O Conto da Aia

O Conto da Aia Margaret Atwood




Resenhas - A história da aia


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Ruh Dias (Perplexidade e Silêncio) 16/01/2017

Sugestão de Leitura
Precisei respirar fundo e me reorganizar para escrever este post, afinal, tenho diante de mim a tarefa de escrever sobre um dos melhores livros que já li (e já li muito ao longo da minha vida). Margaret Atwood já havia conquistado meu coração com seu maravilho "Oryx e Crake" e, agora, depois de ler "O Conto da Aia", ela definitivamente tornou-se uma das minhas escritoras preferidas.

"O Conto da Aia", publicado em 1985 (o ano em que nasci, aliás), é categorizado como distopia e como ficção especulativa. Como pano de fundo da estória, temos uma Nova Inglaterra de um futuro não muito distante ao nosso, onde o Governo é totalitário e teocrata. Ou seja, o sistema político não tem limites nem regulação e detém o poder de ser cruel e opressor; e, além disso, Deus é a fonte de toda a autoridade (e versículos da Bíblia são mencionados com força de Lei). Por conta disso, a região que seria a Nova Inglaterra nos EUA foi renomeada para Gilead, uma cidade bíblica.


Este contexto do Governo levou a uma total e completa dominação das mulheres. Porém, Atwood escreve em um estilo muito próprio, pois não fornece todas as informações ao leitor logo de cara. Assim como em "Oryx e Crake", muitas pistas são jogadas na narrativa e o leitor precisa juntar as peças de um quebra-cabeça que só se forma inteiramente na última página do livro - literalmente.

A estória é narrada em primeira pessoa por Offred. As mulheres foram destituídas de seus nomes reais e são nomeadas de acordo com o Comandante para qual trabalham. Neste caso, Offred significa Of Fred, ou "Do Fred", como se a mulher fosse apenas uma propriedade, um bem, e não um indivíduo. Offred é a Aia que dá nome ao livro e conta sua estória.

Gilead começou após um ataque terrorista religioso e, no caos que se seguiu, bombas atômicas deixaram as mulheres infertéis por causa da radiação. As poucas mulheres que ainda poderiam procriar foram escaladas como Aias e sua única função é engravidar dos Comandantes e re-popular o país. Elas usam vermelho, em contraponto às Esposas dos Comandantes, que usam azul e são consideradas puras, já que não tem relações sexuais. Assim, a Aia é obrigada a ter relações sexuais com o Comandante, que são assistidas e monitoradas pelas Esposas. E, o pior ainda está por vir: estupros são permitidos e incentivados.

"Evito olhar para baixo, para meu corpo, não tanto porque seja vergonhoso ou impudico mas porque não quero vê-lo. Não quero olhar para alguma coisa que me determine tão completamente." (O Conto da Aia, Margaret Atwood).

Offred é da primeira geração de Aias deste novo governo. Por isso, ela se lembra, constantemente, da sua vida antes do ataque terrorista e sofre muito com a saudade de sua filha e de seu marido, Luke. Offred era amante de Luke e este se divorciou para casar-se com ela. Porém, como o governo é teocrata e a religião não reconhece o divórcio, eles são considerados impuros e separados para sempre e a filha deles é considerada bastarda. Como as mulheres, agora, são meros objetos, elas são destituídas de tudo: dinheiro, roupas, posses, creme hidratante (há uma parte muito tocante sobre isso), livre arbítrio e autonomia. É um cenário extremamente opressor e melancólico.

Todos os relacionamentos são completamente esvaziados de sentimento. As Aias não podem interagir com ninguém, pois precisam manter-se sãs e salvas para gerarem filhos. As Esposas guardam, secretamente, uma inveja pelas Aias, pois elas ainda podem ter filhos. As Marthas, que são as governantas das casas, acham as Aias "umas vagabundas". E os homens são retratados como seres distantes e inalcançáveis, que governam e determinam o mundo. Este vazio permeia o livro todo e mesmo as relações sexuais são completamente mecânicas e automáticas.

"Quando se está em condições de vida reduzidas você tem que acreditar em todo tipo de coisas. Agora acredito em transmissão de pensamento, vibrações no éter, aquele tipo de bobagem. Não costumava acreditar." (O Conto da Aia, Margaret Atwood).

Além da filha perdida e Luke (que não se sabe se está morto ou vivo), Offred relaciona-se com Moira, que foi educada para ser Aia junto com ela. Subentende-se que Moira era lésbica e, por isso, foi perseguida pelo governo e expulsa de Gilead. Além de Moira, há Ofglen, outra Aia, e Nick, que terão um grande papel a ser desempenhado no futuro de Offred e que não detalharei para não dar spoilers.

Este livro me deu embrulho no estômago do começo ao fim. Todos os meus medos, enquanto mulher, estão representados nesta obra. Esta obra reúne tudo aquilo que o feminismo combate e demonstra porque precisamos nos unir para evitar que esta sociedade fictícia aconteça. Me senti anulada e violada tanto quanto Offred e, ao término da leitura, chorei. Um choro que saiu preso, de uma vez só, pela angústia de ser mulher, pura e simplesmente. Atwood escreve emocionalmente, profundamente, em um estilo poético e forte muito parecido a Virgínia Woolf, o que não deixou nada mais fácil de digerir.

site: http://perplexidadesilencio.blogspot.com.br/2017/01/sugestao-de-leitura-o-conto-da-aia-de.html


Alecsandro 18/04/2020

Gilead
?... mas lembre-se de que o perdão também é um poder. Suplicar por ele é um poder, e recusá-lo ou concedê-lo é um poder, talvez de todos o maior?
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Natalia Passos 10/05/2020

Cometi um erro
Eu cometi o erro de assistir a série primeiro, então quando o livro acabou fiquei com um gostinho de quero mais. Só por esse motivo não dei 5 estrelas, mas entendo que a culpa é minha e a série foi baseada no livro apenas. Mas eu amei ler, mesmo já sabendo a história.


Palomasm 01/03/2020

O Conto da Aia
É uma história pesada, que apresenta mulheres sendo submetidas a situações absurdas, por um novo estado proclamado "religioso" e repleto de preconceitos, demonstra pelos olhos da personagens principal como é viver em uma sociedade opressora e que a mesma é tratada como se fosse apenas um objeto para procriação! Para quem gosta de distopias como eu, vai amar este livro.
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Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

O conto da aia, Margaret Atwood - Nota 10/10
Embora este livro tenha sido escrito em 1985, ele foi um dos mais comentados em 2017. Antes de começar a ler, já tinha escutado opiniões diversas, então não sabia muito o que esperar. No entanto, depois de terminada a leitura, posso afirmar que a obra é excelente. Atwood conseguiu criar um romance distópico muito interessante, trazendo questionamentos atuais e polêmicos. A narrativa se passa em Gilead, um estado teocrático, machista e totalitário, em que a religião dita as regras de forma extremamente rígida e as mulheres são transformadas em “objetos”, com funções previamente designadas. Offred, a protagonista, é uma “aia” e, portanto, sua existência está atrelada à mera função de procriação. As “aias” são um verdadeiro útero para as elites ou, como a própria protagonista diz, “somos úteros de duas pernas, isso é tudo: receptáculos sagrados, cálices ambulantes”. A autora conseguiu explorar o psicológico da protagonista de uma forma muito inteligente, criando um verdadeiro contraste com o conservadorismo caraterístico dessa nova sociedade. São as emoções e pensamentos de alguém que vivia em uma sociedade livre como a nossa, mas que passou a se submeter a novos ideais e a uma nova forma de comportamento, constantemente controlado. A escrita também é bem fácil, rápida e instigante, com ótimas descrições dos locais em que se passa a história. Apesar da curiosidade por mais informações, Atwood consegue prender o leitor ao longo do livro, revelando os detalhes aos poucos. A título de curiosidade, o retorno da obra para a lista de mais vendidos se deu em grande parte pelo governo Trump, uma vez que muitos consideram essa sociedade distópica como uma possível previsão para o futuro dos EUA. Um livro chocante e, ao mesmo tempo, atual!

site: https://www.instagram.com/book.ster
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Nado 08/02/2020

Impactante
Leitura forte e impactante que permeia pelos nossos pensamentos por muito tempo. Mesmo sendo um futuro distópico é assustador imaginar que isso não é tão absurdo de acontecer um dia. Leitura envolvente que prende do começo ao fim.
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Ladyce 01/10/2017

Tenho uma longa história com O conto da aia. Lá no final da década de 1980, quando ainda morava fora do Brasil, comprei esse livro em inglês. Tentei lê-lo uma vez e não consegui levar a leitura avante. Mudei-me para o Brasil em 2002 e o livro veio comigo, junto a toda a biblioteca da casa, somos dois dedicados às humanidades, coisa que colabora imensamente para acumulação de livros. Aqui tentei ler de novo, porque tinha amigos que insistiam que eu o fizesse. Duas tentativas. E não consegui levar a leitura adiante. Sete anos depois, saí de um apartamento grande para um menor e sacrifiquei parte dos livros. Lá foi ele, sem culpa. Eventualmente achei um exemplar, no sebo, em português e tentei de novo. Nada. Doei-o para o camelô de livros usados do meu bairro (moro próximo à PUC, aqui os camelôs vendem livros). Passaram-se os anos e meu grupo de leitura decide que este seria o livro na berlinda em outubro de 2017, já que há uma série na televisão baseada em seu enredo. Comprei em inglês no Kindle para que eu e meu marido pudéssemos ler e para que não ocupasse mais lugar nenhum na minha moradia. Finalmente, sob coerção, fui do início ao fim. E para a discussão de grupo, peguei emprestado um exemplar em português e passei horas tentando achar as frases que mais me impressionaram para podermos todos achar no texto durante a discussão. Resultado: li. Achei que é um livro importante de ler. Acredito que toda mulher deva lê-lo. Vou recomendar às minhas sobrinhas que o façam. Mas confesso não tive prazer nenhum em degustá-lo. Margaret Atwood que me perdoe.

Ainda estou sob o impacto da leitura. E muito próxima do texto para realmente poder analisá-lo. É a obra mais misoginista que encontrei até hoje. É de arrepiar uma leitora. Mas talvez as citações possam falar por si mesmas. Um livro como esse já foi chamado de ficção científica. Hoje é mais comum falarmos de ficção distópica. Ou seja, ficção cuja trama, situada em um futuro não muito longínquo, mostra uma realidade repleta de privações, com futuro desesperador e opressivo. Trata-se da história da República de Gilead dominada por uma seita religiosa radical. Nessa sociedade mulheres têm duas únicas funções: procriar e ser de uso para homens. As mulheres também não aprendem a ler. Na verdade o conhecimento é privilégio de poucos: “Não existem mais revistas, não existem mais filmes …” [34]. As que não conseguem engravidar são consideradas dissidentes e levadas à morte. A orelha do livro registra que essa é a realidade no século XXI. Essa visão sombria, com conotações apocalípticas é sufocante e permeia toda a obra, transformando-a numa gigantesca aventura asfixiante. Barbaridades diversas são cometidas através do tempo. Já na primeira página a autora estabelece sutilmente o clima de ansiedade: “Lembro-me daquele anseio, por alguma coisa que estava sempre a ponto de acontecer e que nunca era a mesma…” [11].

Há horas em que esse mundo parece particularmente medieval, talvez pela crudeza dos eventos, talvez pelas limitações impostas aos habitantes de Gilead. Essa referência à Idade Média também é sugerida por Margaret Atwood nas entrelinhas. Nesta sociedade das massas comandadas como robôs há poucafé ou expectativa de uma vida melhor. As pessoas não têm a sensação de poder: “Éramos as pessoas que não estavam nos jornais. Vivíamos nos espaços brancos não preenchidos nas margens da matéria impressa. Isso nos dava mais liberdade.” [73] Nesta imagem, há, por exemplo, uma direta referência às ilustrações de manuscritos medievais, onde nas margens encontramos desenhos engraçados, animais diversos, pessoas nas tarefas mundanas, frades e cavaleiros enroscados em videiras floridas. Nas margens tudo era válido. Há muito simbolismo na narrativa algo que também remete aos textos medievais herméticos. Além disso, os nomes de mulheres Offred, Offglen, [Of Fred; Of Glen] são semelhantes a denominações medievais em que o “dono” daquela pessoa é mencionado no nome de batismo, fato até hoje reminiscente em nomes nórdicos e russos: Adamson, Stephenson [filho de Adam, filho de Stephen] ou Kimmeldottir [filha de Kimmel] por exemplo. Mais uma maneira sutil de acabar com a individualidade feminina.

A tensão emocional aparece quando há lembranças da vida anterior, e sonhos de como poderia ser diferente. Se todos estivessem robotizados, nada aconteceria. Mas é agonizante para o leitor, se colocar, como se coloca nessa narrativa em primeira pessoa, no lugar de quem tem flashes de memória de um mundo mais digno. “Eu gostaria que esta história fosse diferente. Gostaria que fosse mais civilizada. Gostaria que me mostrasse sob uma luz melhor, se não mais feliz, pelo menos mais ativa, menos hesitante, menos distraída por trivialidades. Gostaria que tivesse mais forma.Gostaria que fosse sobre o amor, ou sobre súbitas tomadas de consciência importantes para a vida da gente, ou mesmo sobre pores-do-sol, passarinhos, temporais e neve.” [317] Que tristeza! Que agonia!

O conto da aia é uma história de terror, muito pior do que qualquer livro de Stephen King. Muito mais misterioso e estranho do que os contos de Edgar Allan Poe. Há uma parte de mim que acredita que só uma mulher poderia ter escrito esse mundo aterrorizante da política de reprodução. É um livro cruel. O desespero dessas mulheres que procuram entender o mundo em que vivem é grande: “Inalo o cheiro do sabão, o cheiro desinfetante, e fico parada no banheiro branco, ouvindo os sons distantes de água correndo, de descargas de vasos sanitários sendo puxadas. De uma maneira estranha sinto-me confortada, em casa. Há algo tranquilizador com relação a vasos sanitários. Pelo menos as funções corporais permanecem democráticas. Todo mundo caga,…” [301]

Se gostei da leitura? Não. Ela escreve bem? Sim, muito bem. É um livro que deve ser lido? Sim. Você o recomendaria? Para todas as mulheres.


Silas Jr 12/03/2020

Resenha publicada no @silasresenha
Considerado como uma das maiores obras do gênero de Ficção Científica, O Conto da Aia, é um livro cuja leitura é desgastante por apresentar uma sociedade cruel amparada por um governo totalitário e teocrático. Margaret Atwood trouxe uma história carregada de detalhes que explora um mundo distópico que tem a bíblia como fonte de sabedoria.

A história é narrada por Offred que tem a missão de apresentar a República de Gilead (antigo EUA) após a revolução teocrática que traçou a nova sociedade em interpretações extremistas do Antigo Testamento Bíblico. Separando as mulheres da vida produtiva em uma sociedade igualitária, elas, são rebaixadas a seres de funcionalidades domésticas e sexuais dentro do consenso religioso. As Esposas dos Comandantes são as que mais possuem direitos em comparação com as Marthas e as Aias. Por outro lado, as Aias, são raras e especiais aos olhos de Deus por serem elas as que carregam o dom da fertilização e assim como Bilha são elas que dão os frutos aRaquel e Jacob.

Por meio de Offred, a história vai detalhando o dia a dia de uma Aia, dando pistas de como o mundo está reagindo em relação a Gilead e o nascimento de uma chama revolucionária que cresce a cada dia com a intenção de derrubar a República de Gilead. Ela é o caminho pra entender o que levou os EUA a ser destruído e este novo território ser reconstruído com o apoio do protecionismo. No meio de todo esse bolo, a autora entrega uma história coesa, precisa, com personagens fortes e convincentes. 

Este não é um livro para se ter uma leitura distraída e rápida. É uma distopia que força nossa atenção a aspectos nauseantes e que nos convida á escutar o alerta que Atwood trouxe sobre grupos políticos que tendem facilmente a adotar medidas que trouxeram a criação de Gilead. Muito aproximado da nossa realidade, o Conto da Aia, é um livro poderoso e alarmante do mundo que podemos ter no futuro. É uma grande obra prima. Leiam!
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taina.carolini. 12/04/2020

O que foi isso
Deus sabe que eu gostaria de não dar cinco estrelas para esse livro, simplesmente pela raiva que ele me fez passar, mas não teria outra forma de avaliá-lo, mesmo ainda estando em processo de digestão com um gosto amargo na boca.

Não vou falar da história, porque acredito que a história todos já devem no mínimo ter uma noção do que se trata, ao invés disso, irei falar da sensação que tive ao ler.

Não foi uma leitura fácil, longe disso, mas de qualquer forma isso eu podia prever, afinal nunca fui de ler distopias, muito menos essas que são tão reais de certa forma. A escrita da autora é extremamente sutil, tão sutil que no início eu pensei que não me conectaria ao personagem, que não "compraria a história", temos uma personagem fria, distante e conformada, e eu com a minha mania de leitora de "querer se colocar como o personagem principal da história" não sentia nenhum vínculo com ela ou a situação, demorei perceber o que a autora fez comigo, a forma como ela me conduziu exatamente para onde queria: eu consegui me sentir exatamente como a personagem, fria, distante, conformada, me agarrando a migalhas que pudessem ou não me dar alguma esperança, sem obter nenhum fio de história que pudesse realmente ser sustentável. Foi uma experiência além de estar no personagem, além de me conectar a ele, foi um desconforto provocado e partido diretamente em mim.

Poderia descrever todo o misto de sensações, a raiva, a ansiedade, o desespero, o medo que senti lendo isso, por vezes precisei de uma longa pausa para respirar e por a cabeça no lugar, pois sempre que eu achava que teria uma resposta, no lugar dela surgiam mais perguntas, por outras vezes precisei sentar na beirada da cama e apenas ficar ali em estado catatonico tentando absorver o que estava acontecendo.

A forma como o livro é estruturado também foi uma experiência a parte, me senti claustrofóbica com a forma como os capítulos eram divididos e dispostos, tinha frequentemente a sensação de estar presa e sem andar pra lugar nenhum, isso também ajudou de certa forma a reforçar a maneira como o personagem se sentia. Era incômodo e desesperador esse sentimento se colocarmos ele em contraste com a leitura extremamente fluida que todo o livro tem.

Sem sombra de dúvidas um dos livros mais imersivos que li, um livro que vale a pena.


Kodomo Cat 19/05/2020

Excuse me WTF????
Como vocês já sabem, né, acompanhamos a vida da nossa protagonista Offred (que não tem o nome revelado, — Offred é apenas um codinome) toda lascada no regime teocrático com base na teologia cristã. Os Estados Unidos agora virou a República de Gilead. Nossa querida protagonista é uma Aia. Vocês sabe o que é uma Aia? Ai, to com pregiça de explicar, é só procurar que você descobre o que é.

Eu nunca me senti nada parecido com a sensação quando eu estava lendo. Sei lá! É um misto de ansiedade e medo do que vai acontecer com o desenrolar da historia, também com a vida dela e com a relação entre a Serena Joy e o Comandante.
Um dos pontos negativos do livro é que ele é monótono em algumas partes — principalmente nas partes da “Noite” — ou também nos saltos temporais que ela dá no meio do capítulo. Tipo, ela tá descrevendo o quarto dela aí do nada ela conto como era sua vida antes de se tornar uma aia.
Esse livro tá me fazendo pensar muito, inclusive no final do livro. Quando eu estava bem no final eu ficava: “excuse me wtf??”. No geral esse livro merece muito mais que quatro estrelas e meia cinco de tão marcante que foi.


Dirinha 23/05/2020

Não é uma distopia
Gilead é o que acontece nas comunidades fundamentalistas. Do islã ao Brasil, não vi diferenças palpáveis. Até na própria narrativa da autora, antes do golpe teocrático já aconteciam atrocidades com as mulheres.

Também não vou longe. Como bem disse uma amiga, Traidores de gênero enforcados? Temos acontecendo no mundo nesse instante. Apedrejamento? Também.
Casamento forçado? Barriga de aluguel?
Estupro de empregadas domésticas?
Castas sociais bem definidas?
Gilead tá acontecendo a todo instante.


É um livro perturbador para mulheres.


Ludy @emalgumlugarnoslivros 04/04/2020

O conto da aia - Margaret Atwood
368 páginas/Editora Rocco


"Tudo o que é silenciado clamará para ser ouvido ainda que silenciosamente."

Retrocedemos.
Offred vive em uma sociedade opressora.
As mulheres foram silenciadas, suas mentes foram limitadas e seus corpos se tornaram receptáculos para a procriação.
Não há escolha, mas há resistência - mesmo que silenciosa -, sobrevivência e um desespero entrelaçado a esperança.
Preparem-se para conhecer uma sociedade assustadora e nada confiável.

Confesso que tive receio em fazer esta leitura, mas ainda bem que deixei isto de lado e encarei. O conto da aia é tão necessário.
O início me causou uma certa confusão, mas logo fui me acostumando com a ambientação e as regras daquela sociedade.
Da página 100 em diante eu já estava imersa na leitura - e desejando mais.
Offred conta sua história quando já é uma aia - mulher que foi escolhida para gerar um bebê para outra família -; e ela passeia entre o presente, na casa do Comandante e sua esposa, e o passado. 
O passado traz momentos no Centro Vermelho, onde as aias se prepararam. E ela voltava um pouco mais no passado e mostrava sua vida antes desse caos.
Acompanhar toda essa trajetória da Offred é difícil.
Senti incômodo, revolta e muita apreensão. Além do mais, é complicado saber em quem confiar.
Será que algumas ações são sinceras ou é puro instinto de sobrevivência?

Sinto orgulho por ter conhecido a escrita da Margaret; uma escrita precisa, forte, envolvente e extremamente inteligente.
A ambientação é rica em detalhes e as personagens foram bem construídas.
E o que eu mais gostei foi o fato dela ter equilibrado a história, dessa maneira não ficou 100% densa.
Se eu não soubesse da existência da continuação, teria ficado desesperada com esse final. Ficou em aberto e com inúmeras perguntas no ar.

O conto da aia é uma distopia única, relevante e que serve de alerta para todos nós.
Uma leitura que faz sentir - ora desconforto pela realidade pesada em que essas mulheres vivem, ora admiração em perceber que apesar de toda vulnerabilidade há força dentro delas.
É sobre política, religião, patriarcado e sacrifícios.
Apenas leiam!

#resenhaemalgumlugar

site: @emalgumlugarnoslivros
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Nath @biscoito.esperto 31/05/2017

Uma escrita bagunçada
Sou feminista e sempre procurei ler livros de ficção e não-ficção que abordem o tema da desigualdade de gênero. Confesso que até a série do Hulu sair eu não conhecia The Handmaid's Tale, mas quando vi o primeiro trailer e fiquei muito curiosa. Precisava ler o livro.

A história é contada do ponto de vista de Offred, uma Aia - assim são chamadas as mulheres férteis que tem como missão engravidar de homens importantes, cujas esposas são inférteis. Offred nem sempre foi uma Aia - não muito tempo atrás ela era uma mulher comum, com um trabalho, marido, uma filha e, é claro, liberdade. Num golpe de estado a constituição dos Estados Unidos foi suspensa e uma teocracia foi estabelecida. Nesse novo sistema as mulheres tem algumas opções: 01) ser esposas dos homens; 02) cuidar das casas dos homens ou 03) engravidar dos homens. Há uma quarta opção, mas ninguém quer trabalhar recolhendo lixo tóxico...

A história começa quando Offred é enviada para uma casa nova para engravidar de um homem novo e começa a despertar a muito indesejada atenção do seu Comandante. Enquanto luta para sobreviver - para rever seu marido e sua filha, que ela crê estarem vivos - ela descreve como é o mundo ao seu redor e conta como as coisas chegaram a este ponto.

Eu esperava mais do livro. Não digo que não gostei, pois definitivamente foi uma leitura interessante e o tema da história é criativo, mas eu achei a escrita bagunçada e errante demais. Parece que autora não sabia exatamente onde ela queria chegar e foi escrevendo cenas aleatoriamente, sem planejamento. "Ah, tive uma ideia de algo interessante, vou simplesmente escrever sobre isso mesmo que não caiba nessa parte da história". Muitos trechos que deveriam ser chocantes não me chocaram, e alguns momentos do livro foram estendidos demais quando poderiam ter sido mais breves, simplesmente por que parece que a autora não tinha um objetivo claro enquanto escrevia.

Eu gostei da narrativa da autora, da forma como ela descreve o mundo de Offred. Sua realidade é sufocante e desesperadora, mesmo passando uma ideia de paz e organização. Offred está à flor da pele, e o leitor também. Os flashbacks são muito bem vindos para conhecermos a vida de Offred, mas não são o suficiente para nos fazer entender como o mundo se transformou tanto em tão pouco tempo. Mesmo que a ideia de uma teocracia massacrando os direitos das mulheres seja muito verossímil, a forma como tudo ocorreu no livro não me chamou a atenção.

Apesar de não ter sido um livro perfeito, eu gostei da leitura. Especialmente gostei da forma como a autora escolheu finalizar o livro, achei muito bem trabalhado. Vou assistir o seriado e ver como fizeram a adaptação.

Recomendo =D

site: www.nathlambert.blogspot.com


Aline Medeiros 10/04/2020

Leitura assustadoramente incrível
A história deste livro se passa num futuro distópico onde as mulheres perderam todos os direitos, foram divididas em castas e escravizadas.

É uma leitura marcante, pesada, perturbadora, causa aflição o e o mais assustador é que a autora se inspirou em diversos eventos reais que ocorreram ao longo da história da humanidade.

- Eu me certifiquei de que todo detalhe horrível no livro já tivesse acontecido em algum momento, em algum lugar. (Margaret Atwood)

Sem dúvida , é uma obra literária incrível!
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F.J Bonnie 02/12/2019

Bendito seja o fruto...
Eu acredito na resistência como acredito que não pode existir luz sem sombra; ou antes, não pode existir sombra a menos que exista também luz.


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