Naondel

Naondel Maria Turtschaninoff




Resenhas - Naondel


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Giuliane.Souza 30/08/2020

Mulheres unidas
Que história forte, cada uma das mulheres conta o que enfrentou e como enfrentou e a gente se vê em cada uma delas. Como uma mosaico, cada pedaço que compõe o mundo feminino e os mistérios que existem apenas nele. Uma leitura muito importante para toda mulher. A escrita é fluida e os lugares parecem muito reais.
( Gatilho para abuso, aborto e violência)
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Lenas 22/07/2020

Esse livro conta a história das mulheres que começaram a Abadia Vermelha, como elas se encontraram e o papel de cada uma na construção dela.

Diferente de “Maresi” que é narrado somente pela Maresi, nesse livro cada capítulo é narrado por uma mulher diferente. As perspectivas de todas as mulheres são escritas maravilhosamente bem, cada uma tem uma experiência de vida diferente e cada experiência traz algo que nos faz refletir.

Levei algum tempo para entrar em todos os personagens, mas quando consegui, foi incrível.

Naondel é um texto feminista e não apenas descreve o sofrimento das mulheres (nas mãos dos homens) como também mostra a força da irmandade e como é importante que as mulheres permaneçam juntas.

(Fiquei impressionada com o fato de um único homem ferrar com a vida de tantas mulheres, que raiva!!)
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Mialle @miallebooks 16/06/2020

Emocionante
Naondel é o segundo volume das Crônicas da Abadia Vermelha, mas é um livro independente já que conta a história de suas fundadoras, muitos anos antes do primeiro volume Maresi. Escrito pela autora finlandesa Maria Turtschaninoff, traduzido por Lilia Loman e Pasi Loman e publicado pela Morro Branco.

Gatilho: violência contra mulheres

Para imaginar uma utopia é preciso conhecer o horror.⁣

Muitos anos antes da ilha só de mulheres existir, muitos anos antes da história de Maresi, muitos anos antes de tudo havia o horror. No harém de um homem louco, várias mulheres diferentes vivem uma vida opressiva e pautada no medo, mas ainda existe coragem, força e fé entre elas.⁣

Naondel não é um livro fácil de ler se você for mulher e tiver sensibilidades e gatilhos, mas é um livro que vale a pena.⁣

Foi uma leitura incrível e arrepiante em diversos momentos, eu adorei conhecer o início da ilha de mulheres e suas provações até chegarem lá. Naondel foi sensível, difícil e compensador no final das contas. ⁣

Me senti arrebatada pelas diferentes mulheres da história e suas vidas fantásticas antes e depois de serem presas e sequestradas pelo mesmo homem. ⁣

Um livro sobre a força e a coragem das mulheres, mesmo da mais delicada, da mais servil, da mais cansada.⁣

Maria Turtschaninoff é realmente uma escritora fantástica e a tradução não fica atrás, o livro fluiu muito bem e me encantou na forma como tudo é contado.⁣

Apesar de ser o segundo volume das Crônicas, não é necessário ler Maresi para conhecer Naondel.⁣

É uma leitura que recomendo muito para todas as mulheres que puderem ler, mas reforço o aviso de gatilho.

site: https://mialle.wordpress.com/
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Lelle31 08/01/2020

Doloroso, cruel, assustador e surpreendentemente verdadeiro. É muito triste imaginar que um livro que teoricamente reporta a um passado distante possa ser tão atual em sua narrativa.
Com uma prosa fluida e elegante a autora nos transporta para um mundo de horror, opressão e exploração, onde mulheres possuem uma única função: obedecer.

"Para imaginar uma utopia é preciso conhecer o horror. "

E é nesse ambiente repleto de dor e sofrimento no qual mulheres aprisionadas e escravizadas precisam aprender a superar as desconfianças para entender seu verdadeiro poder.

"Esta é a história delas. Ouça suas vozes. Nunca se esqueça. "

Naondel encara firmemente o horror que molda as experiências de mulheres e as segue pela jornada da sobrevivência até um imenso poder.
Um livro profundo, que apesar de apresentar uma faceta monstruosa da humanidade demonstra que a coragem, a união e o amor são as mais poderosas armas. Além de escancarar a força feminina.
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Bia | @psicosedelivros 07/01/2020

Naondel (As cronicas da Abadia Vermelha #2)
NAONDEL (As Crônicas da Abadia Vermelha #2)


“𝑶 𝒅𝒆𝒔𝒆𝒋𝒐 𝒅𝒆 𝒗𝒊𝒗𝒆𝒓 é 𝒊𝒏𝒄𝒓𝒊𝒗𝒆𝒍𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆 𝒇𝒐𝒓𝒕𝒆. 𝑴𝒆𝒔𝒎𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒗𝒐𝒄𝒆 𝒅𝒆𝒔𝒆𝒋𝒆 𝒂 𝒎𝒐𝒓𝒕𝒆, 𝒔𝒆𝒖 𝒄𝒐𝒓𝒑𝒐 𝒍𝒖𝒕𝒂 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝒄𝒐𝒏𝒕𝒊𝒏𝒖𝒂𝒓 𝒓𝒆𝒔𝒑𝒊𝒓𝒂𝒏𝒅𝒐, 𝒄𝒐𝒎𝒆𝒏𝒅𝒐, 𝒅𝒐𝒓𝒎𝒊𝒏𝒅𝒐. 𝑨𝒎𝒂𝒏𝒅𝒐. 𝑵𝒂𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒖 𝒔𝒂𝒊𝒃𝒂, 𝒑𝒐𝒊𝒔 𝒏𝒖𝒏𝒄𝒂 𝒉𝒂𝒗𝒊𝒂 𝒂𝒎𝒂𝒅𝒐 𝒏𝒊𝒏𝒈𝒖𝒆𝒎 𝒅𝒆 𝒗𝒆𝒓𝒅𝒂𝒅𝒆. 𝑴𝒂𝒔 𝒎𝒆𝒖 𝒄𝒐𝒓𝒑𝒐 𝒎𝒆 𝒕𝒓𝒂𝒊𝒖 𝒎𝒖𝒊𝒕𝒂𝒔 𝒗𝒆𝒛𝒆𝒔 𝒒𝒖𝒂𝒏𝒅𝒐 𝒆𝒖 𝒒𝒖𝒊𝒔 𝒎𝒐𝒓𝒓𝒆𝒓.”

No segundo volume da trilogia, conhecemos a história das mulheres que fundaram a Abadia Vermelha, situada na Ilha de Menos. O lugar é um refúgio criado para mulheres que sofreram algum tipo de violência ou opressão, ou que estão em busca de seu verdadeiro eu.

Narrado pela perspectiva de oito mulheres, conheceremos uma verdadeira história de superação e fé.

Naondel tem um tom melancólico e triste, mas ao mesmo tempo traz esperança e renova a idéia de que todos somos capazes de vencer nossos medos e angústias.

O que as oito vozes femininas desse livro têm em comum? Todas foram levadas de suas casas e aprisionadas por Iskan Ak Honta Che, o filho do vizir, um homem inescrupuloso e cruel, que tornou miserável a vida dessas mulheres.

Iskan teceu cada plano com um brilhantismo inegável; inteligente e dissimulado, se tornou um dos homens mais poderosos do continente, e construiu seu próprio palácio, Ohaddin, que se tornou o palco de inúmeras atrocidades.

O livro tem cenas extremamente fortes e necessárias, e apesar de as vezes ser angustiante e desolador, cada cena é necessária para que possamos entender a fundo os sentimentos de cada mulher.

Naondel é uma história revoltante, que me deixou desconfortável em vários momentos, e me trouxe esperança em vários outros. É um livro extremamente realista, que toca em feridas antigas, a opressão e violência contra a mulher.

Honestamente? Palavras não são suficientes para definir a beleza dessa obra. É aquele tipo de leitura que te deixa abismado, revoltado, impactado e por fim, fascinado.

5.0/5.0 + FAV ♥️

site: @psicosedelivros
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Dani @oslivrosdadani 04/12/2019

Intenso!!!
[...] As  poucas pessoas que amei nessa vida tão longa. Duas delas eu trai, uma delas eu matei. Uma me deu as costas. E a outra segurou minha vida em suas mãos.

Anjin é uma nascente que não só tem o poder do simples frescor. Ela também afeta a colheita, a saúde e a fortuna daquele povo. Uma nascente capaz de dar vida e riqueza, se você beber a sua água na hora certa. Mas também pode trazer morte e destruição se bebê-la na hora errada. O poder da sua água é primordial. Ela tem sido usada, guardada e cuidada pelas filhas mais velhas de uma geração, e Kabira era a protetora da vez.
Aquela nascente era o que a garota mais privava na vida, sabia de todas as suas responsabilidade e faria de tudo para que a ganância do homem não fosse capaz de esgota-la. Mas por muitas vezes a razão não ganha a disputa. E Kabira acaba sendo derrota pelo seu próprio coração.

Mas essa história não fala unicamente sobre Kabira. Ela nos apresenta mais seis mulheres que tiveram a infelicidade de cruzar o caminho de Iskan. Um homem inescrupuloso que tem a si mesmo como prioridade. Atingir o poder  supremo e aniquilar aqueles que o impeçam que isso aconteça são seus únicos objetivos de vida. Seu palácio esconde através da beleza e riqueza toda  violência e opressão ao qual essas sete mulheres são submetidas.

[...]Às vezes ele é violento. Isso é novo. Porém, a violência física é mais fácil de suportar do que quando ele cava até a parte mais intima, penetrando em minha alma. É difícil me defender disso.

Mulheres essas que buscarão a liberdade, mesmo sabendo que o preço para isso poderá ser a própria vida.

Naondel é o segundo livro da Trilogia Crônicas da Abadia Vermelha, iniciado por Maresi que por sinal tem uma leitura muito mais leve, mesmo tratando de pontos fortes. Porém confesso que este segundo volume foi uma das leituras mais difícil que fiz no ano. Tive que parar e respirar em muitos momentos devido a angustia e a revolta proporcionada por algumas cenas. Mas ao mesmo tempo me proporcionou um momento de reflexão significativo para minha vida.

Iskan foi um dos piores antagonistas que tive o prazer, e não por que é mal construído, muito pelo contrário. A construção é tão bem feita assim como
Mas também me proporcionou diversas reflexões.  A principal delas é muitas respostas para a opressão que ainda vivemos hoje que é a força da união feminina. Já disse isso em outros posts, a frase ?Mexeu com uma, mexeu com todas, realmente tem que se fazer válido em todas ocasiões. Afinal somos muito mais fortes do que o sistema que insiste em nos dizer o contrário.

Esse livro aborta assuntos extremante forte, como violência, abuso sexual, opressão e coação contra a mulher. Sendo assim pode facilmente tornar-se um gatilho para muitas leitoras devendo ficar em alerta. Mas super que indico a todos que gostam da temática.
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instagram: @minhasecretapoesia 24/10/2019

Naondel não é um livro fácil.
"A nova Garai está traindo tudo o que eu considerava sagrado e significativo. Ela não tem valor, não tem propósito. [...] Eu a odeio. Mas ela é útil para uma coisa. Ela sabe como me manter viva."

Contado a partir do ponto de vista de várias personagens, o livro nos transporta para o interior de Karenokoi e de Ohaddin, com a visão mais difícil de se ter: a rejeição, violência e o domínio daquele que detém o poder aos mais frágeis, indefesos e inocentes, espalhando uma atitude completamente desumana a vários povos.

No grandioso palácio de Ohaddin, as mulheres, transportadas de lugares diversificados e inseridas através do mercado escravo na atmosfera brutal do mundo de um homem chamado Iskan, são encarregadas de obedecer à voz de seu comprador. Após se casar com Iskan, Kabira vê seu mundo desabar e sua vitalidade ser sugada por sua cruel nova vida. Repleto do poder de uma fonte vital, denominada Anji, Iskan se vê cada vez mais sedento pelo domínio entre a vida e a morte.

É duro ler sobre o que tantas mulheres passaram, assim como os mais pobres e desfavorecidos. Dor, violação, cicatrizes que deixaram as protagonistas marcadas para sempre. Mas, mesmo assim, continuam lutando por um mínimo espaço, lutando para sobreviver. Batalham pelo direito de, pelo menos, ter domínio sobre uma ínfima parte de suas vidas.

Iskan é um monstro. Em muitos e diferentes sentidos. Ele mostra prazer em realizar tudo aquilo que se propôs a fazer, independente do que custar. O que importa é sua posição, seu ?prestígio?. O que realmente é relevante para ele é ser visto como o mais superior, não importa se, para isso, é necessária uma grande chacina.

É impressionante como a autora nos introduz à história de um modo tão leve, ressaltando a relação familiar e os primeiros sentimentos de atração de duas moças. E aí tudo desanda, tudo desaba. Da pior forma possível. Naondel mostra a desumanidade que pode assolar o ser humano. A incerteza do próprio ser, do próprio respirar, do próprio sentir. O medo de simplesmente viver. A luta pela permanência.

Naondel é um livro pesado, intenso. Parei para assimilar algumas cenas e respirar profundamente em diversas partes. Mas, em alguns casos, parece que somente um choque desses faz abrir os olhos. É para sentir repulsa de determinados personagens, não gostaria nem de ler algo bom sobre eles.

O ponto alto da história está relacionado às mulheres: Kabira, Garai, Estegi, Orseola, Sulani... Cada uma com um dom, uma luz interior que não as fazem desistir de se libertar das amarras do homem. Cada uma ensina como há força dentro de nós, como cada uma deve lutar pelo que é seu por direito, mesmo que esse direito nem devesse ser roubado ou tocado. Doando uma parte de si para que o conjunto tivesse uma mínima chance.

Livro muito indicado, história com desenvolvimento muito bem feito , convergindo para um desfecho de grudar os olhos às páginas. Importante ressaltar que contém cenas mais pesadas envolvendo estupro e violência.

Leia Maresi. Leia Naondel.

"Esta é a sua história. Ouça suas vozes. Nunca se esqueça."
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clayci 01/08/2019

Angustiante, mas incrível
Em Maresi, apesar de algumas cenas pesadas, a leitura foi agradável porque foi narrada na perspectiva de uma criança. Ainda que Maresi morasse na Abadia, a pequena não teve um passado traumatizante como as outras noviças. Ela teve a sua inocência preservada e foi aos poucos conhecendo a realidade e amadurecendo os seus pensamentos. Por isso, eu não estava preparada para o choque que seria Naondel.

Foi uma leitura deprimente, e angustiante. Naondel é cheio de emoções, porém mesmo com cenas tão pesadas, me vi envolvida com a história de cada mulher. Elas tinham talentos diferentes e, não obstante do sofrimento, encontravam apoio uma nas outras. Então é bom deixar claro que esse livro possui várias cenas de estupro, aborto forçado, suicídio e escravidão.


site: https://saidaminhalente.com/naondel-maria-turtschaninoff
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Camila - @darkbookslibrary 25/07/2019

O segundo volume de As Crônicas da Abadia Vermelha não dá seguimento à história contada em Maresi, ao contrário, a trama retorna ao passado e conta a saga das mulheres que originaram a Abadia.

No primeiro volume fica clara a mensagem que a autora quer passar, seu intuito é demonstrar a força feminina, a conquista do poder e da liberdade pela mulher. No segundo volume essa mensagem é ainda mais forte!

A princípio pensei que fossemos acompanhar contos sobre as fundadoras da Abadia, mas na verdade a trama é narrada de forma intercalada pelas personagens, não da forma que geralmente encontramos, por meio de breves capítulos, mas sim por longos trechos da história e isso faz com que não só conheçamos bem as personagens como nos aproxima delas.

Kabira, a primeira dessas mulheres, é a guardiã de uma nascente e em sua inocência vai causar um desastre em nome do amor. Esse acontecimento irá permear toda a trama e terá consequências enormes e continuas ao longo de todo o desenvolvimento do livro.

Apesar de ser uma história de fantasia e ter um mundo ricamente construído, o livro, seguindo a linha do primeiro, trata de muitos temas importantes e pesados. Há muito abuso físico, mental e sexual nessa história, portanto, se não tem costume de ler obras com esses assuntos ou se eles servem de gatilho, recomendo que a leitura não seja feita.

Cada uma das personagens que nos são apresentadas tem uma força única e especial, além de histórias prévias incríveis de superação. O fato que faz com que o destino delas se encontrem é cercado de dor, violência e traumas e todas tornam a ter que encontrar formas para superar esses abusos e redescobrir uma forma de continuar se mantendo vivas.

Extremamente pesado, mas belamente executado, “Naondel” é rico, intenso, cheio de voltas e reviravoltas e repleto de lições para qualquer leitor.

Se você se encantou pelo primeiro volume, recomendo fortemente que leia esse também e se maravilhe e se choque com a escrita de Turtschaninoff. Se ainda não leu Maresi, só posso fazer uma pergunta, o que você está esperando?

site: https://www.instagram.com/darkbookslibrary/
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EstanteColoridadaIsis 15/07/2019

#ResenhadaColorida
Quando jovem, Kabira se apaixona pelo belo e arrogante Iskan, filho do vizir. Na tentativa de impressioná-lo, ela lhe mostra Anji, a fonte sagrada da sua família e conta sobre o poder que a água dessa fonte contém. Iskan manipula Kabira para ter acesso à fonte. Quanto mais poder Iskan recebe, mais ele quer e logo se torna o homem mais poderoso. Para ele, as mulheres são apenas brinquedos e ao longo das décadas, ele acrescenta várias ao seu harém. Iskan é capaz de qualquer coisa contra aqueles que se colocam em seu caminho e é um monstro que abusa e maltrata todas as mulheres que encontra. Mas essas mulheres são corajosas, tem força e esperança dentro de si e, juntas, farão tudo o que puderem para se libertarem.
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💬Naondel, segundo volume da Trilogia "As Crônicas da Abadia Vermelha", é um prequel de Maresi e pode ser lido de forma independente. A trilogia está classificada como jovem adulto, mas devo advertir que esse volume contêm cenas de violência sexual explicita, entre outros temas fortes.

Em Maresi, aprendemos que a Abadia Vermelha foi fundada por mulheres que chegaram na ilha de Menos a bordo do navio Naondel com o intuito de criar um refugio. Em Naondel iremos conhecer a história das fundadoras e todo o caminho doloroso que elas percorreram para chegar a esse ponto.

O enredo de Naondel é mais complexo, narrado em primeira pessoas sob várias perspectivas. Ele mostra as vidas e as culturas de mulheres diferentes que foram reunidas em um harém, sob o domínio de um homem vil e implacável.
Naondel é um romance feminista, poderoso e muitas vezes doloroso. É sobre poder, opressão, ganância e principalmente, sobre a força que cada mulher tem dentro de si. A maior lição que esse livro carrega é que mulheres unidas podem superar qualquer coisa.
Uma leitura memorável e totalmente necessária.

site: www.instagram.com/estantecoloridadaisis
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Paulo 10/07/2019

Antes de mais nada, fica o meu aviso: tem detalhes extremamente violentos e cenas que insinuam ou apresentam estupro. Se você for uma pessoa sensível ou não gostar de obras que explorem essas temáticas, por favor, este não é um livro para você. É uma leitura inquietante e perturbadora em muitos momentos.

Se Maresi parece um conto de fadas com um pouco de violência no final, Naondel é a realidade nua e crua sendo atirada na sua cara. A gente percebe a capacidade da autora de criar cenas que perturbam de alguma forma os leitores, mas no livro anterior isso é bem reduzido. Por essa razão até que Maresi é um bom livro de entrada, além de debater ótimos temas feministas. Já Naondel é muito diferente. Eu levei uma semana para criar coragem e compor uma resenha do livro, tamanho foi o impacto que eu senti após a leitura. Não é um livro fácil de ser lido.

Temos sete mulheres que passaram por situações de violência (física, sexual ou psicológica... ou todas) em toda a sua vida. Até que em algum momento a situação é tão desesperador que a liberdade se torna a única saída possível para elas. Maria Turtschaninoff foi muito bem sucedida em criar uma atmosfera claustrofóbica e opressora na forma do palácio de Ohaddin. Naondel transborda violência pelas suas páginas. O antagonista usa e abusa de suas mulheres em benefício próprio. A sede de poder guia a sua mão opressora. Não há alento, não há esperança. Há trechos onde a violência é tão comum que as mulheres de seu harém apenas se rendem a ela e desejam que ela apenas acabe por algumas horas. Você vai se pegar derramando lágrimas por essas mulheres. Aliás, se isso não acontecer, eu sugiro você rever sua sensibilidade. Mesmo eu sendo homem, representante da opressão na narrativa, me senti incomodado com tamanha violência e desrespeito. Incomoda... Dói...

"A antiga Garai aguarda. Eu não a esqueceria, de novo não... Eu quero me dar novas cicatrizes, cortar, ver o sangue escorrer. Mas sei que seria errado. As feridas têm que significar algo. As cicatrizes têm que representar oferendas genuínas. Não posso me cortar apenas por alívio."

Não vou conseguir comentar sobre todas as personagens, portanto vou me ater apenas a algumas delas. Impossível não falar sobre Kabira, uma das protagonistas que possuem mais tempo de cena. Ela é uma guardiã da fonte Anji, que possui poderes místicos sobre a vida e a morte. Sendo a mais velha de suas irmãs, ela aprendeu os segredos da fonte. Quando ela conhece Iskan, sua inteligência a fascina. Ela o deseja e seu amor por ele a faz revelar os segredos da fonte. Como se ele fosse seu companheiro, seu parceiro. Mas, isso vai se provar apenas uma suposição tola, já que os desejos de Iskan desde o começo são por poder puro e simples. Talvez se formos pensar em tempo, Kabira é aquela que tem a sua vida mais destroçada em toda a narrativa. Seu amor é pisado por alguém que só desejava poder. Sua família é devastada para que seu marido pudesse ter o controle total e irrestrito sobre a fonte de poder. Seu poder de ser uma progenitora é controlado, pois seu marido deseja apenas homens e não mulheres entre seus herdeiros. Seus filhos lhes são tomados, pois representam o futuro da coroa. Sua única chance de felicidade lhe é tomado quando aquilo que ela mais ama no final de sua vida tem sua existência deturpada. Quando chegamos na segunda metade da narrativa, Kabira é um fiapo de gente, aguardando apenas a entropia, o nada, o vazio.

Em seguida temos Garai, a sumo sacerdotisa. Tendo sido vendida como escrava, ela é adquirida por Iskan. A personagem tem um contato profundo com a natureza e quando este lhe é retirado, sobra apenas a não escolha de ser objeto de alguém. Ela acaba precisando criar uma máscara na qual se transforma em alguém subserviente. O medo de morrer a disciplina. A gente acompanha a angústia que divide a nova Garai da velha Garai. O quanto ela sacrifica de si mesma a ponto de se tornar uma casca vazia. O pior vem quando ela se transforma em uma concubina de Iskan. O sexo se torna a sua razão de viver. Os abusos são diários e quando seu abusador deixa de frequentar seu quarto, ela teme por sua vida. Ser estuprada lhe garantiria mais um dia de vida. A violência se torna tão normal que ela deixa de ser violência para ela, e Garai passa até a ansiar por esses momentos. Um anseio atroz e torpe que ela vai perceber muito mais tarde e lhe rasgar a alma.

"O capitão não gostava que eu estivesse limpa e cheirando bem. Seu interesse desapareceu depois que eu tomei banho. Ele mandava me buscar, mas não todas as noites, e suas perversões diminuíram. Minhas feridas sararam."

Sulani é uma das que possuem momentos perturbadores. Sendo uma Guerreira do Rio, seus poderes místicos vinham desse contato com outra fonte de poder. Ela era uma espécie de guardiã do lugar. Durante as campanhas militares de Iskan, ele se deparou com uma forte resistência de Sulani e seus companheiros. Isso lhe infligiu inúmeras derrotas, o que o deixou muito irritado. Pior ainda era saber que uma mulher era responsável por tamanhas perdas. Quando ele capturou a personagem, ele buscou compreender de onde vinha o seu poder e sua habilidade. A partir daí ele tratou de dominar a personagem. Primeiro, lhe retirando sua habilidade, depois quebrando seu espírito. Alguns momentos da captura da guerreira são difíceis porque envolvem dor física. Momentos esses complicados e difíceis de ler. A perversão de Iskan está em machucar e domar a guerreira. Destruir os alicerces que lhe davam força. E ele se diverte com a dor.

Iskan é o antagonista do livro. Ele perpetua a violência. Está claro desde o início que ele enxerga as mulheres como objetos a serem usufruídos e depois abandonados. É um personagem desprezível. A autora o criou incorporando tudo o que há de mais obscuro no homem e conseguiu criar um vilão assustador. Esse sentimento fica porque ele pode existir em nossos corações. Em alguns de nós, ele é claro como dia enquanto em outros ele está em locais que a gente não quer que apareçam. O mote para Iskan é controle e disciplina. Somente quando ele está na controle é que seu semblante é calmo e sua violência é controlada. Mas, quando ele se perde, todos ao seu redor sofrem com seus instintos primais. Ele não respeita mulheres; para ele, elas são inferiores. Mesmo com Orano mais para frente vamos ver esse lado dele.

Aqui foi possível entender melhor como funciona a escrita da autora. Ela deu personalidade a cada um dos pontos de vista. Todas são narrativas em primeira pessoa e através de uma forma de escrever muito competente ficamos conhecendo o coração de cada personagem. Seja a forma contrita com a qual Kabira apresenta os fatos, o misticismo de Iona, o jeito rebelde de Clarás ou a falta de tato de Sulani. Senti falta de um trecho sendo tratado por Estegi. Ela é um personagem que parece ser invisível na corte, mas que deve ter presenciado muita coisa. Essa ausência contribui com essa visão de uma pessoa que sofre com a indiferença, mas ao mesmo tempo eu senti falta dela. A narrativa é clara e bem amarrada, deixando quase nenhum ponto solto. Achei só que o final foi um pouco rápido demais e eu gostaria de ter visto sendo explorado os primeiros momentos da Abadia Vermelha.

A construção de mundo neste segundo volume é mais eficiente. Em Maresi não houve muito espaço para realizar isto e esta foi uma falha boba até. Claro que isso pode ter sido por conta do isolamento de Maresi no universo do claustro. Aqui conhecemos um pouco mais da geografia e das características de Karenokoi e de seus vizinhos. As relações de poder também são exploradas e dá até para trabalhar elementos religiosos como a geomancia sagrada de Garai ou a magia de sonhos de Orseola. Está aí até algo que eu achei que dava para explorar mais: entender o mundo dos sonhos teria sido um acréscimo muito legal.

Minha crítica fica na revisão feita pela Morro Branco. Esta edição conta com muitos erros ortográficos e de concordância que vão incomodando. Quando eles são poucos, nem nos damos muita conta de que eles existem. Mas, aqui eles são numerosos. Um romance tão revelador como esse merece uma edição mais caprichada. Pode ter sido um pouco de pressa no momento da publicação até porque a editora não costuma errar neste quesito. Fica aqui o pedido para uma nova edição.

As Crônicas da Abadia Vermelha, sem dúvida, são uma série bem diferente. Com um primeiro volume sendo de entrada e até simples de ser lido e debatido, este segundo apresenta uma narrativa mais densa e até difícil de ser encarada em alguns momentos dado o nível de violência apresentado na narrativa. Mesmo assim, é uma daquelas leituras necessárias para nos chocar e nos fazer refletir sobre nós mesmos.

site: www.ficcoeshumanas.com.br
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Caio 02/07/2019

Sufocante...
O primeiro volume conseguiu manifestar em mim sentimentos ambíguos... e neste volume não foi diferente. Uma das fantasias mais tocantes que já li na vida, porque ela consegue encantar com este universo místico e ao mesmo tempo é sufocante e revoltante... em muitos momentos tive que parar para respirar... Parece ser um mundo tão distante, mas com olhar mais humanizado vemos muito da nossa sociedade... a ganância e a corrupção, a objetificação da mulher e o total desprezo pelo o outro... Por outro lado, é um livro forte, repleto de esperança sem ser romanceado a là ?água com açúcar?... uma narrativa que pautado sobre a perspectiva de personagens tão humanas, confusas, determinadas e repletas de medos e impelidas de coragem... pelo desejo de simplesmente poderem viver.
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Gramatura Alta 09/06/2019

http://gettub.com.br/2019/06/09/naondel/
Embora seja o segundo volume da trilogia de As Crônicas da Abadia Vermelha, sendo MARESI o primeiro volume, cuja resenha pode ser lida aqui, recomendo que NAONDEL seja lido primeiro, uma vez que conta a história das mulheres que fundaram a Abadia, décadas antes do que acontece no primeiro volume, e esse conhecimento deixará a história de MARESI ainda melhor.


Kabira é a filha mais velha da principal família da região de Ohaddin. Ela detém o segredo do poder de Anji, uma fonte de água que fica escondida na propriedade de seus pais, que na lua cheia pode dar a quem beber o poder sobre a vida e um conhecimento sobre o presente e o futuro, e na lua minguante, o poder sobre a morte e a destruição. Um dia, a família visita o Palácio do Soberano e conhece Iskan, o filho do vizir, que demonstra visível interesse por Lehan, uma das irmãs de Kabira, a mais bonita delas. Mas Kabira se apaixona por Iskan e utiliza a curiosidade dele sobre Anji para despertar seu interesse por ela. E isso era tudo o que Iskan desejava, acesso à fonte e ao seu poder.

Garai era uma guerreira do deserto, até que ela e suas irmãs foram sequestradas por exploradores e vendidas como escravas. Garai era jovem, muito bonita, e escapou da morte ao ser comprada por um homem rico e bonito. Mas ela se enganou ao pensar que estava salva. Iskan leva Garai para o palácio do Soberano, onde a transforma em sua concubina, a mulher que ele visita todas as noites, mesmo sendo casado com Kabira.

Orseola morava nas nas árvores à beira do rio e, como sua mãe, ela tecia sonhos. Ou seja, ela conseguia entrar na mente das pessoas quando elas dormiam. Mais ainda, ela podia conduzir os sonhos da forma que desejasse, mas isso era proibido. Por causa de um deslize, ela acaba cometendo um erro, é julgada, expulsa e deixada em um barco à deriva no mar. Ela não ficou muitos dias vagando, apenas o suficiente para considerar morrer, mas foi salva quando avistou um navio. Orseola achou que teria uma segunda chance, até que viu os sonhos do capitão do navio e, no dia seguinte, ela falou o nome que ele repetia: Anji. Foi assim que Iskan descobriu os poderes de Orseola e a levou para o palácio para que ela tecesse os sonhos do Soberano

Sulani era uma guerreira poderosa, de pele marcada pelas lutas, matou dezenas de soldados antes de ser capturada pelo exército inimigo e ser levada à barraca do comandante. Ele quebrou todos os seus ossos usando um poder que nenhum homem poderia ter, mas mesmo assim ela não morreu. Iskan descobriu que ela já tinha em seu corpo uma parte pequena das águas da fonte, que desaguavam no rio onde Sulani nasceu. Então, Iskan dá mais de Anji para Sulani para que ela se recupere e a leva para o palácio do Soberano.

Clarás trabalhava como meretriz no porto, mas sua falta de beleza não ajudava nos negócios. Até que um homem rico a escolheu. Ele era violento e parecia sentir um prazer com as mais feias. Ele a levou para seu palácio, onde já possuía várias mulheres. Iskan tinha planos para Clarás.

Iona era a mais diferente. Ela vagou por várias ilhas, até ficar em uma específica de onde vinha um poder diferente. Junto a si, ela trazia sempre um crânio. Um dia, um homem desembarcou na ilha e ficou sedento para conhecer os segredos de Iona e do crânio que ela carregava preso na cintura. Iskan levou Iona para seu palácio, onde ela passou a ser uma aliada imprevisível.

E temos Estegi, a serviçal que está presente e é cúmplice de todas, que detém um segredo que só é revelado nas últimas páginas do livro, e Daera, a última mulher a se juntar ao grupo, mas da qual não posso falar, porque é uma surpresa.

NAONDEL é o nome do navio que irá levar essas oito mulheres até a ilha de Menos, onde será fundada a Abadia Vermelha, e onde será o refúgio de qualquer mulher que seja perseguida, maltratada ou injustiçada. Isso nós sabemos quando lemos MARESI. O que não sabemos, é o que elas sofrem durante uma saga que compreende mais de 50 anos nas mãos de Iskan, um dos piores vilões que eu já conheci nas páginas de um livro.

Iskan deseja apenas uma coisa: poder. Para isso, ele precisa depor o Soberano; o Vizir, que é seu pai; e conquistar todas as regiões vizinhas. Anji é sua arma. A fonte de água transforma Iskan em mais do que um homem, em um monstro capaz de abusar de todas as mulheres que encontrar e matar qualquer um que ele pense que vai contra os seus planos. Qualquer um, mesmo que seja do seu sangue. Ele não é um vilão que existe apenas para a maldade e para ser o algoz das mulheres. A maldade do personagem é construída devagar, aos poucos, conforme cada uma das personagens entra em sua vida, ao longo de décadas. E sua crueldade aumenta nessa proporção de tempo, a um nível que beira a completa loucura.

Kabira é a personagem principal, a primeira mulher de Iskan, com quem ele se casa, que tem seus filhos e filhas – das quais também não posso falar -, que perde tudo e que suporta todos os anos futuros, com todas as outras mulheres que vão sendo trazidas para o palácio, e que espera o momento certo para colocar em prática um plano que a mantém equilibrada, longe do desespero e da necessidade de se matar. Tudo começa com ela, é ela quem dá a chave para Iskan conseguir o poder que precisava para a realização de seus planos de dominação. Kabira representa todas as garotas que já se apaixonaram pelo homem errado. Aquele homem que chega com fala mansa, promessas de futuro, mas apenas até conseguir o que deseja e, então, tira sua máscara e mostra o monstro que é nada verdade.

A força dessas oito mulheres representa a sororidade feminina em sua essência, em sua plenitude, em seu estado bruto e conceitual. Elas são totalmente diferentes entre si, sofreram abusos, estupros, torturas, abortos, tiveram a liberdade suprimida, são escravas sem futuro, mas, mesmo assim, diante de uma oportunidade, conseguem conquistar a confiança uma da outra para confrontarem o diabo em pessoa. Elas vão além disso, e constroem uma utopia onde todas do mesmo gênero podem se sentir seguras. Um paraíso longe do sofrimento e da injustiça.

A habilidade da autora, Maria Turtschaninoff, em construir uma narrativa recheada de crueldades, sem parecer apelativo, mas algo totalmente orgânico, dentro do contexto, é incrível. O que mais existe em NAONDEL é respeito pelas personagens, pelo que elas sofrem, e pela mulher que está lendo. Em momento algum, nem sequer em uma pequena parte, nem em uma frase ou um parágrafo, a autora excede o estritamente necessário para fazer o leitor compreender o que está acontecendo. Existe estupro? Vários. Abusos? Muitos. Nenhum deles é descrito com detalhes, apenas mencionados em curtas frases, pouquíssimas palavras, e muitas vezes apenas insinuado. O que move a história não é o que as personagens sofrem, mas a força que elas criam para continuarem vivas e se salvarem. O importante é contar quem elas são e no que elas se transformaram, e não o que Iskan fez com cada uma delas. E essa decisão vai de contra o que a maioria das autoras faz, quando utilizam o estupro, o sexo, como uma atração dentro da história, uma forma de prender a atenção do leitor.

Eu gostaria de comentar muito sobre o que acontece em NAONDEL. Falar sobre o que Kabira sofre, o que acontece com suas filhas, o que acontece com seus filhos, como Iskan vai se tornando cada vez mais louco, mais cruel, qual o papel de cada uma das personagens dentro do palácio e qual a diferença delas para Iskan, o que elas planejam, entre muitas outras coisas, mas isso iria tirar a surpresa que o leitor recebe a cada página. E são muitas. Então, depois que você ler NAONDEL, volte aqui e comente o que achou. Acredite, você vai precisar discutir sobre.

NAONDEL é uma saga sobre sororidade, construída com muita inteligência, competência e respeito. Demonstra a força da mulher, não apenas para vencer, mas para suportar crueldades até vencer. E como unidas, elas são capazes de superar qualquer força física que seja imposta. A melhor leitura do ano, e uma das melhores da vida. Não se atreva a deixar de ler.

site: http://gettub.com.br/2019/06/09/naondel/
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