Ordem e Burla -

    André Rosemberg

    Alameda
    2006
    303 páginas
    10h 6m
    ISBN-10: 8598325287
    Português Brasileiro

    Analisando as refregas de rua, as brigas devido às bebedeiras, os conflitos domésticos e outras ocorrências do cotidiano dos populares na cidade de Santos, 'Ordem e burla' mapeia o comportamento popular e policial no final da década de 1880. Ao tratar a história do cotidiano permeada pelos conflitos policiais, o autor apresenta um guia para uma releitura dos inícios do processo de modernização e construção do espaço público no período de transição entre o Império e a República. O livro filia-se a uma abordagem compromissada com a recuperação da história da vida social das camadas populares, formada tanto por escravos e libertos quanto por imigrantes. Para tal, André Rosemberg elaborou uma reconstituição da vida dos trabalhadores pobres que transitavam pelas ruas barulhentas de uma cidade caótica, insalubre e precária. Sem se impressionar pelos discursos de modernização e higienização que começavam a ser veiculados pelas autoridades, o autor recupera a organização social e a delimitação de uma ética dos pobres, a qual mantinha-se alheia aos ditames de um aburguesamento seletivo, que rejeitava os precários modos-de-vida dos despossuídos. Nos quadros da vida dos populares, o autor teve o cuidado de diferenciar os circuitos da vida dos escravos e libertos que viviam na cidade ou que a ela chegavam como fugidos, os quais tinham que enfrentar, cada vez mais, a concorrência com os imigrantes europeus recém-chegados.

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    Wagner Paulin12/11/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A TODOS SOBRAVAM DEFEITOS...

    (...) Vale dizer que em Santos, na década de 1880, no momento de transição, em que novos horizontes se esboçavam, e a ordem não se fazia representar, a luta campeava encarniçada, cada um atrás de sobreviver o mais dignamente possível. No vácuo de poder, as relações não se sustentavam de acordo com um sistema racional ou hierárquico: a rigidez legal beirava o ilusório, as instituições vacilavam. No fundo, faltava legitimidade. A ninguém cabia repreender, pois a todos sobravam defeitos (...) . ( Antonio Candido: Dialética da malandragem. 1993 pg 45) ROSEMBERG, André. ORDEM E BURLA processos sociais, escravidão e justiça em Santos. São Paulo: Alameda, 2006. pp. 245.

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