Os Robôs da Alvorada

Os Robôs da Alvorada Isaac Asimov




Resenhas - Os Robôs do Amanhecer


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Reinaldo (Estante X - @reeiih) 09/01/2019

Sociedade desenvolvida é o mesmo que sociedade tecnológica?
Lá pela metade da leitura deste livro percebi uma coisa que até então eu não tinha certeza: as histórias da Série Robôs nada mais são do que a contínua exploração das Três Leis em seus mais profundos sentidos. Se lá nos contos da coletânea “Eu, Robô“, o autor já havia explorado várias possíveis falhas, nesta série ele mostrou que é possível ir um pouco mais além. Assim sendo, por mais que as Três Leis sejam garantidas de segurança aos seres humanos, elas ainda pode ser contornadas, de um jeito ou de outro.

Também neste livro, que é o mais longo dos três, temos uma notável diferença na expansão do universo da série. Não só conhecemos o planeta mais antigo da colonização humana – logo, o mais bem desenvolvido tecnologicamente – como também temos uma pequena introdução para as duas séries que vem na sequência – a série Império Galático e aclamada série Fundação. E, claro, a “marca registrada” do autor: construir críticas sociais diante dessa nova sociedade aparentemente igualitária e sem preconceitos.

“Tudo é aceito no que se refere a sexo… tudo o que é voluntário, que gera satisfação mútua e não causa dano físico a ninguém. Que diferença poderia fazer para qualquer outra pessoa o modo como um indivíduo ou uma combinação qualquer de indivíduos encontrou satisfação? Alguém se preocuparia em saber que livro-filmes eu vi, o que eu comi, a que hora fui dormir ou acordei, se gosto de gatos ou não gosto de rosas? O sexo também é uma questão de indiferença… em Aurora.“

Após ter uma espécie de epifania no planeta Solaria, o detetive Elijah Baley já não mais teme tanto os espaços abertos. É apenas questão de tempo até o personagem se adaptar ao ambiente em questão. Mesmo assim, anos de ‘reclusão espacial’, não são apagados com facilidade, e em alguns momentos a fobia de sair voando pelo céu de uma hora para outra o aflige. Um desses momentos acontece em Aurora, mas de propósito. O Dr. Hans Fastolfe, cientista por inteiro, vê em Elijah uma chance de “praticar ciência” e por isso o usa como cobaia em vários momentos. Isso é interessante pois, desde o começo da narrativa temos por certo que o Dr. Hans é inocente da morte do Robô, mas as suas ações dão a ele uma personalidade questionadora. Se ele faz testes não informados em Elijah, será que também não teria de fato testado o robô até o seu limite? Será que Hans é mesmo inocente como alega?

Aurora é um planeta belo e até mesmo distópico. A sociedade é composta por humanos e robôs coexistindo em harmonia, a lei trata como crime a destruição de máquinas robotizadas e os autômatos até mesmo não tem a comum distinção “Robô Fulano de Tal”, como acontece nos outros planetas. Ali eles são simplesmente “Fulano de Tal”, como qualquer ser humano. Não são vistos apenas como um amontoado de engrenagens e fios; são aceitos também como um ser vivo.

“A insuperável Primeira Lei da Robótica declara: ‘Um robô não pode ferir um ser humano…’: repelir um gesto de amizade feriria o humano.“

É legal notar a diferença nos questionamentos que esta série trás em relação às questões socais. No primeiro livro, temos uma grande onda de desconfiança e ódio em relação às máquinas. No segundo, temos uma completa “devoção” e dependência fornecida por elas. Já neste livro, o que temos é o modelo “ideal” de sociedade, uma liberdade poética utópica. Aurora seria A República de Platão, a Ilha de Utopus descrita por Thomas More. Aurora é o mundo onde humanos e máquinas coexistem, se dão bem e se aceitam como são. A Lei trata como crime vandalismo contra robôs, concede à eles direitos que em nenhum outro mundo sideral teriam. Os autômatos são tratados como seres vivos também.

Fazendo uma breve reflexão com o mundo que nos cerca, vemos como são importantes estes questionamentos trazidos por Asimov. Nossa sociedade tem problemas em aceitar orientação sexual, diferentes etnias, movimentos culturais, etc. Vivemos em um “mundo civilizado” mas isso está longe de ser o melhor que podemos ter. Enquanto que, como alegoria crítica, temos uma sociedade que evoluiu a tal ponto de aceitar máquinas – esses amontoados de engrenagens, fios e pecinhas minúsculas – como seres vivos. Dá pra imaginar isso?

Claro que, apesar de tudo, um mundo 100% perfeito não existe e a “morte” do robô proporciona a exposição desses defeitos. Quanto mais tempo Elijah passa no planeta sideral, mais ele nota que os auroreanos esconde pequenas pequenos preconceitos, sutis sensos de superioridade, e por aí vai. Não apenas isso, também observa que os humanos daquele planeta deixaram de evoluir em alguns outros sentidos. A sociedade de lá poderia ser muito mais avançada do que realmente é, ter várias culturas, crenças e gostos, mas tudo parece ser único e global; isso desperta uma profunda inquietação no detetive. É nesse momento que temos um novo estalo e pensamos “é aqui que o título do livro faz ainda mais sentido”.

“Pessoas que sonham com justiça são tão propensas a se desapontar… e costumam ser pessoas tão maravilhosas que odiamos ver isso acontecer.”

Asimov não poupou esforços em transformar este livro em uma grande discussão política e social. Por isso mesmo, por querer tratar de vários assuntos e se estender muito neles que a leitura se tornou um pouco arrastada e cansativa. Ao meu ver, algo que seria muito bom para dar ritmo à narrativa seriam cenas de ação. Porém, são mais presentes longos monólogos de análise política e suas devidas implicações. De vez em quando há uma cena ou outra que acelera um pouco a trama, mas fora isso, a maior parte é mais devagar mesmo.

Apesar de ter sido uma leitura mais demorada que a dos livros anteriores, eu gostei da forma como o livro “conclui” a série dos robôs. Há um quarto livro, mas ele serve mais de ponte entre esta série e a outra do que continuação mesmo. Inclusive, este quarto volume já está em posse da editora Aleph, mas sem previsão de quando vai ser publicado (o que é uma pena!). Chegando ao fim desta jornada robótica, me despeço dos robôs com carinho e maior admiração. Em meio a tantas histórias e filmes sobre máquinas mortíferas, Asimov despertou em mim um pouco mais de esperança sobre o futuro, para que quando ele chegar até nós, usemos máquinas em benefício de todos, e não como ferramentas de destruição e guerra. Quem sabe assim, quando superarmos todas essas barreiras e preconceitos que hoje temos, possamos de fato nos chamar de “civilizados”.

site: http://resenhandosonhos.com/os-robos-da-alvorada-isaac-asimov/
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Fred 05/04/2019

Bom D+
Ao terminar essa trilogia, me deitei na cama olhando pro teto me perguntando: "Por quê a @editoraaleph não publica o restante dessa saga? Por quê, Aleph, por quê?"
Sério, caras... Essa trilogia sobre os robôs não são o bastante.

Depois de terminar Sol Desvelado, peguei Os Robôs da Alvorada com a expectativa lá nas galáxias. Eu sabia que o bom doutor não iria, não poderia me decepcionar. Comecei a ler e logo que foi explicado qual seria o novo assassinato que o Elijah teria que investigar, pensei: "Huumm esse velho tá de sacanagem comigo. A mesma situação do livro anterior? Um crime onde só havia um suspeito, mas que seria impossível desse mesmo suspeito cometer tal crime?" E foi isso mesmo. Mas é aí que você vê a genialidade de um cara que escreveu mais de 500 livros.
Inicialmente ele pegou a mesma lógica, mas no decorrer ele foi inserindo tanta ideias e soltando várias dicas sobre o assassinato que cada capítulo novo, era um "puta que pariu 😲" e um suspeito diferente na minha cabeça.
Aqui tb você consegue sentir carisma não só pelo Elijah e o robô Daneel (que nesse livro ficou um pouco mais apagado), mas por quase todos. Quer dizer, carisma por alguns e raiva por outros. Em vários momentos eu soltava um "chupa essa, seu otário" 😂. O final novamente foi genial e apesar de ser com um "final feliz", meus pensamentos foram os de sempre qdo se fala em robôs super inteligentes: Tudo termina em Skynet.
🌟🌟🌟🌟🌟 ❤
5 estrelas e favoritado
Luan 03/10/2019minha estante
?tima resenha!!! Mas estou com uma dúvida! Se souber e quiser me ajudar, por favor: essa não é uma quadrilogia restanto a Aleph publicar o quarto título: os robôs e o império?


Fred 04/10/2019minha estante
Que bom que gostou Luan! =)
Sobre o livro, realmente existe um 4º, mas sem contar com a presença do Eljah Baley, já que essa nova história se passa 200 anos a frente.
Eu não sei pq a Aleph não quis publicar já que a história parece ter uma boa ligação com o 3º livro, além do fato da protagonista ser a Lady Gladia, personagem importante nos livros anteriores.
Depois de zerar essa trilogia, li Pedra no Céu, O Fim da Eternidade e os 4 primeiros livros da Fundação e até o momento não notei nada que faça referência a esse 4º dos Robôs, então talvez vc não precisa ir atrás dele pra entender algo futuramente. Já os que citei acima, acho legal conferir na ordem que falei pois existem menções deles em livros da Fundação, principalmente O Fim da Eternidade.


Luan 06/10/2019minha estante
Pow, bom saber... farei isso então, mto obrigado!




Rafael 03/05/2019

Ficção científica + Investigação policial
Asimov termina a sua trilogia de ficção científica e investigação policial de maneira magistral. Uma grande trilogia para os fãs dos dois gêneros.
Luan 02/10/2019minha estante
Boa tarde! Essa série não é uma quadrilogia, restando o livro os robôs e o império?


Lucas Bacelar 06/11/2019minha estante
É




Luizgustavo 09/09/2019

muito bom!!!!
a melhor revelação de todos,quem diria , vale a pena ler.
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Blog De Bem Com a Leitura 18/10/2019

O detetive Elijah Baley é convocado para conduzir uma investigação em Aurora, um planeta altamente desenvolvido no qual robôs e humanos vivem em perfeita harmonia, em Aurora não há distinção entre eles e é crime qualquer ato que possa destruir ou danificar as máquinas, são tidas como seres vivos. E é justamente nesse planeta que aconteceu um crime sem precedentes, um roboticídio.

Elijah tem certa reputação nos Mundos Exteriores e é chamado para solucionar o caso, Elijah estava mesmo precisando do apoio de Aurora junto aos Siderais para que a Terra pudesse obter autorização para colonizar outros planetas e, assim, enviar naves ao espaço. No entanto, a situação da Terra pode se complicar ainda mais caso o detetive não chegue a um resultado satisfatório em sua investigação.

O dr. Han Fastolfe é um dos maiores roboticistas de todos os mundos e uma importante figura política, no assunto robôs humaniformes ele é referência e o único que possui a chave para criá-los, não tendo dividido o seu conhecimento com os demais cientistas. Fastolfe criou apenas dois robôs humaniformes, Daneel que já um conhecido de longa data do detetive e Jander, o robô que foi assassinado.

A destruição de Jander não foi mero acaso e para quem alguém pudesse conseguir realizar o bloqueio em seu cérebro seria necessário anos de prática e ainda assim não conseguiria chegar ao bloqueio que destruiu Jander, o cérebro de um robô humaniforme é tão complexo quanto o cérebro humano e Fastolfe é a única pessoa que seria capaz de confundi-lo ao ponto de seu cérebro ser danificado e destruído, mas o doutor afirma não ser o responsável pelo roboticídio ao mesmo tempo em que afirma que não há nenhum outro cientista com competência para isso.

Como provar a inocência de Fastolfe se não há ninguém mais com conhecimento suficiente para matar Jander? Elijah precisa investigar qualquer pista, por menor que seja, e descobrir quem está por trás do roboticídio. Tudo o leva a acreditar que a comunidade científica está tentando incriminar Fastolfe por ele não compartilhar seus conhecimentos, no entanto, como os cientistas seriam capazes de causar o dano irreparável em Jander se eles não entendem a complexidade do cérebro de um robô humaniforme? Será que Fastolfe, para não ferir a sua reputação, esconde que há outro cientista que possa superá-lo?

Conforme avança na investigação, Elijah descobre como era o cotidiano de Jander e se surpreende com os fins para os quais ele era usado e com os segredos que cercam os suspeitos pela sua morte. Todos têm algo a esconder e a destruição de Jander poderia trazer benefícios a muita gente. É um caso complicado, mas Elijah precisa solucioná-lo, pelo bem da Terra.

*Resenha completa lá no blog > http://bit.ly/32tN0HV

site: http://vocedebemcomaleitura.blogspot.com/
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Jose R 23/03/2013

Mais um belo trabalho de Asimov.
Trabalhando com os mistérios de um mundo cheio de robos, cria um crime que faz com o detetive Elija Bailey tenha que ir àquele mundo de pessoas estranhas que detestam a humanidade do planeta Terra e seus costumes.
O leitor é posto em xeque a todo instante, se perguntando se Bailey irá desvendar o caso ou não, fato que só é revelado nas páginas finais. A revelação é tão grande e improvável que é impossível não parabenizar o escritor por mais uma obra prima.
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prof.vinic 12/06/2020

Um grand finale para uma obra única!
Este ano tirei para me atualizar em Asimov, e com este aqui terminei a trilogia do detetive Baley. Neste vamos visitar o planeta mais importante dos siderais, Aurora. Segue como continuação direta do livro 2, se passando alguns anos depois. O detetive agora tem que investigar a "morte" de um robô praticamente humano (diríamos gêmeo de Daneel seu companheiro robótico nas aventuras anteriores), com esta história Asimov fecha o seu grande ciclo de histórias de robôs. Vários outros livros são citados aqui, alguns como lendas antigas (a história da Dra. Susan Calvin, de Eu Robô) e outras como hipóteses futuras (psico-história, da Fundação), e de alguma forma todas estas histórias são interligadas deixando a entender que tudo pertence ao mesmo universo.

No entanto o enredo não é o mais cativante, eu por vezes fiquei desanimado de começar a ler um capítulo por não estar tão interessado assim (sou destes que só termina de ler no final do capítulo). Para mim o melhor dos três foi o primeiro mesmo, mas o autor conseguiu dar um bom plot twiste no final que eu não consegui prever. Os detalhes do planeta e a forma como seus habitantes vivem foram explicados en passant o que me agradou mais do que no livro anterior. E por falar nisso, o prefácio é o mesmo do livro 1 e 2, escrito pelo Asimov explicando as obras, mas eu acho que mais informações seriam interessantes.

Resumo da ópera, não é o melhor livro do Asimov, mas fecha bem esta trilogia e dá um senso de continuidade ao universo do autor. Ou seja, uma leitura agradável e uma boa diversão!
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Leo 10/09/2012

Gênio
Isaac Asimov é o mestre do gênero! Na 'criminalidade' Agatha Christie não tem comparação, mas a questão tode de ficção científica, Isaac Asimov se destaca mais uma vez.
Recomendo.
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