O Cortiço

O Cortiço Aluísio Azevedo




Resenhas - O Cortiço


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Marlon Teske 24/09/2013

A Última Palavra em Soluções Imobiliárias
Confesso que comprei "O Cortiço" com aquele pé atrás de estudante de escola pública obrigado a ler livros de autores nacionais. Achei o tomo em uma padaria (!) que fica ao lado da rodoviária de minha cidade por causa do atraso do ônibus, e paguei a bagatela de R$3,00 ( Menos da metade de uma daquelas revistas toscas sobre tatuagens ou penteados que estavam do lado) .

Movido apenas pelo medo do tédio de ter que ficar ali sentado por muito tempo sem ter o que fazer e pra não perder a oportunidade de engordar a minha minguada biblioteca particular com mais um livrinho, deixei meus trocos no balcão. E hoje lamento não ter comprado outro pra presentear alguém com ele.

O Cortiço narra as desaventuras de João Romão desde os 13 anos quando começou a trabalhar até se tornar um dos homens mais ricos de todo o Botafogo, além de toda a lama e a sujeira que o capitalismo selvagem impõe aos que chafurdam no nosso país. Além disso, claro, como não poderia deixar de ser num título 100% ambientado no Rio de Janeiro cheio de pagode, sexo e sensualidade.

O melhor livro nacional que já li (confesso que foram poucos) com uma linguagem leve (para os padrões da época, pelo que li até chocou quando foi lançado) especialmente devido a detalhes sobre a escravidão e o homem como consumista frenético agarrado aos seus vinténs.

Leiam!

Lido em Dezembro de 2005.


Renata G. 07/01/2009

Um dos melhores livros brasileiros que eu já li! Tudo é atraente, o desenrolar da história é tão rápido que, quando a gente vê, já acabou! Recomendo!


Isabela 04/07/2012

Porque o Cortiço é o melhor clássico da literatura brasileira
Início da leitura:
Comecei a ler este livro por causa da maldita lista do vestibular, mas a história foi ficando boa e eu fui me empolgando.

Detalhes:
Muitos dizem que é chato porque tem muitos detalhes e blablabla, eu não achei, tem descrição sim, pois é naturalista, mas não é entediante que nem uns livros que dedicam um capítulo para descrever a parede da sala.

Linguagem:
Como o livro é antigo, a linguagem é diferente e pode atrapalhar a leitura, mas não é nada de tão absurdo como os Lusíadas ou até Memórias Póstumas.

Enredo:
A história começa a ficar boa mesmo quando as brigas se iniciam, fica como Casos de Familia (perdoe-me Aluísio), por exemplo, um personagem decide gritar para todo o Cortiço que é corno.

O livro, como todo naturalista, conta sobre a sociedade, o que, na minha opinião, é mais empolgante do que a história de uma só pessoa burguesa resmungona porque sua mulher o traiu(ou não).

Frase final (spoiler):
O que mais foi genial é o autor dizendo que "A história se repete em ciclos" mostrando não só que a filha de Piedade será Pombinha e Pombinha Leónie, mas também João Romão se tornará Miranda

Conclusão:
O melhor dos clássicos, foi o que mais gostei da lista do vestibular (na verdade o único que gostei mesmo). A história me empolgou, as brigas me divertiram, os detalhes me fascinaram e a linguagem é até compreensível comparada com outras obras.


Isabella.Lubrano 07/08/2015

A miséria que determina a vida humana
Se você joga sal numa lesma, o que acontece? A internet está cheia de vídeos mostrando o que acontece: ela resseca e morre, coitada. O organismo da lesma não é adaptado para viver em ambientes salinos.

Mas se você pega um ser humano e joga num ambiente social inóspito – tipo uma favela à beira do esgoto, o que acontece?

É, felizmente, as pessoas não são como lesmas, e o corpo não sofre alterações. Em compensação, as almas…

As almas ficam muito comprometidas, pelo menos é o que defende o escritor Aluísio Azevedo no clássico da literatura brasileira, “o Cortiço” – de 1890.

Como o próprio título indica, o livro fala da vida em um cortiço, um tipo de moradia popular muito comum no século XIX – e que pra muitos historiadores são os precursores das favelas. Eram estabelecimentos com inúmeros quartinhos, em que viviam famílias inteiras, sem nenhuma condição de segurança ou higiene.

O problema era tão sério que no final do século XIX, havia no Rio de Janeiro mais de mil cortiços, onde viviam 46 mil pessoas – quase um quarto da população da cidade!

E pra sentir na pele como era a vida nesses ambientes, o Aluísio Azevedo fez o mesmo que faria um cientista: alugou um quartinho num cortiço e lá viveu até recolher informações suficientes para escrever o seu livro.

As conclusões dessa pesquisa de campo estão expressas nas histórias de "O Cortiço": dezenas de personagens corrompidos por um ambiente animalizante. No cortiço não existe segurança, dignidade ou respeito. Por isso as pessoas são reduzidas a bichos que precisam lutar todos os dias pela sobrevivência. Muitas vezes, caindo no crime.

Escrito numa época em que o mundo se encantava com os avanços da Ciência e da Tecnologia, “O Cortiço” muitas vezes é definido com um estudo quase científico do comportamento do ser humano, que seria determinado pelas condições de moradia e trabalho.

É claro que o Brasil está cheio de exemplos de gente que nasceu na pobreza o deu certo na vida. Tem o Joaquim Barbosa, jogadores de futebol como o Pelé, empresários como o Silvio Santos, artistas e muitos outros.

Mas se o Aluísio Azevedo estivesse vivo, ele provavelmente diria que esses casos são as raras exceções que só confirmam a regra geral.

É, pelo visto essa é mais uma daquelas questões que não têm uma única resposta. E por isso mesmo são as mais importantes de discutir... principalmente, lendo "O Cortiço".

Ficou curioso? Veja a resenha completa no link do meu canal, aqui embaixo:


site: https://www.youtube.com/watch?v=F2m8WNVP8i0


Rafaella 27/06/2010

'O cortiço' é visceral, é o Naturalismo no seu auge, a lascívia, os instintos puros, sem necessidade de adaptação à sociedade. Por isso, divide os leitores em amor ou ódio. É necessário percebê-lo e apreciá-lo como o que realmente é: uma obra atrelada a uma época em que se acreditava no homem refém do meio, não seu agente.
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Luci Eclipsada 23/06/2011

Retrato da sociedade brasileira
Em o Cortiço (Aluísio Azevedo - Martin Claret - 232 páginas), os preceitos naturalista são utilizados para contar, antes de tudo, a história dessa habitação coletiva muito típica no século XIX, em que moradores de diversas etnias convivem num misto de pobreza e choques culturais que culminam, consequentemente, para a própria degradação humana, uma vez que os moradores do Cortiço acabam sendo influenciados pelo meio em que vivem.
Nesta perspectiva naturalista, O Cortiço, dentre vários aspectos que engloba, trata a questão da exploração do homem pelo homem, afinal, João Romão, dono do cortiço, enriquece a custa da exploração de outras pessoas. Ainda sob essa perspectiva da exploração do homem, há a relação sociológica entre os portugueses e os brasileiros, onde o primeiro grupo etnológico explora o segundo que aqui é visto como sendo inferior e, porque não mencionar, degradante.
Além disso, a questão do sexo é fortemente evidenciada como sendo algo puramente animal e destruidora do caráter das pessoas, exemplo disso é a transformação que ocorre na personagem Pombinha, que acaba como prostituta no final da obra quando descobre que através do sexo pode ter realizado seus desejos mais profundos e até então desconhecidos.
Outro ponto que chama a atenção em O Cortiço é o espírito de coletividade que une as classes nos momentos mais críticos, como quando a polícia invade o cortiço, assim, as divergências são postas de lado quando as pessoas sem veem ameaçadas.
Em relação aos personagens da trama, pode-se dizer que todos se interligam de alguma forma, apesar de poderem ser classificados em grupos, como, por exemplo, o próprio cortiço (personagem central do livro) de João Romão e o sobrado do Miranda, pois essas duas distintas habitações ganham importância de seres vivos e representam a tensão vivida por esses dois homens em dado momento da narrativa.
Não podemos nos esquecer também da questão do homossexualismo em O Cortiço, pois é um dos elementos constituintes da obra que ganha grande importância ao ser tratado como “desvio de conduta”, o que pode ser facilmente notado através da personagem Léonie, que foi a grande responsável pela mudança de Pombinha e que no livro é tida como um mal que contamina a sociedade.
Por todos os elementos citados anteriormente é que O Cortiço de Aluísio Azevedo torna-se, não só representante do naturalismo-realismo brasileiro, mas uma obra a frente de seu tempo e que muito pode representar aspectos pertinentes a sociedade atual em que vivemos, seja através do capitalismo desregrado do homem e sua capacidade de exploração da própria espécie, seja pelo comportamento pervertido de pessoas inescrupulosas ou pela grande desigualdade social que assola cada vez mais nosso país.


Lezinha 19/01/2009

Pra ser sincera, li este livro por obrigação na faculdade... e acabei a leitura pra poder fazer trabalho... não é o tipo de leitura que me atrai: a personagem principal, no caso, é o próprio cortiço, com sua miséria. As personagens (moradores) são meros coadjuvantes, que na verdade, não alteram em nada o contexto, (se fossem outros, a história se desenvolveria da mesma forma), Como os sentimentos, ao meu ver são vistos num segundo plano, recebendo prioridade a retratação da realidade pura e crua, é uma leitura basicamente descritiva, detalhista, sem nenhum sentimentalismo. Reconheço a importância dessa obra no contexto literário, mas não consigo me afeiçoar a ela.


Elis 19/01/2011

Como se torna fácil à leitura de clássicos depois que você se acostuma com as palavras.
O Cortiço nos traz muitas histórias de pessoas do povo, interligas entre si. Temos o Sr. João Romão, que consegue as coisas na vida trapaceando, o Sr. Miranda que se torna vizinho do mesmo, porque quer afastar sua mulher dos caixeiros com que trabalha. Nhá Rita, que é uma mulata arretada que encanta a todos, principalmente Jeronimo que é casado com Piedade.
A Pombinha que é a santinha do cortiço e filha da D. Isabel, que esta esperando a natureza agir na moça para poder casa-la.
Bertoleza "amiga/amante" do Sr. Romão que a ilude por anos. E muitos outros personagens.

Às vezes rimos de suas maluquices, outras entristecemos com os golpes da vida e chegamos até a nos enfurecer com certas atitudes de personagens maldosos.
Realmente nos mostra a vida como ela é, onde todo ser humano age conforme lhe convêm ou seguindo o rumo que ela nos dá.

Leitura rápida e de fácil assimilação, para quem já leu um ou dois clássicos, tenho certeza que vai adorar esse de Aluísio Azevedo.

Recomendo....Nota 10!!!!

Beijokas elis!!!!!!
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Dayane 07/12/2012

O Cortiço
A obra mais famosa de Aluísio Azevedo retrata a rotina agitada de diversos moradores de uma habitação coletiva - o Cortiço - um lugar que abriga as classes sociais menos privilegiadas, e que por incrível que pareça é o principal personagem da história: aos poucos o protagonista ganha vida e determina o destino das demais personagens.
João Romão, um homem ambicioso e um tanto quando esperto, e sua amante Bertoleza, uma escrava que acreditava ser livre, construíram e administram juntos o Cortiço; os dois trabalham noite e dia e se privam de mordomias para arrecadar dinheiro. Nessa habitação conhecemos as histórias de personagens cativantes e excêntricos, que nos ajudam a compreender o comportamento da sociedade brasileira no século XIX. Dentre eles se destacam a fogosa baiana Rita e seu amante Firmo; a prostituta Léonie; Pombinha, uma moça a principio pura; e o casal de portugueses Piedade e Jerônimo.
Paralelamente a história dos moradores do Cortiço, desenvolve-se a figura de Miranda, um rico comerciante que se muda para o lado da habitação; logo de início João Romão não gosta do vizinho e devido a terras e status sociais os dois desenvolvem uma disputa que envolve muita inveja e ganância de ambas as partes.
Enquanto isso no Cortiço, apesar da situação não ser a melhor, os moradores aproveitam a vida e sempre que podem comemoram; as melhores festas eram sempre as de Rita, a moça apesar de não ter muito dinheiro, não costumava poupar, e fazia de tudo para agradar aqueles que gostava; seu relacionamento com Firmo era meio conturbado, mas os dois não podiam viver longe um do outro e ele sempre que podia participava das festas do Cortiço. Em contraposição a esse casal, Piedade e Jerônimo são dois trabalhadores que preferem tranqüilidade a noites festeiras; porém fica difícil viver num mundo e não fazer parte dele, e Jerônimo, em uma dessas noites de festa, se deslumbra por Rita, a mulata brasileira do sangue quente, e se apaixona perdidamente por ela, esquecendo dessa forma, sua esposa, que fica desolada diante de tamanha traição.
Depois de matar o amante da baiana e de se envolver completamente com ela, o comportamento de Jerônimo se transforma de maneira inexplicável: o antes trabalhador, fiel e nostálgico português dá lugar a um típico brasileiro preguiçoso e apaixonado - esse personagem é um dos muitos exemplos presentes no livro de como o meio determina o comportamento humano.
Inúmeros conflitos acontecem no decorrer da história, como incêndios no Cortiço, traições e brigas, mas um dos fatos que mais se destacam é a nomeação de Miranda como Barão, que desperta em João Romão um sentimento de revolta por não ter desfrutado de tudo o que conseguiu com seu trabalho. O dono do Cortiço observava Miranda sempre bem vestido, recebendo visitas importantes em sua casa, com sorriso no rosto, e quando olhava para si, se via sujo, exausto, sempre na miséria, e sua amante, a pobre já estava desgastada pelo árduo trabalho ao longo dos anos. De repente João Romão percebe que não adiantava poupar tanto se não se pode usufruir daquilo, e começa a ostentar vários luxos que nunca havia se dado; o homem começa a andar bem vestido, frequentar restaurantes e se recusa a passar tanto tempo trabalhando; a mudança é tamanha que resolve se aproximar de Miranda, se ele não conseguia vencer o inimigo, pois que se juntasse a ele então; no meio disso tudo, ainda desenvolve interesse pela filha de Miranda e os agora amigos, arranjam logo o casamento. O problema é que Bertoleza infelizmente não podia fazer parte dessa mudança. João Romão se lembra de que mentiu para a amante sobre sua liberdade e resolve procurar seu dono e devolvê-la, mas quando o dono vai atrás de Bertoleza, esta se mata.
As mudanças de João Romão também fizeram com que ele reformasse o Cortiço, e a habitação ganha ares aristocráticos, se transformando da morada dos miseráveis para o abrigo da classe burguesa.
“O cortiço” realmente me prendeu do inicio ao fim, em cada capítulo novas descobertas são feitas, o que com certeza despertou minha curiosidade e interesse pelo destino das personagens.
A forma crítico analítica de Aluísio Azevedo desenvolver a narrativa nos deixa próximos do que acontecia com a sociedade brasileira no final do século XIX; o enfoque social feito com minuciosidade e baseado na compreensão científica nos mostra a preocupação do autor em retratar os fatores que determinavam a realidade do Brasil.
A linguagem do livro é simples, o autor aproxima as falas das personagens das expressões usadas na época, em uma linguagem objetiva e de fácil compreensão, que facilita a leitura, tornando-a dessa forma mais rápida.
O livro não nos emociona, ele na verdade nos impressiona por agressivamente surpreender as nossas expectativas sobre suas personagens. Retratando as classes sociais dominadas, o autor nos apresenta a um universo totalmente diferente e não abordado por autores Realistas; no romance de Aluísio Azevedo são retratas as classes miseráveis, aquelas que se assemelham aos animais, que buscam incansavelmente a ascensão social sem respeitar valores éticos ou morais, que não se importam com sentimentos, e que são, por sua maioria, movidos por interesses.
Apesar do meio repulsivo que determina as ações das personagens, e de em sua maioria, não serem modelo de conduta, existem alguns que nos cativam, um bom exemplo, é Bertoleza, a escrava sempre fora fiel, bondosa e vivia em função do marido, mas este quando achou que ela não lhe era mais útil, não hesitou em livrar-se dela; quando o autor descreve os sentimentos e pensamentos de Bertoleza o livro se torna mais humano, assim como na história de Bruno – que perdoa a traição da esposa.
A obra naturalista de Aluísio Azevedo superou minhas expectativas, a literatura propriamente brasileira deve ser valorizada, pois impressiona.
O Naturalismo sendo vertente do Realismo, tem muito a oferecer a sociedade já que a analisa e critica livremente, retratando as classes sociais mais baixas, que possuem muitos problemas, e que se observados e compreendidos cientificamente podem ser resolvidos. Apesar do livro ter sido escrito dois séculos atrás, é incrível como os personagens e as situações vividas por eles se assemelham à atualidade. Além de nos identificarmos, podemos conhecer a fundo o cotidiano de personagens que representando tipos brasileiros nos ajudaram a construir a sociedade em que vivemos hoje. A leitura de “O Cortiço” com certeza enriquece. É um livro fundamental.
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Érika dos Anjos 09/02/2009

O gosto amargo da realidade
'Homem primata / Capitalismo selvagem'. Esses versos da música dos Titãs retratam muito bem o que é O Cortiço. A história de gente pobre, que faz com que uma pouca minoria se torne rico. Mas, ao contrário do que vemos todo dia nos jornais, a miséria não é o foco principal da história. E sim, a forma abjeta com que a vida é tratada, seja pelos outros, seja por nós mesmos.



Uma mulher que se acaba na bebida pelo homem; outra que dá em cima do marido daquela; mais uma que 'pega' o menino mais novo; o homossexual que trabalha como lavadeira e é motivo de escárnio; o homem que usa e abusa da escrava, mas que tem vergonha da cor; a menina bem criada que se torna prostituta; o 'capoeira' que mata sem dó; os portugueses que tratam o Brasil como quintal; aqueles que fizeram fortuna; os que não fizeram...



São muitas situações que retratam perfeitamente aquele momento do século 19, mas que, se trazidas para hoje, irão abraçar muitas e muitas pessoas.



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Math 08/12/2012

"O Cortiço"
Aspectos biológicos e essência humana são o que mais dão vida a este livro. O Cortiço tematizará uma habitação coletiva onde tudo se encaixa e ao mesmo tempo se contrasta. Um ambiente amalucado e estranho em que habitam seres “extremamente normais” (superficialmente), mas com tons específicos, particulares que fazem com que a história seja movimentada. Além de tudo isso, temos Aluísio Azevedo criticando e descrevendo as injustiças de seu tempo como num documento experimental.
Não há como descrever todas as histórias que se desenrolam com o passar dos fatos, mas há uma história que é presente em todo o livro, a de João Romão.
João Romão é um vendeiro português que vivia tranquilamente nas ruas de Botafogo a trabalhar e que tem uma amiga chamada Bertoleza, uma escrava fugida de um senhor cego de Minas Gerais. Mesmo a considerando apenas uma qualquer, o rapaz se junta e começa a viver com a negra (claro, com fins lucrativos, como bom avarento que era). Com muito esforço conseguem construir algumas casas nos fundos do terreno em que residiam e constroem um Cortiço.
Mas há pessoas que não gostam dessas figuras. Miranda é vizinho do cortiço, mora em um sobrado e é rival de João Romão. Os dois competem a todo instante numa reunião de avarezas e invejas.
No meio tempo, Miranda é contemplado pelo titulo de Barão e Romão fica mordido de raiva. Em um processo de “aristocratização” começa a frequentar as confeitarias, ir a Rua do Ouvidor para ter mais status. Recicla e renova o cortiço depois de acontecimentos determinantes para a tal atitude. Isso vai tomando conta de João e começa a ver todos como lixo humano sem ambições como ele sempre foi. Desconfia de tudo e de todos, chegando até a planejar algo mirabolante contra sua (até então) parceira.
Outros personagens interessantes a citar rapidamente são Rita Baiana (mulata sensual desejada, difamada e afamada), Jerônimo (português sem sal, casado, sempre dedicado ao trabalho, o que muda quando conhece Rita Baiana), Piedade (mulher de Jerônimo, dona dos bons costumes que vive para fazer o marido feliz, típica alegoria da sociedade “formal” e “limpa”).
Não há uma historia que realmente se destaca, apenas a que desencadeia (a de João Romão). O excesso de personagens é um ponto muito vulnerável no livro, nos confundindo sempre e embolando o enredo. Muitos acham o livro nojento pelas grandes descrições desnecessárias a alguns fatos (como para a menstruação de Pombinha), ideia que eu não compartilho já que Aluísio Azevedo só quis mostrar um retrato mais fiel da realidade, da essência do ser humano.
O contraste entre classes sociais, diferenças de pensamento num só ambiente é incrível. Faz-nos ter uma pequena ideia da dimensão do romance. A psicologia é bem trabalhada, o autor “brinca” com os instintos dos personagens de acordo em que vão se envolvendo coletivamente com as particularidades de todos em que cada característica peculiar de um fosse tirado para outro e vice-versa.
O enredo é tão conflitante e comum que nos faz pensar em muitas vezes em um enredo não-linear. O autor muda repentinamente de histórias, mas sempre fazendo com que isso se torne simples. Há muitos conflitos, mas não são muito bem trabalhados, sendo praticamente rotineiros se pensarmos no contexto em si, nos deslocando assim para qualquer época. Não há uma preocupação exclusiva com as ações, com os fins (já que só servem para ilustrar o destino de cada um), e sim com a alteração particularmente coletiva de todos. Isso que é peculiar em “O Cortiço”, a mescla do coletivo com intimo, a busca da essência e da superficialidade, brevidade e aprofundamento.
As sensações e sentidos também são bastante trabalhados. Hora ou outra temos descrições que nos mostram o que realmente eram as habitações coletivas. O mal cheiro, o barulho crescente, os olhos inchados do cortiço ao amanhecer.
Percebemos também as doutrinas filosóficas do movimento em que foi incluso como o Determinismo (em que as personagens sempre estão em processo de mudança devido ao meio em que vivem), Evolucionismo (em que os fortes vencem os mais fracos, o que no caso significaria aos ricos e pobres), entre outros.
Muitos personagens são introduzidos como as lavadeiras, crianças, homens, os personagens só vão se desenvolvendo a partir do crescimento e envolvimento com o “Cortiço”. Por isso que o trabalho caricatural com ares coletivos do romance é fantástico, pois não existem personagens principais (o que existe são personagens com mais descrições) já que o importante é o coletivo utilizando-se de antropomorfismos e zoomorfismos representativos.
Criticas a parte e realizando uma analise profunda, Aluísio Azevedo nos mostrou nossa forma crua, o que somos capazes de fazer em momentos de glória, desespero, angústia, etc; O ser humano individual e o individuo como número. Para mim “O Cortiço” foi isso, não a nojeira, o esdrúxulo, o animal, o irracional, apenas como o homem se comporta em situações adversas e como consegue (ou não) colocar esse pensamento a frente de seus sentimentos, seu jeito, sua essência. Ótimo livro que fará você pensar o modo que leva a vida comparado ao externo, ao mundo, a todos.
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Ynara 26/01/2012

me desculpem os puristas...
...mas foi um dos livros mais chatos q já li, sei q é um "clássico e tudo o mais", mas acho q não rolou uma química entre o livro e eu. mas o q seria do azul se todo mundo gostasse do amarelo?


Piatã 15/09/2009

Formação das favelas do Rio de Janeiro
Este livro não pode ser avaliado apenas pelo contesto romântico entre o dono do cortiço (João Romão), a ex-escrava trabalhadeira chamada Bertoleza que o ajudou a construir o cortiço e a noiva jovem "Pombinha", de família falida.

Mas o principal contexto é a descrição de centenas de casas amontoadas construídas nas encostas dos morros cariocas, o que formariam as grandes favelas cariocas. Veja que o povo que vivia no cortiço tinha grande ódio pelos batedores (os policiais da época), que invadiam os barracos, quebravam tudo e agrediam os moradores. Neste cenário moravam operários, bandidos, prostitudas etc.
Será que é mera semelhança nos dias atuais?
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