Sobre o autoritarismo brasileiro

Sobre o autoritarismo brasileiro Lilia Moritz Schwarcz




Resenhas - Sobre o autoritarismo brasileiro


10 encontrados | exibindo 1 a 10


Fabio Henrique 14/06/2019

"(...) quanto menor o índice de escolaridade, maior a aposta em soluções autoritárias e pouco afeitas ao diálogo".

Brasil contemporâneo explicado em uma frase.
regifreitas 17/06/2019minha estante
não discordo, Fábio. mas, infelizmente, vejo também tanta gente escolarizada, que teve acesso aos melhores colégios e à melhor educação, acreditarem em saídas autoritárias e antidemocráticas para resolverem os problemas do país! a falta de diálogo está presente em todas as classes. fala-se muito, mas ouve-se pouco hoje em dia!




Maurício 12/08/2019

Livro ruim de uma escritora boa
Iniciar esse livro no final do ano passado (quando se tornou evidente a derrota do PT) e publicá-lo às pressas, no início desse ano, já revela a intenção polêmica do livro. Mesmo assim, eu esperava uma argumentação melhor, considerando a qualidade dos livros mais profissionais que essa autora já publicou. Para começar, o argumento fundamental - que norteia toda a obra - é que a sociedade brasileira enveredou para um velho autoritarismo de raiz, a partir das marchas populares de junho de 2013, desembocando na vitória de Bolsonaro à presidência, em 2018 (apesar desse nome nunca aparecer, a fim de se dar um ar mais "acadêmico" ao texto).
A tese é, rigorosamente, falsa, uma simplificação oportunista que os intelectuais petistas criaram e que Lilia Schwarcz aderiu por um senso de dever ideológico (apesar dela própria ser muito superior a esse tipo de panfletagem). As marchas de 2013 marcam uma reação democrática a um projeto de autoritarismo esquerdista que tentava se legitimar pelas urnas, mas com todo tipo de manipulação, corrupção, aparelhamento e arrogância que vimos em diversos exemplos no século XX e que, recentemente, assistimos na Venezuela. A vitória de Bolsonaro foi resultado de um conjunto complexo de fatores (cujo principal talvez seja simplesmente o voto útil de democratas que votariam em qualquer um para impedir a volta do PT).
Dito isso, reunir apressadamente um monte de estatísticas e velhas mazelas brasileiras para "provar" que o brasileiro "optou pelo autoritarismo" é um embuste. O governo petista não conseguiu convencer a sociedade de que estava tentando construir um projeto democrático e foi derrotado (justa ou injustamente) pelos que temem o autoritarismo, e não o contrário. Não estou de forma alguma tampando o sol com a peneira: temos uma tradição autoritária, mas não é essa tradição que explica a falência do projeto socialista no Brasil. Muito ao contrário, é a força de uma tendência contrária, abolicionista, federalista, republicana e tolerante, que luta para superar os vícios do Estado autoritário que marcou nossa formação histórica e do qual os socialistas ainda sonham em reconstruir, agora sob seu controle. A derrota de Haddad (fosse para quem fosse) representou um veto popular a uma solução autoritária para nosso velho autoritarismo.
João Moreno 13/08/2019minha estante
"Projeto socialista no Brasil"?


Jaqueline 30/08/2019minha estante
"um veto popular a uma solução autoritária para nosso velho autoritarismo", valei-me.


Verlan.Neto 04/09/2019minha estante
Projeto socialista no Brasil? O que se vê agora é "força de uma tendência contrária, abolicionista, federalista, republicana e tolerante, que luta para superar os vícios do Estado autoritário que marcou nossa formação histórica e do qual os socialistas ainda sonham em reconstruir, agora sob seu controle"? ? sério isso? Em nenhum momento a autora tece críticas contundentes os governos petistas? Em nenhum momento o caso atual brasileiro é inserido num contexto internacional mais amplo, em que figuram países como EUA, Hungria, Turquia, Venezuela e por aí vai? Enfim...




Letuza 14/08/2019

Necessário
Mais um livro daqueles que chamo de ?necessários?!! Trabalho maravilhoso da autora Lília Moritz Schwarcz! O livro traz, de forma simples e didática, história, dados, e reflexões sobre a origem do comportamento autoritário no Brasil. Apesar de crescermos escutando que o brasileiro é tolerante, pacífico, ?mente aberta?, democrático, a realidade se mostra muito diferente. Dados analisados no livro e, disponíveis para quem quiser pesquisar, expõem um Brasil bem diferente, um Brasil intolerante, preconceituoso, autoritário, conservador (no pior sentido da palavra). Infelizmente, não vivemos em um ?paraíso democrático?, é o que esse livro revela. A leitura é fácil, os dados são muito bem explicados. Destaque para o capítulo que trata sobre Educação, com reflexões muito boas. Adorei a leitura! Recomendo fortemente! #livros #leitura #amoler #sobreoautoritarismobrasileiro #liliaschwarcz #realidadebrasileira
Mel 19/08/2019minha estante
Concordo com o que você escreveu. Leitura necessária.




regifreitas 30/06/2019

SOBRE O AUTORITARISMO BRASILEIRO (2019), de Lilia Moritz Schwarcz.

A antropóloga Lilia Schwarcz faz uma análise atual e necessária sobre as origens do autoritarismo na sociedade brasileira, da colonização até os dias de hoje.

A escravidão deixou marcas profundas, e o seu resultado é visível hoje em uma parcela da população que é marginalizada e sofre por conta de um racismo estrutural. Igualmente, boa parte da desigualdade social no país é fruto desse passado escravocrata, aliado a uma lógica de dominação de latifundiários e coronéis, que detiveram o poder econômico e político durante grande parte da nossa história.

Também vem desde a colonização a falta de limites, de governantes e governados, no que se refere ao trato entre o público e o privado. Usar o Estado para proveito próprio é algo tão antigo como o país. E a corrupção não é exclusividade das instituições públicas. Existem as pequenas corrupções diárias, o “jeitinho brasileiro”, formas de burlar as leis e as normas no cotidiano. Contraditoriamente, algumas dessas mesmas pessoas engrossam o coro daqueles que se revoltam e vociferam contra os políticos na arena pública da internet.

Ademais, as violências contra negros, mulheres e a comunidade LGBTTQ parecem ter recrudescido nos últimos anos. Mesmo com todas as campanhas de conscientização e o maior rigor imposto pela legislação, esses estratos da sociedade continuam a ser os mais atingidos por crimes e mortes.

A imagem de um povo progressista, aberto à diversidade e sem preconceitos, não resiste a um olhar mais crítico da autora. Existe, sim, uma parcela profundamente conservadora na nossa sociedade. E o que é pior: atitudes e discursos antes camuflados e dissimulados por boa parte dessas pessoas, hoje são verbalizados, alardeados e até celebrados abertamente nas redes sociais, sem qualquer pudor.

É uma leitura que não deixa de trazer sua cota de desesperança e desconforto, pois, conquistas mínimas, que custaram sacrifícios de gerações passadas, correm sérios riscos de se perderem no atual estado das coisas.
comentários(0)comente



Fernando 22/09/2019

Livro necessário!
Quem quer começar a discutir qualquer questão sobre o Brasil atual e nossas raízes históricas, esse livro é ideal.
comentários(0)comente



Dinha ... 29/10/2019

Em tempos obscuros como o atual leituras como esta são fundamentais para entendermos como chegamos a este ponto. Numa escrita de fácil acesso Lilia Schwarcz, através de oito tópicos, nos faz compreender o Brasil.
comentários(0)comente



Ronan 15/07/2019

O que vemos ao nos olharmos no espelho como nação?
Ler essa obra neste momento da História brasileira que atravessamos é, no mínimo, elucidativo e catártico. A autora pretende compreender nessa obra um período recente, dos protestos de 2013 até agora, incluindo a posterior eleição do atual governo. É referido por ela que esta obra é quase que uma continuidade de “Brasil: uma biografia” também de sua autoria.
Para mim, brasileiro, 35 anos, ler essa obra é como encarar o espelho enquanto país, em outras palavras, é tentar enxergar o Brasil com lucidez, um Brasil despido. Me assustei com o que vi, acho que por isso nos recusamos a nos olhar com tanta frequência ou mesmo a nos reconhecermos, criando personas alternativas e falaciosas. O que eu vi? Aquilo que autora aponta como as origens do nosso autoritarismo, que é o mote do livro:
Uma herança INDELEVEL da escravidão e do racismo, que permeiam todas as nossas relações sociais e econômicas. O mandonismo dos nossos políticos que agem como se fossem todo poderosos, que formam clãs nos estados e que governam por gerações a fio e exercem seus cargos confundindo o público e o privado naquilo que a autora denomina de patrimonialismo. Um Estado que consequentemente é corrupto, refletindo uma sociedade que também o é. Como fios condutores temos uma desigualdade monstruosa, pontuada pelos clivos de gênero, raça e distribuição de riquezas e que se estende aos diferentes graus de acesso a serviços como educação e saúde. Como não poderia deixar de ser, a violência é generalizada, até como forma de manter esse sistema coeso apesar de tantas tensões, a violência também obedece aos mesmos clivos da desigualdade.
Esse caldo é fértil de intolerância, que, por sinal, na opinião da autora, está sendo incitada pelo modelo político em voga desde a eleição de 2018. Um modelo que se apresenta como uma solução nova, com uma roupagem nova mas com receitas para lá de batidas que se resumem à manutenção ou ao agravo desses elementos mencionados como sendo a origem do nosso autoritarismo. Para ela, o fortalecimento da educação, instituições, constituição, democracia(não como fatores acabados mas como elementos em constante reconstrução) e também a implementação de direitos (e não sua retirada) poderiam sinalizar um futuro alternativo mais promissor frente a atual voga autoritária.
comentários(0)comente



alex 15/11/2019

Leitura mais q necessária para quem quer pensar o país com racionalidade e ciência
Histórico e presente!

"Vivemos um período de recessão democrática (...)" (p. 236)
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Sil 19/07/2019

Livro necessário
Olá pessoas,
Antes de começar a resenha, vamos só esclarecer um termo:
O que é autoritarismo?
Segundo o dicionário:
Qualidade do que ou de quem é autoritário.
Conjunto de princípios ou procedimentos autoritários.
Segundo a Wikipédia:
Autoritarismo é uma forma de governo que é caracterizada por obediência absoluta ou cega à autoridade, oposição a liberdade individual e expectativa de obediência inquestionável da população.
O livro Sobre o autoritarismo brasileiro da autora Lilia Moritz Schwarcz, conta exatamente como, desde o princípio, fomos ensinados a obedecer cegamente, e com argumentos e dados, nos mostra que aquela velha história contada para todos, de que “Brasileiro é um povo receptivo”, “sofredor mesmo é o povo brasileiro”, “Deus é brasileiro” nos faz sentir especiais, mas que é tudo mito. A prova disso é que mais da metade do país é ou se considera negro/mulato/pardo e por coincidência ainda é a população mais pobre, com mais desigualdade, com o maior índice de mortes, com o maior índice de analfabetismo... e isso tudo ainda é um reflexo da escravidão, que gerou o racismo e impede a nossa democracia nos dias atuais.
Logo no início a autora começa explicando a origem que tivemos. O Brasil foi essencialmente colonizado por três povos: os índios (nossos habitantes naturais), os negros (forçados a vir para cá como escravos), e os europeus (os brancos que criaram a confusão toda), e mostra como as desigualdades e o patrimonialismo criaram o autoritarismo no Brasil. Já na época da família real portuguesa, os moradores das casas mais bonitas do Rio de Janeiro (na época, capital do Brasil), foram obrigados a saírem de seus lares, para abrigar a corte portuguesa, que veio para cá em grande massa.
A nossa tão conhecida corrupção também já teve origem naquela época. Com a chegada dos portugueses, foi necessário criar novos postos, títulos e ministérios, para que assim todos tivessem as devidas honrarias que já tinham em Portugal e pudessem assim continuar fazendo nada e usufruindo das regalias concedidas aos nobres aqui no Brasil.
A autora também explica algumas coisas simples, mas que talvez algumas pessoas não saibam ou não entendam o real motivo de existir, como por exemplo, as cotas para os negros nas universidades. Já ouvi muitas pessoas questionarem: Mas se brancos e negros tem direitos iguais, por que negros são favorecidos com cotas nas universidades? A resposta á essa pergunta a autora dá no livro: “ Trata-se de políticas compensatórias e transitórias que procuram desigualar para depois igualar. Buscam reparar injustiças históricas de grande impacto na educação e na inclusão das populações que foram alijadas de uma formação escolar formal, durante longo tempo”. Se formos para colocar no português bruto, a resposta para essa pessoa seria: Porque há 100 anos, a avó ou bisavó da atual geração negra estava apanhando no tronco ou servindo em uma casa branca. Enquanto a avó ou bisavó da atual geração branca estava sendo servida por negros e acumulando riquezas. Quando a liberdade aos negros lhes foi concedida, não houve um planejamento ou algum programa social para que eles fossem inseridos na sociedade com dignidade. Não lhes foi dado uma terra para plantar e cultivar, não lhes foi dado um emprego para que pudessem obter seu sustento. Eles tiveram que começar do zero, sem posses, sem uma terra ou casa para chamar de sua. E infelizmente esse quadro está refletindo nas atuais gerações, onde a população negra está começando a entrar mais nas universidades, enquanto os brancos estão vários passos á frente. As cotas estão ai para dar chance de igualarmos essa situação. Ainda sobre essa questão, li recentemente um comentário nas redes sociais que dizia mais ou menos o seguinte: “Pessoas brancas, em uma sociedade majoritariamente negra, vocês não ficam surpresos quando vão á alguma festa ou evento e só veem brancos? ”. Por esse motivo quando ouvimos a tal frase de que não existe preconceito no Brasil, proferida pela boca de algum líder político, é o autoritarismo falando. E pelo que me lembro, isso esta sendo bastante praticado no governo atual.
A autora também nos apresenta dados de mortes e mutilações para com a população LGBTQ no Brasil, e os mesmo são alarmantes. A autora aborda ainda muitas coisas no livro, as quais não pretendo me aprofundar agora, para não me estender. O fato é que este é um livro necessário e muito atual para todos nós. Consegue esclarecer algumas coisas que vem acontecendo e nos dar um panorama geral do que já aconteceu, sem falar que ainda nos deixa apreensivos com o que ainda pode acontecer.
Abraços.


site: www.revelandosentimentos.com.br
comentários(0)comente



10 encontrados | exibindo 1 a 10