O dia de Julio

O dia de Julio Gilbert Hernandez




Resenhas - O dia de Julio


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Fábbio - @omeninoquele 08/07/2019

Uma Hq que eu irei lembrar por toda a vida.
[#OMENINORESENHANDO]
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❝[...] um dia nascemos, um dia morremos, o mesmo dia, o mesmo segundo, será que isso não lhe basta?❞
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Essa frase não pertence à história mais é facilmente aplicada a ela, e vamos conhecer Júlio num quadrinho repleto de sentimentos, que começa no quadrinho exato com seu nascimento, no ano de 1900 e encerra no ano 2000 depois de cem anos, consequentemente depois dessas 100 páginas temos sua morte.
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Essa HQ é uma das mais pesadas e tensas que eu já pude ler. Os fatos narrados da vida de Júlio são cheios de drama, tragédias, escolhas ruins e infortúnios que quadrinho a quadrinho retratam a vida do personagem principal e todos que rodeiam ele.
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Logo após a introdução há numa primeira página, os quadrinhos em que mostram os personagens, as pessoas da família de Júlio, como elas são e como elas serão a medida que o tempo passa, e isso é muito importante na história, pois há muita passagem de tempo de um quadrinho para o outro inesperadamente e que sem essa informação no começo a gente poderia se perder.
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Acompanhando a vida de Júlio e sua família, a gente percebe que os infortúnios dessas pessoas logo começam quando o pai de Júlio ao fazer uma viagem caí de uma ribanceira, contrai um verme da lama que deixa-o muito doente, faz seus olhos sangrarem, e que come seus órgãos internos e o enlouquece até a morte.
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Eles vivem num lugar em que tem uma época muito chuvosa e por consequência há muito desbarrancamentos e num desses desbarrancamentos muitas pessoas da família de Júlio morrem de maneira desastrosa enquanto tentavam salvar uma criança.
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Ou abuso que o tio deles cometia contra as crianças da família por muitos anos e sem que ninguém tivesse uma prova contra, as coisas permaneciam como estavam e ele nunca era culpado.
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Ainda sobre o peso da narrativa de Gilbert Hernandez, acompanhamos também a tristeza de Araceli, uma das amigas de Júlio, que presencia todas as guerras dos últimos cem anos, participando, ajudando as pessoas que precisavam de cuidados médicos.
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Acompanhamos também a triste história de amor de Sofia, a irmã de Júlio, que gosta de um garoto da casa vizinha e quando ele vai pra Primeira Guerra Mundial e volta sem pernas e braços, desfigurado e louco ela passa a afirmar em negação, que aquele que voltou não é a mesma pessoa e que aquilo é um engano.
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Ou até mesmo perceber que Júlio ama seu amigo de infância Tommy e que mesmo sendo apaixonado por ele não pode ou não tem coragem de assumir sua homossexualidade e percebe mais tarde que quando mais o tempo passa menos oportunidade ele terá pra consertar a covardia e constata que perdeu a oportunidade de ser feliz por medo. Essa é uma das partes mais emocionantes do quadrinho e isso é tão comum na vida real, pois quantas vezes deixamos as coisas passarem por nossos medos bobos?
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Os quadrinhos de Gilbert Hernandez são uma narrativa caracterizada pelo peso do tempo e o que ele pode fazer na vida de seus personagens e marcado também por infortúnios, dramas, desperdício de chances, por decisões erradas e pela covardia de não tomar certas atitudes por medo, mas que poderiam ser facilmente evitadas.
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Acompanhamos nesses cem anos muitas mudanças na história, pois bem mais do que retratar apenas a vida de um homem, acompanhamos a história de vida de um século contadas como se fosse um dia. A grapich novel retrata os grandes eventos que formaram o século XX e vemos guerras, mudanças de clima, mudanças de moda e mudanças de atitudes, num quadrinho de traços simples, sem cores ou tonalidades, mas que são permeados dos mais intensos sentimentos que há na vida real.
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"O dia de Júlio" é um quadrinho profundo, intenso e dramático que demonstra como nossas decisões baseadas na covardia podem desperdiçar o nosso tempo aqui na terra e o quanto cem anos podem não ser tão suficientes se nós por medo não souber-mos aproveitar a vida como tem que ser. A GN é uma mensagem para o leitor aproveitar a vida a todo custo, como tem que ser, sem o medo do que pode acontecer e nas consequências mais imediatas de nossas decisões.
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#ODiaDeJulio #GilbertHernandez #EditoraNemo

site: https://www.instagram.com/p/Bzq76yqjvCy/
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Jéssica Spuzzillo @pintandoasletras 29/07/2019

A única certeza que temos na vida é a ...
Essa Graphic Novel conta a história do Julio, que nasceu em 1900 e morreu no ano 2000. Vamos acompanhar a sua jornada durante esses 100 anos, ao lado dos seus amigos e sua família na pequena cidade onde vivem.

Foi muito interessante acompanhar o crescimento de Julio em paralelo aos grandes eventos do século XX. O autor não cita datas, localizações, nem nada do tipo, mas algumas cenas são inseridas no contexto histórico, como por exemplo, a Primeira Guerra Mundial.

Esse é o tipo de livro que você termina em um dia. Um século em apenas um dia, uma vida toda contada em apenas um quadrinho, eu achei genial! O autor retratou muito bem as alegrias e os horrores da vida, foi uma leitura fascinante, profunda e complexa.

Essa história é um retrato íntimo de um homem que mesmo cercado de pessoas é solitário e aborda temas difíceis como a guerra, abuso infantil, preconceito, luto, amor, família, sonhos, pesadelos, vida e morte.

O enredo me manteve interessada da primeira até a última página, as ilustrações são simples, em preto e branco, mas as expressões dos personagens são impagáveis, eu absolutamente amei! Senti que o tema principal do livro é sobre a morte, afinal é a única certeza que temos não é mesmo?

“Um dia nascemos, um dia morremos, o mesmo dia, o mesmo segundo, será que isso não lhe basta?” Samuel Beckett

Uma verdadeira obra de arte, recomendo muitíssimo!
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GETTUB 13/06/2019

http://gettub.com.br/2019/06/13/o-dia-de-julio/
Samuel Beckett disse: “…um dia nascemos, um dia morremos, o mesmo dia, o mesmo segundo, será que isso não lhe basta? (…) O nascimento ocorre com um pé na cova, a luz brilha um instante, e depois surge novamente a noite.”, e é essa frase que inicia o prefácio de O DIA DE JULIO, um dos quadrinhos mais pesados que eu li em toda a minha vida. A história se inicia com o nascimento de Julio, e por exatas cem páginas, iremos acompanhar sua vida até sua morte, aos cem anos de idade. E para que seja possível a total compreensão de tudo o que acontece, logo após o prefácio, a edição traz uma página, que reproduzo abaixo, com todos os personagens em suas versões temporais, ou seja, conforme eles eram na infância, até chegarem na velhice. E durante a leitura, isso se mostrou indispensável, porque em muitas páginas, acontece uma passagem de tempo de anos, décadas, apenas de uma quadrinho para o outro, e todos os personagens mudam fisicamente.

Aliás, essa capacidade narrativa de avanço no tempo entre quadrinhos é excepcional, ao mesmo tempo em que cria no leitor um enorme sentimento de pesar, de conscientização de que o tempo realmente é efêmero, que a vida passa rápido demais, e que só damos conta disso, quando ela está para terminar. E junto dessa conscientização, vem um outro sentimento, o de perda. Não apenas pelas pessoas que ficam pelo caminho, mas pelo desperdício de chances, por decisões erradas, pela covardia de não tomar atitudes e decisões que poderiam trazer felicidade, ou por atitudes e decisões que trouxeram infelicidades e tragédias, que poderiam ter sido evitadas.

Mas o peso da obra de Gilbert Hernandez não se detém apenas na crueldade do tempo, mas no que acontece aos muitos personagens que enchem os quadrinhos. É dramático ver, logo nas primeiras páginas, o pai de Julio fazer uma viagem, cair em uma ribanceira, contrair um verme da lama, que faz seus olhos sangrarem, que come seus órgãos internos e o enlouquece até à morte. Ou acompanhar, durante décadas, Juan, o tio de Julio, abusar de crianças da família sem nunca alguém conseguir provar. Ou quando um desmoronamento de terra, causada pelas chuvas, mata vários integrantes da família quando eles tentavam salvar uma criança (não foi dar nomes para não estragar a surpresa). Ou a tristeza de Araceli, uma das amigas de Julio, que presencia todas as guerras dos últimos cem anos ao vivo; Ou mesmo o amor de Sofia, a irmã de Julio, tem por um garoto da casa vizinha, que vai para a Primeira Guerra Mundial e volta sem pernas e braços, desfigurado e louco, mas ela afirma que ele não é a mesma pessoa, que é um engano.

E da mesma forma, é triste perceber que Julio não tem coragem de assumir sua homossexualidade e nem sua paixão por Tommy, seu amigo desde a infância, e seu desespero e choro quando percebe que é tarde demais e que jamais terá a chance de consertar a covardia, é uma das partes mais dolorosas da obra, que torna difícil não soltar algumas lágrimas. Principalmente porque percebemos que nós deixamos muitas coisas sem resolver por covardia, e que só criamos coragem, quando não adianta mais ter coragem.

O DIA DE JULIO é preenchido por momentos desses, por tragédias, por muita tristeza, por cem anos de más decisões para a maioria dos personagens e seus descendentes. Entretanto, não considero a HQ pessimista, ou excessivamente dramática, mas um tapa na cara para fazer despertar, para mostrar que nossa felicidade, muitas vezes, depende apenas da coragem para sermos quem somos, para enfrentarmos nossos medos e tomarmos atitudes, para sermos ativos e não apenas passivos.

Essa leveza no tratamento do drama é um reflexo dos traços dos desenhos e na velocidade em que tudo acontece. Os desenhos são simples, sem cores ou tonalidades, apenas com o necessário para a percepção dos personagens e do local; e a velocidade da ação não deixa o leitor ficar preso a um acontecimento, tudo é muito rápido, tudo avança muito rápido, não dá tempo de ficar preso ao sentimento de um único fato. Quando se chega ao final da leitura, o que se tem é um sentimento amplo do conjunto de tudo o que se leu. Mas admito que fica uma tristeza pela constatação de uma vida de consequências e não de ações.

O DIA DE JULIO é um quadrinho intenso, profundo, dramático, que demonstra como cem anos podem não ser suficientes para se ter uma vida plena, se você não souber aproveitar sua vida e tomar decisões baseadas na covardia de enfrentar seus problemas ou quem cria seus problemas. É uma mensagem para o leitor levantar a cabeça e lutar pelo que deseja, antes que seja tarde demais.

site: http://gettub.com.br/2019/06/13/o-dia-de-julio/
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