Vox

Vox Christina Dalcher


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Resenhas - Vox


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Queria Estar Lendo 06/10/2018

Resenha: Vox
O que são 100 palavras em um dia? Nada significante. Algumas frases aleatórias. Pouco mais de um tweet. Imagine que um governo estabelece que você, mulher, não tem o direito de falar mais do que essas 100 palavras por dia - se o fizer, vai ser punida. O tipo de punição que se expande terrivelmente até seu fim. Vox, lançamento da autora Christina Dalcher, é a história sobre um país dominado pela opressão, onde as mulheres foram forçadas a se calar.

Este ARC foi cedido em cortesia pela Editora Arqueiro. As quotes citadas nesta resenha não estão de acordo com a revisão definitiva, então podem mudar na edição final.

Na trama, os Estados Unidos estão sob um governo extremista; conservador e regido pela religião. Desde a vitória desse presidente, o terrorismo corre solto na perseguição aos Direitos Humanos, mas principalmente às mulheres. Subjugadas pela religião, que prega sua inferioridade diante dos homens, foram obrigadas a se calar. 100 palavras por dia é determinado como suficiente para que elas vivam e se comuniquem. Se falarem uma palavra a mais do que isso, as pulseiras presas aos seus corpos disparam choques como punição; não precisam mais trabalhar ou interagir com as pessoas fora de sua casa e de sua família. Não precisam ter uma voz quando significam tão pouco para a ideologia perigosa do governo.

A Dra. Jean McClellan tem experimentado o inferno. Cientista e fonoaudióloga, ela estudou a fala e as palavras durante toda a sua vida para vê-las arrancadas de seu alcance com brutalidade e repressão. Porém, quando Jean é a única capaz de ajudar o presidente em uma tarefa tida como impossível, quando é estendida a ela uma chance de recuperar suas palavras para, quem sabe, fazer desse acontecimento uma tentativa de rebelião,Jean precisa confrontar sua realidade, sua família e o perigo de erguer a voz em um mundo silenciado pela violência e pelo medo.

"Pensem em expressões como "permissão do cônjuge" e "consentimento paterno". Pensem em acordar um dia e descobrir que não têm voz em nada."

Vox foi uma montanha-russa de emoções do início ao fim. Um livro visceral e desesperador, com uma narrativa frenética e equilibrada. É o tipo de história que te faz virar as páginas ansiosamente, curiosidade e medo trilhando os capítulos por vir. Tal como O Conto da Aia, é uma distopia extremamente atual; fala sobre machismo em sua mais vil e "pura" intenção, que é a de rebaixar as mulheres única e exclusivamente por seu gênero. Fala também da tirania contra outras minorias, do quão nociva e mortífera é a ideia de superioridade. De que alguém se coloque acima de todo o resto unicamente por algumas características que os diferenciam.

Os Puros da história são, em sua maioria, homens. São os detentores da voz, os responsáveis por roubar das mulheres sua liberdade, sua presença no mercado de trabalho e no dia-a-dia. São aqueles que olharam para o louco que pregava tais ideias e o consideraram o salvador da pátria.

"Talvez tenha sido isso que aconteceu na Alemanha com os nazistas, na Bósnia com os sérvios, em Ruanda com os hutus. Às vezes eu refletia sobre isso, sobre como crianças podem se transformar em monstros, como aprendem que matar é certo e a opressão é justa, como em uma única geração o mundo pode muar tanto até ficar irreconhecível. É fácil, penso."

O livro também dá uma amostra de mulheres que escolheram acreditar nas pregações da religião e do governo como o discurso mais sensato, a "única saída". Assim como fala sobre o apoio, também fala sobre o arrependimento que cresceu quando o poder chegou às mãos daquele monstro.

"O que as meninas estudam agora? Um pouco de soma e subtração, ver as horas, saber contar o troco. Contar, claro. Devem aprender a contar até cem."

Parece familiar? A gente conhece, através da História, o poder de um discurso extremista. Vimos o que o nazismo fez com o mundo - o que ainda faz -, as marcas que a Ditadura Militar deixou em nosso país. Vox nada mais é do que um retrato da atualidade; não me surpreenderia nada ver um candidato subindo ao palco e clamando que as mulheres devem ser caladas. Não me surpreenderia nada uma multidão louvando sua candidatura.

Quanto mais próxima da realidade que vivemos, mais assustadora é uma distopia. A leitura de Vox me deu angústia, me deu raiva, me deu vontade de sair gritando 101 palavras, 201, 301 palavras só para ter certeza de que elas ainda me pertenciam. Ler a jornada da Dra. Jean foi uma experiência revoltante e esperançosa; saber seus pensamentos e seu desejo de liberdade, ler seus pequenos atos de rebelião ascendendo a coisas mais notáveis foi aquela faísca de esperança sempre tão presente e necessária em histórias desse tipo.

"- Tenha cuidado, querida. Você tem muito mais a perder do que sua voz."

Achei Jean uma protagonista sensata e coesa. Madura e bem desenvolvida. É uma cidadã que, num passado, foi apática à política e ao chamado à luta das feministas e agora vê a consequência do seu silêncio. É uma sobrevivente da opressão e da tirania. Uma guerreira que riu e se deliciou ao ver que a única esperança do homem que tirou sua voz estava em suas mãos. Uma mãe. Uma filha. Uma cientista. Uma mulher.

Sua relação com o marido, Patrick - uma figura sensata, mas cautelosa dentro do cenário político em que vivem - é pautada em um misto de revolta pelo silêncio dele e compreensão pelo cuidado. A relação dela com o cientista Lorenzo foi mais interessante, mas acho que eu estava tão fisgada pela trama política e revolucionária que acabei não me ligando tanto à parte amorosa da história. A familiar prendeu mais minha atenção.

"A insensatez dos homens sempre foi tolerada."

Jane tem três filhos; Steven, o mais velho. Os gêmeos, mais apagados dentro da trama. E Sonia, sua caçula - já punida com a presença da pulseira de choque. Com Steven, os embates são revoltantes. Com Sonia, são desesperadores. Jane confronta vários lados das ideologias extremistas e da doutrinação religiosa que vêm crescendo no país. Steven, um peão das ideias absurdas, me fez revirar os olhos e querer gritar em dezenas de cenas. É o retrato de como se constrói um fascista. Como se faz acreditar que ideais de supremacia são corretos.

Sonia, por outro lado, é a vítima em todo seu cerne. Uma criança que não vê o terror, vendada para a parte ruim de todo aquele cenário, doutrinada a segui-lo à risca para ser recompensada. Se não falar, pode ganhar um sorvete. Se ficar quieta durante todo o dia, vai ser a melhor aluna da turma - o fato de Jane temer pelo que a tortura física faria pela filha bate de frente com o medo de vê-la subjugada pelo sistema.

Além dos filhos, Jane tem grandes momentos de flashbacks, voltando a tempos onde ainda havia liberdade e voz, onde escolheu não ouvir Jackie, sua melhor amiga, ativista feminista, a respeito das atrocidades que o candidato à presidência vinha espalhando. É bastante interessante como a Jane oprimida encara a que desconhecia a opressão; como ela se vê ingênua e cega a coisas que agora são tão óbvias. Como escolheu fechar os olhos a fazer alguma coisa para mudar uma possibilidade - possibilidade essa que agora é a realidade e seu maior pesadelo. Como batia de frente com a Jackie em relação aos protestos e às críticas diárias e como percebeu, da pior maneira, o quanto sua amiga tinha razão.

"- Honestamente, Jacko... Você está ficando histérica.
- Bom, alguém precisa ficar histérica por aqui."

Eu poderia me estender muito mais a respeito dessa história, mas parte da grandiosidade de Vox está no meio do livro. Nas reviravoltas mais do que inesperadas, dos caminhos obscuros e questionadores que a obra toma. Todo o desenvolvimento de Jane em relação ao pedido do presidente e dos rumos que sua aceitação a levam são grandiosos e chocantes.

Uma única ressalva sobre o livro, para mim, fica com o final. Acho que 90% da história estava indo muito bem, mas aqueles 10% do fim soaram um pouco... distantes. A ideia que uma parte da trama me vendeu não batia com o que estava sendo entregue. Não é ruim, longe disso. É conciso e carregado em adrenalina e faz com que você não consiga respirar até entender o que vai acontecer. Aos meus olhos, no entanto, não me convenceu por completo.

A Editora Arqueiro deu um salto grandioso e empoderador ao trazer esse livro para cá e eu só posso agradecê-los e garantir que vou indicar Vox para todo mundo.

"Todas aquelas casas são pequenas prisões, penso, e dentro delas existem celas na forma de cozinhas, lavanderias e quartos."

Vox é uma história sobre as mulheres. As sobreviventes de uma tirania. As vozes forçadas a se calar que encontraram outros meios para se fazer ouvir. É um livro poderoso, inestimável e extremamente necessário nos tempos sombrios que estamos vivenciando; onde a força da voz de um opressor é e sempre vai ser calada pelo grito de milhões de mulheres.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/10/resenha-vox.html
Barbara 12/10/2018minha estante
Que resenha maravilhosa, estou louca pra ler esse livro.


Tamara 21/10/2018minha estante
Resenha maravilhosa




Cheiro de Livro 16/10/2018

VOX
Imagine um país no qual o presidente eleito “prega” um movimento “puritano”.

Imagine que uma das ações desse presidente é abolir a voz feminina por meio da força.

Imagine que apenas em um ano, mulheres de todas as idades (incluindo crianças) não podem falar mais de 100 palavras por dia (sendo que a média diária é de 16 mil). E caso alguma desobedeça e fale a centésima primeira, ela receberá um violento choque elétrico vindo de um contador fixo no seu pulso.

Imagine que mulheres não podem mais trabalhar, ler, escrever, falar e que leis igualmente bárbaras também são aplicadas contra homossexuais (todos os gêneros) e para quem pratica sexo antes do casamento ou comete adultério (mas, nesses dois últimos casos, só a mulher é punida).

Infelizmente, dada a atual situação no nosso país, essa “imaginação” está próxima demais da realidade para ficarmos confortáveis, para virarmos a última página e passar para o próximo livro. É revoltante, angustiante e aterrorizante. Mas, como o livro mesmo diz, sempre há uma resistência.

“VOX” (escrito por Christina Dalcher e traduzido por Alves Calado) é narrado em primeira pessoa pela Dra. Jean McClellan. Durante o livro, ouvimos sua atual situação quase muda, mas também ouvimos seus pensamentos, vimos suas lembranças e sentimos sua revolta. “VOX” é uma distopia que trata de temas encontrados em nosso dia a dia, como o valor inestimável do nosso direito à liberdade de expressão, de ir e vir, de liberdade ponto!

É impossível não se revoltar com a situação de Jean até porque estamos muito, muito próximas dela. Me identifiquei muito com uma parte do livro na qual Jean lembra de que sua amiga a avisava que algo assim poderia acontecer, mas ela não acreditava e, em alguns momentos, não exercia o voto durante eleições governamentais.

Quantas de nós já não nos sentimos assim? Quantas vezes ficamos em casa por preguiça ou falta de convicção quando nossas amigas, irmãs, se uniam na rua para gritar por justiça? Quantas vezes anulamos o nosso voto ou votamos em branco (ou até justificamos) porque achávamos que não daria em nada? Mas tudo isso foi uma opção nossa, opção essa que nos foi tomada à força (no livro).

Assim como “O Conto da Aia”, “VOX” é atual, revoltante e necessário principalmente em um momento no qual não podemos nos deixar silenciar.

Curiosidade: Esse livro é muito importante pra mim porque foi a minha primeira contratação na Editora Arqueiro quando passei a trabalhar lá, em fevereiro deste ano. Essa resenha é obviamente positiva não porque trabalho na mesma editora do livro ou porque estive envolvida na publicação do mesmo por aqui, mas porque ele me inflamou e acho que vai te inflamar também. Independente do que aconteça após as eleições, o que importa é nunca se calar. Nunca!

Já leu “VOX”? Quer ler? Conta aí nos comentários. Aqui não tem limite de 100 palavras.

site: http://cheirodelivro.com/vox/
Ronnayse 16/10/2018minha estante
Agora to querendo muuuuuito ler!


Tamara 21/10/2018minha estante
Estou na metade da leitura e em alguns momentos tenho vontade de chorar, de gritar, de me encolher em um cantinho de tanto medo, porque coisas que são ditas, principalmente em relação as minorias, me lembra tanto o momento atual que dá um embrulho forte no estômago. Leitura realista, necessária e angustiante.




Letícia 02/10/2018

E se você fosse obrigada a perder sua voz?
Imagina que você fosse obrigada a falar diariamente apenas 100 palavras. Adeus dar bom dia para o porteiro, motorista do ônibus ou até para desconhecidos. Adeus cantar no chuveiro. Adeus falar sozinha. Tendo apenas 100 palavras por dia você deve escolhê-las muito bem, você já contou quantas palavras você fala por dia? Eu fiz isso durante a leitura do livro e percebi que ficaria louca se só tivesse 100 palavras por dia. Essa é a premissa da distopia criada pela Christina Dalcher, ‘Vox’ é a leitura ideal para o nosso tempo, faz a gente pensar, nos tira do nosso lugar de conforto e principalmente faz um alerta quanto ao perigo de fundamentalismo e conservadorismo exacerbado envolvidos na política.

Geralmente distopias têm como característica ser num futuro distante onde algumas vezes a Terra passou por desastres ambientais, por culpa dos humanos ou não, houve um ataque alienígena ou até mesmo golpe político, mas tudo isso sempre num futuro distante, bem essa é a primeira diferença de ‘Vox’, no livro as coisas não acontecem num futuro distante, acontecem amanhã e muito rápido as pessoas se veem numa situação da qual não podem fugir. A segunda característica que diferencia este livro as últimas distopias já publicadas é a protagonista, ela é uma mulher, cientista, mãe, esposa e com muitos erros em sua vida, não é perfeita e não é uma adolescente, achei esse ponto extremamente positivo. É um livro só e não uma série, sempre quando pegamos uma distopia já imaginamos que vai ser uma série de quinhentos livros e vários anos para a gente descobrir o final, em ‘Vox’ já está tudo aqui. E os capítulos são muito curtinhos, acho que o maior deve ter umas cinco/sete páginas, isso faz com que a leitura flua muito rapidamente, fiquei naquilo de ‘só mais um’ e quando vi faltavam apenas 20 páginas.

Jean McClellan perdeu sua voz, ou melhor, foi forçada a ficar calada, também conhecida como Dra. McClellan ela é uma cientista e fonoaudióloga que estuda principalmente como reativar uma parte do cérebro, através de um soro, afetada pela afasia de Wernicke, área esta que é relacionada com a linguagem. Com quatro filhos ela nunca se identificou com o ‘ser dona de casa’, ela é cientista por vocação e por amor, claro que ama os filhos, mas fazer o jantar não estava no seu rol de interesses.

Ao longo dos anos ela nunca foi ligada a política, tinha uma manifestação, mas ela preferia ficar estudando para uma prova difícil, tudo começa a mudar quando o Presidente Sam Myers consegue se eleger com ajuda do Reverendo Carl e do Movimento Puro, que ditava que o tempo presente no qual as mulheres são donas de suas vidas não era o melhor para a sociedade, isso só fazia com que homens ficassem desempregados, onde já se viu tantas mulheres no mercado de trabalho, o lugar delas é dentro de casa, cuidando dos filhos e se possível quietas para não perturbar os homens trabalhadores, por mais surreal que possa parecer, o movimento puro se expandiu, e com a chegada ao poder através do voto foi instrumentalizado.

“Homens conservadores que amam seu Deus e seu país, as mulheres, nem tanto.”

Se há muitas mulheres no mercado de trabalho, fácil, as proibimos de trabalhar, apreendemos também seus passaportes, já que obviamente não podem viajar sem autorização de seus maridos. Vamos também proibir que elas ascendam a cargos políticos, não precisam de representatividade, afinal os homens sabem o que é melhor para elas. Aquelas mulheres desviantes, adúlteras ou lésbicas, por exemplo, são encaminhadas para campos de trabalho para aprenderem na força a entrar na linha da pureza, mas as mulheres falam demais, fazem manifestações barulhentas nas ruas e por isso que é criado o contador de palavras, aka objeto de tortura, o governo através de um decreto faz com que as mulheres tenham que usar esse contador, vendido pelo governo como uma pulseira que as mulheres poderiam até mesmo escolher a cor que combine mais com ela, mas caso falassem mais de 100 palavras por dia, receberiam um choque, choque este que seria aumentado gradualmente sempre que esse número fosse ultrapassado. Ah, uma pulseira dessas era dada a toda pessoa do sexo feminino, independente da idade, desde uma bebê até uma senhora. Foram instaladas câmeras por toda a parte, então utilizar a linguagem dos sinais não era um caminho. Computadores e livros foram trancados, apenas os homens podem ter acesso, escolas foram separadas, os meninos continuam a aprender conhecimentos gerais, as meninas, corte, costura e matemática doméstica.

“Nós nos transformamos em males necessários, objetos para ser fodidos e não ouvidos.”

“As Recatadas do Lar. Aquelas garotas com saias e suéteres iguais e sapatos discretos indo para seus cursos de dona de casa. Você acha que elas são como a gente? Não mesmo.”

Jean se vê nesta nova sociedade, tudo foi acontecendo e ela não pode fazer nada, seu filho mais velho estuda ‘Estudos Religiosos Avançados’ e se identifica com os preceitos que dizem que ele é superior a sua mãe, sua filha mais nova de apenas 5 anos, ganha um sorvete como prêmio por ser a menina que ficou um dia inteiro sem proferir nenhuma única palavra, enquanto o seu marido que trabalha para o governo, segundo Jean é uma ovelha, pois apesar de estar puto, não faz nada e em alguns momentos até parece gostar do contador de palavras.

“Como mulheres, devemos manter o silêncio e obedecer. Se precisarmos saber de algo, perguntemos aos nossos maridos na intimidade do lar, porque é vergonhoso uma mulher questionar a liderança do homem, ordenada por Deus.”

As coisas começam a mudar quando o irmão do presidente sofre um acidente que faz com que ele fique com a afasia de Wernicke e Jean é convocada a voltar a trabalhar para reverter a anomalia cerebral, ela resolve fazer um acordo com o governo pedindo para ter sua amiga Lin como auxiliar e que retirassem os contadores dela e de sua filha.

Mas quando Jean começa a descobrir que nada parece ser o que realmente é, que o laboratório no qual está trabalhando não parece estar interessado somente em desenvolver curas, ela entende que a única forma de sobreviver é resistir.

Esse livro fez com que eu questionasse minhas próprias ações, o não fazer nada, o não se posicionar também é uma posição, até que ponto ficamos dentro de nossas bolhas e não percebemos que o perigo está a espreita? Tem muitas passagens que fazem a gente querer socar os personagens, em muitos momentos fiquei com nojo dos homens e pensar que muitos são assim na vida real me dá muita indignação, mas ei, não pense que é um livro de ódio aos homens, não há generalizações, tem sim aqueles homões da porra também, que se posicionam e veem que tá tudo errado e vão lutar ao lado das mulheres para derrubar o sistema opressor. O aprendizado é que ninguém tem o direito de tirar a voz de alguém, e nunca podemos abaixar a cabeça porque um homem diz que somos mesmo por sermos mulheres, afinal who run the world?

Por fim, como historiadora que estudou distopias na faculdade e quase fez a própria monografia sobre distopias, posso dizer que este livro tem tudo para se tornar um daqueles de referência para ficar do lado de, por exemplo, ‘1984’ e ‘Admirável Mundo Novo’, ah, e quem mergulhou nas histórias da Katniss e da Tris também irá curtir essa leitura. E principalmente, quem assim como eu ama o seriado The Handmaid’s Tale, essa é a leitura certa para enquanto esperamos a próxima temporada.

Um obrigada especial a Editora Arqueiro por nos mandar o livro antes do lançamento.

‘Vox’ será lançado no próximo dia 16 e está em pré-venda com brinde especial.


site: http://myronbolitarloversbr.blogspot.com/2018/10/resenha-vox-christina-dalcher.html
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Fefa 02/10/2018

Intenso
Vox é uma distopia, não muito distante dos dias de hoje e se passa no Estados Unidos. O país foi dominado por extremistas religiosos que agora comandam tudo. As mulheres são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever, agora é tudo sobre religião, contas para ajudar nos afazeres do lar, culinária e por ai vai. Mas o principal é que agora as mulheres só podem falar apenas 100 palavras por dia.

As mulheres, inclusive crianças, agora andam com uma espécia de pulseira com contador que vai registrando todas as palavras ditas, ao chegar em 101 palavras, elas tomam um leve choque e a intensidade desse choque vai aumentando a medida que palavras extras vão sendo ditas. Muita coisa mudou por causa disso, as festas acabaram, as reuniões e jantares entre amigas, telefonemas e até mesmo os e-mails foram proibidos para as mulheres, elas agora nem mesmo podem ter acesso ao computador, tais coisas são permitidas somente ao chefe da casa e só com a supervisão dele as mulheres podem utilizar.

Jean McClellan está em completa negação, ela não consegue acreditar que tudo isso esta acontecendo e que ela teve inúmeros avisos de que isso iria se abater sobre a sociedade e não fez nada para frear o avanço dos religiosos. Jean não suporta o fato de que sua filha Sonia quase não se expressa mais e que seu filho Steven parece ter virado um fanático religioso, acreditando em todas as asneiras que o governo tenta implantar. Jean terá uma única chance de ajudar as mulheres de todo o país, de salvar sua filha e a si mesmo, ela vai lutar, porque essa história ainda não chegou ao fim.




A editora Arqueiro me enviou a prova do livro Vox, foi uma leitura de uns dois dias apenas, um enredo tão intenso que não consegui terminar tudo no mesmo dia. Sabe o tipo de livro que você termina de ler e percebe que apesar de surreal tudo o que acontece ali, isso tudo é muito fácil de acontecer e não precisa ser em um futuro muito longe.

Vox me lembrou muito o livro O conto de aia, é impossível não associar os dois. Ambos eu fiquei com a sensação de que tudo aquilo seria muito possível de acontecer, fiquei horrorizada com os acontecimentos, mas ler livros assim é como lembrar que a luta feminina nunca deve acabar, que devemos estar em constante vigilância, para nunca sermos de fato silenciadas.

Foi aterrorizante ver no que os filhos de Jean estavam se transformando, eu no lugar dela teria reagido da mesma forma ou talvez pior. Foi angustiante ver a pequena Sônia na idade de descobrir coisas novas, ter experiências novas e não poder ter contato com ninguém, afinal como manter um diálogo com apenas 100 palavras.

A narrativa de Christina Dalcher foi tão estimulante e vivaz que foi difícil eu interromper a leitura para terminar no outro dia, eu queria e não queria terminar o livro. Fiquei encantada pelas reviravoltas que o livro ia tomando, torci por Jean e por todos os outros personagens e foi maravilhoso ver um final tão bom, só senti falta de um epílogo, mas nada que diminuísse essa incrível obra.

Não tenho como falar sobre os aspectos físicos do livro, uma vez que só tive acesso a prova, mas tenho certeza que ficará tão perfeito como promete.

Vox com certeza foi a melhor leitura que fiz esse ano, já o coloquei na lista de favoritos e tenho certeza que o livro permanecerá no topo até dezembro. Todo mundo, principalmente as mulheres, devem ler esse livro. Se eu pudesse, presentearia todas as minhas amigas com esse livro. A luta nunca vai acabar, saibam disso.

site: http://www.lendoeesmaltando.com/2018/10/resenha-vox-christina-dalcher.html
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Meu Vicio em Livros 29/10/2018

Revoltante e impactante
VOX te mostra, entre outras atrocidades, o que é um mundo onde uma mulher não pode ler. Isto sim é macabro! Isto sim é o Halloween da vida real pra mim! Chocante! Literalmente, chocante! Eu não saberia lidar!

Os meus livros estariam trancados em um baú no sótão juntamente com o meu Kindle, com as chaves em um cofre só aberto pelo marido assim como a caixa de correio. Nem livro de receita é permitido gente, vocês tem noção?

Escrever e receber cartas, usar linguagem não verbal, trabalhar, decidir a educação dos filhos? PROIBIDO PARA MULHERES! Neste governo, as mulheres não servem para nada além de gerar filhos e cuidar da casa e do marido.

O problema aqui vai além de só poder falar 100 palavras por dia, são vários fatores que ferem os direitos das mulheres. As consequências desta violência é assustadora!

Revoltante e impactante! Narrado pelo ponto de vista da Jean, o enredo é tão viciante que você vai ler em um piscar de olhos!
Celina 29/10/2018minha estante
Me lembrou o Conto da Aia.


Meu Vicio em Livros 29/10/2018minha estante
É a comparação da sinopse.


Meu Vicio em Livros 30/10/2018minha estante
disseram que é mais leve, não li Aia ainda.


Celina 30/10/2018minha estante
Aia gostei mais da série de tv primeira temporada. Vale a pena ver.




Erika.Santos @literandofotos 17/11/2018

Pense em um dia você acordar e não ter voz em nada.
Uma mulher deve fazer compras, cuidar da casa e ser uma esposa dedicada e obediente, para isso é preciso aprender matemática não soletração, ela não precisa de literatura muito menos voz.
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Foram construídos muros e inspeção para as pessoas não emigrarem para outro país.
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Éramos as vozes que não podiam ser caladas.
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Jean gosta da vida que leva, estudando para provas enquanto jackie é feminista e vai as passeatas em protestos ao governo que prega o cristianismo querendo ?purificar? o país. Anos após o golpe Jean é cientista e seu marido o médico da elite do governo opressor, onde mulheres e até as crianças do sexo feminino usam pulseiras contabilizando 100 palavras por dia, que após ultrapassar esse número recebe choques como punição. Mulheres teve seus direitos revogados, não podendo trabalhar, ter contas bancárias e tão pouco falar, livros e revistas guardados onde as chaves ficam com o marido.
Uma sociedade machista onde nem usar papel e caneta a mulher pode.
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Prisão perpétua em campo de concentração para pessoas ?desvirtuados? como homossexuais, sexo antes do casamento e relação extraconjugal.
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Inicialmente fiquei irritada com o livro, senti como se o livro atacasse as feministas branca só por serem brancas, depois a sensação foi deixada de lado e a leitura fluiu, no meio do livro vem outro ataque a ?feminista branca? feminismo não tem cor né ? Apenas sexo. Também não gostei do final, esperava outro desfecho a julgar por todo o enredo e foco do livro, só por esses detalhes não darei 5 estrelas.
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danigobbo 03/11/2018

A ideia do livro é muito atual e assustadora! Acho uma leitura extremamente necessária e impactante, mas eu esperava mais da história em si.
Karina.Agra 04/11/2018minha estante
Exatamente isso!!!




Taynara Lima / @limataynara 01/11/2018

Para sair da caixinha!
Vox
Autora: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Nota: 4,5/5
Classificação: +18

Já imaginou perder sua voz?

Vox nos traz a triste realidade da Dra. Jean McClellan, uma neurocientista super respeitada que de uma hora para outra (ou nem tanto) se vê silenciada pelo governo ao perder tudo o que ela tinha.

As mulheres no governo atual não podem trabalhar, ter celulares, nem e-mail e até a correspondência agora é somente direcionada ao marido.

Entre a narração da vida atual de Jean, nós também temos um pouco da época em que ela era universitária e tinha uma amiga superativa politicamente. Jackie é constantemente lembrada por Jean por sempre cobrar dela uma posição e enquanto ela sempre declinava dizendo ter outras coisas para fazer e inventando desculpas qualquer. Para Jackie, as mulheres perderam a voz dentro da sociedade era uma questão de tempo e ela vinha lutando durante anos para que alguma coisa fosse feita.

Mas né, Jean sempre achou o ativismo político de Jackie exagerado, o que acabou causando o afastamento delas e Jean pagou pra ver e acabou vendo.

O novo presidente começou a mudar todas as coisas. Agora as mulheres viviam para o lar, os maridos saiam para trabalhar enquanto as esposas cuidavam da casa, assavam bolos e cuidavam das crianças. Os meninos na escola aprendiam além das matérias comuns, teologia e meio que sofriam uma “lavagem cerebral” tendo princípios bíblicos distorcidos para que se adequassem na sociedade atual.
Já as meninas, aprendiam um pouco de matemática (nada muito difícil) somente o necessário para conseguirem contar o troco quando fossem fazer as compras da casa, além de terem aulas de costura e culinária.

Todas as mulheres, inclusive as crianças (do sexo feminino) usavam uma pulseira que lhes dava 100 palavras por dia, uma forma de discipliná-las a falar somente o necessário e a deixar que o marido conduzisse a família como a “cabeça”, que segundo a doutrina religiosa que agora era a constituição americana, era o que o homem representava. Ultrapassando esse número, a mulher recebia uma carga de choque que poderia leva-la a morte.

Durante toda a história Jean reflete sobre sua omissão lá atrás sobre deixar de votar, de protestar, de se posicionar quando ela tinha voz. Isso mesclando com a sua vida atual e a sua busca de resistir, mesmo sabendo que não tinha voz alguma para isso.

Bom, o que acontece é que a Jean é uma neurocientista foda pra caramba e o governo precisava dela para achar a cura para a “Afasia de Wernicke” que é um distúrbio de linguagem oral em que a pessoa afetada não consegue mais falar de forma clara. E antes de tudo acontecer, Jean estudava uma forma de criar antídotos para reverter o distúrbio e agora o governo precisa de Jean para conseguir.

Jean tem algo que eles querem e ela acha uma brecha para começar a fazer um barulho. Será que ela enfim encontrou sua voz?

O livro tem ótima premissa e traz temas bastante atuais onde falamos sobre a posição das mulheres na sociedade, ótimo para sair da caixinha.

Se você assistiu The Handmaid’s Tale ou leu O conto da Aia, com certeza vai gostar.

site: @limataynara
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Lu 07/11/2018

Angustiante
"O silêncio pode ser ensurdecedor" #100PALAVRAS #Vox #eunaoconseguiria
Uma história de ficção, que não me surpreenderia se tornar realidade. Bem perturbadora. Mas super indico. Traz a tona temas bastante atuais, que merecem sempre ser lembrados, pra que as barbaridades como as dobro não ganhem força e venham a acontecer.
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LG 07/11/2018

O que fazer num mundo onde voce nao tem voz, nao tem como se expressar? E assim que corre a historia de Vox, uma distopia que mais parece realidade, talvez a nossa realidade, do que uma ficção. Mulheres que sao obrigadas a falar somente 100 palavras por dia, devem ser recatadas e do Lar. Com um texto bem fluido ele traz diversas reflexoes sobre abstencao e a nao iniciativa, que poderiam evitar o pior, que as pessoas sejam caladas pelo opressor.
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Dé... 30/10/2018

A primeira vez que ouvi falar sobre esse livro foi em um encontro de blogueiros que a editora Arqueiro organizou no dia da bienal do livro de São Paulo e eu fiquei completamente alucinada pra ler só de ouvir sobre essa história, e comecei a ler na primeira oportunidade que tive e foi simplesmente incrível...

O livro tem uma ideia sensacional e em tempos onde falamos tanto sobre o direito das mulheres, o empoderamento feminino, vem esse livro e joga uma bomba sobre tudo isso e foi o livro que mais mexeu comigo esse ano, houve dois momentos que tive que parar a leitura, tomar uma água, dar um tempo, porque me revoltava, me senti como a personagem, sem voz, acuada...

Bem, o livro se passa nos tempos atuais, nos Estados Unidos um novo presidente foi eleito, um movimento que se auto denomina OS PUROS tem trabalhado nos últimos 15 anos para que as mulheres voltem a ser submissas, mulheres do lar, esposas e mães gentis... ou pelo menos é isso que eles apregoam, na prática as mulheres foram proibidas de trabalhar, ler, escrever e até falar... há um ano foi instituído que todas as pessoas do sexo feminino, inclusive crianças, recebam um contador que permite que a usuária fale 100 palavras no dia, após isso ele dispara uma descarga elétrica, que vai aumentando até causar a morte.

Há um ano as casas norte americanas se tornaram prisões de milhares de mulheres que do dia para a noite perderam tudo, é necessária a permissão dos pais e maridos para as coisas mais básicas e corriqueiras, os passaportes foram cancelados, as fronteiras fechadas... e as mulheres são tratadas como seres inferiores...

Acompanhamos tudo isso do ponto de vista da Dra. Jean que é uma linguista bastante reconhecida em sua área, mas que agora tem que ser apenas dona de casa, mãe de quatro filhos, assiste impotente seu filho mais velho se tornar um novo militante dos PUROS, tratando a mãe como se ele , um adoldescente, fosse melhor do que ela, uma cientista... ela se ressente do marido, da sua maneira cautelosa de ser, por ele trabalhar no alto escalão do governo... se preocupa com a filha que ganhou um prêmio na escola por ser a menina que menos falou o dia todo...

Quando o irmão do presidente sofre um acidente, a pesquisa de Jean fica em evidência e eles precisam dela para curá-lo... oferecem a ela a liberdade de fala, mas só enquanto estiver trabalhando nesse caso e ela começa a desconfiar que há muito mais por trás de tudo isso e que as mulheres sofreram ainda mais restrições...

Certas partes do livro foram muito revoltantes, uma certa parte a personagem pensa: "Talvez tenha sido isso que aconteceu na Alemanha com os nazistas" e essa frase é chocante porque a autora detalha como tudo aconteceu ao longo de vários anos e de como "elas" não enxergaram tudo o que estava por vir... e aí você pensa: "ah, mas isso é só ficção... e aí lembra que os judeus também não acreditavam que tamanho ódio contra eles pudesse existir, que eles também não enxergaram o que estava por vir".

O livro mexe demais com o leitor, faz a gente pensar, dá medo, revolta... mas você não precisa se preocupar, porque tudo é bem escrito e ao contrário da moda atual das trilogias e séries intermináveis, esse resolve tudo em um único volume...

Apenas um ponto do livro me desagradou, Jean é uma mulher extraordinária, mas achei desnecessário o romance, teria gostado muito mais se eles tivessem passado por tudo como uma família unida... não foi algo que atrapalhou a leitura, mas deve incomodar outros leitores...

Tirando esse pequeno ponto, o livro é espetacular, vale muito a pena ser lido, analisado, discutido... esse é o primeiro livro publicado da autora e acho que devemos ficar de olho nos seus futuros trabalhos.

site: http://www.leituranossa.com.br/2018/10/vox-christina-dalcher.html
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Ananda | @bluecandybooks 13/11/2018

Incrível e Necessário!
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação, ela não acredita que isso está mesmo acontecendo. Em pouco tempo as mulheres também são impedidas de trabalhar, os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever, todas as mulheres precisam usar uma espécie de pulseira que controla o número de palavras que as mulheres falam. Lutando por si mesma, por sua filha e por todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

Vox é uma distopia atual que retrata um pouco o que estamos vivendo nos últimos tempos, e a luta e empoderamento feminino. A história, apesar de se passar num futuro (não muito distante), tem um governo conservador que fundido com ideias de um reverendo, transforma os EUA em um país fechado e radical, não muito diferente dos séculos passado.

Em Vox as mulheres tem como função ficar em casa, serem obedientes e silenciosas,submissas e sempre estar à disposição do marido e dos filhos. É assustador como a ideia do livro se encaixa tão bem com o que estamos vivendo nos dias atuais, com o que é dito por aí. Indignada com tanta injustiça e machismo, a Dra. Jean começa a lutar por si mesma, pela filha, pelas amigas e colegas de trabalho, a resistência começou muito antes dessa nova lei para as mulheres ter entrado em vigor, mas Jean continua o que uma de suas amigas vinha tentando colocar em pratica. É assustador como dentro de um ano o governo conseguiu a submissão do povo, conseguiu calar as pessoas que protestavam, conseguiu colocar as mulheres em uma posição em que elas não tem como revidar sem sofrer consequências severas, e o tanto que o livro reflete situações que podem realmente acontecer.

A Narrativa é incrível, fluida, os personagens são bem desenvolvidos. Mas o plot twist foi muito corrido, isso me levou a dar 4.5 estrelas, achei que a autora correu muito no final do livro, mas a conclusão foi satisfatória. Uma coisa que me incomodou bastante durante a leitura também foi o fato da protagonista às vezes querer tomar uma decisão que beneficiasse apenas a si mesma e sua filha. Entendo que os homens têm todas as regalias nesse novo mundo e isso é injusto obviamente, mas filho é filho. Ela tem 4 filhos mas pensava apenas na filha, isso me incomodou um pouco, como uma pessoa que não teve muita atenção materna eu não gostaria que minha mãe tomasse decisões baseadas apenas no benefícios dos meus irmãos, eu também existo. Tirando essa questão, o livro é maravilhoso e muito necessário principalmente nos tempos em que estamos vivendo. Incrível e mais do que recomendado.
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Dryh 09/11/2018

“A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada.” – página 304

A Dra. Jean McClellan se lembra de como era o mundo antes, de quando era possível fazer passeatas e manifestar, quando as mulheres iam para a faculdade, se formavam e começavam a exercer sua profissão: ela mesma o fizera! Mas agora, cada mulher e menina dos Estados Unidos usa uma espécie de pulseira que monitora suas palavras. Cada uma possui 100 palavras diárias. Passando disso, eletrocussão. Ela já vira acontecer, e já fora uma vítima disso, então monitorava – assim como todo ser humano do sexo feminino – suas palavras com muito cuidado.

A rotina seguia, até que o irmão do presidente sofreu um acidente e teve um dano em uma parte do cérebro que era justamente aquela que Jean estudava, e precisaram de sua ajuda. Ela quisera dizer não, quisera mandar todos para aquele lugar, mas como, se podia exigir que tirassem o contador de sua filha, Sonia? Como, se a filha estava falando uma ou duas palavras por dia, influenciada pela escola – que só ensinava como fazer tarefas domésticas -, acreditando que aquilo era o certo? Jean estava determinada a “arrumar” a filha, e a fazer grandes mudanças na sua realidade, ela só não contava que as coisas estavam piores do que pareciam.

Pense no que precisa fazer para continuar livre. – página 21

A premissa desse livro me chamou MUITO a atenção, e mesmo morrendo de medo de ler – comecei a lê-lo poucos dias após o resultado das eleições -, queria muito saber o que Jean iria fazer. Eu ainda não li e nem vi “O conto da Aia”, mas imagino que a história seja bem parecida – senão mais assustadora -, mas também acredito que o final seja melhor. Mas vamos em partes.

Jean era uma renomada doutora que teve tudo arrancado de si: sua profissão, seus direitos como ser humano e sua voz. Ela agora observava seu marido e seus filhos (homens) conversarem abertamente à mesa, enquanto Sonia ficava quieta, e o mesmo acontecia com si. Aguentava o filho mais velho repetindo as baboseiras do Movimento Puro – praticamente as mesmas coisas que vemos ou ouvimos vez ou outra, também conhecidas como machismo supremo – e não sabia o que fazer. Quando passou a trabalhar para o governo, ela imaginou que poderia fazer algo para salvar pelo menos sua filha, tinha aliados (duas pessoas que haviam trabalhado com ela antes), e tinha um plano.

“Há uma resistência?” “Querida, sempre há uma resistência.” – página 161

Infelizmente, preciso dizer que não me encantei nem torci por nenhuma personagem, todos foram bem desenvolvidos e inseridos na história, mas não consegui gostar nem de Jean, e quando o livro começou a tomar outro rumo (eu estava imaginando alguma revolução, mulheres lutando juntas e derrubando o governo), indo mais para o lado científico e fictício da coisa, eu desanimei. O início do livro me deixou fissurada, tensa, doida para saber o que iria acontecer depois, e mais doida ainda para saber como tudo começou, mas acho que só consegui finalizar o livro por causa da curiosidade de saber aonde a história iria parar.

O lado positivo é que a autora tem uma escrita leve e rápida, então foi um pouco rápido até, finalizar o livro. Também não gostei do final, achei as resoluções muito rápidas e um tanto forçadas, então diria que o livro foi uma baita decepção: eu estava esperando uma história que me deixaria eletrizada, doida por mais e fissurada em tudo, mas não encontrei nada disso. Quem gosta de distopias que pendem bastante para o lado cientifico pode gostar, mas quem, como eu, é mais fã de distopias em que as personagens lutam juntas por uma revolução, pode ser que tenha as mesmas observações.

Olhei-a se dobrar, se curvar e desmoronar, sem palavras, com apenas o fiapo de um suspiro de dor, agudo e retesado, saindo dos lábios. Cinco de nós corremos para a mulher caída no chão de ladrilhos, mas fomos afastadas violentamente. As que se demoraram também receberam choques ou levaram coronhadas. Como animais desobedientes. Vacas. Cachorros. O que estou dizendo é que nada disso aconteceu sem luta. – página 86

site: http://shakedepalavras.blogspot.com.br
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Leitora Viciada 13/11/2018

Resenha para o blog Leitora Viciada www.leitoraviciada.com
Imagine que nos próximos anos cada vez menos mulheres sejam eleitas aos cargos públicos e seus direitos diminuam; que o conservadorismo se fortaleça para "proteger a família tradicional"; que os princípios cristãos sejam as bases de todas as leis. O Estado não é mais laico e o militarismo e o fanatismo reacionário dominaram todos os campos sociais. Isso ocorre no enredo do livro distópico VOX, lançamento de outubro de 2018 da Editora Arqueiro. Logo após o mandato do primeiro presidente negro eleito nos Estados Unidos, o país se torna cada vez mais conservador, religioso e machista.

As mulheres são proibidas de trabalhar, ter passaporte, estudar e ler. Podem apenas dizer cem palavras ao dia, que são contabilizadas por uma pulseira obrigatória permanente. Ao ultrapassar o limite diário, recebe um eletrochoque. Conforme mais palavras são ditas, a descarga aumenta gradativamente. Se uma mulher fala em média vinte mil palavras em vinte e quatro horas, então como se adequar a esta censura-tortura diária? E como viver sem ler e escrever, sem poder gesticular, em privação quase total de comunicação? As meninas também são silenciadas, pois bebês do sexo feminino recebem o contador aos três meses de vida e ao estarem em idade escolar, aprendem apenas o básico voltado aos afazeres domésticos, como matemática para as compras, culinária ou jardinagem. Resta às mulheres e meninas apenas ouvir e obedecer. Se você acha que VOX é "apenas" sobre se calar, vai se surpreender em como isto funciona na prática do cotidiano.

Para ler toda a resenha acesse o Leitora Viciada. -> leitoraviciada.com
Faço isso para me proteger de plágios, pois lá o texto não pode ser copiado devido a proteção no script. Obrigada pela compreensão.

site: http://www.leitoraviciada.com/2018/11/vox.html
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Book.Obsession 22/10/2018

Vox é uma distopia que nos tira completamente da zona de conforto e dá aquela chacoalhada em nossa mentes, deixando o leitor completamente chocado a cada capítulo.

Em uma Era onde todos ou quase todos têm acesso a inúmeras informações e estão sempre se comunicando através de tantas tecnologias, pode não ter se dado conta, mas já pensou se você fosse privado de conversar? Ou dever obediência aos homens por perder seu direito de ir e vir? De ser a mulher independente, lutando por seus objetivos que está acostumada a ser?

“Pensem em acordar um dia e descobrir que não têm voz em nada. – Ela faz uma pausa depois de cada uma das últimas cinco palavras, com os dentes trincados.”

Pois é exatamente isso que Vox coloca em cheque. Após uma reviravolta na política atual dos Estados Unidos, as pessoas veem suas vidas mudarem da água para o vinho.

“Como mulheres, devemos manter o silêncio e obedecer. Se precisarmos saber de algo, perguntemos aos nossos maridos na intimidade do lar, porque é vergonhoso uma mulher questionar a liderança do homem, ordenada por Deus.”

As mulheres foram obrigadas a controlar sua quantidade de palavras ditas. Com o limite de apenas cem palavras por dia controladas através de um contador de pulso, a cada ultrapassagem sofriam consequências bem dolorosas e as punições que vinha em forma de descargas elétricas aumentavam de acordo com o número de palavras que eram ultrapassadas.

"O que as meninas estudam agora? Um pouco de soma e subtração, ver as horas, saber contar o troco. Contar, claro. Devem aprender a contar até cem."

Completamente insano não é?

A trama é toda trabalhada em cima desse aspecto e mostra de perto uma família, assim conseguimos ter uma visão bem dolorosa de como toda essa mudança afetou não apenas o relacionamento com o mundo externo, mas principalmente dentro do lar, que deveria ser um local de paz, harmonia e amor, acabou sendo de muita dor e revoltas.

"- Tenha cuidado, querida. Você tem muito mais a perder do que sua voz."

A família em questão é da neurocientista Jean McClellan. Mãe, sendo um de seus filhos uma menina, casada, sempre passou grande parte de sua vida em pesquisas e a que mais lhe interessava está ligada a fala. Por ser fonoaudióloga, claro que sua área de interesse seria nesse campo e podemos acompanhar como trabalhava na procura de retomar as atividades que inibiam a comunicação oral e escrita, causada por danos neurológicos na afasia de Wernicke.

Mas depois que o cenário político foi modificado pelos homens que estava no poder, a Dra. Jean teve que parar sua pesquisa e voltar a ser uma dona do lar.

Conforme os capítulos vão sendo apresentados, nos deparamos com passagens do passado, mostrando sinais de que as manifestações, passeatas e os protestos das mulheres não era uma preocupação infundada e no presente podemos acompanhar toda a evolução dessa situação tão absurda imposta desde que Sam Myers assumiu a presidência.

Mas não foram só as mulheres que tiveram suas vidas modificadas por esses homens. E aos poucos implementaram modificações que se deram desde a programação na televisão, a erradicação das mulheres em cargos importantes e até no sistema escolar, na tentativa de controlar as gerações futuras.

Assustada com todas as mudanças com que precisa lidar, Jean teme que o pior ainda está por vir quando se depara com seu filho estudando disciplinas ligadas a religião que estão sendo pregadas de forma errônea, fazendo uma verdadeira lavagem cerebral na cabeça dessa geração, recrutando-os como verdadeiros soldados e virando selvagens dentro de casa, sabe que precisa proteger sua filha e essa chance parece estar mais perto, quando novamente é chamada para retomar suas pesquisas afim de ajudar na reabilitação do irmão do presidente.

Por ser a melhor em sua área, Jane aproveita para conseguir salvar sua filha e livrar do contador de pulso delas. E essa jornada irá trazer revelações tão chocantes que Jean não sossegará enquanto não acabar com os planos desse modelo político e religioso tão distorcido.

Resenha completa: https://bit.ly/2S9c9D1

site: http://www.bookobsessionblog.com/2018/10/resenha-vox-christina-dalcher-editora.html
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