Úrsula

Úrsula Maria Firmina dos Reis...



Resenhas - Úrsula


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marcelalendo 02/12/2019

Úrsula
O livro Úrsula foi escrito por Maria Firmina dos Reis e publicado pela primeira vez em 1859. Trata-se de um romance, daqueles dramáticos e bem característico do século XIX.

O livro vem contar a história de amor de Úrsula e Tancredo. Ela, uma sinhazinha órfã de pai e com uma mãe muito enferma, sem muitas posses. O rapaz, já vem de uma família influente e rica que acabou de sofrer uma grande desilusão amorosa. Os dois se conhecem quando Tancredo sofre um acidente e é salvo por Túlio, que é escravizado na casa de Úrsula. A autora descreve os dois protagonistas como jovens, amorosos, bondosos e inocentes.

Além de Úrsula e Tancredo, a autora nos apresenta 3 personagens que são escravizados: Túlio, Suzana e Antero. Conseguimos captar cada um deles sua visão e vivências da escravidão. A descrição mais impactante do livro é a narração de Suzana para Túlio, a respeito da sua captura na África e envio para o Brasil em um navio negreiro. Os horrores da escravidão constam em vários momentos do livro, em especial quando fala-se do comandante, irmão da mãe de Úrsula.

Lógico que o amor de Tancredo e Úrsula se torna daqueles impossíveis, cheio de sofrimento, drama e infelicidade. Apesar do texto exigir algumas consultas no dicionário, a escrita de Maria Firmina é envolvente demais e fiquei torcendo pelo casal, pelo jovem Túlio e pela velha Suzana.

Diante do pano de fundo dessa história de amor, a realidade cruel da escravidão é parte Intrínseca da história, trazendo um romance do século XIX que não ignora as vivências do momento e denuncia os horrores da escravização.
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Biblioteca Álvaro Guerra 20/09/2019

Úrsula é romance da maranhense Maria Firmina dos Reis publicado em 1859. É considerado o primeiro romance escrito por uma mulher no Brasil. O romance foi publicado com o pseudônimo "uma maranhense".

Empreste esse livro na biblioteca pública

Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. Basta reservar! De graça!

site: http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/isbn/9788582850817
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Bruna.Patti 15/09/2019

Úrsula
Resenha
Livro: Úrsula
Autora: Maria Firmina dos Reis
Ano da publicação: 1859

Vocês já ouviram falar de Maria Firmina dos Reis? Começo essa resenha com esse questionamento, visto que na minha época de escola nunca havia ouvido falar dessa incrível autora, mulher, negra, abolicionista. Ela é autora do primeiro livro escrito por uma mulher, Úrsula, com temática abolicionista. Pensem o que era naquela época uma mulher negra escrever um romance que trazia a história de negros e negras como pessoas, dotadas de características positivas, não animalizadas e além de tudo, questionando o sistema , patriarcal e escravocrata. Como diz a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, é necessário que escutemos outras histórias. A história não é única.
Em sua superfície, o romance possui um enredo simples e folhetinesco: a heroína que dá nome à história, Úrsula, uma mulher branca e pobre, que vive com a mãe, uma senhora paralitica, se apaixona por Tancredo, um jovem bacharel , que corresponde seu amor. Porém, a jovem é objeto da paixão de seu tio, irmão de sua mãe Luisa B., um comendador cruel, que jura que sua sobrinha será sua esposa , custe o que custa. Luisa B. e a filha vivem desamparadas, numa sociedade que tratava as mulheres como meros objetos de apreciação masculina(algo mudou?). Porém, esse é o enredo da superfície.
Logo no começo do livro somos apresentados à Tulio, um jovem negro escravizado, cuja senhoria é a Luisa B. que salva Tancredo, pois esse havia caído de seu cavalo e ficado desacordado. Nessa parte, já ficamos conhecendo as virtudes de Tulio, jovem lindo, negro, escravizado, gentil, bondoso e grato. Ele é colocada em pé de igualdade com o homem branco , Tancredo , e ainda por cima salva sua vida. Tancredo, muito agradecido, devota-lhe amizade, que é correspondida, além de comprar sua carta de alforria.
Também ficamos conhecendo dois outros negros escravizados: mãe Susana e Antero. Um dos capítulos mais comoventes do romance é a narrativa de mãe Susana de como era sua vida no continente africano, com marido, filha e mãe e do dia mais triste de sua vida, a sua captura pelos europeus. Ela narra a liberdade que tinha em sua terra natal e que nunca possuiria no Brasil, mesmo que um dia fosse alforriada, pois sua vida ficara lá. Aqui Maria Firmina inova trazendo uma historicidade ao negro. Na maior parte das histórias da época, os negros são simplesmente escravos, anistóricos, animalizados, sem família nem passado. Aqui, Firmina traz a perspectiva da mulher negra escravizada, e seu passado. Ponto muito ousado do romance naquela época.
A estratégia da autora é louvável: com um enredo na superfície simples e atrativo, acabaria por atrair aquela parcela da população que lia folhetins: burgueses, além da estrutura típica dos romances românticos. Com isso, esperava traduzir os horrores da escravidão para essas pessoas dotadas de privilegio. Firmina ainda usa os valores cristão para rechaçar a escravidão, numa época em que a própria igreja utilizada a Bíblia para justificar o sistema escravocrata.
Os marginalizados em uma sociedade patriarcal e escravocrata, as mulheres e os negros, tem voz e vez nesse romance. Contam sua histórias, são dotadas de sentimentos, de passado, de perspectivas, existem para além de fazer figuração ao homem branco, representado pela figura do Comendador. A mensagem é clara: enquanto existisse o sistema escravocrata e patriarcal, a felicidade de mulheres, negros e marginalizados da sociedade não seria possível. Pergunto a vocês por que um romance dessa magnitude e importância não tem destaque maior nas escolas? Por que, apesar de passados alguns anos do fim da escravidão, vivemos ainda num país racista, que possui em suas instituições a legitimação para suas práticas. Um país que mata seus jovens negros pelas mãos do Estado, que segrega, que magoa, que marginaliza. É necessário que façamos um esforço de sempre perseguir outras histórias, contadas pelo outro, pela mulher, pelo negro, pelo indígena, ou seja, pelo oprimido, a fim de mudar essa homogeneização, pois somos e sempre seremos plurais. Recomendo a leitura.


LINK DO MEU BLOG:

site: https://abiologaqueamavalivros.blogspot.com/2019/09/ursula.html
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Lethycia Dias 03/09/2019

Reparação histórica
Quando encontrei o e-book Úrsula e outras obras, editado pela Câmara dos Deputados, não pensei duas vezes antes de baixar. A obra de Maria Firmina dos Reis foi ignorada por mais de 100 anos e era considerada rara, e só recentemente é que ganhou novas edições, começando a ser reconhecida pela sua importância.
Isto porque Maria Firmina foi a primeira escritora negra brasileira, em pleno período escravocrata, e escreveu a primeira obra abolicionista no Brasil - embora esse crédito seja dado a Castro Alves. Essa obra é o romance Úrsula, e eu não sabia nada sobre seu enredo até que o li.
A heroína que dá nome à história é filha de uma viúva chamada Luísa B e as duas vivem numa pequena propriedade empobrecida, abandonadas pelo irmão de Luísa, que cortou relações com ela assim que ela se casou com Paulo B, o pai de Úrsula já falecido. A garota recebe e hospeda em casa Tancredo, um jovem de origem nobre que é encontrado caído na estrada por um escravo. Úrsula cuida dele assim como de sua mãe, que está doente e à beira da morte. Os dois se apaixonam. Quando Tancredo parte para resolver problemas prometendo voltar para que os dois se casem, um visitante chega à propriedade, e a vida de Úrsula passa a correr perigo.
A história se orienta pelo movimento romântico do século XIX, com o característico amor à primeira vida, a intensidade das emoções e as ações heroicas e nobres dos personagens. Mas o que achei interessante em ler uma história escrita por uma mulher nessa escola literária foi ver, em contraponto ao mocinho, a presença assustadora de um homem que não aceita ser rejeitado (coisa que até hoje aterroriza mulheres não só nos livros, mas na vida real). O final é trágico.
O e-book ainda inclui dois contos: Gupeva e A Escrava. O primeiro é uma narrativa de temática indígena, também bastante romântica, e o segundo tem um forte tema abolicionista apesar de não ser uma história tão desenvolvida ou interessante como as outras duas. Em Úrsula, o abolicionismo se faz evidente em certo trecho quando uma escrava chamada Susana conta de forma chocante como foi sequestrada e trazida ao Brasil em um navio negreiro.
A última parte do livro inclui vários poemas, de temáticas românticas, religiosas ou nacionalistas, exaltando o Brasil em relação à Guerra do Paraguai. Alguns fazem homenagens a personalidades da época, incluindo o poeta Gonçalves Dias, autor da Canção do Exílio.
A edição da Câmara dos Deputados é bem completa, com textos de apoio e notas de rodapé, e o melhor é que nos permite conhecer várias produções de uma só vez. Apesar de ter feito uma leitura lenta, gostei muito de conhecer essa autora apagada da nossa História, sobre a qual só ouvi falar quando cheguei ao ensino superior. Recomendo muito a leitura como a correção de uma injustiça histórica.

site: https://www.instagram.com/p/B17Q93rj354/
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Raquel 10/08/2019

Maria Firmina, literatura e ousadia
Antes de falar sobre o enredo, é importante dizer que Maria Firmina foi uma mulher ousada. Afrodescendente, livre, letrada, professora que fundou uma escola de classe mista. De origem pobre, podemos dizer que Maria Firmina fez a diferença em seu mundo. Escrever e publicar Úrsula foi um ato de ousadia, uma vez que o espaço literário era restrito para as mulheres. Hoje, com o resgate dessa obra, podemos reverter este injusto quadro de apagamento dela e de outras autoras do século XIX.
Úrsula se mostra uma obra tipicamente Romântica com todos os elementos, porém traz embutido a um enredo comum para a época, críticas ao catolicismo, à escravidão, à condição feminina. A preta Susana é minha personagem preferida, pois, através dela, a história é contada pela ótica de quem viveu e sofreu.
Não gostei muito do relacionamento entre Tancredo e Túlio, apesar de entender as escolhas da escritora e o contexto da época, acho, sim, que Túlio trocou um cativeiro por outro ao seguir Tancredo, numa dívida de gratidão.
É uma leitura extremamente necessária e proveitosa. Recomendo!
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Thales 02/08/2019

Um amor genuíno.
Maria firmina dos Reis, até então para mim era uma autora desconhecida, portanto fico grato a Universidade (ufrgs, leitura obrigatória) por colocar-me em contato com esta obra.
Importante destacar que "Úrsula" é o primeiro romance da literatura afro-brasileira. Mesmo que trate-se de um romance de pessoas brancas, e que a autora é negra (descrevendo aspectos da escravidão com sublime detalhe) tem-se uma narrativa com a perspectiva interna quanto aos afro-brasileiros.
A historia gira em torno de Tancredo (mancebo) e Úrsula, que de acordo com as normas sociais de sua época não podem ficar juntos, mas como o amor é fortíssimo, tentam mesmo assim viver o seu genuíno amor, porém enfrentam alguns percalços no decorrer da história, como o tio de Úrsula, Fernando, que é um tirano insensível, e também pretende casar-se com ela.
Em termos gerais, tirando o desfecho (algo que gostei bastante), Úrsula pareceu-me um romance comum, onde duas pessoas tentam ficar juntas e que existe uma terceira (antagonista) que não permite que isto se concretize, então acaba se desenrolando tudo em torno desta dualidade.

***Livro da editora Pradense. Edição muito boa por sinal, pois manteve a grafia da época de sua publicação e portanto, sua autenticidade***.
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Laryssa Rosendo 02/08/2019

Maria Firmina dos Reis era filha de uma pobre negra escravizada, sendo a responsável pelo primeiro romance abolicionista publicado por uma negra no Brasil, em 1859. Apesar da trama principal centrar no protagonista branco tentando salvar a jovem moça do seu algoz (Tancredo, Úrsula e Comendador B., respectivamente), é o primeiro livro que dá voz aos negros ao ter capítulos específicos demonstrando a visão de Túlio e Mãe Suzana, dois escravos que refletem a existência de suas vidas, a injustiça do sistema escravista e os caminhos que podem percorrer, considerando as limitações impostas.
O livro é um clássico romance daqueles exagerados, dramáticos, com reviravoltas típicas do gênero. O enredo central fala do Comendador B., que se apaixona por sua sobrinha Úrsula e decide que ficará com ela de qualquer jeito, matando quem quer que entre em seu caminho. No entanto, Úrsula já está aguardando a volta de Tancredo, homem pelo qual está apaixonada, para casar.
As partes mais impactantes do livro são as descrições dos tratamentos desumanizado dado aos escravos, e a falta de respeito em relação aos que conseguiam deixar de sê-los, mostrando o quão vulnerável e desconsiderados eram. É chocante e dolorido ver a realidade tão crua, apesar disso ser feito em poucas passagens. Gostaria que o livro tivesse se aprofundado mais nessa parte, no entanto, entendo que esse contexto era apenas pano de fundo pra história principal e devemos considerar, também, que pra época escrita, sendo a escravidão uma realidade tão próxima Maria Firmina foi sem dúvida uma precursora muito corajosa.
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Luiza 25/07/2019

úrsula
Maria Firmina, mulher negra e primeira no Brasil a escrever um romance, retrata no romance “Úrsula”, a difícil e conturbada época da escravidão, juntamente com uma relação de amor entre Tancredo e Úrsula, ambos de alma pura , mas que encontram diversas dificuldades para enfim concretizar a paixão ,de ambos ali existente.
A autora utiliza de uma descrição minuciosa e detalhada de todos os elementos da história, tanto no que se refere aos sentimentos, pensamentos, e visões dos personagens , quanto dos mais simples elementos do ambiente e da natureza, onde se encontravam os personagens da história, possibilitando assim que o leitor consiga perceber as personalidades de cada personagem e suas emoções , chegando a sentir as sensações que Maria Firmina tenta passar para todos que lêem aquelas palavras, através de cada indivíduo ali representado, além de viajar com eles por meio da linguagem um tanto poética, utilizada pela autora, naquela história tão tocante e intensa.
Tentando trazer o contexto da escravidão para história, Maria nos faz sentir a angústia e os penosos sentimentos daquela época, através da visão de diferentes realidades, como a da Luiza B. que vivenciou estes dolorosos momentos de tortura, mas ali ainda permanecia, para relatar as desgraças e dores sentidas naqueles difíceis momentos.Temos também a visão de escravos que no momento da história ainda viviam naquela realidade com a exclusão de uma liberdade tão grandemente desejada, como por exemplo com o personagem Túlio e em alguns momentos a Suzane.Outra visão daqueles acontecimentos é na pele e na mente do escravizador, onde Maria nos faz entender como e o que o levava a agir de tal forma para com os pobres escravos.
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Cris 16/07/2019

Surpreendente!
O estilo do livro é uma mescla da primeira e a segunda fase do Romantismo. Em termo de enredo me surpreendeu.
Tanto o livro como a história de Maria Firmina deveriam estar disponíveis em todas as bibliotecas brasileiras.
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Dan 10/07/2019

A mente! isso sim ninguém pode escravizar
Destacar a veia absurdamente poética de Maria Firmina do Reis que em pleno restrito sec xix e em sua condição escassa de direitos sociais, privação de conhecimento e aprendizados, ainda assim consegue escrever belamente um romance de profunda carga emocional.
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Carol @leitoraflorida 08/04/2019

María Firmina Revolucionaria
Úrsula - Maria Firmina dos Reis - 🇧🇷 1859.
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Antes de falar sobre Úrsula eu preciso te apresentar...
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Maria Firmina dos Reis era filha de uma mulher escravizada, pobre e mulher negra, foi a primeira mulher negra a publicar um livro na América Latina ( Fato não aceito por alguns pesquisadores ) sendo seu livro Úrsula o PRIMEIRO Romance abolicionista. Ela deu voz aos Africanos arrancados de seu país, separados de seus filhos de forma brutal e violenta, tratou sobre a escravidão de uma perspectiva interna, antes mesmo de Castro Alves e Joaquim Manoel Macedo. E me pergunto o porque dessa mulher não ser enaltecida como deveria ser?
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O que Úrsula tem de diferente dos outros livros do Romantismo? Em Úrsula encontramos todos as características de um livro do gênero, amor incondicional, sofrência descomunal, e um vilão odioso e desesperado. Apesar de ser centralizado sua narrativa em uma heroína branca, o tema escravidão tem por sua vez uma visão interna e real, o romance pautado de forma fiel a história oculta da diáspora africana; tendo como representantes, Túlio,Susana e Antero, todos carregando a dor e marcas deixadas pela escravidão.
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" meteram-me a mim e a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no estreito e infecto porão do navio. Trinta dias de cruéis tormentos [...] Para caber a mercadoria humana no porão formos amarrados em pé e para que não houvesse receio de revolta."
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Aqui Susana já com uma idade avançada, narra sua vida em seu país, sua família sua liberdade, e a dor de serem arrancados dele como animais, sua história tirada a força de ferro, esse momento é um dos mais marcantes desse romance, senti a dor de Susana e de tudo que lhe foi tirado.
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✊"Não troca cativeiro por cativeiro, oh não! Troco escravidão por liberdade"
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Imagine, ano 1859 (lembrando que a leia Áurea -1888) ler trechos como esse, vindo de uma mulher, negra e pobre. Inicialmente o livro foi publicado apenas como pseudônimo "uma maranhense"
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E inevitável a comparação com José de Alencar, contemporâneo de Maria Firmina, enquanto um enaltece os "colonizadores e rebaixa qualquer outro apenas a selvagens Úrsula da voz aqueles que perderam sua identidade!
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Gramatura Alta 07/01/2019

http://gettub.com.br/2019/01/07/ursula/
Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís, em 11 de outubro de 1825, e morreu na cidade de Guimarães, Maranhão, em 11 de novembro de 1917. Filha ilegítima de pai negro, ela própria negra, a autora carregava todos os marcadores da desclassificação social. Foi professora de letras e fundou uma sala mista, que escandalizou os círculos locais. Escreveu ÚRSULA em 1859, e é uma das primeiras romancistas brasileiras. No seu lançamento, em 1860, a obra recebeu resenhas modestas nos jornais de São Luís. Mas isso era esperado, uma vez Maria Firmina já havia conseguido o quase impossível: ser admitida no restrito círculo de letrados locais. A sociedade brasileira do século XIX, patriarcal e escravista, era profundamente elitista. Mulheres escritoras constituíam raras exceções. A decisão da autora de publicar sua obra, de vê-la caminhando entre críticos e leitores, é um ato de desafio e autoconfiança.


ÚRSULA foi o primeiro romance a dar voz a negros, uma vez que possui capítulos cujos protagonistas são Túlio e Mãe Susana, dois escravos que compartilham com o leitor uma reflexão a respeito de si próprios, de suas vidas, das injustiças da escravidão e de suas opções frente à opressão da sociedade escravista de frente ao mando senhorial. As recordações de Susana como mulher livre em algum lugar da África, como esposa e como mãe, demonstram a criatividade e capacidade de Maria Firmina em arquitetar uma trama densa e alheia a qualquer código literário.

Entretanto, foi apenas na década de 1970 que ÚRSULA começou sua trajetória de obra indispensável dos clássicos nacionais. Horácio de Almeida, bibliógrafo e colecionador, descobriu, no meio de um lote de livros antigos adquiridos no Rio de Janeiro, um pequeno volume em cuja folha de rosto se lia: “Ursula/Romance Original Brasileiro/Por Uma Maranhense/San’Luis/Na Typographia do Progresso/Rua Sant’Anna, 49 – 1859. Horário iniciou um trabalho de pesquisa, que o levou a descobrir o passado de Maria Firmina e seu romance publicado em data muito precoce em comparação a romances escritos por mulheres no Brasil.

Esse é um resumo da extensa introdução de ÚRSULA, escrita por Maria Helena Pereira Toledo Machado, professora titular do Departamento de História da Universidade de São Paulo, com cronologia de Flávio dos Santos Gomes, licenciado em história pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Introdução esta que não deve ser lida por você até finalizar a leitura da história, uma vez que contém todos os spoilers possíveis e irá estragar, com certeza, o prazer de sua leitura.

Tancredo é um jovem de uma família rica e poderosa da capital. Seu pai é autoritário e arrogante, atormenta a esposa a ponto de fazê-la cair na cama doente. Ao retornar para casa, após completar seus estudos em Direito, Tancredo conhece Adelaide, uma órfã que a mãe dele recolheu como protegida. Ele se apaixona por ela, mas o pai não aprova o relacionamento devido à falta de posses da moça. Após uma séria discussão, o pai aceita o noivado, desde que Tancredo parta em uma viagem de um ano para resolver uma missão quanto aos negócios da família. Quando retornar, poderá se casar com Adelaide. Ele aceita e vai embora resoluto. Poucos dias antes do prazo de um ano finalizar, ele recebe a notícia de que sua mãe faleceu. Ao chegar em casa, Tancredo encontra Adelaide coberta de joias e casada com seu pai. Destruído emocionalmente, traído, sem forças, ele vai embora e desmaia no meio do caminho, em um local afastado, no meio do mato. É socorrido por Túlio, o escravo pertencente a Luiza, a senhora dona de uma pequena fazenda próxima, e mãe de frágil e linda Úrsula.

Luiza é viúva, seu marido foi assassinado a mando do irmão dela. Ela e a filha vivem com medo que o homem retorne para completar a matança. Com a convivência com Úrsula, enquanto recupera a saúde, Tancredo supera Adelaide e se apaixona pela menina. Ele promete ajudar a mãe dela e a reerguer a fazenda. Os dois ficam noivos e combinam o casamento, mas então, o irmão de Luiza retornar com a intenção de terminar o que começou. Com a ajuda de Túlio e de mãe Susana, o casal inicia uma fuga para salvar a vida.

ÚRSULA é aquele clássico impregnado de romance extremo, dramático, com reviravoltas típicas da época. E se você já leu clássicos, sabe como quase todos terminam de forma pessimista, como deixam seu coração destruído. Entretanto, a obra de Maria Firmina consegue se destacar exatamente pelo tom abolicionista e da importância que entrega aos personagens secundários negros. Eles possuem voz ativa, possuem sentimentos e possuem importância fundamental no desenrolar dos acontecimentos. Mais emocionante é a consciência do lugar deles nessa sociedade, como eles ficam surpresos com pessoa gestos de igualdade feitos por pessoas brancas, como quando Tancredo pega na mão de Túlio e agradece por ter salvo sua vida. Coisas tão simples e tão importantes ao mesmo tempo para quem sofre preconceito e maus tratos.

Úrsula também foge um pouco do padrão da jovem da época. Embora jovem, ela é decidida, corajosa, reconhece a maldade do homem e enfrenta quem a ameaça, mesmo com risco de ser morta. Ela não se demonstra tão romântica quanto Tancredo, que excede na dependência de suas emoções. Embora seja compreensível o sofrimento pela traição que ele sofreu. Vamos concordar que não é fácil você descobrir que a mulher por quem era apaixonado, na verdade era uma pessoa fútil e interesseira, e que seu pai a desposou no seu lugar. Isso revira a cabeça de qualquer pessoa.

ÚRSULA, como a maioria dos clássicos, não é uma leitura convencional. Ela deve ser lida, estudada e interpretada de acordo com a época em que foi escrita e por quem ela foi escrita. A vida de Maria Firmina já valeria um romance próprio, tamanha sua coragem e obstinação em superar barreiras de uma sociedade extremamente machista e racista. Não apenas como escritora, mas também como professora. Apenas por isso, já vale, e muito, a leitura. Mas posso afirmar que você não irá se decepcionar com o romance de Úrsula e Tancredo, nem com a narrativa de Túlio e mãe Susana. Eles merecem estar na sua estante. Merecem ter suas histórias lidas. Acredite.

site: http://gettub.com.br/2019/01/07/ursula/
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neudsonpenha 30/07/2018

Primeiro romance da literatura afro-brasileira que procura narrar politicamente a condição do ser negro a partir da perspectiva do próprio negro e da mulher negra.
Úrsula.
Maria Firmina dos Reis.

Um livro que estava na minha TBR e que agora tenho o prazer de dizer: lido e amado.

Primero romance abolicionista da literatura brasileira.
Primeiro romance da literatura afro-brasileira que procura narrar politicamente a condição do ser negro a partir da perspectiva do próprio negro e da mulher negra.

Úrsula tem todas as características de um romance do século XIX, mas seu ineditismo está em dispor as personagens negras em seu lugar de fala e isso é libertador.

Personagens fortes que pela primeira vez nos coloca de frente com a situação da escravidão do ponto de vista do escravizado.

Esse livro desse ser lido e relido diversas vezes.

Leitura libertária. Vale também o posfácio, pois nos leva a entrar mais a fundo na história de Úrsula e na nossa história.

Reis, Maria Firmina dos. Úrsula. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2027. 240p.

Muito bom!!!!

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Glétsia 29/05/2017

Maria Firmina dos Reis, mulher corajosa.
É uma pena não poder cadastrar a edição FAC-Similar que li, pois ela não possui o código ISBN.
Maria Firmina, uma poetisa. Lê-la é deleitar-se a partir da introdução de seu livro. Extasio-me logo no início com tanta riqueza. Pergunto-me: “Como pode alguém com o pouco conhecimento que existia no século XIX e ainda do que lhe foi negado, por ser mulher, pobre, bastarda e negra, escrever tão bem e tão eloquente, com metáforas a nos fazer a imaginação fluir descontrolada e a causar arrepios de tanta sensibilidade? Estou falando da minha leitura de Úrsula, escrito em 1959, considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil e, apesar de alguma existente controvérsia, é considerado o primeiro romance escrito por mulher brasileira. Esta mulher é nada menos do que Maria Firmina dos Reis, maranhense, ludovicense, mas que viveu e passou boa parte de sua vida até o seu falecimento em Guimarães, também município do Maranhão. Demorei tanto nessa leitura porque ela me levou para outra época e também a estudar a história
Ela descreve a natureza de uma forma apreciativa, denuncia a situação horrenda dos escravos e das mulheres diante dos maridos déspotas Dessa forma fica evidente a mulher corajosa que foi, pois falar de tais temas nesse período, principalmente por uma mulher, era algo inconcebível.
Ela faz algumas intertextualidades ao fazer referência à mitologia grega, às histórias bíblicas, ao personagem Otelo de Shakespeare e à obra de Bernardim de Saint Pierre (Paulo e Virgínia).
Demonstra ainda conhecimentos geográficos quando faz referência aos Andes.
Relata os sofrimentos da vida e sobre as questões universais que permeiam o homem, dentre outras, questiona se os males findam após a morte. Se preocupa e dá conselhos sobre bebida alcoólica. E ainda, só a partir da leitura de Úrsula compreendo porque tantos seres humanos já foram subjugados por outros de índoles tão perversas e cruéis, pois os subjugados não seriam capazes de fazer qualquer mal a outro ser humano, mesmo ao mais terrível algoz. Enfim, amei tudo...Virei fã de minha conterrânea.


“São como notas de uma harpa eólica, arrancadas pelo roçar da brisa, ou como o sussurrar da folhagem em mata espessa”. (pag.8. Úrsula)
Clarissa.Pires 14/06/2017minha estante
Oi Glétsia, a edição fac-similar está disponível online? Onde posso ler?


Laine 12/08/2017minha estante
Oi Glétsia. Também compartilho a dúvida da Clarissa. Não consigo esse livro. Está disponível em formato digital ?


Michely Looz 11/11/2017minha estante
Li uma matéria sobre esta incrível mulher na Cult hoje e, -depois desta sua resenha, impecável diga-se de passagem, - com certeza irei ler o romance assim que tiver a oportunidade.


Glétsia 12/11/2017minha estante
Fico imensamente feliz de ler esse seu feedback e saber que contribui para sua busca por essa leitura.




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