Um enterro para Suzana -

    Paula Bajer

    Patuá
    2019
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9788582976982
    Português Brasileiro

    Paula Bajer nos brinda mais uma vez com seu intenso universo criativo. Agora, com a novela inédita “Um enterro para Suzana”, com todos os elementos do romance policial tradicional: o climão, uma detetive perua com bota branca de verniz com franja e salto altíssimo, uma cliente ansiosa, uma amiga misteriosa, o sumiço de alguém, a mala que restou, uma carta. Só que não. Um bom autor constrói boas histórias. Mas só um autor especial consegue criar histórias policiais diferentes de tudo o que já se viu nesse gênero tão tradicional, como Paula Bajer. Com sua prosa leve e sempre a partir de personagens nada convencionais, finais absolutamente inesperados, aqui Paula segue se mostrando capaz de envolver o leitor muito depois do término da leitura. Personagens bem construídos a gente nunca esquece. E nisso Paula Bajer é mestre, sobretudo as suas personagens femininas, sempre estranhas e com comportamentos muitas vezes bizarros, como ela já nos mostrou em diversos momentos de sua carreira. Sua produção cada vez mais a coloca entre os melhores do gênero no Brasil, porque seus contos lembram cinema, tantas as imagens que ela apenas insinua, deixando ao leitor completar o cenário. Além da novela “Um enterro para Silvana”, esta coletânea traz ainda 15 contos que misturam pegada policial, fantasia e suspense. E o leitor poderá se sentir cúmplice da moça que na época da ditadura militar carregava uma missiva bombástica (“A carta de Glória”); da moradora preocupada com a vizinha que desapareceu (“Rosa”); do viúvo que subitamente resolve mudar de vida (“70 anos”); das duas senhorinhas frente à autoridade (“Na delegacia”); do senhor octogenário que encomenda a sua morte (“Enquanto os casais namoravam no jardim”); da esposa moribunda que deixa orientações ao marido para depois que ela se for (“Silvio, não se esqueça do cacto”), e assim por diante, contos que irão deliciar e envolver o leitor. Já aguardamos o próximo! Nanete Neves, jornalista e escritora

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    Douglas Eraldo dos Santos12/11/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    10 CONSIDERAÇÕES SOBRE UM ENTERRO PARA SUZANA, DE PAULA BAJER OU DAS ARTIMANHAS DA VIDA

    1 - Antes de mais nada, creio, algumas questões acerca da publicação merecem ser adiantadas aos leitores. Não trata-se propriamente de um livro, visto que o formato está para uma revista de contos, e isso, claro, tem sempre suas influências sobre os leitores. Contudo, vale dizer, trata-se de uma escolha estética bastante interessante e num projeto muito bonito. A outra consideração a se fazer, assim, de antemão, é de que as narrativas na presente seleção são contos, sempre muito, mas muito próximos ao que nos apontam os estudos deste gênero tão popular. A relação com o gênero é trazida em "Mas que conto?" que fecha a seleção com pitadas de metaliteratura. Ademais, a este leitor, pelo menos, mesmo a narrativa identificada como novela [Um enterro para Suzana] cumpre todos os requisitos de um belo e exemplar representante do gênero conto; 2 - Feitas tais ponderações, partindo ao que nos interessa, a natureza das breves e contundentes narrativas que compõe a obra, a publicação como dito traz produções com alguma pegada policial, suspense e alguma pitada leve de fantasia, sendo que independentemente de por quais destes terrenos se movam a história, acima de tudo estão bem demarcadas as fronteiras do gênero conto, inclusive com a regra quase universal deste Poe que é a busca pelo impacto final, o golpe fulminante que procura reverter as expectativas. Os finais dos contos de Bajer buscam sempre este clássico caminho e funcionam perfeitamente bem no contexto da presente obra; 3 - Quanto à pegada policial, aparentemente é uma tendência que parece querer dominar o conjunto da publicação. Em parte pelo conto que também é título da publicação "Um enterro para Suzana". De todos, é talvez o mais próximo de um conto policial, contudo, distinto deste. Há aqui e em outros contos que têm tais cores a já tradição nacional de contar narrativas criminais de forma bastante peculiar à estrutura canônica das narrativas policiais. É o que vemos no conto homônimo que nomeia o livro. Há crimes, há uma aparente investigação, entretanto, não propriamente literatura policial, mas sim narrativas criminais. Além disso, vale dizer que embora narrativas que tragam crimes, criminosos e aparentes detetives, narrativas em que a verdadeira mensagem paira sob névoa, pois deverá o leitor abrir caminho por diferentes camadas até o sumo da grande mensagem...

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