Escrever ficção

Escrever ficção Luiz Antônio de Assis Brasil




Resenhas - Escrever ficção


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Franco 25/01/2020

Um baita manual
Comprei o livro desejando uma obra clara e instrutiva sobre a escrita de ficção: e acertei em cheio.

Com uma linguagem acessível e conteúdo voltado para amadores (mas, suspeito, também útil para mais experienciados na escrita ficcional), o livro entrega de forma bastante didática uma porção de pontos fundamentais da escrita ficcional. Aliás, recomendo fortemente uma segunda leitura logo na sequência da primeira, uma vez que assim fica mais fácil estabelecer a conexão orgânica de todos os conceitos apresentados.

O livro ainda traz diversos trechos de obras variadas para ilustrar os conceitos/argumentos. E isso é ótimo já que confere 'materialidade' aos conceitos/argumentos, além de munir o leitor de diversas sugestões de leitura (tanto literatura nacional quanto internacional).

Notável ainda o tom didático da obra. Sem resvalar para aquela linguagem barata e caricata dos 'faça você mesmo', sem propor exercícios ingênuos ou assépticos, e sem empanturrar a gente com teorias distantes e puramente acadêmicas, o tom adotado pelo autor é mesmo o de uma aula em que o professor, com experiência e bagagem, vai desfiando a teoria permeada de vários pequenos fatos pessoais (o que certamente deixa a leitura bem mais agradável e produtiva).

Enfim, comprei e não me arrependo em nada, e recomendo tranquilamente a quem mais tiver interesse pelas sutilezas da escrita ficcional (seja para melhorar leitura, seja para melhorar a própria escrita).
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Mariana Dal Chico 14/01/2020

“Escrever Ficção: um manual de criação literária” de Assis Brasil foi publicado pela Companhias das Letras que me enviou um exemplar de cortesia.

Além de ser fascinada pelo processo criativo da composição de um livro, trabalho diretamente com jovens autores que estão no processo de escrita ou edição de um livro. Por isso, fiquei muito animada com esse lançamento.

Assis Brasil fundou a mais antiga oficina literária brasileira no âmbito acadêmico. Esse livro é o resultado de mais de 30 anos de trabalho.

Comecei a leitura esperando uma linguagem técnica, mas o que encontrei foi um bate papo acessível, didático, em alguns momentos me senti em uma sala de aula e desejei poder participar de uma. Foi uma experiência incrível.

O autor tenta fugir das fórmulas e categorização e apresenta as ferramentas necessárias para que o autor encontre sua própria fórmula e saiba o momento de mudá-la.

Os capítulos apresentam aspectos importantes de desenvolvimento e criação de personagem, questão essencial e conflito, enredo e estrutura, focalização, espaço, tempo, estilo e fecha o livro com um roteiro para escrita de um romance linear.

Os conceitos são apresentados de forma simples e prática, com análises de trechos —cuidado com spoilers — de livros clássicos e contemporâneos ensinando, além da elaboração, a leitura de um texto ficcional.

Em paralelo, Assis Brasil companha a história de um “aluno” que está com dificuldades para transformar sua ideia em uma novela e pede ajuda ao professor. E é aqui que o leitor/escritor pode se identificar com os acertos e erros de Thiago.

Gostei muito da leitura e acredito que é uma ferramenta valiosa não apenas para escritores e profissionais da área, mas também para curiosos em saber sobre a concretização de uma ideia que nasce na cabeça do autor.

site: https://www.instagram.com/p/B6-oByEDxBl/
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Claudio.Kinzel 18/11/2019

Guia útil para compreender o processo de escrita ficcional
Como entusiasta do mundo das letras, gostei bastante do guia, que detalha a importância da unicidade do personagem, do conflito vivido por ele, enredo e focalização. Conta com diversos exemplos, muitos deles de obras clássicas, sempre alinhados ao respectivo tópico. Imagino que o livro poderia ter sido "enxugado", pois alguns exemplos são redundantes, o que torna o livro extenso além do necessário. Também senti falta de um capítulo que resumisse todos os tópicos, algo como "um guia rápido do manual". O último capítulo, que em tese se propõe a isso, ficou extenso. Nada, porém, que tire o mérito e qualidade do trabalho de Assis Brasil, leitura recomendada para quem deseja escrever com qualidade.
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DiRock S. 08/10/2019

“É na narração que se prova a competência de um ficcionista”
Stephen King já compartilhou a experiência de escritor na obra Sobre a Escrita; James Wood optou por repartir todo o conhecimento técnico de literatura adquirido em Como Funciona a Ficção. Já este livro une as duas abordagens. Sendo professor de escrita criativa, Assis repassa muitas dúvidas tidas pelos seus alunos e as discute no decorrer dos diversos tópicos, enriquece o conteúdo a partir de ótimos exemplos reunidos e catalogados em índice remissivo, além de trechos especiais dispostos a desenvolver a ideia apresentada. Discute tudo a partir de argumentos embasados em muito estudo, disponibilizado em algumas centenas de páginas.

Escrever Ficção: Um Manual de Criação Literária é o resultado da experiência e ensinamento de Luiz Antônio de Assis Brasil. Publicado em 2019 pela Companhia das Letras, o livro apresenta os tópicos essenciais da produção de ficção abordados pelo professor reconhecido pelas aulas na PUC-RS.

“O que importa, repito, não é o certo ou o errado, mas, sim, o que funciona bem e o que funciona menos”

Assis Brasil aborda as questões levantadas no livro sob dois aspectos: cuidado em tornar o ensinamento mais lúdico aos escritores iniciantes, e foca os ensinamentos ao desenvolvimento de novelas e romances, apesar de parte do conteúdo ser útil também a contos. Ele redefine certos conceitos com intuito de prevenir os autores iniciantes de certas confusões, como mencionar personagem central em vez de protagonista e dizer focalização quando aborda o narrador. Esta ideia também foi útil para dar atenção àquele conceito, dando a oportunidade de debatê-lo mesmo aparentando ser apenas definição banal, só que revela nuances possíveis de passar despercebidas.

A experiência prática do professor ajuda a formular inúmeras questões onde seus argumentos poderiam confrontar e as discute nos tópicos consecutivos. Impõe respeito aos argumentos elencados contra ele — mesmo ao reconhecer comportamentos divergentes de grandes escritores — e no fim crava a opinião sobre tal contraponto. Muitas das declarações presentes no livro podem gerar discordância, e o próprio Assis confessa a inexistência de regras na literatura. Isso possibilita o leitor a refletir nos ensinamentos dele e confrontar com outras fontes técnicas ou aprendizado próprio até formular o próprio conceito do assunto tratado.

“Quando acabar seu romance, pare de escrevê-lo”

Trechos de inúmeros livros manifestam exemplos relacionados aos pontos desenvolvidos pelo professor. Por vezes chegam na forma de complemento, outras servem de estopim da próxima discussão. Exagera na quantidade perante a proposta de sua utilidade, o Assis elenca vários trechos sem desenvolver argumentos à altura, refletindo apenas outro exemplo o qual o professor apenas gostaria de compartilhar a qualidade de escrita, e assim prolonga a leitura neste tipo de livro em que poderia focar na assimilação eficaz e focar no essencial: a escrita.

Escritores do tipo jardineiro ― quem planta a ideia do romance e vê como se desenvolve no decorrer da escrita ― torcerão o nariz às propostas deste livro, muitas voltadas ao planejamento da ficção. Repito, todo escritor é bem-vindo a contrariar os ensinamentos de Assis, só fica difícil de negar os argumentos dele sobre o esforço pela elaboração da história compensar pela prevenção de furos no enredo e bloqueio criativo. Adotar as ideias compartilhadas pelo professor garantirá agilidade na hora de sentar de frente ao computador e escrever a história de fato, até pode perceber sobre o tempo dedicado ao planejamento não é tanto quanto imaginou a princípio.

Escrever Ficção oferece conteúdo completo de escrita criativa aos aspirantes de autores no Brasil. Com tantos livros do tipo existentes fora de nosso país, dentre esses poucos traduzidos e mesmo assim voltados à literatura internacional, é ótimo contemplar esta iniciativa de ótima qualidade e partindo de quem entende e já ensinou muitas pessoas antes de compactar o próprio aprendizado e experiência em um livro.
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Camille.Pezzino 18/09/2019

LEMBRANDO O QUE É FICÇÃO
Eu descobri a existência do professor Assis Brasil quando, ainda decidindo qual mestrado ia fazer, conheci um curso da PUC do Sul, um recente programa de Mestrado e Doutorado que se destinava a criação literária.

Na época, eu tinha uma ambição imensa por escrita, pelo ofício de ser escritora – talvez, eu ainda carregue isso comigo –, mas, infelizmente, morando tão longe e ainda com as despesas de mensalidade, tornou-se impossível para mim. Sem dinheiro, eu me voltei para a minha Universidade e comecei a me especializar em Literatura Antiga, baseada nos diálogos platônicos, nas peças trágicas e nos épicos inesquecíveis de Homero. Claro, sem esquecer os textos mais modernos, o que é basicamente toda a literatura ocidental.

Eu também, no fundo, não esqueci as minhas ambições, mas ainda me sinto muito travada e incapaz de escrever uma narrativa lindíssima como os autores que admirei a vida toda fizeram e até hoje fazem, porque alguns estão vivos. Tenho ideologias similares de narrativa, mas a minha escrita não é tão boa quanto eu gostaria, em comparação aos demais. Será que todo mundo já sentiu isso?

Ou pior, quando você tem uma ideia e pensa: “ela pode ser fantástica, mas acho que outra pessoa deveria escrever, eu não tenho capacidade”. Qual escritor não passou por isso? Bom, eu já. Incontáveis vezes.

Como todo escritor que cresce na área, acredito que as inseguranças são enormes e acho que, pela primeira vez, uma resenha de um livro vai ser mais um desabafo pessoal do que uma resenha. Ou melhor, já é um desabafo imenso.

Por isso, quando a Companhia das Letras me enviou, no meio do mês, um livro extra que era sobre escrita criativa, o qual demorou três anos para sair da ideia e virar de fato um manual nas minhas, e vi o nome do professor Assis, eu poderia dizer que o meu mundo caiu.

Obviamente, num sentido figurado, mas foi quase como se fosse palpável. Então, eu percebi que a minha ambição não tinha morrido só porque não consegui frequentar um curso, ela só ficou presa no espaço-tempo, flutuando enquanto eu vivia outras experiências. Inclusive, por mais que eu pensasse que “não é para mim ser escritora, acho melhor ser crítica”, eu continuei consumindo manuais e livros a respeito de escrita, de desenvolvimento de personagem, passeando por teóricos diversos, principalmente da literatura fantástica, como Todorov, brincando com Propp e tentando entender as minúcias de escrita colocadas por Otto Garcia (Comunicação em Prosa Moderna é um dos livros que eu indico como complementar a esse do professor Assis Brasil, inclusive).

Então, por mais que eu estivesse escrevendo a dissertação – e ainda estou –, repleta de prazos apertados e trabalhos para corrigir, traduções para fazer, minhas mãos foram sozinhas, sem controle, folheando as páginas do livro. E, sem aguentar mais tanto suspense, comecei a ler.

Encontrei nesse livro algo que me deixou feliz e entusiasmada, senti uma conexão muito grande com as impressões e reflexões sobre arte literária do professor. Ele trabalha diversos aspectos que sempre foram a minha preocupação e, ao mesmo tempo, o que eu questionava ou pensava ou refletia.

Algumas das conclusões que ele coloca foram exatamente as minhas, como a importância do personagem – ou melhor, dos personagens –, como enredo e personagem devem entrar em simbiose para fazer sentido. A necessidade de vivência e experiência, principalmente, de empatia, porque escrita – antes de tudo e a mais canônica – é sobre humanidade. Como escrever sobre aquilo que você não desbrava? Das diferentes pessoas com suas distintas opiniões? Se você não tiver o mínimo discernimento do real e da tentativa de observá-lo, como você vai conseguir transcrevê-lo?

Quer saber mais? Acesse em: https://gctinteiro.com.br/resenha-90-lembrando-o-que-e-ficcao/

site: https://gctinteiro.com.br/resenha-90-lembrando-o-que-e-ficcao/
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Cassionei 24/07/2019

Para escrever (e ler) literatura


Proponho-me a escrever uma crítica sobre um livro. Por certo, gostaria que meu texto fosse lido. O livro em questão aborda a escrita, não a que faço aqui, mas sim a literária (apesar de considerar o gênero crítica como tal), especificamente de ficção. Propõe-se a ensinar as técnicas da escrita criativa, pelo que se pode interpretar pelo subtítulo. O objetivo é municiar o escritor com armas que, devidamente direcionadas ao leitor, o façam seguir a leitura. E não há nada que não façamos se tivermos uma arma apontada na cabeça.

Não, não era assim que eu gostaria de iniciar a crítica. Volto ao princípio.

Assim como este plumitivo que ora escreve, a preocupação de um autor é escrever e ser lido. Por isso ele pensa e repensa formas de começar, desenvolver e concluir o projeto, no intuito sempre de atrair a atenção do leitor. Não apontarei nenhuma arma na sua cabeça, meu caro (muito menos uma pena – o teclado do computador, talvez), mas espero que tenha conseguido despertar sua curiosidade, tanto para permanecer nesta página e, depois dela, ler a obra analisada.

Sem mais delongas, vamos ao livro. Quando se é novo no ramo, ou nem tão novo assim, qualquer ajuda é bem vida. E se essa ajuda for de um grande escritor, há quem invista dinheiro, viaje quilômetros e largue até o emprego para ouvir, aprender e ser lido por esse mestre. Alguns sonham com uma carreira promissora. Outros, simplesmente, querem ser lidos. Há quem deseje apenas se aprimorar. Uma determinada oficina literária, uma das mais antigas do país e ministrada por um grande romancista, numa igualmente grande universidade, é o espaço onde se pode treinar habilidades para se chegar a algum lugar de destaque. Muitos nomes que passaram por essa oficina comprovam sua eficácia.

Não disse o nome da obra ainda. Já chegaremos lá. Antes é importante dizer que uma das lições para se criar uma narrativa que envolva o leitor é a elaboração de um conflito que esteja “interligado à questão essencial do personagem” (isso está no livro). Digamos que nossa personagem seja a Oficina e que sua questão essencial é ensinar a quem se propõe a escrever a fazê-lo da melhor forma possível. Suponhamos, também, que há um personagem que não concorda que a Oficina possa realizar isso, além de considerá-la como uma fraude ou caça-níquel. Demos a ele o nome de J. H. Dacanal, que escreveu um artigo demolidor, que depois foi publicado em livro (Oficina literária: fraude ou negócio sério?, Editorial Soles, 77 páginas). Esse antagonista (termo que não agrada o professor da oficina) fala representando parte dos intelectuais que desprezam qualquer curso de escrita criativa. Na minha leitura, este “vilão” (às vezes sou simpático aos vilões) quer mostrar a todo o mundo que a Oficina não tem valor. Pois o livro (já direi qual é, impaciente leitor) é uma forma de narrar o percurso da nossa protagonista para provar sua relevância.

O narrador da obra é o professor, o mestre, o romancista Luiz Antonio de Assis Brasil. O romance que conta as aventuras da Oficina tem o título (ufa!, suspira o leitor deste jornal) Escrever ficção: um manual de criação literária (Companhia das Letras, 396 páginas). Assis Brasil também é personagem (o “poderoso da história”), assim como um certo Thiago (adjuvante ou personagem secundário?), que dialoga em vários momentos com o mestre. Entre as várias lições que vão guiando a jornada dos heróis dessa história, se aprende, por exemplo, que ter talento é uma “ideia anacrônica e, pior, preconceituosa”; que “é o personagem, quando bem construído, que dá sentido a tudo o que acontece na história; que “se não há conflito, não há interesse no leitor e, portanto, não há literatura”; que “escrever ficção é tramar”; que a escolha errada de quem narra a história, a focalização, pode jogar todo um trabalho fora; que “não há espaço inocente na narrativa”; e que o “tempo, para todos nós, e para qualquer personagem, é o ontem, o hoje e o amanhã, tudo misturado”, mas deve-se ter cuidado para que seu uso “não seja uma coisa mecânica”.

Vale destacar ainda o capítulo sobre o estilo. O ideal seria escrever com períodos longos, muitas vírgulas, ocupando “uma mancha gráfica compacta” na página, estilo ao qual se dá o epiteto de “abundante”? Ou o melhor é o estilo essencial? Enxuto. Ágil. Frases incisivas.

O desfecho dessa jornada é um capítulo apresentando um “roteiro para a escrita de um romance linear”, que não verdade é um resumo do que se viu em todo o manual.

Para ampliar e demonstrar suas lições, o professor se utiliza de muitos exemplo do que se escreveu até hoje, dos clássicos aos contemporâneos, incluindo obras de ex-alunos da Oficina. E é aí que o livro pode atingir um público maior, pois as análises também ensinam a ler um texto ficcional. Esse, aliás, costuma ser o argumento quando se defende a importância das oficinas: se não formam escritores, podem formar melhores leitores. Por isso não ficaria ruim se a obra se chamasse “Ler ficção: um manual de apreciação literária”.

E Finis coronat opus.


site: https://cassionei.blogspot.com/2019/07/sobre-escrever-ficcao-de-l-de-assis.html
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Naty 18/07/2019

Indispensável
Qual o melhor jeito de se escrever uma obra? Qual a melhor forma de chamar a atenção de um leitor? Será que você, escritor, já sabe ou simplesmente elabora um livro torcendo com as mãos e os pés juntos para que tudo dê certo e sua história seja adorada por todos?

Este livro caiu em minhas mãos por acaso e preciso dizer que foi uma surpresa lê-lo. É uma obra que toda pessoa que deseja ser escritora, ou até mesmo aquela que já se intitula como tal, deveria ler.

O escritor e professor, Luiz Antonio de Assis Brasil, premiado autor gaúcho, registra neste livro sua experiência ao longo de 34 anos de trabalho com a Oficina de Criação Literária da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e também no programa de pós-graduação em escrita criativa na universidade.

O autor levou aproximadamente três anos para concluir a obra. Para ele, “este é um livro imaginado para auxiliar quem deseja escrever textos de ficção. Desse modo, poderá ser lido como um manual - mas também como percurso de reflexões sobre a escrita”.

O livro conta com uma reprodução, com naturais adaptações, dos conteúdos de suas aulas. Quem pensa que o autor trará citações de teóricos e um ensinamento cansativo, técnico e chulo, sem dúvidas, está enganado. Não encontramos fórmulas, mas ferramentas para que as minhas perguntas, lá no início da resenha, sejam respondidas. Não pelo próprio autor, de forma precisa, em todas elas; não se enganem! Ele apenas fará com que os ficcionistas encontrem as suas próprias fórmulas, tendo cuidado para não ficar apenas à mercê delas.

“Ficcionista não é apenas quem escreve literatura. O ficcionista tem uma conduta perante a escrita que, em sentido mais amplo, é também uma atitude perante a vida. Se o poeta necessita de muita sensibilidade, muita leitura, muita franqueza, o ficcionista precisa disso e mais: muita vivência.” (p. 14)

O livro responde muitas perguntas e nos faz refletir sobre tantas outras. Mas tem uma em especial que os escritores indagam e os leitores têm opiniões divergentes. E o “final em aberto”, fazer ou não? No livro temos respostas convincentes sobre isso.

Você gosta de começar a escrever um livro pelo início ou pelo final? “Ah, Natalia, mas que pergunta idiota!” Alto lá, caro leitor. O autor mostra que alguns de seus alunos gostam de começar pelo final e ele considera uma boa ideia, pois orienta a escrita desde o início e serve de estímulo permanente. Essa orientação proporciona a segurança, mas nada impede que, ao voltar e escrever o início, você possa fazer alterações no desfecho da história, para que ele dê conta de pormenores que foi preciso alterar em relação ao projeto.

“Por último, um conselho: antes de pensar em sucesso, pense em ser competente. Ser competente não é empecilho para a conquista do Nobel.” (p. 11)

É uma proposta muito válida para todos que anseiam escrever um dia. Para aqueles que já escrevem e às vezes sentem dificuldades em desenvolver algum ponto-chave na história.

Sobre a edição:
A diagramação é bem simples, mas acredito que as letras pequenas torna a leitura um pouco cansativa, em determinados momentos. Gostei porque temos um sumário e um índice remissivo. O livro é bem dividido e os tópicos são bem cirúrgicos, pois evidenciam exatamente dúvidas que precisam ser sanadas.

site: http://www.revelandosentimentos.com.br/2019/06/resenha-escrever-ficcao.html
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Ernani.Maciel 12/06/2019

O pontapé inicial para pretensos escritores.
O autor dá discas práticas e aborda os temas cruciais para confecção de um bom romance. Como todo autor quer ser lido - assim acredito - esse livro foca em auxiliar o pretenso escritor a aprimorar seu texto ficcional a fim de torná-lo comercial/publicável.

Claro que a leitura e a busca por aprimoramento da linguagem são essenciais a quem deseja tornar-se escritor, no entanto, acredito que esse livro pode ser o pontapé inicial para que escritores em potencial produzam seus textos evitando gafes ou excessos.

Os exemplos são o ponto alto do livro. O autor aborda os temas deixando vários exemplos, em algumas passagens são mais de três. Tenho mais facilidade em assimilar quando exemplos são listados. Primeiro lemos um trecho do livro citado, em seguida, o autor destrincha este texto, trazendo o seu olhar peculiar sem se apegar a termos técnicos, tudo muito claro, simples e objetivo.

Ao terminar essa leitura senti-me empolgado em escrever meu primeiro romance. Comecei, espero conseguir terminá-lo quando e como desejo.

Boa leitura, atuais ou futuros escritores.
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Aguinaldo 24/05/2019

escrever ficção
Luiz Antonio de Assis Brasil, premiado autor gaúcho, mantém há mais de três décadas uma Oficina de criação literária (sempre vinculada ao curso de letras e a programas de pós-graduação da PUC-RS). Esta experiência na formação de novos escritores, aliada a sua expertise como autor de duas dezenas de peças de ficção, levou-o a editar recentemente esse seu "Escrever ficção", que como o subtítulo já denuncia, é um manual de criação literária. São nove capítulos temáticos, que tratam da identificação de quem tem - ou pode ter - a vocação de ficcionista; de como se constrói um personagem; de como se trata a questão do conflito nas narrativas; da gênese do enredo e sua estrutura; dos pontos focais que todo texto deve ter, ou seja, das vozes e tempos verbais possíveis dos textos; do lugar onde os sucessos acontecem, ou seja, do entorno das ações e eventos da trama; do tempo, sempre fugidio, onde o autor deve povoar seus personagens; dos estilos possíveis, da habilidade que pode ser cobrada de um autor; e, por fim, termina oferecendo um roteiro básico para a construção de um romance. Não são soluções ou recomendações fechadas, intransigentes, dogmáticas. Assis Brasil tenta emular aquilo que acontece com método em suas aulas, tenta resumir no livro os acertos e erros mais frequentemente observados nestas aulas e na trajetória profissional de seus ex-alunos. Para sustentar seus argumentos, Assis Brasil faz uso de muitas citações de trechos de obras de autores cujas obras são exemplares. E também dá exemplos retirados da experiência ou da obra daqueles ex-alunos. O livro enfeixa também várias, vamos dizer assim, "retrancas", que são parágrafos destacados, que sintetizam um determinado tema, como se fossem conclusões do que foi discutido sobre um assunto com uma turma ao final das aulas (óbvio, trata-se de um resumo de 30 anos de conclusões e experimentos). Essa peças, a meu juízo, de menor anão desta província, ágrafo romancista, até poderiam ser editadas à parte, numa espécie de "guia rápido de criação literária". De qualquer forma, como Assis Brasil bem lembra várias vezes ao longo de seu manual, nada substitui o tempo de leitura, e acrescento, numa ênfase minha: seja de clássicos, de obras menores, de best-sellers, de autores de quem nunca ouvimos falar, de livros tolos e mal escritos, de obras geniais e imprescindíveis. Mais uma cousa: ele lembra que seu livro oferece aos escritores em formação, seus interlocutores ideais, leitores deste volume, apenas recomendações, sugestões estilísticas e alertas generalistas. O adestramento à prática inventiva da ficção parece ser a ele uma real possibilidade. Oká. Sabemos que um escritor que se recusa a ler livros sempre estará enredado em uma prisão mental, pois terá acessíveis a si apenas um punhado de ideias e experiências. A educação literária é algo necessário, mas eu mesmo pouco acredito na ideia de que qualquer indivíduo possa escrever romances dignos de nota, por mais oficinas e cursos que faça, por mais livros que leia, palestras que ouça. Paciência. Chega dessa esquivança. Este livro do Assis Brasil é ouro puro e fino para quem quer sim entender-se com sua vocação de escritor. Vale a pena conferir. E mais não digo. Vale!
Registro #1392 (crônicas e ensaios #252)
[início: 07/04/2019 - fim: 01/05/2019]
"Escrever ficção: Um manual de criação literária", Luiz Antonio de Assis Brasil, colaboração de Luís Roberto Amabile, São Paulo: editora Schwarcz (Companhia das Letras / Penguin Random House), 1a. edição (2019), brochura 14x21 cm., 396 págs., ISBN: 978-85-359-3207-2

site: http://guinamedici.blogspot.com/2019/05/escrever-ficcao.html
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douglaseralldo 22/04/2019

10 CONSIDERAÇÕES SOBRE ESCREVER FICÇÃO, DE LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL OU SOBRE A IMPORTÂNCIA DE CONHECER "A MEDIDA"
1 - Escrever Ficção, Um Manual de Criação Literária é na verdade a expressão em livro da experiência de Assis Brasil nos últimos 34 anos com a Oficina de Criação Literária da Escola de Humanidades da PUC-RS, uma das mais tradicionais oficinas literárias do país, e do mais recente programa de Mestrado e Doutorado de escrita criativa na mesma universidade. De acordo com o autor "este é um livro imaginado para auxiliar quem deseja escrever textos de ficção. Desse modo, poderá ser lido como um manual - mas também como percurso de reflexões sobre a escrita". E tudo isso confirma-se com a leitura dessa publicação, capaz de alcançar certa intimidade entre leitor e autor, como se de fato estivéssemos numa sala de aula e com um mestre feliz em compartilhar seus conhecimentos. Ademais, embora o uso da expressão manual - que para alguns pode possuir termo pejorativo - como colocado pelo autor, penso que o aprendizado com a leitura torne-se mais rico e agregador se o tomarmos na perspectiva de "percurso", pois a obra está mais para isto do que mero manual, pois quem deseja o clarear do percurso a seguir enquanto ficcionista;

2 - E de antemão é preciso destacar a diferença desta obra para algumas outras na linha da escrita criativa; e isso está diretamente pela perspectiva adotada pelo autor: "minha perspectiva é de um ficcionista falando para outros ficcionistas". Tal escolha faz grande diferença. Além disso, Assis Brasil esclarece "embora eu seja professor universitário da área de letras, não citarei teóricos, exceto em um ou dois momentos (...) neste livro não apresento fórmulas, apenas ferramentas" o que também colabora pela apresentação das necessidades ao ficcionistas, que são distintas de um crítico, por exemplo. Isso não significa, porém, que o autor desconheça (aqui no sentido de não reconhecê-las) as teorias, pelo contrário, quando as traz aos ficcionistas-leitores é importante acréscimo, entretanto pela perspectiva escolhida nos apresenta a criação literária sem aquela natural - mas às vezes um tanto limitadoras - sensação de mais aulas de português e criação textual, de modo que esse livro propõe-se seriamente a auxiliar quem de fato tenha necessidade, desejo ou apenas boa vontade em produzir ficção;

3 - Deste modo o autor idealiza o percurso da criação da ficção em nove capítulos, sendo o último uma espécie de reforço das ideias já trabalhadas (e aqui um recurso muito utilizado por professores, e bastante importante, a recapitulação das discussões já feitas) numa espécie de "roteiro para a escrita de um romance linear", e um primeiro capítulo em que diz que "ser ficcionista é exercer a nossa humanidade". Aliás, neste primeiro capítulo o autor tratará sobre o ficcionista, e nisso reforça-se que para criar ficções é preciso conhecer muitas outras ficções, e não só elas, pois ser ficcionista demanda certa posição no mundo e na sociedade. De acordo com o autor "ficcionista não é apenas quem escreve literatura. O ficcionista tem uma conduta perante a escrita que, em sentido mais amplo, é também uma atitude perante a vida. Se o poeta necessita de muita sensibilidade, muita leitura, muita franqueza, o ficcionista disso e mais: muita vivência";

site: http://www.listasliterarias.com/2019/04/10-consideracoes-sobre-escrever-ficcao.html
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Alexandre Kovacs / Mundo de K 07/04/2019

Editora Companhia das Letras - 400 Páginas - Capa e projeto gráfico: Elisa von Randow, imagem da capa de Saul Steinberg, 1948 - Lançamento: 21/03/2019.

O livro resume a experiência acumulada de Luiz Antonio de Assis Brasil em 34 anos de trabalho à frente da Oficina de Criação Literária da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), por onde já passaram alguns escritores de destaque na literatura contemporânea brasileira, tais como: Amilcar Bettega, Carol Bensimon, Cíntia Moscovich, Clarah Averbuck, Daniel Galera, Daniel Pellizzari, Luísa Geisler, Michel Laub e Paulo Scott, para citar somente os mais conhecidos.

O nebuloso conceito de talento como um dom divino, inerente ao indivíduo e que, portanto, não pode ser construído ou desenvolvido, por meio de trabalho e dedicação, é prontamente descartado pelo autor no primeiro capítulo: "No campo literário, nunca vi palavra tão vazia" (p. 20), preferindo apostar nas expressões "competência especial", citando Haruki Murakami (p. 21) ou "vocação" que "leva o escritor a aperfeiçoar o seu ofício", segundo Alejo Carpentier (p. 22). E assim, logo de início, fica claro o método que será aplicado ao longo de todo o livro, os conceitos e ferramentas sempre exemplificados por meio de trechos de obras literárias clássicas ou contemporâneas, ou seja, o manual de escrita acaba se transformando em um manual de boa leitura e reflexão crítica porque, como bem sabemos, não existem fórmulas prontas.

O primeiro tópico a ser abordado em profundidade é a importância da construção de um personagem verossímil ou consistente, fundamentado no que o autor chama de "questão essencial", criada pelo ficcionista para que o personagem possa reagir/interagir com os fatores externos demonstrados na história, provocando o conflito, elemento básico de toda narrativa. Explicando melhor, nas palavras do próprio Luiz Antonio: "se o personagem central é apresentado como um ser feliz, sem traumas, sem inquietações, sem angústias – enfim, um extraterrestre –, e de imediato, quando surge o inesperado, ele passa a viver um conflito, quem vai acreditar nisso? Já se sabe: ninguém." (p. 96).

"O personagem consistente dá verdade à história - Para explicar melhor, usei uma imagem: a dos manequins das lojas, levados da vitrine para o depósito, para então voltar à vitrine e depois novamente ao depósito. O personagem não pode ser um boneco que transportamos de um capítulo a outro para viver as peripécias da nossa história. Por mais que levemos o manequim daqui para ali, fazendo com que percorra a cidade de carro, sentando-o num banco de praça ou na cadeira de um bar ou ainda visitando o zoológico, ele nunca perderá aquela cara de paisagem. [...] Seguindo nossa linha de raciocínio, ele deve ser o contrário de um manequim. Ou seja, ele precisa se assemelhar a nós. Ainda que, de tempos em tempos, segundo as modas teóricas, afirme-se o contrário, o personagem deve estar o mais próximo possível de um ser humano. [...] Sim, um ser humano: não há nada que conheçamos mais, nada que conheçamos menos." - Capítulo 2 - O personagem, o poderoso da história: O personagem como irradiador da narrativa (p. 39)

Conflito e focalização da narrativa, enredo e estrutura, tempo e espaço, serão muitos os conceitos e ferramentas apresentadas neste manual, sempre de forma simples, objetiva e segura, aquele tipo de segurança que somente o professor que domina a matéria consegue transmitir ao aluno. Na verdade, o tom é mais o de um "ficcionista falando para outros ficcionistas" (p. 11). É claro que ninguém aprenderá a escrever lendo um manual, por melhor que seja, e também que Honoré de Balzac, Marcel Proust, Eça de Queirós e Machado de Assis, todos citados no livro, não frequentaram nenhuma oficina de escrita literária, mas isso não quer dizer que você não possa aprender ferramentas e seguir alguns conselhos para desenvolver a sua própria técnica. Entre eles, um dos mais difíceis de assimilar: o planejamento da obra.

"Planejar, sim, mas para ser livre – É possível que você ache o planejamento uma perda de tempo. Minha experiência, contudo, comprova: quem planeja acaba por escrever com mais rapidez, mas não só – escreverá melhor e com mais liberdade, porque o enredo estará imunizado contra os 'furos' decorrentes dos eventos mal costurados. Você já imaginou o engenheiro começar uma obra sem um projeto? Ou o diretor de cinema começar a filmar sem um roteiro? [...] se a narrativa estiver bem executada – resultado do planejamento –, mais natural parecerá. Artificial será a narrativa que segue sem rumo. Para consertar esse estrago, você tem de fazer emendas sobre emendas, que se tornam, ao final, visíveis – como os vincos nas roupas tiradas da mala. Se isso acontecer, será necessário reescrever tudo, o que pode se tornar bastante indigesto e, em casos mais graves, levar ao abandono do livro e, até da literatura. 'Mas eu posso reescrever apenas partes do livro, aquilo que estiver ruim.' Equívoco. Reescrever 'partes' da história é fazer um pacto com o demônio." - Capítulo 4 - Escrever ficção é tramar: O enredo e a estrutura (pp. 169 e 170)

O espaço é muitas vezes um fator menosprezado por escritores, entendendo-se como espaço não apenas "aquilo que entendemos como tal – um bar, uma barbearia, uma sala de cinema, um campo aberto, as nuvens, uma quadra de tênis –, mas também seres que se impõem ao nosso conhecimento, como um vaso de flores, uma caneta, um cão e até uma pessoa, desde que se integrem às percepções gerais – visuais, auditivas, táteis, gustativas, olfativas" (p. 259) ou, ainda segundo a epígrafe deste mesmo capítulo (uma citação de Gaston Bachelard): "Não se encontra o espaço, é sempre necessário construí-lo" (p. 256).

"Você usa todos os sentidos em sua ficção? – Os sentidos clássicos, os que aprendemos na escola, são cinco: visão, audição, tato, paladar e olfato. Os fisiologistas de hoje, porém, propõem acrescentar outros, como a dor, a fome, a temperatura corporal, a sensação de plenitude depos de comer, a premência de evacuar o intestino e a bexiga, o sentido de equilíbrio, a coceira. São sensações corpóreas 'internas' e, por isso, entram como clandestinos neste capítulo; mas vamos admiti-los, pois interessam a nós como ficcionistas. [...] O assunto começa com uma pergunta: por que, se sentimos tudo isso em nosso corpo, não o colocamos em nossa ficção? Já pensei muito nesse tema, e minha tentativa mais consistente de responder passa pela tradição literária, que teima em privilegiar apenas dois sentidos: a visão e a audição, considerando os demais indignos de habitar a literatura." - Capítulo 6 - Onde aconteceu isso tudo?: O espaço (p. 274)

Muitas desmistificações são promovidas por Luiz Antonio no decorrer do livro. Por exemplo, a questão do personagem que ganha uma existência própria, independente da vontade do escritor, uma lenda que Toni Morrison ajuda a destruir na seguinte citação retirada de uma entrevista da autora à Paris Review: "Eles (os personagens) nada têm em mente a não ser a si próprios e só se interessam por si mesmos. Então não é possível deixar que escrevam o livro para mim" (p. 56). Outro mito tradicional é a fixação de muitos autores em obter um "estilo próprio", muito bem apresentado no trecho abaixo.

"Você não precisa cultivar o fetiche do 'estilo próprio' – É bem verdade que, ainda hoje, encontramos alguma resenha que lá vem com a frasezinha: "A escritora fulana, dotada de estilo próprio...". Querem elogiar, mas o caminho do elogio passa distante disso. Dizer, entretanto, que "fulana tem um estilo marcado pela objetividade e materialidade da frase", ou "fulano tem um estilo fortemente conotativo", isso sim faz sentido, pois entra numa questão substantiva – além de esclarecedora para o provável leitor. [...] Por todas essas razões, não se atormente. Buscar seu 'estilo próprio' é um pseudoproblema. O leitor não está nem um pouco preocupado com isso. Se você é uma pessoa que lê muito e escreve muito, seu estilo pessoal acontecerá, sem que você precise forçá-lo. Aliás, é impossível forçar algo assim. Mais ainda: esteja atento para o fato de que, por mais que você invente, pratica o mesmo estilo uma legião de ficcionistas. Portanto, é bom estar atento a essas seduções baratas, que não vão melhorar a qualidade do seu texto." - Capítulo 8 - Pequeno tratado da liberdade: O estilo (pp. 333 e 334)

Um livro essencial para escritores, editores, resenhistas e outros profissionais ligados à área de criação e crítica literária, mas que agradará também ao público leitor em geral porque o texto é sempre bem-humorado e as citações de trechos das obras, assim como as respectivas análises, fazem da leitura um prazer do início ao final. Na minha opinião, o melhor conselho para quem pensa em se dedicar à carreira de ficcionista, Luiz Antonio de Assis Brasil revela logo no primeiro parágrafo da introdução: "Uma coisa, porém é certa: ele (o livro) jamais substituirá a leitura constante de obras literárias, a principal fonte para a formação de um escritor." (p. 11).
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leila.goncalves 31/03/2019

Sem Fórmulas Mas Com Ferramentas Indispensáveis
Este livro é o resultado do convite feito por Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, para Assis Brasil, uma referência no país quando o tema é Oficina Criativa. Afinal, ele não só foi o pioneiro, também é responsável por um icônico curso pelo qual já passaram autores como Daniel Galera, Paula Scott, Michel Laub, Amilcar Bettega e Carol Bensimon.

?Escrever Ficção: Um Manual de Criação Literária? levou aproximadamente três anos para ser concluído e acaba de chegar às livrarias. Indubitavelmente, trata-se de uma obra de fôlego - 400 páginas - que reúne uma série de reflexões sobre a arte literária e está fadada a tornar-se uma referência obrigatória para a bibliografia do tema. Se não bastasse, tem a peculiaridade de seduzir o leitor como quem lê um bom livro, ao contrário de um manual, conforme anuncia o título.

Na verdade, ele parte de um proposta distinta da oficina, à medida que é dedicado ao romance, enquanto ela está voltada para o conto. O resultado são 8 aulas em que se discute os desafios de um escritor. No caso, ele é representado por Thiago, um suposto aluno, às voltas com seu primeiro romance. Pouco a pouco, mediante as exposições do professor, ele consegue decidir qual caminho deve tomar, por exemplo, escolher a voz narrativa mais indicada e dar veracidade à personagem cuja importância é fundamental, sendo capaz de dar consistência à narrativa.

Abordando assuntos como enredo, estrutura e estilo, o livro ainda tem um último capítulo - o nono - que Assis Brasil reservou para apresentar um roteiro de um romance linear que, sem dúvida, é um bom exemplo além de uma pertinente ajuda para o autor iniciante.

Recheado de referências literárias, sem fórmulas mas contendo as ferramentas indispensáveis, este livro, ao exibir os bastidores da criação literária, também é um interessante aprendizado para o leitor de ficção, auxiliando-o na compreensão do mérito daquilo que lê.

Encerro com um trecho do escritor cubano Alejo Carpentier, que consta no livro e coloca em pauta o dilema de ter ou não ter talento: ?Não creio que o escritor possa ser um personagem diferente dos demais. Não creio que seja um ungido nem um privilegiado pelo destino. É homem de vocação, isso sim. E a vocação ? o amor a um trabalho determinado ? o leva a aperfeiçoar seu ofício, e, em certos casos, a se sobressair, dando-nos obras excelentes. Mas o mesmo acontece no mundo dos ebanistas, dos músicos de orquestra, dos esportistas. Como se ama o que se faz, trata-se de trabalhar o melhor possível; nada mais.?

Boa leitura!

Nota: comprei o e-book e recomendo.


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