O Problema com Deus

O Problema com Deus Bart D. Ehrman




Resenhas - O Problema com Deus


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Wesley Soares 01/05/2013

Um livro para cristãos e ateus
O livro é excelente! Uma visão lúcida e clara sobre a teodiceia (o problema do Mal, qual seja, a conciliação deste com a existência de um ente onisciente, onipotente, onipresente e dotado de infinita bondade).

O autor, que é agnóstico e um profundo conhecedor da Bíblia, busca minuciosamente explicações plausíveis para o sofrimento humano. Com uma linguagem clara e acessível para qualquer tipo de leitor, a narrativa é construída com muitas citações de versículos e passagens bíblicas, sempre com o intuito de demonstrar ao leitor que a fonte na qual se pretende encontrar a resposta é o livro sagrado do Cristianismo.

É um livro para cristãos e ateus. Para que os cristãos, para que pensem mais profundamente sobre o assunto. Para os ateus, porque se há quem pense que Richard Dawkins, Sam Harris e outros são autores que de fato podem refutar Deus, estão perdendo tempo. Ora, se Deus é para ateus e agnósticos, nada mais do que uma ideia ou conceito introjetado na cultura ocidental, o foco do discurso ateísta deve incidir neste, e não nos efeitos da religião na sociedade, como fazem Dawkins, Harris e cia. Afinal, religião é uma coisa, Deus é outra.

Paulo dos Reis 12/07/2013minha estante
"Afinal, religião é uma coisa, Deus é outra."
Qual foi o efeito que este livro causou na sua opinião sobre fé?
Abç amigo.


Wesley Soares 17/07/2013minha estante
Não acho que o livro tenha influenciado o que penso sobre a fé, mas me fez ver o quanto é obscura e confusa a mensagem bíblica.




Ricardo Silas 30/07/2014

As respostas que a Bíblia não dá ao sofrimento:
O problema com Deus se tornou um livro excepcional em meu acervo ateísta e cético, por inúmeras razões plausíveis. A mais importante delas, é que promoveu em mim uma base mais sólida na qual eu pudesse consubstanciar meus questionamentos a respeito da indiferença da "ideia de um deus amoroso e poderoso" diante o caos que inflige parte do nosso mundo. Concluí a leitura. Minhas inferências, embora pouco divergentes com a do autor, se atrelaram ao meu anti-teísmo de modo que, para mim, considero muito mais satisfatória a oposição à existência de qualquer força pessoal em magnitude cósmica. Porquê? Por ser repugnante e desnecessária, além de obstruir parcialmente nossa função de melhorar o mundo sem mais delongas.

Ao longo deste livro, Erhman se baseia em diferentes perspectivas proféticas, poéticas e prosaicas, que os autores bíblicos emitem acerca do sofrimento no mundo, tentando produzir alguma justificativa peremptória e plausível para a problemática. O que não ocorre. As análises do autor não abarcam eufemismos, tampouco tentam camuflar a derradeira essência das intempéries da vida. Seus exemplos são frios, crus, sem rodeios. Suas conclusões são objetivas, carregadas por indagações que expõe contradições urdidas em cada ponto de vista bíblico. Neste livro, a meta é tentar trazer as respostas, não uma solução. Deliberadamente o autor se recusa a submeter o problema do sofrimento a uma questão filosófica, obscura e intelectualizada. O fato é abordado por um panorama puramente teológico que, para a maioria dos cristãos, é a fonte redentora de todo o mal.

Sem qualquer dúvida, a imparcialidade do Bart Erhamn é o que há de mais preponderante ao longo de sua meticulosa análise. Todos os argumentos teológicos são explicitamente falhos, e asseguro-lhes não haver qualquer indício de tendenciosismo, pois o autor não está interessado em atravancar a fé de ninguém, mas sim abrir caminho às ponderações e contestações racionais, capazes de desnudar a falibilidade da visão teológica, nada mais. Certamente, para ateístas céticos (como eu) e teístas, religiosos, em especial os cristãos, este livro terá importante valia. Nos faz refletir e nos incita a agir positivamente para aplacarmos o sofrimento com afinco, sem desvalorizar a preciosidade da vida, nossa e dos nossos irmãos.

Não posso deixar de acrescer, também, que o autor condensa e recapitula, em todos os capítulos, as nuances históricas, exegeses bíblicas e vicissitudes vivenciadas pelo povo judeu e cristão, tendo-os como foco, perpassando o Terceiro Reich e as execrabilidades do Holocausto e outras epilepsias sociais, políticas e militares da contemporaneidade. Doenças, factoides sociais, catástrofes ambientais, naturais, supostas intervenções dos céus, são propriedade do autor, que se ocupa a dirimir com primazia as fissuras teológicas altamente desconexas, discrepantes e insatisfatórias, ao tentarem encerrar a discussão com um patético e ingênuo: "Isso é um mistério! Ninguém deve questionar O Criador!"

Excelente livro! Recomendo a todos.
Rafael M. 28/09/2014minha estante
Oi Rick. Adquiri o livro hoje e iniciarei a leitura. Resenha muito bem escrita. Abraços.




Rafael M. 20/10/2014

O título pode assustar para os cristãos. Entretanto, é um livro inteligente, reflexivo e bastante culto, tanto nas argumentações quanto na história. Ehrman explica claramente várias passagens bíblicas, catástrofes acontecidas, profecias e levanta questões para pensar. Tem um final bastante instrutivo de "como se viver". Um excerto (pag. 202): "Mas catástrofes naturais não podem ser deixadas de lado tão levianamente...os que estão mais perto de nós, claro, são aqueles com os quais mais nos preocupamos....tomemos aqueles que sofreram com a devastação provocada pelo furacão Katrina. Sofremos por aqueles que morreram e coçamos a cabeça, incrédulos com a incompetência da burocracia federal que tornou impossível a reconstrução de Nova Orleans e não permitiu que as pessoas seguissem em frente com suas vidas".... É uma obra que me fez pensar bastante na vida e nas adversidades que nos "atacam" a todo momento. Será "a seta que voa de dia", como diz na Bíblia? Pode ser. Recomendo.
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Raphael 15/12/2020

“O problema com Deus” de Bart Ehrman. Concluindo os estudos deste excelente autor (ainda publicarei outra resenha dele de um livro já lido), especialista no novo testamento, temos este livro que nos mostra seu processo de “desconversão” do cristianismo. Segundo suas próprias palavras “(...) o processo de desconversão não foi fácil ou agradável. Eu abandonei a fé esperneando e gritando”. Mas antes de entrar no mérito da obra, gostaria de registrar o excelente trabalho da editora AGIR em publicar no Brasil as obras deste grande estudioso da Bíblia, particularmente do Novo Testamento, uma das maiores autoridades internacionais sobre o assunto, Bart Ehrman, que acabou passando despercebido pelas grandes editoras do mercado brasileiro.

No mais, sobre a obra, vemos aqui os argumentos do autor que serviram de parâmetro para ele abandonar o cristianismo. O motivo é bem simples: o sofrimento que aflige o mundo. O livro gira em torno disso, da Teodicéia que, traduzindo, refere-se ao problema de como Deus pode ser Justo considerando-se o fato de que há tanto sofrimento no mundo em que ele supostamente criou e do qual é soberano.

Muitos diriam que o sofrimento no mundo tem algo a ver com o livre arbítrio do ser humano. Ehrman debruça-se também sobre isso e conclui que esta solução não resolve o problema. O mundo continua tendo sofrimento, apesar do livre arbítrio, e não por causa dele. O livro arbítrio é, na verdade, um mistério e não uma resposta. Se tudo é submetido apenas a ele temos que concluir que Deus nunca interfere no mundo. E isso diverge do texto bíblico que demonstra o contrário em diversas passagens.

A obra, em seguida, estuda as diversas formas como o sofrimento humano aparece no contexto dos escritos bíblicos. Basicamente, as escrituras relatam que o sofrimento ocorre simplesmente porque deus quer. Também pode decorrer para expiação os pecados, na forma de sacrifícios, como testes de fé (vide livro de Jó) ou em razão da prática de pecados. Existe, no mais, o sofrimento redentor, aquele ao qual Jesus submeteu-se. O sofrimento, por fim, pode decorrer, como já mencionado, do livre arbítrio dos seres humanos.

Se por um lado, não sabemos ao certo, a quem atribuir as causas do sofrimento e privações do ser humano, o inverso também é verdadeiro: Deus não enriquece ninguém materialmente. Ser rico, ou pelo menos ter comida em casa, depende de diversos fatores, aleatórios ou não, sendo em grande parte acidentais. Em outras palavra, se eu devo agradecer a Deus por ter condições de me alimentar, o que deve fazer quem passa fome?

Enfim, segundo o autor, o problema da Teodicéia é um problema insolúvel. Deus não interfere no sofrimento humano e o mundo é composto essencialmente de sofrimento. Se ele não faz isso, sendo justo e bom, por que não faz? E se você não acha que o mundo é, essencialmente, sofrimento, saia um momento da bolha que você vive e olhe um pouco ao seu redor. Eis, de forma sucinta, o motivo pelo qual o autor perdeu a sua fé. Fica ai o questionamento, lembrando sempre que a obra é muito mais profunda que esta singela resenha. Procure sempre o livro para uma experiência melhor e mais completa.
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