Cloro

Cloro Alexandre Vidal Porto




Resenhas -


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Vilamarc 02/06/2021

No armário
Constantino, um homem casado, de 51 anos e dois filhos, narra sua vida num limbo pós morte onde se encontra.
Através de sua narrativa ficamos sabendo de toda sua vida, desde criança vitima de bullying até sua morte abrupta em Tóquio.
Ficamos também sabendo de sua homossexualidade reprimida, de sua vida sexual secreta e paralela até sua morte numa sauna gay.
A construção do enredo é engenhosa e a segunda parte "os outros" revelam a engenhosidade da narrativa.
A escrita é bem clara, fluída e envolvente. Creio que o grande pecado do livro seja a falta de surpresas para o leitor, pois tudo é posto a priori. As grandes descobertas ficam a cargo dos personagens sobre a homossexualidade de Tino após sua morte. Para o leitor, nada.
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Mll-ll 19/08/2020

"Como todo mundo, achava que teria mais tempo."
Livro gostoso de ler, como se tivesse alguém conversando com você. Ficava curiosa sobre o que aconteceria em seguida. O livro deixa uma mensagem bem forte de que não podemos fugir da nossa própria natureza. Não devemos morrer vestidos de outra pessoa. Senti que é mostrado muito pouco dos personagens. Talvez pelas relações superficiais que mantinham entre si. Ou então pelo reduzido número de páginas. Constantino evitou durante a maior parte de sua vida o cheiro do cloro. Na morte, dorme tranquilo embalado por ele.
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EduardoCDias 18/04/2020

Triste realidade
Traçando um paralelo com um livro entregue por um clube de leitura esse mês, esse é muito mais pungente e esclarecedor. Ambos descrevem duas situações de sexualidade afrontada, reprimida, mas esse vai muito mais profundamente, tocando o cerne e a origem da questão. Leitura gostosa, sem dramas e rápida. Um homem de meia idade, bem sucedido, casado, com dois filhos, resolve finalmente viver sua sexualidade, mas não assumir. O interessante é saber o ponto de vista de quase todos os envolvidos. Esposa, cunhado, amante...
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Toni 29/04/2019

Convém começar este comentário parafraseando outro célebre defunto literário: Deus te abençoe, leitor, com uma ideia fixa. O defunto é, claro, o Brás Cubas, mas a ideia em questão nada tem a ver com emplastros anti-hipocondríacos. É, na verdade, resultado da análise do Vitor — lá nos destaques do @sobreminhasleituras — que iluminou o romance de Vidal Porto de uma maneira tão querida que só nos resta torcer pra que todo mundo escute sua recensão. Se tomarmos como fixa a ideia de que “a identidade gay sempre foi e continua sendo construída a partir da injúria”, cada capítulo de Cloro parecerá corroborar essa tese, mostrando diferentes facetas do doloroso processo de constrangimento afetivo, coação sexual e rejeição identitária que marca a trajetória de LGBTs mundo afora.
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A história do advogado pai de família que esconde sua sexualidade é contada de um limbo post mortem, “espécie de inexistência eterna” que encobre de ironia tanto a vida quanto a morte de Constantino, cuja liberdade só é alcançada quando passa a prescindir dela, postumamente. Assim, a condição bráscubiana serve ao narrador como gatilho para finalmente contar sua história de farsa e renúncia, ainda que o tom pudico nunca abandone o relato. Ao tentar entender de que maneira gastou sua vida, Constantino revela como suas escolhas (impostas pela heteronormatividade) acabaram por ostracizar sua própria natureza, transformando-o num pai ausente, num marido distante, num amante fracassado. Na última parte do livro, Porto inclui, ainda, o olhar dos outros—a esposa, a filha, o cunhado, etc.—numa bem-intencionada (e um pouco problemática: as dicções se parecem muito) tentativa de representar relações atravessadas por uma homossexualidade vivida no armário.
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Como disse o Vitor, Cloro é mesmo uma leitura necessária: ao transformar a liberdade sexual e identitária de Constantino em uma voz além-túmulo, o livro expõe a face medíocre de um país essencialmente recalcado e preconceituoso—não por acaso, o que mais mata LGBTQ+ em todo o mundo.
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Book.ster por Pedro Pacifico 26/02/2020

Cloro, de Alexandre Vidal Porto – Nota 8/10
Narrado a partir de um "personagem defunto", ao estilo machadiano de Brás Cubas, “Cloro” é sobre a vida de um advogado bem-sucedido e típico pai de família, mas que passou seus dias atormentado pela sombra da sua sexualidade. Constantino, o personagem principal da obra, só se sente à vontade para falar dessa temática depois que morre, possuído pela ideia de que não teria mais nada a perder.

Assim, conhecemos o narrador a partir de passagens de sua vida, em que Constantino vai identificando situações em que se viu obrigado a abrir mão de suas verdadeiras escolhas para manter a imagem que a sociedade esperava dele. Sua vida é o retrato de muitos outros indivíduos que diariamente renunciam de sua verdadeira identidade ou seus interesses, sejam eles quais forem, por conta de uma sociedade que discrimina e julga. Constantino deixa o seu “Eu” de lado para casar, ter filhos e poder cumprir o seu papel.

No entanto, apesar de aparentemente se enquadrar nesse modelo de cidadão ideal, Constantino, na verdade, não conseguia ser um pai presente ou bom marido. A sensação de falha o perseguia. Até que um dia, se viu no meio de uma triste tragédia familiar, que acabou afrouxando um pouco as mordaças que o impediam de ser quem ele é. O protagonista ganha um pouco de coragem, ao perceber que talvez a vida não deveria ser vivida para os outros, e passa a se aventurar, vivendo uma vida dupla. Mas por quanto tempo será que ele consegue levar isso adiante?

A escrita de Vidal Porto é de fácil leitura e temperada com um humor e cinismo que deixam a obra mais interessante. Por outro lado, senti falta de um maior aprofundamento na construção dos personagens. O enfoque se concentra muito mais nos fatos do que no próprio conflito interno do protagonista, por exemplo.

Apesar disso, é inegavelmente um bom livro, que prende o leitor e que toca em temas extremamente relevantes, sobretudo o sofrimento da comunidade LGBTQ em uma sociedade intolerante para com aqueles que fogem dos padrões. Recomendo!

site: https://www.instagram.com/book.ster/
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DomDom 27/12/2020

Sabe aqueles livros em que o protagonista te conquista logo nas primeiras páginas? Pois é! Aqui está um belo exemplo. Mal começamos a leitura e Constantino já rouba todas as nossas atenções e torcidas.
“Cloro” é narrado em primeira pessoa por Constantino. Mas, detalhe: É uma narração pós-morte. Nosso protagonista está em uma espécie de limbo e, de lá, ele vai nos conduzindo por sua vida, iniciando pela infância (dia em que um colega expos sua sexualidade, chamando-o de “bicha” e dando-lhe um soco na barriga na saída da escola, na frente de todo mundo), até o momento atual: Morto e em um lugar escuro, ao qual não sabe onde fica, nem sabe informação alguma sobre (uma espécie de dimensão espiritual)).
Desde esse grande momento constrangedor, Constantino resolveu reprimir sua sexualidade, criando uma nova personalidade (relacionar-se sexualmente/amorosamente apenas com mulheres, casar e ter filhos). É necessário falar que essa atitude não deu certo?! Mais cedo ou mais tarde a verdade aflora.

Continua no blog: Ler Para Divertir

site: http://www.lerparadivertir.com/2020/08/cloro-alexandre-vidal-porto.html
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djoni moraes 28/01/2021

Gostei...
Tinha terminado de ler "A Morte do Pai" do Karl Ove (o qual ainda não resenhei) e entrei numa ressaca literária absurda, tal foi o impacto causado por aquele livro. De qualquer forma, recebi a indicação de ler este livro que, mesmo sendo breve, tem bastante coisa pra contar.

Quem narra esta história é Constantino, um homem que está morto. Isso não é spoiler, okay? A narrativa do livro parte da premissa de um narrador-morto (ao estilo Brás Cubas et cetera), que passa a estar num limbo e revive sua vida, principalmente sua sexualidade reprimida e todo o conflito que permeia seu desejo de ser e sua busca pelo não-ser. Em algumas partes, senti que a narrativa era catártica pra mim, consegui me identificar com algumas angústias do narrador no meu longínquo passado no armário.

Tinha ouvido pessoas falarem muito bem e muito mal do livro. Acho que fico com a galera que falou bem: gostei bastante!
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teago 02/10/2020

Bom!
Depois de sua morte a verdade sobre quem realmente é contada. Por ele mesmo, perdido em algum lugar no escuro, em um limbo. Encarando apenas o seu eu, um homem homossexual vivendo uma vida mentirosa.

Constantino resolve falar sobre suas frustrações, medos, receios e seus segredos. E principalmente, arrependimentos.

"Como todo mundo, achava que tinha mais tempo"
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Arthur.Afonso 25/04/2021

Cloro
Gostei da leitura, só acho que poderia ter sido mais aprofundada. A narrativa é ótima, merecia mais detalhamento. O texto é muito fluído e rapidamente você acaba com a história.
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@eleeoslivros 25/01/2019

O assunto tratado nesse livro é muito sério!
Porque uma pessoa está disposta a deixar de viver seu verdadeiro eu, para viver uma falsa vida, uma vida de aparências?
Acredito sim, que tudo isso está envolvido com o preconceito das pessoas, com a necessidade das pessoas de viverem uma vida perfeita e "mais fácil".
Quantos Constantinos existem no mundo hoje?
A vida passa muito rápido e não devemos abrir mão da nossa felicidade POR NINGUÉM! E quando digo por ninguém, é por ninguém mesmo! Nem por família, nem por amigos, por niguém.
As vezes é preciso dar a cara a tapa (eu mais que ningúem posso lhe dizer isso) e enfrentar as coisas por mais difíceis que elas possam parecer.
Sejam menos Constantino e mais Emílio!
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Igor Gabriel 06/02/2021

A história de uma homem que descobre sua homossexualidade num tempo tardio, mas que pode viver experiências e explorar esse lado.

Eu gostei bastante, é interessante a leitura dessas obras de homens que se descobrem mais velhos.
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José Amorim 20/04/2020

Reflexivo
Um livro de leitura rápida, fácil, que nos deixa pensando um pouco... o que é viver uma vida tentando reprimir quem se é, achando que precisa agradar a sociedade e que não pode desenvolver e aflorar seus desejos?

Leia. Vale a pena.
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Dherfferson 27/08/2020

Incrível
Daqueles livros que te fazem refletir sobre coisas que a gente evita. É incrível a descrição emocional e psicológica dos personagens
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Ali 25/06/2020

Ainda pensativo com essa história!!
Quando eu escolhi esse livro para fazer a leitura eu realmente não sabia o que esperar dele, eu não conhecia o autor e nem cheguei a ler a sinopse do mesmo, tudo o que me preocupei em saber é que o livro trazia um protagonista gay e bom, eu nunca deixo passar a oportunidade de ler um livro LGBTQ então entrei de cabeça na leitura.

Como disse eu ainda não havia tido nenhum contato com obras do Alexandre, mas, eu realmente gostei da escrita dele, a história faz a leitura fluir bem e o autor entrega uma narrativa que me convenceu e me tocou, em alguns momentos da história achei a escrita muito floreada e isso não exatamente me chateou, mas, soava desnecessário na história, talvez isso se dê ao fato do autor ser diplomata.

Constantino conheceu cedo a homofobia da sociedade, então, ele procurou meios de se defender dela, mesmo que para isso ele tenha deixado de ser quem ele realmente é. Constantino é um personagem com o qual eu nunca me deparei em todos os meus anos de leitor, sua história me deixou pensativo, contrariado, revoltado, triste e muitos outros sentimentos que não consegui identificar.

Tino se anulou na busca de viver uma vida que se encaixava no padrão social, por medo e vergonha, mas, acredito também que por comodidade, ele não queria "pagar" o preço para ser quem ele realmente era, ele achava muito caro, ou na verdade ele não tinha coragem o bastante, no fim eu achoa que ele se enganou mais do que enganou todos a sua volta.

Essa leitura foi muito forte para mim, eu a achei extremamente triste, de certa forma por não ser algo que tenha vivido, a vida que o Tino levava é algo que eu não consigo conceber, ainda que eu a compreenda, o mais duro é saber que ainda hoje muita gente vive essa realidade infeliz. Essa foi uma leitura que me incomodou, eu não posso dizer que eu gostei porque eu a achei dolorosa, mas, ao mesmo tempo não tenho como dizer que não gostei, pois, ela me impactou, no fim acho que o fato dela me deixar reflexivo já foi o bastante.

site: https://eitajali.com/
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john 28/03/2020

A leitura flui muito, a narrativa é ótima. Em Cloro a gente acompanha o relato de Constantino, um advogado de 51 anos que morreu por avc. Apesar de levar uma vida de casado com uma mulher, ele era gay e é sobre essa vida outra que ele nos conta.
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