Deus & O Peixe-Voador

Deus & O Peixe-Voador Douglas Oliveira




Resenhas - Deus & O Peixe-Voador


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Mayara Albuquerque 04/12/2018

Uma agradável surpresa
Eu nunca havia lido qualquer livro do gênero humor e devo dizer que foi uma experiência interessante, para mim, mergulhar fora da minha zona de conforto. Embora eu não tenha me sentido fora da minha zona de conforto realmente, na maior parte do tempo, por motivos que vou citar mais para frente. Ainda assim, aceitei a parceria com o autor, Douglas Oliveira, que também é o editor da Editora Folheando, e que também é, atualmente, minha casa editorial. Douglas também escreve resenhas no blog que deu origem à sua editora: o Folheando.

O primeiro conto de Deus e o Peixe-voador já pega o leitor pela curiosidade, iniciando com o personagem Nestor e sua esposa, que morreram com o único objetivo de conhecer Deus (mas se esqueceram de levar o presente dele). Este conto, logo de cara, oferece uma reimaginação interessante e engraçada do Paraíso, onde Deus planeja transformá-lo em um reflexo extremamente luxuoso de uma metrópole humana, possuindo até mesmo uma central de reclamações e sendo dividido em diversas alas que abrigariam almas de várias culturas diferentes.

No entanto, eu demorei a realmente sentir o clima de humor até o final imprevisível e engraçado do primeiro conto, cuja mensagem se mostra muito valiosa no tempo de intolerância religiosa em que vivemos: cada cultura tem seu próprio Deus, não existe uma única versão certa dele. O restante dos contos, de certa forma, segue pela mesma linha. As histórias têm o claro objetivo de fazer o cristão fervoroso refletir sobre sua visão de mundo, enquanto diverte aquele que conhece pelo menos um pouco da mitologia cristã, mas que não segue a religião.

Embora o gênero da obra seja humor, apenas os dois primeiros contos tiveram momentos que me fizeram rir de verdade. No restante das histórias, me vi lendo uma narrativa que para mim era séria e repleta de entrelinhas (o último conto é o que mais destoa do resto, e chega a ser ligeiramente confuso). Como não tenho experiência com o gênero, não sei se isso deveria acontecer, portanto prefiro deixar esse ponto como subjetivo.

O estilo de escrita certamente tem uma identidade, com termos e expressões bastante singulares, mas, ao mesmo tempo, muitas palavras são usadas fora de lugar, assim como a pontuação, dando um tom amador à escrita, que é repleta de altos e baixos, portanto possui também ótimos momentos. Ainda assim, às vezes, ela tenta ser rebuscada demais na narração (ao ponto de deixar o leitor sem entender orações inteiras) e nas analogias, assim como, em outros momentos, também tenta ser informal demais, usando o “pra” e palavras chulas na narração, o que dá uma inconsistência estranha ao texto. O autor, entretanto, mostra bastante promessa e está longe de nos proporcionar uma literatura fútil e sem profundidade.

Os diálogos também foram um ponto de incômodo para mim; eles podem ficar confusos, sem deixar claro ao leitor qual dos personagens envolvidos está falando. Assim como também não ficou clara para mim a função de todas as falas dos personagens estarem em itálico (não apenas uma ou outra, como que para destacá-las do resto), já que eu nunca vi isso antes em um livro, mas isso é mais um ponto de opinião e estética.

Em geral, Deus e o Peixe-voador é uma leitura que vale sim a pena, se você está disposto a mergulhar nela de mente aberta. Os contos brincam com figuras e conceitos bíblicos de uma forma inteligente, criativa e sem medo de ser também uma crítica, embora divertida.

site: https://mayaraalbuquerquea.wixsite.com/misteriosempaginas/post-unico/2018/11/22/DEUS-E-O-PEIXE-VOADOR-por-DOUGLAS-OLIVEIRA
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