Semente de bruxa

Semente de bruxa Margaret Atwood




Resenhas - Semente de bruxa


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Løu huebes 26/07/2020

Um livro okay.
O livro se trata de uma releitura do cla?ssico "A Tempestade", de William Shakespeare. Felix o protagonista se encontra no melhor momento de sua carreira como diretor, seu pro?ximo passo seria produzir a obra A Tempestade, mas acaba sendo trai?do por um parceiro de forma inimagina?vel. Apo?s a traic?a?o ele se exila em uma cabana que ele encontra abandonada onde ele vai viver assombrado pelas memo?rias de sua filha perdida, enquanto planeja sua vinganc?a. Ele troca de nome e se torna um professor falido que comec?a a incentivar presidia?rios de uma prisa?o a encenarem pec?as de Shakespeare, em va?rios momentos no?s leitores esquecemos que os talentosos atores dessas pec?as se tratam de criminosos, e? ate? co?mico e uma das coisas que eu mais gostei do livro.
Apo?s um tempo Felix descobre que finalmente sua esperada oportunidade de vinganc?a se torna possi?vel. Ele enta?o decidi que os presidia?rios iram encenar A Tempestade para os espectadores que foram chamados a atenc?a?o para assistirem esses criminosos atores.
Gostei do livro mas na?o foi nada surpreendente, e? mais uma leitura para acalmar, uma boa escrita sem du?vida e bons personagens. Pretendo logo ler O Conto da Aia da mesma autora.
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Jaque @blogmalucadoslivros 30/06/2020

Outra obra de Margareth Atwood que não decepciona!
Em Semente de bruxa, me deparei com uma trama diferente, mas instigante sobre vingança.

A PREMISSA:
Nesta releitura de "A tempestade" de Shakespeare, conhecemos Félix. Ele está feliz e pleno com seu emprego de diretor artístico do Festival de teatro de Makeshiweg mas após a morte de sua filha a vida de Félix passa a ir água abaixo, o levando a perder este emprego que tanto ama. Assim ele acaba indo morar em uma cabana remoendo rancores do passado, a dor de ter perdido sua filha e sendo assombrado por isso e jura vingança.

❝Mas seria mais do que isso, porque dentro da bolha encantada que ele estava criando, sua Miranda viveria de novo.❞

Após doze anos, Félix arruma um emprego de professor de teatro em uma penitenciária e ali, finalmente ele encontra a chance de finalmente se vingar daqueles que um dia, tiraram tudo que ele tinha.

O QUE EU ACHEI:
Este foi meu segundo contato com a escrita da autora, e posso dizer que mais uma vez ela me surpreendeu com a delicadeza de sua escrita e a sua narrativa tão instigante. Félix é um personagens amargurado e rancoroso e eu senti empatia por ele, mesmo não concordando com suas atitudes.

Semente de bruxa não é um livro eletrizante, eu diria que é uma leitura de altos e baixos porque as vezes eu achei a leitura monótona mas ainda assim não conseguia largar, eu queria saber como seria a vingança de Félix e as consequências que isso teria.

Por fim só posso dizer que é sim uma ótima leitura, sensível e instigante. Margareth se tornou uma das minhas autoras preferidas, então mesmo com algumas ressalvas recomendo demais este livro!

site: https://www.malucadoslivros.com.br/2020/06/resenha-semente-de-bruxa-margareth.html
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Wonderland of Books 13/02/2020

Adoro essa escritora. Lerei tudo dela.
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Patrícia 13/04/2021

Uma história de vingança
Felix é um diretor de teatro muito dedicado ao seu trabalho ainda mais depois de perder sua esposa e sua filha pequena mas ele acaba deixando muitas responsabilidades a cargo do seu assistente.
Quando Felix menos espera ele é demitido e seu assistente assume seu lugar, então Felix pega suas coisas e vai viver isolado, onde ele fica por doze anos, até descobrir uma vaga para dar aula em uma prisão e ele decide se candidatar, ele consegue o emprego e lá ele vai dar continuidade ao seu projeto que foi interrompido, com os presos ele vai montar a encenação de A Tempestade de Shakespeare e também se vingar das pessoas que armaram para que ele fosse demitido.
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Eu gostei muito da leitura mas sinto que perdi muito da experiência por não ter lido A Tempestade de Shakespeare antes mas uma coisa que esse livro fez muito bem foi me deixar com vontade de me aventurar por Shakespeare ?
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@thereader2408 27/12/2021

Perdoar é libertar o prisioneiro...
Em "A tempestade" de William Shakespeare o personagem Próspero pede a audiência que o perdoe e o liberte, mas do que exatamente ele queria ser libertado? Esse questionamento foi explorado pela escritora Margaret Atwood, famosa pelo "O conto da Aia", pois segundo a autora todos nós, de certa forma, estamos em algum tipo de prisão. "Semente de Bruxa" é uma releitura construída no âmbito doprojeto Hogarth Shakespeare, e retoma a peça "A Tempestade", uma das histórias mas incríveis criadas pelo Bardo.

O livro da Atwood conta a história de Felix, que trabalha como diretor artístico do Festival de Teatro de Makeshiweg e é muito bem sucedido em seus projetos. Seu próximo trabalho será a encenação de "A tempestade" que além de o ajudar a melhorar sua reputação, servirá para curar antigas feridas emocionais. Mas Feliz é traido e se exila, assombrado pelas suas memórias, ele planeja sua vingança. Uma oportunidade chega doze anos depois, na forma do cargo de professor em um presídio e lá ele planeja encenar "A Tempestade" com seus alunos, ao mesmo tempo prepara uma armadilha para aqueles que o trairam.

Depois de publicado a autora soube de um preso na Itália que participou de uma encenação de "A tempestade" na prisão e achou a experiência tão libertadora que depois de solto ele visita prisões com um projeto sobre Shakespeare. Em "Shakespeare salvou minha vida" de Laura Bates, é narrada a história de uma professora que ensina literatura em prisões de segurança máxima e mostra como isso foi uma experiência gratificante para todos os envolvidos.

Ao falar sobre sua inspiração em recontar "A tempestade" em uma prisão, a autora afirma que um dos objetivos foi levantar um debate sobre "para quê servem as prisões?". Para punir e fazer com que as pessoas tenham os piores momentos de suas vidas? Ou para recuperar pessoas que um dia serão reintegradas novamente à sociedade?

Embora o título do livro possa remeter a bruxaria ou uma abordagem sobrenatural, o livro na verdade fala de luto, vingança, perda, arrependimentos e segundas chances, o que tem tudo a ver com os diversos tipos de prisões que possamos estar submetidos, alegóricas ou não.

@thereader2408
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@pelamente.psique 11/09/2021

Clube do Livro - Agosto 2021
(Resenha) Livro - Semente de Bruxa - Margaret Atwood
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?Está é a minha primeira resenha no IG de um livro da Margaret apesar de ser o meu terceiro contato com a autora (já li O conto da Aia e Os Testamentos). Quando este livro foi escolhido para a LC, minha expectativa foi enorme!
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?Foi amor à primeira vista quando adquiri esta edição caprichadissima da @morro, a segunda grata surpresa foi descobrir que este livro é fruto de um projeto de uma editora inglesa que decidiu homenagear os 400 anos da morte de Shakespeare convidando autores contemporâneos para revistarem as obras do autor.
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?Está é a história de Felix um diretor artístico que está no auge de sua carreira e é responsável por um renomado festival de teatro e tinha planos de produzir a melhor adaptação de ?A Tempestade? de Shakespeare quando é surpreendido por uma demissão.
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?Ele logo percebe que o golpe da demissão é uma cilada de negociações políticas de seus inimigos, mas Félix já enfrentava a tragedia da morte de sua filha e com isto ele exila-se em uma cabana, longe de tudo e de todos.
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?Este é o mês dos pais e está relação pai e filha é abordada com muita sensibilidade e beleza ao longo de toda a historia nos deixando emocionados (e confusos) hora questionando a sanidade do protagonista, hora acreditando no sobrenatural.
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?Alguns anos depois ele decide restaurar sua vida e concorrer a uma vaga de professor de teatro em um projeto de uma penitenciária e é aí que sua ?vingança? começa!
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?A autora esmiúça a peça original abrindo nossos horizontes para a percepção sobre o comportamento humano através das reflexões sagazes que Félix dispõem para cativar os detentos.
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?Adorei a forma inteligente que Félix manipula as pessoas e fui surpreendida com o final que demonstrou imensa nobreza de espírito do personagem. Conta pra mim se você já leu esse livro ou alguma obra da Margaret ou se conhece a obra A Tempestade de Shakespeare.
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Jacky 20/08/2021

Uma obra prima!
Nessa minha mania de não ler a sinopse, eu realmente não esperava que o título desse livro tivesse esse enredo como plano de fundo.
Semente de Bruxa é uma releitura da peça "A tempestade" de Shakespeare, colocando ao redor dessa análise da peça a história de Felix Phillips, um diretor e produtor teatral que perde a família e é demitido de seu atual emprego no comando de um grande teatro, vítima de uma maracutaia armada por seu assistente, Tony, antes de colocar em prática a peça de sua vida, "A tempestade".
A autora faz um belo bolo com várias camadas que esmiúçam a peça original de Shakespeare enquanto conta a história do personagem principal, fazendo o leitor analisar duplamente as leves nuances de comparação entre os personagens da peça original e os envolvidos na narrativa de Margareth Atwood rodeando toda a vida pessoal de Felix, além de deixar a dúvida quanto a veracidade da participação filha do protagonista na apresentação e nos deixando apreensivos quanto ao andamento de sua vingança pessoal.
Confesso que por diversas vezes achei que Felix ia colocar todos ali em uma grave situação por causa de seu enorme desejo de vingança, mas o desdobramento final me deixou tão chocada que tive que parar a leitura para respirar.
Para finalizar essa obra magnífica, o final é perfeito, trazendo os "atores" da peça em uma analise própria de cada um de seus personagens num futuro após o final da trama da peça original.
Assim como disse o jornal britânico "The Guardian", eu também queria que Atwood reescrevesse toda a obra de Shakespeare, pois isso ficou magnífico.

Obs.: Recomendo a leitura da obra original, no final do livro há apenas um grande resumão da história de Shakespeare.
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Thay 06/05/2021

Adorei
A tempestade de William Shakespeare como jamais vista. É sensacional ver como a interpretação faz toda a diferença.
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Thiago Silva 17/10/2019

Semente de Bruxa
Esse é simplesmente um dos melhores livros que li esse ano, a escrita de Atwood
É daquelas raras que nos faz viajar pelas páginas sem nos cansarmos facilmente.
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Coruja 05/10/2019

Como esse é o mês do Halloween, não tive nem dúvidas em escolher qual seria o título para esse tema do Desafio Corujesco (é, eu sei, tô atrasada com os temas anteriores, mas coisas andaram meio corridas por aqui…) assim que registrei o título: Semente de Bruxa me fez brilhar os olhinhos tão logo foi anunciado. Afinal, tratava-se de uma releitura de Shakespeare - um dos maiores escritores de língua inglesa na História - feita por Margaret Atwood - uma das mais admiradas autoras em tempos modernos. A Tempestade não é uma das minhas peças favoritas do bardo, mas outra releitura - o capítulo final da série Sandman do Gaiman - fez com que ela ganhasse um lugarzinho especial no meu coração.

Dito isso, a primeira coisa que tenho a falar da versão de Atwood é que ela me segurou na cadeira em ansioso suspense até a última página, a despeito do fato de que a familiaridade com o texto original me dava uma boa ideia de como seria o final. A forma como ela costura o périplo de Félix, seu protagonista, para espelhar as desventuras de Próspero, como ecoa em coincidências de circunstâncias, nomes, papéis, mesmo traduzindo o enredo elizabetano para tempos modernos - e focando a ação dentro do teatro - é simplesmente genial.

Antes de continuar me derretendo em elogios, porém, preciso explicar a história. Tudo começa com Félix, diretor de um festival de teatro reconhecido pela inventividade e quebra de paradigmas, sendo sumariamente dispensado de seu posto por Tony, a quem considerava seu braço direito. Tony deseja o cargo de diretor para usá-lo como trampolim político, e aproveita-se do desinteresse de Félix por suas obrigações administrativas e da vulnerabilidade em que ele se encontra após a morte da filha de três anos, Miranda.

Félix estava no meio da montagem justo de A Tempestade, projeto em que pretendia homenagear a memória da filha - afinal, a bela filha do mago Próspero se chama Miranda. A traição de Tony não apenas lhe tira de um trabalho que era sua paixão, como também lhe parece uma segunda morte da menina. Assim é que ele se afasta de tudo e de todos, vai morar num barracão à beira da estrada, inventa uma nova identidade para si mesmo e acaba por conseguir um emprego como professor de literatura num programa de alfabetização de presos, onde passa doze anos sonhando com vingança; uma vingança que vai envolver justamente… A Tempestade.

Dramático? Imagina?…

As muitas coincidências que fazem Félix estar no lugar certo, na hora certa para conseguir sua vinganças podem até ser forçadas, mas a escrita de Atwood faz você esquecer disso, da mesma maneira que o aparente fantasma (ou alucinação) da Miranda que acompanha Félix. Não obstante ser o plot da vingança bem interessante, o que realmente rouba a cena são as ligações que Félix estabelece com seus alunos e como eles interpretam o texto original de Shakespeare, trazendo a ilha de Próspero para sua realidade. Eu teria lido feliz todas as peças anteriores montadas no presídio (Macbeth e Ricardo III são citadas), teria devorado outras centenas de páginas com ele desafiando seus alunos a pensarem, re-imaginarem, reescreverem e se encontrarem nos personagens de Shakespeare.

Chamou-me particularmente atenção a forma como boa parte do presos se identifica com Calibã, o ‘semente de bruxa’ conforme os insultos de Próspero. Calibã, o monstro, o deformado, o vilão, mas também o escravo, o vilipendiado, o colonizado, aquele que teve sua terra roubada pelos brancos. Não foi uma correlação que eu tenha feito quando li a peça, mas que fez muito sentido no contexto do romance de Atwood. Eu gostei desse comentário social - do conflito político acerca do merecimento dos presos de um programa como aquele, face às expectativas de punição do público; do teatro e da leitura como ferramentas de aprendizado que poderiam ser utilizadas após o grupo ter cumprido sua sentença, da maneira como os exercícios propostos permitem não apenas catarse, mas uma recuperação de dignidade.

Para além disso, como eu poderia resistir a um livro tão espetacularmente metanarrativo? Afinal, estamos diante de uma peça (manipulada por Próspero) dentro de uma peça (escrita por Shakespeare) dentro de uma peça (dirigida por Félix), numa história cujos acontecimentos espelham de perto o enredo da traição e vingança do Próspero original. Isso apela ao meu senso de ironia e meu gosto por contos que se assemelham a matrioskas, uma história dentro da outra, dentro de outra e assim por diante.

Semente de Bruxa é um livro delicioso, inteligente na forma como usa os temas presentes em A Tempestade, com personagens teatrais que entendem muito bem que estão representando personagens, repleta de humor e, mais importante, de humanidade. Shakespeare sabe muito bem ir à essência da questão e Atwood aproveita com maestria a trilha deixada pelo bardo. Foi um daqueles livros que nos deixam com gosto de quero mais ao terminar. Vai para a lista dos favoritos desse ano, sem dúvida.

site: https://owlsroof.blogspot.com/2019/10/desafio-corujesco-2019-uma-releitura.html
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Amanda 28/04/2019

Metalinguagem, lições de humanidade e escrita criativa
Falar de Shakespeare nunca é fácil. Exceto, talvez, para Margaret Atwood. Semente de Bruxa reconta a história de A Tempestade, última peça do dramaturgo inglês. Primeiramente, partindo do original, é preciso dizer que A Tempestade, assim como a maior parte das obras shakespearianas, é complexa, cheia de camadas e interpretações, com metáforas e simbolismos sobre a condição humana e as problemáticas sociais. Apesar de não tão conhecida se comparada às grandiosas Hamlet, Otelo e Romeu e Julieta, A Tempestade é absolutamente genial, densa e atemporal, trabalhando um dos temas favoritos do grande mestre: a vingança.

No texto original, Próspero, o duque de Milão, se vê traído pelo irmão usurpador e é obrigado a fugir com a filha, Miranda, então uma criancinha, em um barco precário. Eles encontram uma ilha e fazem dela seu refúgio (mas também sua prisão). Na ilha, encontram espíritos e Calibã, filho da bruxa Sycorax. Calibã é um personagem fundamental da trama, tratado como escravo, meio monstro inescrupuloso, meio animal ingênuo, de forma que não é nenhuma surpresa que seja ele o título de Semente de Bruxa.

Antes de começar a leitura de Semente de Bruxa, recomendo fortemente a leitura prévia da peça original, que pode ser encontrada no final da edição da Morro Branco (que está linda, por sinal!).

"O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui." - A Tempestade, William Shakespeare.

Margaret Atwood narra a história de Félix, um decrépito diretor de teatro, com nada além de um passado memorável, ainda que polêmico, e sentimentos sórdidos e desesperados sufocados pela depressão que o impede de agir. Traído e exilado, assim como o Próspero de Shakespeare, Félix inscreve-se como professor de teatro no presídio masculino local, onde tenta, finalmente, recriar sua Tempestade.

Semente de Bruxa conta uma história dentro de outra, e por mais confuso que isso possa parecer, a leitura é incrivelmente próxima do leitor. Narrado no formato de diário em terceira pessoa, o livro inicia já em seu clímax e então regride, contando o que levou Felix àquela situação.

Não apenas os personagens são terrivelmente reais, complexos, vivos, mas também relacionam-se diretamente com seus correspondentes shakespearianos. A Tempestade serve como instrumento catártico para Félix e sua trupe. Uma vez dentro dos personagens, o teatro serve como terapia para cada um expurgar seus próprios demônios, livrar-se de traumas e seguir em frente. Essa é uma das características mais poderosas da arte, conceito-base de qualquer produção, e é ricamente trabalhada por Atwood, que não apenas nos conta uma história, mas nos ensina o verdadeiro propósito da narrativa, da leitura, da vivência artística.

Ainda sobre os personagens, Félix é tão controverso quanto o próprio Próspero - ame-o ou odeie-o. Fanático, meio louco e vingativo, mas também paternal e zeloso, ele impulsiona a trama e faz de toda a história seu próprio palco. Miranda, a filha-musa, semi-deusa de Félix, é ainda mais complexa de se comentar, especialmente sem entregar aspectos relevantes da história. Basta dizer que é a personagem tem tantas camadas e facetas quanto se é possível ousar sem se perder completamente a essência, e isso só é possível pelas mãos habilidosas da autora. Cada prisioneiro membro da trupe assume um papel fundamental na peça e também na história, cheios de personalidade e carisma, mas entre eles é Calibã e seus sementes de bruxa que roubam a cena.

Calibã, aliás, é um personagem digno de nota em qualquer circunstância. Ele, que é a alma da história, ainda que relegado à condição de escravo de Próspero. Aliás, talvez justamente por sua natureza prisioneira. Calibã representa toda a narrativa: é a escória, o injustiçado, o demônio, a criatura ignorante, o devasso, o dono de tudo e de nada, o prisioneiro, a própria escravidão.

E a traição? Personificada pelos inimigos de Próspero e de Félix, a traição é o elemento que define o teor da trama. Em contrapartida, a vingança marca o objetivo, o clímax e o aspecto psicológico tanto de A Tempestade quanto de Semente de Bruxa. Ambas as histórias, unidas em uma só, possuem as mesmas cores. Mas Atwood tem suas próprias regras, e vai além: não basta recontar, é preciso refletir.

"Havia um desespero febril nesses seus esforços remotos, mas o melhor tipo de arte não era a que carregava o desespero em seu âmago? Não era sempre um desafio à Morte? Um dedo do meio provocador à beira do abismo?"

Semente de Bruxa é um livro profundamente semiótico. Tudo tem um porquê de ser, cada simbolismo, cada palavra, cada personagem e cenário estão intrinsecamente relacionados à Tempestade e, por fim, à parcela humana da história. Nesse sentido, a Morro Branco criou a arte de capa mais relevante e sensível de qualquer edição que o livro já recebeu, incorporando completamente a proposta definida pela autora, proporcionando a tão merecida reflexão desde o primeiro momento da leitura.

É importante frisar a complexidade e domínio da escrita da autora. Além da metalinguagem e do exercício de conceitos fundamentais da arte e do teatro, como a mímeses, a catarse e os aspectos técnicos, Margaret Atwood também nos dá uma belíssima aula de interpretação, roteiro e escrita criativa. Leia Semente de Bruxa como entretenimento, não há nada de errado nisso. Mas observe as nuances e lições e a leitura será integral, uma verdadeira aprendizagem sobre narrativa e literatura, sobre arte e psicologia e, sobretudo, sobre criatividade. Semente de Bruxa é o pacote completo.
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carlos 13/12/2018

"O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui" - W.S.
Semente de Bruxa é uma releitura INCRÍVEL de A Tempestade de William Shakespeare escrita pela Margaret Atwood!!!! Depois de ter sido demitido injustamente por alguém que considerava amigo, Felix começa a trabalhar como diretor de teatro em um presídio, organizando encenações de peças shakespeareanas estrelando os encarcerados. Ele finalmente consegue realizar seu sonho de trabalhar com A Tempestade e aproveita os temas obscuros da obra e dos sentimentos vingativos de Próspero, o personagem principal, para orquestrar sua própria vingança, fazendo do presídio a sua ilha mágica.

A história tem, no mínimo, três camadas de A Tempestade: 1) a própria peça de Shakespeare, que serve como inspiração, esqueleto e referência primeira para o livro; 2) os personagens do livro imersos no roteiro da peça para a interpretação no presídio, com várias discussões sobre os temas da trama e as motivações dos personagens shakespeareanos; 3) as analogias que o próprio enredo do livro fazem ao enredo da peça e as maneiras como os personagens de Atwood espelham os personagens de Shakespeare. Se soa confuso, é porque é.

A segunda camada é cheia de relações entre personagens Atwood-Shakespeare que tanto o leitor quanto os personagens de Atwood reconhecem – os papéis são atribuídos entre os prisioneiros conscientemente; enquanto a terceira camada é mais um "bônus" para o leitor – os personagens de Atwood, com exceção talvez de Felix, não percebem que estão literalmente vivendo o enredo de A Tempestade e que seus papéis são muito bem desenhados para imitar o enredo shakespeareano na vida real.

Eu li a peça em maio desse ano e assisti ao filme com a Helen Mirren algumas vezes (porque apesar de os efeitos serem péssimos, as atuações são ótimas e o fato de o Próspero ser a Próspera me ganhou totalmente) e mesmo assim me senti perdido na leitura de Semente de Bruxa às vezes. Quanto mais os personagens do livro tomavam decisões que os assemelhavam aos personagens de Shakespeare, mais nós eu tinha que desfazer na minha cabeça e mais eu achava a recriação da Margaret Atwood genial.

Esse foi o primeiro livro da autora que eu li e também o primeiro contato com essa coleção que traz autores renomados para escreverem releituras de peças shakespeareanas. Ainda tenho muita curiosidade de conferir a releitura do Jo Nesbo de Macbeth e estou ansioso para a da Gillian Flynn baseada em Hamlet que deve sair nos próximos anos. Adorei a proposta, e espero que sejam lançados aqui no Brasil também!

Ah, ao fim do livro tem uma breve narrativa apresentando o enredo da peça para o leitor (re)conhecê-la, mas ainda acho válido dar uma lida no texto íntegro antes, ou pelo menos assistir a alguma adaptação pra conseguir aproveitar a leitura ao máximo possível. Eu já mal posso esperar pra reler essa história e perceber as referências que devo ter deixado passar nessa primeira leitura.
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Tatiana.Macari 05/11/2021

Uma releitura de A Tempestade de Shakespeare, muito intrigante e que te prende até o fim, final bem razoável, esperava mais
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Jdny 24/03/2022

O início te deixa intrigado mas a medida que a história se desenrola fica muito arrastado e repetitivo. Achei desnecessário a parte 5.
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Aline Teodosio @leituras.da.aline 14/12/2019

Félix é um famoso diretor de teatro, conhecido por estar a frente de peças polêmicas e bem elaboradas. Diante de um grande drama pessoal, ele resolve dirigir A Tempestade, de William Shakespeare. Mas assim como na peça original, Félix sofre uma traição e se ver obrigado a se refugiar longe de tudo e de todos por muitos anos. Até que um novo viés profissional lhe oportuniza sua tão desejada e aguardada vingança.

Essa obra é uma deliciosa releitura de A Tempestade, de Shakespeare. Uma narrativa que nos faz pensar sobre prisões, sejam elas físicas ou não, e sobre redenção. Nos faz refletir sobre nossas escolhas, sobre os percalços que sofremos, sobre destino, sobre nossas lutas diárias.

O interessante aqui é que a vida de Félix, diante das circunstâncias por ele enfrentadas, se assemelha à vida de Próspero, protagonista da peça original, e para conseguir realizar a sua vingança, ele monta a peça tendo como atores pessoas encarceradas enfrentando suas próprias prisões. Uma sacada inteligentíssima, contada pela escrita inteligente e sensível da Atwood.

Gostei muito!
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