Úrsula

Úrsula Maria Firmina dos Reis...

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Resenhas - Úrsula


4 encontrados | exibindo 1 a 4


Glétsia 29/05/2017

Maria Firmina dos Reis, mulher corajosa.
É uma pena não poder cadastrar a edição FAC-Similar que li, pois ela não possui o código ISBN.
Maria Firmina, uma poetisa. Lê-la é deleitar-se a partir da introdução de seu livro. Extasio-me logo no início com tanta riqueza. Pergunto-me: “Como pode alguém com o pouco conhecimento que existia no século XIX e ainda do que lhe foi negado, por ser mulher, pobre, bastarda e negra, escrever tão bem e tão eloquente, com metáforas a nos fazer a imaginação fluir descontrolada e a causar arrepios de tanta sensibilidade? Estou falando da minha leitura de Úrsula, escrito em 1959, considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil e, apesar de alguma existente controvérsia, é considerado o primeiro romance escrito por mulher brasileira. Esta mulher é nada menos do que Maria Firmina dos Reis, maranhense, ludovicense, mas que viveu e passou boa parte de sua vida até o seu falecimento em Guimarães, também município do Maranhão. Demorei tanto nessa leitura porque ela me levou para outra época e também a estudar a história
Ela descreve a natureza de uma forma apreciativa, denuncia a situação horrenda dos escravos e das mulheres diante dos maridos déspotas Dessa forma fica evidente a mulher corajosa que foi, pois falar de tais temas nesse período, principalmente por uma mulher, era algo inconcebível.
Ela faz algumas intertextualidades ao fazer referência à mitologia grega, às histórias bíblicas, ao personagem Otelo de Shakespeare e à obra de Bernardim de Saint Pierre (Paulo e Virgínia).
Demonstra ainda conhecimentos geográficos quando faz referência aos Andes.
Relata os sofrimentos da vida e sobre as questões universais que permeiam o homem, dentre outras, questiona se os males findam após a morte. Se preocupa e dá conselhos sobre bebida alcoólica. E ainda, só a partir da leitura de Úrsula compreendo porque tantos seres humanos já foram subjugados por outros de índoles tão perversas e cruéis, pois os subjugados não seriam capazes de fazer qualquer mal a outro ser humano, mesmo ao mais terrível algoz. Enfim, amei tudo...Virei fã de minha conterrânea.


“São como notas de uma harpa eólica, arrancadas pelo roçar da brisa, ou como o sussurrar da folhagem em mata espessa”. (pag.8. Úrsula)
Clarissa.Pires 14/06/2017minha estante
Oi Glétsia, a edição fac-similar está disponível online? Onde posso ler?


Laine 12/08/2017minha estante
Oi Glétsia. Também compartilho a dúvida da Clarissa. Não consigo esse livro. Está disponível em formato digital ?


Michely Looz 11/11/2017minha estante
Li uma matéria sobre esta incrível mulher na Cult hoje e, -depois desta sua resenha, impecável diga-se de passagem, - com certeza irei ler o romance assim que tiver a oportunidade.


Glétsia 12/11/2017minha estante
Fico imensamente feliz de ler esse seu feedback e saber que contribui para sua busca por essa leitura.




neudsonpenha 30/07/2018

Primeiro romance da literatura afro-brasileira que procura narrar politicamente a condição do ser negro a partir da perspectiva do próprio negro e da mulher negra.
Úrsula.
Maria Firmina dos Reis.

Um livro que estava na minha TBR e que agora tenho o prazer de dizer: lido e amado.

Primero romance abolicionista da literatura brasileira.
Primeiro romance da literatura afro-brasileira que procura narrar politicamente a condição do ser negro a partir da perspectiva do próprio negro e da mulher negra.

Úrsula tem todas as características de um romance do século XIX, mas seu ineditismo está em dispor as personagens negras em seu lugar de fala e isso é libertador.

Personagens fortes que pela primeira vez nos coloca de frente com a situação da escravidão do ponto de vista do escravizado.

Esse livro desse ser lido e relido diversas vezes.

Leitura libertária. Vale também o posfácio, pois nos leva a entrar mais a fundo na história de Úrsula e na nossa história.

Reis, Maria Firmina dos. Úrsula. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2027. 240p.

Muito bom!!!!

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GETTUB 07/01/2019

http://gettub.com.br/2019/01/07/ursula/
Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís, em 11 de outubro de 1825, e morreu na cidade de Guimarães, Maranhão, em 11 de novembro de 1917. Filha ilegítima de pai negro, ela própria negra, a autora carregava todos os marcadores da desclassificação social. Foi professora de letras e fundou uma sala mista, que escandalizou os círculos locais. Escreveu ÚRSULA em 1859, e é uma das primeiras romancistas brasileiras. No seu lançamento, em 1860, a obra recebeu resenhas modestas nos jornais de São Luís. Mas isso era esperado, uma vez Maria Firmina já havia conseguido o quase impossível: ser admitida no restrito círculo de letrados locais. A sociedade brasileira do século XIX, patriarcal e escravista, era profundamente elitista. Mulheres escritoras constituíam raras exceções. A decisão da autora de publicar sua obra, de vê-la caminhando entre críticos e leitores, é um ato de desafio e autoconfiança.


ÚRSULA foi o primeiro romance a dar voz a negros, uma vez que possui capítulos cujos protagonistas são Túlio e Mãe Susana, dois escravos que compartilham com o leitor uma reflexão a respeito de si próprios, de suas vidas, das injustiças da escravidão e de suas opções frente à opressão da sociedade escravista de frente ao mando senhorial. As recordações de Susana como mulher livre em algum lugar da África, como esposa e como mãe, demonstram a criatividade e capacidade de Maria Firmina em arquitetar uma trama densa e alheia a qualquer código literário.

Entretanto, foi apenas na década de 1970 que ÚRSULA começou sua trajetória de obra indispensável dos clássicos nacionais. Horácio de Almeida, bibliógrafo e colecionador, descobriu, no meio de um lote de livros antigos adquiridos no Rio de Janeiro, um pequeno volume em cuja folha de rosto se lia: “Ursula/Romance Original Brasileiro/Por Uma Maranhense/San’Luis/Na Typographia do Progresso/Rua Sant’Anna, 49 – 1859. Horário iniciou um trabalho de pesquisa, que o levou a descobrir o passado de Maria Firmina e seu romance publicado em data muito precoce em comparação a romances escritos por mulheres no Brasil.

Esse é um resumo da extensa introdução de ÚRSULA, escrita por Maria Helena Pereira Toledo Machado, professora titular do Departamento de História da Universidade de São Paulo, com cronologia de Flávio dos Santos Gomes, licenciado em história pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Introdução esta que não deve ser lida por você até finalizar a leitura da história, uma vez que contém todos os spoilers possíveis e irá estragar, com certeza, o prazer de sua leitura.

Tancredo é um jovem de uma família rica e poderosa da capital. Seu pai é autoritário e arrogante, atormenta a esposa a ponto de fazê-la cair na cama doente. Ao retornar para casa, após completar seus estudos em Direito, Tancredo conhece Adelaide, uma órfã que a mãe dele recolheu como protegida. Ele se apaixona por ela, mas o pai não aprova o relacionamento devido à falta de posses da moça. Após uma séria discussão, o pai aceita o noivado, desde que Tancredo parta em uma viagem de um ano para resolver uma missão quanto aos negócios da família. Quando retornar, poderá se casar com Adelaide. Ele aceita e vai embora resoluto. Poucos dias antes do prazo de um ano finalizar, ele recebe a notícia de que sua mãe faleceu. Ao chegar em casa, Tancredo encontra Adelaide coberta de joias e casada com seu pai. Destruído emocionalmente, traído, sem forças, ele vai embora e desmaia no meio do caminho, em um local afastado, no meio do mato. É socorrido por Túlio, o escravo pertencente a Luiza, a senhora dona de uma pequena fazenda próxima, e mãe de frágil e linda Úrsula.

Luiza é viúva, seu marido foi assassinado a mando do irmão dela. Ela e a filha vivem com medo que o homem retorne para completar a matança. Com a convivência com Úrsula, enquanto recupera a saúde, Tancredo supera Adelaide e se apaixona pela menina. Ele promete ajudar a mãe dela e a reerguer a fazenda. Os dois ficam noivos e combinam o casamento, mas então, o irmão de Luiza retornar com a intenção de terminar o que começou. Com a ajuda de Túlio e de mãe Susana, o casal inicia uma fuga para salvar a vida.

ÚRSULA é aquele clássico impregnado de romance extremo, dramático, com reviravoltas típicas da época. E se você já leu clássicos, sabe como quase todos terminam de forma pessimista, como deixam seu coração destruído. Entretanto, a obra de Maria Firmina consegue se destacar exatamente pelo tom abolicionista e da importância que entrega aos personagens secundários negros. Eles possuem voz ativa, possuem sentimentos e possuem importância fundamental no desenrolar dos acontecimentos. Mais emocionante é a consciência do lugar deles nessa sociedade, como eles ficam surpresos com pessoa gestos de igualdade feitos por pessoas brancas, como quando Tancredo pega na mão de Túlio e agradece por ter salvo sua vida. Coisas tão simples e tão importantes ao mesmo tempo para quem sofre preconceito e maus tratos.

Úrsula também foge um pouco do padrão da jovem da época. Embora jovem, ela é decidida, corajosa, reconhece a maldade do homem e enfrenta quem a ameaça, mesmo com risco de ser morta. Ela não se demonstra tão romântica quanto Tancredo, que excede na dependência de suas emoções. Embora seja compreensível o sofrimento pela traição que ele sofreu. Vamos concordar que não é fácil você descobrir que a mulher por quem era apaixonado, na verdade era uma pessoa fútil e interesseira, e que seu pai a desposou no seu lugar. Isso revira a cabeça de qualquer pessoa.

ÚRSULA, como a maioria dos clássicos, não é uma leitura convencional. Ela deve ser lida, estudada e interpretada de acordo com a época em que foi escrita e por quem ela foi escrita. A vida de Maria Firmina já valeria um romance próprio, tamanha sua coragem e obstinação em superar barreiras de uma sociedade extremamente machista e racista. Não apenas como escritora, mas também como professora. Apenas por isso, já vale, e muito, a leitura. Mas posso afirmar que você não irá se decepcionar com o romance de Úrsula e Tancredo, nem com a narrativa de Túlio e mãe Susana. Eles merecem estar na sua estante. Merecem ter suas histórias lidas. Acredite.

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Jéssika Cordeiro 02/03/2017

Primeiro romance afrodescendente brasileiro
Tive o prazer de conhecer Maria Firmina dos Reis na disciplina de Modernidade I da Graduação. Mulher de fibra, maranhense, educadora, escritora e poetiza, é admirável a sua criticidade para a época em que viveu. O romance me cativou bastante por retratar a realidade vivenciada pelos escravos no Brasil em 1859 com esse tom abolicionista e defesa da igualdade entre branco e negro. Sem dúvidas, a influência religiosa na vida de Maria Firmina dos Reis colaborou com esse sentimento de tristeza e insatisfação em relação ao sistema escravocrata. Para além disso, a autora constroi uma narrativa incrível e torna-se uma leitura indispensável para todo aquele que quer saber um pouco mais sobre esse período vivido no Brasil.
Laine 12/08/2017minha estante
Nossa Jess. Que emoção deve ter sido conhecer a Maria Firmina. Sou louca pra ler Úrsula. Sabe como conseguir o livro, físico ou digital? Obrigada!


Oliveira 17/03/2018minha estante
ola, caso alguem precise do livro, tenho ele digital, consegui num curso que fiz. me procure no email eireann.ely@gmail.com que envio ele.




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