O percevejo

O percevejo Vladímir Maiakóvski


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O percevejo


Comédia fantástica em nove cenas




Obra-prima da arte de vanguarda russa e ponto alto da produção teatral de Maiakóvski, a comédia fantástica O percevejo — redigida no final de 1928 e encenada no ano seguinte — assinala também um ponto de inflexão na trajetória do poeta. Neste texto, o entusiasmo de Maiakóvski com a Revolução de 1917 dá lugar a uma visão crítica do futuro do socialismo, expressa numa sátira contundente que mistura temas jornalísticos, jingles publicitários, mitos pessoais, canções, política, amor e ficção científica.

Apesar do sucesso da peça, a montagem original de O percevejo — com cenários de Ródtchenko, trilha sonora de Shostakóvitch e direção de Meyerhold — foi duramente criticada por dirigentes partidários que acusavam Maiakóvski de ser formalista e pouco didático, o que contribuiu para o desgaste do poeta, que cometeria suicídio um ano depois, em 1930.

No Brasil, a peça foi traduzida e, em 1981, levada ao palco por Luís Antonio Martinez Corrêa. É esta tradução — revista por Boris Schnaiderman, também autor do posfácio e de uma cronologia sobre a vida e a obra do poeta — que agora é oferecida ao leitor, enriquecida com um texto inédito em português do próprio Maiakóvski sobre O percevejo.



Sobre o autor

Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski nasceu em 19 de julho de 1893 (ou 7 de julho, no calendário juliano), na aldeia georgiana de Bagdádi, nos arredores de Kutaíssi, hoje Maiakóvski.

Aos quinze anos inicia sua militância política junto à ala bolchevique do Partido Operário Social-Democrata Russo. Entre 1908 e 1910, sofre repetidas prisões, uma delas prolongando-se por quase um ano. Nesse período, entrega-se à leitura febril da literatura russa da época, sobretudo poesia simbolista, e começa a escrever versos. Em 1911 ingressa na Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou, onde trava amizade com David Burliuk, junto a quem constituiria o núcleo fundador do movimento futurista russo. A campanha de agitação em favor do movimento resulta, em 1914, na expulsão de ambos da escola, seguindo-se um período de viagens pelo país em ebulição. Após a Revolução de Outubro, adere com entusiasmo ao novo regime, colaborando com a propaganda estatal, sobretudo na elaboração de cartazes, marcados pela estética cubofuturista. Entre 1922 e 1923, organiza a editora MAF e a revista LEF, ambas pautadas pela intenção expressa de aliar arte revolucionária e luta pela transformação social. Abre-se um intenso período de viagens pela Rússia no exterior, bem como de criação artística, tanto de poesia como de teatro. Suas posições, contudo, passam a receber repetidos ataques de várias frentes, e seu grupo vanguardista sofre progressivo isolamento, acusado de fazer arte "incompreensível para as massas". Em 1930, em meio a uma grave depressão, comete suicídio.



Sobre o tradutor

Luís Antonio Martinez Corrêa nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, em 1950. Foi ator, diretor, dramaturgo, cenógrafo e tradutor. Estreou profissionalmente em 1972, como ator e assistente de direção de seu irmão, José Celso, no teatro Oficina. No mesmo ano ganhou o prêmio da APCA, na categoria Revelação, por seu primeiro trabalho como diretor, na peça O casamento do pequeno-burguês, de Bertolt Brecht. Em 1978, dirigiu A ópera do malandro, célebre adaptação de Chico Buarque para A ópera dos três vinténs, também de Brecht.

Sua montagem de O percevejo foi resultado de um longo processo de criação coletiva, no qual ele próprio assumiu a tradução do texto. A peça participou de festivais na França e rendeu a Luís Antonio o prêmio Mambembe 1981 de melhor diretor. Em 1987, com a carreira em plena ascensão, morreu vítima de assassinato.

Ficção / Literatura Estrangeira

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No Skoob, há uma resenha desse livro que para mim prova que literatura é algo muito complexo, a ponto de o texto ser praticamente a coisa que menos importa na hora da análise em certos casos. O cidadão deu uma estrela (até aÍ tudo ótimo) e afirmou que esse texto que “exalta o comunismo russo” prova o quanto essa ideologia é errada, a ponto de querer blábláblá (ele dá spoilers, nós não). A visão política do sujeito e a falta de conhecimento histórico o fizeram pensar que se tratav... leia mais

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