A derrota da dialética

A derrota da dialética Peter L. Berger
Thomas Luckmann




Resenhas - Modernidade, Pluralismo e Crise de Sentido


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Cristiano 29/05/2016

Resenha
De acordo com Berger, os indivíduos constroem subjetivamente sentidos a partir de suas vivências e através dos processos sociais. Esses sentidos, em grande medida, são conformados com base em valores e significados elaborados no âmbito das instituições sociais onde o indivíduo interage – casamento, família, trabalho, coletivos etc. É nesse contexto que se dá, também, a formação da identidade.

Por razões diversas, a modernidade observa uma crescente modificação das instituições tradicionais, notadamente quanto às ambiguidades e multiplicidades de sentidos que caracterizam a vida contemporânea – a isso, Bauman atribuiria o conceito de “líquido”. Com certezas cada vez menores, o indivíduo, passa, portanto, a ser desafiado constantemente a conviver em um ambiente social onde o estoque de vivências e sentidos parece ser insuficiente para dar conta do entendimento de sua realidade.

As crises de sentido, segundo Berger, têm origem no desalinhamento entre os sentidos intersubjetivos. Em outras palavras: quando o contexto (ou a sociedade) prescrevem modos de agir e experimentar diferentes ou discordantes do sujeito, ali potencialmente se instalará uma crise de sentidos – e a modernidade, com seu pluralismo próprio, é um ambiente muito propício às crises de sentido.

Em resposta a essa crise de sentidos, Berger identifica que os indivíduos tendem comumente dois comportamentos: (1) o fundamentalismo que busca a retomada dos antigos valores, em reação às ambiguidades e ao pluralismo e (2) o relativismo completo, onde as certezas têm menos espaço e tudo passa a ser aceitável – abordagem esta que compromete igualmente as relações sociais. Ambos os casos, argumenta, são respostas inócuas como meio de vida.

Como alternativa, Berger identifica nas “instituições intermediárias” os espaços geradores e sustentadores de sentido na conduta de vida e de coesão de comunidades de vida, dando ao indivíduo o suporte necessário quando a sociedade toda já não é a ordem supra-ordenada de sentido e valor. Além disso, nas instituições intermediárias o indivíduo coloca a serviço dos diversos setores da sociedade os valores da sua vida privada, de modo a constituir a força que ajude a formar a sociedade como um tudo. Complementa, ainda, esclarecendo que essas próprias comunidades de sentido eventualmente podem ser as portadoras da “civil society” pluralista, não sendo somente consumidoras de sentidos, mas agentes promotoras de comunhão de sentido das comunidades de vida.
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