O Apanhador no Campo de Centeio

O Apanhador no Campo de Centeio J. D. Salinger




Resenhas - O apanhador no campo de centeio


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Gabriel Varizi 20/05/2020

"O Holden pode ser meio chato às vezes"
Comecei o romance sem saber quase nada sobre, apenas por recomendação de alguns amigos e o seguinte aviso "O Holden pode ser meio chato às vezes". E era. Ô se era. Em grande parte do início do livro revirei os olhos com seu comportamento temperamental, revoltado, odiando tudo e a todos (salvo algumas exceções). Mal sabia eu que essa pessoalidade com a qual são narrados três dias de sua vida seria exatamente o que me prenderia e me fizesse ter essa obra como uma de minhas favoritas.
A história é narrada em primeiríssima pessoa, com muitos elementos da linguagem oral, tais como gírias, repetições de palavras, e tantas digressões que, em alguns momentos, até parecem um fluxo de consciência. Mas é importante ressaltar que esse estilo de escrita, além de ser equilibrado a ponto de não ser cansativo, aproxima o leitor do personagem principal, então por mais que algumas de suas ações sejam moralmente questionáveis ou apenas não muito agradáveis, você entende o narrador e o que faz agir de tal maneira.
Ao longo dessa narrativa masculina, Holden te conquista, com uma sensibilidade que se vela ao início e chega ao seu ápice nos acontecimentos finais. Em qualquer momento da vida, é possível olhar para essa específica passagem da adolescência para a vida adulta (típico dos romances de formação) e se identificar com o personagem e suas questões. Afinal, quem nunca ficou muito confuso e pressionado com o questionamento "O que você quer mesmo fazer?".
Holden dá voz aos desajustados e essa voz não é necessariamente agradável, mas sempre sincera, com seu dialeto e jeito muito específico de falar. É a única voz que ele tem e é o instrumento que usa para ser ouvido e compreendido. Foi incrível a capacidade desse livro de me prender e sempre olharei com carinho na minha estante como um velho amigo.
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Trícia 30/04/2020

Inesperado
Desde que li o título desse livro pela primeira vez, ainda na adolescência, decidi que iria lê -li um dia. Qual foi minha surpresa ao descobrir uma história completamente diversa do que o título me inspirou por 15 anos.
Não vou dizer que a história não é interessante, mas talvez tivesse me causado mais impacto se tivesse lido naquela época.
A alma adolescente revelada com toda sua intensidade para alegrias, decepções, certezas temporárias.
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Júlia Tereza 29/04/2020

Em defesa de Holden Caulfield
Holden Caulfield é um garoto de 16 anos que, após ser expulso da escola, foge e fica vagando por Nova York, sem saber como dar a notícia aos pais. Ele é o narrador dos episódios que acontecem e nos faz embarcar em todos seus pensamentos durante a trama.
Na primeira impressão, Holden pode ser descrito como o típico "aborrescente" que odeia e reclama de todo mundo e que vai te irritar em vários momentos. É um personagem complexo, que assim como qualquer um nessa idade tem inúmeros defeitos e contradições.
Porém, se soubermos captar sua essência, ele também te fará rir demais com seus comentários sarcásticos e te fará até torcer por ele, porque, afinal, ele é muito mais que um adolescente chato. É também um menino profundo e sensível, um desajustado que não se encaixa em lugar nenhum, meio perdido e assustado, que usa sua revolta contra todos (menos as crianças) como barreira para se proteger de um mundo falso e hipócrita: o dos adultos.
No fim das contas, o que faz de Holden um personagem tão amado é que todos podem se identificar com ele em pelo menos um momento de suas vidas, pois em suas reflexões personifica as inseguranças e dúvidas quanto ao futuro, a sensação de fugacidade do tempo e o desejo de só querer voltar a ser criança novamente...
Eu, com apenas 15 anos, posso ser suspeita para falar, mas acredito que esse livro marcará minha vida para sempre.
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Felipe 27/04/2020

Gostei bastante do livro, tem uma leitura fluida. A trama é bastante boa!
O Holden é daqueles que ou você ama ou odeia, mas também temos momentos, eu achei o personagem bastante engraçado, há quem odeie por conta das inúmeras reclamações do personagem ao longo do livro, não me incomodou há uma sátira nas situações que eu achei bem cômico; resumo: é um clássico super recomendado! Valeu demais a leitura!
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Lorena.Mireia 16/04/2020

O porta-voz de uma geração invisível
Holden Caulfield é um dos mais emblemáticos personagens da literatura universal. Na época pós-guerra, em que os adolescentes e suas especificades não eram muito levadas em conta, este garoto entra em cena com todos os dramas, medos e conflitos típicos da faixa etária.
Holden reclama praticamente de tudo e de todos que o rodeiam. Destila sua ira contra a hipocrisia das pessoas, as convenções sociais e as pressões impostas pela sociedade. Embora pareça apenas um cara chato e sem perspectivas de futuro, em algumas passagens, ele revela um lado demasiado sensível, carinhoso, reflexivo, solidário e clemente.
No fim, conclui-se que é um bom rapaz que necessita urgente de ajuda para não sucumbir à depressão.
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Duda 12/04/2020

O clássico que não se encaixa no século XXI

Um clássico da literatura norte americana. Escrito antes da década de 60, a qual por sua vez é marcada pela revolução da juventude ou revolução sexual, principalmente, pelo festival woodstock. Assim, O Apanhador no Campo de Centeio retrata um período, no qual os adolescentes ainda eram reprimidos por pressões sociais, como conseguir um emprego e construir uma família. Ou seja, a fase da juventude era marcado pela angustia de chegar a vida adulta. Essas pressões são bem representadas por Holden Caulfield, o protagonista. Ele é o típico adolescente incompreendido da década de 50. Com raiva da vida e suas injustiças, mas não conseguindo ver seus próprios privilégios. A narrativa do livro são 3 dias da vida desse adolescente que está perdido e não quer viver a vida de um adulto. Posto isso, começo minha crítica. Reconheço a genialidade desse livro, sobretudo o título desse romance que acredito ser um dos mais fantásticos já escritos. No entanto, como leitora do século XXI, não consegui me conectar com Holden. Compreendi a frustração dele com a sua vida, porém as atitudes dele com as pessoas ao seu redor, na minha opinião, foi o que tornou a história não tão apreciável. A parte da narrativa que mostrou Holden como um personagem egocêntrico foi no encontro entre ele e Sally. Sendo assim, ele crítica a sociedade por suas hipocrisias, mas ele é hipócrita em muitas de suas falas. Compreendo ele ser assim, pela época em que o livro foi escrito, mas não consegui que ele fosse um dos queridinhos da minha vida literária por esses aspectos que citei.
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Godinho 12/04/2020

Salinger e o rebelde sem causa
Escrito de maneira fragmentária na década de 1940 e publicado como livro após a guerra, O apanhador no campo de centeio é um livro de uma geração. Parece-me ser essa sua limitação que poderia, ao mesmo tempo, ser considerada ponto forte. Ele se assemelha ao espírito exprimido por Juventude transviada, baseado numa juventude que cresceu revoltada com e reprimida por uma felicidade artificial, forçada, produzida pelo American way of life do pós-guerra.

O tema da revolta não impressiona mais a minha geração nem, talvez, as mais novas. Ao menos porque da década de 1980 em diante o mundo passa pela corrosão social e climática intensa, diante das quais a revolta não basta. A solução seria apenas uma: revolução. Por essa razão esse livro de J.D. Salinger pode parecer enfadonho se lido esperando uma mensagem atemporal. Pois não é bem por aí. Ao contrário, O apanhador é um livro muito bem temporalizado e, por isso, é mais uma fotografia (captura instantânea) do que uma pintura (representação articulada ao longo do tempo).

Recentemente, assisti a um ícone do cinema musical, Grease, lançado no final da década de 1970 e ambientado na década de 1950. Pouco mais de duas décadas foram suficientes para transformar os anos 1950 em um período glamourizado: do adolescente revoltado, que não vê sentido na convivência e na busca incessante pela felicidade e satisfação pessoais de seus pais e concidadãos mais velhos, passamos ao adolescente revoltado que o é por simplesmente ser cool. A personagem de John Travolta é uma pessoa com a namorada estrangeira na praia; outra com os amigos da escola. De fato, um rebelde sem causa — totalmente diferente, porém, da personagem de James Dean (que figura nos pôsteres dos quartos das adolescentes no filme de Travolta), cuja angústia é inexprimível diante de seus pais e exprimida em ações inconsequentes dentre seus amigos.

O protagonista de Salinger é em todas as medidas o mesmo interpretado por James Dean no cinema. Juventude transviada, porém, pareceu-me representar melhor o sentimento de angústia da geração. Ou, talvez, (e agora é o ponto que finalmente queria chegar), o tradutor dessa edição tenha se excedido. Durante a leitura, minha impressão sobre o narrador e protagonista era, para usar uma palavra de seu próprio vocabulário traduzido, de um sujeito fajutão. Um canastrão, enganador, ele sim o verdadeiro rebelde sem causa. Em retrospectiva, essa impressão pode ter sido causada pelo peso da mão do tradutor.

Em certa passagem dessa tradução, o protagonista chama um colega estudante de "merdinha". Estranhei porque, até aquele momento, não havia essa entonação nas provocações e maledicências da personagem. Curioso, procurei pela internet uma versão do texto original. Fiquei surpreso, então, ao ver que "merdinha" foi evocado do vácuo pelo tradutor. Eu esperava encontrar o típico xingamento do inglês "little shit". Dei de cara com um trecho que, no geral, correspondia a tudo descrito pelo tradutor perfeitamente — exceto esse termo, que inexistia. Não cotejei mais nada. Continuei o livro e me enfezei com o narrador. Terminei insatisfeito, quase dando graças a Deus.

No fim das contas, O apanhador não é um livro ruim, mas, também não o achei excelente. Pode ser que a mão do tradutor tenha pesado minha balança para o lado negativo; isso só se resolverá no futuro, se um dia estiver disposto a ler o original. Por enquanto, fica a impressão de que poderia ter sido melhor.
Jana.Paim 05/10/2020minha estante
caro, vc lembra em qual parte aparece esse merdinha?
abraços




eliza.dias 03/04/2020

Um retrato da adolescência
O Apanhador no Campo de Centeio traz uma perspectiva da vivência da adolescência pelos olhos de Holden, um garoto triste e solitário e um tanto quanto perdido. O autor consegue dar voz a confusão, os medos, os desejos, as fantasias de fuga tão marcantes da fase em uma linguagem bastante adolescente.
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nataliaknows 01/04/2020

O divertido retrato de um adolescente americano nos anos 40.
O Apanhador no Campo de Centeio possui o título mais enganador de todos - não há campo, nem centeio. O que há, de fato, é a história de um adolescente bastante particular: bondoso, mas mentiroso; crítico da sociedade, mas perdido nela; claramente inteligente, mas um péssimo aluno.

O livro todo se passa em apenas 3, 4 dias, em regiões próximas de (e na própria) Nova Iorque. É um livro engraçado, despretensioso e que retrata muito bem a sensação de ser adolescente, seja hoje ou nos anos 40.
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30/03/2020

Um livro bacana sobre coisas fajutas
A maior parte das pessoas que eu conheço acham o Holden um menino muito chato. Eu só consegui enxergar um menino em sofrimento.
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spoiler visualizar
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Emanuell K. 21/03/2020

Releitura do Apanhador no campo de centeio! Que livro! Fez-me refletir sobre a vida de adolescentes, os meandros dessa época e a densidade da realidade pessoal que as vezes se distância ou se aproxima do mundo!
Caulfield é um personagem muito complexo que apresenta sua vida de uma forma sinuosa no começo, até que entra em estado confessional. Meus sentimentos por ele foram contrastantes e reflexivos. Sei que não saí o mesmo após terminar esse livro!
Brilhante!
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Milly1234 20/03/2020

Só Jesus na causa
Gente... eu só terminei de ler esse livro porque eu me forcei a terminar. Esse menino me deu muita raiva
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João 16/03/2020

Phony!
Meu primeiro contato com Holden Caulfild foi em 2015 para uma matéria de faculdade; na época eu tinha meus 19 anos. Provavelmente o meu primeiro clássico lido na vida. Eu estava com medo. Estava lendo um clássico em inglês pela primeira vez.

Eu me apaixonei. A sensação de ler e entender me blindou de notar alguns fatos ao longa narrativa. Na época eu o li duas vezes. Incrível. Mágico. Doideira.

Hoje, em 2020, tenho meus 24 anos. Cinco anos se passaram e desta vez eu li em português, na nova edição da Todavia.

A leitura ainda foi incrível e mágico e uma doideira, mas jamais posso dizer que a visão de antes continua no agora. Nos EUA o Holden é tido como o símbolo da rebeldia adolescente (e masculina). Sério? Uma pessoa que é expulsa da escola e passa três dias num limbo entre ir ou não para casa tendo dinheiro para ostentar os luxos de pegar vários táxis mesmo quando a grana está acabando... a pessoa que ajuda freiras com doações financeiras... as pessoa que vive um conflito interno seguido de outro conflito interno por estar vivendo uma certa depressão profunda é tida como símbolo de rebeldia.

Holden está num certo lugar narrando um certo momento de sua vida e suas linhas de pensamento ao londo desse certo momento.

Holden além de ter perdido um irmão presenciou o suicídio de um colega. Holden que reclama do irmão mais velho por ter vendido sua criatividade por dinheiro. Holden que tem medo de ver sua irmãzinha deixando de ser zinha...

Esta é uma história de uma pessoa que sofre e não recebe a ajuda necessária. Esta é uma história que representa o quanto somos marcados pelos acontecimentos que nos cercam.

Com certeza esta releitura (ou nova leitura?) foi importante pra mim. Em 2015 eu me identificava com a rebeldia de Holden. Em 2020 eu me identifico com os transtornos por ele vividos.

ps.: A tradução não abre espaços para críticas negativas, o fluxo de consciência de Holden é marcado fortemente pela oralidade. Esta nova edição pode facilmente ser lida em voz alta e soar completamente natural aos nossos ouvidos.
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PuddingPop 06/03/2020

Os patos do lago do Central Park não sabem de si
Para onde vão os patos do lago do Central Park, em Nova Iorque, quando chega o inverno e a água congela?

Quem é leitor sabe que tem livros que quando você descobre, mentalmente já imagina: preciso ler esse livro! O Apanhador no Campo de Centeio foi esse livro pra mim por muito tempo, por ?n? motivos nunca consegui ler, mas eis que quando, recentemente, a Todavia noticiou que iria publicar o livro com sua capa original eu já sabia que agora ia acontecer, ou seja, finalmente iria ler o mítico livro do recluso e misterioso Salinger.

Imbuído desse pressuposto, finalmente, conheci nosso amigo Holden Caulfield, aliás foi o próprio que me contou sobre dois dias de suas andanças por Nova Iorque quando tinha 16 anos e resolveu sair do colégio preparatório onde foi reprovado (não era a primeira vez que o fato ocorria), era domingo e os pais iriam buscá-lo na quarta-feira, mas ele resolveu sair antes daquele ambiente que o oprimia, mas sua aventura pela Big Apple não se mostrou satisfatória, afinal estava cheia de gente esnobe e fajuta...

Acho que um dos motivos da mística do livro está neste título enigmático: O Apanhador no Campo de Centeio, é a tradução literal do título original, The Catcher in the Rye. Jorio Dauster, o primeiro tradutor da obra, diz que sua intenção era usar o título A Sentinela do Abismo - que faz todo o sentido para quem leu o livro- mas os agentes literários foram peremptórios no sentido que fosse usada a tradução literal ou então não seria publicado. O título é uma referência a um poema do escritor britânico Robert Burns, que acabou se tornando uma cantiga infantil, chamado ?Coming through the rye?, ou seja, atravessando o campo de centeio, mas Holden faz uma apropriação do poema e muda um dos versos que diz ?encontrar? alguém no campo de centeio para ?apanhar? alguém no campo de centeio, e o contexto você só vai entender no caso de ler o livro.

Muito já se falou sobre esse texto, então só vou deixar minha breve interpretação: Holden é um adolescente emotivo, atormentado por fantasmas da vida real, que gosta da simplicidade, como se fosse um adolescente imbuído pelo espírito de Henry David Thoreau, o campo de centeio é seu mundo idílico, um paraíso natural, mas em volta do campo há precipícios, que representam o american way of life, ou seja, tudo que o garoto detesta.

Mas? e os patos do Central Park? para onde vão quando chega o inverno e o lago congela?
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