As Intermitências da Morte

As Intermitências da Morte José Saramago




Resenhas - As Intermitências da Morte


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Marcel Koury 30/03/2017

No filme "O Sétimo Selo" (1957), do genialíssimo cineasta e dramaturgo sueco Ingmar Bergman, há um emblemático diálogo entre o protagonista, um cavaleiro medieval, e a Morte:

— Quem é você?
— Eu sou a Morte.
— Veio me buscar?
— Tenho caminhado ao seu lado há muito tempo.
— Eu sei.
— Está pronto?
— Meu corpo está, mas eu não.

Na crucial sequência — uma das mais sensacionais da história do Cinema —, o cavaleiro, fisicamente exausto após anos de batalhas, ainda tem forças para desafiar a Morte em uma partida de xadrez:

— Você joga xadrez, não?
— Como sabe?
— Eu vi nos quadros e escutei nas canções.
— Posso dizer que jogo muito bem.
— Você certamente não joga melhor do que eu.
— Por que quer jogar comigo?
— Isso é problema meu.
— De fato.
— Minhas condições são as seguintes: você me deixa vivo enquanto eu resistir a você. Se eu conseguir um xeque-mate, você me poupa.

Certamente, a ceifadora de vidas retratada no clássico cinematográfico não é a mesma presente no romance do aclamado escritor português: vingativa e caprichosa, a morte (aqui, com seu nome grafado em minúsculas), cansada de ser execrada pela humanidade, decide que, a partir do dia 1º de janeiro de um ano qualquer em um país não localizado, ninguém mais morrerá. Graves acidentes de trânsito, infartos, violentas brigas — nada disso importa: a partir daquela fatídica data não se morre mais nos limites do tal país. Simples (e complexo) assim.

O que começa como regozijo geral (não foi sempre um desejo humano a vida eterna?), logo se mostra uma realidade desesperadora: sem a morte, mesmo quem deveria morrer continua em estado de vida suspensa — a vida não se esvai, mas também não volta, e quem estava a um fio de morrer continua indefinidamente dessa maneira. Em pouco tempo os hospitais e asilos ficam lotados (num deleitoso trecho, os empresários do ramo funerário discutem o que farão sem sua "matéria-prima"), e o governo precisa definir, diligentemente, um novíssimo plano de gestão pública — até mesmo a Igreja entra em conflito/contradição com seu dogma-pilar: "Sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja", queixa-se, lamuriante, o cardeal ao primeiro-ministro.

Ao longo da cativante e provocativa trama, Saramago inverte brilhantemente os papéis entre os vivos e a morte. Quando o caos inescapavelmente se instala, a população fica cada vez menos humana (surge, por exemplo, uma máfia com o intuito de levar os moribundos para atravessar a fronteira do país e poderem dar seu último suspiro em terras onde ainda é possível morrer), enquanto a morte vai, lenta e progressivamente, tornando-se cada vez mais humanizada. Com seu peculiar estilo jocoso-amargo, Saramago expõe os elos que unem o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade — é o suficiente para analisar a vida e a condição humana.

Na terceira e mais interessante parte do romance, Saramago desemboca a ação noutra vereda, em que a morte, já personificada, se vê, pela primeira vez em sua lúgubre existência, surpreendida por uma pessoa a quem ela ordena morrer e que, no entanto, recusa-se a fazê-lo. Segue-se, assim, uma busca/investigação das razões de tais acontecimentos, pois a morte, atônita com o inexplicável/inusitado caso, depara-se com um sentimento que, até então, estava além das suas fatais capacidades: o amor.

As "Intermitências da Morte" é uma fábula moderna sobre a necessidade de morrer e como isso é determinante para o curso natural da vida, já que a morte é condição sine qua non para que surja o novo. O romance tem uma estrutura alternada, ora focando-se num evento geral, ora concentrando a ação nos personagens individualmente, e irrompe como uma pertinente alegoria ao próprio ciclo da vida: tudo tem um início, um meio e, inexoravelmente, um fim.

Ao término da leitura, somos levados à reflexão: a morte — "o único mal irremediável", como assinala o magistral Ariano Suassuna em seu "Auto da Compadecida" (1955) — tem um plano reservado para todos nós, mesmo que ela esteja, protestante e momentaneamente, em greve.
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Jéssica - Janelas Literárias 25/03/2017

Tão natural quanto a vida é a morte e esta ainda mais certa que aquela.

Como diria Vinicius de Moraes, "a morte é a angústia de quem vive", mas talvez a vida sem morte também o seja. Uma confere significado a outra, não há como imaginar um mundo em que a morte, ou as mortes, não existam. É nesta dicotomia que se consagra a narrativa de Saramago em "As Intermitências da Morte".

Num primeiro momento, sem nenhum aviso, um país inteiro é felicitado, ou condenado, a não mais morrer. Sim, desde às zero horas do primeiro dia do ano, não há defunções. Aqueles que se encontravam a beira da morte, encontram-se agora em estado de "morte suspensa".

Já que não se morre no país, as pessoas levam seus familiares, que estão em situação de morte suspensa, para os países fronteiriços para que lá possam finalmente morrer. É então que aparece a máphia, uma associação criminosa que, fazendo alianças com o governo, começa a comercializar este serviço de levar à morte.

Com muita ironia, Saramago nos apresenta o cenário criado por esta nova realidade, sobretudo no que diz respeito à moral, economia, política, relações familiares e hipocrisia velada. Os problemas que vão aparecendo, de asilos que vão ficando lotados, de funerárias que não podem mais trabalhar, seguros de vida sem propósito e hospitais lotados, são resolvidos das formas mais mirabolantes.

"Que dirá a vizinhança, perguntou, quando der por que já não estão aqui aqueles que sem morrer, à morte estavam"
Em meio ao caos geral, a morte dá o ar da graça, anunciando que a partir do dia seguinte todos voltarão a morrer como antes, com o único diferencial de que serão informados, por ela mesma, uma semana antes de acontecer, por meio de um bilhete de cor violeta, assinado simplesmente por "a morte", em minúsculas. O bilhete lhes informava do prazo improrrogável de 7 dias para morrer, dias estes que deveriam servir para os acertos financeiros finais e despedidas.

Mas uma destas cartas, volta ao remetente. Agora a morte, personificada em um esqueleto de gadanha e capa, tem que descobrir como conseguiu tal feito, um certo violoncelista. Aqui se inverte o ponto de vista da narração. Agora vamos dar continuidade à fábula pelos olhos da morte.

Interessante é que a morte vai nos aparecendo com perspectivas morais mais elevadas que os próprios humanos. E ainda que a morte tente, jamais ganha a empatia dos humanos, seja quando some, seja quando aparece, seja quando avisa que está por vir.

A prosa de Saramago não é de todo fácil, a linguagem é arcaica, mas elegante e concisa. E assim como Machado de Assis (em bem da verdade, acho que os dois possuem algumas semelhanças relevantes), ele gosta de conversar com o leitor. Apesar de fininho, não é um livro que se lê em um dia, uma vez que exige certa atenção, mas é sim agradável, instigante e bem divertida. Obviamente que não é a melhor obra de Saramago, mas tem o seu charme.

"Enfim, de deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta não é mais que uma delas".

site: https://www.instagram.com/janelasliterarias/
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Jessica.Baqui 04/03/2017

Sensacional
Primeiro livro do Saramago que li e me apaixonei pela escrita. Ele é irônico e de uma criatividade assombrosa. O final foi para mim completamente inesperado. Fiz uma leitura muito lenta, no leitor digital, em pequenos intervalos que dispunha. E de um livro que esperava apenas fossem exploradas as implicações políticas e sociais da greve da morte, tive um prazeroso e encantador final. Recomendo fortemente!
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Mya 28/02/2017

Vale a pena? Pois digo que sim, é um livro desafiador que requer atenção redobrada, um dicionário do lado, e muita paciência até se acostumar com a narrativa. A obra cumpre seu papel de nos tirar da zona de conforto, de perturbar, refletir e surpreender.
Resenha completa no site da Armada de Escritores!

site: http://www.armadadeescritores.com.br/2017/02/resenha-as-intermitencias-da-morte-jose.html
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Lorena 14/01/2017

As intermitências da morte - José Saramago
Abstruso e humanal como só Saramago consegue ser em suas narrativas tão intrinsecamente perturbadoras. A começar pelo pedido do próprio, a grafia foi mantida "in natura", ou seja, pouco mais de duzentas páginas em um português de Portugal que coloca o leitor no modo "dedicação mor". Aliado a isso, o estilo livre do autor que usa e abusa (com categoria) das vírgulas e exclui todas as outras pontuações, raramente se permitindo um ponto final, lança pro leitor mais um desafio: entrar na história como personagem ouvinte e não somente ledor. Pois ao ouvir os diálogos e as perguntas o leitor logo irá identificá-los, não precisando dos pontos e dos travessões, assim como se estivesse em uma conversa "face to face". São exercícios mentais que Saramago nos presenteia, como se fossem a cerejinha do bolo. Vale a pena suar o cérebro e se deleitar com eles quando perceber que já os domina.

Como não poderia ser diferente, as questões levantadas por esse gênio coloca em cheque todo o pensamento humano sobre a inquestionável morte. A morte, como bem sabemos, é a única certeza que temos na vida e, mesmo assim, a maldizemos quando ela se aproxima (principalmente) do nosso círculo de convivência. Cansada de ser maltratada pelos humanos, a morte então decide não mais matá-los em um único país com seus lá milhões de habitantes. E é aí que o caos se instala nesse (des)abençoado país imortal. Durante a leitura, é possível entender que morrer é tão fundamental quanto viver e, a falta de um,
desestrutura todo o sistema no qual ele está inserido. São muitos os problemas causados pela não-morte daqueles que já deveriam ter "ido dessa para melhor" e José Saramago nos explica tim-tim por tim-tim com um realismo fantástico soberano ("ossos de seus dedos ou seus dedos de ossos") que desfila por questões morais, religiosas e governamentais.

Não bastasse tudo isso, ainda temos a personificação da morte, que contrariada também pelo caos, decide voltar a matar, mas agora com aviso prévio. E quando um dos seus receptores insiste em devolver o tal aviso, não cumprindo a ordem de morrer, decide ela própria entregá-lo em mãos, ao vivo e a cores. E então o enredo afunilado dentro do romance garante um final tão mirabolante e devaneador como todas as páginas antecedentes.
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Erika.Goncalves 01/01/2017

"É impossível, disse a morte à gadanha silenciosa, ninguém no mundo ou fora dele teve alguma vez mais poder do que eu, eu sou a morte, o resto é nada."
Essa é a primeira obra de José Saramago que eu leio, minha professora de língua portuguesa me indicou e eu simplesmente me apaixonei pela breve apresentação do livro que ela me deu. É uma leitura que requer muita atenção, por causa da forma de escrita do autor. Mas depois você se acostuma e simplesmente deixa de se preocupar em não se perder, para passar a amar o que ler. A morte em si é a única certeza do homem, a única verdade que ele tem conhecimento e mesmo assim ainda tem medo dela, o livro mostra o papel que a morte desempenha no mundo para com o homem, o que aconteceria sem ela? a vida eterna é assim tão atraente depois que você envelhece e fica impossibilitado, simplesmente respirando?
Fora esses assuntos que Saramago faz questão de debater no livro há também a visão da morte, o ponto de vista dela própria com a humanidade, afinal a figura macabra e solitária deve ter uma opinião. Diversas vezes na obra me deparei com a morte imaginando uma vida humana, algo contraditório, pois ela tirava a vida, e então surge os sentimentos e pensamentos confuso que a morte tenta explicar a si mesma sobre o mundo humano. A obra por fim é simplesmente espetacular, envolvente e apaixonante.
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Alisson Augusto 09/12/2016

morte, sua querida
Jogar com uma personagem já materializada no nosso imaginário é se arriscar em um terreno amplo e profundo, e muitas vezes "errar a mão" é fácil. Saramago não comete nenhum. Em 200 páginas, com várias histórias intercaladas, As Intermitências da Morte é um livro delicioso de ser lido. Profundo, poético e (por quê não?) apocalíptico. Os diálogos são deliciosos - sem sombras de dúvida, o melhor do livro. E se ainda restas dúvidas, acredite, o último capítulo vale a pena pelo livro todo.
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Douglas 02/12/2016

"A morte não é nossa inimiga"
O livro tem uma premissa muito interessante, a introdução é de prender qualquer leitor e obrigar a continuar lendo. Mas, tenho que confessar, o livro vai ficando massante e a escrita do Saramago não ajuda muito o leitor, principalmente nos diálogos. Eu sinceramente pensei em abandonar na metade, tanto que fiquei postergando a leitura. Mas como tava sem mais nada pra ler, continuei e não me arrependi. O final "salva" o livro, essa versão tão humana da morte, e a reflexão que o livro te trás, valem a pena a leitura. Me inspirou bastante, eu recomendo.
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Vitor Butrago 22/11/2016

De Deus e da morte, não se tem contado senão histórias, e esta é mais uma delas.
Reli As Intermitências da Morte no último mês. O romance, escrito em 2005 por José Saramago, chegou à mim, pela primeira vez, pelas mãos do querido amigo Marcelo Sousa, no segundo semestre de 2014. A releitura deu-se por meio de um exemplar adquirido no mesmo ano e que permaneceu intocado em minha estante desde então. Folheando-o constatei supressões e páginas duplicadas. Felizmente, tais vícios foram contornados por uso de um arquivo digital. Abaixo uma pequena — e simples — resenha sobre o livro:

"No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, um queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada." (p.11).

Suspensas as atividades da morte no advento de um novo ano, a população do país em que se dá os fatos narrados vê-se entre o êxtase da eternidade — tantas vezes prometida — e o infortúnio de uma vida sem limite — sem termo. Após breve contentamento, a sociedade vê-se abandonada. Transtornos de ordem material acumulam-se. Incapaz de oferecer soluções às novas demandas sociais, vê-se o Estado de mãos dadas com a maphia — que, por vergonha de assumir-se máfia, tenta enganar os ingênuos com malabarismos ortográficos -, responsável por executar os serviços para os quais a burocracia revela-se incompetente.

Os problemas materiais tornam-se dilemas morais. Sem consciência da morte, a vida não possui sentido. Tornam-se, portanto, desnecessários os princípios morais que orientam a conduta humana, Assim, posicionou-se o cardeal: “sem morte, ouça-me bem, senhor primeiro-ministro, sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja” (p. 18). Não somente as religiões, a filosofia também sofre com a ausência de referência: “Porque a filosofia precisa tanto da morte como as religiões, se filosofamos é por saber que morreremos” (p. 38).

(...)

site: https://medium.com/@vitorbutrago
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Darla 17/11/2016

E se...
E se ninguém mais morresse?

Intermitências da morte é uma boa resposta para essa pergunta quase infantil.

Achei válidas todas as minhas próprias perguntas respondidas.

Mas aviso, resista até a página 100, pode ter sido impressão, mas até não chegar nessa página o livro estava bem chato.

Um ótimo livro para quem gosta de histórias inusitadas.
Clara 26/12/2016minha estante
Obrigada pela resenha! Porque estou na página 73, quase desistindo...




Amanda.Andrade 12/11/2016

Já pensou se a morte resolvesse entra em greve? E durante 7 meses é isso que acontece. Por causa dessa decisão o pais se torna um caos. Como ninguém morre os hospitais ficam acima de sua capacidade, os serviços funerários entram em crise, e segundo a igreja não existe religião, pois, se não há morte, não há ressurreição. E quando finalmente ela resolve retornar da greve determina que agora antes do indivíduo morrer, este receberá uma carta informando que tem 1 semana de vida para ter tempo de resolver seus assuntos pendentes.

A história do livro é boa. Embora esse seja um livro pequeno não é de fácil leitura. Saramago tem uma forma muito peculiar de escrever: escreve textos corridos, poucos parágrafos, os diálogos estão no meio do texto e é raro o uso de pontuação, mesmo assim é um autor que pretendo ler outras obras.
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Diego.Minatel 27/10/2016

O melhor de Saramago
Não tem como não sorrir, a todo momento, lendo este livro. A reflexão pesada que o livro carrega torna-se leve através do humor e da maneira que é contada a estória. Com toda certeza, é daqueles livros que todos devem ler antes de morrer.
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Gabriel Schmidt Neto 18/10/2016

A premissa é interessante. No início é envolvente, mas acaba se tornando bastante repetitivo. O fato da escrita ser contínua, quase sem parágrafo, sem pontuação e diálogos sem distinções, torna a leitura um desafio de paciência. Apesar de no fim valer a pena por fazer pensar sobre um assunto tão enigmático: a morte.
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Beca 28/09/2016

Inesperado
Muito lindo. Saramago me surpreendeu novamente com sua astúcia e desenvoltura. Que livro hein? Sempre tive uma queda pela morte e nunca a imaginei possuidora de tamanha franqueza. Após a leitura desse livro não posso negar: estou irrevogavelmente apaixonada pela morte. E, se já o era, agora não tem mais volta! Quanto a escrita, tive mais facilidade para com a leitura. Pode ser pelo meu amor para com o assunto ou pela real facilidade da escrita ou ainda por ser minha segunda leitura de Saramago. De qualquer forma, estou feliz por tê-lo lido e indico!
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Bruno_Silva 08/09/2016

Quando superada a estranheza da escrita corrida, sem pontuação nenhuma nos diálogos e as voltas que o narrador faz ao contar a história, o livro diverte pela inventividade dos eventos e pelo tom sarcástico do texto. A última parte da obra, mais pé no chão, é o que há de melhor no livro, e o final é maravilhoso.
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