Viagem & Vaga Música

Viagem & Vaga Música Cecília Meireles
Cecília Meireles




Resenhas - Viagem / Vaga Música


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Everton Vidal 02/03/2021

Primeiro livro da fase madura da poeta. Possui 99 poemas dentre os quais, 13 epigramas que costuram a obra.
O tema que dá o tom do livro (e, de toda a poesia da autora) é a fugacidade da vida no tempo, e, portanto, o imperativo de viver e cantar esse breve momento:

“Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta."...

O mar é o cenário mais presente e simboliza a perenidade ou a atemporalidade, a eternidade possível em meio à efemeridade das coisas, mas isso apenas de um modo geral, pois o seu significado varia, ganhando contornos distintos dependendo do poema, afinal o mar é vasto e multiforme, como a poesia da autora, e o viver é travessia, é viajar, é navegar, enfrentando todos os riscos e indo além da superfície, correndo inclusive, o risco até de naufragar.

“Cessará essa música de sombra, que apenas indica valores de ar.
Não haverá mais nossa vida, talvez não haja nem o pó que fomos.
E a memória de tudo desmanchará suas dunas desertas,
e em navios novos homens eternos navegarão.”
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Dávila 15/08/2020

Uma fenda no céu.
[Conteúdo não patrocinado]:
Parece leve mas a densidade vai se insinuando sutilmente, palavras/imagens poéticas consagradas, ("lua", "estrelas", "mar" etc)vagueiam na rítmica marcando tempos em contraste com temas universais como a morte, existência, amores que se quebram como cristal, solidão...
O moderno e o clássico num mesmo diapasão.
"Esqueça" àqueles poemas que quase todo mundo que se acostumou a ler poesia já conhece dos jograis obrigatórios e soporíferos, e dos famigerados livros didáticos , tipo "eu canto porque o momento existe..." ("Motivo" e alguns outros) e se possível deleite-se com um sem-número de textos memoráveis.
Poesia em estado bruto.
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Goldenlion85 03/02/2009

Um livro bastante profundo nas questões da alma humana, um livro que vale a pena ser lido devagar, apreciando como a autora explica a vida.
Ligia 28/03/2010minha estante
Eu adoro poesia, principalmente Cecília Meireles. É maravilhoso demais :)


31/08/2012minha estante
UMA OBRA INTEIRAMENTE POÉTICA,MECHE C/AS PARÁBOLAS DO NOSSO SER MAIS SECRETO E ILUMINADO,DA NOSSA VASTA FILOSOFIA,CÉTICA DE AMAR UM SE HUMANO,MOSTRA UMA PUREZA,UMA DELICADEZA PELA MUSICALIDADE EM FIM,EXTRAORDINÁRIA DE UM CANTO E DE UMA INESGOTÁVEL COMUNHÃO EM SÍ,GRANDE CECÍ,PRA ELA EU TIRO O MEU CHAPÉU SEMPRE E VIVA Á ESCRITORA:CECÍLIA MEIRELES.




Juliana 24/01/2011

Que Cecília Meireles é uma excelente poeta, todo mundo sabe. Mas que ela conseguia a mágica de transformar literatura em música, só depois deste livro. São versos tão sublimes que realmente dá pra escutar música, quando você os lê. Por isso é extremamente pertinente o título do livro. Para quem gosta de boa poesia, é um prato cheio.
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aafantis 07/11/2020

Não tenho nem o que dizer! Cecilinha mora no meu coração
Esse livro possui uma sensibilidade absurda, cada verso tocou o meu coração de jeito muito suave e melancólico! Li ele na época do colégio para o vestibular e resolvi lê-lo novamente agora. Foi bem mais proveitosa a leitura do que a de anos atrás quando eu só queria passar de ano e entrar na universidade.
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Rômulo Carvalho 12/05/2009

Bonito !!!
Não gosto muito de livros de poesia , mas esse achei legal !!!
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Paulo Renato 10/02/2012

É belo ler Cecília
A poesia de Cecília Meireles me encanta especialmente pelo poder da metáfora, de criar imagens cristalinas da alma humana, na maioria das vezes sem um tom alentador, posto que o tema central de sua obra é a solidão. Na solidão de si mesmo, o eu-lírico (grosso modo, o eu-lírico seria o equivalente do narrador no romance. Não é o poeta que fala, mas um eu-lírico com o qual nos identificamos ou não) questiona a dimensão humana em várias de suas nuances. No livro Viagem/Vaga música, temos o poema Canção, em que podemos nos deliciar com o brilho das metáforas. Leia e sinta o significado de sonho, navio, mar e naufrágio na vida de uma pessoa:

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

O que representaria a figura de um navio? Um deslocamento, uma distância vencida, a busca da realização de um sonho, o distanciamento, a separação, a própria representação do sonho,o que mais? O eu-lírico de que lhes falei constrói um sonho em forma de navio e o põe a navegar, para que naufrague. A figura da água aqui é interessante: pode significar a vida, a purificação, o êxito, Nossas emoções e intuições têm a ver com a água. Água é mãe. A água pode ser o que existe para ser vivido desde o momento em que nascemos, até nossa morte. Também é turbulência, violência, desestabilização, agito, confusão... Tanta coisa! O alto grau de pessimismo de quem canta: o sonho se constrói e não se realiza. Não há perspectiva de sucesso na realização das coisas. Tudo se perde. O sonho que morre sem nascer permanece vivo na lembrança como um trauma (minhas mãos ainda estão molhadas/do azul das ondas entreabertas). O naufragar do sonho se dá por uma atitude do eu-lírico, que abriu o mar com as próprias mãos para por tudo a perder. Em contraposição ao azul das ondas entreabertas, se opõem o vento que vem de longe, a noite que se curva de frio e do afogamento de parte importante da vida representada em sonho desacreditado, impossível de acontecer.

O terceiro poema compreende a terceira etapa da vida: a da aceitação. Compreende também a importância do canto (que pode ser entendido como o poema) como um ofício, o trabalho do poeta:

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

O tempo voa, o tempo passa, e a vida continua a ser cantada em poesia. Compreende também o fazer poesia, através de indagações e da investigação da criação poética. Inicialmente, evidencia-se a fugacidade do tempo e do instante como justificativa do canto para preencher a vida. O eu-lírico distancia o sentir do cantar (não sou alegre nem triste/sou poeta). As coisas lhe são fugidias, efêmeras, inconstantes. O que a imagem do vento representa a você, leitor, no poema?
O poema reflete ainda a dúvida diante da vida: não sei se fico ou passo. E encerra com o estado de plenitude. O poder de cantar, que para a poeta é o poder de fazer poesia, retrata o instante, para eternizá-lo. A poesia é a razão de viver de quem canta.
www.sobrelivrosecronicas.blogspot.com
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Giselle 24/05/2013

A poesia lírica de Cecília parece ser produzida ao som de uma harpa e com violinos ao fundo. O título não seria mais apropriado, para a poeta mineira que nos faz viajar por suas palavras musicadas. Um tilintar ao longe, uma pena caindo no meio da tarde, todas as sutilezas da Cecília, suas palavras doces, são a mais pura forma de amor.
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Ana 28/02/2018

Esse livro me lembra o balanceio vago de uma embarcação no meio de um mar calmo... vem até uma sensação de quietude... ler Viagem Vaga Música sempre me deu a sensação de que minha alma iria pairar longe, vagar por aí...
Uma leitura de mergulhar numa calmaria sem fim.
Ótimo para se ler numa rede, em um lugar bem tranquilo, sem pensar em mais nada.

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