Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis...




Resenhas - Memórias Póstumas de Brás Cubas


500 encontrados | exibindo 91 a 106
7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |


Michel Duarte 01/07/2017

O maior defeito desse livro és tu leitor.
Edson Victor é especialista em literatura brasileira, seu título foi conquistado defendendo uma análise sociológica da volubilidade do narrador machadiano. Há várias leituras possíveis da obra de Machado de Assis. Edson deixou registrado alguns autores para quem queira esmiuçar mais o assunto: Roberto Schwars, Ronaldes de Melo e Souza, Raymundo Faoro e Alfredo Bossi, Augusto Meyer. Escolheu esse livro por ser um marco na literatura brasileira.

A volubilidade desse narrador machadiano está no Brasil que enfatiza como pano de fundo, um Brasil que luta para ser liberal e ao mesmo tempo alberga a escravidão degradante humana. E também na características de seus personagens, um defunto, Brás Cubas e um alienado, Quincas Borbas.

As críticas sociológicas machadianas ainda estão atuais, o Brasil ainda é contraditório devido a realidade social injusta.

?Para a concepção crítica, o analfabetismo nem é uma ?chaga?, nem uma ?erva daninha? a ser erradicada, mas uma das expressões concretas de uma realidade social injusta.? Paulo Freire

Machado de Assis era mulato é uma das críticas ao seu respeito é que não enfatizou essa questão étnica em sua obra, segundo Edson, Machado escolheu fazer críticas mais gerais da sociedade, dessa forma, ele faz referências e críticas ao modelo escravista e suas consequências sociais, por exemplo: O escravo Prudêncio, que servia a Brás Cubas desde a infância de ambos, era vítima constante da tirania de seu senhor; mas quando cresceu e ganhou a alforria, teve ele mesmo seu escravo, e o tratava com os mesmos requintes de crueldade com que fora tratado.

É um livro realista? Segundo Edson é complicado rotular Memórias Póstumas de Brás Cubas pois ele possui elementos inovadores que perpassa o Realismo no qual é classificado, no entanto, nos diz que Memórias póstumas de Brás Cubas é um recorte da realidade e através dele podemos analisar a sociedade da época.

Nós condutores do programa nos deparamos com um livro ?bagunçado? e com termos difíceis, características que dificultaram a leitura. O próprio Brás Cubas nos responde de modo satírico:

?Mas o livro e? enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contrac?a?o cadave?rica; vi?cio grave, e alia?s i?nfimo, porque o maior defeito deste livro e?s tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narrac?a?o direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo sa?o como os e?brios, guinam a? direita e a? esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameac?am o ce?u, escorregam e caem??

Edson acredita que Machado fez esse livro com um sorriso no rosto. O humor machadiano presentes nesse livro, gracejos bem (ou mal)- humorados são achados que rendem boas risadas. Edson cita Gregório de Matos como exemplo de humor satírico.
comentários(0)comente



Se Livrando 29/06/2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Adoro livros que mostram-se difíceis e/ou chatos e depois tornam-se ótimas leituras. Assim aconteceu com Dom Casmurro e agora com Memórias Póstumas de Brás Cubas, pois se não fosse o primeiro, não teria lido o segundo.
Ao contrário do que normalmente se possa esperar de um livro, não temos um herói e nem mesmo uma aventura. Muito pelo contrário! É um texto monótono.
O protagonista não é nenhum modelo de homem. Invejoso, egoísta, preconceituoso e vaidoso, Brás Cubas nunca deu um dia de trabalho e passou sua vida inteira sem fazer absolutamente nada, algo que o próprio diz nas páginas finais. Ainda assim é interessante ver em alguns momentos a discussão interna acerca do que é certo ou errado e, ilustrando o homem que foi, um ser pequeno, costuma optar pela pior das opções.
A obra em si é incrível. O autor, Machado de Assis, nos mostra como era a sociedade carioca da época (uma sociedade que levava muito em consideração a classe social das pessoas e que aceita, de certa forma, coisas abomináveis como o adultério) e mostra, nesta que é sua primeira grande obra, como era seu pensamento.
Em vários momentos nota-se um desprezo pela escrita romântica, ainda que grande parte do livro conte o amor de Brás por Vigília.

Uma coisa que me incomodou foi o excesso de referências a certos acontecimentos e pessoas notáveis da antiguidade, pois a todo instante tinha que ficar lendo as notas de rodapé e isso tornou a leitura engessada. O incômodo foi maior porque percebi o quanto somos incultos e desconhecemos história, filosofia, etc.

Vale salientar que fiquei extremante encantado pelo capítulo da borboleta preta.

Enfim, Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra fundamental da nossa literatura e deve ser lida. Vale o esforço.

Nota 5/5
Paula 10/07/2017minha estante
Faço das minhas palavras suas, com um adendo: "deve ser lida" por um leitor maduro, experiente, vacinado.




Vitor.Canestraro 25/06/2017

Ao verme, que feliz verme
Estas memórias só pela dedicatória já prendem o leitor de imediato, depois, basta deileitar-se a descobrir a vida de um homem comum e tão real
comentários(0)comente



Veruska 08/06/2017

Da série "Não basta ter lido, tem que reler"
Machado de Assis é um escritor por excelência. Passados mais de cem anos, essa obra continua sublime e inovadora, ao ser narrada sob a perspectiva de um autor defunto (ou um defunto autor?). A história é interessante; a narrativa, envolvente; e as observações são de uma perspicácia que proporcionam uma satisfação só pela análise da construção das frases. Brás Cubas, nada mais tendo mais obrigação perante o mundo terreno, desnuda sua história, de forma limpa é reveladora. Li na adolescência e já não me recordava do seu conteúdo. Trata-se do primeiro livro que reli na vida e valeu cada página.
comentários(0)comente



ThelioFarias 04/06/2017

Clássico delicioso
Machado de Assis é o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro narrado por um defunto e, segundo Machado, defuntos são sinceros. Livro unico e genial. Grande Machado!
comentários(0)comente



ThelioFarias 04/06/2017

Clássico delicioso
Machado de Assis é o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro narrado por um defunto e, segundo Machado, defuntos são sinceros. Livro unico e genial. Grande Machado!
comentários(0)comente



Lara 24/05/2017

''Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas''
É com essa frase que Machado de Assis inaugura a estética realística brasileira. Não me entenda mal, a história é boa e criativa, afinal criatividade é o que não falta em Machado mas apesar de seu tom irônico e pessimista, sua narrativa é arrastada por ser muito detalhada, fazendo com que o leitor perca a linha do raciocínio em diversos momentos da história.
Kal 21/08/2017minha estante
Concordo. Estava procurando alguém que pensasse do mesmo jeito que eu. Já estava me achando sem tato literário. Ainda bem que achei você.




Rafael Cormack 09/05/2017

8/10
Não consigo entender como um livro como esse é dado para crianças. Só traumatiza. Da cronologia não linear à linguagem rebuscada, não é uma leitura fácil.

São tantos detalhes na obra que terminei de ler o livro e não captei tudo, vou ter que reler novamente.

As observações a respeito da sociedade, os preconceitos, o racismo, as não conclusões e principalmente as divagações de Brás Cubas são bem interessantes.

Só achei que ia ter alguma espécie de encerramento a respeito de sua relação com Virginia, mas dado ao fato do autor não ter concluído muitas coisas na vida, fez sentido.
comentários(0)comente



João Luiz 03/05/2017

O defunto Brás Cubas em tom sarcástico e mordaz narra a sua vida. Um dos maiores clássicos da nossa literatura!
André 20/05/2017minha estante
Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas '-'




Mary 30/04/2017

Leia e assista!
O livro tem sim uma linguagem difícil, afinal, estamos falando de um século atrás, mas se você não gostou tanto assim dele, assim como eu, por conta da escrita, recomendo ver o filme depois, pois a opinião muda de algo chato para algo emocionante e cômico!
comentários(0)comente



JARDEL 26/04/2017

BRÁS CUBAS
Livro excelente, fala sobre a própria morte!
comentários(0)comente



Elcio 20/04/2017

Antes tarde...
Demorei muito pra me interessar neste livro.
Excelente do começo ao fim, ainda, de quebra, me fez ficar com vontade de ler Quincas Borba e O Alienista.
comentários(0)comente



Vitoria.Sanches 03/04/2017

Uma história com um tema interessantissimo. O livro nos faz sentir, como se estivéssemos numa conversa com Brás Cubas, os fatos são contados, de acordo com o que ele lembra, como realmente acontece num diálogo. É muito legal "conhecer" uma pessoa do período imperial no brasil, as conversas, o modo de se vestir, falar, como se portavam em relacionamentos, os dialogos, o Português em sí. É muito interessante, pelo menos a mim. Foi uma experiência incrivel, é um ótimo livro pra analisar o ser humano, o Brás Cubas, devido a vida, a criação, foi uma pessoa que a quem lê, causa uma certa admiração, não boa, mas do quanto ele é egoista, e pensa em si mesmo.
comentários(0)comente



wesley.moreiradeandrade 02/04/2017

Na Estante 72: Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
A literatura brasileira não seria a mesma após Memórias Póstumas de Brás Cubas, o livro que inaugurou o Realismo-Naturalismo em nosso país. Dar a voz a um defunto-autor ou autor-defunto não foi a única ousadia do mestre Machado de Assis. O autor de Dom Casmurro poderia muito bem ter caído nas fáceis convenções da escola realista e naturalista vigentes na época, ao contrário, seus trabalhos surgem num patamar acima do que foi produzido pelos seus contemporâneos como Aluísio Azevedo, Adolfo Caminha e Raul Pompeia.
Seu texto nunca recorreu à simples teorização determinista, positivista. Antes de declamar certezas em sua prosa, Machado de Assis prefere a desconfiança e a ironia, o foco é o ser humano no que ele tem de mais contraditório.
Um morto narrando a vida pregressa o faz despir-se de quaisquer compromissos e receios com aqueles que conviveram com ele e Brás Cubas não poupa nem a si próprio nas páginas que tece no além. Criança peralta, jovem esbanjador e preguiçoso, a quem o pai previa um destino glorioso (na Igreja ou na Política), estudante pouco brilhante, adulto afeito à riqueza da família.
Além das inovações formais (o capítulo LV – O velho diálogo de Adão e Eva), momentos oníricos (Capítulo VII – O delírio), Memórias Póstumas de Brás Cubas tem nas digressões bem humoradas a sua principal característica (estilo que permanecerá nos romances posteriores do Bruxo do Cosme Velho) e o diálogo quase frequente do narrador em primeira pessoa com o leitor, aquele que poderia estranhar ou se chocar com algumas das observações feitas ali no romance.
E não podemos esquecer, claro, das personagens. Além do próprio Brás Cubas, temos a prostituta Marcela, primeira grande paixão do protagonista (“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”), Quincas Borba, o louco filósofo e sua crença no Humanistismo (teoria que é uma sátira velada aos ideais naturalistas) e Virgília, que surge como o principal interesse amoroso de Brás Cubas e com quem ela mantém um relacionamento extraconjugal (“Virgília comparou a águia e o pavão, e elegeu a águia, deixando o pavão com o seu espanto, o seu despeito, e três ou quatro beijos que lhe dera.”), mais uma que entra para a galeria das grandes personagens femininas machadianas.
No romance, que mistura em seu subtexto uma observação das relações sociais do Brasil no século XIX (o Brasil escravocrata, o Brasil Império), Machado de Assis aperfeiçoa com primor o projeto de uma literatura brasileira, com personalidade e voz própria, iniciada no Romantismo (principalmente com a obra de José de Alencar), abrindo caminho para tornar-se o nosso autor mais representativo.


site: https://escritoswesleymoreira.blogspot.com.br/2017/04/na-estante-72-memorias-postumas-de-bras.html
comentários(0)comente



Jéssica - Janelas Literárias 31/03/2017

"Não sou um autor defunto, sou um defunto autor", diz Brás Cubas nas primeiras páginas do livro. O ponto de partida absurdo, de um defunto a escrever memórias póstumas, é no mínimo uma provocação ao leitor. Poderia se dizer que é até ultrajante. "Escritas com a pena da galhofa e tinta da melancolia", as mesmórias são marcadas por um tom anedótico que vai desde a dedicatória, em forma de epitáfio, ao seu desfecho.

Brás Cubas é um proprietário de terras, escravista, de pais permissivos desde a infancia, que se formou sem estudar, não trabalha e almeja a vida política. Ou seja, tudo que possui são privilégios concedidos por sua posição social. Todo o enredo é de uma futilidade sem fim, tudo acontece sem empenho do Brás Cubas, tudo é banal e prescinde de preocupação. O romance adulterioso que tem com Virgínia, que é o auge da narrativa, longe dos suspiros romanescos, é um amor sem sal nem profundidade.

Em capítulos curtos, ironicamente intitulados, a obra segue uma lógica na qual todo acontecimento é analisado no capítulo seguinte, quando, com ar científico ou filosófico, Brás Cubas faz as reflexões mais falaciosas possíveis. A lógica joga sempre a seu favor. Ou seja, ele sempre usa um modelo racional, mas altamente subjetivo, para justificar suas escolhas e caracterizar os personagens. Sua petulância é tamanha, ele vence até a própria morte.

Brás Cubas é a ruminação do deboche machadiano às classes dominantes. O autor não somente desnuda a verdadeira face da elite brasileira, tão civilizada por fora quanto podre por dentro, mas representa o Brasil da década do século XIX, por meio de personagens típicos senão da nossa realidade, da nossa identidade cultural, de modo que é impossível não se reconhecer no narrador. Isso nos leva a um olha para si, para as nossas motivações ocultas geralmente camufladas por um manto de moralidade.

Em Machado de Assis tudo é estudado, cada palavras, cada oração. Nada sobra e nada falta. Seu olhar clínico, de observação apurada e refindada sobre o povo brasileiro, pode ser parcialmente justificado pela sua trajetória de vida: um filho de lavadeira que teve a honra de sentar na cadeira do Presidente da Academia de Letras.

Se Memórias Póstumas de Brás Cubas é um divisor de águas para Machado, que passa do romantismo convencional, em terceira pessoa, para uma obra crítica, irônica, que expõe nossas mazelas sociais de maneira nunca antes vista na nossa literatura, será mais ainda um divisor de águas para o leitor.

site: https://www.instagram.com/p/BSUBYI9FubU/?taken-by=janelasliterarias
comentários(0)comente



500 encontrados | exibindo 91 a 106
7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |