O Olho Mais Azul

O Olho Mais Azul Toni Morrison




Resenhas - O Olho Mais Azul


126 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Book.ster por Pedro Pacifico 03/01/2020

O olho mais azul, de Toni Morrison - Nota 9,5/10
A literatura é uma poderosa ferramenta de empatia. Ela nos permite enxergar situações corriqueiras a partir de perspectivas que são totalmente estranhas à nossa realidade e que nunca teríamos acesso se não fosse por meio dos livros. E terminar a leitura dessa obra apenas confirma esse seu papel.

Em pouco mais de 200 páginas, Toni Morrison consegue apresentar para o leitor como é crescer em uma sociedade em que as referências e os padrões do que é certo e bonito estão longe do que você é. Pecola Breedlove, uma garota negra nascida nos Estados Unidos da década de 40, sonha em ter olhos azuis. Pede a Deus todos os dias para que seus olhos se transformem em azuis. Para Pecola, quem sabe dessa forma as pessoas passariam a notá-la um pouco mais, passariam a aceitá-la. É um pequeno desejo de uma criança que carrega consigo inúmeros problemas históricos e sociais.

Mas além de ser vítima de um racismo estrutural, que cria na garota uma recorrente necessidade de aceitação, a vida de Pecola também vai encontrar barreiras em situações de machismo, abuso sexual (há passagens com gatilhos sobre o tema), relações familiares e muita violência, sobretudo psicológica.

Tudo isso acontece no cerne de uma família problemática, que, infelizmente, não parece indicar um cenário incomum: o pai de Pecola é alcoólatra e bate na esposa; sua mãe vive em função de cuidar da casa de uma família branca para quem trabalha como empregada doméstica; e seu irmão faz de tudo para conseguir fugir dos seus problemas. É uma família moldada por engrenagens de um sistema que funciona sempre da mesma forma. E apesar dos temas duros e sensíveis que atinge, a autora escreve de uma forma tranquila e com toques poéticos. Em seu primeiro romance, a primeira - e única - mulher negra a receber o Prêmio Nobel de Literatura nos faz refletir muito. Toni Morrison incomoda o leitor atento, deixando sua marca permanente.

site: https://www.instagram.com/book.ster/?hl=pt-br
comentários(0)comente



Pri | @biblio.faga 07/02/2020

Pelo seu primeiro romance, Toni Morrison recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1993, e, agora, por intermédio da TAG Curadoria, foi o meu primeiro contato com à obra da autora. Encontro que foi logo seguido pela pronta aquisição de mais dois livros da Toni: “Amada” e “Deus ajude essa criança”.

O livro tem como foco a história de Pecola Breedlove, uma menina negra, descrita como feia, e que tem como o maior sonho possuir olhos azuis. Mas não apenas olhos azuis, e, sim, os mais azuis. Os mais azuis do mundo.

E aí que entra a primeira genialidade de Toni: na escolha do título do romance: ‘The bluest eye’. No inglês, o adjetivo “bluest” além de significar “o azul mais azul”, também pode ser traduzido como o “mais triste ou infeliz”.

Dividido em quatro partes, como as estações do ano, o romance alterna o seu enfoque narrativo e nos permite conhecer mais profundamente outros personagens como o pai e a mãe de Pecola.

Como destaca o prefácio de Djamila Ribeiro: “essa humanidade que faz com que sintamos empatia até por aqueles que têm comportamentos reprováveis”.

Narrado pela perspectiva de crianças, Toni consegue “suavizar” o clima pesado, com observações ingênuas e até mesmo engraçadas de Claudia. Não tem como não desejar ser amigo da Claudia, Frieda e Pecola. Porém, o livro não deixa de ser crítico e “pesado”, enfim, poderoso.

Toni, em seu posfácio, datado de 1993, comenta que a narrativa quebrada em partes “pareceu-me uma boa ideia, cuja execução, agora não me satisfaz. Além disso, não funcionou: muitos leitores se sentem tocados, mas não instigados”.

Comentários que quando li me entristeceram profundamente, pois já os vi sendo utilizados para diminuir esse livro tão poderoso.

O olho azul, além de ser um claro símbolo da concepção de beleza da branquitude, escancarando os mais diversos tipos de violência e preconceito; foi uma escolha atual e cheia de significados.

O sonho de Pecola pode ser visto de outras inúmeras formas: toda e qualquer imposição da sociedade que obste uma plena aceitação, como a cor da pele, até as menores características físicas, tais como a circunferência da cintura e o modelo dos fios de cabelo.

O livro denuncia vidas que são diariamente desprezadas, trivializadas, mal interpretadas. Retrata negligência, abandono, falta de amor e empatia. Algo que todos deveriam ler.

Triste, poderoso, necessário.
Recomendadíssimo!

site: https://www.instagram.com/biblio.faga/
André Alves 07/05/2020minha estante
Excelente resenha!




Evelyn Ruani 29/06/2020

"Cada livro nos abre um horizonte, uma reflexão, e é um eterno lembrete de que a vida pode ser múltipla, inexata, complexa". Essa frase foi enviada a TAG por uma leitora, Renata Sanches, e está na revistinha que acompanha esse livro. Coloquei ela nessa resenha porque não poderia escrever isso de forma melhor e o tanto que essas palavras são verdadeiras, principalmente ao terminar de ler esse livro... A vida é múltipla, inexata, complexa... na crueza dos dias, não segue regras e padrões, acontece. São tantas vidas, inúmeras possibilidades e sentimentos!

Esse é o primeiro livro que li dessa autora e fui arrebatada por sua narrativa. Ela conseguiu me fazer chorar na página 22 do livro com uma imagem que não sei se esquecerei tão cedo. Uma frase, tão dolorida e ao mesmo tempo tão doce, que tocou no fundo da minha alma...

"Assim, quando penso em outono, penso em alguém que tem mãos e que não quer que eu morra".

Assim, solta, talvez não tenha o impacto que teve em mim ao final de algumas outras descrições, mas só de escrevê-la me emociono de novo, ao lembrar do que li. Depois disso foi só emoção, desconforto e palavras que não conseguia parar de ler. O livro é dividido por estações e conta muitas histórias em poucas páginas, mas a principal é a da menina Pecola Breedlove que reza todas as noites para ter olhos azuis.

Pecola é invisível para a sociedade e a comunidade que vive. Invisível não é a palavra, o problema é que ninguém está disposto a vê-la com humanidade. É zombada, rejeitada, desprezada, violentada. Ela sabe que o problema é a sua aparência, sua pele negra e seus cabelos crespos, e acredita que sua única solução seja ter olhos azuis, como os das bonecas, das mulheres brancas que são invejadas, elogiadas, lindas e amáveis. Acompanhamos seus passos nessa busca delirante pelo olho mais azul, pela aceitação, por uma realidade que não seja só dor, como a que unicamente ela conhece.

Como bem diz, Djamila Ribeiro, no prefácio desta edição "são letras que rasgam, mas por incrível que possa parecer você vai gostar de ser cortado, reinventado". Esse livro é uma forte reflexão sobre a desigualdade, o preconceito, os padrões impostos e vale muito a leitura. Essencial. Vale também ressaltar que Toni Morrison foi a primeira mulher negra a ganhar um Nobel de Literatura em 1993 e que O Olho mais azul, escrito em 1970 conta a história de outros tempos, outra época, mas que é extremamente atual como se ainda fosse hoje, infelizmente.

Fica um exercício para nossa reflexão do porquê. Recomendo demais a leitura, o corte e a reinvenção!
comentários(0)comente



Ani 15/07/2020

"O amor nunca é melhor que o amante. Quem é mau, ama com maldade, o violento ama com violência, o fraco ama com fraqueza, gente estúpida ama com estupidez, e o amor de um homem livre nunca é seguro. Não há dádiva para o ser amado. Só o amante possui a dádiva do amor. O ser amado é espoliado, neutralizado, congelado no fulgor do olho interior do amante."
comentários(0)comente



Nado 06/04/2020

Traz incômodo ao mais insensível
Impossível ler esse livro se se sentir incomodado, pesado e culpado. Mesmo que a culpa não seja sua, você a sente pela comunidade a sua volta, a história humana terá para sempre uma mancha que nunca será apagada e que infelizmente ainda está tão destacada nos dias atuais.
comentários(0)comente



Vanessa Moreira 25/04/2020

Toni Morrison, foi a primeira mulher negra a ganhar um Nobel, ela era escritora, editora e professora. Neste livro ela fala sobre questões de gênero, raça e beleza, são os temas que ela sempre dedicou sua escrita. Em O olho mais azul é contada a história de Pecola, uma história devastadora, marcada por diversos tipos de violências, no meio da história de Pecola são contadas diversas outras histórias que se entrelaçam, todas elas com algum tipo de violência que acabou acarretando em uma ?pessoa boa? se tornar visivelmente uma ?pessoa ruim?, dessa forma podemos sentir um pouco da dor da transformação de alguns personagens. Um destaque do livro, o qual mais traz reflexão, é o fato de Pecola, uma criança negra, ser rejeitada por todos e com isso acreditar que só será amada quando tiver os olhos azuis, especificamente o olho mais azul que existe.
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Meline 26/05/2020

É uma história que muitas pessoas não gostariam de conhecer
O tanto que esse livro é pesado, ele é necessário. Fala sobre vidas que, infelizmente, ainda em 2020, são esquecidas pelo mero fato de uma cor de pele. Aborda temas como estética padrão, violência sexual, doméstica, (ausência de) representatividade... a escrita da Toni é realmente impressionante, e ela consegue descrever coisas e pessoas de forma única. É um ficção, sim, mas é só um retrato de várias realidades.
comentários(0)comente



Ally 19/04/2020

O Olho Mais Azul | Toni Morrisson
Estaéacasaéverdeebrancatemumaportavermelhaémuitobonitaestaéafamíliaamãeopaidickejanemoramnacasabrancaeverdeelessãomuitofelizesvejaajaneelaestádevestidovermelhoelaquerbrincarquemvaibrincarcomjane

Sabe aquele livro que você recebe, não lê na hora e depois, quando finalmente resolve lê-lo, você fica: como eu pude enrolar esse tempo todo pra ler essa obra-prima? Essa foi minha relação com O Olho Mais Azul. O livro foi o enviado de Março de 2019 da TAG Curadoria, e eu resolvi lê-lo só em fevereiro de 2020. A verdade é que me arrependi amargamente de não tê-lo lido na época em que o recebi.


O Olho Mais Azul trata de um assunto importante, de forma realista e dolorida. As facetas do racismo são escancaradas nessa história de múltiplos narradores: conhecemos a história de Pecola pelos olhos de diversos personagens, que de alguma forma fazem ou fizeram parte de sua vida.


Nossa inocência e nossa fé não foram mais produtivas do que a luxúria ou o desespero dele. O que está claro agora é que, de toda a nossa esperança, do medo, luxúria, amor e pesar, não resta nada além de Pecola e da terra improdutiva. 

? O Olho Mais Azul


Toni Morrison faz transcorrer em seus parágrafos os mais diversos sentimentos. Amor, raiva, ódio, nojo... Personagens tão reais ao ponto de não saber o que achar sobre eles. Há momentos em que a história te dá tanta raiva, e ao mesmo tempo traz uma compreensão profunda acerca de como a vida é. Mesmo se passando nos anos 40, o livro mostra o preconceito racial que é vivido e vívido até hoje.

Fortemente recomendo que, se possível, todos leiam O Olho Mais Azul. É um livro absolutamente necessário e importante. Embora seja muito pesado, essa densidade é necessária para que entendamos o que é o racismo e como ele se apresenta.

site: https://pastelescritor.blogspot.com/2020/04/o-olho-mais-azul-toni-morrison.html
comentários(0)comente



Isadora.Almeida 20/04/2020

O peso da beleza
Toni Morrison não pegou leve ao demonstrar os comportamentos mais obscuros da sociedade, não somente naquela época, mas também na atual, uma vez que os mesmos problemas permanecem enraizados.

Vítima de uma sociedade patriarcal e racista, Pecola percorre um caminho trágico e solitário, de modo que a faz possuir uma ânsia em obter lindos olhos azuis, os olhos mais azuis que existem, talvez assim finalmente ela conseguiria ser aceita por si e pelos demais.

Esse desejo representa tanto a derrota de uma sociedade quanto o triunfo de Pecola, visto que ao acreditar que os obtém, eles se tornam um ticket de fuga da sua realidade, a qual está marcada por abusos sexuais, além de diversos outros preconceitos advindos de sua suposta feiúra e de sua negritude.

?(...) Este solo é ruim para certos tipos de flores. Não nutre certas sementes, não dá certos frutos, e, quando a terra mata voluntariamente, aquiescemos e dizemos que a vítima não tinha o direito de viver. Estamos errados, é claro, mas não tem importância. É tarde demais. Pelo menos nos limites da minha cidade, entre o lixo e os girassóis da minha cidade, é muito, muito, muito tarde.?

Obs.: Contém gatilhos.
comentários(0)comente



Ana Lima 06/06/2020

Extremamente necessário
Não estarei exagerando ao falar que esse livro, logo nas primeiras páginas, se tornou um dos meus livros favoritos de todos que já li. O livro fala por meio do olhar inocente de meninas pretas sobre assuntos muito necessários e difíceis de se falar. É duro ler a trajetória de Pecola e perceber todos os fatores que a fizeram afundar em sentimentos ruins. E é mais duro ainda ver que seria algo inevitável, que tudo o que ela sofreu foi resultado de uma construção social profundamente desumana. Quantas Pecolas existiram nesse mundo? Essa obra tem como assunto principal o racismo e ela é extremamente necessária. Eu me emocionei bastante nas ocasiões em que Frieda, Claudia e Pecola eram maltratadas, não só por serem pretas, mas também por não terem condições financeiras, como aquela cena da Torta de Merengue. Obrigada, Toni Morrison, por essa obra prima.
comentários(0)comente



Vanessa.Benko 14/07/2020

difícil lidar com o porquê, é preciso buscar refúgio no como
Absolutamente necessário. Não há frases suficientemente boas que possam descrever a experiência de leitura desse livro. Algumas verdades que supostamente já sabemos são apresentadas de forma mais transparentes ainda - uma realidade brutal, mas sempre realidade. O que chamamos de racismo estrutural é muito mais complexo; a igualdade que buscamos está muito mais distante. Os motivos do racismos e suas consequências são ao mesmo tempo muitos e indescritíveis. Busquemos entender então as maneiras que ele acontece para alterar nossas atitudes. Como a autora diz nos posfácio, ?como algo tão grotesco quanto a demonização de uma raça inteira podia criar raizes dentro do membro mais delicado da sociedade: uma criança; do membro mais vulnerável: uma mulher?.
Nem é justo que eu tente falar sobre as lutas diárias descritas neste livro. Apenas leia!
Não é uma leitura fácil. Verdades são expostas, mas é preciso. Capítulos extremamente longos deixam a leitura um pouco cansativa. Mas não há outra forma de escrever essa história. Tudo se encaixa. Até o que não queremos que seja verdade.
comentários(0)comente



Adla.Kellen 18/02/2020

Inesquecível
Esse livro é um daqueles que nunca se esquece. Que nos faz refletir sobre como a sociedade é preconceituosa com os negros e como eles mesmos as vezes querem se adaptar para serem aceitos porque nem eles mesmo se aceitam. É o caso de Pecola.
comentários(0)comente



Giovanna 10/05/2020

Ela rezava para ter olhos azuis
Um livro extremamente poderoso e, confesso, um pouco incômodo e assustador.
Mas que traz uma realidade extremamente atual e importante
Luana.Abreu 10/05/2020minha estante
Vc tbm assina a tag?


Giovanna 11/05/2020minha estante
Simmm, assino a Curadoria


Luana.Abreu 11/05/2020minha estante
Eu tbm :)


Giovanna 20/05/2020minha estante
Aaaah que legal!! Você assina qual caixinha?




Dani 13/07/2020

Tentei ler da primeira vez e não consegui, achei chato e nada fazia sentido.
Dps que busquei uma resenha e entendi alguns fatos e outros fatos que tinha deixado passar, comecei o livro do zero de novo e li com outros olhos, e a leitura já foi completamente diferente.
Sai da minha zona de conforto, debati com duas amigas, Lemos um artigo é assim fizemos uma leitura muito satisfatória.
Se você está com dificuldade, não desista, um livro extremamente necessário.
Monaliza 21/07/2020minha estante
Sensacional




126 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |