Não me abandone jamais

Não me abandone jamais Kazuo Ishiguro




Resenhas - Não Me Abandone Jamais


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Amanda Azevedo 25/08/2012

Não me abandone jamais - Kazuo Ishiguro

Sempre me preocupei sobre como eu estaria no fim da minha vida. Terei trabalhado com o que sonhei? Vou conhecer os lugares que planejei? Meus grandes amigos serão os mesmos? Vou ter a sensação de dever cumprido ou vou pensar: “caramba, como é que eu cheguei a esse ponto?”. Devaneios demais? Paranoia? Sei lá, talvez... Mas você, provavelmente, já parou pra pensar nisso também. E mesmo com tantos questionamentos possíveis um em especial me atormenta mais, a solidão.

Não importa se viverei com um marido e filhos ou rodeada de amigos, contanto que eu tenha alguém ao meu lado. Alguém que eu me importe e que se importe comigo, isso basta. Tenho medo do que ainda nem aconteceu. Tenho medo de perceber que perdi tempo, de perceber que não fiz o que deveria ou o que gostaria. Porque, sejamos honestos, temos que reconhecer que pode sim, ser tarde demais. Contrariando Renato, não, nós não temos todo o tempo do mundo.

Somos introduzidos à história pela narrativa de Kathy, quando a história começa ela tem 31 anos, mas através de suas lembranças vamos conhecer sua infância e adolescência, época de sua vida que ela passou em Hailsham — um internato no interior da Inglaterra — ao lado de seus amigos Ruth e Tommy. Nós pouco sabemos sobre esse internato, sobre os professores — ou melhor, Guardiões — sobre os três amigos e sobre as outras pessoas que lá residem. O que fica perceptível logo no início é o fato de que os alunos de Hailsham são especiais, mas demora um pouco para descobrirmos o porquê disso.

É um momento gélido, esse, o da primeira vez em que você se vê através dos olhos de uma pessoa assim. É como passar diante de um espelho pelo qual passamos todos os dias de nossas vidas e perceber que ele reflete outra coisa, uma coisa estranha e perturbadora. — Página 50

Não me abandone jamais é um livro essencialmente triste. E eu o considero assim, pois, ele nos remete a centenas de questionamentos. São questionamentos necessários e engrandecedores, eu diria. Sobre o ser humano, de um modo geral, sobre como muitas vezes temos uma visão turva e superficial das coisas e nos julgamos profundos conhecedores dela. Sobre os nossos valores e como eles podem estar equivocados, às vezes.

E eu me arrisco a te perguntar: o que nos faz “pessoas”? Pode parecer uma questão vaga e sem propósito, mas fará todo o sentido ao término dessa leitura. E todos aqueles meus devaneios presentes no início dessa resenha talvez se façam presentes em seus pensamentos quando você — que me lê agora — iniciar a leitura deste livro, ou talvez, os seus devaneios sejam totalmente diferentes dos meus, mas é fato que: você não chegará ao fim desse livro sem, pelo menos, uma pergunta que, provavelmente, o assombrará por alguns dias.


PS: Tem um filme, de mesmo nome, baseado no livro. Logo que terminei a leitura assisti a adaptação, gostei bastante! Mas, se tiverem intenção de ler o livro não recomendo que assistam nem ao trailer, pois fatos que só descobrimos na metade do livro pra lá são revelados nesses poucos minutos.


Luke 01/10/2010

Não Me Abandone Jamais é um romance complexo, muito mais que uma simples ficção científica. Não só complexo pela sua narrativa não-linear ou pelos pequenos detalhes da trama que só nos são explicados depois de um bom avanço da leitura, mas pela imensa gama de interpretação e pela sensibilidade impressionante dos personagens.
Como Kathy, a narradora-personagem, com sua personalidade paranóica e submissa, até, que muitas vezes nos faz questionar se os fatos relatados por ela não são na verdade distorções de sua parcialidade. Sua constante necessidade de agradar a amiga Ruth ou até mesmo sua mania de revisar diálogos e supor os motivos de tais atitudes de tais personagens exigem certa paciência do leitor.

Não há espaço para esperança ou final feliz neste livro. Desde a primeira página, sabemos o que esperar do final. E é isso, a solidão e a desilusão, que compartilhamos com os personagens de Não Me Abandone Jamais, todos assombrados pelos fantasmas de seus passados e presos a um futuro predeterminado.

Este romance é, de fato, uma reflexão sobre nossa existência. O que nos torna tão especiais? O que determina a existência de nossa alma? Kazuo Ishiguro nos faz essas perguntas com maestria, deixando um espaço em aberto para possíveis interpretações, usando a ambiguidade em alguns casos, como nos sentimentos dos alunos - que ora se mostram presentes,como em algumas vezes que Kathy chora; ora se mostram ausentes, como em relação ao modo em que o sexo é encarado por eles.

Em resumo, Não Me Abandone Jamais é uma leitura indispensável, que nos garante longas discussões sobre ética e existencialismo, criando no leitor a sensação de estar participando ativamente da história.


Book.ster por Pedro Pacifico 26/02/2020

Não me abandone jamais, Kazuo Ishiguro - Nota 5,5/10
Vencedor do Prêmio Nobel de literatura de 2017, Ishiguro é conhecido por sua escrita sensível, mesclando a realidade com a fantasia. Apesar de ter gostado da primeira obra que li do autor (“O gigante enterrado”), o escolhido para o mês de novembro do #DesafioBookster2018 não me agradou! A premissa da obra é instigante: um internato em que as crianças são tratadas de forma diferente, criadas para um propósito maior - mas que, para elas, é desconhecido. Nasceram para desempenharem a função de “doadores".

A escrita de Ishiguro é muito boa, o que deixa a leitura mais fluida e me ajudou a não abandonar o livro. O problema para mim está no desenvolvimento da narrativa. Tive a sensação de que ela não evoluía e que as cenas eram extensas demais, sem contribuir para o desenvolvimento da obra. As questões abordadas pelo autor são interessantes, como ética e condição humana, mas não conseguiram me despertar reflexões. Os personagens também não me cativaram muito. Tentei me apegar a algum deles, mas não consegui me aprofundar nos seus questionamentos. Ao final, me pareceu mais um livro juvenil, que não conseguiu refletir, “através da ficção científica, a questão da existência humana" - como promete uma das sinopses.

Enfim, o livro não ME fisgou; tinha muito potencial, mas achei que foi pouco aproveitado. Por outro lado, recebi muitas mensagens de pessoas que adoraram a leitura! Ou seja, como sempre falo, umas das coisas mais interessantes da literatura é como cada leitor tem uma experiência única com uma obra. Se ficou curioso, leia e depois me conte o que achou! E para quem já leu, quero saber as opiniões! .

"É um momento gélido, esse, o da primeira vez em que você se vê através dos olhos de uma pessoa. É como passar diante de um espelho pelo qual passamos todos os dias de nossas vidas e de repente perceber que ele reflete outra coisa, uma coisa estranha e perturbadora."

site: https://www.instagram.com/book.ster/
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Helder 02/06/2011

Um livro triste
Há tempos estava curioso para ler este livro, pois li no blog do Zeca Camargo que informou até que ele tinha virado filme. Ainda não vi o filme, mas li a resenha na Veja, onde o critico descabeçado revelava um dos pontos principais da estória, mas mesmo “sabendo” o final, fiquei curioso e resolvi embarcar na estória.
O titulo e capa parecem de uma linda estória de amor, porém o que achei foi uma estória extremamente triste. Cinza como a imagem que faço da Inglaterra.
Conta a estória de 3 jovens que vivem numa escola inglesa sob um regime aparentemente cheio de regras. O livro, a principio, não explica desde quando eles estudam ali, nem de onde eles vieram, já que nunca recebem visitas de suas famílias ou saem em férias.
Kate e Ruth são duas amigas muito próximas. Ruth é uma menina mais revoltada e atua mais ou menos como uma líder entre as garotas. Kate é a narradora, e é sob sua ótica que vamos entrando na estória, ou seja, sob a sua ingênua ótica vamos conhecendo aquele mundo. E neste mundo onde tudo parece tão correto, pequenas coisas tomam vultos enormes, como as crises de raiva de Tommy; os bazares de coisas usadas; as visitas de Madame para escolher as melhores obras para sua galeria; a fita com a musica Não Me Abandones Jamais que desaparece, etc.
O 3º jovem é Tommy, amigo de Kate e que acaba sendo namorado de Ruth. Saindo fora da curva fixa da escola, Tommy não possui dons artísticos, e é extremamente impaciente, estourando com qualquer provocação.
Com o tempo Kate nos revela de onde eles vieram e porque estão ali, e aquilo que achávamos que seria um romance, acaba ficando com toques de ficção cientifica, e é ai que fica mais triste.
Ruth pensa contestar seu destino, acreditando que as coisas podem ser mudadas e tenta buscar isso, se apegando a um boato sem nenhum fundamento, mas que traz uma esperança. Kate e Tommy não acreditam que devam mudar alguma coisa e assim seguem suas vidas, sem aparentemente precisarem de muita esperança.
É muito difícil fazer uma resenha deste livro sem contar pontos importantes da trama, mas garanto que não é um livro fácil de ler. Porém é uma estória que te faz pensar muito.
Você já imaginou que existem criadores onde frangos nascem e crescem com o único objetivo supremo de nos alimentar? Sua consciência pesa por isso, ou você come os frangos tranquilamente sem saber de onde eles vieram, ou melhor, tendo certeza que eles foram feitos para você?
Antes deste livro eu só comia os frangos!
Sei que o objetivo do que acontece na estória é maior do que isso. Não estamos falando de alimentação, mas de salvação , que na maioria dos casos é o que nos trarão. Mas a falta de livre arbítrio, ou o destino pré escrito e a total falta de opção, ou chance de mudança é exatamente a mesma, e isso mexeu muito comigo. É possivel criar um ser humano sem esperança ou isso é uma caracteristica instintiva do ser humano?
Acho que se um dia a humanidade atingir este nível de progresso, eu terei muita dificuldade para entender.
Nâo entendeu nada? Me achou confuso? Leia o livro e tire suas próprias conclusões.
No minimo ele te fará pensar!


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Aline 07/01/2013

Uma não-resenha de um livro excelente
Sabe aquele livro/filme que, quando acaba, deixa você procurando palavras? Você fica lá, deixando os créditos correrem enquanto ainda está sentado na poltrona, ou simplesmente fica ali, encarando a última palavra do livro (ou a capa). E parece que você pensa tudo, e ao mesmo tempo nada, sobre a mensagem do que você acabou de absorver (ou que é coisa demais para absorver).
Kathy tem 31 anos e vai deixar de ser uma cuidadora, tarefa que ela e muitos outros acreditam que ela desempenha muito bem. Vai voltar ao plano originalmente traçado e se tornar, enfim, uma doadora. Enquanto não encerra as atividades de cuidadora, e se torna doadora, ela começa a revisitar seu passado em Hailsham, junto aos amigos Tommy e Ruth.
Não se deixe enganar, trata-se de uma distopia, e muito bem elaborada. E não ligue para meu resumo tosco e, se quer mesmo um conselho, NÃO saia por aí procurando mais coisas sobre ele. Vai por mim, deixe o livro tomar seu tempo, e ir explicando esses conceitos por eles mesmos (Hailsham, doador, concluir, guardiões, cuidador...). Serei até mais ousada e diria para pegar o livro e não ler sequer mesmo sua orelha, muito menos entrar nos sites de compra (ou até mesmo da editora) e ler o resumo dele. Muito do que está escrito ali pode estragar grandes partes do livro. E é muito interessante que você deixe que ele te choque por si só. Ou te assombre.
Mas não espere um thriller. Não é um daqueles livros cheios de reviravoltas ou de fatos chocantes jogados na sua cara. Ele é sim, cheio de situações-limite, mas daquelas de filme de suspense, que vão chegando, chegando... chegam, se instalam e o terror está aí, em você constatar um fato que deveria ser óbvio.
Para mim, o livro traz questionamentos complicados: o que nos torna humanos? Existe tempo para viver as coisas? Há como voltar atrás e recuperar o tempo, ou uma vez passado o momento, ele fica perdido? Para o amor, existe tempo? O que nos faz aceitar ou nos rebelar com o que é exposto? Se você tivesse mais tempo, o que faria? Ou o tempo nunca é suficiente?


Kemmy 12/11/2017

Resumo da obra (sem spoiler)
Uma ideia ótima, um plot excelente e uma narrativa muito, muito tediosa e mal executada.


Naiara 14/06/2011

A mensagem é por sua conta.
'Não me abandone jamais' é uma boa leitura.
O livro é leve e a estória flui bem, mas cuidado para não esperar demais dele.

Basicamente, o livro conta a estória de Kathy H. e sua vida em Hailsham, sua antiga escola. E só.

Kazuo Ishiguro aguça nossa curiosidade à respeito da condição dos alunos de Hailsham, que é revelada aos poucos. Através de pequenos acontecimentos - como a conversa de Tommy com a professora Lucy na "hora morta", ou o porquê de Madame ter chorado ao ver Kathy aninhando um bebê imaginário ao som de Judy Bridgewater, ou o mistério da Galeria - consegue fazer com que o suspense cresça e a trama se desenrole a partir desses acontecimentos.

Mesmo na Parte 2, quando eles já saíram de Hailsham, a escola exerce grande influência na etapa que se seguirá na vida dos alunos.

Resolvi ler o livro após ter lido uma resenha do filme, que tem no elenco duas de minhas atrizes favoritas: Carey Mulligan e Keira Knightley. No final da resenha, ao ver o trailer, aquela estória já tinha me contagiado. No mesmo dia fui à livraria.

Me decepcionei um pouco com o livro, pois esperei demais. Você não encontrará nele um grande debate, mesmo suavemente abordado, à respeito do valor da vida, do nosso papel como humanos no mundo e modo de enxergar as pessoas. Não estou dizendo que não há no livro essa mensagem, ela só não está ali para ser lida.
'Não me abandone jamais' não traz respostas, traz questionamentos. E até mesmo esses questionamentos cabe a você formular, pelo que entendeu ao final do livro.

Geralmente, ao colocar de um lado da balança o filme e do outro o livro que o deu origem, o livro é mais significativo. Não nesse caso.
Ainda não vi o filme, então não posso ter absoluta certeza, mas já no trailer, o drama envolvendo os personagens e seus sentimentos é perceptível, e o debate à respeito da nossa humanidade está ali.

Se você quer drama, emoções comoventes, uma estória de amor, veja o filme.
Se você quer uma ficção-científica leve, leia o livro.

PS.: Acho que a resposta para todos os questionamentos que você fará a partir do livro está no último parágrafo. Ele é parte metafórico, com uma mensagem escondida nas entrelinhas para só quem realmente quiser ver. Não o deixe passar despercebido.






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Juliana.Calfa 04/12/2017

Esperava mais
História de ficção científica e muito humana ao mesmo tempo para falar de clones.
O enredo tinha tudo para te prender, mas apesar da leitura fácil e fluida, a história não tem um suspense ou "grude" que te faz querer ler mais e mais.
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Claire 27/03/2020

Um momento para respirar
Perfeito! Não tem como não se emocionar e ficar pensativa ao final, a maneira que foi descrito e conduzido a história é única , e que história.
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robertablo 25/09/2011

Recomendo este livro mil vezes
Não me abandone jamais é um livro diferente. Ele contém uma sensibilidade que nunca antes tinha visto. A narração, a linguagem, o detalhamento são de uma natureza tão pura e sincera que deixa as partes alegres ainda mais verídicas e as partes tristes muito mais emocionantes.

O grande segredo do livro não é totalmente revelado até aproximadamente a metade, mas como já haviam me contado sobre o que era a história (infelizmente), eu já sabia tudo de antemão. E o surpreendente foi que isso não atrapalhou nem um pouco. Para mim, é um clássico.

Li muitas resenhas que descrevem o livro como triste, mas não o foi para mim. Claro que há bastante acontecimentos que mostram isso ao longo dos fatos narrados, mas não o senti na voz da protagonista enquanto estes estavam sendo narrados.

Estou procurando palavras para reforçar quantos sentimentos e emoções este livro carrega de uma forma mágica, mas não as encontro. Só lendo para senti-lo.

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