Vox

Vox Christina Dalcher


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Resenhas - Vox


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Queria Estar Lendo 06/10/2018

Resenha: Vox
O que são 100 palavras em um dia? Nada significante. Algumas frases aleatórias. Pouco mais de um tweet. Imagine que um governo estabelece que você, mulher, não tem o direito de falar mais do que essas 100 palavras por dia - se o fizer, vai ser punida. O tipo de punição que se expande terrivelmente até seu fim. Vox, lançamento da autora Christina Dalcher, é a história sobre um país dominado pela opressão, onde as mulheres foram forçadas a se calar.

Este ARC foi cedido em cortesia pela Editora Arqueiro. As quotes citadas nesta resenha não estão de acordo com a revisão definitiva, então podem mudar na edição final.

Na trama, os Estados Unidos estão sob um governo extremista; conservador e regido pela religião. Desde a vitória desse presidente, o terrorismo corre solto na perseguição aos Direitos Humanos, mas principalmente às mulheres. Subjugadas pela religião, que prega sua inferioridade diante dos homens, foram obrigadas a se calar. 100 palavras por dia é determinado como suficiente para que elas vivam e se comuniquem. Se falarem uma palavra a mais do que isso, as pulseiras presas aos seus corpos disparam choques como punição; não precisam mais trabalhar ou interagir com as pessoas fora de sua casa e de sua família. Não precisam ter uma voz quando significam tão pouco para a ideologia perigosa do governo.

A Dra. Jean McClellan tem experimentado o inferno. Cientista e fonoaudióloga, ela estudou a fala e as palavras durante toda a sua vida para vê-las arrancadas de seu alcance com brutalidade e repressão. Porém, quando Jean é a única capaz de ajudar o presidente em uma tarefa tida como impossível, quando é estendida a ela uma chance de recuperar suas palavras para, quem sabe, fazer desse acontecimento uma tentativa de rebelião,Jean precisa confrontar sua realidade, sua família e o perigo de erguer a voz em um mundo silenciado pela violência e pelo medo.

"Pensem em expressões como "permissão do cônjuge" e "consentimento paterno". Pensem em acordar um dia e descobrir que não têm voz em nada."

Vox foi uma montanha-russa de emoções do início ao fim. Um livro visceral e desesperador, com uma narrativa frenética e equilibrada. É o tipo de história que te faz virar as páginas ansiosamente, curiosidade e medo trilhando os capítulos por vir. Tal como O Conto da Aia, é uma distopia extremamente atual; fala sobre machismo em sua mais vil e "pura" intenção, que é a de rebaixar as mulheres única e exclusivamente por seu gênero. Fala também da tirania contra outras minorias, do quão nociva e mortífera é a ideia de superioridade. De que alguém se coloque acima de todo o resto unicamente por algumas características que os diferenciam.

Os Puros da história são, em sua maioria, homens. São os detentores da voz, os responsáveis por roubar das mulheres sua liberdade, sua presença no mercado de trabalho e no dia-a-dia. São aqueles que olharam para o louco que pregava tais ideias e o consideraram o salvador da pátria.

"Talvez tenha sido isso que aconteceu na Alemanha com os nazistas, na Bósnia com os sérvios, em Ruanda com os hutus. Às vezes eu refletia sobre isso, sobre como crianças podem se transformar em monstros, como aprendem que matar é certo e a opressão é justa, como em uma única geração o mundo pode muar tanto até ficar irreconhecível. É fácil, penso."

O livro também dá uma amostra de mulheres que escolheram acreditar nas pregações da religião e do governo como o discurso mais sensato, a "única saída". Assim como fala sobre o apoio, também fala sobre o arrependimento que cresceu quando o poder chegou às mãos daquele monstro.

"O que as meninas estudam agora? Um pouco de soma e subtração, ver as horas, saber contar o troco. Contar, claro. Devem aprender a contar até cem."

Parece familiar? A gente conhece, através da História, o poder de um discurso extremista. Vimos o que o nazismo fez com o mundo - o que ainda faz -, as marcas que a Ditadura Militar deixou em nosso país. Vox nada mais é do que um retrato da atualidade; não me surpreenderia nada ver um candidato subindo ao palco e clamando que as mulheres devem ser caladas. Não me surpreenderia nada uma multidão louvando sua candidatura.

Quanto mais próxima da realidade que vivemos, mais assustadora é uma distopia. A leitura de Vox me deu angústia, me deu raiva, me deu vontade de sair gritando 101 palavras, 201, 301 palavras só para ter certeza de que elas ainda me pertenciam. Ler a jornada da Dra. Jean foi uma experiência revoltante e esperançosa; saber seus pensamentos e seu desejo de liberdade, ler seus pequenos atos de rebelião ascendendo a coisas mais notáveis foi aquela faísca de esperança sempre tão presente e necessária em histórias desse tipo.

"- Tenha cuidado, querida. Você tem muito mais a perder do que sua voz."

Achei Jean uma protagonista sensata e coesa. Madura e bem desenvolvida. É uma cidadã que, num passado, foi apática à política e ao chamado à luta das feministas e agora vê a consequência do seu silêncio. É uma sobrevivente da opressão e da tirania. Uma guerreira que riu e se deliciou ao ver que a única esperança do homem que tirou sua voz estava em suas mãos. Uma mãe. Uma filha. Uma cientista. Uma mulher.

Sua relação com o marido, Patrick - uma figura sensata, mas cautelosa dentro do cenário político em que vivem - é pautada em um misto de revolta pelo silêncio dele e compreensão pelo cuidado. A relação dela com o cientista Lorenzo foi mais interessante, mas acho que eu estava tão fisgada pela trama política e revolucionária que acabei não me ligando tanto à parte amorosa da história. A familiar prendeu mais minha atenção.

"A insensatez dos homens sempre foi tolerada."

Jane tem três filhos; Steven, o mais velho. Os gêmeos, mais apagados dentro da trama. E Sonia, sua caçula - já punida com a presença da pulseira de choque. Com Steven, os embates são revoltantes. Com Sonia, são desesperadores. Jane confronta vários lados das ideologias extremistas e da doutrinação religiosa que vêm crescendo no país. Steven, um peão das ideias absurdas, me fez revirar os olhos e querer gritar em dezenas de cenas. É o retrato de como se constrói um fascista. Como se faz acreditar que ideais de supremacia são corretos.

Sonia, por outro lado, é a vítima em todo seu cerne. Uma criança que não vê o terror, vendada para a parte ruim de todo aquele cenário, doutrinada a segui-lo à risca para ser recompensada. Se não falar, pode ganhar um sorvete. Se ficar quieta durante todo o dia, vai ser a melhor aluna da turma - o fato de Jane temer pelo que a tortura física faria pela filha bate de frente com o medo de vê-la subjugada pelo sistema.

Além dos filhos, Jane tem grandes momentos de flashbacks, voltando a tempos onde ainda havia liberdade e voz, onde escolheu não ouvir Jackie, sua melhor amiga, ativista feminista, a respeito das atrocidades que o candidato à presidência vinha espalhando. É bastante interessante como a Jane oprimida encara a que desconhecia a opressão; como ela se vê ingênua e cega a coisas que agora são tão óbvias. Como escolheu fechar os olhos a fazer alguma coisa para mudar uma possibilidade - possibilidade essa que agora é a realidade e seu maior pesadelo. Como batia de frente com a Jackie em relação aos protestos e às críticas diárias e como percebeu, da pior maneira, o quanto sua amiga tinha razão.

"- Honestamente, Jacko... Você está ficando histérica.
- Bom, alguém precisa ficar histérica por aqui."

Eu poderia me estender muito mais a respeito dessa história, mas parte da grandiosidade de Vox está no meio do livro. Nas reviravoltas mais do que inesperadas, dos caminhos obscuros e questionadores que a obra toma. Todo o desenvolvimento de Jane em relação ao pedido do presidente e dos rumos que sua aceitação a levam são grandiosos e chocantes.

Uma única ressalva sobre o livro, para mim, fica com o final. Acho que 90% da história estava indo muito bem, mas aqueles 10% do fim soaram um pouco... distantes. A ideia que uma parte da trama me vendeu não batia com o que estava sendo entregue. Não é ruim, longe disso. É conciso e carregado em adrenalina e faz com que você não consiga respirar até entender o que vai acontecer. Aos meus olhos, no entanto, não me convenceu por completo.

A Editora Arqueiro deu um salto grandioso e empoderador ao trazer esse livro para cá e eu só posso agradecê-los e garantir que vou indicar Vox para todo mundo.

"Todas aquelas casas são pequenas prisões, penso, e dentro delas existem celas na forma de cozinhas, lavanderias e quartos."

Vox é uma história sobre as mulheres. As sobreviventes de uma tirania. As vozes forçadas a se calar que encontraram outros meios para se fazer ouvir. É um livro poderoso, inestimável e extremamente necessário nos tempos sombrios que estamos vivenciando; onde a força da voz de um opressor é e sempre vai ser calada pelo grito de milhões de mulheres.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/10/resenha-vox.html
Barbara 12/10/2018minha estante
Que resenha maravilhosa, estou louca pra ler esse livro.


Tamara 21/10/2018minha estante
Resenha maravilhosa




Cheiro de Livro 16/10/2018

VOX
Imagine um país no qual o presidente eleito “prega” um movimento “puritano”.

Imagine que uma das ações desse presidente é abolir a voz feminina por meio da força.

Imagine que apenas em um ano, mulheres de todas as idades (incluindo crianças) não podem falar mais de 100 palavras por dia (sendo que a média diária é de 16 mil). E caso alguma desobedeça e fale a centésima primeira, ela receberá um violento choque elétrico vindo de um contador fixo no seu pulso.

Imagine que mulheres não podem mais trabalhar, ler, escrever, falar e que leis igualmente bárbaras também são aplicadas contra homossexuais (todos os gêneros) e para quem pratica sexo antes do casamento ou comete adultério (mas, nesses dois últimos casos, só a mulher é punida).

Infelizmente, dada a atual situação no nosso país, essa “imaginação” está próxima demais da realidade para ficarmos confortáveis, para virarmos a última página e passar para o próximo livro. É revoltante, angustiante e aterrorizante. Mas, como o livro mesmo diz, sempre há uma resistência.

“VOX” (escrito por Christina Dalcher e traduzido por Alves Calado) é narrado em primeira pessoa pela Dra. Jean McClellan. Durante o livro, ouvimos sua atual situação quase muda, mas também ouvimos seus pensamentos, vimos suas lembranças e sentimos sua revolta. “VOX” é uma distopia que trata de temas encontrados em nosso dia a dia, como o valor inestimável do nosso direito à liberdade de expressão, de ir e vir, de liberdade ponto!

É impossível não se revoltar com a situação de Jean até porque estamos muito, muito próximas dela. Me identifiquei muito com uma parte do livro na qual Jean lembra de que sua amiga a avisava que algo assim poderia acontecer, mas ela não acreditava e, em alguns momentos, não exercia o voto durante eleições governamentais.

Quantas de nós já não nos sentimos assim? Quantas vezes ficamos em casa por preguiça ou falta de convicção quando nossas amigas, irmãs, se uniam na rua para gritar por justiça? Quantas vezes anulamos o nosso voto ou votamos em branco (ou até justificamos) porque achávamos que não daria em nada? Mas tudo isso foi uma opção nossa, opção essa que nos foi tomada à força (no livro).

Assim como “O Conto da Aia”, “VOX” é atual, revoltante e necessário principalmente em um momento no qual não podemos nos deixar silenciar.

Curiosidade: Esse livro é muito importante pra mim porque foi a minha primeira contratação na Editora Arqueiro quando passei a trabalhar lá, em fevereiro deste ano. Essa resenha é obviamente positiva não porque trabalho na mesma editora do livro ou porque estive envolvida na publicação do mesmo por aqui, mas porque ele me inflamou e acho que vai te inflamar também. Independente do que aconteça após as eleições, o que importa é nunca se calar. Nunca!

Já leu “VOX”? Quer ler? Conta aí nos comentários. Aqui não tem limite de 100 palavras.

site: http://cheirodelivro.com/vox/
Ronnayse 16/10/2018minha estante
Agora to querendo muuuuuito ler!


Tamara 21/10/2018minha estante
Estou na metade da leitura e em alguns momentos tenho vontade de chorar, de gritar, de me encolher em um cantinho de tanto medo, porque coisas que são ditas, principalmente em relação as minorias, me lembra tanto o momento atual que dá um embrulho forte no estômago. Leitura realista, necessária e angustiante.




Michelle Trevisani 23/11/2018

QUE LIVRO FODA!
Háaaaaaaaaaaaaaaa!!!!! Háaaaaaaaaaaaaaa!!!! Eu tô BERRANDO MESMO!!!! Porque depois que você terminar de ler esse livro, você vai ficar com a mesma sensação! VOCÊ VAI QUERER GRITAR TODAS AS PALAVRAS POSSÍVEIS QUE CONSEGUIR - ainda mais se você for uma mulher.

Vamos falar de uma das distopias que entraram para a lista de livros favoritos desse ano? SIMMMM! Eu super, hiper amei essa leitura! Um livro muito, muito necessário gente. Um livro para nos fazer abrir os olhos - e a boca. Mandar uma indicação de leitura para os quatro cantos dessa terra.

Como esse livro é uma distopia, vai nos mostrar um cenário pessimista de um futuro não muito distante. Parece que o novo presidente dos EUA não é um cara que bate lá muito bem da cabeça. Ele foi eleito através do voto, e seus ideias são totalmente conservadores e até delirantes. Mas se o cara tá lá no poder é porque muita gente pensa igual a ele e o elegeu. O problema é que esse tirano lentamente foi criando umas leis bem absurdas, como por exemplo colocar uma pulseira em todas as mulheres do país limitando-as a falar apenas 100 palavras por dia. Se uma mulher ousar falar mais do que estas 100 palavras, a pulseira automaticamente começa a emitir ondas de choque. Logo os choques ficam tão intensos que a portadora da pulseira não sobrevive.

As mulheres também perderam seus empregos. E nenhuma delas tem passaporte mais, para viajar para o exterior. Elas foram renegadas, caladas e exiladas dentro de suas casas. Estão ensinando na escola de uma forma distorcida nas aulas de religiões que a mulher deve obedecer ao homem. Que o homem é o centro de tudo e que as mulheres foram criadas para servi-los.

Falando assim parece algo quase impossível de voltar a acontecer não é mesmo? Foi o que a Dra Jean também pensou. Mas aconteceu. E a grande verdade foi que aconteceu porque muitos e muitas assistiram essas mudanças calados, sem lutarem pelos seus direitos. Agora as mulheres olham uma contagem de 100 palavras em uma pulseira, guardando as mais preciosas para o final do dia para que possam trocá-las durante o jantar.

Jean assistiu tudo isso calada. E ainda sente medo e não sabe o que fazer a respeito. Seu marido também parece aceitar passivo tudo o que acontece ao redor. Mas Jean tem filhos. Três meninos e uma menina. E é por essa filha que ela vai lutar. É doloroso demais ver a menina crescer sem poder se expressar, sem poder ter voz ativa. Jean não pode nem contar para menina uma história de ninar, antes de dormir.

Leia o restante da resenha no meu blog >> LIVRO DOCE LIVRO

site: https://meulivrodocelivro.blogspot.com/2018/11/resenha-vox-de-christina-dalcher.html
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Taynara Lima / @limataynara 01/11/2018

Para sair da caixinha!
Vox
Autora: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Nota: 4,5/5
Classificação: +18

Já imaginou perder sua voz?

Vox nos traz a triste realidade da Dra. Jean McClellan, uma neurocientista super respeitada que de uma hora para outra (ou nem tanto) se vê silenciada pelo governo ao perder tudo o que ela tinha.

As mulheres no governo atual não podem trabalhar, ter celulares, nem e-mail e até a correspondência agora é somente direcionada ao marido.

Entre a narração da vida atual de Jean, nós também temos um pouco da época em que ela era universitária e tinha uma amiga superativa politicamente. Jackie é constantemente lembrada por Jean por sempre cobrar dela uma posição e enquanto ela sempre declinava dizendo ter outras coisas para fazer e inventando desculpas qualquer. Para Jackie, as mulheres perderam a voz dentro da sociedade era uma questão de tempo e ela vinha lutando durante anos para que alguma coisa fosse feita.

Mas né, Jean sempre achou o ativismo político de Jackie exagerado, o que acabou causando o afastamento delas e Jean pagou pra ver e acabou vendo.

O novo presidente começou a mudar todas as coisas. Agora as mulheres viviam para o lar, os maridos saiam para trabalhar enquanto as esposas cuidavam da casa, assavam bolos e cuidavam das crianças. Os meninos na escola aprendiam além das matérias comuns, teologia e meio que sofriam uma “lavagem cerebral” tendo princípios bíblicos distorcidos para que se adequassem na sociedade atual.
Já as meninas, aprendiam um pouco de matemática (nada muito difícil) somente o necessário para conseguirem contar o troco quando fossem fazer as compras da casa, além de terem aulas de costura e culinária.

Todas as mulheres, inclusive as crianças (do sexo feminino) usavam uma pulseira que lhes dava 100 palavras por dia, uma forma de discipliná-las a falar somente o necessário e a deixar que o marido conduzisse a família como a “cabeça”, que segundo a doutrina religiosa que agora era a constituição americana, era o que o homem representava. Ultrapassando esse número, a mulher recebia uma carga de choque que poderia leva-la a morte.

Durante toda a história Jean reflete sobre sua omissão lá atrás sobre deixar de votar, de protestar, de se posicionar quando ela tinha voz. Isso mesclando com a sua vida atual e a sua busca de resistir, mesmo sabendo que não tinha voz alguma para isso.

Bom, o que acontece é que a Jean é uma neurocientista foda pra caramba e o governo precisava dela para achar a cura para a “Afasia de Wernicke” que é um distúrbio de linguagem oral em que a pessoa afetada não consegue mais falar de forma clara. E antes de tudo acontecer, Jean estudava uma forma de criar antídotos para reverter o distúrbio e agora o governo precisa de Jean para conseguir.

Jean tem algo que eles querem e ela acha uma brecha para começar a fazer um barulho. Será que ela enfim encontrou sua voz?

O livro tem ótima premissa e traz temas bastante atuais onde falamos sobre a posição das mulheres na sociedade, ótimo para sair da caixinha.

Se você assistiu The Handmaid’s Tale ou leu O conto da Aia, com certeza vai gostar.

site: @limataynara
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GETTUB 10/01/2019

http://gettub.com.br/2019/01/10/vox/
Incentivado por um fanático religioso, a população dos EUA elegem um presidente de extrema direita conservadora, que muda de forma totalitária a sociedade do país. Como sua principal medida, ele obriga as mulheres a portarem uma pulseira que as obriga a proferir apenas 100 palavras por dia. Caso excedam esse número, recebem choques no pulso a cada 10 palavras a mais.


A Dra. Jean McClean é uma neurolinguista especializada e com estudos avançados em Afasia de Wernicke, que é uma alteração na linguagem oral e escrita, tornando a comunicação sem muita precisão, que é ocasionada por uma lesão neurológica. Pode ser causado por um transtorno primário (inflamação no conduto auditivo interno), lesão neurológica em decorrências de traumatismo crânio encefálico e/ou problema vasculares como acidente vascular encefálico. Quando o irmão do presidente sofre um acidente que lhe impede a expressão de palavras como símbolos de pensamentos, ou seja, a Afasia de Wernicke, o presidente e o reverendo pedem auxílio à Dra. McClean. Então, ela inicia um plano para conseguir depor esse governo e voltar com a liberdade para o país.

VOX é uma versão simplista, mais leve, mais fantasiosa, direcionada para um público mais jovem, de O CONTO DA AIA, de Margaret Atwood. Existem vários elementos na obra de Christina Dalcher que remetem ao de Atwood, principalmente no primeiro um terço do livro. O discurso de intolerância, a vigilância do governo, a violência no tratamento das mulheres, a desconfiança dentro do lar de cada família, a passividade dos homens, a paranóia de ser denunciado por qualquer deslize, os sequestros à luz do dia sem qualquer explicação, as prisões distantes para mulheres ou pessoas contrárias ao governo, entre outros detalhes. Tudo causa o mesmo tipo de revolta que você sente ao ler a obra de Atwood. E mesmo sendo uma cópia das ideias, tudo é muito bom e surte um efeito de raiva no leitor que o faz ter vontade de fazer algo para ajudar.

Jean é a personagem principal e é a narradora, intercalando os capítulos curtos entre o presente e o passado, exatamente como acontece em O CONTO DA AIA. A grande diferença dessa primeira parte, é que o tom da história é amenizado. Jean mora com seu marido, Patrick, um assessor direto do presidente, e seus quatro filhos, uma menina e três meninos. Apesar do regime ditatorial, ela pode andar pelas ruas, pode fazer compras, pode conviver com a família, pode se comunicar com os pais que moram na Europa. É um regime menos fechado, mesmo que intolerante. Quem leu O CONTO DA AIA, sabe que todo o livro é muito pesado, com trechos de estupro, de abandono familiar, com limitações até para se andar na rua, e onde a família das aias é dispersada ou presa. Mas como disse, mesmo assim, a narrativa é eficiente e importante na mensagem que entrega. Afinal, nos últimos anos, vimos dois governos de extrema direita emergirem: um nos EUA, e outro aqui mesmo no Brasil. E o discurso de ambos, bem como nos dois livros referidos acima, é muito semelhante, praticamente igual. A diferença é que ainda não aconteceu a supressão da liberdade, dos direitos civis. Pelo menos por enquanto.

Nesse primeiro um terço de VOX, existe um embate que consegue fazer o leitor mais calmo ter vontade de socar um determinado personagem. No caso, Steven, o filho adolescente de Jean. Ele é o personagem que representa os jovens que sofrem lavagem cerebral pelos discursos de ódio e fogem da racionalidade. Ele acha que as mulheres, realmente, devem ser controladas, que o país está melhor dessa forma, que a paz é conseguida assim, com uma mão de ferro, independentemente que isso signifique uma prisão verbal. Os diálogos entre Steve e Jean são contundentes, importantes, e demonstram como é fácil corromper um jovem mais imaturo, que não tem vivência, que viveu sempre sob as asas de pais ausentes por causa da falta de tempo.

Ainda nessa primeira parte, o relacionamento de Jean com Patrick também é muito importante. Ele demonstra carinho com a esposa, mas é óbvio o afastamento dos dois devido à situação do país e das mulheres. O comportamento de Patrick, apesar dele não poder fazer nada para mudar a situação, é passivo de certa forma, e isso, somado ao fato dele frequentar a Casa Branca, faz crescer em Jean uma repulsa e um ódio que, embora não seja culpa dele, é direcionado para ele. Mesmo sem querer, ela deseja que ele seja mais revoltado com a situação, que não se habitue a ela, apenas por ser homem e por não sofrer represálias ou ter sua voz silenciada. Ela quer que ele grite as palavras que ela não pode dizer. Apesar dela saber que isso só o faria perder o emprego e ser preso.

Entretanto, toda essa qualidade desaparece no segundo terço da obra, e despenca completamente na sua conclusão. Quando Jean é “convidada” a fazer parte da equipe médica e científica que irá procurar uma cura para a Afasia de Wernicke, e assim salvar o irmão do presidente, o tom do livro muda drasticamente. A discussão sobre a supressão de liberdade é praticamente abandonada, e a narrativa se concentra entre o relacionamento extraconjugal de Jean com um outro cientista italiano, enquanto ela investiga atos suspeitos do governo, que indicam que existem outras equipes em busca de algo mais eficiente do que as pulseiras.

O romance de Jean com Lorenzo, o tal cientista italiano, é deslocado e desvia totalmente a atenção do enredo principal. Em certos momentos, a sensação que me passou, é de estar lendo um Young Adult leve ao invés de uma distopia calcada na luta contra o machismo, a opressão e o totalitarismo religioso. Pior que isso: ele acaba transformando Jean de uma mulher revoltada pela situação que ela e a filha mais nova vivem, impedidas de falar, de serem livres, para uma mulher rancorosa, que coloca em risco sua família, ela mesma, os amigos cientistas, e tudo que ela tem, para ter uma relação com um homem bonito. É a tal mania de colocar personagens femininas dependendo da presença de alguém do sexo masculino para se sentirem mais mulheres. Beira o ridículo.

Entretanto, nessa segunda parte tem uma pequena parte que precisa ser mencionada, porque é a única parte que se salva: Steven, o filho de Jean, faz algo que prejudica um outro personagem, e isso faz com que ele perceba como o regime é intolerante e violento, mudando sua linha de pensamento e conseguindo perceber o absurdo da realidade que a mãe, a irmã mais nova e todas as mulheres são obrigadas a viver. É uma parte tocante e que consegue salvar o personagem.

Já na sua conclusão, a autora opta por algo que, mesmo com supressão de descrença, fica difícil, muito difícil de acreditar. A solução para tudo é absurda, totalmente impossível de acontecer. Não porque o que acontece não pudesse ser realizado, mas porque o resultado do que ela faz, jamais surtiria o efeito que o livro descreve. Uma regime totalitário não é mantido por uma, duas, ou uma dúzia de pessoas, mas por líderes e uma massa que compartilham as mesmas ideias, as mesmas convicções. Todos os ditadores mundiais possuíam seguidores tão loucos quanto eles.

Mas nem foi isso que me incomodou mais. E a seguir eu preciso comentar sobre isso, o que é um SPOILER. Então só leia o restante deste parágrafo se já tiver lido o livro. O que me incomodou, é que no final, a autora mostra que Patrick, na verdade, não era um homem passivo, ele fazia, secretamente, parte de uma resistência que cujos membros lutavam e morriam para conseguirem depor o atual governo. Inclusive, ele perdoa Jean pela traição com Lorenzo, ele demonstra sua virtude e seu amor pela esposa. E se sacrifica para que ela, e todas as mulheres, sejam livres. E Jean aceita isso e fica feliz ao lado de Lorenzo. Ou seja, a autora não só coloca a salvação nas mãos de um homem, que se mostra moralmente melhor que a mulher, como transforma a sua personagem feminina em alguém que trai sem remorso, e que não é a responsável direta por sua liberdade.

VOX possui uma mensagem importante sobre liberdade e supressão da liberdade, sobre totalitarismo, sobre machismo, sobre empoderamento feminino, sobre extremismo religioso, mas apenas em sua parte inicial. Depois, infelizmente, a história se perde conceitualmente e corrompe o que deveria transmitir. É uma pena. Mesmo assim, recomendo a leitura, porque essa parte inicial é muito boa e muito importante. Ainda mais no atual governo brasileiro.

site: http://gettub.com.br/2019/01/10/vox/
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Letícia 02/10/2018

E se você fosse obrigada a perder sua voz?
Imagina que você fosse obrigada a falar diariamente apenas 100 palavras. Adeus dar bom dia para o porteiro, motorista do ônibus ou até para desconhecidos. Adeus cantar no chuveiro. Adeus falar sozinha. Tendo apenas 100 palavras por dia você deve escolhê-las muito bem, você já contou quantas palavras você fala por dia? Eu fiz isso durante a leitura do livro e percebi que ficaria louca se só tivesse 100 palavras por dia. Essa é a premissa da distopia criada pela Christina Dalcher, ‘Vox’ é a leitura ideal para o nosso tempo, faz a gente pensar, nos tira do nosso lugar de conforto e principalmente faz um alerta quanto ao perigo de fundamentalismo e conservadorismo exacerbado envolvidos na política.

Geralmente distopias têm como característica ser num futuro distante onde algumas vezes a Terra passou por desastres ambientais, por culpa dos humanos ou não, houve um ataque alienígena ou até mesmo golpe político, mas tudo isso sempre num futuro distante, bem essa é a primeira diferença de ‘Vox’, no livro as coisas não acontecem num futuro distante, acontecem amanhã e muito rápido as pessoas se veem numa situação da qual não podem fugir. A segunda característica que diferencia este livro as últimas distopias já publicadas é a protagonista, ela é uma mulher, cientista, mãe, esposa e com muitos erros em sua vida, não é perfeita e não é uma adolescente, achei esse ponto extremamente positivo. É um livro só e não uma série, sempre quando pegamos uma distopia já imaginamos que vai ser uma série de quinhentos livros e vários anos para a gente descobrir o final, em ‘Vox’ já está tudo aqui. E os capítulos são muito curtinhos, acho que o maior deve ter umas cinco/sete páginas, isso faz com que a leitura flua muito rapidamente, fiquei naquilo de ‘só mais um’ e quando vi faltavam apenas 20 páginas.

Jean McClellan perdeu sua voz, ou melhor, foi forçada a ficar calada, também conhecida como Dra. McClellan ela é uma cientista e fonoaudióloga que estuda principalmente como reativar uma parte do cérebro, através de um soro, afetada pela afasia de Wernicke, área esta que é relacionada com a linguagem. Com quatro filhos ela nunca se identificou com o ‘ser dona de casa’, ela é cientista por vocação e por amor, claro que ama os filhos, mas fazer o jantar não estava no seu rol de interesses.

Ao longo dos anos ela nunca foi ligada a política, tinha uma manifestação, mas ela preferia ficar estudando para uma prova difícil, tudo começa a mudar quando o Presidente Sam Myers consegue se eleger com ajuda do Reverendo Carl e do Movimento Puro, que ditava que o tempo presente no qual as mulheres são donas de suas vidas não era o melhor para a sociedade, isso só fazia com que homens ficassem desempregados, onde já se viu tantas mulheres no mercado de trabalho, o lugar delas é dentro de casa, cuidando dos filhos e se possível quietas para não perturbar os homens trabalhadores, por mais surreal que possa parecer, o movimento puro se expandiu, e com a chegada ao poder através do voto foi instrumentalizado.

“Homens conservadores que amam seu Deus e seu país, as mulheres, nem tanto.”

Se há muitas mulheres no mercado de trabalho, fácil, as proibimos de trabalhar, apreendemos também seus passaportes, já que obviamente não podem viajar sem autorização de seus maridos. Vamos também proibir que elas ascendam a cargos políticos, não precisam de representatividade, afinal os homens sabem o que é melhor para elas. Aquelas mulheres desviantes, adúlteras ou lésbicas, por exemplo, são encaminhadas para campos de trabalho para aprenderem na força a entrar na linha da pureza, mas as mulheres falam demais, fazem manifestações barulhentas nas ruas e por isso que é criado o contador de palavras, aka objeto de tortura, o governo através de um decreto faz com que as mulheres tenham que usar esse contador, vendido pelo governo como uma pulseira que as mulheres poderiam até mesmo escolher a cor que combine mais com ela, mas caso falassem mais de 100 palavras por dia, receberiam um choque, choque este que seria aumentado gradualmente sempre que esse número fosse ultrapassado. Ah, uma pulseira dessas era dada a toda pessoa do sexo feminino, independente da idade, desde uma bebê até uma senhora. Foram instaladas câmeras por toda a parte, então utilizar a linguagem dos sinais não era um caminho. Computadores e livros foram trancados, apenas os homens podem ter acesso, escolas foram separadas, os meninos continuam a aprender conhecimentos gerais, as meninas, corte, costura e matemática doméstica.

“Nós nos transformamos em males necessários, objetos para ser fodidos e não ouvidos.”

“As Recatadas do Lar. Aquelas garotas com saias e suéteres iguais e sapatos discretos indo para seus cursos de dona de casa. Você acha que elas são como a gente? Não mesmo.”

Jean se vê nesta nova sociedade, tudo foi acontecendo e ela não pode fazer nada, seu filho mais velho estuda ‘Estudos Religiosos Avançados’ e se identifica com os preceitos que dizem que ele é superior a sua mãe, sua filha mais nova de apenas 5 anos, ganha um sorvete como prêmio por ser a menina que ficou um dia inteiro sem proferir nenhuma única palavra, enquanto o seu marido que trabalha para o governo, segundo Jean é uma ovelha, pois apesar de estar puto, não faz nada e em alguns momentos até parece gostar do contador de palavras.

“Como mulheres, devemos manter o silêncio e obedecer. Se precisarmos saber de algo, perguntemos aos nossos maridos na intimidade do lar, porque é vergonhoso uma mulher questionar a liderança do homem, ordenada por Deus.”

As coisas começam a mudar quando o irmão do presidente sofre um acidente que faz com que ele fique com a afasia de Wernicke e Jean é convocada a voltar a trabalhar para reverter a anomalia cerebral, ela resolve fazer um acordo com o governo pedindo para ter sua amiga Lin como auxiliar e que retirassem os contadores dela e de sua filha.

Mas quando Jean começa a descobrir que nada parece ser o que realmente é, que o laboratório no qual está trabalhando não parece estar interessado somente em desenvolver curas, ela entende que a única forma de sobreviver é resistir.

Esse livro fez com que eu questionasse minhas próprias ações, o não fazer nada, o não se posicionar também é uma posição, até que ponto ficamos dentro de nossas bolhas e não percebemos que o perigo está a espreita? Tem muitas passagens que fazem a gente querer socar os personagens, em muitos momentos fiquei com nojo dos homens e pensar que muitos são assim na vida real me dá muita indignação, mas ei, não pense que é um livro de ódio aos homens, não há generalizações, tem sim aqueles homões da porra também, que se posicionam e veem que tá tudo errado e vão lutar ao lado das mulheres para derrubar o sistema opressor. O aprendizado é que ninguém tem o direito de tirar a voz de alguém, e nunca podemos abaixar a cabeça porque um homem diz que somos mesmo por sermos mulheres, afinal who run the world?

Por fim, como historiadora que estudou distopias na faculdade e quase fez a própria monografia sobre distopias, posso dizer que este livro tem tudo para se tornar um daqueles de referência para ficar do lado de, por exemplo, ‘1984’ e ‘Admirável Mundo Novo’, ah, e quem mergulhou nas histórias da Katniss e da Tris também irá curtir essa leitura. E principalmente, quem assim como eu ama o seriado The Handmaid’s Tale, essa é a leitura certa para enquanto esperamos a próxima temporada.

Um obrigada especial a Editora Arqueiro por nos mandar o livro antes do lançamento.

‘Vox’ será lançado no próximo dia 16 e está em pré-venda com brinde especial.


site: http://myronbolitarloversbr.blogspot.com/2018/10/resenha-vox-christina-dalcher.html
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Dé... 30/10/2018

A primeira vez que ouvi falar sobre esse livro foi em um encontro de blogueiros que a editora Arqueiro organizou no dia da bienal do livro de São Paulo e eu fiquei completamente alucinada pra ler só de ouvir sobre essa história, e comecei a ler na primeira oportunidade que tive e foi simplesmente incrível...

O livro tem uma ideia sensacional e em tempos onde falamos tanto sobre o direito das mulheres, o empoderamento feminino, vem esse livro e joga uma bomba sobre tudo isso e foi o livro que mais mexeu comigo esse ano, houve dois momentos que tive que parar a leitura, tomar uma água, dar um tempo, porque me revoltava, me senti como a personagem, sem voz, acuada...

Bem, o livro se passa nos tempos atuais, nos Estados Unidos um novo presidente foi eleito, um movimento que se auto denomina OS PUROS tem trabalhado nos últimos 15 anos para que as mulheres voltem a ser submissas, mulheres do lar, esposas e mães gentis... ou pelo menos é isso que eles apregoam, na prática as mulheres foram proibidas de trabalhar, ler, escrever e até falar... há um ano foi instituído que todas as pessoas do sexo feminino, inclusive crianças, recebam um contador que permite que a usuária fale 100 palavras no dia, após isso ele dispara uma descarga elétrica, que vai aumentando até causar a morte.

Há um ano as casas norte americanas se tornaram prisões de milhares de mulheres que do dia para a noite perderam tudo, é necessária a permissão dos pais e maridos para as coisas mais básicas e corriqueiras, os passaportes foram cancelados, as fronteiras fechadas... e as mulheres são tratadas como seres inferiores...

Acompanhamos tudo isso do ponto de vista da Dra. Jean que é uma linguista bastante reconhecida em sua área, mas que agora tem que ser apenas dona de casa, mãe de quatro filhos, assiste impotente seu filho mais velho se tornar um novo militante dos PUROS, tratando a mãe como se ele , um adoldescente, fosse melhor do que ela, uma cientista... ela se ressente do marido, da sua maneira cautelosa de ser, por ele trabalhar no alto escalão do governo... se preocupa com a filha que ganhou um prêmio na escola por ser a menina que menos falou o dia todo...

Quando o irmão do presidente sofre um acidente, a pesquisa de Jean fica em evidência e eles precisam dela para curá-lo... oferecem a ela a liberdade de fala, mas só enquanto estiver trabalhando nesse caso e ela começa a desconfiar que há muito mais por trás de tudo isso e que as mulheres sofreram ainda mais restrições...

Certas partes do livro foram muito revoltantes, uma certa parte a personagem pensa: "Talvez tenha sido isso que aconteceu na Alemanha com os nazistas" e essa frase é chocante porque a autora detalha como tudo aconteceu ao longo de vários anos e de como "elas" não enxergaram tudo o que estava por vir... e aí você pensa: "ah, mas isso é só ficção... e aí lembra que os judeus também não acreditavam que tamanho ódio contra eles pudesse existir, que eles também não enxergaram o que estava por vir".

O livro mexe demais com o leitor, faz a gente pensar, dá medo, revolta... mas você não precisa se preocupar, porque tudo é bem escrito e ao contrário da moda atual das trilogias e séries intermináveis, esse resolve tudo em um único volume...

Apenas um ponto do livro me desagradou, Jean é uma mulher extraordinária, mas achei desnecessário o romance, teria gostado muito mais se eles tivessem passado por tudo como uma família unida... não foi algo que atrapalhou a leitura, mas deve incomodar outros leitores...

Tirando esse pequeno ponto, o livro é espetacular, vale muito a pena ser lido, analisado, discutido... esse é o primeiro livro publicado da autora e acho que devemos ficar de olho nos seus futuros trabalhos.

site: http://www.leituranossa.com.br/2018/10/vox-christina-dalcher.html
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Fefa 02/10/2018

Intenso
Vox é uma distopia, não muito distante dos dias de hoje e se passa no Estados Unidos. O país foi dominado por extremistas religiosos que agora comandam tudo. As mulheres são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever, agora é tudo sobre religião, contas para ajudar nos afazeres do lar, culinária e por ai vai. Mas o principal é que agora as mulheres só podem falar apenas 100 palavras por dia.

As mulheres, inclusive crianças, agora andam com uma espécia de pulseira com contador que vai registrando todas as palavras ditas, ao chegar em 101 palavras, elas tomam um leve choque e a intensidade desse choque vai aumentando a medida que palavras extras vão sendo ditas. Muita coisa mudou por causa disso, as festas acabaram, as reuniões e jantares entre amigas, telefonemas e até mesmo os e-mails foram proibidos para as mulheres, elas agora nem mesmo podem ter acesso ao computador, tais coisas são permitidas somente ao chefe da casa e só com a supervisão dele as mulheres podem utilizar.

Jean McClellan está em completa negação, ela não consegue acreditar que tudo isso esta acontecendo e que ela teve inúmeros avisos de que isso iria se abater sobre a sociedade e não fez nada para frear o avanço dos religiosos. Jean não suporta o fato de que sua filha Sonia quase não se expressa mais e que seu filho Steven parece ter virado um fanático religioso, acreditando em todas as asneiras que o governo tenta implantar. Jean terá uma única chance de ajudar as mulheres de todo o país, de salvar sua filha e a si mesmo, ela vai lutar, porque essa história ainda não chegou ao fim.




A editora Arqueiro me enviou a prova do livro Vox, foi uma leitura de uns dois dias apenas, um enredo tão intenso que não consegui terminar tudo no mesmo dia. Sabe o tipo de livro que você termina de ler e percebe que apesar de surreal tudo o que acontece ali, isso tudo é muito fácil de acontecer e não precisa ser em um futuro muito longe.

Vox me lembrou muito o livro O conto de aia, é impossível não associar os dois. Ambos eu fiquei com a sensação de que tudo aquilo seria muito possível de acontecer, fiquei horrorizada com os acontecimentos, mas ler livros assim é como lembrar que a luta feminina nunca deve acabar, que devemos estar em constante vigilância, para nunca sermos de fato silenciadas.

Foi aterrorizante ver no que os filhos de Jean estavam se transformando, eu no lugar dela teria reagido da mesma forma ou talvez pior. Foi angustiante ver a pequena Sônia na idade de descobrir coisas novas, ter experiências novas e não poder ter contato com ninguém, afinal como manter um diálogo com apenas 100 palavras.

A narrativa de Christina Dalcher foi tão estimulante e vivaz que foi difícil eu interromper a leitura para terminar no outro dia, eu queria e não queria terminar o livro. Fiquei encantada pelas reviravoltas que o livro ia tomando, torci por Jean e por todos os outros personagens e foi maravilhoso ver um final tão bom, só senti falta de um epílogo, mas nada que diminuísse essa incrível obra.

Não tenho como falar sobre os aspectos físicos do livro, uma vez que só tive acesso a prova, mas tenho certeza que ficará tão perfeito como promete.

Vox com certeza foi a melhor leitura que fiz esse ano, já o coloquei na lista de favoritos e tenho certeza que o livro permanecerá no topo até dezembro. Todo mundo, principalmente as mulheres, devem ler esse livro. Se eu pudesse, presentearia todas as minhas amigas com esse livro. A luta nunca vai acabar, saibam disso.

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Coisas de Mineira 20/11/2018

"A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada. "

Já pensou em ter suas palavras limitadas, não poder mais falar o que quiser? Usar linguagem de sinais? Proibido! Escrever? Proibido, assim como ler também! Mas essas regras não valem pra todo mundo, apenas para as mulheres... Parece irreal e improvável, não é mesmo? Mas essa é a proposta da distopia escrita por Christina Dalcher e lançada neste último mês pela EditoraArqueiro. Nela teremos a oportunidade de acompanhar a transição e implantação desse sistema opressor, tudo isso através de um forte embasamento religioso e machista.

Acompanhamos a Dra. Jean Mclellan, ironicamente uma especialista em neuroliguagem, que há meses vive apenas como uma dona de casa de palavras limitadas, 100 por dia, por causa das novas regras do governo. Mãe de quatro filhos, sendo a mais nova uma menina de apenas 6 anos que também está submetida a essas regras, nos guia através de um misto de lembranças e situações atuais mostrando como tudo aconteceu. Ninguém nunca imaginou que isso fosse possível. Pessoas fortes, inteligentes e boas deram continuidade em suas vidas apesar de ver alertas na TV de mulheres que avisavam que algo errado estava começando, as chamavam de histéricas, feminazis ou sem o que fazer.

"Isso nunca vai acontecer. Jamais. As mulheres não aceitariam. "

Ninguém percebeu também a força que certo líder religioso ganhava através de suas transmissões, disseminado aos poucos o ódio e a segregação. Porém agora, sem exceção, todas as mulheres a partir dos 3 meses de idade usam uma pulseira elétrica que conta suas palavras ditas, com punições ao ultrapassar a cota. Gays, mulheres e homens, foram direcionados a campos de concentração com pulseiras sem tolerância de palavras, em celas duplas formando casais de homem e mulher, para se curar e ganhar uma chance de formar uma “família tradicional”. E a ideia é mais profunda que tudo isso, ao controlar rigidamente a comunicação das adultas e não desenvolver a das crianças, qual seria o futuro das mulheres? O silêncio completo!

"Sejam capazes de ensinar o que é bom. Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a ser moderadas, a amar os maridos e os filhos, a ser discretas, castas, dedicadas ao lar, bondosas e a obedecerem aos maridos."

Mas é neste cenário que algo muda! Jean é procurada pelo governo por precisarem de seu trabalho com urgência. É dado a ela o poder temporário de exigir o que quiser, contando que aceite voltar ao laboratório e cumpra os prazos estabelecidos. Com o casamento enfraquecido, o filho mais velho convertido ao novo sistema e a preocupação com sua garotinha que raramente utiliza suas palavras diárias, Jean precisa decidir o que fazer.

O livro é praticamente um manifesto, mas a esse ponto eu nem precisaria dizer isso a vocês. Além de promover uma reflexão sobre situações que vivemos, questiona nosso posicionamento frente a elas. Você tem utilizado sua voz para defender aquilo que acredita? Na história vemos que muita gente boa se calou por não acreditar no que poderia acontecer, ou achar que não faria qualquer diferença, e no final de tudo se arrepende por não ter lutado. Jean é uma delas! Preocupada com os estudos, provas, experimentos, formação acadêmica, nunca teve tempo para passeatas ou reivindicações, mas viu tudo ruir e se tornar uma dona de casa contra a sua vontade.

"Minha culpa começou há duas décadas, na primeira vez em que não votei, nas vezes incontáveis em que disse a Jackie que estava ocupada demais para ir a uma de suas passeatas, fazer cartazes ou ligar para meus congressistas."

Outro ponto interessante desta leitura é observar como os discursos masculinos frente à capacidade feminina são moldados. A força do machismo enraizado que, ao mínimo estímulo, aflora e gera toda a situação agressiva desta sociedade. O líder religioso, e o presidente influenciado por ele, não precisaram fazer com que os homens desvalorizassem ou impedissem as mulheres, eles só precisaram dizer que não era errado pensar assim. As pulseiras de choque, controle de palavras, campos de concentração, submissão doméstica e social não passam de consequência deste aval.

"Quando obedecemos à liderança do homem com humildade e submissão, reconhecemos que a cabeça de cada homem é Cristo, e que a cabeça de cada mulher é o homem."

Sobre o desenvolvimento do livro, acontece de forma instigante e revoltante durante toda a história. Porém, é nítido que em determinado momento a autora se perdeu. O final se tornou algo confuso e atropelado, merecendo ser melhor trabalhado. Não ficou ruim, possui resistência, reviravoltas, surpresas e emoções, mas se desvincula em partes do objetivo inicial e das situações amplamente retratadas. Em contrapartida tem personagens muito bem colocados, com características bastante exploradas.

"- De quem você acha que foi a culpa? Vocês, mulheres. Agora precisam aprender uma lição."

O livro “VOX” é com certeza uma leitura necessária a homens e mulheres, principalmente nestes momentos políticos conturbados que estamos vivendo. E para nós, mulheres, não se calem e não permitam ser caladas! Defendam diariamente seus direitos e lutem por eles, não permitindo ser taxadas de histéricas ou loucas. E o mais importante, não optem por concorrer ou ofender outras mulheres. Estamos unidas. Sororidade!

Por: Karina Rodrigues
Site: http://www.coisasdemineira.com/2018/11/resenha-vox-christina-dalcher.html
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Dani Literária 10/01/2019

Leitura instigante, revoltante e reflexiva
Vox é um tapa na cara da nossa sociedade, é uma leitura instigante, revoltante e bastante reflexiva. Confesso que fiquei relutante em ler o livro, com receio de não gostar

De início a leitura é perturbadora, me fez pensar: "Como assim? Não é possível". Mas aí eu começei a refletir e me dei conta de que existem sim muitos fanáticos religiosos, muitos homens que pensam igual aos do livro, você se identifica com Jackie ou Jean, ou até mesmo com Olivia. Aí comecei a sentir raiva, angústia, pensei que não poderia ficar pior, mas pode, sempre pode, porque o ser humano tem sede de poder e acaba por distorcer tudo para atingir seu objetivo.

Apesar dos sentimentos duros e pesados, a leitura é fluida e ao mesmo tempo em que eu queria continuar a ler, precisava de uma pausa para digerir toda aquela brutalidade. Minha ressalva fica quanto ao desfecho do livro, que a meu ver foi fraco, deixando subentendido tudo o que eu gostaria de ter lido, como aconteceu, reações...faltou um desenvolvimento melhor. Mas é uma leitura que recomendo, tanto para mulheres quanto para homens. E que nunca cheguemos a esse extremo.
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Atitude Literária 26/11/2018

Perturbador e aterrorizante
Esse é o tipo de livro que veio para causar, dividir e roubar literalmente as tuas palavras. Falar sobre ele me parece algo realmente “perigoso”, arriscado, porque indiretamente acaba envolvendo posicionamentos políticos, religiosos e a criação de modo geral. E não, eu não estou exagerando, essa obra é um verdadeiro LER PARA SABER, entender e compreender, ou melhor, LER para tirar as suas próprias conclusões.

Confesso, pensei muito antes de vir aqui resenhar – na verdade, acho que irei declinar esta palavra... Resenhar, como se pode resenhar esse tipo de enredo? Por essa razão te convido a vir desabafar, tentar no mínimo transmitir um pouquinho do que senti ao longo da leitura.

PERTURBADOR essa palavra foi a melhor que consegui escolher para descrever o que encontrei nas páginas deste livro. Antes mesmo de chegar a um terço da leitura, minha vontade foi de abandonar, mas não de um jeito ruim, muito pelo contrário, o enredo é IMPORTANTÍSSIMO, gera um debate relevante, proporciona reflexões atuais, mas... cutuca, angustia, te irrita, te causa um misto conflitante de emoções, que chega a te deixar sem ar. Juro que fiquei com as mãos suadas, com o coração acelerado e com uma constante inquietação. Jamais pensei que tal leitura pudesse me proporcionar tanto desconforto. Odiar personagens jovens, que são vítimas daquela situação. Mas é impossível se manter neutra e indiferente. É aterrorizante imaginar viver uma realidade como essa.

“Aprendi que, assim que um plano é estabelecido, tudo pode acontecer da noite para o dia.”

VOX nos conta uma história distópica futurística, onde os EUA regrediu, estamos lidando com extremismo e radicalismo, onde as mulheres perderam o direito de falar, ou melhor, perderam os seus direitos de modo geral, sendo minimizadas a donas de casa, recatadas e do lar, o número máximo de palavras que podem ser ditas se limita a 100, marcadas por um bracelete contador preso em seus pulsos, que emite choques, quando a regra é desrespeitada. A protagonista da história é Jean, casada, mãe de três meninos e uma linda menininha – que nossa, desespero. Uma ex-cientista especialista em neurolinguista – distúrbios que afeta a fala e a memória -, mas não qualquer profissional da área, uma com um diferencial, o que atrai a atenção do presidente, já que seu irmão está sofrendo com essa enfermidade e aparentemente precisa de Jean para curá-lo. A principio obviamente ela recusa, porém em decorrência de alguns fatos ela acaba aceitando mediante a algumas exigências... E é aí que o desenrolar da trama se intensifica.

“Você pode tirar muitas coisas de uma pessoa: dinheiro, emprego, estímulo intelectual, qualquer coisa. Pode tirar até suas palavras, mas isso não vai mudar sua essência.”

Consegue se imaginar criando uma criança com essas limitações? Vendo seu filho – homem – crescer com ideologias tão deturpadas? Seu marido sendo conivente com tal situação? Principalmente porque nem sempre foi assim, você já teve voz, você já trabalhou, estudou, mas teve tudo isso arrancado de você de um momento para o outro. Mulheres expostas, ridicularizadas e humilhadas. Membros da sua própria família fora de controle e você presenciando tudo isso com as mãos e a voz atadas. É preciso coragem e lutar com as armas que se têm.

Quero ressaltar que não gostei de tudo que li, não concordo com tudo que foi apresentado, muitas coisas me irritaram, outras me chocaram, principalmente a forma como a religião/fé foi distorcida. Já peço desculpas de antemão, mas pra mim foi muito complicado ver a desconstrução da palavra de Deus e tudo que ele prega da maneira como foi apresentada. Como mencionei lá no início não é uma leitura fácil, ela vai te incomodar de alguma forma. E preciso mencionar que os pontos positivos são muito maiores que os negativos. A escrita da autora é viciante, ela consegue nos envolver e transmitir muito veracidade – acho que é justamente isso que mais dá medo.

“A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada.”

Angustiante, revoltante, intenso, denso e atual. VOX é o tipo de leitura que incomoda, que te incita a refletir, a analisar cada detalhe e pensar. Uma fonte de temas para serem discutidos, para alertar e claro oferecer sempre a oportunidade de se olhar por cima do muro e ver além do seu próprio umbigo. LEIA, tire suas próprias conclusões, sinta.

Você tem um VOZ, use-a. Você é LIVRE, pense. Você tem argumentos, DEBATA. Mas lembre-se sempre do respeito, de FALAR o mesmo tanto que se está disposto a OUVIR. JUNTOS sempre seremos mais FORTES. É a união que faz a força, por mais clichê que isso possa parecer.


site: http://www.atitudeliteraria.com.br/2018/11/resenha-vox-christina-dalcher-editora.html
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Meu Vicio em Livros 29/10/2018

Revoltante e impactante
VOX te mostra, entre outras atrocidades, o que é um mundo onde uma mulher não pode ler. Isto sim é macabro! Isto sim é o Halloween da vida real pra mim! Chocante! Literalmente, chocante! Eu não saberia lidar!

Os meus livros estariam trancados em um baú no sótão juntamente com o meu Kindle, com as chaves em um cofre só aberto pelo marido assim como a caixa de correio. Nem livro de receita é permitido gente, vocês tem noção?

Escrever e receber cartas, usar linguagem não verbal, trabalhar, decidir a educação dos filhos? PROIBIDO PARA MULHERES! Neste governo, as mulheres não servem para nada além de gerar filhos e cuidar da casa e do marido.

O problema aqui vai além de só poder falar 100 palavras por dia, são vários fatores que ferem os direitos das mulheres. As consequências desta violência é assustadora!

Revoltante e impactante! Narrado pelo ponto de vista da Jean, o enredo é tão viciante que você vai ler em um piscar de olhos!
Celina 29/10/2018minha estante
Me lembrou o Conto da Aia.


Meu Vicio em Livros 29/10/2018minha estante
É a comparação da sinopse.


Meu Vicio em Livros 30/10/2018minha estante
disseram que é mais leve, não li Aia ainda.


Celina 30/10/2018minha estante
Aia gostei mais da série de tv primeira temporada. Vale a pena ver.




Minha Velha Estante 09/01/2019

Resenha do Minho
Já pensou como seria sua vida se lhe tirassem o direito de falar? Um país controlado por homens loucos e arcaicos? Essa é a realidade de Jean McClellan, uma ex-doutora em neurolinguística, que teve sua profissão e sua pesquisa interrompidas por um governo opressor.

Quando Sam Myers assumiu a presidência, eram de se esperar as catástrofes que surgiriam. Apoiado por um reverendo famoso e que tinha como base dos seus discursos a formação da “família tradicional”, os Estados Unidos se viram novamente em 1800.

Todas as mulheres perderam seus trabalhos, seus documentos lhe foram tomados e o pior de todos os castigos: suas palavras foram limitadas a cem por dia. Ultrapassado esse limite (registrado por um tipo de relógio de pulso) as mulheres recebiam cargas elétricas perigosas, então, a única alternativa era se calar.

Jean só possui uma preocupação: como a sua filha Sonia, de apenas cinco anos, consegue encarar todo esse silêncio e como será o seu futuro se as coisas continuarem desse jeito. Só existem dois futuros para as mulheres: a completa submissão ao seu marido ou o ramo da prostituição para homens solteiros e perversos, e nenhuma dessas duas opções parecem propor uma vida melhor.


Mas algo está acontecendo. Uma organização secreta está agindo nas sombras e Jean vê a oportunidade de usar isso ao seu favor quando o irmão do presidente sofre um acidente e Jean, junto com seus antigos parceiros de equipe científica, Lorenzo e Lin, são os únicos capazes de salvá-lo. Sua pesquisa sobre a afasia de Wernicke finalmente se completará, mas antes ela precisa salvar a todas as mulheres.

Não há dúvidas que essa história tem tudo para ser incrível. Um cenário político tão atual, a discriminação contra a figura feminina, o preconceito contra as feministas, todos esses pontos são muito bem colocados na história. Nós vemos uma enorme semelhança ao nosso governo, a utilização da fé religiosa para manipulação de votos é bem evidente e a intolerância às minorias é gritante.

A autora nos deu um pacote completo para refletir sobre nossos pensamentos e ações, perceber que as mulheres possuem uma influência e importância muito grande na nossa sociedade e tirar o seu direito de voz não torna os homens melhores que ninguém.

Alguns momentos do livro me deixaram tão boquiaberto que a vontade de aplaudir a autora era enorme, porém, algumas cenas me davam nos nervos. Um exemplo enorme e que todos que leram perceberam é a construção dos momentos finais do livro, faltando apenas 50 páginas para acabar, o desfecho acontece tão rápido e sem sentido que tive que reler para ter certeza do que estava acontecendo. Resultado: decepção.

Isso não tira o fato de que Vox é uma leitura muito importante, principalmente para nós, eleitores. Saber em quem votar e ter noção das consequências é de extrema importância e não se levar por assuntos que fujam da politica interfiram na sua decisão é mais importante ainda, então, leitores, não sejam alienados!


site: http://www.minhavelhaestante.com.br/2018/12/vox-christina-dalcher.html
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Erika.Santos @literandofotos 17/11/2018

Pense em um dia você acordar e não ter voz em nada.
Uma mulher deve fazer compras, cuidar da casa e ser uma esposa dedicada e obediente, para isso é preciso aprender matemática não soletração, ela não precisa de literatura muito menos voz.
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Foram construídos muros e inspeção para as pessoas não emigrarem para outro país.
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Éramos as vozes que não podiam ser caladas.
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Jean gosta da vida que leva, estudando para provas enquanto jackie é feminista e vai as passeatas em protestos ao governo que prega o cristianismo querendo ?purificar? o país. Anos após o golpe Jean é cientista e seu marido o médico da elite do governo opressor, onde mulheres e até as crianças do sexo feminino usam pulseiras contabilizando 100 palavras por dia, que após ultrapassar esse número recebe choques como punição. Mulheres teve seus direitos revogados, não podendo trabalhar, ter contas bancárias e tão pouco falar, livros e revistas guardados onde as chaves ficam com o marido.
Uma sociedade machista onde nem usar papel e caneta a mulher pode.
.
Prisão perpétua em campo de concentração para pessoas ?desvirtuados? como homossexuais, sexo antes do casamento e relação extraconjugal.
.
Inicialmente fiquei irritada com o livro, senti como se o livro atacasse as feministas branca só por serem brancas, depois a sensação foi deixada de lado e a leitura fluiu, no meio do livro vem outro ataque a ?feminista branca? feminismo não tem cor né ? Apenas sexo. Também não gostei do final, esperava outro desfecho a julgar por todo o enredo e foco do livro, só por esses detalhes não darei 5 estrelas.
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danigobbo 03/11/2018

A ideia do livro é muito atual e assustadora! Acho uma leitura extremamente necessária e impactante, mas eu esperava mais da história em si.
Karina.Agra 04/11/2018minha estante
Exatamente isso!!!




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