Mármores (Escritoras do Brasil) -

    Francisca Júlia da Silva

    Senado Federal
    2020
    110 páginas
    3h 40m
    ISBN-13: 9788552800729
    Português Brasileiro

    Mármores é a obra de estreia da escritora paulista Francisca Júlia (1871-1920) e consolidou a reputação da autora. Sua edição original, de 1895, foi reduzida e logo se tornou uma raridade. O volume contém basicamente poemas publicados na revista paulistana A semana, além de um longo prólogo escrito por um dos maiores críticos literários da época, João Ribeiro. Neste quarto número da coleção Escritoras do Brasil, o leitor encontra quarenta e três poemas, dispostos em quatro partes: um primeiro conjunto de dezoito sonetos, outras duas com poemas traduzidos de Goethe e Heine e uma terceira parte, intitulada Balada, com dezoito peças – sonetos e poemas de formas variadas. Curiosamente, o primeiro e o último poemas denominam-se Musa impassível. Francisca Júlia, que também enveredou na poesia simbolista e na literatura infantil, é reconhecida como uma poetisa à altura da famosa trindade parnasiana: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. A coleção Escritoras do Brasil, coordenada pela Biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, do Senado Federal, tem o propósito de divulgar o trabalho intelectual de escritoras de pouca presença no cânone literário nacional.

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    Everton Vidal23/07/2021Resenhou um livro
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    Um pouco esquecida em nossos dias, Francisca Júlia é um dos nomes principais da poesia brasileira do início do século XX. Muito elogiada pela tríade do parnasianismo, Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira (os dois últimos também um pouco esquecidos) ela é normalmente considerada um sopro de inovação no movimento, devido à sua sonoridade e tendências simbolistas. Como é de praxe, sofreu com o machismo da época, que não podia crer que uma poesia tão madura pudesse ter sido escrita por uma mulher, e mais ainda por uma tão jovem, inclusive dois poemas deste livro (“Paisagem” e “Quadro Incompleto”) foram publicados quando ela tinha apenas 14 anos. Francisca Julia é muito elogiada pela sua austera impessoalidade, que é uma busca da escola parnasiana, poucas vezes alcançada de forma tão maestral. Ela e o seu poema "Musa Impassível" são a inspiração da escultura de mesmo nome, de Victor Brecheret. O livro "Luvas de Pelica", da Ana Cristina Cesar, também se refere a um verso de Francisca, presente no poema "No Baile". A edição presente é antiga, está no português da época e em pdf, até onde eu sei não há edições atuais, mas apesar da dificuldade a leitura vale a pena. Ela tem muito a dizer.

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