Mil Novecentos e Oitenta e Quatro

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro George Orwell




Resenhas - 1984


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Alan Ventura 30/12/2010

Apesar de Você - Chico Buarque

"Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão..."
Jow 13/01/2011minha estante
Um jeito inovador pra se fazer resenha!
Criatividade total.


Gláucia 14/01/2011minha estante
Que feliz e belíssima associação! Genial.


Junior 12/05/2011minha estante
Criatividade ou falta de?


Alan Ventura 12/05/2011minha estante
Talvez, eu disse "TALVEZ" você tenha razão Junior. Mas isso pra mim pouco importa. E pode continuar tentando inferiorizar minhas resenhas, isso está ficando divertido. Abraço.


Junior 26/08/2011minha estante
Alan, tudo bem?
Só hoje eu vi teu comentário.
Eu não estou tentando inferiorizar nada.
Fiz questão inclusive de dar uma olhada em todas as suas resenhas para ter certeza se alguma vez isso havia ocorrido e percebi que uma única vez eu deixei um comentário, mais uma pergunta do que um comentário.
Imagino que vc concorde comigo que aquela resenha não contribui muito com aqueles que buscam uma opinião um pouco mais "aprofundada" sobre o livro, não é mesmo?
E quanto à essa aqui, é absolutamente certo que ela sequer diz respeito ao livro, por mais que TU tente fazer alguma analogia entre a letra da música e o texto de Orwell. Por mais que pudesse haver algum nexo, é impossível que um leitor interessado no livro, e que, obviamente, ainda não o tenha lido, possa aproveitar o que tu chama aqui de "resenha". Só isso. Sem intenção de denegrir, inferiorizar ou ofender.
É óbvio que nem vc, nem eu, nem ninguém precisa se aprofundar em nada mas eu acho que, à partir do momento em que nos dispomos a escrever uma resenha, seria interessante se a mesma pudesse ajudar outros futuros leitores a decidir pela compra, pela troca ou tão somente como informação sobre o livro, coisa que, me desculpe, essa resenha aqui não faz.
Um abraço.



Alan Ventura 29/08/2011minha estante
Olha Junior, me desculpe mas continuo discordando de você,pois a resenha não se destina apenas aos que querem ler a obra,mas aos que também já leram (e acredite, quem leu concordou comigo). Embora quando eu digo "Eu sou o mensageiro é o exemplo escrito da perfeição" (eu acredite que isso seja um COMENTÁRIO obviamente positivo pra quem tem interesse em ler a obra.) SE ALGUÉM QUER SE "APROFUNDAR" MAIS SOBRE ALGUM LIVRO COMO VOCÊ MESMO DISSE,EU ACREDITO SINCERAMENTE QUE ESSA PESSOA DEVE LER O LIVRO, E NÃO FICAR LENDO RESENHAS, COMENTÁRIOS OU SEJA LÁ A PALAVRA QUE VOCÊ QUEIRA USAR PRA DIZER O QUE MEUS TEXTOS SÃO OU DEIXAM DE SER!


Junior 02/09/2011minha estante
Hehehe.
O que eu tentei dizer foi que uma resenha mais objetiva pode ajudar alguém a decidir pela compra ou não de um determinado livro, só isso. Afinal, eu acredito que tudo isso aqui tenha exatamente esse objetivo: a troca de informações.
Mas tudo bem, Alan. Sem problemas. Não acredito que exista motivo algum para criarmos uma discussão infindável sobre o assunto, o que seria ridículo. Tão ridículo como não aceitar uma opinião diferente, achar que todo aquele que não concorda conosco está automaticamente nos ofendendo ou tentando nos menosprezar e denegrir. Acho que só não seria mais ridículo que começar a perder a linha e passar a GRITAR para tentar impor, pela internet, a nossa "verdade".
Um abraço.


Alan Ventura 02/09/2011minha estante
Olá Junior,
talvez algumas coisas não tenham sido esclarecidas por aqui, quando eu usei letras maiúsculas no final de meu comentário, não quis expressar "GRITOS OU RAIVA" como acredito que você tenha interpretado, minha intenção foi apenas chamar a atenção para o que eu considerava mais importante dentre as frases que escrevi. Já que não é possível escrever tais palavras em negrito, tive de escrevê-las com letra maiúscula. Eu não acho que você tentou me ofender, talvez eu tenha me expressado mal, mas o fato é que me senti ofendido por você ter colocado o comentário "criatividade ou falta de?" quando poderia simplesmente ter dito as palavras que usou em seu comentário do dia "26/08/2011" que eu aceitaria sem fazer alarde. Abraço Junior.Fica na paz.


Júnior 04/09/2011minha estante
Desculpa, já vou pedindo, por dar uma de "intrometido". Nunca li esse livro em questão "1984" mas estava pensando em comprá-lo devivo ao grande número de elogios que o livro recebeu por aqui. E quando me deparei com sua resenha, uma das primeiras pela quantidade pessoas que gostaram, fiquei um pouco confuso. Não entendi porque 25 pessoas gostaram de uma música quando deveria haver uma resenha. Fui olhar os comentários e então percebi a analogia musical que você fez. Realmente poderia chamá-lo de criativo, você tem uma grande percepção, porém ao ler o resto dos comentários, inclusive do Júnior (tem o mesmo nome que eu, por sinal rs)percebi que ele tem realmente razão. Principalmente quando ele diz: "O que eu tentei dizer foi que uma resenha mais objetiva pode ajudar alguém a decidir pela compra ou não de um determinado livro, só isso. Afinal, eu acredito que tudo isso aqui tenha exatamente esse objetivo: a troca de informações." As pessoas, digo isso por experiência própria e não por uma pesquisa científica, gostam de olhar outras resenhas para ver opiniões de outros sobre um determinado livro para saber se ele realmente vale a pena ser comprado e lido. Por exemplo, se de 50 resenhas, 49 são negativas e o preço do livro é 59,90, é muito provável que ele não seria comprado (por mim!), mas também há o fator da curiosidade que contribui muito, "porque esse livro é tão ruim?", mas ao mesmo tempo a condição de preço se torna relevante. Enfim, discordo que um aprofundamento da leitura se dê apenas a partir de uma leitura do livro em questão, às vezes as opiniões dos outros são muito importantes! Não leve este comentário como nenhuma ofensa, até mesmo porque li outras resenhas suas e percebi que você tem uma criatividade muito boa, e suas resenhas são cativantes, porém essa deixa um pouco a desejar.
Sobre 1984, li outras resenhas e gostei muito do livro, parece ser ótimo.
Abraços...


Alan Ventura 05/09/2011minha estante
Júúh, volto a dizer, dessa vez para você, resenhas não se destinam apenas aos interessados em ler a obra,mas também aos que já leram. E acredito, que as 25 pessoas que votaram "gostei" leram o livro e viram que A MÚSICA do Chico Buarque tem total relação com o livro de George Orwell.


O que eu espero que vocês entendam é que o que me levou a me sentir ofendido como expressei em um de meus comentários, foi o fato de o Júnior ter dito "criatividade ou falta de", quando na verdade ele poderia simplesmente ter dito que tinha interesse em ler o livro e que minha "resenha" não tinha ajudado em nada, já que era apenas um trecho de uma canção e não apresentava informações sobre a obra.


Esdras Castiliano 08/09/2011minha estante
Um jeito inovador pra se fazer resenha!
Criatividade total. +1


Júnior 08/09/2011minha estante
ok =)


Felipe Lamerck 13/10/2011minha estante
Nossa uma ótima escolha , é como se essa música tivesse sido feita para esse livro , e que livro em ? kkk
Um jeito legal e criativo de resenhar !!


Alan Ventura 16/10/2011minha estante
Obrigado Felipe, por ter me emprestado o livro =P


Felipe Lamerck 17/10/2011minha estante
porra Alan era o mínimo que eu poderia fazer , a maioria dos livros que li são seus , ou eram , não sei mais , kkk !!


Alan Ventura 20/10/2011minha estante
Ah mas confio em emprestá-los a você Felipe, afinal você sempre foi cuidadoso, e é sempre bom comentar sobre as obras depois. kkkk


Felipe Lamerck 14/11/2011minha estante
Né isso , porra só na expectativa pra comentar a torre né ? kkkk


Michel Marx 26/07/2012minha estante
Eu, particularmente, gostei do modo que as ideias foram expressadas.
Confesso que nunca havia visto algo deste tipo.
Mas, (e digo ''mas,'' já pedindo perdão, pois minha intenção aqui nem é apontar erros, mas sim, mostrar minha visão das coisas, afinal de contas, é isso que significa ''comentar'') não creio que a resenha seja apropriada. Na minha visão de mundo, sempre aprendi que, em resenhas, nunca se pode contar o final do livro ( o que você fez em sua resenha). Quando coloca uma música totalmente melancólica pra expressar sua impressão está, indiretamente dizendo o final do livro.
Já li o livro e talvez este comentário seja apenas uma neurose minha, já que sei o final. Mas, senti esta pontada de ''spoiler''.
No mais, música excelente, combinou com a obra, é preciso perspicácia pra isso.
Abraço.


Leprechaun 03/08/2012minha estante
"Resenha é um texto que serve para apresentar outro (texto-base), desconhecido do leitor. Para bem apresentá-lo, é necessário além de dar uma ideia resumida dos assuntos tratados, apresentar o maior número de informações sobre o trabalho: fatores que, ao lado de uma abordagem crítica e de relações intertextuais, darão ao leitor os requisitos mínimos para que ele se oriente quanto ao grau de interesse do texto-base."

Por mais que isso não descaracterize por completo sua resenha, quebra um pouco seus argumentos. Digamos que seria uma apresentação para um leitor não informado. Sua resenha se torna apenas complemento para uma outra, porque só com isso não ajuda muito o novo leitor.
Não sei se é chatice minha, mas não concordo com o fato de você ter usado a discussão da resenha como bate pato com Felipe Lamerck. E não acho adequado este ter usado palavras chulas. Acho que embora a flexibilidade e a liberdade, deveríamos buscar utilizar a ferramenta adequadamente.


Ka Castoldi 09/09/2012minha estante
Uau. - Esse é meu comentário sobre a resenha.
Agora, deixe-me comentar os comentários. Pessoal, acho que estamos tendo um formalismo excessivo com "o que é e o que deixa de ser" uma resenha. Concordo com as definições dadas. Mas acho que deixam de se aplicar no momento em que estamos em um site de troca de informações (que podem ter N formatos), com diversas resenhas dos mais variados tipos.
Sobre "contar o final". Gente... De forma alguma acho que a música do Chico faça isso. Só por ser melancólica? Peço que me desculpem, mas achei extremamente forçado.
Se a resenha do Alan não ajudou a vocês, existem outras resenhas, dentro do modelinho rígido que preferem, que ajudarão. Eu, particularmente, ficaria ainda mais interessada pelo livro se já não o tivesse lido. Porque se eu desejo saber mais sobre o enredo, eu leio a sinopse. Simples assim.


Alan Ventura 12/09/2012minha estante
"Se a resenha do Alan não ajudou a vocês, existem outras resenhas, dentro do modelinho rígido que preferem, que ajudarão. Eu, particularmente, ficaria ainda mais interessada pelo livro se já não o tivesse lido. Porque se eu desejo saber mais sobre o enredo, eu leio a sinopse. Simples assim. " [2]


B. 20/09/2012minha estante
Genial.


GPSLopes 17/10/2012minha estante
Gente, flor é merda, amor é ódio, música é resenha.
Esse é o lugar pra se expor opinião.
O Skoob classificou a página como 'resenhas' porque elas são na maioria das vezes o que leitores escolhem pra isso.
Tem gente que vem escrever "lixo." e vai embora, e tem gente assim como o Alan que vem expressar a opinião (positivamente) de OUTRA MANEIRA.
Distorcer a criatividade alheia só me faz rir de vocês.


Hortência 15/12/2012minha estante
Disse tudo.


Léo Melo 22/12/2012minha estante
Não sei porque ficar censurando o rapaz... Não acho que mesmo uma resenha deva seguir modelos ou padrões pré-determinados.
Parece que são da Polícia das Ideais para apontar o que é "ortodoxo" ou "inotordoxo".

Achei a resenha de uma criatividade sensacional e que fala muito mais da obra do um que outras tantas que se detem em minúcias que não dizem nada.


Miguel B. 25/12/2012minha estante
Essa música é poesia pura mesmo.


lays 27/03/2013minha estante
Estou bem no comecinho do livro, mas essa música caiu como uma luva!


Raysa 09/04/2013minha estante
Alberto de Oliveira e Artur Azevedo escreveram contos em versos. E quer saber? Os contos não deixaram de ser contos só porque fugiam dos padrões.
Os autores sabiam os efeitos que suas obras iam causar, mas publicaram porque certos tipos de arte são pra quem sabe apreciar. Aprecio sua criatividade! ;)


Ju Furtado 30/10/2013minha estante
Como eu não tinha visto isso aqui antes?
Simplesmente genial Alan!

P.s.: Não adianta explicar entrelinhas pra quem não sabe ler linhas, meu caro. A sua resenha foi mais direta que qualquer sinopse, e qualquer leitor que sinta curiosidade, vai querer saber qual é a relação entre duas obras tão distantes no tempo e no espaço! ;)


Marcelo 31/10/2013minha estante
Para quem ainda nao leu o livro, sua resenha e inutil.


Fabio 26/12/2013minha estante
Cara, que bela sacada!!

Esta parte da musica cai como uma luva. É como se o próprio Orwell tivesse escrito. Ou talvez serviu de inspiração direta para o compositor.

A musica tomou uma outra dimensão para mim e o texto ( que eu ainda não terminei) agora tem uma trilha sonora!

parabéns.


Filipe 02/01/2014minha estante
Apesar de você, Chico Buarque, resume o livro de certa forma. Nunca tinha sacado isso. Genial!!!


Laura Oliveira 27/03/2014minha estante
Adorei a resenha!


Felipe Tavares 22/05/2016minha estante
Levando em conta o final da história, acho essa música irrelevante para uma resenha sobre o livro.


Renner 06/07/2016minha estante
Acabei de ver que rolou uma discussão aqui e, bem: Eu vi que esta era a "resenha" mais bem avaliada. Acabei de ler o livro também, e sinto dizer Alan: Isso nem de longe é uma resenha. Uma resenha leva em conta a história do livro (Sim, leva... Sinto em dizer) e também a opinião crítica do leitor. Você não fez nem um nem outro. E, para os que ainda defendem que foi pelo menos criativo? Não, não foi. A criatividade foi do autor da música que a escreveu. O que eu vejo aqui é preguiça mesmo. Se fosse para ser uma resenha, usaria a música para fazer algum paralelo com texto de sua própria autoria. E isso, meu caro colega, que acabo de fazer é uma resenha da sua "RESENHA".


Peônia 16/07/2016minha estante
Alan, parabéns pela ideia genial!!!
Nunca achei legal o Skoob classificar este espaço simplesmente como "resenha", uma vez que ele é utilizado tbm para comentários e afins. Resenha, como todos sabem, é algo mais aprofundado e formatadinho e os usuários fizeram daqui um "lugar" onde cada um, além de resenhar, usa e abusa da criatividade, do humor, enfim, do prazer de escrever LIVREMENTE sobre livros; e isso é o que torna este site tão bacana!
Gosto qdo venho aqui e leio algo diferente, sem formato, algo que tenha sentimento. Isso pra mim é liberdade de expressão pura e genuína; sem essa de "certo" e "errado"!


Ana 18/05/2017minha estante
o que a resenha tem a ver com o livro? Nada


rafaelmello 12/07/2018minha estante
Fenomenal! Livro duplimaisbom!


JEOA71 06/11/2018minha estante
Sério que tão se apegando no tipo da resenha (que, aliás, tem SIM tudo a ver com o livro) só porque ela não dá minúcias sobre a obra? Meu Deus que povo chatooooo. Rola a página que tem mais, ora bolas.


Drika 29/01/2019minha estante
O ano é 2019 e sua "resenha" continua badalada rsrs
Já queria ler, e a sua "resenha" me motivou mais ainda.
Talvez a minha percepção seja semelhante aos outros 317 que gostaram! :)
Parabéns pela leveza nas respostas às críticas!
Vou te seguir...




Henrique 04/02/2010

1984 - O livro onde a história parou
Winston chega no bairro dos proles. Seu objetivo? Achar alguém tão velho que consiga se lembrar como era antes do Partido, como eram as coisas antes, ele quer saber como era o passado. Por que ele quer isso? Porque não acredita no presente. Winston se decepciona, afinal, o Partido apagou o passado

E esse pensamento define bem 1984, obra-prima de George Orwell que serve para avisar às gerações seguintes o perigo do totalitarismo. Mais que isso, ele serve para ensinar a todos a importância do raciocínio histórico. E faz isso de maneira espetacular justamente por ser o livro onde a história da humanidade parou. Onde o homem não produz mais cultura, onde a individualidade foi de tal forma reprimida que não existe como inventar coisas novas. O mundo de 1984 está eternamente preso em 1984.

Poucos livros que eu tenha lido contém uma quantidade tão grande de idéias das quais eu peguei para levar comigo no dia a dia. Orwell é especialmente habilidoso em abrir a mente para a ameaça do mau uso da linguagem quando usada para manipular um povo, para diminuir sua capacidade de interpretação da realidade e de se tornar menos critico de seu cotidiano. Além disso, cria novas palavras que representam conceitos criados especificamente para assassinar o livre pensamento, para subjugar.

Seus personagens são até hoje apreciados e dezenas de símbolos presente no livro tornaram-se referenciados em dezenas de obras posteriores. Maior exemplo disso é o ditador da Oceania, que atende pelo nome de Grande Irmão - nunca visto, nunca ouvido, nunca contestado abertamente -, sua figura está lá apenas para ser amada e referenciada, ela que deixa verossímil as declarações ilógicas do Partido, ela é a "corporificação" do mesmo. E ainda existe Goldstein, que é a antítese do Grande Irmão, mas ainda sim é apenas mais uma ferramenta do Partido. Goldstein existe para ser odiado, para ser abertamente odiado. Assim, as pessoas em 1984 tem o que precisam: um mentor, forte, inteligente, como um pai, protetor, que os ama; e um traidor para dirigir seu ódio.

1984 é um livro perturbador. Tanto por ser distópico, como por possuir uma premissa ligeiramente kafkana. O arco da história serve para provar um ponto, não para resolver o conflito. Cada elemento colocado lá é um aviso: a sala 101, o duplipensar, o amor ao poder, a busca pelo passado e o sexo em forma de protesto. Orwell é mestre em surpreender, mas em 1984 ele também é mestre em perturbar.

O stalinismo pode ter acabado, mas o livro ainda serve para apresentar às novas gerações o perigo do totalitarismo, dos super-poderosos, do povo eternamente passivo e da manipulação histórica.

Ps.: Sabe, eu fico pensando, será que a teletela sempre esteve lá?
Jenifer 13/04/2015minha estante
Resenha maravilhosa!


Nega Samurai 10/10/2017minha estante
Ótima resenha sobre o livro, não é preciso acrescentar palavra alguma.
Gostaria muito que esse tivesse sido um livro que as escolas indicassem a leitura, mas acho que não é todo jovem entre 14 e 17 anos que está pronto para, talvez, a linguagem usada, pois, sempre querem e procuram por algo mais informal e fácil de ler. Digo isso por experiência própria, só vim a descobrir autores como George Orwell após os 18 anos.


Elisa 28/06/2019minha estante
Um livro MARAVILHOSO, o final dele ficará marcado para sempre. Concordo, que o livro faz refletir, trás tudo o que necessitamos perceber quando estamos sendo subjugados, quando nosso individualismo está sendo ameaçado e é isso que mais é imposto aos leitores, esse entendimento de que a individualidade causa um grande choque de pensamentos e culturas, mas é justamente ele quem nos faz crescer, quem nos distingui dos outros. Apesar de ser um livro incrível, confesso, é também perturbador.
Resenha maravilhosa, parabéns!




Aline Stechitti 12/07/2013

Não morra sem ler Orwell!
George Orwell - 416 páginas - Companhia das Letras

Nossa, nem sei o que dizer. É o melhor livro que li até hoje.
Mas não se engane, ele não é fácil de ler em vários aspectos, principalmente p quem não está acostumado a um livro tão bem escrito e só quer passar o tempo. Essa é uma distopia capaz de causar calafrios e desespero em mta gente.
A história retrata uma sociedade futurística onde as pessoas são vigiadas 24hs por dia, até o mínimo suspiro levanta suspeita. Afetos são proibidos, assim como sexo e namoro são controlados. Só podem ser efetuados p procriação, mesmo assim se for provado q o casal não se gosta. O controle do pensamento é algo *&¨%$#@$*¨$ MAGNÍFICO! É tão bem retratada a forma como funciona aquilo tudo, como o partido mantém pessoas mudando as notícias dos jornais e ensinando as pessoas a negar suas lembranças. Vc leu sobre um assassinato, mas se "eles" mudarem o jornal e disserem q o homem nunca existiu vc muda na sua cabeça e acredita DE VERDADE q ele nunca existiu. Vc nunca leu aquilo. É muuuito loooucoo!!
Winston Smith é o personagem principal. Ele não é jovem, não é bonito, não é rico e não é uma boa pessoa. Ele é medroso, mas está infeliz com sua condição, não suporta o "Grande irmão", quer ser livre. Encontra pessoas que parecem pensar como ele, decide viver uma paixão, decide ter amigos, escrever um diário e planeja se rebelar. O que vc acha q acontece? Não vou contar...

As cenas mais horríveis estão neste livro, torturas, traição, pessimismo, crítica social, crítica à Stalin, ao período em que vivia e um apelo à juventude para q acorde!!

Muito do q está neste livro nós já estamos vivendo, já estamos sendo vigiados, manipulam a nossa mente, nos fazem gostar de coisas idiotas, ridículas, enchem nossa cabeça com futilidades e nossa barriga com porcarias! Os governos nos matam lentamente e nós amamos isso, amamos todo o mal q nos fazem da mesma forma q Winston amou o Grande Irmão!

Livro indispensável! PERFEITO!
Depois q vc lê 1984 não é qualquer livro q te assusta, não é qualquer história q te comove, nem qualquer autor q te impressiona.

site: http://alinestechitti.blogspot.com.br/
Agueda Faon 22/11/2014minha estante
Vou ler o livro por causa da sua resenha e do encantamento que você demonstrou por essa obra! Me convenceu!


Carlos Ferracin 06/12/2014minha estante
Bela resenha, sua empolgação do livro pode ser transferida a quem lê.
Comecei a ler o livro e já estou fissurado nele!
Recomendo!


André Souza 03/01/2016minha estante
UAU!!!
"Depois q vc lê 1984 não é qualquer livro q te assusta, não é qualquer história q te comove, nem qualquer autor q te impressiona."
Resenha incrível! Estou lendo o livro e sinto exatamente isso. Orwell é o cara.




Karen 05/06/2013

duplomaisbom
Eu acho que não poderia nem pensar em fazer uma resenha que se aproxime do quão genial é esse livro que vou dizer aqui que essa não é uma resenha (mesmo estando na aba resenhas, e ser claramente uma resenha, não é uma resenha #duplipensamento). Enfim, posso dizer na minha humilde experiência que esse é um dos livros mais geniais que eu tive o prazer de ler.

A jornada de Winston Smith, desde o momento em que decide, por fim, desafiar o todo-poderoso Partido, até seu agridoce desfecho é recheada de críticas, digressões e reflexões sobre a sociedade e suas relações de poder. Por criar uma versão alternativa do futuro (já que o livro foi escrito em 1948), Orwell consegue criar uma parábola que consegue ser, ao mesmo tempo, tão sutil como um poema e tão intenso como um soco na boca do estômago.

Porque, afinal, é impossível, durante a leitura do livro, não imaginar se não estamos de fato vivendo na Oceânia (que está em guerra com a Lestásia; sempre esteve em guerra com a Lestásia), sob a tutela do Partido e o Grande Irmão.

Quer dizer, não seriam os computadores as teletelas, eternamente nos vigiando? E a cada vez que mandamos uma mensagem, no computador ou celular, sempre apressadas e cada vez mais abreviadas, não estaríamos fazendo uso da Novafala? E se pensarmos na cultura, quantas não seriam as peças que muito bem poderiam ter saído diretamente de um caleidoscópio no Departamento de Ficção (ou defic, em Novafala).

É claro que a obra é tão abrangente que dá para extrapolar tudo isso a qualquer meio, em qualquer tempo. Foi justamente por isso que demorei tanto para concluir essa leitura (umas duas semanas, eu acho); a cada capítulo eu era obrigada a parar um pouco para refletir sobre o que tinha acabado de ler.

1984 é um livro obrigatório para qualquer um que queira entender como o nosso mundo, moderno e completamente louco, funciona – e como a luta de classes e as relações de poder acontecem sem mesmo que a gente perceba.

Ah, e sim, para que não leu, vai achar que eu usei muitas palavras estranhas nesse texto, mas calma, só estou usando a Novafala, que vai substituir completamente a Velhafala até 2050. (vou abrir um parêntese aqui para frisar que, das sacadas do livro, a Novafala , para mim, foi a mais incrível – quem ler vai entender o motivo).

Então, arrume as malas e vá diretamente para Oceânia (que está em guerra com a Eurásia; sempre esteve em guerra com a Eurásia), porque a viagem vai valer muito a pena, se você não for benepensante.

Afinal de contas, dois mais dois são cinco, e nós amamos o Grande Irmão.

*Essa resenha foi aprovada pelo Ministério da Verdade.
thejandrade 13/06/2013minha estante
Genial garota, parabéns! ;)


Lucas 29/01/2015minha estante
Adoro como você brinca com os termos do livro...Texto duplibom!


thais.lu 28/05/2018minha estante
já li o livro a algum tempo, mas como se tornou um dos meus favoritos, sempre entro no google para dar uma fuçada, e dessa vez olha o que encontro? uma resenha brilhante que não poderia de deixar de elogiar, da hora a ironia que utilizou na sua resenha, e já estou com vontade de ler novamente (:




Jonara 18/04/2010

George Orwell me deu 4 pontos para refletir.

1 - Pra começar, manipulação da informação. Será que estamos sendo manipulados? Devemos acreditar em tudo o que lemos, vemos e ouvimos? No que eles querem que a gente acredite?

2 - Big Brother. Ele que tudo vê. Não está ai, ao nosso redor? Isso realmente aconteceu. Não só somos filmados em todo lugar para onde vamos, como pior ainda, voluntariamente, através do twitter e outros aplicativos, dizemos onde estamos e o que estamos fazendo. George Orwell é o cara.

3 - O absolutismo. Bem, este caiu em muitas partes do mundo, resta a nós cuidar pra que nunca mais se instale. Se bem que de vez enquando ele bota suas patinhas pra fora.

4 - A padronização. Contrariando a previsão de Orwell, não viramos pessoas padronizadas, pelo contrário, a padronização explodiu em milhares de minorias lutando por suas causas. Menos mal, apesar que a massa obedece o que a mídia comanda.

O livro foi escrito em outro contexto histórico, mas ele é uma bomba para abrir os olhos, seja lá qual for a época. Nunca sabemos o que nos guarda o futuro, então não sejamos ingênuos. Ler 1984 é essencial para entender a paranóia que assombrava aqueles anos de ditadura e fascismo, e para previnir que coisas semelhantes voltem a acontecer.
Piatã 18/05/2010minha estante
Tinha absorvido os tópicos 1, 2 e 3, mas o quarto tópico não consegui captar no livro. Vou ler de novo (o livro é bom e vale à pena ler várias vezes). Acredito que faço parte dos milhares de minorias lutando pela PADRONIZAÇÃO, e ainda não refleti se isto é bom ou é ruim.


Daniel Neves 09/02/2013minha estante
Absolutismo? Você quis dizer Totalitarismo né?


Jossi 05/12/2014minha estante
Ditadura e comunismo, na verdade o livro é uma referência velada ao comunismo.




Evelyn Ruani 11/04/2011

Opressor. Aterrorizante.
Um clássico moderno e uma crítica explícita ao totalitarismo governamental. É um livro pesado, denso e amedrontador. Foi escrito em 1949 e no entanto é extremamente atual e nos faz refletir como podemos estar a um passo de muitos dos fatos citados no livro, se é que alguns deles já não acontecem.

O mundo está dividido em três grandes estados: Eurásia, Lestásia e Oceania. Esses três estados estão em contínua guerra cujo objetivo é manter o poder do grupo dominante. A história se passa na Oceania e mostra o Estado vigiando a vida dos indivíduos de sua sociedade em cada mínimo detalhe. A roupa que se veste, a ração diária que se come e até o que se pensa é analisado e vigiado pelo Estado, cujas tele-telas estão instaladas até mesmo dentro das casas.

É também através destas tele-telas que os "Dois minutos do ódio", um programa cujo único objetivo é falar mal e odiar qualquer coisa que se oponha ao Estado, chega às pessoas com o intuito de mantê-las entorpecidas e influenciadas, além de suprimir a individualidade com o propósito de destinar suas vidas aos interesses do Estado.

Tudo que se puder imaginar era revisto pelo Estado e modificado de acordo com seus interesses. A Polícia do Pensamento vigiava os indivíduos mantendo um sistema político coeso através da opressão. Além disso foi criado um novo idioma, chamado Novilíngua, que tornava a maneira de se expressar e o pensamento das pessoas cada vez mais iguais, impedindo qualquer opnião contrária ao Estado. O verdadeiro intuito do novo idioma era acabar com as palavras que pudessem expressar oposição.

Além disso, os poemas, livros e até os jornais eram revistos e modificados de acordo com as decisões do Estado de forma que apesar das lembranças dos indivíduos indicarem um ou outro fato, isso era suplantado pela "verdade" (re)escrita. Outra maneira de oprimir a população era o duplipesnar que consistia basicamente em ter duas idéias contrárias e aceitar ambas como verdade. Exemplos disto eram os lemas do Estado: Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força.

Neste cenário assustador conhecemos Winston Smith, um empregado do Ministério da Verdade que tinha como dever manipular as notícias presentes e antigas de forma a levar os cidadãos a acreditarem que o Estado é sempre correto. Winston começa a se questionar em pensamento sobre essas verdades e acha errado manipular as notícias e também a forma como o Estado age com os cidadãos. Apesar de suas lembranças serem contrárias ao que lhe é apresentado pelo Estado, ele não consegue encontrar evidências contra o partido e vive em luta interna na tentativa de se resignar diante do poder e apagar seus pensamentos de forma a não cometer, o que se chama no livro, crimidéia.

O livro é brilhante e apesar da leitura pesada é impossível parar de ler. O autor consegue transmitir o desespero do protagonista para nós e me sentia constantemente acuada durante a leitura. E duvido muito que aqueles que leram esta obra não tenham pesadelos e sintam medo da sala 101.

Leitura super recomendada.
Fran 11/04/2011minha estante
Também achei o livro denso!
Incrível como ele soube prever em uma ficção coisas que acontem conosco de um modo tão subliminar!


Andion 20/04/2011minha estante
Um livro genial!

Irei comprar Revoluções Dos Bichos. George Orwell é o cara (apesar desse não ser o seu nome...)


Li 22/04/2011minha estante
Eu amei o livro!! Acho que nunca li um livro tão consistente e revelador!
Mas não tive pesadelos, talvez pela minha visão pouco positiva da vida. Já acho que o mundo anda descendo a ladeira, então...


Roberta 15/06/2013minha estante
Simplesmente genial e pretendo ler mais vezes!
Preciso do mesmo na minha estante.


ARafaelaGodoy 16/08/2015minha estante
Não li este livro ainda mas quero ler. Quero ler todos os livros sobre distopia pois o assunto me interessa muito. Obrigada por despertar ainda mais o meu interesse por esta obra. Sucesso.




Lari 13/11/2010

um brilhante (e terrível) abrir de olhos
Esse livro é, sem dúvidas, um dos melhores livros que já li. Leitura obrigatória, 1984 chega a ser profético (escrito no final da década de 40), de tanto que se assemelha aos nossos dias, quando as pessoas são manipuladas inconscientemente e acabam por contribuir para o fortalecimento de um sistema social massacrante.
Ao longo da leitura, fui ficando cada vez mais aterrorizada com o sistema totalitário descrito no livro e com a terrível realidade de sermos diariamente bombardeados com os ideais e as verdades inventadas que nos são postos e acabamos por acatar sem perceber.

O livro é um soco no estômago. É um arregalar de olhos para a realidade que nos cerca e um alerta à nossa apatia diante do sistema. É impossível ficar inerte às palavras de Orwell, que com seu brilhantismo visionário sem dúvida tem marcado cada um de seus leitores, até mesmo os que não gostaram do livro. Sinto meus olhos mais abertos e mais resistentes a toda e qualquer ideia pré-concebida que tentem me enfiar garganta abaixo. Recomendo!
Caduds 29/12/2010minha estante
Fantastico mesmo! Valeu pela dica!




U.F. 24601 14/01/2011

Literatura política também pode ser uma arte
O Big Brother (Brasil) famoso reality show, que foi inspirado por este livro, nos traz a remota idéia de como o povo da Oceania vivia, vigiados 24hs por “teletelas”. Este livro nos faz pensar, e ficamos mais sensíveis a atitudes de persuasão, não apenas por ditadores, mas por qualquer outro, como comerciais, revistas, propagandas, redes de televisões que tentam, todos os dias, nos ludibriar, tentam distorcer a realidade, sendo convencendo você comprar algo, seguir tal tendência afirmando que é bom, votar em uma pessoa, em suma, não fazemos julgamentos tão leviano, aprendemos a pensar se o que dizem é realmente o que está acontecendo ou o que ocorre, se procede ou não a informação.

Livros como este não devem estar nas bibliotecas da Coréia do Norte.
Gláucia 14/01/2011minha estante
Hahá, bela conclusão.


Vitor 23/01/2011minha estante
Interessante o seu comentário, talvez um dos melhores dentre os cinco que eu li aqui nesta página sobre esse livro. Não acho que "1984" seja uma obra muito popular no outro lado do mundo hahaha

Mas acredito que tenha lhe escapado a razão principal da obra ou, em outras palavras, o aniquilamento do individualismo em prol do domínio estatal. É tudo muito claro e, por vezes, simbólico. O exemplo que me é mais fresco na memória é o destino dos eventuais suspeitos de oposição ao "grande irmão"; tornam-se pó e são, literalmente, apagados da história. Suas existências acabam em nada, de modo a garantir a soberania dos perpetuados no poder.

Outro ponto interessante e absurdamente realístico é o modo do vizinho da personagem principal ao relacionar-se com seus filhos. Temeroso com tudo o que fala, devido à educação fornecida pelo Estado às crianças, responsável pela elevação das mesmas como verdadeiras "fiscais do grande irmão", respeita-as de modo excessivo e não contradiz nada do que lhe é imposto. Quem nunca viu esse tipo de coisa em relação de pais e filhos?

Enfim, como toda obra genial, "1984" é um livro para ser lido e relido, para que, quem sabe, seja possível entender tudo o que George Orwell tentou nos ensinar hahaha

Abraços.


U.F. 24601 23/01/2011minha estante
O problema, Vitor, é que Orwell é um autor que não fica apenas na sua contemporaneidade, e sim na nossa, e no futuro, seja quando foi lançado o livro em 1949, como em 1984, ou em 2011, ou até mesmo em 2084.

O que você cita sobre os filhos denunciar os país, que ocorre hoje, todavia em 1949, Stalin incentivava o vizinho, ou até mesmo os filhos, denunciar os pais, ou qualquer que seja a pessoa, por "subversão" a policia, realmente na antiga URSS seu vizinho sumia, era evaporado, todos tinham medo, mas como disse acima, o livro serviu no passado, serve hoje, e servirá como exemplo no futuro.

Uma resenha completa com todos os significados será difícil achar por aqui, contudo cada um pega uma parte do que mais chamou atenção, para juntos tentarmos entender esta brilhante obra.


Rafael 23/03/2015minha estante
Não tenho nada contra grandes autores brasileiros, tais como Graciliano Ramos, Machado de Assis e outros, boa parte li, gosto e conheço, entretanto creio que tudo tem a hora certa, inclusive a idade para ler algumas obras. Onde quero chegar? Convenhamos, não seria mais sensato nossas escolas e faculdades, públicas e privadas, adorem livros como "1984" como leitura "obrigatória"? Quero dizer o seguinte: Obras como estas são capazes de criar críticos ou, no mínimo, pessoas capazes de ter um pouco de intelectualidade necessária para entender o governo, a mídia e outros deturpadores sociais, talvez por isso passamos por por algumas dificuldades políticas atuais, inclusive com alguns "idiotas" clamando por ditadura nas ruas. Eles não sabem o que dizem! Enfim, de fato, é um livro sensacional. Minha humilde opinião? Creio que é uma obra pouco divulgada, seria mais sensato a população como um todo ler mais. Mas como o próprio George consta no livro "A burrice é tão necessária quanto a inteligencia, e igualmente difícil de ser adquirida". Talvez por isso, com o apoio da mídia divulgam-se dementes porcarias intituladas "tons de ..." do que obras de respeito. Abraço.




Suzani 26/08/2013

1984
Então….não gostei. Ao menos não gostei se considerar o que ouço a maioria dizer sobre o livro. Achei literariamente fraco. Construção narrativa pobre. Claro que é um marco. Algo que nos incomoda profundamente (impossível ler o livro sem sentir a sombra do totalitarismo, das ditaduras vividas). A genialidade está no argumento da obra. Elevada à potência da potência, no limite do real.

O livro passou a me incomodar mais da metade em diante, quando achei tudo meio previsível. Minhas impressões coincidiram exatamente com o que Pimlott afirma, em um dos posfácios (1989): "(…) mas as fraquezas literárias do romance podem ser vistas com mais clareza agora. Se 1984 é um romance acessível, isso se deve em parte à lucidez da escrita de Orwell. Mas isso se deve também à falta de sutileza de sua caracterização e a uma trama muito simples".

Não pude deixar de notar alguma semelhança com O Processo, de kafka, outro livro que corta no nervo, que provoca a sensação de submersão do indivíduo na incompreensível e brutal realidade. Mas com um grau de sutileza e elaboração muito maior, resultando em maior densidade literária.
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Manu 23/05/2014

Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, rezava o lema do Partido. P. 47

Terminei a grande obra de George Orwell sem palavras, de tão atordoante e ao mesmo tempo admirável que foi a experiência de ler o livro. Porém, vou tentar resgata-las, o máximo que possível, para criar essa resenha e tentar explicitar essa experiência com vocês, leitores.

Admito que antes de "1984" eu só havia lido distopias atuais - tais quais como Jogos Vorazes, Divergente, Delírio, Feios e etc.Conhecia o gênero, pensava que sabia como era uma distopia, mas não. As diferenças são grandes e a primeira, mais rapidamente notada por mim foi que as atuais são com certeza mais "otimistas".Um exemplo é Katniss em Jogos Vorazes. Apesar dela ir para a Arena competir com 24 jovens até que apenas um sobrasse, desde do inicio ela mantinha em mente que iria (queria) ser vencedora, não iria morrer - era seu objetivo principal.Winston em 1984 por outro lado desde do inicio, sabia, já era um homem morto.Um dia o pegariam.

Fiquei surpresa também, que apesar de ser um livro de quase 40 anos atrás a linguagem permanece contemporânea e objetiva. Orwell, sem apelar para drama, constrói um mapa da vida de Winston, racionalmente.O próprio Winston se admite como um homem extremamente racional. Não é o herói "ideal", é uma pessoa bem real, ciente dos seus egoísmos, inúmeros defeitos, mas pelo menos tem uma característica em que se destaca; mesmo na pior das situações, há a esperança pela humanidade . E por isso talvez que ele indigna tanto com o sistema em que vive.

A realidade no futuro de "1984" é realmente terrível. Mas não é a miséria, fome e guerra que assustam mais no livro, é o fato de perceber, através dos olhos do personagem, que não há realmente uma escapatória.E o pior de tudo é alteração ao passado; a frase do livro é pura verdade "quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado".
Até mesmo a linguagem é modificada para reprimir qualquer sentimento ou pensamento individual que não se referisse ao amor á potência oceânica.

Até mesmo nos órgãos do governo há a contrariedade: O Ministério da Paz, trata assuntos de guerra.O Ministério do Amor, cuida de traidores do Partido e os torturam.O Ministério da Fartura, responsável pela produção de alimentos, divulga falsas estáticas positivas quando na verdade a produção só diminui. E o Ministério da Verdade, onde Winston trabalha, falsifica notícias, cria propagandas ilusórias do Grande Irmão e altera as informações sobre o passado, quando necessário - e dessa forma Winston descobre toda a farsa.
O crime de pensar não implica a morte. O crime de pensar é a própria morte!
Mas muitas pessoas também sabem disso.Porém não se revoltam.Porque? Por um dos princípios básicos do Partido. O "duplipensamento". Ter duas ideias opostas, e aceita-las como verdade. Ver e identificar a mentira, mas criar uma ilusão tão grande na própria mente que isto se torna sua verdade.Não há opção. O que o Partido diz é a verdade, e isso tem que bastar.DEVE bastar.

A trama ao longo do livro só melhora cada vez mais.De forma magnifica, Orwell transmite ao leitor o medo e o terror disseminado pelo Partido.O desespero do personagem, a dor - física e psicológica. Há cenas chocantes e de tamanho impacto que eu mesma como leitora, me senti profundamente conectada com Winston á ponto de sentir seu desespero extremo.

Mas a sensação mais forte é quando se percebe que essa realidade criada pelo autor em 1949 tem uma base de verdade na realidade.Que não está tão distante.E o temor pelo futuro...

site: http://misssorrisos.blogspot.com.br/
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Rita Nunes 19/10/2015

Eu tinha boas expectativas com esse livro, mas fiquei bem decepcionada. Não passa de uma longa crítica ao comunismo. Isso não teria problema nenhum, se tivesse sido feito com uma história inteligente e interessante, mas não é o que ocorre. O livro é mais descritivo que narrativo, cansativo. Não gostei.
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Ronnie K. 13/04/2009

1984 é um livro que suscita diversos tipo de emoção. Medo, indignação, revolta, náusea. Poucos livros que li conseguiram isso, um mérito artístico que deve ser levado em conta, sem dúvida. Se um livro é escrito para mexer com nossa passividade, nos desautomatizar, fazendo-nos refletir, esse é um exemplo. Então, evidentemente, merece ser lido.

No entanto, urge fazer certas ressalvas: como toda narrativa que se propõe fazer um diagnóstico do seu tempo e da sociedade, tentando até antecipar em certos pontos o futuro, deixa a desejar em muitos pontos. Todo projeto narrativo ambicioso, com amplo leque de abordagem, sempre correrá esse risco. O ideal em narrativas é centrar o máximo possível o foco para aumentar a verossimilhança do fato narrado, por mais fantástico ou fantasioso que seja.

No caso presente, sem dúvida o livro apresenta notáveis idéias sobre Uma Sociedade Altamente Controlada e Censurada pelo Governo, com toda a série de opressões, vigilâncias, paranóia, perseguições e violência que disso decorrem. Começa em tom de leve ironia; termina no terror absoluto. Na criação dessa atmosfera lúgubre está o grande mérito do livro. É um livro triste, angustiante, cheio de desesperança.

Contudo... Desesperança até demais! Não há a luz no fim do túnel. Não há nenhum tipo de vitória da virtude em suas páginas. Essa é a narrativa do vazio e do niilismo totais. É bom, merece ser lido, mas no fundo não acrescenta muita coisa não. Seja em experiência literária ou pessoal.
Mateus.Henrique 24/05/2018minha estante
O livro foi escrito em uma época de governos totalitários. Ele não queria dar esperança, ele queria dar um aviso.




Queria Estar Lendo 05/01/2018

Resenha: 1984
1984, cedido para o blog em parceria com a editora Companhia das Letras, foi o último livro escrito por Gearge Orwell, publicado apenas sete meses antes da sua morte. Um romance que, na época, especulou sobre um futuro que parecia tão próximo - e que acabou se tornando atemporal ao tratar de uma ameaça que continua tão real.

Na Oceania, um regime totalitário tomou conta, liderado pelo chamado Grande Irmão ("Big Brother"). O regime controla a população e os despiu de qualquer individualidade, com o objetivo claro de obter cada vez mais poder. Nesse cenário, conhecemos Winston, o protagonista. Mesmo inserido na cadeia de comando do regime, Winston preserva um instinto rebelde que aflora ao longo das páginas.

No livro, Winston finalmente se rebela contra o regime depois de conhecer Julia, uma colega de trabalho por quem acaba se apaixonando. Quando os dois iniciam uma relação - algo proibido - Wonston finalmente é levado a agir.

"Existe a verdade e a inverdade, e se você se agarrar a verdade mesmo contra todo o mundo, você não será louco."

A respeito dos três personagens que mais se destacaram para mim - Winston, Julia e O'Brien - eles não deixaram realmente uma grande marca. O'Brien é uma personagem de quem não posso falar muito sem spoilers, mas foi o que mais me passou a sensação de "estar aqui apenas como artifício de plot", sem uma história própria que importe de verdade.

Já Winston e Julia foram um pouco mais complexos, mais tridimensionais, embora não tenha morrido de amores por nenhum deles. O protagonista, inclusive, me irritou em alguns momento, com atitudes misóginas em relação a Julia e a forma como tão facilmente a silenciava. Também não ajudou muito que ele fosse a epítome do "homem hétero branco de classe média" com a única diferença de que fazia parte de uma sociedade totalitária. Coloca-lo como um perdedor, como uma forma de aproximá-lo do público também não fez muito por mim. Eu simplesmente não me importo com ele - mesmo sabendo que fazer com que nos importemos com ele era um dos objetivos do livro. Mas respeito e aprecio a jornada dele dentro do livro.

No fim, a personagem por quem mais senti simpatia foi Julia, que me lembra muito uma manic pixie dream girl, servindo para nada mais do que ser o estopim da rebeldia de Winston. Embora carismática, com espaço e certa voz, Julia também é bastante um artifício de plot que facilmente poderia ter sido substituído por outro propulsor.

No entanto, a história que eles contam é completamente relevante.

Quando George Orwell escreveu 1984, o mundo se encontrava em uma persistente tensão. Com o fim da Segunda Guerra Mundial ainda tão recente, os maiores medos da população eram uma guerra nuclear e governos totalitários, uma realidade que o autor explora bastante, especialmente ao definir uma data distante (o livro foi originalmente publicado em 1949), embora perto o suficiente para nos deixar agitados.

"Nós somos diferentes das oligarquias do passado porque sabemos o que estamos fazendo. Os Nazistas Alemães e os Comunistas Russos chegaram muito perto dos nossos métodos, mas nunca tiveram coragem de reconhecer seus motivos. Eles fingiram, e talvez até acreditaram, que tomaram o poder de forma involuntária e por um tempo limitado, e que logo a frente estava um paraíso onde os seres humanos seriam livres e iguais. Nós não somos assim. Nós sabemos que ninguém nunca toma o poder com a intenção de abdicá-lo. Poder não é um meio; é um fim."

E mesmo que já tenha se passado mais de 30 anos da data estipulada por Orwell, a realidade descrita por ele - de um regime que encontra uma forma de "desativar" a nossa humanidade, controlando-nos e transformando-nos em coletivos, cujos desejos estão subjugados ao Partido - ainda é bastante real. Sempre que leio distopias me pergunto quais as chances de isso de fato acontecer, e com 1984 minha resposta foi: muito provável.

Desde uma terceira guerra mundial, até um regime totalitário que usa lavagem cerebral para controlar e padronizar os cidadães, tudo na história fala tanto de realismo que é difícil não temer pelo nosso futuro. Acredito que é isso que torna o livro tão atemporal, o fato de basear-se na busca única e exclusiva de poder e verdade.

O Partido é um regime assustador, que exige total obediência da população, em ação e pensamento, e para tal usa a lavagem cerebral e o constante monitoramento para, inclusive, controlar a memória das pessoas. Em casos onde qualquer fragmento de memória vai contra a "verdade" do regime, esse fragmento é substituído por uma "verdade inventada", ou seja, uma mentira. Ao manipular e negar a verdade a população, o "Grande Irmão" conquista aquilo que busca: uma sociedade complacente.

"Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota pisando em um rosto humano - para sempre."

E por mais "Black Mirror" que seja, ainda soa tão real e próximo. Porque esse controle da verdade e da população é o cerne da questão. Apesar do título datado, muita coisa em 1984 parece plausível, especialmente hoje em dia, com as tecnologias que temos - e não precisamos ir muito longe para vermos a verdade sendo manipulada de forma a alienar a população. O título pode não ser mais uma espécie de "calendário do juízo final", mas certamente ainda fala de algo tão, ou mais, possível do que na época em que foi escrito.

Por fim, 1984 é uma leitura recomendada para todos. Talvez mais denso do que as leituras que estão acostumados, mas uma boa forma de sair da zona de conforto. A edição da Companhia das Letras está muito bonita - tentei mostrar um pouco nas fotos. O projeto gráfico ficou muito bacana e, no fim, para quem gosta de histórias clássicas contextualizadas, pode ler 3 diferentes posfácios. De toda forma, é uma leitura que devemos fazer ao menos uma vez na vida, especialmente quando estivermos nos sentindo muito confortáveis com a nossa situação.

"Morrer odiando eles, isso era liberdade."

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/01/resenha-1984.html
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Fernanda 14/10/2010

Sombrio
Não há como negar, o livro realmente é excelente. No entanto, é um livro para quem tem estômago forte. Me senti completamente sufocada! (não leria de novo!) Orwell cria um mundo claustrofóbico, de vigilância constante, de verdades inventadas, em que o pensamento próprio significa aniquilamento. Assustador! Aliás, só é assustador porque é um cenário possível demais, real demais.

Resumindo, uma obra prima.
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Andreia Santana 16/10/2011

Huxley e Orwell: Um breve “ensaio sobre a lucidez”
Pego de empréstimo o título de um dos romances do autor português José Saramago para nomear uma tentativa de comparação entre Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley) e 1984 (George Orwell), ambos considerados clássicos da literatura inglesa, visionários, - quase proféticos -, e emblemáticos para a compreensão da sociedade contemporânea. Aviso aos navegantes que, apesar do começo com cara de texto acadêmico, isto aqui não é nem de longe um ensaio legítimo, na tradução literal da palavra. Trata-se de uma opção de leitura: ao invés de resenhar as duas obras, cada uma no seu pedaço de tela de Word, resolvi resenhar as duas juntas, traçando paralelos em obras que, em minha opinião, são complementares e que, dada a natureza “filosófica” das minhas férias e da licença médica recente, li na sequência uma da outra, como os dois pedaços de uma mesma história.

A primeira coisa que chama atenção nos dois livros é a temática. Ambas falam de opressão, descrevem ditaduras cujo principal meio de coerção se dá através do patrulhamento das ideias e do aniquilamento da identidade. O indivíduo não existe no mundo futurista imaginado por Aldous Huxley, em que até a concepção e o parto são destituídos de “naturalidade” e os bebês gerados, após seleção criteriosa dos genes de machos e fêmeas, em laboratório. A solidão, a tristeza e a velhice também são abolidas no novo mundo e a consciência é entorpecida por um hedonismo desesperado, o prazer adquirido através de uma droga de controle social, o soma. Em 1984, o indivíduo também não existe. O Partido e o Grande Irmão controlam as vontades e as consciências. Uma pessoa não é nada, só o grupo importa, fora do grupo só existe aniquilação. As opiniões que valem são a do grupo, notas dissonantes primeiro precisam ser “catequizadas”, depois humilhadas e quando ninguém lembrar sequer de um eco de discordância, eliminadas.

Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932, sob ameaça do nazi-fascismo, que se espalhava na Europa e que culminaria com a II Guerra Mundial. Já 1984 foi publicado em 1949, após a guerra, quando o mundo ainda se recuperava das feridas provocadas pelo conflito. Era também o início do processo que dividiria o mundo em blocos políticos e econômicos. A divisão, como qualquer aluno atento de ensino médio bem sabe, persiste, mas tem outras siglas (UE, Mercosul, OMC, OTAN e afins) após a Cortina de Ferro.

A fama de Huxley e de Orwell como gurus decorre do fato dos dois, décadas antes, terem descrito, quase com perfeição, o mundo globalizado onde vivemos. Ler Admirável Mundo Novo ou 1984 sem traçar paralelos com a sociedade pasteurizada, preconceituosa, infantilmente apegada ao prazer rápido e descartável, além de submissa da atualidade, ao menos para mim, é impossível. O soma distribuído como ração em Nosso Ford, o ”país modelo” do admirável mundo novo de Huxley, pode ser substituído por uma infinidade de recursos e/ou substâncias utilizadas para mitigar a dor da nossa frustração enquanto civilização. O Grande Irmão de 1984, por sua vez, reeditado num mundo que perdeu a noção de privacidade, tem mais olhos que a Hidra de Lerna e suas infinitas cabeças. A verdade é que a ideia de sociedade já nasceu velha e caduca.

George Orwell apenas descreve de maneira hábil a realidade que o cercava em 1949, mas teve o bom senso de situar sua triste história do pós-guerra em um futuro que na ocasião parecia muito distante, mas que também não dava sinais de ser diferente daquele presente. A Europa destroçada, países que se aliavam em blocos formando super-nações, alianças que se rompiam e reconstituíam ao sabor da conveniência política, a vigilância constante, autoritarismo, ditadura (de esquerda ou direita, ambas são idênticas), a total aniquilação de opiniões contrárias às do sistema vigente, a crueldade do ser humano levada ao seu extremo. Se alguém não conhece nada disso no mundo de agora é porque acaba de descer na Terra, vindo de Marte, provavelmente.

Mas o hábil exercício de futurismo dos autores não decorre de poderes mágicos (se bem que às vezes eles parecem mesmo ter super poderes), mas apenas da sagacidade em observar o mundo que se construía em 1932 e em 1949, mover as peças do tabuleiro em determinadas direções apontadas pela conjuntura e visualizar o que seria o futuro. Huxley e Orwell eram filósofos, muito possivelmente humanistas, desencantados com a revolução, visto que os dois também se engajaram nas lutas socialistas daquele começo de século XX, tão bem batizado por Hobsbawm de “era dos extremos” e tinham mentes brilhantes, sem dúvida. Antes de prever o futuro, os dois narraram a decepção com o presente. E é decepcionante, sem dúvida, apostar tanto no fim do nazi-fascismo, por exemplo, só para perceber que os regimes que o substituíram eram tão cruéis e excludentes quanto.

Os críticos literários especializados ficam catando falhas de estilo nas obras. Os panfletários de ocasião traduzem as palavras dos dois escritores de acordo com a bandeira que querem defender no momento e os “super mega power high techs” ridicularizam os equipamentos e avanços científicos descritos nas duas obras, sem se dar conta de que na ocasião, com a tecnologia existente, era o máximo a que uma mente humana (mesmo “profética” como a desses dois autores) podia chegar. Pessoalmente tenho uma dó imensa (peninha mesmo) desse tipo de “leitor especializado”, que não vai à essência dos textos e se prende aos detalhes fúteis.

Aldous Huxley e George Orwell foram cronistas sofisticadíssimos, que não se contentaram em apenas descrever o mundo que os cercava, mas fizeram um exercício de livre-pensamento, de filosofia pura, ao conceber o mundo que resultaria daquela realidade. Saber se a intenção dos dois era fazer um alerta sócio-político ou apenas criar boas e verossímeis histórias de ficção é navegar sem bússola no mar da especulação, cada um vai ler e vai achar o que quiser, como, aliás, acontece com qualquer texto que precise ser subjetivamente interpretado.

O que, no entanto, firma-se como verdade universal é que as duas obras, apesar das datas de publicação, não perdem a capacidade de renovar-se. Pelo menos não enquanto a humanidade repetir a história ad infinitum, mudando apenas os nomes das personagens principais, mas movida pelos mesmos motivos...

Uma sinopse do livro, para quem não leu ainda:

1984 – Também partindo da realidade conhecida, a Europa dos primeiros anos do pós-II Guerra, George Orwell imagina um mundo dividido em três super potencias que vivem de brigas e alianças entre si e cujo controle social é exercido pelo Partido e pelo líder Grande Irmão. Vigiados 24 horas por dia pelas teletelas (principal instrumento da polícia das idéias) os cidadãos desse mundo sitiado vivem um progressivo aniquilamento da memória e da individualidade. Os cidadãos que trabalham para o partido, eles mesmos igualmente vigiados, tem como missão criar a Nova Fala, idioma em que todas as palavras tidas como subversivas (praticamente todas que reunidas numa frase conduzam ao ato de pensar) precisam ser abolidas e trocadas por outras, meramente funcionais e sem significado. Ao mesmo tempo, o Ministério da Verdade se ocupa de alterar fatos e datas históricas cada vez que o Partido acredita que uma determinada informação pode comprometer o regime, daí, depois de pouco tempo, ninguém mais sabe o que é a realidade de fato ou o que é uma versão da realidade, se é que existe alguma realidade de fato. O herói da história é Winston, um membro do partido que trabalha no Ministério da Verdade e que, inadvertidamente, descobre um documento que deveria ter sido alterado e eliminado e que pode destruir o Partido, caso caia nas mãos erradas...

O autor - George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair. O autor nasceu em 1903, em Motihari (na Índia, quando o país era colônia britânica) e morreu de tuberculose, em 1950, em Londres, apenas alguns meses após a publicação de 1984. Também poeta e ensaísta, Orwell escreveu seis romances, sendo tão notável e famoso quanto 1984, o emblemático A Revolução dos Bichos, em que o tema é também a ditadura. Os porcos de uma fazenda convencem todos os animais de que estes são oprimidos pelos humanos. Após os bichos se revoltarem e tomarem a fazenda, expulsando os humanos, descobrem que sob o governo dos porcos, caíram numa outra ditadura, ainda mais cruel e opressiva.
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