Capitães da Areia

Capitães da Areia Jorge Amado




Resenhas - Capitães da Areia


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Ana 21/09/2010

Me peguei franzindo a testa pra Dora, levantando as sobrancelhas pro ato do Sem-Pernas, e até mesmo compartilhando a fúria do Volta Seca. Depois de ler esse livro, entendi o motivo de o Jorge ser Amado.
Juliana ;* 24/10/2010minha estante
eu tambem fiz tudo isso, sem contar que chorei um monte . kk'


Mariane 23/03/2012minha estante
acho q quem nunca chorou lendo esse livro ?!
é muito bom vc se sente como se conhecesse os personagens


Tati 29/06/2012minha estante
Tenho planos para roubar o livro da faculdade!


Thiago Candido 25/08/2012minha estante
O livro é muito bom, seu post fez jus à capacidade do autor, Ana.


Juliana 29/12/2012minha estante
Disse tudo ^^


Bibi 24/04/2013minha estante
Sem dúvida um dos melhores livros que já li !


Maria Eduarda 08/01/2014minha estante
você definiu ! ?


Junior Oliveira 18/04/2014minha estante
Foi o livro que fez eu me apaixonar pela literatura brasileira. =)


Gloria Ferreira 23/07/2014minha estante
muito perfeito!


Beth 08/12/2014minha estante
Pena que a edição que li, 74ª da Editora Record, é uma vergonha. Tive dificuldade para ler a impressão malfeita. É um grande livro.


Vanessa 20/03/2015minha estante
Perfeito!


Aron 23/03/2015minha estante
Eu também tive a mesma sensação, mas na parte do sem pernas na casa dos aristocratas nao conseguir suportar, parei de ler o diq pra criar coragem de seguir a leitura


Grazielle 28/03/2015minha estante
Li você me descrevendo, faltou as muitas lágrimas que rolaram, livro muito bom!


Bárbara 16/07/2020minha estante
Sensacional!


Lud 19/07/2020minha estante
Eu amo esse livro, o conto me marcou de tal forma que nunca esquecerei o dia em que o terminei com lágrimas nos olhos. O autor soube conduzir muito bem o enredo fazendo com que o leitor viaje e de alguma forma se apegue aos personagens em uma leitura muito prazeroso, dando asas à imaginação.
Foi um prazer imenso ler ?os capitães da areia?.


Belle 12/09/2020minha estante
Amo esse livro!
Posso dizer sem exagero, que chorei em todos os capítulos.




Héliton 31/12/2020

Lembranças marcadas em pegadas na areia.
É difícil poder definir "Capitães da Areia" em uma palavra só, depois de ler e refletir sobre várias coisas, apenas uma única palavra não consegue expressar tudo aquilo o que ele te faz sentir ao passar de suas páginas, pois além da história fictícia contida no livro há também um peso histórico que ele carrega junto de si e, mesmo durante os mais de oitenta anos desde o seu lançamento, se mantem com a possibilidade de debates sociais bem atuais e presentes para o nosso tempo.

Jorge Amado nos apresenta neste livro a história de um grupo de meninos, que apesar da pouca idade, se consideram homens livres e vivem uma vida com base em assaltos e roubos. Em capítulos bem curtos, a narrativa é formada intercalando entre o cotidiano e a descrição de alguns dos principais membros desse bando seguido por trechos de um jornal noticiando sobre fatos relacionados aos Capitães da Areia.

É difícil escolher uma palavra para definir este livro devido as mudanças de sensações durante a leitura, causado pelos diferentes contrastes das situações e vivências desses meninos do trapiche a cada capítulo. O fato de serem crianças e a forma de narrar, além dos diálogos presentes causam a impressão de que tudo o que eles fazem é simplesmente algo normal; descrições de momentos banais que te causam um grande desconforto são tidas como algo que faz parte da rotina do grupo, da mesma forma existe também partes que te confortam ao ler situações que, mesmo com a realidade deles de viver uma vida como a de um adulto, te faz perceber que a essência de uma criança ainda está presente ali.

A liberdade das ruas para os personagens é algo que faz parte deles, eles são o que são por causa dela, e que dá a eles a responsabilidade de gerir a sua própria vida como bem querem. Porém mesmo com essa total liberdade, há uma coisa que todos eles almejam ter e é algo que se torna um sinônimo de busca por cada um, mesmo no fundo da alma do mais impiedoso do bando, que é o carinho de uma família. Dentre várias crianças e jovens abandonadas, se esquece o quanto cada um deles pode possuir uma vocação para se tornarem pessoas grandiosas no futuro, e isso se mostra durante e ao fim do livro.

"Capitães da Areia" é mais um dos grandes clássicos da literatura brasileira que fico feliz por ter lido, e também por fazer parte das pessoas que tiveram essa mesma experiência de poder refletir e saber mais a fundo sobre os motivos que o levaram a ser tão contestado pelo governo no ano de sua publicação.
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Nado 15/12/2020

Capitães de Areia narra fatos de 90 anos atrás que ainda estão tão presentes nos dias atuais. Essa obra atemporal de Jorge Amado nos faz refletir sobre as lutas de classe e a desigualdade social ainda tão gritantes na atualidade.
Acredito ser impossível ler a história dos meninos do trapiche sem um nó na garganta ou um aperto no coração. A narrativa é fluída e crua. O autor coloca diante dos nossos olhos, uma narrativa densa, mas vista sob a ótica de seus olhos tão sensíveis e excepcionais.
Recomendo a leitura.
Eduardo 17/12/2020minha estante
Preciso TANTO ler esse livro!


Nado 17/12/2020minha estante
Uma ótima leitura, Edu. Recomendo. Agora quero ver o filme.


Eduardo 18/12/2020minha estante
Também pretendo ler o filme depois de ler, Nado. Quero botar essa leitura no ano que vem, sem falta. Já posterguei demais kkk




Monique 15/02/2011

"A alegria daquela liberdade era pouca para a desgraça daquela vida"
Capitães da Areia é um romance de Jorge Amado que foi escrito em 1937, o que para falar a verdade, para mim, não faz a menor diferença: é um livro que (infelizmente) é completamente atual, e creio que assim será por vários anos... ou até mesmo sempre.

Trata-se de um livro onde Jorge Amado, um escritor baiano, autor também de "Dona Flor e Seus Dois Maridos", escreve a incrível e emocionante história de meninos que vivem como homens, roubando para viver, não tem mãe, pai, carinho, nada, crianças baianas, crianças brasileiras.

Ao ler o livro, tive uma dificuldade em associar a idade dos personagens com a vida dos mesmos, afinal quem imagina que crianças de cinco anos, como Pedro Bala a idade em que saiu pelas ruas da Bahia, fique abandonada, sem ninguém, sendo enxotada por todos os cantos? Eu prefiro não me conformar com essas imagens, como a maioria já parece ter feito.

Nesse romance que mais parece um retrato muito mais que fiel e detalhado do Brasil atual, é narrado a história de personagens:

Pedro Bala já citado, que era filho de um grevista, que morreu lutando pelo direito dos trabalhadores durante uma greve, com um covarde tiro, quando Pedro tinha cinco anos, o menino saiu pelas ruas, e depois, ao brigar com um do líder dos Capitães da Areia, luta a qual ganhou uma cicatriz no rosto, ganha também a liderança do grupo.

Vida Seca um menino do sertão apadrinhado por Lampião, sim o Virgulino Ferreira da Silva, um garoto que vinha com sua mãe, uma mulher valente, porém que morre na viagem para Bahia, deixando seu filho seguir a viagem sozinho, Vida Seca, em quase todo o livro é descrito como um menino com um semblante sombrio, assim como seu padrinho odiava a policia, e ao se juntar enfim aos cangaceiros se mostra mesmo jovem, ao 16 anos, uma pessoa cruel, sempre com seus olhos sombrios.

Sem Pernas, um pobre garoto coxo, com raiva do mundo, alias um dos personagens mais marcantes do livro. Este garoto tinha ódio de tudo e de todos, ele era o responsável por investigar a casa que seria alvo do furto dos Capitães, Sem Pernas chegava na frente casa, aonde contava sua história: um menino coxo, que não tinha família, mas que não queria viver roubando, queria um emprego. E conseguia, por piedade, as donas das casas o deixavam ficar, porém depois o olhavam com desprezo, arrependimento de tê-lo dado emprego e moradia, por isso, logo que sabia aonde se encontravam os pertences de valores, para contar ao Capitães, Sem Pernas fugia da casa com uma felicidade, uma alegria por se sentir vingado. Porém, ao executar este plano, o pobre garoto não encontrou uma mulher com uma falsa piedade, o ajudando por se sentir obrigada, encontrou Dona Ester, que o abrigou como um filho, um filho que ela havia perdido, com o nome de Augusto, o mesmo que o menino abandonada disse se chamar. Nesta parte do livro, uma das melhores na minha opinião, Sem Pernas entra em um dilema, ele enfim havia encontrado o amor e carinho de que tanto queria, e precisava, como toda criança, mas ficar naquela enorme casa, seria trair os Capitães, a narrativa desta parte é muito emocionante - porém o desfecho terá que ser lidos por vocês.

Professor, um garoto que buscava refugio e era apaixonada por livros, lia para todos no Trapiche, onde esses garotos, mais de cem, viviam abrigados, este garoto, mesmo sem ter frequentado muito a escola, quase nada alias, sabia desenhar, e assim ganhava alguns trocados pelas ruas. Quando se torna mais velho, é o Professor que antes de maravilhas o país, o aterroriza com a realidade da vida dos abandonados.

Gato, um jovem elegante, vigarista, um malandro baiano, que vivem enrolando os outros, amiga-se com uma prostituta, a Dalva, e vai vivendo como os outros, de roubos e extorquindo dinheiro da "sua mulher".

Dora, a única garota que entrou para o grupo, ela é um figura muito importante, pelo menos na minha (humilde opinião de leitora de - quase - 17 anos, e com muitas páginas ainda a percorrer), ao chegar ao Trapiche todos a olham com desejo, apesar de muito novos, ainda criança, como já disse, eram como homens, ladrões, tendo uma vida miserável, nunca foram crianças. Dora, como ela não tinha mais ninguém quando chegou ao Trapiche com seus dois pequenos irmãos, perderam a mãe, não tinham mais ninguém. Porém todos percebem: ela é só uma menina, e tudo começa a mudar, os olhares de homens, mostram-se olhares de crianças, que a viam como mãe, irmã, que nunca tiveram.

Enfim este livro é muito mais que recomendado, ele é necessário para todos, não foi à toa que ele entrou para os meus favoritos, é um livro emocionante, incrível que todos, sem exceções deveriam ler. Merece muito mais que só cinco estrelas...

Evelyn Ruani 15/02/2011minha estante
Uauuuuu!
Que ótima resenha Mô, parabéns!
Adorei e é óbvio que ela vai pro Mural! :)
Fiquei até com vontade de ler, quem sabe eu encaixo ele no mês dos clássicos brasileiros!?
Um beijãoooo


Teka 08/11/2011minha estante
Esse livro marcou muito minha pré- adolescência !
Li porque tive q fazer um trabalho para escola ...
Na época, era muito ingênua e não entendia algumas coisas, mas anos depois li de novo e adorei !
Considero um dos clássicos brasileiros, sem dúvida !


Rani 14/11/2012minha estante
... Gostei muito dessa resenha!!!
Me deu até vontade de ler esse livro!!
E é o que eu vou fazer...


Lucy 19/03/2017minha estante
Perfeita a resenha, muito bom o livro mesmo. Nossa triste realidade de cada dia.




Jonas (@castelodepaginas) 18/06/2020

Capitães de Areia
Fiz resenha no meu blog dessa obra, por favor visitem e se inscrevam. Obrigado

site: https://resenhasnonaarte.blogspot.com/2020/06/capitaes-da-areia.html
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Victor Dantas 22/09/2020

Jorge Amado: Patrimônio Cultural do Brasil.
Não tenho histórico de experiências com clássicos da literatura brasileira. Mesmo no ensino médio quando os meus professores solicitavam as obras para provas, trabalhos, eu ia em busca de resumo na internet e me dava por satisfeito. Quanta ignorância né? Eu sei, reconheço isso.

Eis que estamos em 2020, setembro, e eu tive a oportunidade de participar de uma Leitura Conjunta organizada pelo canal “Ler Antes de Morrer” da famosa e aclamada (nacional e internacionalmente) obra “Capitães da Areia” do nosso nordestino, Jorge Amado.

E então, esse se torna o primeiro clássico brasileiro que eu li integralmente, e só posso dizer: antes tarde do que nunca.

Não poderia ter começado da melhor forma, se não pelo escritor nascido na minha região, que escreve e refere-se sempre ao recorte espacial nordestino, mas que ao mesmo tempo, sua obra se apresenta como um retrato nacional e internacional das mazelas sociais que violentam os mais vulneráveis, que em “Capitães da Areia” são representados pelas crianças órfãs.

Órfãs não apenas de mãe e pai, mas, órfãs de casa, educação, afeto, cultura, órfãs de infância...pois foram obrigadas a se tornarem adultos precocemente. Afinal, como bem elucida Jorge Amado (1937):

“Porque o que faz a criança é o ambiente de casa, pai, mãe, nenhuma responsabilidade” (p. 244).

Os Capitães da Areia vivem na cidade de Salvador, em uma época muito bem marcada, durante a antiga república brasileira. O autor nos situa num período onde estava em ascensão a econômica nordestina, durante os ciclos do açúcar e do cacau, que foram responsáveis pela industrialização das capitais nordestinas, como Salvador, Aracaju e Recife.

O grupo, liderado por Pedro Bala, é formado por mais de 30 crianças, dentre eles: Professor, Sem-Pernas, Gato, Pirulito, João Grande, Volta Seca, e a única menina do grupo, a Dora.

Cada um, com seu ponto de vista, sua subjetividade, e suas demandas, vai compondo o enredo do romance.

Aliás, a diversidade não está só nos apelidos, como também nas condições físicas e sexuais. Temos crianças negras, brancas, crianças estrangeiras, crianças com deficiência física, crianças heterossexuais e homossexuais... gente.

Tal fato, confirma que todos podem ser vítimas desse fenômeno violento. Não há ninguém imune.

Crianças. Crianças que vivem em situações de abandono na grande Salvador, no qual no livro é referenciada como “A Cidade da Bahia”. Lidam diariamente com a violência, a fome, o medo, a ausência de carinho, o não acesso à cultura, à educação.

Mas, apesar das adversidades retratadas, elas possuem um bem maior e coletivo que é a liberdade. Liberdade não pelo simples fato de viverem nas ruas de Salvador, mas, por fazerem da cidade, sua casa, sua amiga, sua família... sua igual.

Diante da situação de miséria, os Capitães da Areia, furtam para vencer a fome, para ter uma moradia e ter o que vestir. De um lado, são vistos como ladrões, do outro, visto como sujeitos vulneráveis. E essa dicotomia de interpretações da realidade dos “Capitães da Areia” que veste toda a obra do Jorge Amado.

“Quem cuida deles? Quem os ensina? Quem os ajuda? Que carinho eles têm?” (p.155).

Uma obra, como eu bem disse, que marca uma época bem definida, mas, que não se limita a um só período histórico. Pelo contrário, se faz presente até hoje. Não só em Salvador, na Bahia, mas, no Brasil, na América, no Mundo.

A fome é um problema social, criado pela sociedade.
Fome não só de alimento.
Fome de segurança. Fome de lar. Fome de afeto. Fome de família.
A responsabilidade? Também cabe a sociedade.

Após essa leitura, sinto como minha obrigação, bem como um favor a mim mesmo, conhecer as outras obras desse autor que deu voz a sua gente. Que escreveu sobre o Brasil, de uma forma real, lírica e única. Que tocou na ferida sem medo e mostrou para gente.

Jorge Amado é um patrimônio cultural do nosso país.
Daniel 22/09/2020minha estante
Quem nunca leu um resumozinho na época da escola que atire a primeira pedra!

Te indico outros clássicos maravilhosos: O quinze (Rachel de Queiroz) e Vidas Secas (Graciliano Ramos).

Sou iniciante em Jorge Amado tb, já quero ler mais. Li A morte e a morte de Quincas Berro D'água na época do Colégio, mas não lembro muito, então considero a leitura de Capitães da Areia meu início em sua obra, acho que foi um ótimo pontapé.


Victor Dantas 22/09/2020minha estante
Grato pelas indicações André! Já coloquei na minha lista ?


Lucy 22/09/2020minha estante
Lu no ensino médio. Exatamente, obrigatório! Já amava ler mas achei bem pesado... Hoje vejo que era imatura para esta obra


Lucy 22/09/2020minha estante
Não brigue com Machada do Assis. Dê uma chance a Dom Casmurro e Memórias Postumas de Brás Cubas. Depois me conta...


Quel 23/09/2020minha estante
Também não li no ensino médio Victor, talvez na época não teria me marcado tanto como me marcou agora, com certeza, livro 5 estrelas?


Victor Dantas 23/09/2020minha estante
Pois é Quel, também penso da mesma forma.


Victor Dantas 23/09/2020minha estante
Vou dar sim uma chance a Machado Lucy kkk
Obrigado pelas indicações


Quel 23/09/2020minha estante
???


Geovana.Esther 27/09/2020minha estante
Agora que vi que tu resenhou, falando meu livro preferido não tinha como eu não aparecer né. O livro é bem marcado pelo regionalismo, assim como outros livros que também são da segunda fase do modernismo, porém confesso qur nunca consegui ler O Quinze e olha que admiro bastante a história da Raquel de Queiroz. E senta aqui, como você ousou pesquisar resumo na internet? Clássico é tudo.


Geovana.Esther 27/09/2020minha estante
Não posso julgar tanto porque estou procrastinando a leitura de Cartas Chilenes para o vestibular, mas clássico brasileiro é muito bom.




André Lisboa 09/08/2020

Pobreza e a luta pela sobrevivência
Uma narrativa que reúne lirismo, poética e uma crítica social, com uma linguagem simples e acessível. Capitães de Areia, obra publicada em 1937 pelo consagradíssimo escritor baiano Jorge Amado, embarca todo um esforço literário que ratifica esse livro como um clássico da literatura nacional. Capitães de Areia é um livro que retrata a realidade pobre da infância abandonada, representando não só o período dos anos 30 no Brasil, mas também uma realidade que se perpetua aos fatos contemporâneos. É um clássico atual, que retrata a realidade nua e crua.

O enredo aborda a vida dos Capitães da Areia, um grande grupo de meninos pobres, órfãos abandonados à própria sorte nas ruas de Salvador, e que cometem pequenos furtos e outros delitos menores para tentar obter algo para comer. Nessa jornada em busca da luta pela sobrevivência conhecemos a história de cada um dos principais garotos do grupo: o líder Pedro Bala, o interiorano Volta Seca, o Sem Pernas, o Professor, o João Grande, O Gato e alguns outros personagens desse grupo fascinante.A história de uma realidade nua e crua, comovem os leitores. Esses meninos que moram num trapiche abandonado e vivem de pequenos furtos e golpes, retrata de forma cabal a vida real de um contingente populacional pobre que vive nas ruas.

Analisando bem, podemos ressaltar alguns pontos históricos do livro que causam impacto que vão desde formação política de Jorge Amado, até à polícia do Estado Novo Varguista que tratava “as questões” de classe de uma forma autoritária –, o modo de operação de tantos regimes na América Latina. Em termos literários Jorge Amado as retrata como personagens com muita gana, energia para viver, a malandragem e a sexualidade precoce em um ambiente que exigia “manha” e esperteza. Pedro Bala e seus amigos apresentam um tipo de inteligência e vontade de viver, uma luta árdua para sobreviver num ambiente de fome, de miséria, e cerceados por condições sociais hostis. Jorge amado com um tipo de prosa singular, linguagem coloquial de uma prosa repleta de crítica e humor, tece com emoção o enredo triste e cheio de “causos” e acontecimentos. O final é emocionante, principalmente a relação estabelecida de diferentes formas com a garota Dora. Este é um livro de representações sociais, com doses generosas de emoção e humor. Um clássico marcante.
Bia 09/08/2020minha estante
Ótima resenha! Lembro que tive que ler pro vestibular, e me marcou muito como a ingenuidade da infância (exemplificada na tão comentada cena do carrossel) convivia de forma tão contraditória com tantos comportamentos precoces que as condições e o meio deles exigiam. É uma leitura muito emocionante sobre valorização da infância, denúncia da nossa violência estrutural e outros tantos temas mais, que você bem pontuou!


André Lisboa 09/08/2020minha estante
Muito obrigado Bia! Eu queria poder ter falado mais sobre esse livro, mas compreendo que se eu pudesse esta resenha minha estaria com páginas e páginas, ou seja, ficaria enorme e ninguém iria ler rsrs. Você falou tudo: é uma história muito marcante. Mais um vez, muito obrigado ??


Sinésio 09/08/2020minha estante
Parabéns, André!


André Lisboa 09/08/2020minha estante
Obrigado!


jusousan 10/08/2020minha estante
Quero muito ler! Espero que seja breve




Otávio - @vendavaldelivros 04/12/2020

“Vestidos de farrapos, sujos, semiesfomeados, agressivos, soltando palavrões e fumando pontas de cigarro, eram, em verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas.”

Difícil definir em palavras uma experiência como a leitura de Capitães da Areia. Desses livros que marcam a vida, de personagens que se tornam eternos e, principalmente, que nos mostram que mesmo depois de mais de 80 anos a história da sociedade brasileira ainda é a mesma. Impossível não se enxergar na Bahia, andando ao lado de Pedro Bala, Professor e Sem-Pernas. Impossível não se identificar com personagens e histórias tão embrutecidas, mas ao mesmo tempo tão leves. A escrita de Jorge Amado é fluída, como um bom baiano contador de histórias. Capitães da Areia é, no mínimo, uma experiência inesquecível.

Poucos livros me tocaram enquanto ser humano como Capitães da Areia. O talento de contador de histórias de Jorge Amado não só nos coloca na Bahia, mas desenha em cores a trajetória por vezes trágica dos meninos de rua de Salvador. Sem famílias ou com famílias desestruturadas, vítimas de um abandono social e do Estado, seres invisíveis pelas classes sociais mais “abastadas”, as crianças crescem de formas que doem fundo em quem teve a sorte de nascer em uma família estruturada.

Pobres, no geral órfãos ou abandonados pelas famílias, as crianças vivem no trapiche, sem educação formal, sem conforto e muitas vezes sem comida. Cometem pequenos delitos para sobreviver, muitas vezes à mando de outras pessoas e vivem sem perspectiva de futuro. Futuro, por sinal, é uma palavra inexistente no vocabulário dessas crianças.
É impossível não se encantar com Pedro Bala, Professor, Pirulito, Volta-Seca, Sem-Pernas, Gato, Dora e tantos outros personagens criados de forma magistral. Personalidades fortes, histórias profundas, dores que nos dilaceram. A marginalização dos mais pobres e desamparados, relato constante na história do Brasil e, até hoje, retrato da maneira desigual com que esse país trata os brasileiros em situação de miséria e pobreza.

O desprezo das classes mais altas e a forma violenta de lidar com essas crianças, reverbera até hoje no racismo estrutural vigente no Brasil, bem como uma política carcerária que amplia a violência que deveria ajudar a coibir. Desprezo que também está na igreja que, apesar da existência do Padre José Pedro, não aceita seus métodos de aproximação e tentativas de cuidar de crianças. Capitães da Areia é um livro que muda vidas. As vidas de quem lê com o coração aberto e os olhos vendo além da própria realidade, enxergando as maravilhas de um dia no parque de diversões e no carrossel de luzes acesas.


site: https://www.instagram.com/p/CIWmiIopGfO/
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LavynnyaLoureiro 05/08/2020

O melhor livro que li na minha vida.
Esse livro é uma obra prima. Faz tempos que não termino uma história com gosto de ?quero mais? e com saudade dos personagens. Que livro incrivelmente sensível e belo. Personagens maravilhosamente construídos, história ambientada da melhor maneira possível. É impossível ler essa história e não gostar, é impossível ler e não terminar com a dúvida ?esses meninos existem??. Que livro lindo e precioso.
Adriele 05/08/2020minha estante
Eu o li há duas semanas e saí dessa história com um misto de sentimentos. Sensacional.


LavynnyaLoureiro 05/08/2020minha estante
Adriele, acabei de terminar. Estou muito impactada com esse livro ?????




Joel.Martins 27/09/2020

Sensação de impotência me define
Que livro real e atual. Isso foi o que mais me impactou.
Passamos diariamente por Dora, Pedro Bala, Professor e João Grande. E ainda somos obrigados a ouvir falar de meritocracia e coisa e tal; que política social é um atraso...
Para mim restou a sensação de impotência por entender que essa realidade está longe de acabar. Não posso nem dizer que vou contribuir fazendo minha parte, porque isso é muito pouco.

Então vou de Ouro de Tolo do Raul Seixas ):
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Amanda.Dutra 03/12/2020

Estrelas no lugar de corações
Companheiros, é assim que eu poderia definir todos os capitães da areia. Um grupo de jovens sobrevivendo nas ruas da Bahia, todos únicos e apaixonantes, são inteligentes, astutos, cheios de vontade de viver, mesmo com seus demônios, mesmo com seus erros, eu de certa forma os entendia, meninos que conheciam o mundo muito melhor que muitos homens, vidas de luta, de coragem e de miséria... Jorge Amado trouxe uma realidade brutal sobre a infância abandonada, ela com certeza mudou minha maneira de olhar para o mundo e tmb me fez acabar com o preconceito que tinha ao ler livros nacionais.
Para mim esse livro é essencial!!
Me fez chorar, me fez rir, me assombrou e encantou... acho que será impossível de esquecer os capitães da areia.
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Fran Kotipelto 07/11/2011

" ... ao morrer, vira uma estrela no céu."

Eu tinha e tenho muita coisa pra falar sobre esse livro, ou pelo menos tinha planejado dizer algumas palavras, mas ao clicar em "Clique aqui e faça a sua resenha", as palavras parecem que fugiram (ou não queriam ser ditas, acredite, isso também é possível). E aqui estou eu, escrevendo com os sinônimos do que quero dizer,e vocês estão lendo. Então acho que não foi de todo ruim essa minha "amnésia"...

Capitães da Areia é o tipo de clássico romance brasileiro que eu provavelmente nunca leria (afinal, passamos muito tempo achando que vampiros,lobisomens,bruxos,E.T's, e quaisquer outros tipos de monstros são bem mais divertidos do que histórias "reais") Mas apesar de ser uma boa distração, não nos fazem refletir sobre questões sociais,políticas,e diversos outros assuntos extremamente necessários como os abordados na obra de Jorge Amado.

O livro conta a história meninos com idade entre nove e dezesseis anos, habitantes das ruínas de um velho armazém no cais do porto e que sobrevivem realizando assaltos pela cidade de Salvador. Ao longo das páginas Jorge Amado nos apresenta seus personagens:Pedro Bala, um menino de quinze anos líder do grupo, responsável pela proteção dos garotos e sem dúvida muito esperto em planejar os assaltos; um professor chamado João José que lê para os garotos analfabetos e muito amigo de Pedro Bala, sendo muitas vezes um conselheiro sábio para Pedro Bala; Gato,um garoto malandro que consegue realizar suas proezas (acredite, ele conseguiu UMA proeza muito curiosa); Sem-pernas, o garoto manco que usa sua deficiência e aparente problema para encontrar suas "soluções" servindo-se de espião e se fingindo órfão desamparado ; João Grande, conhecido por todos como o 'forte e corajoso'; Querido-de-Deus,Pirulito e alguns outros que não têm tanta importância na obra.

Acho que as palavras que eu queria dizer no começo da resenha, começaram a voltar e circular em minha mente,jogarei-as aqui para impedir que tentem fugir novamente:

Não tentemos fugir dos nossos problemas, não tentemos achar que tudo é belo, e que os assuntos abordados nessa obra não passam de mera ficção, porque acredite, todos sabemos que isso é real. Há menores abandonados, chamados de "Capitães da Areia", não só na Salvador dos anos 30 da obra de Jorge Amado, mas em todos os lugares. E não podemos fechar os olhos, é preciso discutir assuntos como esse, buscar soluções, mas primeiro é preciso tentar entendê-los, e Capitães da Areia é um ótimo começo.
Alan Ventura 07/11/2011minha estante
[(afinal, passamos muito tempo achando que vampiros,lobisomens,bruxos,E.T's, e quaisquer outros tipos de monstros são bem mais divertidos do que histórias "reais") Mas apesar de ser uma boa distração, não nos fazem refletir sobre questões sociais,políticas,e diversos outros assuntos extremamente necessários] Grande constatação, e como sempre uma resenha maravilhosa. Parabéns.


Jow 08/11/2011minha estante
Um livro que influenciou um grande momento da minha vida, e que ainda hoje significa muito.
Fico feliz que tenha gostado da obra! E sua resenha como sempre, muito feliz naquilo que tenta abordar.


Edilson 29/04/2012minha estante
Bela obra!
Resenha maravilhosa,Fran.
"Po-rre-ta"..., parabéns.


Nando 04/01/2014minha estante
Suas resenhas são muito boas, Fran!




@cacaleitura 15/10/2020

UM DOS MELHORES LIVROS QUE JÁ LI!
Esse é COM CERTEZA um dos livros mais sensíveis e incríveis que já li.
O livro traz de forma sincera e emocionante, que as atitudes ?terri?veis? dessas crianc?as acontecem por serem fruto de uma sociedade extremamente hiera?rquica, desigual e preconceituosa.
É livro cheio de críticas, denúncias sociais.. um livro NECESSÁRIO!

? falo mais sobre ele no insta @cacaleitura
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|Cinara| @cinarasrv 10/09/2020

"Havia, é verdade, a grande liberdade das ruas. Mas havia também o abandono de qualquer carinho, a falta de todas as palavras boas."
Daniel 11/09/2020minha estante
Comecei a leitura ontem e também destaquei esse trecho, muito forte.


|Cinara| @cinarasrv 11/09/2020minha estante
Eu vi agorinha no seu skoob ? trecho muito tocante né?


Daniel 11/09/2020minha estante
Tô marcando quase tudo hahhaa, mas sempre tem os melhores. Tô no início, mas já sei que vou curtir muito ??


|Cinara| @cinarasrv 11/09/2020minha estante
Nossa o meu ficou todo cheio de flags???


Antonio.Almeida 19/09/2020minha estante
Com certeza eles trocariam essa tal liberdade por esses carinhos de mães, pais e famílias!


|Cinara| @cinarasrv 19/09/2020minha estante
Daniel esse livro é maravilhoso, aposto que você irá favoritar também ?




Thaís 27/12/2020

Amei
Amei a história, eh um clássico brasileiro cheio de conflitos, amei a narrativa, amei os personagens, chorei diversas vezes, e fiquei mto mal dps q acabei. Prepare seu coração.

Obs: como o autor era comunista, as histórias tb são. Se vc n gosta ou se irrita, não aconselho q leia.
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