Sign of the Labrys

    Margaret St. Clair

    Dover Publications Inc.
    2016
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9780486804101
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    Lúcio Nöthlich Pimentel picture
    Lúcio Nöthlich Pimentel15/05/2023Resenhou um livro
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    Resenhas N - Sign of the Labrys de Margaret St. Clair

    Margareth St. Clair foi uma mulher pioneira na ficção científica e fantasia, seu mestrado de artes em grego clássico, assim seu interesse pela religião Wicca são elementos presentes em suas obras. Nos anos 1950, despontou com inúmeros contos na The Magazine of Fantasy and Science Fiction sob o pseudônimo de Idris Seabright. Na década seguinte, começou a publicar romances com o próprio nome, sendo que dois destes figuram no Apêndice N de Gygax. The Sign of the Labrys (O símbolo de lábris numa tradução livre) é um romance psicodélico distópico situado em um futuro próximo onde a 90% da população foi dizimada por um fungo letal. O que sobrou da humanidade se isolou em vastos abrigos subterrâneos divididos em níveis. Cada nível é identificado por uma letra e tem cerca de 45 metros, sendo subdividido em patamares. Os mais próximos da superfície foram feitos para o grosso da população e as acomodações vão ficando melhores quanto mais se desce. Nos primeiros níveis, escadas, escadas rolantes e elevadores são comuns, mas as passagens para os níveis inferiores vão ficando escassas e escondidas. O livro é narrado em primeira pessoa por Sam Sewell, um jovem do setor E3 que como a maioria da população se acostumou ao isolamento. Os estoques de comida são vastos para os poucos sobreviventes e ele trabalha operando escavadeiras mais para passar o tempo. Um dia ele é procurado por um agente da agência governamental FBY por sua relação com Disponia, uma criminosa que possui supostamente algum envolvimento com a praga, e que também é uma bruxa (?), assim como Sam (???). Depois de negar conhecê-la, ele encontra um anel junto com uma mensagem dela em seu alojamento e parte em uma viagem surreal ao subterrâneo. Descendo para nível F, ele encontra um complexo científico onde pesquisadores esquecidos e seus experimentos coabitam. Ondas cíclicas de ratos e uma estranha gosma mutante são evitados até que, por fim, Sam faz amizade uma cientista que abre sua mente para seu verdadeiro potencial e o ajuda a alcançar o próximo nível. O nível G é um paraíso onde as pessoas VIPs da antiga sociedade passam seus dias em hedonismo e drogas. Tudo é feito para a diversão, com direito a praias artificiais e cassinos. Algumas pílulas eufóricas fazem com que Sam acesse outros de seus poderes e agora é capaz de enxergar dentro das pessoas. Com a ajuda de um cachorro com dois cérebros ele encontra uma passagem para o nível H (eu disse que era surreal). O protagonista constantemente está febril ou sob efeito de drogas, tendo dificuldade em distinguir a fantasia da realidade, assim como o leitor que também não sabe se o descrito está realmente acontecendo ou se é apenas uma alucinação. O último nível H seria o bunker presidencial mas está abandonado, tirando, claro, os estranhos guardas que saem das paredes para ameaçar um combalido Sam. Por fim acaba descobrindo o que veio buscar, é atacado pelos membros malignos do governo e precisa revisitar os níveis anteriores para desvendar o mistério de Desponia e de si mesmo. Enfim, é um romance que junta a paranoia apocalíptica da guerra fria com as viagens psicodélicas e experimentações dos anos 1960 para criar uma “viagem” surreal onde é impossível prever o destino. Uma leitura interessante que destoa bastante do tradicional sword and sorcery que domina o Apêndice. Influências ao RPG O Apêndice N cita esse livro como relevante para a criação do RPG assim como The Shadow People da mesma autora que também aborda uma viagem ao subterrâneo. Esse apelo pelas masmorras está no título do jogo e parte da inspiração pode ter vindo daqui. Mesmo que inúmeros outros livros do Apêndice apresentem cavernas e catacumbas, arrisco dizer que nenhum se aproxima tanto do que se convencionou como um nível de “masmorra” no RPG, cada nível com características e desafios únicos, com passagens de um para outro, sendo que o objetivo está no nível mais baixo. Se no AD&D tínhamos masmorras de nível 1 a 20, aqui se usa letras de A a H. Uma curiosidade é que os módulos mais antigos eram identificados por letras, como a série Giants (G1 a G3) ou a serie dos Drows (D1 a D3) , ambas escritas por Gygax. No livro um fungo violeta comestível cresce nas paredes e pode ter inspirado o Violet Fungus, uma criatura cujo contato apodrece o corpo das vítimas a não ser que o efeito seja curado com a magia remover doenças. Além disso, alguns personagens possuem poderes mentais, o que pode ter tido uma influência menor no sistema de psionismo que está presente de alguma forma desde o início no RPG, mas que nunca vingou. Como ler The Sign of the Labrys Este livro nunca foi lançado em português e mesmo lá fora esteve fora de catálogo por longos anos até recentemente sair uma nova edição, que também está disponível em ebook. O texto é escrito de forma clara e direta, sendo fácil de entender para quem tiver algum conhecimento em inglês. Nota Final: A autora fez uma longa carreira com contos publicados em revistas Pulp então aproveito esta oportunidade para citar um deles: The Man Who Sold Rope to the Gnoles (O homem que vendeu corda para os Gnoles, numa tradução livre). Nesta história, um caixeiro viajante decide vender seus produtos numa casa de má fama habitada por criaturas terríveis conhecidas como Gnoles. Outro autor do Apêndice, Lord Dunsany, apresentou esses seres no conto How Nuth Would have Practiced His Art Upon the Gnoles (Como Nuth teria praticado sua arte contra os gnoles, na tradução da Arte e Letra editora). Gygax faz uma piscadela ao escritor quando descreve os monstros na edição zero do D&D com o seguinte comentário “GNOLLS: A cross between Gnomes and Trolls (…) Lord Dunsany did not really make it all that clear” [Gnolls: Um cruzamento entre gnomos e trolls (…) Lord Dunsany não deixou tudo de forma clara, tradução livre]. Isso na verdade enfatiza a importância de Lord Dunsany como fonte de inspiração para os autores de fantasia que vieram depois dele.

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