Os Deuses Têm Sede

Os Deuses Têm Sede Anatole France




Resenhas - Os Deuses Têm Sede


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Gabi 23/05/2013

Livro muito bem escrito e envolvente, porém fiquei um pouco decepcionada com a falta de detalhamento dos processos no tribunal (como há no filme Danton de 1982).

Os personagens mais envolventes para mim foram o epicurista Brotteaux (que me lembrou o Italiano de A montanha mágica)e o padre Longuemare, que personificam a voz da razão em um momento de terror.

O personagem principal, talvez propositadamente, me pareceu plano, assim como Élodie. Recomendo o livro por seu alto valor literário, porém achei que o autor não caracterizou Évariste como uma pessoa completa - o que poderia ter sido muito bem destrinchado e aproveitado durante a narração de sua degradação como jurado e ser humano.
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cid 01/12/2014

Uma solução final para todos os problemas
Após a leitura , pensei bastante sobre o livro. Repensei o que li sobre a revolução francesa, e me ficaram três fatos :
- A declaração dos direitos do homem. Foi a primeira vez que se disse que as pessoas nascem iguais numa época em que o nascimento dava privilégios ou deveres.
- A revolução foi como um terremoto, na sua energia revolucionária, assim não adianta ser contra ou a favor. Qual é a finalidade de se fazer um discurso contra um terremoto?
- Os revolucionários tão desacreditados hoje em dia , aboliram a escravidão nas colônias. Os “clementes” prontamente a restabeleceram. Ponto para os revolucionários.
E o “Livro de Daniel “ de E L Doctorow, onde são analisadas formas de execução através de países e tempo, cita a revolução francesa como o único período onde a punição não dependeu da classe de nascimento do punido. Os pobres não foram humilhados antes da morte, como era costume na época.
Dito isso, absolvo Evariste Gamelin, pelo seu “fervor virtuoso”, pela sua absoluta falta de empatia pelos réus que compareceram ao seu tribunal e que acabaram executados. Mas, houve um caso em que Evariste falhou terrivelmente condenando por acreditar o réu culpado por motivos outros que não estavam em julgamento.
Vamos dizer que o terremoto foi mais forte que ele, que o soterrou, que ele lutou mas acabou destruindo quando queria reconstruir. O titulo do livro “Os deuses tem sede”, seria a justificativa do imperador asteca Montezuma , quando questionado sobre os sacrifícios humanos.
Recomendo a leitura, que é muito agradável. Embora eu esperasse um pouco mais de drama de tribunal.
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Daniel Rolim 10/10/2014

Livro muito interessante. Relata os anos mais sangrentos da Revolução Francesa, tendo como ideia principal a prisão do indivíduo aos valores e princípios de sua época, estando condicionada sua forma de pensar ao meio em que vive, sem que se dê conta disso.
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Matheus Nunes 16/10/2016

"Évariste Gamelin, artista frio e erudito..."
Évariste Gamelin no começo do livro aparenta ser um exemplo de cidadão, o bom, o honesto, o bom filho e atencioso para com os que necessitam, um artista em ascensão e por vezes, até mal compreendido, engajado para com a causa, mas, basta que lhe deem o poder que nem sempre almejou que ele se transforma no oposto de todo o ideal inicial. Maquiavel diz: "Aos amigos os favores, aos inimigos a lei." mas Évariste desconhece completamente o significado da palavra amizade, e até mesmo o amor. O poder lhe tira todo e qualquer reflexo de bondade e esperança. perdendo assim sua própria salvação, e não vê a gloria de sua pátria, longe disso, vê a sua própria destruição.

Anatole France escreveu de uma forma direta e sensata as consequências e os traumas exaustivos de uma França pós Revolução, uma cidade entregue a uma intolerância contra qualquer forma de pensamento que parecesse anti-revolucionário. Os Deuses tinham sede, muita sede, e ambos lados lhe deram de beber, uns pela liberdade, outros pelo senso de Justiça e força de igualdade. São 256 paginas que escorem sangue, sangue esse que tem muito a dizer.
Cesinha 23/10/2016minha estante
Fantástico!


Matheus Nunes 24/10/2016minha estante
Obrigado! :)


cid 09/05/2018minha estante
Evariste Gamelin é um dos meus personagens favoritos, com toda a sua contradição e enganos.Ótima resenha.




Pateta 24/10/2017

REVOLUÇÃO FRANCESA EM CENA
Apesar do romance ter lá seus personagens, a grande protagonista da história é a Revolução Francesa, num período em que os belos ideais já estavam dando lugar ao terror puro e simples. Um relato arrepiante de como os homens podem ficar cegos pela ideologia. Guardadas as devidas proporções, encontramos nesse livro algumas semelhanças com a caça à bruxas atualmente em marcha no Brasil.
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Mario Miranda 26/08/2019

"A ignorância é a condição necessária à felicidade dos homens,... . A ignorância faz a nossa tranquilidade; a mentira, nossa felicidade."

Os Deuses têm sede é um dos grandes relatos historiográficos dentro da Literatura. Anatole France nos traz uma nova ótica da Revolução Francesa, não aquela que se propunha a oferecer "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" a todos os cidadãos, aquela que queria acabar com os exageros praticados pela Aristocracia; Os Deuses têm sede nos oferece a visão da miséria durante o período revolucionário, da carestia de alimentos e, principalmente, dos abusos perpetrados por aqueles que ascenderam ao poder.

Em Os Deuses têm Sede o personagem principal, o pintor Évariste Gamelin, oriundo da pobreza e da miséria que se vê alçado a jurado nos tribunais durante o Terror, é um exemplo clássico onde valores e ideias nem sempre desaguam em justiça. Gamelin torna-se um fanático do Terror, capaz de enviar dezenas de cidadãos a guilhotina diariamente, inclusive aqueles que lhe são mais caros e próximos, tudo em nome de uma Igualdade jamais alcançada.

Anatole France foi um dos grandes nomes da Literatura Francesa, não apenas pelos seus ótimos textos, alguns dos quais já traduzidos (além deste, podemos citar O Crime de Sylvestre Bonnard), mas por todos os grandes atos que realizou em sua vida, como crítico ao Caso Dreyfus, o apoio dado a Émile Zola quando da publicação da clássica crítica "Eu Acuso".

site: https://www.instagram.com/marioacmiranda/?hl=pt-br
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