A Luneta Âmbar

A Luneta Âmbar Philip Pullman




Resenhas - A Luneta Âmbar


207 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Antonio Luiz 18/01/2013

A inquisição não tem senso de humor
Em 18 de dezembro, por ocasião do lançamento mundial do filme A Bússola de Ouro, o jornal oficial do Vaticano L'Osservatore Romano, atacou Philip Pullman, autor do livro de fantasia no qual foi baseado o roteiro, com um longo e duro editorial. É uma distinção curiosa, que em 2005 já havia sido concedida a Dan Brown pelo Código Da Vinci e em 15 de janeiro premiou o conjunto da série Harry Potter, de J. K. Rowling. O ex-grande inquisidor, atual papa, parece acometido de incontrolável nostalgia por fogueiras e caças às bruxas.

Segundo o editorial do jornal do Vaticano, Pullmann promove uma ideologia atéia e inimiga de todas as religiões reveladas. A esperança não existe, porque não existe salvação senão na capacidade pessoal e individualista de controlar a situação e dominar os acontecimentos. Trata-se de uma obra sem Deus no horizonte, onde tudo é reduzido e feito triste, frio e desumano e ao mesmo tempo, uma saga de fantasia gnóstica em molho sessenta-e-oitista, na qual a felicidade reside na independência absoluta, não na relação.

A nova hipersensibilidade de Ratzinger a best-sellers populares e infanto-juvenis de fantasia e ficção científica dá a entender que a Igreja Católica sente-se tão frágil quanto a Autoridade que, ao final da epopéia de Pullman, é dissipada por uma mera brisa. Outrora, a honra do Index era reservada a autores tão relevantes quanto Emmanuel Kant, John Stuart Mill ou Jean-Paul Sartre. Algumas obras de fantasia, é verdade, chegaram a ser condenadas às fogueiras, mas eram de outro calibre, como o Pantagruel de Rabelais ou Paraíso Perdido, de John Milton.

Mas o tom da crítica a Pullman, além disso, dá a impressão de partir de quem não se deu ao trabalho de ir além da tela (que adaptou apenas uma parte do primeiro volume) e das orelhas dos livros. Pois seria possível, de um ponto de vista cristão, fazer uma crítica muito mais inteligente da mesma obra.

Em várias entrevistas, o escritor confirmou seu agnosticismo e sua intenção de minar as crenças cristãs. Mas se queria combater o teísmo com a trilogia Fronteiras do Universo (A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar), a obra o traiu. A Igreja Anglicana, mais lúcida, parece dar-se conta disso. Ron Williams, Arcebispo de Canterbury, sugeriu em um sermão de 2004 que o ateísmo de protesto de Pullman fosse discutido em aulas de educação religiosa para jovens de 15 anos ou mais, junto com O Grande Inquisidor de Dostoievski e A Peste de Camus.

É verdade que a trajetória da protagonista a leva a acidentalmente matar Yahweh (ou A Autoridade, como também é conhecido em seu mundo), enquanto seu grão-vizir Metraton (o profeta Elias promovido a arcanjo-mor), entidade tida como enormemente poderosa e inteligente, com milênios de experiência e incontáveis exércitos de anjos à sua disposição, sofre uma derrota inverossímil e anticlimática ao se deixar seduzir por uma mulher e cair em uma armadilha óbvia.

Mas, ao mesmo tempo, nada na trama faz sentido se não se quiser supor que a protagonista e seus amigos são guiados por uma Providência. Não tem jeito: é inevitável imaginar um verdadeiro Deus, onipotente e onisciente, a manipular os acontecimentos dos bastidores e permanecer invisível e ignorado. Com certeza, os personagens dependem apenas da capacidade pessoal e individualista de controlar a situação e dominar os acontecimentos e não têm a tal independência absoluta apontada pelo Osservatore Romano.

Pois, em Fronteiras do Universo, a protagonista Lyra é escolhida e predestinada à sua missão por uma profecia, recebe a graça (o termo é usado explicitamente) de um talento sobrenatural para ler a famosa bússola e põe nela uma fé para Santo Agostinho nenhum botar defeito.

No final, ao despertar para a sexualidade como adolescentes, Lyra e seu namoradinho Will redimem não só a humanidade, como os milhões de universos habitados pelas mais diferentes espécies de seres inteligentes. Ainda mais ilógico que as tradicionais idéias cristãs de um pecado original que compromete todos os descendentes (mas ao menos só eles) e da redenção universal pelo sacrifício de Jesus (que pelo menos era um homem-deus).

O mesmo faz a física Mary Malone, aliada que surge mais para o meio da trilogia: sem questionar, mergulha em um universo desconhecido para cumprir uma missão (bancar a serpente) ditada em um computador por alguém que diz ser um anjo que ela não tem como saber se é bom ou mau e para encontrar seu caminho no estranho mundo onde vai parar, joga as varetas e confia nas orientações do I Ching como um pentecostal confiaria na Bíblia. Nem a Maria original, a mãe de Jesus, acreditou na Anunciação com tanta facilidade: o anjo precisou aparecer em pessoa e dar todas as explicações.

Como explicar o paradoxo? É-se levado a crer que faltou habilidade ao autor para compatibilizar a forma da mensagem com o conteúdo que conscientemente lhe quis dar. Oficialmente, Pullman admite a influência de John Milton (o título original da trilogia, His dark materials, cita um verso de O Paraíso Perdido), mas sua narrativa deve muito mais ao C. S. Lewis de Nárnia e ao J. R. R. Tolkien de O Senhor dos Anéis a ponto de começar a aventura em um guarda-roupa, como o primeiro, e terminá-la com uma batalha apocalíptica entre as fortalezas do Bem e do Mal, como o segundo.

Mas ambos os autores de épicos de fantasia eram cristãos intransigentes. Histórias maniqueístas que valorizam a fé, a graça, as profecias, o destino e a providência estavam totalmente de acordo com suas intenções. Quem segue tais convenções tradicionais continua, no fundo, a escrever épicos cristãos, ainda que tente inverter o sinal e se faça de Javé o vilão e de Lúcifer (na pele de Asriel, o pai de Lyra) um herói. E quem o lê sairá ainda mais convencido de que os dogmas cristãos são naturais e é necessário um Deus como o cristão para dar sentido à realidade, seja qual for o nome que tiver.

É difícil dizer como deveria ser um romance de fantasia agnóstico, humanista e coerente, mas dá para dizer: assim, não. Não deveria ser maniqueísta a ponto de reduzir o inimigo a um Mal absoluto e incondicional, sem explicação. Compreender o conflito em termos não em termos de Bem e Mal, mas de interesses e pontos de vista opostos, conciliáveis ou não, é parte de uma visão de mundo humanista. Mas Pullman faz os anjos e seu braço humano, o Magisterium (caricatura das Igrejas cristãs) agirem como se quisessem o mal pelo mal. Querem o poder absoluto, mas em nenhum momento se explica para quê, já que os anjos parecem não ter ou desejar ganhos materiais, nem prestígio entre humanos que mal os conhecem.

Para eliminar o pecado e aumentar ainda mais seu poder, parecem querer eliminar do Universo o famoso Pó que confere consciência a humanos e outros seres inteligentes um suicídio, pois são feitos dele. Por razões jamais explicadas por simples maldade, ao que parece confinam os espíritos dos mortos a uma espécie de campo de concentração subterrâneo, o inferno desse universo, sem tirar disso qualquer proveito (até que os heróis os libertam para que possam se dissolver e morrer definitivamente).

Talvez os personagens devessem ser mais céticos e não acreditar tão cegamente que um método divinatório (seja bússola de ouro, I Ching ou Tarô) possa lhes dizer o que é bom ou mau e o que devem fazer. Deveriam refletir conscientemente sobre ética, bem e mal, em vez de se submeter cegamente à fé em mensagens do além. Com certeza, não deveriam ser predestinados (por quem?), nem receber graças (de quem?), nem redimir (de que débito e a quem?) o multiverso inteiro com um ato íntimo, natural e rotineiro, que não tem por que virar as leis naturais de cabeça para baixo ou recolocá-las de pé.

Ainda assim, poderia ser fantasia: inúmeros romances e séries de fantasia, de Rabelais (Gargântua) a Terry Pratchett (Discworld), passando por Edgar Rice Burroughs (Tarzan), Robert Howard (Conan) e Monteiro Lobato (Sítio do Picapau Amarelo), entre outros, criaram mundos fantásticos sem plagiar o Gênesis, os Evangelhos e o Apocalipse.

Mas também deve-se dizer que a trilogia de Pullman tem bons momentos, alguns personagens muito simpáticos a começar pela molequíssima Lyra, ao menos nos primeiros capítulos e algumas idéias muito curiosas, das quais a mais bem achada é a dos daemons ou dímons, como preferiu a tímida nova tradução. O autor alega ter tirado a idéia, aparentemente nova para a literatura de fantasia, diretamente da sua imaginação, mas a verdade é que se parece muito com concepções indígenas.

Segundo o antropólogo Curt Nimuendaju em As lendas da criação e destruição do mundo, os apapocuva-guaranis (que vivem no Paraguai, sul do Brasil e São Paulo, incluindo uma aldeia no município da capital) acreditam que todo indivíduo tem o ayvucué, alma humana (literalmente sopro ou espírito) e acyiguá, alma animal (daemon). O ayvucué é manso, conformista e obediente, como são, no mundo de Pullman, os humanos separados de seu daemon. E o acyiguá, que exprime desejo e inquietação, reflete a verdadeira natureza do indivíduo: para um índio calmo e brando pode ser uma borboleta, para um perigoso e violento, um jaguar ou outro animal predador.

Os ursos de armadura também se mostram bem bolados, ao menos no que se refere a seus costumes e sociedade. Outras idéias curiosas, ainda que nem sempre bem aproveitadas, são a faca sutil que corta universos, os mulefas, animais inteligentes que se movem sobre rodas, e os galivespianos, minúsculos seres inteligentes semelhantes a insetos.

Infelizmente, a criatividade de tantas boas idéias é contrabalançada pelo lugar-comum dos clichês que, na maior parte do tempo, movem a narrativa. Pullman abusa de coincidências improváveis, salvamentos no último segundo, relações familiares misteriosas, reconhecimentos melodramáticos e corações derretidos. E de pontos de vista impossíveis como quando um personagem abre uma janela e vê, no meio de uma batalha imensa e apocalíptica, um galivespiano picar um piloto de uma aeronave inimiga, que perde o controle e se choca contra uma montanha a alta velocidade.

Os aspectos de suposta ficção científica da obra são mal concebidos. A noção de que a inteligência caiu do céu de repente, há trinta e poucos mil anos (vital para a história), é disparatada: Pullman deveria ter lido mais Darwin, em vez de digerir mal a cosmologia moderna a ponto de fazer do seu Pó a matéria escura dos físicos. Esta não é tangível nem visível, com luz especial ou não. Só interage com matéria normal por meio da força da gravidade. Seres e objetos feitos de matéria escura não poderiam de maneira nenhuma serem vistos ou tocados, como acontece com os anjos e daemons na história.

A idéia da matéria escura a vazar do universo e levar consigo a consciência é ridícula. Se existe, ela nos rodeia por toda parte e é muito mais abundante do que a matéria comum. Não corre risco de se esgotar, mas se desaparecesse de repente, a conseqüência previsível não seria o desaparecimento da inteligência, mas a dissolução das galáxias. Pois se os astrônomos se sentem forçados a postulá-la, é porque as estrelas se movem com tal velocidade em torno dos centros das galáxias que sairiam de órbita se não houvesse uma massa invisível e intangível várias vezes superior à da matéria normal.

Essa concepção inverossímil do Pó, além de disfarçar um espiritualismo de fato em falso materialismo, conduz a um final melancólico e decepcionante. Não porque os pombinhos são obrigados a se separar, mas pelas razões absurdamente forçadas que se alega: cada um deles não podem viver muito tempo fora de seu próprio universo, mas as janelas abertas pela faca sutil entre os universos precisam ser fechadas para que o tal Pó não vaze.

Ora, nas premissas do romance, seus universos existiram por pelo menos trezentos anos com milhares ou milhões de janelas abertas, resistindo razoavelmente bem, apesar de um lento vazamento. Trata-se do casal cujos beijinhos (de maneira igualmente inverossímil, mas enfim!) viraram a maré do Pó e salvaram milhões de universos de um colapso iminente. Que mal faria deixar uma última janela aberta durante a vida curta de um casal humano, ou pela vida ainda mais curta de uma típica paixão adolescente?

A resposta não está na lógica da narrativa, mas na falta de imaginação e habilidade do autor em questões éticas e sociais. Longe de ser sessenta-e-oitista, como quer o Inquisidor-Mor, a moral da trilogia é tacanha, britanicamente conformista. Lyra e Will são separados simplesmente porque o escritor não ousou tirar as conseqüências de deixar o desejo sexual entre dois púberes de doze ou treze anos seguir o curso natural. Pullman é um cordeiro em pele de lobo, que arromba portas escancaradas ao ridicularizar o Javé do Velho Testamento, mas não corre o risco de pôr em dúvida o que a boa sociedade britânica julga apropriado para adolescentes dessa idade.

Mesmo se Will é um garoto insuportavelmente chato, maduro e caxias, o genro ideal para o típico pai à moda antiga. Chega ao ponto de, tendo chegado a uma cidade de ladrões recém-evacuada, devastada por uma praga de espectros, fazer questão de pagar pela comida e bebida, prestes a se deteriorar, da qual necessita. Morreria de fome, supõe-se, se o autor não desse um jeito de lhe deixar um punhado de libras no bolso, levado do nosso mundo para um universo paralelo onde provavelmente não tem valor. Bem, talvez tenham, já que ele encontra lá certa marca de refrigerante transnacional que Pullman promove à transcendência cósmica.

Em certo momento, o corpo astral da cientista Mary é soprado para longe do corpo. Ela precisa se apegar à vida para voltar. O que lhe ocorre? Momentos de consumo solitário de classe média: bacon com ovos, cheiro de café, a cama no inverno, margarita com gelo na Califórnia, o restaurante em Lisboa, limpar o pára-brisa do carro... Acaso será mesmo isso que faz a vida valer a pena?

Ainda mais frustrante, anjos e bruxas convencem Lyra, deliciosamente moleca, ousada e indomável no início da trama, a entrar para uma escola de moças, seguir uma carreira acadêmica bem-comportada, ter uma vida segura, programada e rotineira, como se essa fosse a maior das recompensas. rito de passagem da infância para a maturidade. Seu épico rito de passagem não serve para mais que levá-la a atingir a maturidade de uma mulherzinha convencional. Faria mais sentido se ela fosse viver com os amigos que fez entre os interessantes e rebeldes nômades gípcios (ciganos da água).

É como dizer: bem, crianças, chega de sonhar, o importante na vida não é descobrir a verdade, salvar o mundo e dar amor, é aprender a ganhar a vida de maneira apropriada para sua classe, garantir um emprego que dê para pagar as contas, garantir a aposentadoria, lavar o carro no sábado e almoçar na casa da sogra aos domingos. E ainda vem o Vaticano falar em sessenta-e-oitismo!
Keilessine 16/01/2013minha estante
O que as pessoas mais erram em suas críticas a Pullman eh citar a Autoridade sendo Deus, pois no próprio livro diz que ele foi a primeira criatura a tomar consciencia e a partir dai se elegeu o próprio criador.


Antonio Luiz 17/01/2013minha estante
A Autoridade pode não ser o "Criador" (no qual Pullman não acredita), mas não tem dúvida nenhuma de que no contexto da história ele é Javé, o deus judaico-cristão,


Léo 14/03/2013minha estante
concordo em partes, discordo em outras, mas no geral não concordei com a conclusão e alguns argumentos dessa resenha.


Alda 25/05/2013minha estante
Parabéns, Antonio Luiz, texto inteligentíssimo! Crítica perfeita e digna dos grandes escritores. Em em três anos de Skoob é a primeira vez que leio uma uma resenha tão rica como a sua. Mesmo resolvendo, depois de ler sua resenha, , de que não lerei a obra, por falta de interesse no gênero, reitero minha admiração a sua tão bem tecida critica.


Luna Martins 21/07/2013minha estante
Concordo em partes. Mas sinceramente, só percebi que sua resenha era tão grande depois que a li. Você escreveu tudo de uma maneira bela e nem por isso cansativa.


Lucas 23/07/2013minha estante
Antonio Luiz sua critica foi absolutamente brilhante! Acabo de ler o livro e gostei da história, bem montada, com doses de suspenses e emoção, enfim, uma leitura despretensiosa que traz algumas boas reflexões. Penso que ela fechou a trilogia de forma muito satisfatória. Entretando, também fiquei com aquele Q de que havia algo errado. O autor se dizia tão "anti-cristo" mas usou vários elementos cristãos em sua narrativa. Dizia que somos criaturas sem criador, mas ao mesmo tempo, imbuia em cada capítulo a fé em uma força maior. Havia em muitas entrelinhas a presença marcante do Deus monoteísta, bíblico e cristão. Mas não consegui juntar esses pontos até ler o seu relato. Meus parabéns. (Até reduzi a quantidade de estrelas na avaliação do livro de 5 para três).


João Ferreira 08/08/2013minha estante
Não tinha reparado nesse ponto, mas levando em consideração a origem ateia do autor, ele deve ter se perdido em suas críticas e acabou por supervalorizar o cristianismo, em vez de depredar.


Raísa 07/03/2014minha estante
Gostei da sua análise, alguns pontos eu não tinha notado ao analisar a obra, mas concordo com seu ponto de vista. Com certeza o autor se perdeu ao tentar de maneira tão intensa criticar a igreja católica, impedindo que a história chegasse a altura de A Bussola de Ouro. Ademais, o que mais gostei nesse livro foram as personagens, principalmente Will e Lira


Mia 29/11/2014minha estante
Ao ler sua resenha minha impressão foi a de ver um menininho descontente porque sua história não terminou como ele gostaria que tivesse terminado, sentado num canto do jardim, embirrado, chateado e achando que poderia fazer melhor. Talvez pudesse. Mas só saberíamos se o menininho em questão reescrevesse o livro. Para tal existe algo chamado fanfiction. Boa sorte com isso. :)

(Eu realmente achei sua crítica sem sentido em muitos pontos.)


Jonathan 21/04/2015minha estante
Não consegui nem terminar de ler sua crítica pelo tamanho número de coisas que aparentemente você não prestou atenção no livro. Pelo jeito que você fala da obra parece esquecer que ela não foi escrita para a cabeça de um adulto. O livro é voltado para o público infantil, apesar de agradar muitas pessoas mais velhas, então é óbvio que não tem explicações mais complexas e que o autor usa de coincidências pouco prováveis para resolver algumas coisas. A matéria escura não pode ser vista, não sei de onde tu tirou que dimons e anjos são feitos de pó e que por isso ele pode ser visto, o pó/matéria escura não pode ser visto, tanto que a Dra Malone criou a luneta para poder enxergá-lo. Eles não querem eliminar o pó, o Lorde Asriel fala que estava tentando o salvar, assim como Lyra havia decido salvá-lo no primeiro livro. Os objetos usados como o aletiômetro e o I Ching são movidos pelo pó, que todos entendem como responsável pela vida inteligente no mundo, não por forças divinas, por isso personagens confiam nas informações passadas por esses objetos. Enfim, tem algumas coisas bem mal interpretadas em sua crítica mas como cada individuo faz a sua própria interpretação das coisas...


Dexter R. 11/07/2015minha estante
Vim ler na inocência e recebo nas fuças a revelação do fim da Autoridade. Muita gente vem ler para saber o que as pessoas pensam do livro e da muito bem para resenhar sem dar um spoiler...


Isaque 17/08/2016minha estante
Meu amigo, baita duma análise! Perfeita!


Lídia Souto 18/11/2016minha estante
Estava na minha lista, semana passada quase comprei o primeiro volume, mas dps da sua resenha fico feliz de não te-lo feito. Sério que tem toda essa salada de referências cristãs num livro que pretendia justamente o contrário? Enfim, detesto essa temática clichê bem x mal. Ainda bem que não perdi tempo com a leitura. Obrigada pela resenha incrível.


Jonas 10/05/2018minha estante
Resenha maravilhosa, e ainda me explicou um pouco sobre matéria escura, um dos grandes mistérios da ciência atual que mobiliza milhares de cientistas.

O que o senhor pontuou foi o que pensei enquanto lia, mas não consegui elaborar. Por isso, agradeço essa resenha.

Acho que Feiticeiro de Terramar nos dá boas pistas de como "... deveria ser um romance de fantasia agnóstico, humanista e coerente,". Pela falta de deuses, igrejas, vilões e pelo fato da jornada do heroi começar a partir de um erro cometido pelo próprio.


Joanna Kod'S 19/06/2019minha estante
Acho que uma coisa importante a destacar é que o agnosticismo não é o mesmo que o ateísmo. Claro que existem ateus agnósticos, mas o agnosticismo por si próprio é muito mais sobre não afirmar a existencia ou não existencia de uma forma divinatória, o que define a crença em divindade é teismo ou ateismo. O agnosticismo está muito mais voltado em como a ciencia moderna ou contemporanea pode levar a razão para dentro da religião.
"Alguém que admita ser impossível ter o conhecimento objetivo sobre a questão ? portanto agnóstico ? pode com base nisso não ver motivos para crer em qualquer deus (ateísmo fraco), ou pode, apesar disso, ainda acreditar em algum deus por fé (fideísmo). Nesse caso pode ser ainda um teísta, caso acredite em conceitos sobrenaturais como propostos por alguma religião ou revelação, ou um deísta, caso acredite na existência de algo consideravelmente mais vago. Existem ateus agnósticos, assim como teístas agnósticos." - trecho do wikipédia, por pura preguiça de catar a citação confiavel.
Existem pontos da sua resenha em que concordo completamente, mas se partirmos do pressuposto exato aqui, o texto de Pullmann faz exatamente o que se propõe, ele não deixa de lado uma crença divinatória, ele apenas mescla ela com a ciência, traz uma razão para dentro dela.
Realmente, como um romance ateista, o livro deixaria muito a desejar, mas como uma história agnóstica, eu acho bastante interessante.


thiago ramos 12/01/2020minha estante
Acho que é evidente que o "Deus" ali é uma crítica ao cristianismo, pois a Montanha Nublada nada mais é que uma igreja a "nível divino", mas é o próprio Pó quem guia Lyra e Will para a destruição desse Deus, que na verdade não é Deus. Não acho que ele tenha pregado o ateísmo, ele fala o tempo todo, inclusive usando os Mulafas, dessa interdependências das coisas no universos, ele resumidamente fala que fazemos parte de tudo e tudo faz parte de todos, não há uma inteligência superior divina como os cristãos definem(que é algo extremamente ridículo de se pensar) que controla e rege tudo, tanto que para o mundo voltar a se equilibrar, o objeto criado pelo homem, A Faca Sutil, e todas as janelas abertas por ela, tiveram que ser destruídas. A crítica aqui é ao homem e suas criações destrutivas e aos homens que procurar poder e controle através da alcunha de Deus ou "Autoridade".




Nati Morgan 15/06/2020

Eu tenho uma certa dificuldade com livros de fantasia e de imaginar um mundo novo e diferente do que já existe.
Imagina só um livro de fantasia misturado com filosofia? Senhor....
Durante a leitura eu abri um arquivo no word e fiz toda uma dissertação sobre o que seria o pó que o livro dizia a todo instante, cheguei até ter certeza do que era o pó, mas com o decorrer da leitura, já estava em dúvida de tudo que tinha escrito.
A comparação que o livro traz sobre Adão e Eva fez com que eu fizesse um outro novo textão pra tentar entender toda essa nova comparação.
Sei que o filme foi um fracasso e até mesmo eu não gostei, mas a série da HBO está sendo bem recebida. Na CCXP do ano passado eu participei do painel da série e os dois atores que estavam presentes me surpreenderam por pensar além e não somente na história literal que o livro traz. O próprio ator se identificava com a história do livro porque faz com que a gente pense além e não somente com o que as grandes instituições querem que a gente acredite. Alias, até mesmo no livro há um embate entre a igreja e o pó.
A mente explode a cada novo instante, mas no final, nada se entende e acho que essa é a graça do livro no final das contas.
O autor com certeza possui conhecimento do ocultismo e da linguagem metafísica, o que dificulta um pouco o que o livro quer passar.
Enfim, o livro é bom pra passar o tempo, mas não lerei novamente a série toda.
Samuel F. (Sansão) 15/06/2020minha estante
Esse livro é maravilhoso, amo muiito


Micky 15/06/2020minha estante
Ta nas metas do ano


Ari Sadamoto 25/06/2020minha estante
Eu ainda não o terminei. Quebrei as pernas, pois comecei coma minha ex-namorada. E não terminamos. Mas irei reiniciar. Haha! Pullman tem disse. Aproveita e dê uma chance a série de Sally Lockhart. ?


Nati Morgan 25/06/2020minha estante
vou procurar essa série pra ler a sinopse, obrigada pela indicação :)


Diego 30/06/2020minha estante
Boa resenha. Já li os livros, mas a sua resenha foi melhor que eles.




Patricia Lima 14/06/2020

A Luneta Âmbar
Esse é o terceiro da trilogia das Fronteiras do Universo, e eu não estava dando nada para essa conclusão, porque eu tinha achado o segundo livro muito chato e a série ainda não tinha me convencido, eu não tinha gostado tanto da história, ainda...

Então acabou sendo uma grande surpresa, porque eu gostei bastante da conclusão, foi o meu favorito da trilogia.

Eu consegui me envolver na história desde o começo, adorei todas as aventuras e o entrosamento dos personagens.

Mas o que mais gostei foi toda a conexão e aprofundamento a respeito dos demons. O livro focou muito na conexão das crianças com seus demons, e eu amei demais isso, então teve uma conclusão muito linda e muito fofa.

Teve um elemento extras no final da história, que quando surgiu eu fiquei com o pé atrás, mas daí depois deixou tudo mais lindo ainda e eu acabei amando.

Então foi uma grande surpresa pra mim ter gostado mais da trilogia na sua conclusão, valeu a pena ler até o último livro.
comentários(0)comente



Lu 26/10/2009

Final brilhante pra uma trilogia maravilhosa. Pena que não seja tão popular. É lindamente escrito e imaginado. Phillip Pullman é um gênio.
Babi 19/06/2010minha estante
eu juro que eu não entendo o porque não é tão famoso, o Luneta Ambar, foi um dos melhores livros que já li, com muitos detalhes, da melhor qualidade. Eu realmente adoro filmes que são baseados em livros, e já li uma entrevista que a faca sutil não vai virar, pelo fato que o publico não gostou, acho muita injustiça.


Mariana 04/08/2010minha estante
concordo totalmente.


Lucas 26/11/2012minha estante
Ótimo livro,trilogia maravilhosa!!


Luisa 20/05/2013minha estante
Já está entre as minhas favoritas!


Mylena.Leticia 20/12/2019minha estante
Concordo, uma das melhores trilogias que já li




Ravani 11/08/2009

Viajante
O autor viaja demais... quer criticar a Igreja católica e acaba se desviando do seu rumo... estragou toda a história da série pra ficar filosofando páginas, páginas e mais páginas sobre o catolicismo... na minha opinião, se perdeu totalmente e o desenrolar final da história foi muito ruim, perdendo todo o brilhantismo alcançado com "A Bússola de Ouro".
Márcia 30/10/2009minha estante
Acho que Philip Pullman, com a trilogia, não tinha como intenção principal "criticar a Igreja Católica".


Maíse 30/12/2009minha estante
Até que enfim uma resenha com a qual eu concordo.


Tiago 26/06/2010minha estante
Concordo :D A Bússola de Ouro é um ótimo livro (A Faca Sutil também), mas ele detonou a Trilogia nesse último livro.


Paulo A.A 25/03/2012minha estante
Exatamente o que acho, A bussola de ouro foi incrivel, e mais o menos até a metade da Faca Sutil, mas depois foi só frustação.


Rodrigo 25/11/2012minha estante
Pelo contrário, achei que o autor melhorou e muito de Bússola Dourada (sou dessa época, não gostei da mudança desnecessária, até a Luneta Âmbar. A história flui e tem um final que é muito difícil se se presumir. As alfinetadas, aliás, do estilo de Pullman acontecem desde o primeiro livro, então é esperado que ocorresse o mesmo nos seguintes, mas a crítica de Pullman não foi ao catolicismo em si, de qualquer forma, é muito além disso. Eu, mesmo acreditando em Deus, gostei da história.


Brenda L. 16/01/2013minha estante
Concordo. Mais ou menos no meio do livro eu estava prestes a desistir, pois não aguentava mais discursos sobre a Igreja disfarçados de historia de Lyra e Will. Esperava mais do final, Afinal com livros tão bons quando A Bussola e Ouro e A Faca Sutil, o ultimo da trilogia deveria vim e fechar com chave de ouro. Infelizmente para mim isso não aconteceu :/


Raísa 07/03/2014minha estante
Concordo, o autor criticou a igreja católica e se empenhou em defender uma ideologia contra a igreja, quando poderia ter usado mais fantasia e ousadia para criar uma história a altura do primeiro livro: A Bussola de Ouro.




João Ferreira 07/08/2013

Resenha: A Luneta Âmbar [A Medíocre conclusão da trilogia]
Comecei A Luneta Âmbar com certa desconfiança, pois já ouvira falar e li resenhas dizendo este ser o pior livro da série. Então comecei torcendo para gostar, mas realmente foi uma decepção. Para falar a verdade, o declínio da saga começou em A Faca Sutil, onde os acontecimentos acontecem rápidos demais, mas ainda havia um pouco de ação.

Nesse último volume, Pullman se perdeu em sua narrativa e em sua vontade de pejorar Deus! Em a Bússola de Ouro, o descontentamento ateu do escritor inglês contra a Igreja Católica é apresentado de forma sutil e inteligente, no segundo livro, começa a aparecer mais coisas e elementos anticristos, de uma maneira grosseira e infundada, e é apresentado, pelo menos ao que parece, o maior vilão a ser enfrentado, A Autoridade. Então, em a Luneta Âmbar, os personagens principais se tornam enfadonhos e sem importância, eles não fazem nada de importante para a real história. Lyra e Will passam o livro todo tentando chegar à Terra dos Mortos, e quando saem de lá, A Autoridade, que não teve nenhuma importância como vilão, já encontra-se morto, por inanição! E o anjo Metatron, que ao que tudo indicava ser um ser poderoso, morre após uma luta corpo-a-corpo contra Lorde Asriel e a Srta. Coulter. É revoltante pensar que os maiores vilões apresentados na saga foram destruídos em 10 páginas no máximo, num livro de 500 e tantas. Sem contar que o padre perseguidor da Dra. Malone, que dava impressão de que iria travar uma luta espetacular no final com a mulher, foi morto pelo choroso e ridículo Balthamos, a doutora nem ao menos ficou sabendo que estava correndo perigo de vida.

Desde A Bússola de Ouro, onde foi apresentado o Pó, eu fiquei me mordendo de curiosidade para descobrir o segredo e todos os mistérios envolvidos nesse nome. Agora que terminei o livro, continuo com as mesmas dúvidas. O autor não explica quase nada sobre essa substância e deixa o leitor na sombra. A narrativa é focada na Dra. Malone, que constroi uma luneta capaz de ver o Pó, um objeto incrivelmente inútil, comparado à Faca ou à Bússola, e quando Lyra e Will se unem à mesma carne, seus dimons se figuram numa forma definitiva e eles passam a ser carregados de Pó. Não temos mais nenhuma explicação sobre a relação entre o óleo dos mulefas e o Pó, por quê ele é mais intenso nos adultos, qual a relação inocência-Pó?

Se eu disse que em A Faca Sutil faltou menções e a história passou-se rápida demais, nesse terceiro volume houve um acréscimo de páginas, personagens e acontecimentos inúteis e acabaram por tornar o livro chato. A todo momento a narrativa troca de rumo e isso confunde o leitor. Lyra começa o livro presa com sua mãe, ela é libertada de uma forma banal e a super-hiper-foda Faca Sutil é quebrada simplesmente por Will pensar em sua mãe. Faltou a ação dos personagens, como Iorek Byrnison, que foi um dos protagonistas mais bem montados em a Bússola de Ouro, serviu apenas para consertar a Faca.

Então, chegando às últimas páginas, começo a me empolgar na expectativa de o final salvar o restante do livro, para não ter sido uma total perda de tempo. Parece que Lyra e Will ficarão juntos. Outra decepção que arrasou comigo. Descobriram que o Pó estava ‘vazando’ para outros mundos pelas passagens abertas pela Faca Sutil, e essas passagens contabilizavam milhares. Ou seja, era preciso fechar todas elas. Depois de Will ensinar uma anja a fechá-las, os garotos se deram conta de que não poderiam ficar no mundo um do outro porque morreriam em 10 anos, a solução seria deixar uma passagem aberta para eles ficarem um tempo em cada mundo. Tudo parecia perfeito, mas eles se lembraram de que teriam que deixar uma janela aberta para os mortos saírem, e então eles decidem que não podem deixar duas abertas. Cada um vai para o seu mundo viver como se nunca tivessem se conhecido e todas as passagens são fechadas, com Will quebrando a Faca e vivendo com a Dra. Malone, que ao meu ver serão marido e mulher. E para completar, Lyra perde a habilidade de ler o aletiômetro. Será que poderia existir um final mais idiota do que esse? Ora, havia milhares de passagens abertas por onde vazava Pó, e mesmo assim o mundo já durava 300 anos, qual a diferença de duas passagens abertas? Will poderia ensinar Lyra a fechar esse corte para outra dimensão e fazerem um trato de que quem morresse por último fechava a passagem! Mas parece que Pullman escreveu esse livro pensando em qualquer outra coisa, menos na narrativa do volume.

Pullman lançou mais outro livro, que conta a história de Lyra 2 anos depois do fim de A Luneta Âmbar, O Oxford de Lyra. Pesquisei e descobri também que haverá outro livro, intitulado O Livro do Pó. Mesmo odiando o último livro, vou ler esses dois, porque detesto deixar coleções em aberto. Tomara que esses dois último me conquistem e me envolvam, senão é provável que eu nunca mais leia nada escrito por Philip Pullman.
Mário H. 24/09/2013minha estante
creio que o objetivo do autor não foi criar uma história de ação, simplesmente sobre superstições e pura fantasia.
ele tenta dar lições de vida em certos momentos, pelo que percebi. Por essa perspectiva o livro é bom sim


João Ferreira 24/09/2013minha estante
Sua posição está certa, tanto que existem diversas passagens que permietem retirar frases de pensamentos. Mas o objetivo central do autor, desde A Bússola de Ouro, foi pejorar Deus, impondo seu ateísmo. Nos dois primeiros livros, Philip apresentou muita aventura, então era natural que o leitor esperasse ainda mais nesse! Mas não foi o que aconteceu! Ele se perdeu no seu devaneio ateu!


Ellen 10/05/2014minha estante
João, eu não acho que o Phillip tenha tido a intenção de escrever um livro ateu... e sim um anti-religião, ou talvez um "anti-Nárnia". Ateísmo e anti-religião são coisas diferentes... Se fosse um livro ateu o próprio Deus não apareceria, muito menos anjos ou coisas do tipo, e muito provavelmente seria uma ficção com uma mão pesada de ciência.


João Ferreira 10/05/2014minha estante
Tem razão, mas eu usei o termo "ateu" justamente por o ator ser adepto à essa concepção. O termo correto realmente é o "anti-religião", que mostra a insatisfação do autor em relação a Deus, muito utilizada em sua obra.


Isaque 17/08/2016minha estante
Tenho vontade de ler os outros dois apenas para lavar a alma desse terceiro.




Renato 01/08/2010

Conflituoso
"A religião cristã é um erro muito poderoso e convincente, é só isso." (Mary Malone)
Esse livro me colocou num dilema. Ao mesmo tempo que é inegável a qualidade e grandiosidade desse livro, alguns princípios desse livro vão de encontro aos meus. Apesar de ser um livro para ensinar o ateísmo a crianças, não tem como ler e não se envolver com as aventuras de Lyra e Will,e os outros vários personagens tão interessantes quanto essa dupla. Na minha opinião esse livro é muito perigoso no sentido ideológico, e deveria ser lido apenas por pessoas com uma cabeça bem estruturada. Fico me imaginando com cerca de 12 anos lendo esse livro... o que eu pensaria de uma guerra contra Deus?
Ganhou o direito a entrada na minha lista de favoritos, mas com uma grande ressalva.
Joe 31/08/2010minha estante
Eu pensei em fazer uma resenha, mas essa expressa bem, até melhor do que talvez eu conseguisse descrever, o que eu senti ao ler a trilogia, principalmente a partir de "A Faca Sutil".


Jonathan R. 27/12/2010minha estante
Acho que Pullman meio que fez uma armadilha para as crianças. Podem perceber: o primeiro livro é praticamente livre de referências ao mundo real e à Igreja, mas a partir do segundo é crescente a carga ideológica e, de certo modo, isso até tira o foco da história central, o que é uma pena.

É realmente um perigo dar essa trilogia pra uma pessoa em desenvolvimento, a não ser que você queria deliberadamente que ela cresça revoltada com Deus.


Tabmagnetic2 15/06/2012minha estante
E ser manipulado pela igreja desde pequenino pode? Ser batizado em uma religião sem consentimento é legal? AHHHH pfvr.


Bárbara 25/04/2013minha estante
Não creio que o objetivo de Philip Pullman seja tornar seus leitores ateus. A trama, na verdade, explora o desconhecido e envolve nossa imaginação, mas não creio que tenha o poder ou o objetivo de influenciar tão profundamente.




spoiler visualizar
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Luciana Mara 07/01/2009

Os dois primeiros livros da trilogia foram ótimos. Mas o final, deixou a desejar. Não aguentava mais os mulefas. O autor se perdeu no final.
Matheus Caixeta 07/01/2009minha estante
Realmente os mulefas encheram a narrativa,mas eu amei mesmo assim.


Victor Mendes 07/01/2009minha estante
As vezes os mulefas enchem mesmo, talvez o autor queira chegar a algum lugar com eles(eu espero) mas há momentos que me agradaram muito como as passagens com a Sra. Coulter e Will e Lyra.



CaioHigor 09/01/2009minha estante
Os mulefas realmente foi uma viagem muito doida do autor, acho que ele usou muito pó nesse parte de tornar a cientista numa xamã. Mas o bom é a parte do mundo dos mortos e o resto. É uma série muito interessante.


Diogo 30/04/2012minha estante
só eu gosto dos mulefas? acho eles e a dra. Malone os melhores personagens de toda a saga, rs


Tabmagnetic2 15/06/2012minha estante
Eu AMO os MULEFAS!!!!!!!!!!!!! O unico defeito do livro é que acaba :( hahaha


Wellington 26/02/2017minha estante
os mulefas são muito chatos,




hannaabrante 15/05/2020

A Luneta Âmbar - Livro 4 de 2020
Hipnotizante a forma como o autor descreve os detalhes da jornada de Lyra e Will. O terceiro e último livro da saga acaba já deixando saudade dessa história fascinante, de repercussões inimagináveis, que só Pullman entende. Leitura maravilhosa, mas com um final triste, talvez.
comentários(0)comente



Caio Cabral 20/05/2020

TODAS AS PESSOAS DEVERIAM LER ESSA TRILOGIA! ESPETACULAR!
No momento que finalizei os três livros parei para agradecer o tédio que estava sentindo no momento e que me fez ir ver a série His Dark Materials. Me apaixonei de primeira e corri comprar os 3 livros. E que grata surpresa!!!

Nesse último volume nos deparamos com o sumiço de Lyra e vemos que a mesma está sendo mantida adormecida pela mãe sob influência de remédios e enquanto se mantém dormindo, em seus sonhos, ela se encontra com nosso querido Roger, no qual o mesmo se encontra em um lugar precisando de ajuda. Em um outro lugar distante, Will, junto com os anjos, sai à procura de Lyra.

O livro demora um pouco para juntá-los novamente, mas quando isso acontece, todas as perguntas vão sendo respondidas, todos os personagens vão encontrando seus destinos finais e tudo que era mistério antes, vai sendo revelado em cada página do livro.

Se nos dois primeiros livros várias perguntas são lançadas, nesse terceiro, outras perguntas também aparecem, mas logo todas as respostas são apresentadas e tudo ocorre de forma natural e sem muitos devaneios.

As discussões sobre a relação da religião x ciência chega ao ápice nesse último volume, em que até a origem doS mundoS é explicado, quem é a Autoridade, o que é o Pó, de onde vem e para onde vai; até mesmo o que acontece quando alguém morre qual o seu real destino.

É um livro super denso, com ideias e discussões super complexas e que o autor utilizou de dois pré-adolescentes como centro para discutir essas temáticas tão polêmicas.

Depois das 150 primeiras páginas é só êxtase de leitura, pois é completamente ação e explicações.

Todos os personagens tiveram seu momento de destaque na história. Acredito, de acordo com a minha visão, que não houve nenhuma ponta solta no final, tudo se encaixou, mesmo as perguntas que eu nem tinha imaginado em fazer foram esclarecidas.

Por fim, digo que as últimas páginas desse livro foram devastadoras para mim. Fazia tempo que tinha chorado tanto enquanto lia as últimas páginas é também depois de finaliza-las e com esse aconteceu.

O final é super competente e coerente com tudo que foi apresentado desde o início dessa longa e emocionante aventura.
comentários(0)comente



nathykw 30/04/2009

O livro que mais me impressionou, tanto que não consegui parar de ler e praticamente virei a noite pra chegar no final.
Depois de ter lido toda a historinha bíblica de Nárnia, A Luneta Âmbar veio jogando um balde de água naquilo tudo. É de arrasar.
O jeito como Pullman trata o assunto religião é impressionante.
Todos que diziam que a trilogia era infantil deveriam ler esse último. De cair o queixo.
E, pra não faltar, tem aquela dose de emoção no final - chorei muito - e uma vontade de saber mais. Quem dera todos os livros fossem assim.
comentários(0)comente

Márcia 30/10/2009minha estante
INFANTIL? Jamais!! eu não deixaria uma criança menor de 10 anos ler. Coitada...

Também ficou com vontade de saber mais...




Nat 19/05/2011

O terceiro e último livro da trilogia Fronteiras do Universo.
Eu li A Bússola de Ouro e A Faca Sutil para o Desafio Literário 2011, e estava louca para saber como a história terminava. Quando li o primeiro, fiquei me perguntando por quê eles, quando adaptaram para o cinema, acabaram com a história, infantilizando o filme demais. Quando li o segundo, fiquei em dúvida se a Sra. Coulter ainda seria a vilã, retratada tão perfeitamente pela Nicole Kidman. Agora que li o último livro, vi que a saga toda, de infantil, não tem nada. E tentei imaginar como seria adaptar o último livro para as telas, principalmente no que diz respeito a Will e Lyra.
Se no segundo livro, a referência a Paraíso Perdido de John Milton fica um pouco evidente, n'A luneta âmbar, é uma referência clara e total. É até engraçado. Pullman soube colocar a influência do poema de uma forma sutil, mas também bastante clara, de um jeito que eu vi poucos autores fazerem com suas referências literárias. E o Pó... Terminei o primeiro livro sabendo o que era isso, terminei o segundo com a cabeça zonza e agora terminei o terceiro entendendo totalmente.

Para quem não sabe, o poema de Milton, Paraíso Perdido, fala da queda do principal anjo de Deus, Satã, e da corrupção de Adão e Eva e sua expulsão do Paraíso. Nos livros de Pullman, Deus é chamado de Autoridade, Lyra faz referência a Eva, Will, a Adão, e a Cobra tentadora na árvore é uma cientista (antes, freira) Mary Malone. Até então, não havia entendido o papel dela na história, mas quando a chamaram de "a mulher tentadora" e ela fala que, no mundo em que ela está, as serpentes são animais que não são incomodados (ela inclusive foi parar num mundo onde os habitantes não são cobras, mas são animais com as mesmas características), clareou a minha mente. Lorde Asriel e vários outros personagens, inclusive anjos (referência aos anjos decaídos que acompanham Satã na guerra contra Deus), começam a guerra. O livro não retrata a guerra início-meio-fim, mas o leitor sabe quando começou e terminou.

Sobre o Pó e os dimons: o Pó é composto por partículas, encontradas em todos os seres. Quando crianças, as pessoas não têm muito Pó "em torno de si" (é mais ou menos essa a expressão). À medida que elas crescem, o Pó vai se concentrando nelas. E os dimons vão ganhando uma forma única quando a criança se torna adulta. No livro, Pullman coloca que o Pó (e a forma imutável do dimon) é a evidência física de que algo acontece quando a pessoa deixa de ser criança (inocente) e se torna adulta (experiente). Existe uma conotação sexual, como no caso de Adão e Eva, puros antes de cair em tentação, mas mudados após comerem a maçã. Muita concentração do Pó na pessoa é sinônimo de que ela é adulta, que ela não é mais inocente e pura. E os dimons mudando quando crianças fazem referência a quando, antes de cometerem o Pecado, Ãdão, Eva e todos os seres eram criaturas puras e semelhantes. Quando cada dimon assume uma forma diferente do outro, as pessoas vêem as diferenças entre si e se envergonham, fazendo referência a diferença entre homem e mulher (a conotação sexual).

Como Will e Lyra fazem referência ao casal primordial, eu fiquei ansiosa esperando pra ver quando seria a tentação, quando Lyra cederia a ela e Will acompanharia. Aí o romance começa entre os dois. Mas não tem uma conotação sexual, por assim dizer. É o primeiro amor. Mas acontece de um jeito que quem lê percebe a clara referência a Eva oferecendo o fruto vermelho, Adão comendo e o Pecado (o sexo) acontecendo. Mas não tem sexo nos livros. É um romance. Mas como é um referência tão explícita nesse momento, já tendo lido os outros, você até fica esperando algo assim acontecer. Não consigo imaginar isso no cinema. É uma temática forte, principalmente para crianças.
No momento em que Will e Lyra tocam um no dimon do outro, Pantalaimon e Kirjava mantém a forma em que estavam nesse momento como uma lembrança do sentimento entre eles. Pois eles se separam para sempre (como ambos saíram de mundos diferentes, só viveriam bem no mundo em que nasceram, caso contrário, a vida não seria produtiva e satisfatória para aquele que abdicou do seu mundo para viver no do outro). Como em Nárnia, o final feliz não é aquele dos contos de fadas.
E Mary Malone, como uma ex-freira que virou cientista por parar de ver significado em Deus e se torna a tentadora (apesar de não ser tão claro assim, descobrimos que ela é a tentadora por um comentário e uma sensação de Lyra), faz uma referência ao anjo decaído Satã, antes um anjo muito poderoso perante Deus, mas que também pára de ver significado Nele e se revolta.

Sobre o título e a capa: enquanto nos dois primeiros livros, titulo e capa estão claramente se conectando com a história, no terceiro, somente a capa. Não muito o título. E não digo isso porquê só percebi a utilidade do título (Luneta âmbar) depois, bem depois. A luneta é o instrumento que Mary (a tentadora) utiliza para ver que o Pó (partícula ligada a maturidade, experiência, conhecimento) está indo embora. Ao acolher Lyra e Will no lugar onde animais como serpentes são deixados em paz, ela propicia (mais ou menos) o descanso que eles precisam e que necessitam para exporem seus sentimentos. E propricia que o Pó volte a habitar nos humanos. Mais uma referência a serpente que, ao fazer com que Eva e Adão comam do fruto, faz com que os dois Conheçam. Eu já havia lido que, quando o Primeiro Homem e a Primeira Mulher comem do fruto, eles abrem seus olhos para aquilo que Deus não queria que eles conhecessem, algo muito além do Pecado, algo sobre o Conhecimento, o fato de Conhecer. É como se a serpente os tivesse tirando do controle de Deus. Aliás, a guerra toda gira em torno de matar a Autoridade e recuperar o Paraíso perdido há muito. Para isso, muitos se unem a causa de Lorde Asriel. Ele e Marisa Coulter, os pais da nova Eva, se sacrificam para que Lyra (Eva) cumprisse o seu destino: recuperasse o Paraíso, libertasse o mundo da Morte.
Essa é a parte que ilustra a capa. Will e Lyra seguidos por um cortejo de mortos, buscando a saída do mundo dos mortos. Como o dimon de uma pessoa que morre se esvanece no ar e passa a pertencer ao ar, as flores, as estrelas e a tudo que vive, os mortos desejam se unir a seus dimons queridos se transformando também em partículas que habitassem cada ser vivente. Lyra e Will os libertam do mundo escuro e eles têm esse destino. Assim, a morte morre. Aqui, já acho que faz parte só da história de Pullman: a nova Eva recuperando o que ela havia perdido (o Paraíso). Os mortos já não estão mais mortos, eles fazem parte de cada ser vivente, de cada estrela, de cada coisa.

È uma história muito boa, que nos faz pensar bastante. Particularmente, só ouvi falar de Milton ao estudar Senhor dos Anéis. Como nO Silmarillion, onde o Valar mais poderoso se revolta contra Iluvatar, Satã n'O Paraíso se revolta contra Deus. As referências são mais profundas, não dá para falar agora. Eu li o poema e apesar de não ser muito fã de poesia, adorei. Então fiquei muito feliz quando vi uma trilogia inteira dedicada a esse assunto, apesar de ser somente uma referência literária. Indico ambos para leitura.

site: http://ofantasticomundodaleitura.blogspot.com.br/2011/05/luneta-ambar-philip-pullman.html
Gabi 23/09/2014minha estante
Enfim encontrei alguma critica parecida com a minha! Adorei sua percepção da serpente (quando eu a li tudo fez sentido)! A história me fez refletir muito, e adorei a liberdade que o autor teve ao cria-la, não conseguia parar de ler! (risos) ... Achei que odiaria o último livro porque "A Faca Sutil" me desanimou MUITO. Mas, como boa brasileira (risos), já que comecei fui até o final. O último livro é muito bom, super recomendo. Vou reler algum dia com certeza! (risos)




Steff 02/07/2020

Amadurecer
Confesso que esperava mais do desfecho da triologia, pois o universo é fascinante e dispõe de tanto potencial que o leitor passa a esperar o melhor sempre, sem falar nas promessas que o próprio autor faz ao longo dos dois primeiros livros.
Acredito que alguns pontos poderiam ter sido menos detalhados, pois não permitiu que os pontos chaves fossem explorados em todo o seu potencial, ficando aquela sensação de que o autor fez um trabalho complexo e na hora mais importante simplesmente ficou sem ideia de como finalizar, fazendo de forma rápida e deixando a desejar.
Além disso, apesar de achar coerente o destino de alguns personagens e acontecimentos, acredito que alguns foram um pouco forçados demais, não consegui me sentir confortável nesses momentos.
Mas de forma alguma esse é um ponto que faria me arrepender da leitura. O universo é espetacular e os personagens são apaixonantes. As surpresas que os personagens encontram ao longo do percurso, os desafios, as decisões que tomam nos fazem sentir o mesmo que os personagens.
Mais uma vez destaco que a leitura me impressionou por entregar um universo complexo nas mãos de crianças, não poderia ser de outra forma. O amadurecimento de Lyra e Will encantam, principalmente no que diz respeito à relação deles, pois evoluiu ao longo dos livros de forma leve e fluida, nada forçado.
Um ponto que pode ser negativo para o leitor é a forma em que a religião é tratada, confesso que me incomoda um pouco e parece meio pessoal, mas apesar disso a triologia é muito boa.
Saí dessa leitura com a sensação de que algumas pontas ficaram soltas e que faltou um pouco mais em alguns momentos, mas fiquei satisfeita com aquilo que o livro proporcionou. É uma experiência emocionante, viciante e apaixonante, recomendo a leitura.
comentários(0)comente



207 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |