Kallocaína

Kallocaína Karin Boye




Resenhas - Kallocaína


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Admeire 19/12/2018

Kallocaína, Karin Boye.
Kallocaína é um livro distópico que foi publicado em 1940, na Suécia, e é considerado um clássico para a literatura do país. A obra retrata um mundo sem data especifica ou localização geográfica, no qual as cidades são nomeadas por aquilo que produzem, acompanhado sempre por uma numeração. Sem individualidade, as pessoas trabalham, vivem e produzem para o Estado, o que elas acreditam ser o bem maior. Todos são controlados pelo Estado, inclusive existem monitoramentos dentro dos quartos e controle de visita, que é feito pelos porteiros dos prédios.

As crianças, após uma certa idade, são envidadas para os chamados infantário, que são centros de educação infantil responsáveis pelo desenvolvimento de habilidades para o uso do Estado. De todas as profissões existentes, a mais assustadora é a do departamento de Serviço de Sacrifício Voluntário, no qual as pessoas desenvolvem a função de cobaias para experimentos científicos e são identificadas por números.

Nesse panorama totalitário, é que o químico Leo Kall desenvolve o soro da verdade, que ele nomeia de Kallocaína. Com o uso do soro, as pessoas falam abertamente sobre o mais íntimo sentimento, sem nenhum pudor ou tentativa de se reprimir. Por meio dos testes com os voluntários, os cientistas compreendem o perigo do pensamento para o sistema e passam a incriminar as pessoas cujo o pensamento seja contrário aos propósitos do Estado.
No decorrer da história, é possível encontrar muitos elementos dos dias atuais, como, por exemplo: a distorção sobre os aspectos geográficos, a manipulação das pessoas por meios das mídias e a recriminação do ato de pensar. Apesar da visão assustadora do futuro, a obra mergulha na profundidade do ser humano, pois, apesar de todo o controle social, ainda há pessoas que percebem que o mundo vai muito além de qualquer tipo de controle, que é possível sonhar, produzir arte e desenvolver o pensamento crítico mesmo em regime totalitário.

Recomendo a leitura da obra, é uma leitura fluída, que não da vontade de parar de ler. Esse é um clássicos que não podemos deixar de lado, principalmente para os amantes de distopia, como eu. Durante a leitura, foi possível encontra vários aspectos que podem ter influenciados outras obras, impossível não notar uma certa semelhança com 1984, de George Orwell.
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Pandora 20/11/2019

Numa época futura, em lugar incerto, os humanos vivem sob um regime rígido e controlador em que o indivíduo não tem importância, a não ser como instrumento do Estado. As casas são monitoradas com câmeras e escutas, os filhos não vivem mais com os pais a partir dos sete anos, conversas privadas devem ter testemunhas e toda e qualquer pessoa deve denunciar movimentos e atitudes suspeitas. Neste mundo vive Leo Kall, um químico que inventa uma espécie de soro da verdade, a kallocaína, com o intuito de obter confissões dos suspeitos mais facilmente.

Como está em fase de testes, Leo tem que recrutar pessoas do Serviço Voluntário de Cobaias Humanas e as revelações que ele passa a escutar neste processo o fazem refletir, uma novidade para um camarada como ele, que sempre se considerara um soldado fiel ao Estado e nunca questionara suas leis.

O mais assustador das distopias é reconhecer o quanto são possíveis e o quanto já se observam em nossas vidas, em maior ou menor grau, vários elementos presentes nelas. Kallocaína foi lançado em 1940 e alguns acreditam que serviu de inspiração para 1984, de George Orwell, de 1949. Já Karin disse ter sido influenciada diretamente por Kafka.

Apesar do tema pesado, a leitura é fluida e a escrita muito agradável. Quando começa o envolvimento de Leo com os voluntários e sabemos de suas condições de vida é que tudo vai ficando mais triste. Cobaias não são nomeadas, são conhecidas por número; sofrem diversas sequelas provocadas pelos experimentos e dificilmente constituem família em razão da natureza de seu trabalho. Em geral parecem ser muito mais velhas do que são, são tristes e melancólicas. Mas o importante é servir ao Estado!

No posfácio, Oscar Nestarez faz um paralelo entre a opressão dos cenários de Kallocaína - os apartamentos, o laboratório, os auditórios, a sede de polícia etc são todos subterrâneos - e a depressão da autora. Karin foi uma poetisa muito aclamada em seu país, a Suécia; além de escrever ela também era desenhista. Quando era universitária, filiou-se ao Claré, um movimento internacional de trabalhadores e transitou entre a social-democracia e o comunismo. Uma visita à Rússia de Stalin provocou nela uma grande decepção, já que era uma idealista fervorosa. Abandonou o comunismo e começou a escrever para periódicos liberais. Depois, em visitas frequentes à Alemanha, ver a ascensão de Hitler só a deixou pior. Não ajudava o fato de que sua vida amorosa era tumultuada: ela teve um casamento com Leif Björck, que era mais uma amizade; Gunnel Bergström deixou seu marido, o poeta Gunnar Ekelöf, por ela; e com Margot Hanel, a quem ela se referia como “minha mulher”, teve um relacionamento de idas e vindas. Apesar de fazer tratamento psicológico, Karin Boye cometeu suicídio aos 40 anos. Margot Hanel se matou um mês depois.

Como disse Boye: "Yes, of course it hurts - Ja visst gör det ont” (seu poema mais famoso: Sim, claro que dói).

Notas: Kallocaína virou minissérie na Suécia em 1981 e serviu de base para o filme americano Equilibrium, de 2002.

Sobre o projeto gráfico - Conforme esclarecimento da Carambaia “... as personagens da narrativa estão continuamente sob o controle de um Estado totalitário, que, apesar de invisível, faz sentir sua presença a cada passo. Esse controle é representado aqui pela figura do olho, que permeia toda a narrativa. A serigrafia com tinta fotoluminescente na capa faz com que o olho continue espiando o leitor (mesmo com a luz apagada), além de remeter ao desejo de Leo Kall de ver o céu estrelado, nesta história praticamente passada nos subterrâneos”.
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Clube Tripas 22/03/2020

[Resenha]
Conteúdo: Jovem/Adulto
Livro: Kallocaína
Autora: Karin Boye
Editora: Carambaia @carambaia
Páginas: 251
Avaliação: Gostei muito (4/5)
Mês: Fevereiro/20
Bibliotecária: Lúcia Mesquita / Indaiatuba-SP

Kallocaína é uma distopia do tipo Admirável mundo novo, ou seja revela um futuro sombrio e assustador. A autora inicialmente, defensora do comunismo desiludiu-se com o sistema, em uma viagem à Rússia em 1928. Ela fez diversas viagens à Alemanha e acompanhou de perto a ascensão de Hitler. Kallocaína surge deste cenário angustiante onde um regime decepciona e o outro assusta...

A história é um relato do cientista Leo Kall que descobre uma espécie de soro da verdade e a sua aplicação aos moradores da Cidade Química número 4, onde todos os espaços são subterrâneos e a licença para subir à superfície é concedida pelo Estado Mundial que exige obediência total do cidadão.

A medida que os testes avançam e os resultados revelam um descontentamento com a situação política, o próprio cientista vai entrando em um conflito interior, questionando valores que acreditava estar firmemente interiorizados, ao mesmo tempo que o Estado tenta controlar até mesmo os pensamentos das pessoas...

Kallocaína foi mais um presente da minha sobrinha Katia @petitchanson, que sempre me presenteia com livros diferentes e que geralmente, eu ainda não conheço e não sabia que queria...

site: https://www.instagram.com/p/B91e64cDNSZ/
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Luana 24/03/2020

Antes do Grande Irmão...
... temos o Estado Mundial e a Kallocaína - droga que finalmente iria permitir ao Estado o domínio sobre o último aspecto da vida do indivíduo que ainda não havia sido desbravado: seus pensamentos. Leo Kall, a princípio orgulhoso de sua descoberta, assim como Bernard Marx, tem em algum lugar de seu âmago aquela sensação que o faz desconfiar de seu superior, que causa tropeços em sua relação com o Estado. Mas, ao contrário deste, ele ama e defende cada aspecto do Estado Mundial, até que as revelações que a Kallocaína traz encontram eco nos seus desejos e sentimentos mais profundos, absolutamente humanos.
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Jadier 08/01/2020

Distopia curta e densa
Lançado oito anos depois de ADMIRÁVEL MUNDO NOVO (Aldous Huxley) e nove anos antes de 1984 (Geroge Orwell), KALLOCAÍNA, escrito pela sueca Karin Boye, veio ao mundo em 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. A escritora, em viagens à União Soviética de Stalin e à Alemanha em plena ascensão do nazismo, acabou por expressar seus mais profundos temores a respeito da supressão do indivíduo nesta distopia, escrita em primeira pessoa, na qual o cientista químico Leo Kall narra parte de sua vida no Estado Mundial. Esta nação apresentada por Boye nos mostra um totalitarismo elevado a enésima potência na qual os cidadãos são perfeitas engrenagens que se anulam em prol do Estado, o qual consideram o ápice da perfeição da convivência social. Claro que todos são doutrinados desde a infância para pensarem assim. O próprio Leo Kall é um "camarada soldado" exemplar e expressa seu desprezo por quem demonstra qualquer tipo de fraqueza moral ou um mínimo questionamento do modus operandi do Estado Mundial. Kall descobre uma fórmula, que batiza com o nome kallocaína, capaz de fazer qualquer um dizer a verdade sem o menor esforço, expondo seus anseios mais íntimos. A descoberta dessa droga pode fazer com que o Estado desbrave a última fronteira do indivíduo: sua mente. Também deve-se levar em consideração a ótima edição da editora Carambaia, cujo capricho já é conhecido por seus leitores.
Sheila Lima 16/01/2020minha estante
Adorei a resenha e o tema.




Rittes 16/01/2020

Admirável mundo
Claramente, esta estranha obra da escritora Karin Boye tem influências de Kafka e Huxley, mas as semelhanças param por aí. Uma distopia angustiantemente sombria e, ouso dizer, visionária, que peca apenas pelo ritmo um pouco lento; embora a leitura flua. Recomendo e daria quatro estrelas. Mas, como vocês verão, é impossível não tirar o chapéu para o incrível projeto editorial da Carambaia..., então, 5 estrelas!! Leiam.
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Giulia Ficarelli 20/05/2020

Sci-fi mais que atual!
Desde o começo do livro, me peguei pensando em ?Admirável Mundo Novo?. Não a toa, o posfácio do livro fala sobre a obra.
Ainda que seja uma ficção, Kallocaína é um livro que debate diversos comportamentos da nossa sociedade.
Muito interessante e uma leitura muito agradável e leve.
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