O Imbecil Coletivo

O Imbecil Coletivo Olavo de Carvalho




Resenhas - O Imbecil Coletivo


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Albuquerque 05/12/2018

Nem um gênio, nem um louco.
Esse é o segundo livro que leio do Olavo de Carvalho e resolvi escrever uma resenha somente após a leitura deste último. O que dizer? Quando se trata do Olavo de Carvalho o que se houve são dois extremos: ou é louvado como um gênio ou depreciado como um lunático. Apesar de minha orientação política à direita tentei ler a obra com o máximo de isenção. Pois bem, cheguei à seguinte conclusão (E tenho certeza que devo desagradar aos dois lados do espectro político): Olavo de Carvalho é muito inteligente, sem dúvida, mas não é nenhum gênio. Em boa parte do livro ele fala coisas triviais, mas que se tornaram tabu por conta do domínio marxista na nossa cultura. Sem dúvida é um cara muito instruído e profundo conhecedor de filosofia, mas há algo na sua maneira de expor seu conhecimento que não me agrada. A estrutura dos dois livros que li, uma sucessão de artigos muitas vezes sem conexão um com o outro, não é o tipo de leitura que me apraz. Gostaria de ler um livro com seu pensamento estruturado em uma sequência mais lógica (alguém, por favor, indique um livro nesse formato). Outro ponto que não me agrada em sua narrativa são as abordagens agressivas, muitas vezes questionando com termos depreciativos seus "adversários". Muitos artigos no livro são contestações a publicações de outros pensadores. O autor parte de um pensamento enunciado por outrem e o critica no seu artigo. E existem casos no livro onde há a tréplica de Olavo ao outro autor, mas não há a publicação da réplica! Ou seja, você fica apenas com a versão do Olavo!
Agora, dizer que é um louco é impossível. Olavo é muito inteligente e entende o mundo como ele é em 80% dos casos, na minha humilde avaliação. É um estilo duro e direto que pode fazer com que os mais sensíveis se afastem, mas não é porque não há "enfeites" que deva ser desconsiderado. Sua leitura do cenário "intelectual" brasileiro está correta, ao meu ver, principalmente no que diz respeito aos jornalistas e "formadores de opinião".
Concluindo, é uma obra importante para o cenário político e cultural brasileiro e deve ser lida por todos os interessados, mesmo os marxistas (principalmente por estes, que ficam alienados em um só tipo de literatura) para que se possa entender um pensamento que está se tornando cada vez mais aceito em nossa sociedade.
Ale Nagado 25/12/2018minha estante
Olá. Gosto muito de acompanhar o Olavo, mas há muitos pontos que me incomodam, e nem é o estilo casca-grossa. Gostaria de recomendar o livro "O Jardim Das Aflições", que inclusive é o favorito do autor. É uma obra bastante densa e abrangente e me arrisquei a escrever uma resenha para o leitor comum, definição na qual me incluo:

https://reflexocultural.blogspot.com/2018/02/o-jardim-das-aflicoes-o-livro.html

Se gostar, em meu blog há outra resenha, abordando o livro "O Mínimo que Você Precisa Saber...":
https://reflexocultural.blogspot.com/2018/02/o-jardim-das-aflicoes-o-livro.html


Albuquerque 26/12/2018minha estante
Obrigado pela indicação Ale Nagado, vou procurar o "Jardim das Aflições" para ler. Vou dar uma olhada na sua resenha no Blog. Um grande abraço!




Marc 31/12/2018

Não há dúvida que Olavo de Carvalho conseguiu o que poucos pensadores e intelectuais conseguiram na história. Suas ideias e discurso foram capazes de mudar o caminho de um país e, talvez, de um continente. Isso é muita coisa e mais do que se pode sonhar. Olavo não defendeu jamais uma revolução, nem uma revolta contra o comunismo. Ele apenas evidencia o que o mundo está se tornando, alertando para que algo seja feito, mas não cai na tentação de dizer como, nem o que se pode fazer. No entanto, mesmo sendo um autor com amplo domínio da filosofia, com textos importantes sobre Aristóteles, Descartes, Eric Voegelin, etc, suas ideias nunca são debatidas. Mesmo seus admiradores terminam se referindo a aspectos de sua personalidade, a polêmicas, ao que há de mais imediato em suas exposições e nunca abordam seu pensamento.

Parece que a despeito de ser um filósofo importante, é mesmo por seu engajamento político que desperta curiosidade. Isso é importante, mas não é tudo. No livro há uma advertência importante, feita mais de uma vez: ele não estava combatendo a ideologia esquerdista, mas a vigarice de “intelectuais” que usavam a ideologia dominante, se especializando em seu vocabulário para galgar posições de poder e se estabelecer como autoridade, imbecilizando o restante do público. Creio que isso é fundamental para o entendimento de suas intenções. E, mais uma vez, lembrando outra ressalva, procura estabelecer a conexão da horrenda situação de nossa inteligência com o quadro universal. Apesar de parecermos isolados do mundo, somos apenas uma tentativa de domínio da sociedade que aparentemente deu mais certo do que em outros lugares, de modo que nos tornamos uma população completamente submissa, incapaz de reconhecer o peso da dominação, diferentemente de outros povos.

Embora não apareça claramente nesse livro, gosto muito do entendimento dele sobre globalismo e sua luta para mostrar para os autores de esquerda de nosso país como estão trabalhando, sem a menor ideia de que o fazem, para o verdadeiro poder de nosso tempo. Depois que a esquerda fizer terra arrasada dos valores ocidentais e destruir a família, o cristianismo, a noção mesma de indivíduo, não restará recurso algum de defesa contra o poder dos globalistas. Isso avança a cada dia e seus alertas, por pura birra ideológica das figurinhas (e de seus seguidores) humilhadas nesse e em outros livros, são ignorados. Há pessoas, que deixaram de ser esquerdistas, que estão cientes dos riscos que o mundo de hoje corre, mas ainda são muito poucos, mesmo capazes de vencer uma eleição.

Olavo me fez ler Platão e Eric Voegelin, isso só para começar. Mudou o rumo de minhas leituras, porque ainda leio Foucault, Deleuze e Marx, mas agora os entendo de modo mais completo, não mais como se trouxessem verdades e a realidade devesse ser convertida no que dizem. Me fez voltar a procurar Deus, numa conversão ao catolicismo que é lenta, mas, acredito, firme. Me fez olhar para a realidade com um olhar completamente diferente do que eu tivera alguns anos antes e isso me proporcionou crescer como indivíduo, deixando para trás uma adolescência que nunca terminava. Não podemos reduzir a obra de um filósofo a mera autoajuda, não se trata disso, mas se aquilo que se lê e estuda não tiver impacto sobre sua personalidade e sua vida, algo está faltando. Olavo não é apenas um pensador político, envolvido em uma luta dificílima contra a gana de poder de alguns; ele é um verdadeiro filósofo capaz de trazer, para quem o lê sem dogmatismos, uma nova compreensão do mundo, ou melhor, resgatar o verdadeiro pensamento, como surgiu, para citar um filósofo de quem ele gosta muito, entre os gregos e os israelenses, como a base do Ocidente. Se você não é capaz de entender que o sentido real da filosofia é caminhar em direção à verdade, é nos libertar de todos os sofistas que se valem de belos discursos para nos submeter a sua vontade e gozar de luxo e prazeres, que nos são negados, você não tem a menor ideia do que é a filosofia. Ainda é a verdade o que liberta, sempre será.

Leia Olavo de Carvalho, deixe de ser uma besta brigando por poder e caminhe em direção ao que realmente importa. Ouse.
Fidel 31/12/2018minha estante
Parabéns caro Marc. Já li várias opiniões e críticas sobre os trabalhos e a pessoa do professor Olavo de Carvalho. Esta é sem sombra de dúvidas, a melhor. Representou bem, à altura da personalidade e da essência intelectual do Olavo.


Marc 31/12/2018minha estante
Obrigado pela leitura e pelo comentário, Fidel.




Deiamolina 02/01/2019

Muito bom para outras referencias de leitura e conhecimento, porém não indicaria.
Talvez eu tenha me equivocado com o tipo de livro, já que eu pensei que seria mais algo contínuo e não vários 'artigos'. Eu já não gostei muito por este motivo, mas daí a culpa é toda minha rs

Eu concordo com muitos dos pontos levantados, mas o que eu não gostei muito foi o fato do autor se julgar muito superior a todas as outras pessoa, num modo geral. Pelo menos foi isso que me pareceu. Ele mesmo crítica alguns outros autores, filósofos, jornalistas e a ideologia de esquerda de não aceitarem criticas e se julgarem superiores sem ser, porém dedica páginas e páginas da edição que eu tenho apenas para críticar quem o criticou. Ora, pessoas pensam diferente e temos que aceitar, nesse caso achei o sujo (o critico que critica quem não gosta de ser criticado) falando do mal lavado (criticando os criticos que os criticaram).

Além de tudo eu detesto pessoas que misturam línguas na escrita. Eu falo inglês fluente, moro fora do país assim como o autor e nem por isso eu fico misturando as línguas ainda mais em um livro focado no Brasil e para brasileiros. Achei extremamente desnecessário até pelo fato de serem termos que seriam facilmente traduzidos - entendo usar termos que não tem traduçao, mas 'last not the least'? 'Rebels without a cause'? Desnecessário na minha opinião e eu acho que isso é parte do espírito de vira lata que ele mesmo comenta.

Eu sei que essa resenha vai contra muitos que idolatram o Olavo de Carvalho e antes de mencionarem que eu sou de esquerda e por isso critico esses pontos, na verdade eu sou de direita também.
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Ale Nagado 27/02/2019

Uma demolidora coletânea de artigos sobre a classe intelectual brasileira
Um dos grandes sucessos editoriais do escritor, professor e filósofo Olavo de Carvalho ganhou uma republicação de respeito no final de 2018. O Imbecil Coletivo - Atualidades Inculturais Brasileiras é um livro que completa uma trilogia iniciada com A Nova Era e a Revolução Cultural: Fritjof Capra e Antonio Gramsci e que teve seu ápice em O Jardim Das Aflições. E, como todos eles, traz a marca literária de Olavo, com elaboradas construções usando uma linguagem sofisticada que permite unir o erudito e o coloquial de modo geralmente brilhante e com um refinado senso de humor.
(Continua no link)

site: https://reflexocultural.blogspot.com/2019/02/o-imbecil-coletivo-de-olavo-de-carvalho.html
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Quim 20/02/2019

O empobrecimento cultural produzido pela Esquerda
Livro extremamente necessário, certamente o melhor livro que li sobre a avaliação político-social do Brasil. Olavo, não deveria ser esse escritor - filosofo ou qualquer que seja a forma de nomear-lo. aonde as pessoas como um todo temem em ler, a leitura desse livro é fluída, portando uma linguagem acessível a qualquer pessoa, penso que, ele teve essa responsabilidade em escrever dessa forma, diferentemente de autores de ensaios de esquerda que em sua maioria brinca com a linguagem para esconder uma tese mal feita.

A avaliação cultural é o que mais me apetece nesse livro que, também tem muitos pontos nos quais discordo totalmente, mas não vou me pautar em destacar-los, pois talvez cause a dúvida se deve ou não ler.

Vou me atar a dois pontos, mas são inúmeros os quais quero dialogar com todos que estiverem dispostos a deixar o conformismo da esquerda de lado.

O primeiro, é sobre o ''preconceito'' como forma de silenciamento. Olavo diz, não importa o quanto sua tese está bem construída, fundamentada, basta te acusar de preconceito para não ter que te responder sobre o tal assunto. Qualquer pessoa que já presenciou ou até mesmo participou de um debate em que se envolve a esquerda, já entendeu que as palavras de ordem, ''racista'' ,''machista'', ''homofóbico'' e por aí vai, são muito usadas após uma tese apresentada, como resposta simplista, e denúncia a falta de capacidade dos interlocutores de resposta. Eu mesmo por exemplo já passei por várias, quando digo que não concordo com a teoria queer, a anulação da biologia, por um sentimento metafísico para se definir como o outro sexo. A partir daí as respostas são: transfobico, transfobico, transfobico. O interlocutor não tem a capacidade de lidar com sua própria emoção e, rebater a tese de forma intelectual.

O segundo, trata-se sobre a literatura na escola, mas vou contemplar a cultura como um todo. Olavo diz que tem muitos escritores que não são aprendidos na escola, na verdade, eu, aluno de escola pública minha vida toda, posso dizer que, jamais um professor pediu leitura de um clássico. Vejo todos esses adolescentes de classe média dizendo: ''Eu li tal livro por que a escola mandou'', as escolas públicas e fundamentação da mentalidade dos professores brasileiros é uma porcaria. Talvez tenha sido esse o maior erro da esquerda, acreditar que o pobre é burro, incapaz de transgredir, aonde a condição socioeconomia, seja uma forma de definição de capacidade intelectual.

O coitadismo, destruiu a educação brasileira, o pobre sempre na posição de oprimido. ''Não podemos dar Machado para eles, coitados, já quase não comem em casa, não vamos pedir muito para esses pobres coitados.'' As vezes penso que deve ser isso que passa na cabeça dos professores e fundamentadores dessas ideologias de baixa cultura. A esquerda interpreta a cultura como mera antropologia, a cultura não é somente o que um povo produz, mas a cultura serve para avaliar o nível de sofisticação de um povo. O nível do Brasil é baixo, por que tratam os brasileiros como patetas em potencial.

Olavo nessa mesma parte diz a importância de se ler Hilda Hilst na escola, ora... mas ele não é conservador? Hilda Hilst é um escândalo. Sim, um escândalo de inteligência e capacidade intelectual, coisa que nenhum desses atuais cronistas da famosa esquerda caviar sonha em chegar, estão fixados em si mesmo e em como são bonzinhos pensando nos pobres e nos miseráveis.

Mais um episódio sobre a atual escola pública, aconteceu com minha irmã, no 5 ano... Ela havia terminado de fazer a tarefa que estava no quadro quando pegou seu livro e estava lendo, quando a diretora, sim, direitora, chegou e começou a GRITAR com ela, ''Menina por que está lendo um livro tão grande? isso não é para você ler!!!!'' seguidamente tomou o livro de suas mãos e levou consigo mesma. A pergunta é o seguinte. Será que essa senhora leu quantos livros em sua formação? Será que seus professores lerão quantos livros em suas formações? E o por que de seu odeio pela leitura e pela cultura?

Os atuais projetos de se educar seus filhos em casa, não me parecem uma má ideia, diante ao tamanho despreparo do estado para consolidar a educação de uma criança.

A leitura do Olavo seria muito bem vinda para o presidente Bolsonaro, um analfabeto, tanto quanto o Lula, um homem sem cultura é um homem sem capacidade de governar o Brasil, e principalmente de ter um projeto de educação para o Brasil. Escola militar pode dar segurança nas salas, mas o mais importante na educação é o conteúdo aprendido.

''Olavo tem razão'', sim, em muitas coisas.
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Alexandre 09/01/2019

Excelente Livro.
O imbecil coletivo representou a fissura na barragem do imaginário intelectual brasileiro, fissura essa que se propagou e hoje toma forma de corpo contraditório, posição crítica que faz companhia agora a uma intelectualidade atrofiada por décadas de solipsismo que converteram o que é alta cultura num espectro medonho carregado de vícios e automatismos caipiras.

O avançar tecnológico monstruoso das últimas décadas foi acompanhado de equivalente queda na produção de alta cultura, este último aspecto foi diagnosticado por diversos intelectuais de todos os espectros ideológicos nas décadas de 80 e 90 do século XX, mas só um teve a disposição de apresentar isso de forma enfática, pelos seguintes motivos: não ter compromisso algum assumido com a sinecura acadêmica, justamente por estar desvinculado desde meio; ter visto de perto a imoralidade de certos agentes no meio cultural.

Olavo de Carvalho apresenta aqui casos que servem de exemplo das consequências geradas pelo declínio qualitativo da intelectualidade. Em "O Jardim das Aflições" são apresentadas as causas numa adaptação para livro mais bem acabada.

Reparei aqui algumas críticas toscas. O autor, ou qualquer um que tenha lido ao menos parte da sua obra diria algo como: "como queria demonstrar"; pois nada mais deselegante e grosseiro, para ser educado, do que criticar uma obra sem ler ou mirar a crítica na pessoa do autor, mantendo uma distância aparentemente segura da crítica de pontos específicos da obra.

As pessoas que vomitam frases feitas são as mesmas que ouvem alguém falar da obra de figuras como Foucault ou Marcuse e tomam aquilo como se fosse produto de uma razão analítica, geométrica, incontestável, e dizem que esses são grandes filósofos, fontes da "verdade". Não concordei integralmente com alguns pontos de "O imbecil coletivo", mas enxerguei consistência na obra como um todo, que traz alguns textos excelentes.

Aquele que tem curiosidade deve seguir em frente e ignorar os críticos que criticam obra sem ler ou não entendem nada do que estão lendo, são bobalhões que vomitam bobagens. O livro contém muitos textos interessantes sim.
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Eduardo Garcia 04/04/2019

Verdade Oculta
Desde a década de 90, Olavo diagnosticou um Brasil com um futuro sombrio, amarrado em corrupção e falsas ideologias, com um estado de direitos e privilégios, onde a conta disso tudo seria cobrada só 20 anos depois. Uma leitura indispensável para quem quer entender o Brasil e sua atual cultura. Amado e odiado, um professor de filosofia que demonstra que a titularidade acadêmica não é necessária na produção de grandes obras e que o autodidatismo engrandece o ser.
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Rodrigo 04/01/2019

Livro Necessário!
Olavo de Carvalho é atemporal, no Imbecil Coletivo os textos são datados da década de 90, mas podem ser lidos, examinados e confrontados com a nossa realidade psico-patológica atual no Brasil. Como o próprio autor diz, o imbecil coletivo trata de um grupo com inteligência média ou até mesmo superior que reúnem-se para imbecilizar uns aos outros, no decorrer do livro Olavo de Carvalho vai fazendo um contra-ponto a cada insanidade e loucura proferida pelos intelectuais orgânicos e midiáticos fabricados pela imprensa. Como disse no título desta resenha, é um livro necessário, uma ótima análise do autor sobre a extensão e gravidade do assunto. ( A histeria psico-patológica dos tempos atuais).
Rodrigo 04/01/2019minha estante
Ps: Durante a leitura podemos ver a estética e estilística do Olavo em seus textos, uma ótima aula para quem quer aprender a escrever melhor em português.




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