Espere agora pelo ano passado

Espere agora pelo ano passado Philip K. Dick




Resenhas - Espere Agora Pelo Ano Passado


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Rodrigo 30/12/2020

É incrível como depois de lermos sobre a vida do PKD, conseguimos identificar aspectos do livro que ele transpôs da sua própria vida. E eu amo também o fato do PKD criar situações extremamente caóticas de scifi mas que é apenas o pano de fundo da história. Em Espere Agora Pelo Ano Passado, o protagonista, Eric Sweetscent, se vê no meio de uma briga política entre raças diferentes, um caos entre universos paralelos causados por uma droga e um dilema de continuar ou não com sua esposa.
Eu amo a escrita e as histórias do PKD, mas consigo identificar também alguns traços de misoginia em suas histórias, acredito que é muito da época também visto que a presença feminina nos livros de scifi da época é praticamente nula e sem profundidade nenhuma.
Todos os aspectos e consequências da viagem no tempo no livro são sensacionais e muito bem desenvolvidos. Enfim, eu gostei bastante desse livro, não é um dos melhores do PKD, mas é muito bem escrito e o final é sensacional.
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Daniel 20/12/2020

Que droga insana!
Espere agora pelo ano passado ? Philip k Dick

Em um futuro não tão distante, a Terra está presa em um acordo de paz com os Starman, e não é a música do David Dowie, o acordo a levou a guerra sem fim. Neste cenário, Dr. Eric Sweetscente, um médico especialista em transplante de órgãos artificiais, com um casamento caótico e uma esposa viciada, está em apuros. Ele foi nomeado médico do secretário-geral da ONU, o homem responsável pelo acordo, pela guerra e com um conjunto de doenças inexplicáveis.

PKD consegue unir elementos aleatórios e traçar com eles uma história, até a metade do livro me perguntava para onde a história sem sentido estava indo, parecia um conjunto de informações jogadas no papel sem um fio condutor, quando PKD puxa o fio, MANO DO CÉU, a história é surreal.

Viagem no tempo, realidades alternativas, possibilidades da mente. É tudo muito insano. O autor debate em uma história as problemáticas das relações pessoas, os impérios industriais familiares, o desejo de poder e eternidade, as escolhas das lideranças políticas e as consequências para o povo, o uso de drogas, a eutanásia e muito mais, tudo de forma conectada. O modo como ele explora a viagem no tempo é singular, não me lembro de ter visto em outro lugar, simples, eficiente e sem fazer o leitor se perder em detalhes técnicos.

O modo como ele desenvolve as personagens femininas é complicado, não sei se é uma sátira, pois todos os personagens são exagerados em suas manias e falhas de caráter, não havendo ninguém bonzinho, a não ser Himmel, um empregado do controle de qualidade descrito com algum tipo de deficiência intelectual. A pessoas ?louca? é a única sã em um mundo insano. Talvez.

Em ?Androides sonham com ovelhas elétricas? tenho a impressão do replicantes terem mais humanidade do que os humanos. Pode ser uma característica do autor, ou uma dificuldade minha em admitir o machismo dele.

Fica a seu critério.

O livro é insano, do jeito que eu gosto!
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Thiago Araujo 30/10/2020

Uma viagem... no tempo...
K. Dick mantém sua forma de narrar perspectivas diferentes de tudo o que conhecemos.

As drogas e seus efeitos virou terreno comum em seus livros, mostrando toda sua posição em relação ao abuso dessas substâncias e no que ela pode transformar o ser humano.

A narrativa começa confusa, precisa encaixar algumas peças importantes, quando pensamos caminhar para um entendimento, abre-se a possibilidade de viajar no tempo, aí volta a confusão.

Viajar no tempo pode ser um mero processo alucinógeno, difícil dizer. Mas as personagens de K. Dick podem explicar um pouco da relação humana com substâncias psicotrópicas e medicinais.

O protagonista é um pouco fraco, mas consegue levar até o fim, apesar de todas as pressões.

Curtir um barato, salvar uma vida, tudo depende do que e de quanto se usa.
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Marj 10/07/2020

Uma boa ficção científica, leitura rápida e interessante. Bons temas de discussão
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Izabel Wagner 06/06/2020

Então ...
"Philip K. Dick é um nome importante quando pensamos na produção literária de ficção científica publicada ao longo do século XX. O autor de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas e O Homem do Castelo Alto conquistou diversos leitores com suas narrativas capazes de questionar a realidade e explorar os limites do conceito de realidade percebida ou modificada. Da mesma forma, ele possui um fascínio pelo consumo de drogas, compostos químicos, alucinógenos e uma vasta gama de elementos que, não podemos ser ingênuos, recebem uma roupagem interessante, curiosa e diversificada em suas histórias, vendendo-se, portanto, como viagens incríveis e únicas. Estas duas características, à sua própria maneira, inserem-se na trama de Espere Agora pelo Ano Passado, mas o diferencial neste enredo, capaz de garantir uma trama ainda mais curiosa e interessante, é a união as viagens ao passado e futuro e a presença de uma guerra com seres alienígenas.

Da mesma maneira com que utiliza elementos semelhantes para a construção de suas narrativas, o autor possuí a capacidade de, na humilde opinião da pessoa que vos escreve, acertar na mesma medida em que comete erros que os leitores da atualidade não devem ignorar, mesmo tratando-se da produção literária de um autor importante para a ficção científica. Ao contrário do que mencionei ao longo da resenha de O Tempo Desconjuntado, este livro apresenta uma quantidade maravilhosa de comentários irônicos, críticos e, por vezes, zombeteiros acerca da situação humana, dos erros que cometemos, das coisas em que acreditamos e de nossas inúmeras falhas de caráter.

Mas, por estarmos falando de Philip K. Dick, encontramos também uma porção considerável de objetificação da figura feminina. Quando tratamos das personagens femininas delineadas ao longo da narrativa, ou estas expõem-se como figuras para agradar os olhares masculinos, ou apresentam-se como personalidades mandonas, vingativas e incapazes de lidar com qualquer problema por si mesmas. Assim o autor encontra a desculpa perfeita para tornar o homem aquele personagem capaz de salvar a mulher indefesa e, como se não bastasse, sair ileso apesar de tudo e todos."

* Trecho da resenha previamente publicada no Estante Diagonal *

site: http://www.estantediagonal.com.br/2019/01/espere-agora-pelo-ano-passado.html
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Paulinha 02/03/2020

Espere agora pelo ano passado
Muito bom.
Confuso, mas com muito potencial.
O final não me agradou, mas não deixa de ser ruim.
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Suyan 02/03/2020

Foi minha primeira experiência com o autor e confesso que ele já me conquistou.
Além de uma ficção científica com tudo que amamos, como guerras intergaláticas, tecnologias incríveis e drogas capazes de viciar em uma única dose e que podem fazer você viajar no tempo, ainda somos tomados pelos problemas cotidianos dos seres humanos, como um casamento que claramente não está dando certo.
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Ster 24/02/2020

Não sei exatamente porque não aproveitei mais esse livro. Achei o começo meio lerdo, uma vez que as coisas demoraram muito para se encaixar e a leitura a fluir. Não fui muito fã dos personagens também, principalmente das mulheres na história. A parte de viagem no tempo me interessou bastante, principalmente como um clássico de ficção científica. E infelizmente, o final não foi 100% satisfatório, apesar de ser bom de qualquer jeito.
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ntayar 09/01/2020

PKD não decepciona
Escrito em 1966, a história se passa em 2055, quando a Terra está numa guerra difícil contra uma outra civilização, e estamos perdendo.
Nesse futuro, a humanidade já explora outros sistemas solares.
A trama tem tudo que é característico em Philip K. Dick: questionamentos sobre a realidade, tecnologias inexistentes na época, drogas (a terrível JJ-180), alucinações (ou não?) e as reviravoltas e revelações típicas de seus livros.
É curioso observar que, embora escrito em 1966, o enredo traz transplante de órgãos sintéticos, máquinas tradutoras, vidfones. Só por curiosidade, o primeiro transplante de órgão sintético aconteceu em 2011, na Suécia. Um paciente com câncer recebeu uma nova traqueia desenvolvida a partir de células tronco do próprio receptor. Hoje temos aplicativos e programas de tradução automática e podemos conversar pelo celular com som e imagem. Achamos tudo isso corriqueiro hoje, mas PKD pensou nessas tecnologias nos anos 60..
Recomendo o livro para os fãs, claro, mas também para os que gostaram das adaptações de PKG para o cinema e que ainda não tiveram a oportunidade de ler seu texto. Alguns leitores dizem que não é o melhor do autor, mas, para mim, é difícil que uma obra desse escritor não prenda a atenção. Nesse livro, por exemplo, o início não é muito interessante. Mas a partir do momento em que Eric conhece Gino e depois da conversa com seu médico particular, o leitor começa a se sentir desafiado: afinal, quem é esse Gino? JJ-180 provoca apenas alucinações ou tudo aquilo é real?
“É dessa maneira que os Estados modernos são administrados. Existem coisas que o eleitorado não sabe, não pode saber, e é para o seu próprio bem”
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Carol | @carolreads 15/10/2019

Espere agora pelo ano passado
Queria saber como funciona a cabeça do Philip K. Dick.

Uma guerra interplanetária está em curso. Dr. Eric Sweetscent é um médico especialista em transplante de órgãos artificiais que trabalha para dois homens muito importantes: Virgil Ackerman, dono de uma empresa que fornece armamentos e Gino Molinari, líder e a única esperança de vitória do planeta Terra. Por estar em contato com figuras tão influentes, Eric e sua esposa são envolvidos em uma grande conspiração política e acabam dependentes de uma droga altamente tóxica e viciante chamada JJ-180.

O que ninguém imaginava era que a droga possui um efeito colateral inusitado: o usuário, apesar de morrer em poucos meses, consegue viajar no tempo e para outras linhas temporais. É aqui que as coisas começam a ficar complicadas.

Apesar da maioria dos viciados em JJ-189 viajar ao passado, existem algumas exceções. Gino Molinari usa a droga para obter vantagens políticas e visita ‘o presente’ de outras linhas temporais e o Dr. Eric visita os futuros possíveis do planeta Terra, usando as informações que consegue para acabar com a guerra, achar a cura da JJ-180 e ajudar sua esposa. .
Como na maioria dos livros do K. Dick, suas mulheres são muito mal desenvolvidas... estão na história apenas para dar chilique e serem sensuais (não vou nem comentar sobre a cidade de Tijuana do livro e o porquê dela ser famosa).

Apesar disso, gostei bastante da história e do ritmo da narrativa, e o fato do Dr. Sweetscent ter priorizado sua vida pessoal me surpreendeu bastante.

E aí, já leram espere agora pelo ano passado? O que acharam?

site: https://www.instagram.com/carolreads
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Luiza 08/05/2019

Espere agora pelo ano passado
Quando falamos sobre ficção científica, sou sobre distopias, é muito provável que o nome Philip K Dick apareça na conversa. E não à toa: ao todo, foram 44 romances e 121 contos (uma média de um romance a cada sete meses e um conto a cada 81 dias, sem parar, por 27 anos).

Se você viu o filme Blade Runner 2049, lançado em 2017, e diz que não conhece o cara, veja bem meu amigo, você conhece sim, pois tanto esse filme quando seu original, o de 1982), foram derivados de seu livro ANDROIDES SONHAM COM OVELHAS ELÉTRICAS?, de 1982.

Na verdade, esta resenha não é sobre Blade Runner, e sim sobre Espere Agora pelo Ano Passado, o primeiro livro de PKD (para os íntimos) que eu tive a oportunidade de ler.

O livro, escrito em 1966, retrata o (agora não muito distante) futuro de 2054, em que a Terra se aliou ao planeta errado durante uma guerra intergaláctica que dura a tanto que nenhum dos dois lados sabe exatamente o motivo de a guerra começar. Neste livro, estamos presos em uma guerra desigual em que tudo o que resta a fazer é tentar perder da forma mais digna possível e sem tantos danos à nossa sociedade (impressão minha ou há algo de familiar nessa frase?)

Pois bem, nosso protagonista é o Dr. Erick Sweetscent, um cirurgião de artificiórgãos (é isso mesmo: ele basicamente ganha a vida substituindo órgãos velhos por novos quando estes entrem em colapso) que trabalha para um dos homens mais influentes do mundo.

Seu trabalho com Virgil Ackerman (que está esbanjando saúde aos 130 e poucos anos) propiciou a Erick tornar-se um dos médicos pessoais de Gino Molinari, o Dique (título dado ao líder máximo do nosso planeta). Só que Molinari é, talvez, o homem mais doente do planeta (quatro tipos diferentes de canceres encabeçam a lista da quantidade de doenças que quase o mataram e dos quais ele foi totalmente curado, fora a quantidade exorbitante de paradas cardíacas).

Confuso? Muito, mas calma que dá pra complicar ainda mais o nó na cabeça:

Erick é casado com Kathy, uma colecionadora de antiguidades que adora jogar na cara dele o quanto ele é passível em relação a ela: foi ela quem conseguiu o atual emprego para ele, foi por causa dela que ele jogou fora sua coleção de programas favoritos, o serviço dela tem mais prestígio e maior salário também (uma mocreia se querem saber), e para piorar ainda, ela é viciada nos mais diversos tipos de drogas.

Em uma trama de espionagem interplanetária, Kathy se vicia em uma droga de efeitos colaterais estranhos e mais viciante do que todas as outras drogas conhecidas em nosso mundo. O trato era que se ela desse a droga para Erick, eles entregariam o antídoto a ela.

E é isso que ela faz, e, por incrível que pareça, é somente ai, lá pelo capítulo cinco ou seis, é que a trama ganha a complexidade que leva o enredo até o final (sim, é muito louco).

O impossível e o inevitável se cruzam e se confundem, o futuro, assim como o presente, são realidades tênues e multifacetadas, capazes de confundir até o mais sensato dos homens (e dos leitores também, diga-se de passagem).

site: http://www.lerparadivertir.com/2018/12/espere-agora-pelo-ano-passado-philip-k.html
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Sandro 27/04/2019

Mais PKD impossível
Uma droga psicodélica que permite viajar pelo tempo, inclusive que a pessoa interaja com suas próprias versões nas realidades paralelas; um casamento neurótico do protagonista com uma esposa castradora e um chefe de estado hipocondríaco e adepto das ~fugas fisiolócias~ ou seja, ficava convenientemente doente e à beira da morte quando a corda arrebentava pro lado dele.
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Paulo 10/03/2019

Este é mais um romance de ficção científica do autor que lida com viagem no tempo. O curioso é sempre imaginar como qualquer romance do Philip K. Dick lida com drogas psicotrópicas. Aqui ele adota um tom bem curioso abordando temáticas políticas e sociológicas que eu não havia visto em outros trabalhos dele. Por essa razão, Espere Agora pelo Ano Passado é um material que vale a pena ler.

A escrita de Dick continua no mesmo tom de outros trabalhos: ele começa apresentando os personagens, depois derruba o nosso chão para em seguida evoluir na estranheza pouco a pouco. Nem sempre os finais são satisfatórios porque o objetivo do autor não se situa no desenvolvimento dos personagens ou sequer no desenrolar da narrativa. Quase sempre Dick se focava na exploração das ilusões causadas pelo uso de drogas psicotrópicas. Diferentes personagens em diferentes situações geravam diferentes resultados. Podemos ver que nenhuma das ilusões que ele criava continham os mesmos elementos: Ubik funcionava naquele universo vintage, Palmer Eldritch ficava nos recantos da mente, Valis explorava ilusões quase reais a partir de uma semi-biografia. A narrativa do livro é em terceira pessoa a partir de dois pontos de vista: a do dr. Sweetscent e até mais ou menos um terço da obra tínhamos trechos focados em Kathy. Depois Kathy desaparece e ficamos só com o protagonista.

A edição da Suma está muito bonita seguindo o padrão estabelecido por O Tempo Desconjuntado. A imagem de capa é bem psicodélica tentando trazer à tona um pouco do que o autor tenta dar vida em suas obras. Ou seja, se trata de uma edição luxuosa, seguindo a ideia de uma coleção com outros volumes programados para 2019 e 2020. A tradução foi feita por Bráulio Tavares, um autor especialista nos escritos do autor, o que já nos garante uma obra que vai atender à mensagem que ele queria dizer. Novamente eu senti falta de algum extra. Uma edição de colecionador tende a ser uma edição definitiva, ou seja, o departamento editorial poderia ter incluído alguma matéria sobre o livro, uma entrevista do Dick ou até mesmo pedido ao Bráulio ou a outro autor ou crítico que curtisse o autor que escrevesse um prefácio. Daria um valor maior ao trabalho.

O dr. Sweetscent é um personagem que eu abomino. Preciso tirar isso do peito logo porque poucas vezes eu detestei tanto um personagem. E o pior é que eu não sei se a ideia do Dick era criar um personagem "odiável". É preciso lembrar que Eric é o protagonista direto da narrativa. Narcisista, egocêntrico, adúltero, machista. Cito mais alguns defeitos? Vou tirar uma das temáticas principais e depois a gente vai trabalhando as outras. A relação entre Eric e Kathy é uma das molas propulsoras da narrativa. Desde o começo vemos que se trata de um casamento de comodidade entre duas pessoas que tinham formas distintas de enxergar um ao outro. Enquanto Kathy parecia de fato amá-lo de coração, Eric só enxergava em sua esposa uma fonte de dinheiro e status. À medida em que a relação deteriorava, ele passou a ter uma atitude de indiferença em relação à sua esposa. O curioso é que Kathy é uma mulher bonita e atraente, mas Eric apenas enxerga outras possibilidades. Logo de cara ele se interessa por Phyllis Ackerman (primeiro capítulo isso) e tem relações extra-conjugais. Mesmo com tudo o que acontece a ele ao longo da narrativa, Eric nunca vai enxergar Kathy como uma parceria, mas como um fardo. Algumas pessoas vão argumentar que no final ele paga pelos seus erros, mas eu não acredito nisso. O personagem não se arrepende de seus atos ou sequer cresce como pessoa a partir daquilo que ele vê acontecer a si mesmo e àqueles ao seu redor.

Gino Molinari aparece como um estrategista político na narrativa. Como diz na sinopse, ele usa sua doença para obter vantagens políticas frente a uma guerra iminente que está para acontecer tendo a Terra como campo de batalha. Neste universo criado por Dick temos duas raças alienígenas interagindo com os seres humano: os Starmen, uma civilização avançada e com objetivos militaristas, sendo os principais aliados dos seres humanos e os reegs, uma raça de seres insetoides com vida efêmera e dificuldade para se comunicar. Os Starmen estão em guerra com os reegs e querem derrotá-los a qualquer custo. Molinari não deseja a guerra, mas ela se apresenta como uma obrigação. Vamos vendo todo o tipo de artimanha política sendo empregada. O legal aqui é como Dick dá uma rasteira no leitor ao dar pistas sobre uma situação quando na verdade o que está acontecendo é algo completamente diferente. Ficamos imaginando Molinari como um homem frágil e excêntrico quando o controle da situação está em suas mãos. Eric é chamado para cuidar dele e vai se questionando se vale ou não a pena curá-lo, já que a doença é parte de sua estratégia política.

A droga JJ-180 acaba sendo empregada mais como um elemento de enredo do que propriamente algo a ser levado a sério. Isso porque as condições de uso da droga se alteram no final. Eu gostaria de ver a droga sendo trabalhada em todos os seus riscos e problemas. Quando ela deixa de ser um vício para se tornar uma ferramenta, ela perde o perigo e o sentido. Mas, eu sempre esqueço que o próprio autor não entende drogas psicotrópicas como um vício, mas como um meio para se atingir uma iluminação.

As personagens femininas são vistas de uma forma muito estranha na história. Mary Reineke é encarada quase como um objeto para lidar com Molinari. A gente sequer conhece muito a seu respeito. Ela é aquela que levanta Molinari do seu estupor. Mas, só isso? A personagem foi praticamente encomendada para estar com o grande líder. Ela é uma italiana brigona... mas, continua a ser só isso? A personagem é unidimensional em tantos níveis que chega a ser agressivo. Quando a Kathy, ela é uma personagem injustiçada e sofrida ao longo da narrativa. A postura liberal e permissiva dela vem da indiferença de Eric em relação a ela. Embora Dick dê pistas de que ela possa ter tido relações fora do casamento, eu não creio porque a gente não tem nada concreto. A relação de Eric e Phyllis e o desejo de Eric por Mary é bem claro... já as situações com Kathy são mais insinuadas. A personagem perde toda a sua agenda quando se vê vítima de drogas e a perseguição dela por Eric acaba se tornando desesperadora ao invés de bela. O único fato redentor à relação dos dois personagens é a conversa franca que eles tem lá no final da narrativa, mas quando chegamos lá a personagem está completamente devastada por tudo o que se passa com ela.

​Espere Agora pelo Ano Passado é uma boa obra de ficção científica com elementos de viagem no tempo. Daria para fazer mais uns comentários sobre Guerra Fria e como o autor enxergava a relação entre EUA e URSS, mas vou deixar para outra matéria. Essa é uma obra também que é o espelho da maneira como os autores de ficção científica encaravam a presença feminina nas narrativas: nula. Por outro lado, as ideias acerca de viagem no tempo (e outra coisa que eu não posso dizer porque seria spoiler) são sensacionais. Demonstra toda a criatividade e inventividade do autor. É uma obra que vale a pena a leitura, dados os devidos cuidados.

site: www.ficcoeshumanas.com
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Kari 11/01/2019

Olá. Tudo bem?
Eu simplesmente curto muito a escrita de Philip K. Dick. Quando vi esse lançamento, fiquei louca de curiosidade.
Bora conferir o que eu achei?

Um enredo que nos trás um futuro com drogas alucinógenas e guerras insanas.. O ano é 2055, onde a terra é comandada pelo secretário geral da ONU, um ditador que não inspira nenhum tipo de segurança ou bondade. Pelo contrário. Uma guerra está evoluindo prestes a se tornar pior. Como? Se tornando interplanetária, ou seja, com outros povos invadindo a terra e tomando tudo, dizimando e etc. Apesar disso tudo, uma nova droga está a disposição e ela tem o poder de unir passado, presente e futuro, fazendo com que a linha do tempo possa ser reescrita da maneira mais conveniente para quem a acessa.

A história é eletrizante do começo ao fim e para aqueles que estão acostumados com a escrita de K. Dick com certeza este será um prato cheio para viajar com tudo nessa história incrível.
Quem não está acostumado, pode achar a história um tanto quanto louca ou estranha.. Mas não desistam! Garanto que o autor é incrível e suas história fantásticas e muito bem ambientadas, delineadas e descritas..

Adoro essa viagem por mundos futurísticos distópicos e com essa pegada de ficção onde ficamos pensando, "e se fosse assim?". Vemos os homens repetirem erros já velhos conhecidos pelos mesmos motivos de sempre: ganância, poder, ira, ódio e etc..
É engraçado como a história, ainda que futurística sempre nos remete ao passado, que parece tão distante e ao presente.. Apesar de estarmos lendo uma ficção, encontramos facilmente, elementos que nos fazem pensar e repensar..

Espero que todos tenham a oportunidade de ler.
Beijos.
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