Laços de Família

Laços de Família Clarice Lispector




Resenhas - Laços De Família


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Fran 08/08/2020

Laços de Família
Essa obra reúne uma coletânea de treze contos que, em sua maioria, a autora narra minuciosamente o dia a dia de mulheres, donas de casa, de classe média que vivem as mesmices e desconfortos que a vida as impõe diante de seus elos familiares. Textos bem característicos da autora, que muito bem elaborados, sabe como ninguém contar o que se passa na vida dessas mulheres de suas narrativas.

Para quem aprecia esse gênero e é fã de Clarice, está aí uma dica de livro.

Excelente leitura a todos!
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Carol 24/07/2020

Não gostei
Achei muito chato, livro de contos meio sem pé nem cabeça...
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Andressa 23/07/2020

Eu fico extasiada com a capacidade que essa mulher tinha de fazer tramas psicológicas de algo do nosso cotidiano. Clarice era um acontecimento.
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Carol 16/07/2020

Uma autora extremamente conceituada e brilhante!
O livro é composto por treze emocionantes contos. Cada um deles retrata o íntimo de cada personagem e sua respectiva personalidade. Alguns contos possuem um teor mais complexo e com mensagens mais implícitas, enquanto em outros há um posicionamento claro e fluido.
Um dos pontos que eu mais gostei é a habilidade que a Clarice Lispector possui de retirar do mais íntimo de alguém seus sentimentos e pensamentos, sejam angustiantes sejam jubilosos. O fato é que Clarice possui um alto senso de descrição, no qual ela molda perfeitamente a personagem, de modo a emocionar e cativar o leitor, independente do tema ser pautado em situações triviais ou em situações mais sérias .

Vale a pena conferir!
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Vi 13/07/2020

Cada conto é um mundo: de tragédias, angústias, esperanças. A frivolidade do cotidiano evoca, constantemente, uma eterna problematização de si.
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Milla 11/07/2020

Facilidade
Pensei que seria um livro fácil e rápido de lê, porém me enganei completamente, apesar de ser um livro curto levei vários dias para lê é uma leitura cansativa com Contos complicados mais ao mesmo tempo simples de se lê.
Ela explora muitas emoções nos textos tornando assim difícil é tem algumas partes que é preciso lê e reler para entender o que quer dizer.
Memso assim é um livro bom e que vale a pena lê.
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Steh @duendeleitor 02/07/2020

Laços de família
Este foi meu segundo contato com a escrita da Clarice. O primeiro foi A Hora da Estrela há alguns anos. O fluxo de consciência é bem presente nestes contos, exigem muita atenção para entender o significado. São situações corriqueiras que suas personagens vivem, porém muita coisa acontece no interior delas, e é a visão de dentro que é retratada por Clarice. Escrito em 1960, retrata principalmente o Rio de Janeiro da década de 50 e as mulheres brancas de classe média, mulheres similares à Clarice. Em todos os contos estão presentes, de certa forma, os "laços de família" que unem as pessoas, porém são tênues.
Achei a leitura mais tranquila por ter lido recentemente Antes do Baile Verde e A Noite Escura e Mais Eu de Lygia Fagundes Telles (coletânea de contos com temática similar) e feito a releitura de Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf (fluxo de consciência e a narrativa mais introspectiva). Desta vez eu estava mais preparada.

Laços de Família foi o livro de junho/20 da leitura coletiva do @duendeleitor.
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Marcela 01/07/2020

Contos da vida
De maneira simples, Clarice mostra cenas do dia a dia e como elas podem ter um forte significado.
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nanda 29/06/2020

belíssimo
Esse livro é uma coleção de pequenos contos e o meu favorito foi "A imitação da rosa". A escrita da Clarice é muito bela! Foi meu primeiro contato com a autora e eu estou encantada.
Carol 16/07/2020minha estante
O conto "A Imitação da Rosa" é simplesmente perfeito!




nataliaknows 24/06/2020

Retrato de múltiplas epifanias
Em Laços de Família, Clarice nos apresenta uma série de contos onde personagens do cotidiano acessam descobertas, epifanias e reflexões profundas, geralmente levadas por situações relativamente simples. Assim como tudo que a autora escreve, o livro é absolutamente singular, principalmente na forma de transmitir os detalhes emocionais e mentais desses fenômenos.

Em comparação com outras obras dela, é uma leitura fácil, visto que a maioria dos contos tem aspectos cronológicos e uma continuidade mais linear.
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Vitória Marcone 16/06/2020

A escrita de Clarice é tão bonita. E tem um toque de melancolia que eu amo tanto.
Ela tem uma forma tão profunda de descrever o cotidiano que até os temas mais pesados ganham um quê de poesia e encanto.
Nessa coletânea de contos ela mostra a complexidade existente na simplicidade do cotidiano e nos coloca para pensar sob outras perspectivas sobre temas como: convenções sociais, violências, sentimentos, preconceitos, afetos...
Uma leitura para ser digerida aos poucos.
Jader 16/06/2020minha estante
Só li ?A hora da estrela? e foi muito bom! ?


Vitória Marcone 16/06/2020minha estante
Esse foi meu segundo. Perto do coração selvagem foi o primeiro e amei demais. A hora da estrela será minha próxima leitura dela ?


Everton Vidal 19/06/2020minha estante
Demais esse livro! Parabéns pela resenha.


Vitória Marcone 20/06/2020minha estante
Obrigada ?




Natalya 08/06/2020

Laços de família
Clarice sabe usar as palavras com uma precisão... te leva a viajar nos seus pensamentos mais loucos. Contos perfeitos e cheios de realidade! Não consigo escolher um preferido, todos com histórias que te prendem e te fazem viajar. Muito bom!
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Malu 05/06/2020

A capacidade de Clarice de criar devaneios pesadíssimos sobre a vida em simples situações cotidianas é uma das coisas mais surpreendentes da literatura. Doida de pedra.
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Isa 03/06/2020

Talvez não seja o meu estilo de livro e por esse motivo acredito que não me prendeu tanto, porém, é um bom livro, tem contos incríveis e outros nem tanto.
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Lavinia Teodoro 02/06/2020

Começão de contos
1. Devaneio e embriaguez de uma rapariga?
2. Amor?
3. Uma galinha?
4. A imitação da rosa?
5. Feliz aniversário?
6. A menor mulher do mundo?
7. O jantar?
8. Preciosidade?
9. Os laços de família?
10. Começos de uma fortuna?
11. Mistério em São Cristóvão?
12. O crime do professor de matemática
13. O búfalo


? Devaneio e embriagues de uma rapariga 26.05.2020 **
Uma mulher portuguesa, com a ausência circunstancial dos filhos, passa a devanear e a sonhar - Ela amava... Estava previamente a amar o homem que um dia ela ia amar. Neste clima chega o marido, a quem não dá importância quando este suspeita de que ela esteja doente. E continua o devaneio, lembrando-se de um jantar a que fora com o marido e o patrão dele. Neste jantar, a duplicidade de sua vida com a esposa e com a mulher é revelada no êxtase com que se percebe cortejada pelo patrão do marido, na inveja que lhe provoca uma moça loira de peitos chatos, cintura fina e chapéu - uma mulher que lhe parecia ainda não ter assumido o papel doméstico. Com a proximidade do retorno dos filhos, a mulher portuguesa (neste conto o narrador adere à personagem inclusive utilizando o Português de Portugal) volta ao devaneio e, para compensa-lo, resolve fazer uma grande faxina na casa.

? Amor 27.05.2020 ***
Ana, uma mulher casada e com filhos, bem sucedida na vida familiar, está no bonde voltando das compras quando vê, numa parada, um cego mascando chicletes. Esta visão a desestabiliza emocionalmente: ela sente ódio, piedade, prazer, bondade, uma doce náusea da qual costuma fugir mergulhando no dia a dia, em especial quando cai à tarde e não tem o que fazer, e se refugia nos serviços domésticos. Sua bolsa de compras cai, alguns ovos quebram, e ela desce no ponto errado. Entra no Jardim Botânico, observando em êxtase a matéria bruta da vida; as árvores, as flores, a terra. O delírio ao qual se entrega, misto de repulsa e fascínio, sedução, é bruscamente cortado pela lembrança dos filhos, do jantar que faria aos irmãos com a sua família. Ela retorna a casa, o jantar obtém sucesso, e a estranheza do dia se esfumaça ao deitar-se para dormir, conduzida pelo marido.

? Uma galinha 27.05.2020 ****
Num domingo em família, a galinha seria morta para o almoço foge e, após muita perseguição, é recuperada pelo chefe da família. De susto, bota um ovo, o que faz com que seja preservada e transformada em rainha da casa até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

? A imitação da rosa 28.05.2020 ***
Laura, esposa de Armando, de volta ao lar um período de internamento numa clínica psiquiátrica, espera pelo marido para irem jantar, acompanhados por Carlota, amiga antiga, e pelo marido desta. Ao longo desta espera, obsessivamente procura se prender à sua imperfeição singela de mulher afeita à rotina, de coxas baixas e grossas, sem filhos, pouco original e meio chata, desinteressante. Ao mesmo tempo a perfeição de umas rosas que comprara na feira da manhã e vai seduzindo como se fosse uma das tentações de Cristo. No colégio, lera A imitação de Cristo e sentira, sem entender a obra, que quem o imitasse estaria perdido. Cristo era a pior tentação. Embora tentasse se defender do abismo ao qual novamente estava se entregando - o abismo da perfeição de Cristo e das rosas, cuja beleza a transtorna - embora mandasse levar as rosas para Carlota, a amiga autoritária e prática, que vagamente a despreza, Laura volta ao estado de 'transe' que fez com que fosse internada. Quando Armando chega encontra a mulher num pedido de perdão misturado `a altivez de uma solidão já quase perfeita... alerta e tranquila como um trem. Que já partira.

? Feliz aniversário 29.05.2020 *****
A velha Anita, no dia em que completa 89 anos, é homenageada com uma festa, organizada pela filha com quem mora: Zilda. Desde a chegada dos convidados, vamos percebendo a mediocridade, a rivalidade e o egoísmo que fazem das noras, dos genros e dos filhos ratos se acotovelando em torno da aniversariante, que fica horrorizada com que semeara, com a vida que falhara. Ela, então, que se mantinha muda e impotente, num determinado momento cospe no chão, pede vinho e acaba por xingar a todos, com exceção da nora Cordélia (mãe do único neto que realmente estima), infeliz, mas ainda com uma chance de amar, talvez a ultima vez. A ela a velha Anita 'diz' em silêncio: É preciso que se saiba. Que a vida é curta. A festa termina, todos se vão, e a velha medita sobre o jantar (teria sido substituído pela festa?). O narrador então nos revela que a morte era o seu mistério.

? A menor mulher do mundo 30.05.2020 ***
Pequena-flor é o nome que um explorador francês dá à menor mulher, de 45 centímetros, escura e peluda como um macaco, descoberta nas profundezas da África. Grávida, ela se apaixona pelo explorador, que se perturba como só um grande homem se perturba, saindo nos jornais e incomodando as famílias: uma mulher se lembra da história de uma antiga cozinheira, que no orfanato brincara com uma criança morta, outros têm pena, repulsa ou indiferença. O explorador não entende que Pequena-flor o ame e também a sua bota, pois a umidade da floresta não há desses refinamentos cruéis - que se goste de mim e não do dinheiro - e amor é não ser comido, amor é achar bonita uma bota, amor é gostar de cor rara de um homem que não é negro, amor é rir de amor a um anel que brilha.

? O jantar 31.05.2020 **
Único conto narrado em primeira pessoa, nele é relatado o jantar de um homem velho por alguém que de outra mesa do restaurante o observa ora comendo tranquilo, ora desesperado apertando as têmporas com as mãos. O observador através desta imagem mergulha em suas próprias contradições (o que percebemos pelo discurso indireto livre, também presente neste conto), dolorosamente identificando-se com o velho, tomado pelo êxtase da náusea. Quando o velho se retira do restaurante, o observador sente-se um homem ainda: Não sou esta potência, esta construção, esta ruína. Empurro o prato, rejeito a carne e seu sangue.

? Preciosidade 31.05.202 *****
Uma adolescente de quinze anos guardava-se da vida com seus sapatos, de ruídos feio como ela, temendo que a olhassem e assim desvendassem o medo secreto que tinha de crescer, de se tornar mulher. A preciosidade deste medo era seu maior segredo. No ritual cotidiano de madrugar e pegar o bonde e um ônibus para chegar à escola, um dia dois rapazes a seguem no trajeto a pé. Então, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação tocam-na tão inesperadamente que ela percebe ser seu medo menor que o deles. Recompõe-se, recolhe do chão os livros e o caderno aberto, onde viu a letra redonda e graúda que até esta manhã fora sua, chega atrasada à escola e, de noite, exige da família sapatos novos, deixando, sem saber Poe que processo, de ser preciosa. A esta frase se sucede a seguinte explicação do narrador: "Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo."

? Os laços de família 31.05.2020. ****
Catarina leva a mãe à rodoviária, após duas semanas de visita desta à sua família, durante a qual mal faltara com o genro - Antônio - e estraga o neto, magro e nervoso, com guloseimas. No táxi, em meio a frases rotineiras e convencionais, um solavanco fisicamente aproxima mãe e filha em uma intimidade de corpo há muito esquecida. Despedem-se convencionalmente sem que, entretanto, a vertigem daquela revelação de um afeto prescindir - volte ao normal, indo o casal ao cinema depois do jantar.

? Começos de uma fortuna 31.05.2020 ****
Numa manhã daquelas que parecem suspensas no ar, Artur, o filho adolescente, reencontra a mãe e o pai no café durante o qual conversam amenidades, cada um representando seu papel. Neste episódio, o narrador enfatiza a carência afetiva de Artur, que de forma inconsciente procura compensá-la, pensando fixamente em dinheiro. Assim começa sua 'fortuna', que na verdade é a manifestação de sua profunda insegurança: o medo de pagar a Glorinha (uma amiga) a entrada de cinema, temendo ser explorado pela menina. Primeiro ele a acusa interiormente pelas 'malícias' que poderia ocorrer, depois não ocorrendo tais malícias, ele a acusa do mesmo jeito, agora pela 'gratuidade' da diversão de Glorinha, contra que se revolta por lhe ter pago a entrada de cinema. No final do conto, Artur está de novo na mesa da refeição, falando de dinheiro com o pai... o dinheiro e o medo da exploração escondem, assim, a carência e a insegurança de um menino solitário.

? Mistério em São Cristóvão 31.05.2020 *****
Numa noite de maio, uma família que vive raro período de paz e de entendimento vai dormir. De madrugada, três mascarados - um gato, um touro, um cavalheiro antigo, com máscara de demônio - que iam a uma festa carnavalesca param para roubar jacintos no jardim de casa da família adormecida. A menina magra, de dezenove anos, acorda e grita, os mascarados fogem, e o equilíbrio difícil da família se desfaz: a avó de novo pronta a se ofender, o pai e a mãe fatigados, as crianças insuportáveis, toda a casa parecendo esperar que mais uma vez a brisa da abastança soprasse depois de um jantar. O que sucederia talvez noutra noite de maio.

O crime do professor de matemática
Enquanto enterra um cão morto encontrado na rua, no alto da colina de uma pequena cidade, o professor de matemática, um senhor de meia idade míope e frio, relembra sem nenhuma confusão, sem nenhum fio solto, um outro cão que fora seu e que o fazia sentir-se um criminoso. Este cão lhe ensinava a amar a sua imagem, isto é, com uma liberdade e uma aceitação tão integral, que o incomodavam. Sendo apenas um cão, José (o nome que lhe dera) o obrigava a ser um homem, a exercer uma integridade de amor verdadeiro, que nada cede e nada exige, o que o professor não suportara. Abandonou-o, então, com a conivência indiferente da família - esse fora seu crime. Mas jamais alguém o descobriria, como também não descobririam que o cachorro constituía a possibilidade constante de um crime, uma transgressão - o aprendizado do amor integral e verdadeiro - na vida do professor. Enquanto enterra o cão anônimo, o professor friamente raciocina que assim está pagando um tributo ao cão que abandonou. Entretanto, a lembrança dele transforma-se em saudade, a saudade em diálogo comovido com o companheiro ausente, o diálogo em reconhecimento de que o crime não tem remissão. Ele, então, consciente de que procurava punir-se com um ato de bondade e ficar livre de seu crime, desenterra o cão anônimo. Assim renova o seu crime para sempre e desce as escarpas em direção ao seio da família.

O búfalo
Uma mulher rejeitada pelo homem que ama vai ao Jardim Zoológico para aprender o ódio entre os bichos, mas consegue encontrar amor. A girafa, o hipopótamo, os macacos, o camelo, e até a vertigem na montanha russa ensinam-lhe mais e mais amor. E ela, que precisava conhecer o ódio para não morrer de amor, que se perdoasse mais uma vez estaria perdida, que só sabia resignar-se, suportar e pedir perdão, finalmente defronta-se com um búfalo, olha nos seus olhos e encontra o ódio que procurava. Seu corpo tomba no chão e antes de baquear macio, em tão lenta vertigem, a mulher viu o céu inteiro e um búfalo.
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