Sobre a Morte e o Morrer

Sobre a Morte e o Morrer Elisabeth Kübler-Ross




Resenhas - Sobre a Morte e o Morrer


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Bru 06/11/2020

Esse foi um livro que despertou meu interesse assim que ouvi falar sobre ele e acabou por superar todas as minhas expectativas. É muito bem planejado e me vi presa a ele do começo ao fim! No final fiquei com um aperto no coração e com um interesse ainda maior sobre o assunto. Um dos melhores e mais enriquecedores que já li com toda certeza!
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Eduardo.Breziniski 30/10/2020

Essencial
Leitura obrigatória para se entender a dinâmica do processo de assimilação da morte e suas complicações. Perfeito!
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Esther 27/10/2020

Ponto de partida na tanatologia
Kübler-Ross é uma leitura obrigatória para qualquer um que tenha interesse pela tanatologia. Psiquiatra sueca, escreveu este livro em 1969, um dos primeiros sobre o assunto. Relata as experiências observadas em seu seminário com paciente moribundos. Apresenta-se então a temática central do livro: as experiências frente ao morrer, do ponto de vista do paciente, dos familiares e da equipe de saúde. A partir disso, podemos levantar algumas questões: O que são os pacientes moribundos a quem ela se refere? O livro se trata sobre a morte ou sobre o luto? São estes temas equivalentes?

Conforme verbete em dicionário, moribundo é um adjetivo que se refere a:
1. que ou o que está morrendo, que ou o que agoniza.
2. que desaparece, que fenece.
Ou seja, o livro trata pacientes à beira da morte. Não simplesmente doentes terminais ou em cuidados paliativos. Afinal, estes podem permanecer anos em cuidados antes de se encontrarem de frente com o “barqueiro”. Estamos falando de pessoas que se encontram sem esperança de saírem dessa situação, de prolongar seus anos de vida e enfrentam a inexorável chegada da morte. Começamos o livro com essa informação e com pontuações sobre com a morte é vista e tratada em algumas sociedades.

Kübler-Ross descreve estágios que observou nos moribundos e em seus familiares. Foram descritos cinco deles: NEGAÇÃO, RAIVA, BARGANHA, DEPRESSÃO e ACEITAÇÃO. Ora, se falamos de estágios antes da morte, é compreensível estendermos estes ao luto e, por muitos anos, este ciclo (Kübler-Ross Grief Cicle) foi usado como modelo de ensino. Porém, muitos estudiosos contemporâneos, a exemplo de John Bowlby e Marilia Pereira Franco, questionam esses estágios e consideram que se tratam de estágios diante da morte, mas não do luto. A própria autora relatou, antes de morrer, ter se arrependido de escrever o livro de uma maneira que depreende que os estágios são cíclicos e ordenados. Algumas pessoas podem não passar por determinadas fases ou fazê-las em ordem diferente da retratada no livro. Isso é retratado principalmente por David Kessler em seu livro “Finding Meaning” em que ele sugere um sexto estágio envolvendo a busca do significado da vida e da morte.

Ao tratar de cada estágio, a autora cita formas de ajudar aqueles que transitam estas fases, porém o faz de forma subentendida e não muito clara. No capitulo 3, iniciamos com o estágio de negação e isolamento. Muito desta fase surge como forma de defesa temporária e é pior quanto menos foi conversado, em vida, sobre a morte. Ocorre se houve falta de preparo do paciente em imaginar sua finitude. Sugere que seja falado sobre o morrer até mesmo antes da confirmação da terminalidade. Desta forma, é possível abordar o paciente em um momento em que ele esteja aberto a ouvir sobre a morte. E aqui novamente encontramos o cerne de muitos livros de tanatologia: quem vive bem, morre melhor.

“Antes de mais nada, tentamos descobrir as necessidades dele, tentamos nos certificar de suas forças, de suas fraquezas, procuramos comunicações abertas ou sutis para avaliar se um paciente quer encarar a realidade em determinado momento.”
Pagina 51, §3

No capítulo 4 progredimos a fase da raiva que advém dos planos e sonhos interrompidos, além da perda de poder e da autonomia, já que o paciente deve-se submeter-se à rotina do hospital. Esta fase é mais difícil para outros, que não o doente, como relata a autora neste trecho:

“Contrastando com estágio de negação, é muito difícil, do ponto de vista da família e do pessoal hospitalar, lidar com estágio da raiva. Deve-se ao fato esta raiva se propagar em todas as direções e projetar-se no ambiente, sem razão plausível. (...) As visitas dos familiares são recebidas com pouco entusiasmo e sem expectativa, transformando-se em encontro. A reação dos parentes é de choro e pesar, culpa ou humilhação; ou, então, evitam visitas futuras, aumentando no paciente a mágoa e a raiva.”
Página 56, §2

No capítulo 5, é discutida a barganha. Uma forma de tentar conseguir, pela obediência ou negociação, mais tempo ou a cura da doença. “Se eu tomar o remédio direito vou viver mais”. Frequentemente a barganha é endereçada a Deus, sendo este um ponto crítico para a fé do paciente religioso.

Quando a barganha mostra sinais que não funcionará, é comum evoluir para a fase de depressão, tratada no capítulo 6. O paciente começa a enfrentar, em algum nível, as perdas mencionadas anteriormente e outras que as acompanham. Estou falando da perda do emprego, do cônjuge e mesmo do aumento de encargos financeiros advindos da doença. A autora separa ainda em depressão preparatória inicial e uma reativa, mais tardia, quando as perdas começam a se instalar.

"Seu alheamento ou estoicismo, sua revolta e raiva cederão lugar a um sentimento de grande perda."
Pagina 91, §2

"Quando a depressão é um instrumento na preparação da perda iminente de todos os objetos amados, para facilitar o estado de aceitação, o encorajamento e a confiança não tem razão de ser. O paciente não deveria ser encorajado a olhar o lado risonho das coisas, o existo significaria que ele não deveria contemplar sua morte iminente. Dizer-lhe para não ficar triste seria contraproducente, pois todos nós ficamos profundamente tristes quando perdemos um ser amado. O paciente está prestes a perder tudo e todos a quem ama."
Página 96, §3

Achei interessante quando Kübler-Ross pontua sobre a discrepância entre o sentimento do paciente e a relutância dos familiares. É possível observar neste trecho, a transição entre a depressão e aceitação, último estágio, trabalhado no capítulo 7. Quando o moribundo se sente preparado para entregar a vida. É importante nesta fase, respeitar a dignidade do paciente e observar principalmente as mensagens não verbais.

"As entrevistas revelaram tendência para se desapegar desta vida. Ficava triste por se ver forçado a lutar pela vida, quando estava pronto a se preparar para a morte. Esta discrepância entre o desejo e a disposição do paciente e a expectativa de quantos os cercam é que causa neles maior pesar e maior perturbação."
Página 94, §3

"Como distinguir essa "entrega" do estágio de aceitação, quando geralmente nosso desejo de prolongar a vida contrata com desejo dele de descansar e morrer em paz?"
Página 119, §3

Após retratar os estágios, a autora ainda trabalha a esperança observada com estes pacientes, tanto em relação à medicina e aos médicos, quanto em relação a religiosidade. Discute também os conflitos mais observados, principalmente em relação aos familiares, o que é bem descrito no capitulo 9. Temos aqui toda a mudança da dinâmica familiar, as frustações e as culpas, além da desesperança frente a perda. Por fim, ela ainda separa um capítulo só para a descrição das entrevistas e sobre a reação da equipe hospitalar ao seminário.

Como avaliação geral, o livro é excelente sendo um bom ponto de partida para quem começará a desbravar esse assunto. Porém, é importante levar em consideração a época em que o livro foi escrito. Sendo um dos pioneiros, alguns conceitos têm sofrido revisões e modificações, e muito da vivência hospitalar retratada no livro já se modificou, a meu ver, para melhor. Recomendo muitíssimo a leitura.

"Assim, quando chegarmos ao fim de nossos dias tendo trabalhado, sofrido, nos doado e nos divertido, voltaremos ao estágio por onde começamos, e se fecha o ciclo da vida. "
Página 124, §3

"Acho que o milagre é isso: Estou pronto, e agora não tenho mais medo."
Página 145, §1

"A morte pertence a vida, como pertence o nascimento. O caminhar tanto está em levantar o pé como em pousá-lo no chão."
Tagore - Pássaros errantes
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thapark 20/10/2020

Mais um livro sobre a morte. Desta vez resultado de uma pesquisa realizada a partir de entrevistas com doentes terminais, seguidas de sessões de debate com alunos inscritos no seminário.
Segundo a autora, existem cinco estágios pelos quais as pessoas passam ao se defrontar com notícias trágicas: a negação, a raiva, a barganha, a depressão, e a aceitação.
A negação se manifesta como uma recusa em reconhecer a própria mortalidade. A raiva, como reflexo de um sentimento de injustiça, como se a querer mostrar que ainda está vivo. A barganha, como uma tentativa de adiar ou adicionar tempo ao que lhe resta. A depressão, tanto àquela que se refere à perdas passadas, e que deve ser tratada com uma postura de encorajamento (chamada reativa), quanto àquela que se refere à perdas futuras, que deve ser tratada com inação, apenas deixando com que o paciente manifeste seu pesar (chamada preparatória). Por fim, a aceitação, que acomete o paciente de um certo senso de paz e tranquilidade e é acompanhada do desejo de ficar só e calado.
Ao descrever este processo, são muitas as lições que podem ser tiradas deste livro. Ele deixa claro, por exemplo, que evitar falar sobre o assunto é a pior abordagem que se pode ter com o paciente, seja ela vinda do profissional que o atende, seja vinda de um familiar. Ele defende a necessidade de ser honesto com o paciente acerca de sua verdadeira condição e suas opções. Ele também esclarece que os familiares passam por estágios similares ao do doente e que, por isto, podem se beneficiar de acompanhamento.
Mas a maior lição que se tira, e que é traço comum dos livros que tratam do assunto, é a de que estar perto de um doente terminal obrigatoriamente nos faz pensar em nossa própria mortalidade e na forma com que gostaríamos de ser tratados nos momentos finais. E ninguém, em plena consciência, gostaria de não ter suas vontades atendidas, suas perguntas não respondidas, sua autonomia roubada. Fica a inquietação de sempre: então por que é que insistimos tanto em infantilizar os doentes, ignorar seus desejos, e reduzir suas vidas a uma lista de obrigações do que se deve e não se deve fazer?

site: @livros_e_dicas
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MellNavarro 04/09/2020

"Digo e repito que estou convencida de que um paciente tem o direito de morrer em paz e dignamente."
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emillebraga 03/09/2020

Acolhimento e escuta.
O livro é muito importante e necessário. Gostei, principalmente, porque parte de um ponto - através das entrevistas, onde a terminalidade é observada e compreendida por meio daqueles que estão vivenciando a mesma diretamente, conhecendo então com o que ficam aflitos, como imaginam a morte, como foi receber a notícia, etc. É um verdadeiro aprendizado de escuta e acolhimento diante desse momento que todos nós vamos vivenciar. O livro, para além de refletir, nos faz lembrar que mais do que a equipe e a família que ficará, quem mais sofre nesse processo de luto é o próprio paciente e por isso é importante esse olhar atento e preciso para com os mesmos - buscar compreender todas as suas necessidades e permitir que sejam ativos e possam tomar suas próprias decisões até o último minuto, sendo respeitados. Gostei bastante, recomendo para todos os estudantes das diferentes áreas da saúde. Precisamos falar sobre a morte e o morrer!
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Locimar 17/08/2020

Depois da "Roda da vida", li este também. Me preencheu de tal forma que não precisei mais pensar sobre. Quando o fim vier e ele virá, estarei pacificado. Só lamentarei pelas coisas simples da vida. Uma flor, a grama verde, meus cachorros amáveis, o gosto da comida, os tons, as cores... Mas irei em paz!
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Rebeca Tavares 15/08/2020

Dica
Leia juntamente com A morte de Ivan Ilitch de Leon Tostói. Você vai observar tudo o que a autora fala no livro também na história de Tolstói
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Amanda Salomone 06/08/2020

Essencial para quem trabalha com assistência e cuidado
Um marco na história dos cuidados paliativos e absolutamente fundamental para quem trabalha ou deseja trabalhar em ambiente hospitalar e/ou em contato direto com pacientes gravemente enfermos.
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Carol 03/08/2020

Um clássico!
Um clássico da área de tanatologia. Todos que querem atuar na área tanatologia, psicologia hospitalar e cuidados paliativos devem ler esse livro!

Ele traz vários seminários feitos pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, onde os pacientes ensinam para os profissionais de saúde sobre como é estar em processo de morte e o que realmente é importante para eles nesse momento.

Eu sou suspeita em falar pois a autora é minha inspiração, mas esse livro é incrível!!! Vale a pena a leitura!
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O Ciclista 25/05/2020

Um livro que revela o "misterioso" processo do morrer antes da morte de fato. O turbilhão mental dos individuos com a aproximação do fim da vida, se transforma em um protocolo que envolve a angustia, alegria e conformação com a morte próxima. Quase que um rito de passagem. Mesmo com a pegada acadêmica do livro, ele não deixa de atrair curiosos para o estudo da tanatologia.
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Lira, Vênus 10/01/2019

Fantástico
Um livro que altera um pouco sua percepção de mundo te fazendo entender que as pessoas passam por etapas para conseguir aceitar a morte de um ente querido ou a aceitação da patologia que apresenta.
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Luiza 29/04/2017

Morte - aquele que parte e aqueles que ficam
O livro trata de um assunto muito importante por envolver algo que todos enfrentarão algum dia, mas que grande parte das pessoas tenta evitar: a morte. Porém, uma parcela da população enfrenta uma doença terminal e por isso ela e/ou familiares sabem que a morte está próxima; tento a "oportunidade" (que comumente é vista como obrigação) de lidar com a situação, o que não acontece com mortes acidentais e repentinas.
Porém, pacientes com doenças terminais podem precisar do apoio de familiares, amigos e também da equipe médica, não só em questão de cuidados médicos, mas também para ajudar o paciente a lidar e compreender melhor a sua situação.
Entretanto, a autora expõe o quanto foi difícil encontrar pacientes terminais a serem ajudados, não por eles não quererem, mas sim porque seus médicos achavam inaceitável que ela chegasse e falasse abertamente sobre a morte iminente do seu paciente; os outros profissionais do hospital também não se mostraram abertos a isto. Tal barreira mostra a incapacidade deles de lidar com um assunto como a morte (sendo que eles trabalham numa área em que seus "clientes" (pacientes) estão sujeitos a morrer já que são seres vivos) e evidencia a necessidade de tal assunto ser mais profundamente abordado na formação dos futuros médicos e profissionais da saúde em geral [o seminário que envolvia a entrevista com estes pacientes e debate entre alunos de diversas disciplinas é uma proposta justamente para estes alunos e futuros profissionais da saúde enfrentarem o medo da morte e aprender a lidar melhor com estas situações que provavelmente estarão presentes na sua prática profissional].
Nesse sentido, a autora apresenta relatos de pacientes neste estado, os quais demonstraram e exporam o quanto os chateia quando médicos e familiares não permitem que eles saibam o que têm e que os excluem das decisões (como se eles fossem meros objetos, os quais não podem ter direito de opinião e escolha sobre o que fazer com eles próprios).
Outra questão também importante evidenciada no livro é o fato de muitas vezes médicos e familiares decidirem não contar ao paciente a sua situação, mas nas entrevistas a autora descobrir que o paciente já sabia da sua situação somente pelo fato de que o comportamento dos familiares, amigos e médicos mudam quando sabem que ele está para morrer; porém o paciente finge não saber e acabam guardando todos seus medos e receios para si, pois foi assim que a família e/ou médico quis lidar com a situação.
Além disso, muitos pacientes já estão prontos para partir, já estão na fase de aceitação, porém não conseguem, pois seus familiares não aceitam isto de forma alguma, querem prolongar o máximo possível sua vida e o paciente não suporta a ideia de decepcionar sua família e acaba aguentando e sofrendo.
Também há situações em que o paciente fica muito aflito com sua morte por saber que muitos dependem dele; tem filhos para cuidar, marido ou mulher para sustentar, etc e isso acaba se tornando um peso que eles não sabem como lidar, pois sua situação não tem cura, mas, ao mesmo tempo, acreditam que não tem ninguém para assumir seu lugar.
Então entra a intermediação desta autora, a qual vem para mostrar ao paciente que ali têm um ombro amigo, com o qual podem se abrir e desabafar. A princípio, muitos podem ficar receosos, mas conforme vão se sentindo a vontade (no seu próprio tempo), eles expõem seus medos e angústias e começam aos poucos a se sentir mais leves; inclusive é importante também auxiliar a própria família do paciente a lidar com as circunstâncias, facilitando para a aceitação e paz do paciente.
Foi uma leitura muito enriquecedora para mim, me ajudou a ver que muitas vezes a morte do paciente terminal é um acontecimento muito mais duro e aterrorizante para os familiares que ficam do que para o paciente que entrou em aceitação e parte em paz. Além de me ajudar a compreender melhor as diversas circunstâncias envolvidas nestes casos, como os problemas familiares, as fases até a aceitação, os medos, as angústias, a forma de agir do médico, etc.
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Aninha 23/02/2017

Os depoimentos são bem mais interessantes do que a teoria.
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