As Intermitências da Morte

As Intermitências da Morte José Saramago




Resenhas - As Intermitências da Morte


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Adriana 30/07/2017

Desafio literário
A minha primeira leitura do autor Jose Saramago, fui com grandes expectativas, acho que foi o meu erro. Demorei um mês para conclui-lo. A obra tem suas genialidades e críticas bem colocadas. Mas chega certo ponto fica meio repetitivo e maçante. Mas com certeza vou buscar outros livros do autor.
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Carla 19/07/2017

mais uma história do mestre Saramago
Neste livro do mestre Saramago, a morte literalmente ganha vida! Um livro leve e de leitura fluída que traz muita reflexão acerca do tema mais temido pela humanidade, a morte. Na primeira parte desta pequena história de maestria em questões de realismo fantástico, Saramago nos mostra sua ideia do que seria a humanidade se a morte resolvesse se rebelar e não mais levar seus moribundos ou destinados para a eternidade. O caos é instalado e todos os problemas que se seguiriam ao desejo de eternidade vão se formando, inclusive facções que se instituem a fim de tirar vantagens da situação. Na segunda parte do livro, a morte é humanizada devido a um problema que lhe assalta a “existência”
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Ronald 17/07/2017

"[...] De deus e da morte não se têm contado senão histórias, e esta não é mais que uma delas."
Para os interessados em literatura aqui vai uma resenha amadora do livro "As intermitências da morte":
Com seu tom irônico, Saramago decide escrever sobre o que, provavelmente, é o maior temor da humanidade: a sua própria finitude. Na primeira parte da narrativa, nos é apresentado um país fictício no qual a morte encerra suas atividades por tempo indeterminado. Isso mesmo! A figura esquelética decide encostar sua famosa gadanha, com a qual costumava ceifar as vidas dos pobres mortais e opta por dar uma amostra da imortalidade. O presente é inicialmente visto como uma bênção vinda do próprio céu, no sentido metafísico da palavra, mas não demorou para que o "não morrer" se transformasse em um grande problema. O amontoado de gente moribunda ocupando os hospitais aumentam em proporções geométricas, as seguradoras falem, a previdência governamental fica no vermelho e as funerárias perdem sua matéria prima. Diversas camadas da sociedade são atingidas por uma crise nunca vista antes. O presente de grego da morte se mostra então como pesadelo para o Estado, para a iniciativa privada e principalmente para a Igreja, que acabara de perder o maior dos seus subornos: a promessa de vida eterna.
Saramago nos apresenta assim o que seria o outro lado da moeda da imortalidade: uma prisão da qual não há como escapar e, a depender dos nossos hábitos e de com quem teremos de conviver, ela será uma agonia sem fim. É por isso que os vampiros da literatura são sempre melancólicos, solitários e infelizes (exceto os que brilham na luz do sol). A segunda parte da narrativa é ainda mais interessante: o autor personifica a própria morte para que ela (sim, "ela") se justifique e devolva o "direito de morrer". A figura que era vista como a maior inimiga dos viventes, agora é aclamada como redentora. Mas a morte não decide apenas voltar de suas férias como também mudar a forma como exerce seu ofício: daquele momento em diante ela mandaria cartas roxas avisando sobre o falecimento com a antecedência de uma semana. A história aqui muda de ritmo e tom de uma forma elegante, e após uma das cartas ser mandada de volta para o remetente três vezes seguidas, passamos a acompanhar cada passo da morte em busca de explicações: onde já se viu? Nunca em toda a história alguém se atreveu a recusar uma ordem sua. A resolução desse mistério leva ao desfecho da história, no qual Saramago encerra de forma tão poética quanto icônica esta que, em minha humilde opinião, é uma das maiores obras do escritor português.
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Sarah 17/07/2017

Engraçado e prende a atenção
A história começa no primeiro dia do ano, o qual ninguém morreu. As pessoas começam a achar curioso o fato da mídia não noticiar morte alguma e pessoas que sofreram acidentes graves continuarem vivas, apesar de não terem mais condições de voltar a uma vida plena... e não "passam pro outro lado". Começa então o rumor de que a morte entrou de greve. Isso cria um caos, principalmente na Igreja ("se não há morte, não há ressurreição; se não há ressurreição, não há igreja"), nas funerárias, nos seguros de vida, nos asilos, e assim por diante... Saramago trata a situação fantasiosa com humor e genialidade, com diálogos rápidos e espirituosos, situações engraçadas e extremamente criativas. Me diverti bastante lendo esse livro!
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Deghety 21/06/2017

As Intermitências da Morte
De forma irônica e bastante reflexiva, Saramago desossa a relação vida/morte mesclado à um conjunto de fatores filosóficos, sociais, econômicos, políticos, éticos e morais.
Em As Intermitências da Morte, a morte se decide a cessar suas atividades em uma nação como represália por constantes lamúrias e ataques recebidos ao longo da história da humanidade, trazendo alegria à uns, angústia à outros e desordem geral na sociedade.
Como é sabido, Saramago tem uma escrita pouco convencional, leva um tempo para se habituar, mas esse livro é espetacular e vale esse esforço.
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glhrmdias 13/06/2017

3,5
Saramago é mestre em gerenciar conjecturas para situações absurdas do ponto de vista prático. Esse exercício revela-se de extrema valia para a compreensão de acontecimentos triviais, permitindo-nos uma apreciação mais lúcida tanto do presente quanto do que está por vir. O romance percorre diversas facetas dessas ditas intermitências da morte, tratando com absoluta coerência todas as hipóteses apresentadas, desde o plano político e sociológico até o fantasioso. O texto, contudo, me parece instável, mas respira bem dada a sua divisão em "tomos" razoavelmente bem definidos. Talvez não esteja no rol dos meus favoritos do autor, porém, pode ser uma interessante porta de entrada aos que buscam se aventurar na singular prosa saramaguiana.
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Amisterdan 12/06/2017

O valor da morte
As intermitências da morte ? José Saramago

Na maioria das vezes só damos real valor a algo quando perdemos, não importa o que seja, quando não mais a temos, é ai que sentimos a importância e a falta. Mas será que sentiríamos saudade de algo que sempre foi responsável por um mar de lágrimas na história da humanidade? Estou falando da Morte, sim, a responsável por ceifar a vida de uma criança e a vida de um assassino sem distinção. Se a Morte deixasse de fazer seu trabalho, nós comemoraríamos ou choraríamos?

Na primeira parte desse romance Saramago levanta algumas questões que nos afligiriam se a Dono Morte resolvesse tirar umas férias, se de uma hora para outra ela resolvesse não matar, o que aconteceria se descobríssemos que ?No dia seguinte ninguém morreu?. Na segunda parte vemos pelos olhos da própria Morte o trabalho burocrático que é ceifar vidas, e que até a morte necessita de uma mudança na rotina. Saramago parte de algo aparentemente bom, e nos mostra que nem sempre o que queremos pode ser algo realmente agradável.

Não preciso mais falar nada, Saramago é incrível, a premissa do romance é incrível, a Morte pode ser incrível, mesmo que nós não queiramos conversa com ela em curto prazo. Recomendadíssimo.
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Tecocesar 24/05/2017

Saramago express
E se a morte deixasse de agir? E se ela passasse a se comunicar com as pessoas antes da execução? Qual seria a implicação prática disso? A história é sobre um país no qual a morte deixa de matar. O governo vira um caos, algumas empresas beiram a falência e a igreja entra em colapso. O humor e a ironia de Saramago presentes nesse livro rápido de ler. Não achei uma obra prima como " Evangelho segundo Jesus Cristo" ou "ensaio sobre a cegueira", mas é um excelente livro.
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Momo Del Rey 17/05/2017

Esse está no meu top top de livros preferidos de toda a vida. Não foi o meu primeiro contato com o Saramago, então já tinha mais ou menos uma certeza de que não ia ser tempo jogado fora. E realmente não foi.

No início é sempre trabalhoso se acostumar com o estilo de escrita do Saramago. Pra quem não sabe do que eu estou falando, ele narra tudo em parágrafos gigantescos de até três, quatro páginas. É como se ele seguisse o ritmo frenético de uma conversa de verdade, sem pausas estruturadinhas e tudo mais. Mas aí, depois que você se familiariza e aprende a ler dessa forma, a história flui de uma forma deliciosa.

Eu achava que As Intermitências da Morte ia ser um livro triste. Afinal, fala de morte, certo? Mas a coisa toda é muito engraçada, e é fácil se pegar olhando pras páginas com aquele sorriso no rosto. As cartas da Morte explicando sua "greve" são fantásticas. As reações das pessoas, mais ainda! É uma situação bem inusitada e o autor foi muito feliz e criativo nesse roteiro.

Aí o final...Ah, o final. Não vou dar spoiler, mas preciso dizer que ele vai pra um rumo completamente diferente do que você imagina. Se você espera ler um livro triste e se surpreende achando graça, vai se surpreender mais ainda no final. Eu adorei...Há quem não goste, mas aí fica a critério de cada um.
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Lara 01/05/2017

Livro muito divertido!
Divertido e de leitura rápida.Pra quem tem receio em ler Saramago este é um bom começo.Minha segunda leitura do autor e adorando.Recomendo muito!
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Rodrigo Pamplona 30/04/2017

Excelente! (Sem Spoiler)
As Intermitências da Morte é uma louca viagem do começo ao fim, que diverte pelo absurdo e impressiona pelo detalhismo. Tive uma ótima experiência com o livro e o sugeriria para qualquer leitor maduro o bastante para lidar com o aspecto peculiar da escrita de Saramago e decifrar as entrelinhas dessa estória que faz rir mesmo no meio da tragédia. Recomendadíssimo!
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Marcel Koury 30/03/2017

No filme "O Sétimo Selo" (1957), do genialíssimo cineasta e dramaturgo sueco Ingmar Bergman, há um emblemático diálogo entre o protagonista, um cavaleiro medieval, e a Morte:

— Quem é você?
— Eu sou a Morte.
— Veio me buscar?
— Tenho caminhado ao seu lado há muito tempo.
— Eu sei.
— Está pronto?
— Meu corpo está, mas eu não.

Na crucial sequência — uma das mais sensacionais da história do Cinema —, o cavaleiro, fisicamente exausto após anos de batalhas, ainda tem forças para desafiar a Morte em uma partida de xadrez:

— Você joga xadrez, não?
— Como sabe?
— Eu vi nos quadros e escutei nas canções.
— Posso dizer que jogo muito bem.
— Você certamente não joga melhor do que eu.
— Por que quer jogar comigo?
— Isso é problema meu.
— De fato.
— Minhas condições são as seguintes: você me deixa vivo enquanto eu resistir a você. Se eu conseguir um xeque-mate, você me poupa.

Certamente, a ceifadora de vidas retratada no clássico cinematográfico não é a mesma presente no romance do aclamado escritor português: vingativa e caprichosa, a morte (aqui, com seu nome grafado em minúsculas), cansada de ser execrada pela humanidade, decide que, a partir do dia 1º de janeiro de um ano qualquer em um país não localizado, ninguém mais morrerá. Graves acidentes de trânsito, infartos, violentas brigas — nada disso importa: a partir daquela fatídica data não se morre mais nos limites do tal país. Simples (e complexo) assim.

O que começa como regozijo geral (não foi sempre um desejo humano a vida eterna?), logo se mostra uma realidade desesperadora: sem a morte, mesmo quem deveria morrer continua em estado de vida suspensa — a vida não se esvai, mas também não volta, e quem estava a um fio de morrer continua indefinidamente dessa maneira. Em pouco tempo os hospitais e asilos ficam lotados (num deleitoso trecho, os empresários do ramo funerário discutem o que farão sem sua "matéria-prima"), e o governo precisa definir, diligentemente, um novíssimo plano de gestão pública — até mesmo a Igreja entra em conflito/contradição com seu dogma-pilar: "Sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja", queixa-se, lamuriante, o cardeal ao primeiro-ministro.

Ao longo da cativante e provocativa trama, Saramago inverte brilhantemente os papéis entre os vivos e a morte. Quando o caos inescapavelmente se instala, a população fica cada vez menos humana (surge, por exemplo, uma máfia com o intuito de levar os moribundos para atravessar a fronteira do país e poderem dar seu último suspiro em terras onde ainda é possível morrer), enquanto a morte vai, lenta e progressivamente, tornando-se cada vez mais humanizada. Com seu peculiar estilo jocoso-amargo, Saramago expõe os elos que unem o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade — é o suficiente para analisar a vida e a condição humana.

Na terceira e mais interessante parte do romance, Saramago desemboca a ação noutra vereda, em que a morte, já personificada, se vê, pela primeira vez em sua lúgubre existência, surpreendida por uma pessoa a quem ela ordena morrer e que, no entanto, recusa-se a fazê-lo. Segue-se, assim, uma busca/investigação das razões de tais acontecimentos, pois a morte, atônita com o inexplicável/inusitado caso, depara-se com um sentimento que, até então, estava além das suas fatais capacidades: o amor.

As "Intermitências da Morte" é uma fábula moderna sobre a necessidade de morrer e como isso é determinante para o curso natural da vida, já que a morte é condição sine qua non para que surja o novo. O romance tem uma estrutura alternada, ora focando-se num evento geral, ora concentrando a ação nos personagens individualmente, e irrompe como uma pertinente alegoria ao próprio ciclo da vida: tudo tem um início, um meio e, inexoravelmente, um fim.

Ao término da leitura, somos levados à reflexão: a morte — "o único mal irremediável", como assinala o magistral Ariano Suassuna em seu "Auto da Compadecida" (1955) — tem um plano reservado para todos nós, mesmo que ela esteja, protestante e momentaneamente, em greve.
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Jéssica - Janelas Literárias 25/03/2017

Tão natural quanto a vida é a morte e esta ainda mais certa que aquela.

Como diria Vinicius de Moraes, "a morte é a angústia de quem vive", mas talvez a vida sem morte também o seja. Uma confere significado a outra, não há como imaginar um mundo em que a morte, ou as mortes, não existam. É nesta dicotomia que se consagra a narrativa de Saramago em "As Intermitências da Morte".

Num primeiro momento, sem nenhum aviso, um país inteiro é felicitado, ou condenado, a não mais morrer. Sim, desde às zero horas do primeiro dia do ano, não há defunções. Aqueles que se encontravam a beira da morte, encontram-se agora em estado de "morte suspensa".

Já que não se morre no país, as pessoas levam seus familiares, que estão em situação de morte suspensa, para os países fronteiriços para que lá possam finalmente morrer. É então que aparece a máphia, uma associação criminosa que, fazendo alianças com o governo, começa a comercializar este serviço de levar à morte.

Com muita ironia, Saramago nos apresenta o cenário criado por esta nova realidade, sobretudo no que diz respeito à moral, economia, política, relações familiares e hipocrisia velada. Os problemas que vão aparecendo, de asilos que vão ficando lotados, de funerárias que não podem mais trabalhar, seguros de vida sem propósito e hospitais lotados, são resolvidos das formas mais mirabolantes.

"Que dirá a vizinhança, perguntou, quando der por que já não estão aqui aqueles que sem morrer, à morte estavam"
Em meio ao caos geral, a morte dá o ar da graça, anunciando que a partir do dia seguinte todos voltarão a morrer como antes, com o único diferencial de que serão informados, por ela mesma, uma semana antes de acontecer, por meio de um bilhete de cor violeta, assinado simplesmente por "a morte", em minúsculas. O bilhete lhes informava do prazo improrrogável de 7 dias para morrer, dias estes que deveriam servir para os acertos financeiros finais e despedidas.

Mas uma destas cartas, volta ao remetente. Agora a morte, personificada em um esqueleto de gadanha e capa, tem que descobrir como conseguiu tal feito, um certo violoncelista. Aqui se inverte o ponto de vista da narração. Agora vamos dar continuidade à fábula pelos olhos da morte.

Interessante é que a morte vai nos aparecendo com perspectivas morais mais elevadas que os próprios humanos. E ainda que a morte tente, jamais ganha a empatia dos humanos, seja quando some, seja quando aparece, seja quando avisa que está por vir.

A prosa de Saramago não é de todo fácil, a linguagem é arcaica, mas elegante e concisa. E assim como Machado de Assis (em bem da verdade, acho que os dois possuem algumas semelhanças relevantes), ele gosta de conversar com o leitor. Apesar de fininho, não é um livro que se lê em um dia, uma vez que exige certa atenção, mas é sim agradável, instigante e bem divertida. Obviamente que não é a melhor obra de Saramago, mas tem o seu charme.

"Enfim, de deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta não é mais que uma delas".

site: https://www.instagram.com/janelasliterarias/
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Jessica.Baqui 04/03/2017

Sensacional
Primeiro livro do Saramago que li e me apaixonei pela escrita. Ele é irônico e de uma criatividade assombrosa. O final foi para mim completamente inesperado. Fiz uma leitura muito lenta, no leitor digital, em pequenos intervalos que dispunha. E de um livro que esperava apenas fossem exploradas as implicações políticas e sociais da greve da morte, tive um prazeroso e encantador final. Recomendo fortemente!
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Mya 28/02/2017

Vale a pena? Pois digo que sim, é um livro desafiador que requer atenção redobrada, um dicionário do lado, e muita paciência até se acostumar com a narrativa. A obra cumpre seu papel de nos tirar da zona de conforto, de perturbar, refletir e surpreender.
Resenha completa no site da Armada de Escritores!

site: http://www.armadadeescritores.com.br/2017/02/resenha-as-intermitencias-da-morte-jose.html
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