Diário de um Homem Supérfluo

Diário de um Homem Supérfluo Ivan Turguêniev




Resenhas - Diário de um Homem Supérfluo


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Priscila (@priafonsinha) 28/12/2018

Excelente!
Escrito em 1850, foi um marco na literatura russa, pois nessa obra foi usada pela primeira vez a figura do "homem supérfluo": um homem geralmente jovem, nobre, culto, mas totalmente incapaz de colocar aquilo que sabe em prática, de agir, seja por culpa de sua criação ou do sistema em que vive. Essa característica de "supérfluo" foi usada depois por outros autores.

São 70 páginas escritas em forma de diário, por um homem de 30 anos prestes a morrer e que decide contar um pouco de sua vida e de sua incapacidade de nela viver. Facinho e divertidissimo, dá pra ler em um dia, tranquilamente. Recomendo, e Editora 34 sempre excelente!

"Quando se está tudo bem para um homem, seu cérebro, como se sabe, opera muito pouco."
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Heidi Gisele Borges 24/06/2019

Publicado em 1850, "Diário de um homem supéfluo" começa com Tchulkatúrin lamentando tudo e porque logo pode morrer. “O certo é que morrerei em breve”, diz. Ele está doente e então decide contar para si mesmo sua própria história.

O homem tem em torno de trinta anos. No primeiro dia de seu diário, conta sobre o amor e descaso dos pais. A mãe era "carinhosa, mas fria". Então "esquivava-me de minha mãe e amava com ardor meu degenerado pai". Descobrimos no ótimo posfácio de Samuel Junqueira, que também assina a tradução, que era assim também na vida do autor.

Tchulkatúrin é apaixonado pela jovem Elizavieta Kiríllovna, ou apenas Liza, mas o destino, ou a falta de decisão, ou a coragem no momento errado, ou tudo junto, o atrapalha e o transforma num homem indesejado.

Me encantam os detalhes das obras de Turguêniev. As pessoas e os sentimentos expressados de forma tão real e viva (até mesmo uma pessoa supérflua) que continuam verdadeiros até hoje.

"Este é o dilema do homem supérfluo em geral: não ter a coragem definitiva para dar o passo que lhe é tão necessário." Não se faz atual?

"O diário de um homem supérfluo" (Dnievník lichnego tcheloveka, Editora 34, 96 páginas, 2018) transformou uma época. Sobre ser supérfluo, "o escritor também foi o responsável por cunhar a expressão que designaria as gerações anteriores." Outra palavra que da mesma forma fixou um termo foi niilista, em Pais e filhos. Uma grande obra que sempre está nas listas dos clássicos que devem ser lidos.

É importante destacar, hoje, que o homem, no caso, é o ser humano.

Ivan Turguêniev (1818-1883) nasceu em Oriol, na Rússia, e começou a escrever essa novela em 1848 e em 1850 a revista Anais da Pátria o publicou, porém várias partes foram cortadas pela censura. Apenas em 1856 o autor reescreveu sua obra.

"Enquanto vive, o homem não sente a própria vida; depois de algum tempo, como um som, ela se torna audível para ele."

site: http://www.becodonunca.com.br/
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Fernando 23/01/2019

Quase um conto...
A interpretação e a contextualização histórica são bem mais interessantes que o próprio livro. A ideia do homem supérfluo inerente à classe média e a nossa comparação ao tempo de hoje e bem interessante.
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Juliana 15/12/2018

Turguêniev
Diário de um homem supérfluo é meu primeiro contato com a obra de Turguêniev e já gostei bastante por conta da fluidez na leitura.
Através desse texto o autor estabelece o conceito do homem supérfluo na literatura russa e caracteriza um elemento da cultura do país que se entranhou em uma geração: o jovem, bem educado, muitas vezes intelectual, que se sente desnecessário e sem capacidade de ação.
A história do livro em si não foi tão interessante pra mim, mas talvez isso tenha se dado justamente pela característica do protagonista "supérfluo".
No mais, essa edição da Editora 34 contém um ótimo texto de apoio sobre a importância do livro e a influência que exerceu.
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Gladston Mamede 17/02/2019

Não é uma leitura empolgante. Não cativa, não cria ansiedade. A evolução da história somente nos envolve em certa passagem: Elizavieta. Mas, lendo sem pressa e com atenção, dá-nos margem a reflexões úteis. Então, quando acaba a história, vem o precioso estudo (posfácio) de Samuel Junqueira (o tradutor) e entendemos a importância do que foi lido. Uma leitura imprescindível, portanto. Assim como a reflexão, devo frisar. Usado como espelho, o texto pode nos fazer pensar sobre nós mesmo e nos autocriticar.
Obs.: como o estudo de Junqueira indica, supérfluo, em russo, não tem o sentido de superficial. E essa referência "arranhou" minha leitura desde o começo, infelizmente. Deveria estar na primeira página para entender: um homem que não faz parte, que está deslocado do seu meio e tempo. E isso não é um "spoiler"; é uma ajuda.
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Vilamarc 26/02/2019

Desabafos sentimentais
Pegando carona no posfácio:

Se alguém, diante da morte, em uma carta comovente a um amigo ou a quem ama desesperadamente, com a eloquência do coração e um sofrimento genuíno, transmite sua angústia, teríamos algo verdadeiramente poético. Mas para falar de e para si mesmo com disparates de humor injustificado, quando a morte já está no limiar, torna-se algo inverossímil e logo entrega uma invenção, uma mentira do escritor. Pag.80.

Claramente Turgueniev quer construir e discutir o conceito de homem supérfluo na literatura russa, retirando-lhe o carater socio-político e ampliando para questões familiares e de formação.
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Peleteiro 25/04/2019

Um envolvente monólogo de um homem carente
O livro possui uma narrativa muito envolvente e, claramente, é de extrema relevância para a história da literatura, afinal de contas, foi o responsável por intitular a "espécie de homem comum na Russia do século 19 como "homem supérfluo", que mais tarde inspirou novos trabalhos como a obra-prima "Oblomóv". Embora o livro tenha soado iconoclasta no período em que foi publicado, confesso que esperava um pouco mais de ousadia do texto, sobretudo considerando uma possível comparação à modernidade e outros monólogos russos, como "uma confissão" de Tolstói ou "notas do subsolo", de Dostoiévski. No entanto, ressalto: o problema aqui é puramente pessoal. É inegável a maestria de Turguêniev ao narrar as divagações de um superficial e carente russo.
Além disso, a tradução e o posfácio da Editora 34 dão ainda mais valor a este excelente trabalho.
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Rafaela (@exlibris_sc) 29/03/2019

Intenso, melancólico, frágil... Um tesouro na literatura russa que antes eu desconhecia. Para quem leu Goethe ou Dostoiévski, esse livro você irá gostar. .

site: https://www.instagram.com/p/BuJY5H-HvOF/
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