Auto da Barca do Inferno

Auto da Barca do Inferno
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Resenhas - Auto da Barca do Inferno


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Naty 24/10/2016

Um livro satírico, um panorama de época, um retrato de uma sociedade que se repete até hoje.
A história contada nesse livro era um ato, ou seja, uma peça de teatro voltada, nesse caso, à religiosidade da época retratando-a de maneira irônica e inteligente.
Gil Vicente remonta a cena de uma espécie de porto em que existem duas barcas, uma para o céu e a outra para o inferno. As pessoas que ali chegam são escolhidas para uma barca ou para outra e é aí que a coisa fica interessante.
O primeiro a chegar foi um fidalgo que acreditara em suas posses e seu poder e acaba indo para a barca infernal. Interessante é que os personagens que vão para o inferno estão sempre com objetos mundanos aos quais estes se apegavam; o fidaldo, por exemplo, veio com uma cadeira representativa de poder e tirania, características essas que fizeram o anjo nega-lo na barca para o paraíso.
O segundo a chegar é o agiota e esse foi um dos que eu mais gostei; ele acredita tanto, mas tanto no seu dinheiro que acha que o anjo não o recebeu em sua barca porque achou que este fosse um miserável qualquer quando, na verdade, o anjo apresenta como explicação o fato de que o peso de seu bolso é muito grande, ou seja, seu apego ao dinheiro encerrava ele no mundanismo. é muito interessante como essa obra, que data do século XVI, consegue ser tão atual; ainda hoje existem pessoas assim.
Depois vem um homem tolo que morreu de caganeira (?????), sim caganeira (acho que naquela época morrer de diarréia era algo mais comum) e ele é aceito na barca divinal. é um pouco chocante para o leitor pensar que grandes homens aqui acabam indo para o inferno e pessoas tão simples recebem o bem maior é aí que Gil Vicente quer chegar. Ele se utiliza desse texto para ensinar e mostrar à sociedade que se inseria que de nada vale o status quo, o que se precisa, na verdade, é de um coração puro.
O quarto é um sapateiro que frequentava a igreja, mas, quando saia, roubava os pobres, ou seja, um homem desonesto. é claro que ele não entra na barca do inferno e, dessa parte, posso inferir que o autor não traz um maniqueismo social tão disseminado em muitas obras em que o pobre é bom e o rico é mal. Esse sapateiro é a proa disso, ele não é lá tão rico, mas, mesmo assim, faz o que é errado perante os olhos de Deus e, consequentemente, vai para o inferno.
O quinto é um frade que crê em sua posição para alcançar local no céu, mas esquece de perceber que desrespeitou os seus votos ao se envolver sexualmente com mulheres e, ao ser indagado sobre isso, ele comente apenas que todos fazem e, por isso, é normal. Nesse quesito, Gil Vicente me lembra muito Gregório de Matos que criticou muito no Brasil a sociedade católica e seus malfeitos encobertos.
O sexto é uma mulher prostituta que também prostituia outras garotas, mas, mesmo assim, acha que pela mazelas que sofreu, ou seja, por pena ela deveria ser levada para o céu. Isso não acontece e ela, por todo o mal que fez, é condenada ao inferno.
O sétimo é um judeu acompanhado de um bode (essa foi uma das partes mais difíceis de entender assim como a do tolo). Ninguém quer receber o judeu, nem a barca do céu nem a do inferno o que demonstra a marca da cultura antissemita que permeava a sociedade da época. Ele acaba indo na barca do inferno.
O oitavo e o nono são o corregedor e o procurador que acham que por sua posição social e sua funcionalidade jurídica deveriam ir para o céu, mas eles manipulavam a justiça em benefício próprio e isso lhes foi creditado como pecado e estes não subiram aos céus.
O décimo foi um enforcado que acha que esse ato o traria salvação quando, na verdade, o levou ao cainho da perdição, pois ele vai para a barca do inferno. é aí que eu paro e medito sobre um fato muito abordado em noticiários e que eu também vi na HQ Persépolis; se matar para obter salvação futura nos lembra alguma coisa? Talvez o Estado Islãmico ou todas essas instituições que apregoam o desrespeito à vida? Sim. Mais uma vez esse livro vai além de sua época e nos mostra que muitos problemas não vem de hoje; eles são fruto de uma sociedade maracada desde os primórdios.
O décimo primeiro, segundo e terceiro são três cavaleiros que lutaram nas cruzadas; estes nem querem saber de conversar com o diabo. Eles são bem recebidos na barca divinal e, enfim o livro acaba. Essa parte remete ao cenário em que Gil Vicente vivia; as cruzadas eram, naquela época, uma luta tida como santa e, assim como se retrata na obra, quem lutava por ela estaria destinado aos céus.
Essa foi uma síntese do enredo. Esse livro é bem curtinho e engraçado de ler mesmo que a maioria das palavras sejam truncadas e de difícil compreensão. Acabei gostando bastante. Acho que a obra cumpriu com seu papel e conseguiu passar para o leitor um cenário de como o mundo era e, para nossa surpresa, continua sendo até hoje. Será que parmênides estava certo? Que houveram mudanças isso sei, mas, que o cerne é basicamente o mesmo, essa obra prova veementemente e eu a aplaudo, pois foi mais interessante do que eu achava que seria.
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Silvia.Leticia 19/10/2016

Satirizando a sociedade
Se não fosse as imensas notas de rodapé, talvez eu tivesse mais dificuldade para compreender os diálogos, visto que o vocabulário é bem complicado.

Outra questão que dificulta a leitura para àqueles que não estou habituados é o fato de ser uma peça dramática, com poucas descrições e pouquíssimas narrações. Como é um texto feito pra ser representado, há basicamente diálogos.

Há algumas personagens que morrem e se deparam com duas barcas, uma que vai para o inferno, liderada pelo Diabo, e outra que vai para o céu, liderada pelo anjo. A grande questão de Gil Vicente é que ele usa personagens tais como um sapateiro que cobrava preços absurdos de seus clientes; um frei que durante toda sua vivência na terra adquiriu vícios mundanos ao invés de viver para a evangelização; uma mulher que era responsável por intermediar relacionamentos pautados na questão sexual em busca de dinheiro de meninas; pessoas que deveriam representar a justiça terrena, como o procurador, para mostrar que em algum momento essas pessoas pagarão por seus pecados.

Todos eles não viveram de maneira justa, pois acabaram aproveitando das pessoas que as cercavam e não foram poupados no juízo final, visto que não há como esconder nada do Diabo.

É uma grande sátira com relação ao comportamento geral da sociedade, vale a pena o esforço.
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Saulo.Morais 15/10/2016

Auto da barca do inferno
A história gira em torno de duas barcas, a barca do Inferno - comandada pelo Diabo - e a barca da Glória - comandada pelo Anjo.
Após morrerem, vários personagens vão chegando e contando seus feitos em vida, eles tentam entrar na barca da Glória, poucos conseguem, o Anjo ou o Diabo explicam no que eles pecaram.
Como exemplos de personagens, temos o agiota, um sapateiro, um frade com uma amante, um judeu, um magistrado, um enforcado e cavaleiros mortos na Cruzada.
Achei a introdução muito boa, conta mais detalhes sobre Gil Vicente e a história do livro. Outro ponto positivo vai para as notas no rodapé que explicam várias palavras e dão maiores detalhes ao final da história de cada personagem.
O que é ruim é o fato da história ser escrita em português de Portugal, o que às vezes atrapalha, pois podemos deixar de entender o contexto de algum diálogo.
Recomendo o livro por ser uma leitura curta e divertida.
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Aline 28/09/2016

Barca do Inferno, Leitura do Diabo
Uma leitura difícil. Com muitas palavras do português de Portugal, o texto é escrito em forma de teatro. A leitura tem que ser muitas vezes interrompida para se conseguir entender as palavras. História claramente recomendada a amantes de Gil Vicente e literatura eclética.
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Keilizie 14/09/2016

Saudade define
Li esse livro na escola com uma professora maravilhosa. A melhor professora de literatura da vida. Lembro que toda a sala simplesmente amou o livro e ela nos levou ao teatro para vermos a peça e amamos mais ainda.
A história se passa bem rápida por ser basicamente composta por diálogos, e sátiras sociais que sim, cabem até aos dias atuais! Auto da Barca do Inferno é de fato um dos meus favoritos!
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Leandro 20/04/2016

Difícil de ler
Muitas palavras complicadas
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Naju 09/04/2016

Auto da barca do Inferno
Vocabulário complicado e história desinteressante, pelo menos pra mim. Só li pq a escola exigiu. Quanto mais eu lia, mais parecia que faltava para acabar. Apesar de todos os aspectos negativos a meu ver, gostei da mensagem que o livro passa. 1 estrela.
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Juliana 14/02/2016

Auto da barca do inferno
Uma sátira que cria diversos diálogos caracterizando inúmeros personagens da sociedade portuguesa do século XVI.
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Vitor 20/01/2016

Julgamento final
Lembram do julgamento final em "O Auto da Compadecida"? Parece um pouco com a dramaturgia de Gil Vicente. Aqui, o Diabo e o Anjo julgam quem vai pro inferno ou pro paraíso: o Fidalgo, o Agiota, o Padre, o Juiz, a Alcoviteira, o Judeu etc. O texto é acompanhado de notas que ajudam muito a compreensão. Fuja se não curte ler teatro.
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04/09/2015

Nossa herança portuguesa e uma reflexão aos dias de hoje.
Gil Vicente através de uma sátira faz uma crítica da organização social Portuguesa do século XVI . Treze personagens representam em uma peça teatral os erros de comportamento da sociedade. Todos querem ir na barca da Glória , mas o que lhes resta é enfrentar o Diabo e embarcar para o Inferno. Isso nos leva a uma reflexão dos pecados da avareza , maldade , soberba...... Muito bom livro .
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Horroshow 21/06/2015

Leitura rápida e agradável
Resenha por João Pedro Mesquita

"O mesmo ano em que Lutero publicou suas 95 teses. Sabe o que isso quer dizer? Que faz muito tempo. Mesmo. Quando percebi que Auto da Barca do Inferno é um livro de 1517, me senti numa viagem maluca no tempo. Agora que voltei, posso dizer que foi uma viagem bastante curiosa.

O teatro de Gil Vicente. Me lembro perfeitamente do meu professor de literatura do ensino médio me falando sobre isso, sobre como a peça era cheia de alegorias e críticas sociais, repleta de sátiras e de moralidade. Vou pular essa parte (caso queira saber mais, procure um professor de cursinho parecido com o que tive), e dar mais atenção ao que senti durante a leitura, que por sinal foi bem rápida ─ questão de uma ou duas horas. Porém, desde a aula que tive lá atrás sobre Humanismo, fiquei com muita vontade de ler essa obra de Gil Vicente, talvez por gostar da ideia de pessoas sendo julgadas no purgatório."

(... Leia mais no link abaixo)

site: http://bloghorrorshow.blogspot.com.br/2015/01/auto-da-barca-do-inferno-gil-vicente.html
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Fabio Ross 11/06/2015

Dica de leitura: Auto da Barca do Inferno (Portugal. 1516).
Sinopse: Um diabo prepara sua embarcação para receber as almas penadas do dia e levá-las para o Inferno.

Nota (0-10): 7.

É estranho ler teatro. Recentemente, li “Fausto” (Goethe), e relendo AdBdI tive a mesma sensação: ficaram assuntos inacabados. Aqui, dois personagens não têm “conclusão”: o Parvo e o Judeu. Nas análises por aí, sugere-se que ambos terminaram no purgatório. Acho fraco o argumento, nada no texto dá essa ideia. Mas... quem sou eu pra questionar a FUVEST? Outro ponto é a religiosidade. Na maior parte do tempo isso não atrapalha, ao contrário, as melhores piadas surgem desse tema. Mas Vicente vai ao extremo, pareceu-me tanto radical (principalmente como ele desenvolve o Judeu). Bom, era o Séc. XVI! Tirando estas questões, AdBdI é divertidíssimo! O Parvo é, de longe, o melhor. Seus xingamentos (“entrecosto de carrapato”, “beiçudo”...) são impagáveis. O Frade é um dos melhores também, aliás, este personagem é considerado o mais polêmico da obra até hoje. Leia descompromissadamente. Garanto que você entenderá AdBdI melhor que os vestibulandos.
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Andy 16/05/2015

Razoável
Li esse livro por causa da escola e, como tal, não sei se posso realmente avaliá-lo, já que não foi um livro que li por prazer. Ainda assim, vou tentar.

Um dos maiores e mais evidentes percalços em se ler esse livro é a linguagem: Embora certamente muito melhor do que a original, muito do português arcaico é preservado. Minha sorte residiu no fato de que a versão que eu comprei ter notas de rodapé explicando o que está acontecendo e algumas "traduções" de certas expressões.

Outra coisa, e acho que aquela que mais me impediu de realmente gostar do livro, foi o fato de que, por ter sido escrito a tanto tempo atrás, muitas das piadas ou expressões que antes fariam o total sentido e me deixariam rindo ou refletindo se perderam com os anos, o que é uma pena, pois me impediu de realmente apreciar a genialidade que eu sei que Gil Vicente possui.

Apesar de tudo isso, algumas vezes ainda pude me encontrar rindo ou pensando na peça, de certa forma identificando visões que eu tenho do mundo hoje numa obra tão antiga. É claro, há muitas partes em que as visões e morais que se pregavam na época discordam totalmente das minhas, mas não acho que posso culpar o autor por isso.

O livro em si é bem curto: Das 102 páginas, 51 são tomadas por uma introdução que te leva a entrar no contexto em que a peça foi escrita e mais uma porção no final é feita de uma lista de livros que a editora publicou nessa série. Isso ajudou, de certa forma, já que um livro longo só me faria odiá-lo.

Sendo rápido, em algumas partes engraçado e não incitando meu ódio, além de educativo, acho que a leitura não foi tão ruim, e por isso dou um 2 para "Auto da Barca do Inferno".
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