Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão

Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão Olavo de Carvalho
Arthur Schopenhauer




Resenhas - Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão


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Lucas 31/05/2009

Para que serve esse livro?
É importante ter em mente que o principal objetivo de Schopenhauer com esse livro não era ensinar as pessoas a obterem a vitória nos debates, sem que seus discursos possuíssem conteúdo. O que ele faz aqui, e com muita perspicácia, é dissecar as formas de discurso comumente utilizadas, as quais, para os debatedores que buscam alcançar alguma verdade, chegam a ser enlouquecedoras.

Não há qualquer necessidade de sermos filósofos ou de termos lido autoridades da filosofia para entendermos o que ele nos ensina. Não precisamos conhecer conceitos ou dominar categorias para entendermos o livro.

Ele tanto serve a grandes oradores, debatedores, quanto para quem simplesmente senta numa mesa de bar para botar o papo em dia e conversar sobre o mundo. A filosofia também serve para isso.

Muitas pessoas, mesmo sem querer, fazem uso de meios desonestos para convencer os outros e, penso que hoje em dia principalmente, é importantíssimo desnudarmos os embustadores.
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Pedro Tostes 14/07/2009

Tirando o Olavo...
A primeira vez que deparei com o "Como vencer um debate", achei-o um livro dificil. Apenas depois entendi que estava lendo a parte do Olavo de Carvalho, que toma mais da metade do livro. Então pulei o prefácio analítico e comecei a me deliciar com o texto de Artur Schopenhauer.

Salta aos olhos o fato de Schop ser um dos raros escritores clássicos da filosofia que possui um texto limpo e claro. Em sua exposição sobre a dialética eristica o autor alerta a todos sobre os perigos ocultos nos debates, onde em geral impera a necessidade da vitoria por meios licitos ou ilicitos. Schop demonstra 32 estratagemas utilizados frequentemente por politicos, lideres religiosos, acadêmicos, jornalistas e demais formadores de opinião para ludibriar aos incautos e remoldar a verdade de acordo com a sua conveniência. Como antídoto, Schop também ensina como desmontar tal argumentação maliciosa, ao expor as visceras teóricas que acompanham tais pensamentos. Seu texto preciso e irônico leva o leitor a boas risadas tristes, ao constatar que frequentemente também se vê enredado em tais argumentações.

Livro de primeira necessidade para todos aqueles que possuem senso crítico e convivem em meios onde é necessário poder de argumentação, tais como movimento estudantil, clubes e associações recreativas, sindicatos, partidos políticos, mercado de trabalho, enfim, um livro necessário a todos.

O difícil é esquivar-se do texto do Olavo que tem ao redor desta obra prima. No dia que eu conseguir ler o livro que o Olavo escreveu ao redor do Schop, eu juro que comento.

"Desiperis est juris gentium"
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Andre Morelli 20/12/2012

Leia com atenção os comentários de Olavo de Carvalho
Este é um livro deixado inacabado, e é resultado de uma indignação de quem estava cansado de discutir com ignorantes metidos a filósofos. Nos nossos dias essa gente, inclusive, triunfou e habita as cátedras universitárias. Então o livro, antes de ser um manual de combate à indecência intelectual, serve como um guia para o próprio pensamento. O leitor, ao ler cada um dos estratagemas, deve ser perguntar: meu pensamento não está impregnado desse? Se a resposta for sim para qualquer um deles, cada sim deve forçar uma profunda reflexão sobre o próprio intelecto.

Mas a leitura pura e simples do livro é um erro. Ler a introdução de Olavo de Carvalho é essencial pois situa a dialética dentro da filosofia ao longo do tempo, e esclarece alguns erros de interpretação de Schopenhauer. A introdução já é, por si só, um enorme trabalho de compreensão da dialética, e certamente deixará o leitor com um fôlego renovado para compreender algo tão comentado e raramente entendido.

Se sua meta é obter conhecimentos e não posições acadêmicas; se sua meta é realmente saber e não se mostrar para os amigos nos botecos e salas de aula, este é o seu livro. É justamente os segundos que se atraem pelo título, na esperança que se tornem os primeiros.
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Rafael Vargas 20/12/2015

Um comentador ideal para o assunto
Como sempre Schopenhauer é maravilhoso. O que estraga no livro de fato é a introdução demasiadamente prolongada de Olavo de Carvalho, os muitos comentários desnecessários e o apêndice também escrito por ele.
A sensação que tive de ler Schopenhauer comentado por Olavo de Carvalho foi a de um médico lendo um tratado de cirurgia em seres humanos comentado por um açougueiro.
Almir 03/03/2016minha estante
Perfeita sua descrição


Ronaldo 01/07/2018minha estante
O Olavo prefaciando esse livro é a mesma coisa que um fusquinha rebocando uma Ferrari. kkkkk




Gabriel_88 31/01/2009

Apesar de inacabado um livro genial cujo o autor é um dois maiores filósofos de todos os tempos, um arma letal contra falacias e pseudo-argumentadores
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Flávio Café 29/03/2010

Ler a Dielética erística de Schopenhauer é uma ótima maneira de se descobrir não só as falhas nos discursos alheios, mas também as falhas em seus próprios discursos fazendo de nós mesmos melhores, mais justos, e verdadeiros argumentadores apesar de que não nos impede de usar essas técnicas injustamente, ou com diria o autor, erísticamente, ou seja, só para vencer o debate, não se importado realmente com a verdade, ou com a razão.
Todos deveriam lê-lo em algum momento da vida, ou pelo menos, todos que estão com vontade de se libertar das opiniões que a imprensa e a classe dominante, assim como os políticos e os intelectuais de aluguel procuram implantar nas nossas cabeças para obedecermos maquinalmente às suas perversas especulações de poder.
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Lucas 18/05/2014

Ceticismo à debates
Schopenhauer dá um verdadeiro tapa dissecando o modus operandi dos charlatões com uma boa retórica. Vencer um debate não significa necessariamente estar certo, mas sim mostrar que vence aquele que melhor ataca, utilizando de técnicas pitorescas, porém muito bem aceitas pelo público espectador. A obra "Dialética erística" não é apenas um manual, é uma ferramenta de defesa.
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Sarinha 27/07/2013

Bom a primeira instrução que ele nos mostra é que sua função não nos ensinar a criar discursos mirabolantes e mentirosos afim de convencer a qualquer um e quem estive na nossa frente sua função é nos mostrar as técnica usadas e nos defendermos delas. ''Como Vencer um Debate sem Ter Razão '' mostra técnicas de dialogo e que não se deve discutir com quem não conhece ou não aprova os princípios da discussão.
Os comentários que tem no livro são muito importantes pois as palavras usadas exigem bastante observação e estudo e não são naturalmente usadas, os comentários explicam algumas expressões que a leitura de alguém leigo na filosofia não entenderia.
Esse livro é muito bom e super bem recomendado, mas deve ser lembrado que ele é de estudo e deve ser calmamente lido.
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Gran 13/06/2014

Para os inicados em filosofia
Gosto de saber as opiniões de Olavo de Carvalho. Já li "tudo o que vc precisa saber para não ser um idiota" e assití na internet vídeos dele sobre diversos assuntos. Levei isso em consideração quando resolvi comprar essa edição, muito mais cara, comentada por ele.
Perdi dinheiro. Os comentários dele são extensos (pelo menos metado do livro) e é escrito para quem já é iniciado em filosofia, especialmente aqueles com conhecimento das obras de Aristóteles, Kant, Hegel e até mesmo Karl Marx. O texto de Schopenhauer também poderia ser mais elucidativo e mais exemplificado, mas é a melhor parte do livro. No fim das contas, não fui capaz de absorver grande parte dos ensinamentos por ser leigo e acabei achando o livro um tanto chato. Talvez se lê-lo novamente, com mais carga literária, absorva mais informações e ache interessante. Os textos são curtos e a leitura é rápida e isso contribui para não tornar a leitura cansativa.
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Chris 09/10/2017

O homem busca ter razão
Arthur Schopenhauer nasceu em 22 de fevereiro de 1788 em Danzig (Polônia), apelidado como "Filósofo Artista" pelas suas obras e seu gosto pela arte, principalmente pela sua ideia de que a arte é a única coisa que nos livra da dor. Schopenhauer é conhecido como o "filósofo do pessimismo" pela sua ideia de que a natureza é marcada por conflitos, lutas e insatisfações; a consecução de um objetivo ou desejo resulta em satisfação, enquanto a frustração de tal realização resulta em sofrimento e como a existencia é marcada pela falta e a satisfação dessa vontade é impossivel, a existencia é caracterizada pelo sofrimento.

38 Estratégias Para Vencer Qualquer Debate. A Arte de Ter Razão; Editora Faro, primeira edição: (18 de novembro de 2014); Introduções de Karl Otto Erdmann.

A obra de Schopenhauer com o nome Erística é póstuma, sendo assim o nome não foi dado por ele, pelo que se sabe, por seu discípulo Frauenstädt, que teve acesso ao material inédito e o publicou. Dialética Erística entendida como a doutrina do debate, Se trata da arte de discutir com o intuito de vencer o debate, com razão ou não, "per fast et nefas" (por meios lícitos ou ilícitos). No livro o autor tenta adentrar em "uma área ainda virgem" e da um aviso que o próprio ainda é apenas uma tentativa de ser um estudo sistemático, não da dialética cientifica e nem da lógica, mas da dialética natural do homem que implica em levantar e analisar estratégias desonestas na disputa, com isso pode-se, por meio do debate verdadeiro, tanto reconhecê-las como negá-las. Com isso o uso dela (Dialética Erística) deve ter como objetivo final ter a razão em um debate sem que seja necessária possuir a verdade.

A introdução do livro por Karl Otto, começa citando um trecho da peça de Goethe, Torquato Tasso, em que um dos ouvintes do debate diz ouvir com prazer a discussão dos sábios, que o movimento e jeito de falar do orador é tanto encantador quanto assustador, que ele se move com agressividade e graça, mesmo sem estar entendendo o conteúdo do debate, ele escolhe o que mais elegantemente se conduz. O nome dado a isso é "ESTETA", alguém que assiste um debate por entretenimento, que vê o debate como um tipo de combate intelectual, analisando puramente a estética e oratória, a mais bela vence, ignorando o propósito ou a verdade de cada discurso.
Ele explica que ter razão e ficar com a razão nem sempre são as mesmas coisas, o vencedor de um debate não necessariamente é o que estava certo, mas apenas o que domina melhor a arte da persuasão, retórica, ironia, provocação; enquanto o mais sutil, honesto e crítico pode perder o debate por não ter tal estilo ofensivo. Schopenhauer é cético quanto ao homem que diz buscar a verdade, para ele todo homem é inerentemente vaidoso, nenhum homem gosta de perder um debate, pois isso significaria ser inferior, em suas palavras o homem tem um tipo de "vaidade congênita, que é extremamente sensível, em especial com as faculdades intelectuais, é extremamente doloroso perder um debate, por isso todos sempre tendem ao uso de estrategias para vence-lo mesmo sem razão, a dialética erística é natural.

Entender os princípios das estratégias falaciosas é o primeiro passo para não ser manipulado e vencer um debate, é claro, não se deve usa-las. A empreitada de Schopenhauer constituiu em substituir os conhecimentos antigos e "empoeirados", gregos e medievais de refutações aos sofistas, com um guia "moderno" de Lógica e Dialética. Lamentavelmente o trabalho não foi totalmente concluído porém a utilidade desse manual é magnífica, e a escrita é simples e objetiva, não se engane pelo numero de páginas, tirando algumas partes um pouco prolixas da introdução, o livro é extremamente dinâmico e lhe servirá de muitas consultas.

Temos 38 estratagemas deixados por Schopenhauer e Otto os classificou como parte essencial de algum dos seguintes fenomenos:
1. Inadequação da linguagem do ponto de vista lógico. Goethe diz: “Assim que fala, a
pessoa j á começa a divagar.”
2. Conflito entre o universal e o particular: os perigos da generalização, esquematização
e tipificação; as contradições e as imperfeições da indução.
3. O fato de que nossas principais convicções baseiam-se em valores e, portanto, estão
ligadas à ideia de certo e errado.
4. O fenômeno inevitável de que cada experiência própria se dá ao mesmo tempo que a
dos outros, e de que ninguém pode prescindir das autoridades.
5. A tendência erradicável de todas as pessoas ao pensamento absoluto, enquanto nossos
valores, conceitos e conhecimentos são relativos.

É essencial entender que a maioria dos principais sofismas (estratagemas), exploram imperfeições naturais e inevitáveis da inteligencia e da transferência do conhecimento pela linguagem. Nos pontos de vista especificados não se enquadram comentários sobre artifícios legítimos, a saber, os subterfúgios e truques acima mencionados nada têm a ver com a lógica, especialmente os (ignoratio elenchi) propositais como a “perversão da questão”; e, finalmente, as falácias propriamente ditas são violações das regras do SILOGISMO.

As 38 estratégias:
1 - Generalize as afirmações do seu oponente
2 - Homonímia — Mude os significados das palavras-chave do oponente
3 - Confunda a argumentação
4 - Prepare o caminho, mas oculte a conclusão
5 - Use as premissas do seu oponente contra ele
6 - Mude as palavras do oponente para confundi-lo
7 - Faça o oponente concordar de forma indireta
8 - Desestabilize o oponente
9 - Disfarce seu obj etivo final
10 - Use a psicologia da negação
11 - Tome um conceito geral para o caso particular
12 - Uso sutil dos vocábulos — renomeie as mesmas palavras
13 - Apresente uma segunda opção inaceitável
14 - Acuando os tímidos
15 - Utilize paradoxos — para situações difíceis
16 - Desqualifique o argumento do outro
17 - Faço uso da dupla interpretação
18 - Mude o curso; interrompa antes da perda certa.
19 - Desfoque; depois encontre uma brecha
20 - Não arrisque num jogo ganho
21 - Use as mesmas armas
22 - Reduza a força do argumento principal
23 - Provoque o oponente
24 - Torne a alegação do outro inconsistente
25 - Use a exceção para destruir a tese
26 - Reforce um aspecto no oponente; depois destrua o seu valor.
27 - Deixe o seu oponente desequilibrado
28 - Ganhe a simpatia da audiência e ridicularize o adversário
29 - Não se importe em fugir do assunto se estiver a ponto de perder
30 - Aposte em credenciais e acue a todos
31 - Complique o discurso de seu oponente
32 - “Cole” um sentido ruim na alegação do outro
33 - Invalide a teoria pela prática
34 - Encontre e explore o ponto fraco
35 - Mostre ao seu oponente que está lutando contra os próprios interesses
36 - Confunda e assuste o oponente com palavras complicadas
37 - Destrua a tese boa pela prova frágil
38 - Como último recurso, parta para o ataque pessoal.
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Marcos 12/04/2014

Resenha da obra de Arthur Schopenhauer auto intitulada Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão
AUTOR: Arthur Schopenhauer (1788 – 1860);
TITULO: Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão: em 38 estratagemas;
INTRODUÇÃO, NOTAS E COMENTÁRIOS: Olavo de Carvalho;
TRADUÇÃO: Daniela Caldas e Olavo de Carvalho;
EDITORA: RJ: Topbooks, 1997

Completando, hoje – 22/04/2012 – a leitura desta obra capciosa Schopenhauer de modo insidioso e sem medir escrúpulos, de forma ordenada e analítica, incentiva veementemente em sua obra a deslealdade, a dissimulação, denotando do debatedor um elementar sentimento de torpeza, desprezando tudo e a todos apenas pelo desejo de recompensa – a vitória.
Schopenhauer (Danzig, 22 de Fevereiro 1788 — Frankfurt, 21 de Setembro 1860) foi um filósofo alemão do século XIX, dispõe em sua obra inacabada, segundo o comentarista Olavo de Carvalho: “um manual de patifaria intelectual? Nada mais, nada menos”.
Objetivando demonstrar que a dialética erística (termo este muito usado em seu manual) nada mais significa do que a arte de vencer um debate, custe o que custar, e isto per faz et per nefas (por meios lícitos ou ilícitos) Schopenhauer, concludente que é, coloca ambos os contendores de um debate eqüidistantes à lógica, onde o que mais importa não é provar, mas vencer, e para isso indica os caminhos – em 38 estratagemas – para que um ou o outro alcance a vitória mesmo tendo se baseado em provas infundadas. Para Schopenhauer, a dialética (dialética erística, segundo sua concepção que diverge da concepção Aristotélica) seria um processo de persuasão e argumentação sem vinculo com a razão, busca como objetivo imediato, combater as premissas do seu opositor, refutando de logo suas considerações mesmo que concorde com suas teses – a do opositor – e como objetivo mediato combater as conseqüências que das premissas do opositor entenda resultante.
Deste arcabouço, o conceito de dialética para Schopenhauer diverge daquele empregado por Aristóteles, o qual Schopenhauer de forma aviltante considera-a, não como o confronto de argumentos contraditórios capazes de gerar conseqüências positivas (a busca pela verdade), mas bem ao contrário, um empreendimento meramente contencioso onde o que menos interessa é descobrir a verdade.
Como foi observado por Olavo de Carvalho, contemporaneamente dialética e lógica tem sido empregado como sendo sinônimos, na pratica e para Schopenhauer não os são, para este, dialética se confunde com a retórica, que busca dissuadir o seu interlocutor a aceitar como verdade, as falácias que lhes são apresentadas, mesmo que na essência, não as sejam.
Schopenhauer, num só golpe de mesquinharia diz que: “Se existisse lealdade e boa fé, as coisas seriam distintas. Mas, como não se pode esperar isto dos demais, ninguém deve praticá-las, pois não teria retribuições. O mesmo acontece nas controvérsias. Se dou razão ao adversário nos momentos em que este parece tê-la, não é provável que ele faça o mesmo no caso contrário. Antes, recorrerá a meios ilícitos. Portanto devo fazê-lo também. É fácil dizer que se deve tão somente a verdade, sem preconceitos em favor da própria tese. Mas não se pode pressupor que o adversário o fará. E assim tampouco devemos fazê-los nós”.
Então a esta conjetura, protesta Olavo de Carvalho: “Aqui se torna visível a que distancia fomos parar da dialética de Aristóteles: de um método de busca da verdade, apto a encontrar os princípios de base das varias ciências, até uma arte do maquiavelismo psicológico, há um longo caminho a percorrer – para baixo.
O grande marco desta obra para a posteridade fica, a meu ver, grifado ao longo dos saudosos comentários e notas de CARVALHO, que de forma ambivalente nos adverte dos perigos do uso indiscriminado da dialética. Conclui, por assim dizer, que a manipulação semântica do conhecimento é a mais cabal das provas de que se tem o propósito único e exclusivo de vencer seu adversário com solene desprezo pela verdade dos fatos. Impossível é não dizer que no contexto de disputa política, as palavras consubstanciadas na obra de Schopenhauer se tornam armas – armas das quais Schopenhauer não poderia prever –, sua grande polêmica – a manipulação semântica – tem acento nos discursos unilaterais, aonde a manipulação semântica da retórica ganha status de instrumento de discursos monológicos, ou seja, a expressão de idéias para a multidão, sem, com tudo, delegar a esta a possibilidade de confrontá-las em seu antagonismo, impedindo, outrossim, o equilíbrio de forças. CARVALHO, ainda diz que esta “dialética” erística sem debate é um dos produtos mais requintados da perversidade humana. Ora, assim sendo, que atire, então, a primeira pedra, aquele que chegou ao poder político sem nunca ter se valido de retóricas e argumentos persuasivos, sem nem ao menos, ter tido a chance, o povo, de refutar tais conjeturas. Isto é de longe uma afronta ao “Principio do devido debate legal”, ora, esta postura está a guisa da arbitrariedade e do monopólio da informação, que a propósito, para que seja informação, deve passar pelo crivo do povo, destinatário final dessa dita informação, que apenas recebemos sem, contudo, nos ser dada a chance de dialetizá-la. A contrario censo, estão a elitizá-la.
Não estranho às afirmações pessimistas desta obra, ou “manual de patifarias”, recomendo a sua leitura, como sempre venho refletindo comigo mesmo: se esta obra de espiritual e nobre não tem muito a oferecer, sei que, como mecanismo de autodefesa contra aqueles que da retórica Schopenhaueriana, venha a nos inferir suas tagarelices, possamos ter como nos defender, já que agora conhecemos seus estratagemas. Assim, nas palavras de CARVALHO, como nenhum outro poderia fazer melhor, diz que:
“não se pense, porém, que com este livro eu pretendo incentivar os leitores à disputa de opiniões, por julgar que da discussão nasça a luz, quando está ai a história do mundo para provar que da maioria delas nascem apenas as falsas certezas e as decisões catastróficas. O objetivo deste escrito não é induzir o leitor a discutir com os outros, mas a dialetizar consigo próprio, na serenidade de uma investigação sincera, pelo menos até estar seguro de que suas opiniões não apressam apenas o desejo egolátrico de impor preferências, mas revelam algo da natureza das coisas e do estado dos fatos. Este livro é, com efeito, uma galeria de maus exemplos, que mostra no que resulta, em desonestidade e perversão, dar livre curso a paixão de persuadir.[...] Ao entregar ao público este trabalho, faço-o no intuito de lhe oferecer instrumentos de defesa, não de ataque. Meu desejo é ajudá-lo a resguardar-se dos tagarelas, e não a transformar-se num deles”.

Assim sendo, embora não seja necessário concordar com o autor, entendo que seu pessimismo possa nos ser útil, sua falta de decência e visível inclinação a sofística, nos denota uma enorme preocupação do autor em vencer, custe o que custar, como já foi dito exaustivamente acima. Sua conduta implacável e predatória diante de seus contendores, tratando-os como inimigos, causa estardalhaço, mas também nos indica o caminho a não perseguir correto? Não obstante, creio no debate justo e honesto, não por ingenuidade minha, mas por acreditar que o fiel exercício deste instrumento, o debate, nos conduzirá a ciência, que nada mais é que o estudo da essência das coisas e do estado das coisas, que conseqüentemente será alcançado. Contudo, o equilíbrio de um debate não reside apenas em refutar o monólogo – discurso com sigo mesmo – mas também em conduzir um debate justo e honesto, para que dele decorra resultados positivos que não se satisfaz apenas através da vitória de um dos contendores.

site: http://oliveiraunder.blogspot.com.br/2012/05/resenha-da-obra-de-arthur-schopenhauer.html
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Renato 04/02/2011

Um livro não só apenas para ser lido, mas também estudado.
A introdução de Olavo, e alguns de seus comentários, são completamente dispensáveis. A essência do livro, obviamente, está na parte escrita por Schopenhauer, alias, muito bem escrita e de facil compreenção. Trata-se de um tema universal de filosofia aplicada, visando-se a proteção contra argumentos sofistas, ou até mesmo a utilização dos mesmos(por que não?).
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Maurino 02/12/2011

A vontade de razão.
Como “a fragilidade de nosso entendimento e a tortuosidade de nossa vontade apoiam-se mutuamente”, grande parte da discussão intelectual se faz, não em nome de uma suposta verdade e sim, “pro ara et focis”. Ora, a picaretagem intelectual invade o debate letrado e até mesmo as discussões acadêmicas com a única finalidade de obter a vitória, por meios lícitos e/ou ilícitos – simplesmente Recht behalten. A manipulação hábil do duelo argumentativo (não mais amparado logicamente pela verossimilhança dos argumentos) encontra, nos estratagemas da psicologia artificiosa, o modus operandi da vontade de ter razão – trata-se da arte da discussão contenciosa, enganadora, calcada em “argumentações” desonestas e sem função investigativa. Todavia, a Dialectica eristica, que para Aristóteles era uma perversão, tem, para Schopenhauer, uma utilidade prática: técnica de discussão. Como na máxima das artes marciais, de usar a força do adversário contra ele mesmo, o autor delineia o princípio comum dos Stratagemata, com a finalidade não apenas de reconhecê-los, expô-los, analisá-los e denunciá-los, mas também em vantagem própria - em virtude de sua vontade -, de combatê-los e aniquilá-los. Excelente terapêutica para os “donos da verdade”, esse opúsculo selvagem traz, a reboque da teoria schopenhaueriana da razão como instrumento da vontade, um excelente estudo sobre as falácias.
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Andréa S. 11/11/2011

Adorei!
Fantástico, em linguagem relativamente fácil, e com um humor excelente, esse livro dá ótimas dicas para reconhecermos e combatermos os calhordas do discurso erístico. Muito divertido.
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Giovani.Pagliusi 04/02/2018

Indico esse livro para quem deseja montar um discurso baseado em estratégias analíticas sólidas. Ao entender o livro, você provavelmente vai associá-lo aos discursos políticos e de partidos tramitados em rede nacional. Isso deve ser normal, até porque é fato que as grandes autoridades já percorreram os estratagemas fabulosos e ainda atuais desta obra-prima de Schopenhauer.
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