Palavras Cínicas

Palavras Cínicas Albino Forjaz Sampaio


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Em 1905, Portugal conhecia, com espanto e admiração, a primeira de muitas edições de Palavras Cínicas. A publicação das oito cartas que compõem este livro deu origem a um leque de reacções do público, desde o aplauso fervoroso à condenação feroz. O pessimismo e a mordacidade do autor atingiram toda a sociedade portuguesa: o clericalismo enfatuado, a moral balofa, o populismo sabichão. Mais de cem anos depois, encontrarão estas cartas os mesmo destinatários? Com 46 reedições, foi um dos livros mais vendidos em Portugal no século XX.

"Esta obra proibida, clandestina e amordaçada , viveu durante muitos anos na funda memória do povo [português]. Não lhe podia andar nas mãos e todos sabemos porquê. Até que um dia se fez Abril, e os cárceres do novo País que somos, abriram repentinamente grades e alçapões.
[...]
Seja como for o nome de Albino Forjaz de Sampaio está vivo como brasa sob a cinza. Ainda hoje queima, ainda hoje alumia. A questão está toda em saber como se lhe há-de pegar." -- Mota Tavares (Prefácio), Coimbra, 1978.

"(....) Vi que a vida era má e escrevi estas cartas. Se as leres no meio de um festim, as porás de parte com enfado, mas buscarás a sua consolação quando o mundo te fizer chorar. Elas são de todos os pisados, de todos os escarnecidos. Dos que amaram e foram desamados, dos que sofrem e dos que padecem. Dos que não tiveram ontem nem terão amanhã. Daquelas horas de spleen que afogam como um baraço: daquelas noites sem fim em que a dor espanca o sono e de que se acorda sem se ter dormido. São para aqueles que batem inutilmente a todas as portas e em nenhuma lhes ouviram a voz. Para todos têm o seu luar e o seu conforto. Elas foram escritas naqueles dias de agonia pavorosa em que nos vem um desejo indescritível de ser lama, ser pedra, ser oliveira, qualquer coisa enfim que não tenha dores, nem tenha lágrimas. Nesses dias em que o ar sufoca e se sente para cada coisa uma aflição. Em que se entende no uivar da metralha, no rir da labareda, no praguejar do vento, e na raiva fria do mármore um sudário de lamentos sem fim".

Aventura / Comunicação / Crônicas / Distopia / Drama / Ensaios / Filosofia / História / Literatura Estrangeira

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