Jude, o Obscuro

Jude, o Obscuro Thomas Hardy




Resenhas - Jude, o obscuro


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Fer. 10/08/2020

Espectral
Eu amei os personagens, foram bem construídos algo mais realista, diferente do que estavam escrevendo na época. Ele questiona religião, capital e matrimônio. Por alguns instantes me peguei sensível e triste, foi delicioso ler essa obra.
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Luigi.Schinzari 27/07/2020

Casamento e Miséria
Um tipo de narrativa que cativa facilmente o leitor é o Bildungsroman, o romance de formação, em que acompanhamos uma protagonista crescendo e evoluindo em seus pensamentos enquanto vivencia momentos-chave para sua construção. É fácil a identificação, portanto, porque todos vivemos um pouco disso em algum momento de nossa vida. Alguns exemplos de obras assim são os clássicos "David Copperfield" e tantos outros livros de Charles Dickens, "A Montanha Mágica" de Thomas Mann, o pioneiro "Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister" de Goethe e, entre este panteão de peso, o "Jude, o Obscuro" (1895), do inglês Thomas Hardy (1840-1928), clássico vitoriano que quebrou muitos paradigmas e gerou muita repercussão (principalmente negativa) em sua época e, veja em qualquer lista escolhida por acadêmicos respeitados, consta em qualquer classificação dos maiores romances de todos os tempos.

A história do jovem e sonhador Jude Fawley, que sonha em entrar para a vida acadêmica na sonhada e idealizada cidade (fictícia mas inspirada na cidade de Oxford, como acontece com todas as outras cidades citadas no livro, à exceção de Londres) Christminster e acaba se deparando com dois amores conturbados -- forças motrizes do romance e tão importantes quanto o próprio Jude --, Arabella Donn e Sue Bridehead, esta sendo sua prima, muitas desilusões ao longo de sua jornada (acompanhamos Jude do fim de sua infância até seus 29 anos) -- tudo conspira contra Jude, até mesmo ele e sua dita obscuridade: nada mais que sua ambição, suas contradições e seu gênio forte, vale citar; e, em um meio promissor, o principal: o declínio por conta das amarras auto impostas pelos jovens amantes.

Hardy, como bom inglês, explora a miséria como ninguém. Trata de machucar suas personagens, quebrá-las sem dó, por vezes às deixa ver um feixe dentro de suas vidas chafurdadas pela desgraça, mas logo trata de derrubá-las novamente em um poço ainda mais fundo. O clima miserável é fucral para a obra, e o adentrar ao obscuro, usando-me do título, é a trilha escolhida pelo autor para contar sua história.

Se existe um tema central na obra-prima de Hardy é o casamento. O autor analisa nas relações de Jude com suas duas musas díspares e nas de seus coadjuvantes como deve ser uma relação propriamente dita e as mazelas acometidas pelo amor forçado e emburrado; amor, aliás, entre aspas, nesse caso: Hardy acredita que é impossível existir amor em uma relação forçada; o erro cometido pela falsa percepção do amor ou pela forma como eram firmados os casamentos antigamente (hoje algo aparentemente distante de nossa sociedade) cresce como um tumor até desgraçar a vida dos cônjuges. Este é o cerne do romance de Hardy. Pode parecer até pessimista a visão do autor em uma primeira e rasa observação, mas ele não condena todo o casamento; muito pelo contrário: Hardy condena justamente o amor fingido e mascarado; ele implora e nos alerta que uma relação fadada ao fracasso desde o começo não dará jamais bons frutos; melhor cortá-la pela raiz a continuar alimentando o câncer.

As relações de Jude com Arabella e Sue, de forma diferente, vão consumindo todas as personagens de forma semelhante em sua graduação mas de formas diferentes; e é desesperador ver a vida promissora deles, principalmente de Jude e Sue, ambos extremamente cultos (especificamente Sue, que se tornou uma referência às marchas sufragistas do começo do fim do século XIX e começo do século XX por conta de sua independência e obscuridade, nos termois impostas ao seu primo e amante igualmente).

Cada personagem, por si só, é um mundo inteiro: Jude é ambicioso; Sue tem opinião forte e reserva muita inteligência; Arabella é maquiavélica e ganaciosa; Mr. Phillotson, primeiramente um exemplo a Jude, é o retrato, mais a frente do romance, da postura de um homem decente -- todo o cosmo criado por Hardy é perfeito, e por isso é tão trágico ver o mal acometido a esse núcleo cativo com o passar dos anos e da construção e desmoronamento de suas relações, ora estreitas, ora abaladas. Junto a isso, temos alinhada à prosa simples e muito rica de um autor muito perspicaz e que sabe muito bem a história que quer contar e a forma como irá contá-la, não se valendo de arroubos poéticos nem nada do tipo: Hardy é seco e nos dá verdadeiros sopapos para retratar a dureza da jornada de Jude. Não há amarras para você ler, pois o texto é simples, em uma lida superficial, o que facilita a leitura deste clássico pelo leitor novato (mas o experiente que ainda não o conhece deve lê-lo imediatamente do mesmo modo caso tenha deixado passá-lo).
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Eduardo 18/07/2020

Penso que todo livro que originalmente foi publicado em Folhetim se deve ter paciência ao ler. Outro formato, outro público alvo. Ainda mais um livro que tece críticas à sociedade vitoriana. Na verdade, esses romances clássicos são melhor lidos quando se contextualiza o livro em sua época. É um ótimo livro.
Vinland_ 18/07/2020minha estante
Eu tenho problemas com esses livros escritos em folhetim, quando eles são muito grandes, porque é certeza de encheção de linguiça do autor, já que na época eles ganhavam por capítulos né. Um exemplo foi aquele David Copperfield que todo mundo adora. Aquele livro se tivesse 500 páginas a menos não faria diferença nenhuma pro andamento da história.




gimellomiranda 08/07/2020

Resenha: Jude, o obscuro
Em síntese: surpreendente! Enrolei muito para ler esse livro e pensei que a leitura seria muito arrastada, especialmente em se tratando de um clássico de Thomas Hardy.
De fato, não é um livro leve. É uma leitura bastante crítica e traz um contexto histórico bem completo do período em que se passa (Inglaterra na era vitoriana). Hardy traz uma história de Jude de uma forma pessimista, retratando as dificuldades de um jovem sem perspectivas que deseja seguir com a carreira académicas e que, no desenrolar da trama envolve-se com duas mulheres: Arabella, a primeira esposa, e Sue, o amor de Jude.

Essa edição da TAG é muito bonita e possui notas de rodapé que indicam os trechos que foram retirados na publicação em folhetim por serem consideradas ?indecentes?, além de um guia cronológico e um comparativo com as cidades fictícias mencionadas por Hardy e os locais que de fato foram inspiração para o livro.

Acho que cabe a advertência que é um livro triste e pesado, mas que vale muito a pena ser lido pela forma crítica e brilhante como o autor pontuou tantas amarras da sociedade da época, a rigidez das instituições e o mal causado por toda essa pressão e falta de empatia social.

É uma obra incrível e que faz jus ao título de clássico, pois sempre será atual. Recomendo a leitura!
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Nado 21/05/2020

Desnecessariamente longo
Uma história tocante, de um homem que tem em sua vida duas mulheres que estão à frente de seu tempo. Uma história de amor, ódio e possessão que marcou muito quando publicado. Porém, como a obra foi lançada em formato folhetim há mais de 1 século, a história ficou muito extensa com trechos desnecessários para um livro, com situações repetidas ao longo do tempo. Recomendo a leitura, porém com a ressalva de que tem que ter dedicação e objetividade para lê-lo.
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Monica.Fusco 18/05/2020

Jude, o obscuro
Jude, o obscuro, de Thomas Hardy é um romance do século XIX que conta a história de Jude que sonha em ser um professor universitário em uma época muito difícil.
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Thaise @realidadeliteral 30/04/2020

Surpreendente!
Você alguma vez já enrolou muito para ler um livro por ter certeza que a leitura dele ia ser arrastada, se tratando de um clássico, ou por conta do autor, e quando finalmente criou coragem se surpreendeu e descobriu que a leitura não era nada do que você pensava?
Foi exatamente isso que aconteceu com o livro Jude, O Obscuro, que foi indicação da Fernanda Montenegro para a caixinha da @taglivros de maio de 2019. Sim, demorei quase um ano pra pegar ele pra ler, mal sabia eu o quanto ia amar esse livro e o quanto sua leitura seria rápida e prazerosa.
Em Jude, O Obscuro temos um romance de formação que acompanha a vida de Jude Fawley desde sua infância, quando foi morar com uma tia após ficar órfão e por meio de um professor que lhe causava grande inspiração, sua passagem pela adolescência estudando para poder entrar para a universidade e sua vida adulta quando descobre que seus sonhos eram muito ambiciosos e suas paixões poderiam destruí-lo.
Com uma crítica social ferrenha, Thomas Hardy nos mostra que a Inglaterra vitoriana não era muito diferente do que o que acontece hoje em dia. O jovem Jude que tinha todos os requisitos para ser um universitário promissor vê seu sonho ruir por conta de sua classe social, a universidade só estava disponível para os que poderiam pagar por ela e uma vida toda de trabalho duro não seria suficiente para Jude que nasceu pobre.
A igreja também não escapa as alfinetadas de Hardy, e junto vem as críticas aos relacionamentos engessados da época. E aqui preciso chamar atenção para dois personagens a frente do seu tempo nessa história, Sue, a prima de Jude, pela qual ele se apaixona após seu casamento catastrófico com Arabella, e que é uma mulher a frente de seu tempo, ela me deu um pouco de ódio por não saber o que queria nunca? Deu, mas ela não conseguia viver com as normas impostas e mesmo assim essas normas a pressionaram até o fim. Sue é considerada uma das primeiras personagens feministas dos livros, mesmo o autor não reconhecendo isso.
E o professor Richard Phillotson, aquele professor do Jude criança, que tem um papel importante em sua vida adulta e tem atitudes muito a frente do seu tempo, pessoa evoluída gente, amo!
Thomas Hardy apanhou muito após publicar esse livro, e não foi por menos, ele criticou as principais instituições de seu tempo, o que não mudou muito após tantos anos e torna esse romance tão atual. E fez tudo isso com uma escrita tão fluida e tão gostosa de ler que você nem percebe até ser totalmente arrebatado pela obra, e olha que tem uns momentos que são difíceis de engolir.
Meus mais sinceros agradecimentos a Fernanda Montenegro e a Tag por trazer essa nova tradução e nos conceder a oportunidade de conhecer essa grande obra da literatura universal! Nem preciso dizer que é leitura mais que recomendada né?
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carolmureb 22/04/2020

Livro incrível! Sem ter a intenção, Hardy escreveu um "romance feminista" e destruiu a ideia de meritocracia. Simplesmente maravilhoso!
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Alanna Gianin 20/04/2020

Indicação de Fernanda Montenegro para a caixinha da TAG Curadoria de Maio/2019, ?Jude, o obscuro? de Thomas Hardy foi originalmente publicado em folhetim pela Harper?s Magazine em 1894, sendo que a versão publicada na revista teve que ter diversas partes abreviadas ou modificadas para ser aceita. Escrito sob cenário fictício baseado na Inglaterra vitoriana, a narrativa expõe e faz críticas aos costumes e rigidez extremos da época.

A obra conta a trajetória de Jude Fawley, um garoto órfão e pobre criado pela tia, que inspirado por seu professor, Phillotson, deseja se tornar estudioso e entrar para uma universidade em Christminster.
Entre os estudos constantes e o aprendizado para se tornar um entalhador, Jude acaba se envolvendo com Arabella, a filha de um criador de porcos da região. A compatibilidade entre eles é inexistente, mas um forte desejo carnal, por fim concretizado após forte manipulação de Arabella, resulta em casamento sob o pretexto de uma gravidez que provou-se inexistente (ambos acabam se entregando a uma vida de infelicidade por um momento de prazer). Com o convívio eles percebem o erro que cometeram e Arabella abandona Jude para recomeçar a vida na Austrália.
Jude então parte para Christminster no intuito de entrar para a universidade, acreditando que ao se mostrar uma pessoa de vasto conhecimento e qualificação nas línguas (latim e grego) teria entrada garantida. Entretanto, seus sonhos são rapidamente esmagados quando percebe que a falta de recursos e posição social elevada são elementos essenciais para ser admitido.
Quando tudo parece perdido para Jude, ele conhece e se apaixona por uma prima distante chamada Sue, uma mulher irreverente, inteligente, com opiniões à frente de seu tempo, que questiona, sem temer, o papel da mulher na sociedade e reprova o casamento formalizado ante ao amor entre duas pessoas. Jude e Sue são perfeitos um para o outro, mas só percebem isso após casamentos infelizes e muito tempo perdido. Após divórcios conturbados eles passam a viver como um casal sem no entanto oficializar a união, porém a sociedade não está disposta a aceitar pessoas que não queiram agir de acordo com as regras...


Apesar de ser um dos livros mais depressivos e pessimistas que já li, gostei muito da leitura e me senti de certa maneira inserida, por meio das palavras do autor, nas aflições que acometeram Jude e Sue no período vitoriano.
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Ery 09/04/2020

Um grande clássico!
Não posso dizer ser um livro fácil de ler, talvez seja a edição, ou a linguagem rebuscada e arcaica, ou até mesmo os acontecimentos que se sucedem. Os sentimentos a respeito dos protagonistas são antagônicos a cada página.
A grande mensagem do autor, sua crítica às convenções sociais, é muito clara. O que certamente foi impactante para a sociedade da época. As consequências que se seguem pelas decisões tomadas ao longo do caminho dos personagens são inquietantes e desoladoras.
Em resumo, é um livro realmente obscuro, que não deve ser lido em um momento de tristeza ou angústia.
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Thais CardBeg 20/03/2020

Trágico
É uma grande tragédia entrelaçada pelo cristão e o pagão. Com certeza chocou seu tempo, as mulheres mostradas são fortes mesno quando fatigadas e as relações são interessantes de acompanhar. Há um masoquismo nas personagens de modo geral e algumas ilusões para que a realidade seja deglutível.
É um bom livro, uma moderna tragédia grega.
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Samara @o_gato_leitor 24/02/2020

Jude me acompanhou por muitos meses. Apesar da belíssima edição, a fonte muito pequena e o início da narrativa, mais lento e dramático do que eu gostaria, não facilitaram muito o andamento da leitura. Literatura inglesa ainda é algo que conheço pouco e em geral não me cativa muito: tanto formalismo, distanciamento entre os personagens, retratos de tipos sociais que não dialogam muito com a nossa realidade, são fatores que até hoje dificultaram que eu me vinculasse efetivamente com as narrativas. Definitivamente é uma literatura que eu respeito bastante, mas que em geral funciona pouco pra mim. Todo esse preâmbulo vem no sentido de esclarecer o quanto Jude me surpreendeu.
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No romance, somos apresentados ao protagonista Jude, um órfão de pai e mãe, criado pela tia. Um garoto doce e bom, que cultiva o desejo de estudar e tornar-se um homem de letras. Ao longo da leitura, acompanhamos seu crescimento e a série de percalços se apresentam e acabam por distanciar Jude de sua veia acadêmica. Neste ínterim, Jude se envolverá com duas mulheres, personagens bastante interessantes e opostas: Arabella, sua primeira esposa, e Sue, sua prima e amor platônico. Ambas são estereótipos que subvertem o ideal de mulher da época. Enquanto Arabella personifica a carnalidade e a sensualidade, Sue representa a racionalidade e a transgressão dos ditames sociais. São personagens intensas e que desafiam os padrões vigentes à época da publicação .
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As últimas 200 páginas são simplesmente arrebatadoras. Hardy concentra toda sua ferocidade crítica ao final da obra, apesar da condição pobre do protagonista e sua impossibilidade de acessar o ensino superior permearem o romance todo (o que configura uma crítica à Inglaterra vitoriana desigual e excludente). É na segunda metade do romance que críticas ao casamento, a religião e ao conservadorismo se concentram, fazendo de Jude uma vítima desses valores e instituições tão moralmente bem quistos.
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Dentre as muitas injustiças que o protagonista vivência, uma das que mais ficaram marcadas em mim após a leitura foi a vivência de Jude em Christminster, cidade dos seus sonhos, onde se encontravam as maiores universidades do país (uma metáfora de Oxford). Impossibilitado de atuar como estudante, Jude trabalha realizando reparos na estrutura dos prédios da Universidade, contribuindo para seu embelezamento e imponência. Com essa cena aparentemente sutil, Hardy arremessa no leitor a constatação do absurdo que a desigualdade representa e nos faz pensar em todas as mãos que ajudaram a construir os templos que compõe os maiores centros de educação do mundo, mas que foram apartadas do direito de ocupar esses espaços .
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É triste dizer que, apesar de escrito no século XlX, o livro tem se tornado cada vez mais atual. Com a onda de conservadorismo que anda assolando o Brasil e o mundo, Jude se faz presente entre nós diariamente. Assim, essa leitura não poderia ser menos do que muito necessária.
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Pri | @biblio.faga 12/02/2020

Inicialmente, quanto ao título, chamo atenção à brilhante opção em manter “Jude”, e não o traduzir para o nome “Judas”, como é tão costumeiro, pois, infelizmente o nome carrega em si uma carga pejorativa deverás pesada, fardo extra que o livro não necessita.

Por sua vez, o adjetivo “obscuro” revela-se um claro prenúncio do que aguarda ao leitor e pode ser interpretado de diversas maneiras, assumindo inúmeros significados ao longo do livro.

Thomas Hardy, escritor britânico, é conhecido por obras marcadas pelo vanguardismo, bem como pelo pessimismo e a desilusão, características também típicas do movimento literário em que se insere: o naturalismo.

Como bem colocado pela TAG, a vida e história de Jude Fawley é “capaz de sintetizar as amarguras de quem guarda esperanças de uma ascensão social e amorosa, mas é refreado pela realidade que o cerca”.

As algures de Jude, como por exemplo, sua tentativa de ingressar na universidade da cidade (fictícia) de Christminster e seu malfadado casamento/relacionamento com Sue Bridehead, sua prima, retratam bem uma Inglaterra Vitoriana: o elitismo acadêmico, a falta de mobilidade social, o peso opressor dos dogmas da Igreja Católica e, principalmente, o determinismo.

Thomas faz críticas duras e diretas ao matrimônio, aos costumes rígidos (e um tanto hipócritas da época) e à própria religião totalmente dissociada ao bem-estar, especialmente quando retrata a jornada do Professor Phillotson.

Devo ressalvar que, muito embora, veja diversas críticas à personagem Arabella, não a vejo como uma vilã, mas sim, como um exemplo clássico do produto do meio onde está inserida e de uma inventividade, não maldosa, mas voltada à pura sobrevivência. Na verdade, minhas críticas são dirigidas à personagem da Sue, rs.

“Jude” pode ser pesado e bastante triste, mas é um livro maravilhoso, crítico e ainda se mantem bastante atual em seus apontamentos, pois, embora fala-se com maior naturalidade em relacionamentos não convencionais e o divórcio, ainda se vive um mundo que cobra um modelo de felicidade pré-estabelecido e que, disfarçado de meritocracia, afasta muitos de uma realização acadêmica e profissional.
Recomendo muito!

site: https://www.instagram.com/biblio.faga/
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Lusia.Nicolino 09/01/2020

Jude é Judas, mas a quem ele traiu?
Que paralelo traçamos entre o que vivemos e os livros que lemos?
Comecei Jude muito empolgada, no meio entediei-me um pouco, mas fui arrebatada pelo final.
É preciso entender o tempo do autor para mergulhar em sua obra e não fazer análises rasas.
Mas, deixo o profundo para os especialistas. Eu, por ora, penso que não é porque estamos de passagem que não aproveitaremos a paisagem.
Jude Fawley é um jovem órfão que mora com a tia – depois de ter perdido pai e mãe em circunstâncias pinceladas durante a história – numa cidade pequena da Inglaterra. Cresce ajudando a tia na padaria, lendo obras clássicas e sonhando em ser professor ou clérigo.
Conhece amores e desamores. O que é certo, o que é errado? Em seu tempo, o que é pecado?
Narrado em terceira pessoa, por um narrador onisciente, com quem, às vezes, queremos brigar.
Jude é Judas, mas a quem ele traiu? Os sinônimos de “Obscuro” lhe caem como uma luva: que não é iluminado; pouco brilhante; que denota tristeza; sombrio, sem nobreza; humilde.
É uma história sofrida, mas é preciso ler Hardy para entender as dimensões dos clássicos.
Quote: "Ele mal aguentava ver árvores derrubadas ou podadas, porque lhe parecia que sentiam dor; e a poda tardia, quando a seiva havia subido e a árvore sangrava abundantemente, havia sido uma dor real em sua infância. Essa fraqueza de caráter, como pode ser descrita, sugeria que ele era o tipo de homem que nascera para sofrer de forma considerável antes que o fechamento da cortina de sua vida desnecessária significasse que tudo estava bem com ele outra vez."

site: https://www.facebook.com/lunicolinole
Lívia @escritoraliviamessias 15/01/2020minha estante
Que ótima resenha, estou interessadíssima em ler!




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