 07/10/2017minha estante
Legal a resenha. Vou colocar na minha lista para ler. Não dá para deixar de lado um livro que todo mundo gosta e recomenda!


Rodrigo Pamplona 07/10/2017minha estante
Espero que você curta, Oz. Comprei o meu em um sebo por R$ 5,00. Valeu muito a pena.


Oz 07/10/2017minha estante
Pois é, esse é facil achar no sebo. Farei o mesmo!




Geh 05/10/2017

Maravilhoso
O que dizer desse mestre, obra perfeita. Criatividade ao extremo, amo Machado de Assis.
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Vinícius Ferrari 22/09/2017

O legado da nossa miséria
"Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem..."

É uma redundância dizer que Machado de Assis é espetacular. Não me perdoaria se demorasse mais um pouco para lê-lo, e mais, não me perdoarei se em pouco tempo não dissecar toda a sua obra.

Se esse fosse um livro que, de forma fiel, confessasse as fidúcias e ridículos da burguesia nacional daquela época, já seria um livro ótimo. Mas ele é mais que isso. Ele é o retrato do que há de putrefato em cada ser humano. Talvez isso que destaque tanto a obra - a literatura brasileira, até então, não comportava tanta acidez e sarcasmo.
E mais do que isso ainda; o narrador, Brás Cubas, um personagem polêmico que diz muito sobre o que era ser brasileiro naquela época, e talvez, até hoje. Um personagem que tentará conquistar o mundo, e em suas preocupações, não conquistará nada.
As provocações que Machado, através de Brás, faz ao leitor; os pormenores das relações entre os personagens e de suas personalidades; as divagações que não destoam do tom do livro, melhor, apenas complementam ou até mesmo deslocam (por que não? O ser humano não é linear!) os acontecimentos... Enfim, tudo isso mostra como Machado de Assis tinha domínio de nossa língua a fim de marcar a história com seus escritos.

Leitura NECESSÁRIA!
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Naila Soares 10/09/2017

Não-realizações de Brás Cubas
“Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio.”

Publicado em 1881, o livro é narrado por Brás Cubas, um defunto-autor, que nos conta as memórias de sua vida começando pela morte para, então, retornar à infância e seguir a narrativa de forma mais ou menos linear – interrompida somente pelos seus comentários digressivos.

Brás Cubas é um filho abastado da elite brasileira, uma classe frívola, cínica e exibicionista. Machado de Assis esboça em Brás um modelo para representar a sociedade da sua época, não lhe perdoando suas mesquinharias, oportunismo, falsa moral e tudo que constitui o avesso de uma vida socialmente respeitável.

Brás é um charlatão que aspirava a uma supremacia qualquer que fosse. No entanto, o homem representado por Brás Cubas é tão mesquinho e pequeno que canta a glória sem a possuir; não passa de um desocupado que atravessa a vida sem grandes feitos. A força da obra está justamente nessas não-realizações. Nós, leitores, ficamos sempre à espera do desfecho que a narrativa parece prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista.

A extrema franqueza com que nosso defunto-autor expõe e realça a miséria de sua vida e a mediocridade de seu caráter só se faz possível devido à sua condição póstuma; o que torna a ideia do livro genial.

Livro recomendadíssimo! Aqui, Machado é implacável e manifesta todo seu ceticismo e desencanto com a sociedade.
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isa.leitora 02/09/2017

Memórias Póstumas
Excelente interação com o leitor, história interessante e cativante.
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KADU-BASS 23/08/2017

Clássico
Das obras do machado , foi o livro que menos gostei , é um clássico da literatura brasileira . Recomendo pela sua criatividade , possui dialogos muito interessante principalmente com quincas borba, porém peca em alguns trechos ser bem previsivel em seu relacionamento com virgilia .
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Dark @darling.death 19/08/2017

Tempora Murtantun - "Os tempos mudam"
Acredito que já saibam da importância de Machado e de suas obras, irei me ater unicamente ao livro. Só fica o comentário de que é uma fabulosa escrita.

Brás Cubas nos conta sua vida, e nada melhor que ouvir de uma pessoa que já vê a própria vida de fora. Ele está morto, e em detalhes nos conta sobre tudo que presenciou. Ou quase tudo, ele escolhe bem o que contar e o que apenas resumir.

Cubas não é um santo. Mas também não pode ser chamado de canalha completo. Ele tem seus altos e baixos. Mas sem dúvidas há um desvio em seu caráter. De alguém que costuma filosofar e pensar a respeito do que faz, ele pensa na crueldade da morte de uma borboleta, e apesar de a descartar em seguida, não se importa mais com a morte de pessoas próximas.

Dramático,ele ronda atrás de seu amor por virgília, que diz mais sobre seu ego do que sobre sentimentos. Ele vê virgília como uma posse, como uma conquista, e defende seu caso extraconjugal após seu fatídico término.

Apesar de não ser uma vida pobre, é uma vida simples. Ele não realizou nenhuma enormidade, é apenas por contar sua história após a morte nos convence que de fato é uma vida importante. O interessante é a fé nele mesmo que mantém após a morte. Ele sabe, mesmo sem saber, do sucesso que seria seu emplasto, não realizado por fatores obituários.

Seu encerramento é repentino, nos deixando com a impressão de que não é de fato o fim. Ele se descobre falador depois da morte, e ter seu discurso interrompido pelo fim do livro é um tanto ultrajante. Mas um ato necessário, afinal, nada mais justo que a história de sua vida acabe com a sua morte.
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Otávio 01/08/2017

Uma obra prima!
"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas." - Brás Cubas.
Um clássico da literatura brasileira, Machado de Assis consegue fazer algo surpreendente e inovador com a narrativa do seu livro, colocando a narrativa em 1ª pessoa, mas não se submetendo a uma simples narrativa, mas sim a do personagem já falecido.
A forma como Brás Cubas dialoga conosco em certos capítulos torna muito mais viva a experiência ao ler o livro, chega nos fazer sentir estimulado a pesquisar mais, para poder "dialogar" com ele de forma a pelo menos entender o que ele diz.
"A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um pirapote, e adeus".
Vale ressalvar a forma como Machado fez a cronologia do livro, começando pela morte e depois voltando para o nascimento do personagem, pois afinal o autor (Brás Cubas) trata-se de um morto e não uma pessoa viva.
Memórias Póstumas conta a história de Brás Cubas, um homem da elite brasileiro, que em vida não construiu coisas para deixar aos vivos, mas que de certa forma viveu em sua plenitude, conta sua história de forma sincera, como ele mesmo diz não se importa mais com as opiniões, dado que está morto. O enredo conta como ele lidou com sua posição na elite, seus amores, suas vaidades.
Um livro que merece releitura, não somente por se trata de uma obra prima da literatura, mas também, porque necessita disso para que entendamos com mais afinco e absorvamos coisas que não são possíveis absorver somente em uma leitura. Uma obra excepcional que merece entrar na lista de favoritos e 5 estrelas.
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Jaqueline 27/07/2017

Gênio!
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Raio 17/07/2017

Muito bom!
O que não consegui fazer na época de colégio, tentei depois de adulto e valeu muito a pena. A leitura é leve e a forma que o autor usou para contar a história é bem diferente.
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Flora.Viguini 15/07/2017

O livro que me fez amar ainda mais a Literatura
Esse livro é sensacional. Já li quatro vezes. Sou apaixonada por cada detalhe dessa obra. Machado de Assis era um escritor maravilhoso.
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