A anatomia do conservadorismo - Autor: Erick Ferreira

    não informado

    próprio autor
    2015
    106 páginas
    3h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Uma das primeiras características observadas no temperamento conservador é a indisposição à utopia. Por isso, Oakeshott, assim define o ser conservador: “Ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, o fato ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao superabundante, o conveniente ao perfeito, a felicidade presente à utópica.” Por certo, nestas palavras muitos verão a descrição de uma postura comodista diante da existência, mas tal não procede, pois o que há no ser conservador é antes de tudo uma postura responsável diante da vida. Responsabilidade que não existe no temperamento revolucionário e na sua disposição fatal às quimeras utópicas. Por isso, os conservadores deveriam ser os últimos a serem culpados pelas tragédias que se desencadeiam na história protagonizados por ideologias políticas, pois eles, tanto em sua forma temperamental quanto política, não esperam um mundo melhor, tão pouco prometem uma sociedade ideal. Os conservadores estão muito bem convencidos da natureza corrompida e imprevisível do homem e da instabilidade da vida terrena; eles estão certos de que todas as utopias sempre se converterão em pesadelos ao saírem do campo mental e entrarem no terreno da realidade. Por outro lado, são os revolucionários que prometem um “mundo melhor”, e são os últimos a assumirem a culpa pelas consequências trágicas de suas utopias.

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