Mídia Radical - Rebeldia nas comunicações e movimentos sociais

    John Downing

    Senac
    2002
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-10: 857359280X
    Português Brasileiro

    "Mídia radical fornece o melhor panorama e a melhor análise contemporânea de como os grupos de oposição utilizam a mídia e a cultura para lutar pela transformação social progressista, segundo Douglas Kellner, da Universidade da Califórnia. Esse livro é uma fonte valiosa para alunos e pesquisadores voltados para o estudo da mídia, os estudos culturais, a política, a sociologia e o jornalismo." - Site da Editora Senac.

    Resenhas (2)Ver mais
    João Marcos Rodrigues Rainho picture
    João Marcos Rodrigues Rainho02/06/2025Resenhou um livro
    0

    Resistência pela palavras

    Livro utiliza vários exemplos de como veículos de imprensa independentes podem fazer o contraponto a informação distorcida da imprensa tradicional ou mesmo a falta de informação a respeito de demandas sociais progressistas. Inclui documentários, música, e outras formas de arte que também são trincheira de resistência contra o neoliberalismo, o neonazismo e outros neos da direita que só trazem retrocessos sociais e políticos para a sociedade. A obra foi escrita em 2001. Por isso não fala da epidemia de fakenews e desinformação. Mas o texto é um alerta por falar da fase inicial da internet e abordar como a extrema-direita utiliza as mídias para propagar suas mentiras. Nada mudou apenas aumentou o volume de informação facista beneficido pela tecnologia e pelos algorítimos utilizados contra o estado de direito. O livro, por outro lado, fala da resistência de quem está na trincheira da verdade e da democracia, utilizando dos recursos disponíveis como jornais impressos, internet, folhetos, e diversas manifestações de arte, naquela época e em tempos mais remotos da história. E cita vários exemplos de veículos de comunicação, jornais e rádios, muitos vivos até hoje, que promoviam a produção democrática e seu conteúdo era de contra-informação, uma alternatia a governos depóticos e neoliberalismo TRECHOS Documentários antinuclerares: Paul Jacob and the Nuclear Gang (1979); e Atomic Café (1982) Em primeiro lugar é preciso reconhecer que falar em mídia alternativa é um paradoxo . Qualquer coisa, em algum ponto, é uma alternativa a outra. A história está repleta de casos de indivíduos que não faziam ideia e que não podiam ter a ideia, da cadeia de acontecimentos disruptivos que estavam deflagrando, Distinguir cultura de massa de cultura popular, conceito defendido por Adorno. A cultura popular pode perfeitamente ser elitista, racista, misógina, homofóbica, nutrir preconceitos relativos à idade e, ainda assim, expressar esses valores de formas inventivas e superficialmente atraentes. Os papéis negativos das mulheres nos contos de fadas são exemplos. É ingenuamente supor que a cultura e a comunicação são coisas inerentemente democráticas, ainda que sua construção seja, com certeza, mais emergente do precisamente organizada. Na comunicação e na cultura, os processos diferenciais de poder estão por toda parte. o fato de que nossa memória consciente não se recorde de tudo que especificamente lemos, não significa que certas mensagens e modelos perderam seu domínio sobre nossa imaginação e nosso senso de prioridades. Mães da praça de maio, na Argentina, e outros movimentos semelhantes. Em muitos países onde não ouve censura a essa material parece vigorar, com certa frequência, a uma amnésia política voluntária. Amnésia política beneficia a classe dominante. Questionar a compreensão convencional do passado com a ajuda da história social e das classes trabalhadoras pode, muitas vezes, ser u ato extremamente subversivo, que provoca uma reavaliação substantiva no presente. A mídia radical alternativa pode servir também para desmantelar um segundo componente vital da memória coletiva, ao contestar a categorias mnemônicas reiteradas pela mídia oficial. Poder contra-hegmônico No entender de Raymond Willians, a mídia, quando se livrasse do pesado julgo das empresas privadas e do Estado, e se abrisse a participação das massas, poderia estimular e sustentar uma cultura comum e uma democracia viva. Durante as décadas de 1980 e 1990, nos EUA, a extrema-direita organizada vez a grande jogada de denunciar a mídia estabelecida como púlpito da esquerda. Devemos encarar o fato que a mídia oficial não tem minima pretensão e se expor a nenhuma forma de controle público. Definição de poder capacidade de impor sua agenda a outras pessoas. Freire e Bakhtin enfatizavam a importância de evocar a inteligência e a percepção dos alunos em vez de transmitir "conhecimento superior". Uma cultura democrática não pode subsisti com base apenas no argumento racional. Na Inglaterra no início do século 19, o Imposto do Selo elevou o preço do jornal diário a sete pence (muito acima que um trabalhador poderia pagar) com o evidente propósito de excluir o trabalhador da esfera pública. John Walker define a arte, mas não qualquer arte, mas a arte engajada, como a única forma da mídia radical alternativa que nos resta. "A humanidade só será feliz quando o último burocrata for enforcado nas tripas do último capitalista" (autor anônimo, com várias versões, uma delas em paredes de Londres no século 18 Modelo leninista "agitprop": táticas de informação de curto prazo para trazer ao conhecimento do público os abusos e problemas imediatos (agitaçao) e de estratégias de comunicação política de longo prazo (propaganda) destinadas a moldar corações e mentes numa direção compatível como marxismo-leninismo. O fato de um jornal ou uma estação de rádio ser uma propriedade coletiva garante apenas a expressão das opiniões desse coletivo, não das opiniões de todo o público. (Referência a autogestão do Le Monde e o Lierátion) Ex-trabalhadores. Assim que se tornarem representantes ou governadores do povo, deixarão de ser trabalhadores e olharão para o mundo dos trabalhadores comuns do alto de sua posição no Estado. Já não representarão o povo, mas a si mesmo e a sua spretensões ao governo do povo, uma nova classe político-científica privilegiada. Liberdade de vida depende do comportamento imprevisível de pessoas não conhecidas e de processos históricos impessoais. Nas cultura e subculturas impregnadas de religião, é difícil superestimar o impacto das lutas populares que afirmam contar com apoio divino. Do milenarismo (cristão) à autodefesa (muçulmana), dos direitos à terra, até as própria formas de expressão religiosa, o senso de que existe uma força moralmente superior que reconhece verdade e a violenta injustiça da sua difícil situação de vida, desencoraja o desespero e às vezes encoraja a resistência. "Se quiser encontrar a verdadeira majestade, misture-se aos pobres humilhados da terra. Esses grandes são a majestosa casa em que Cristo habita; ele que tomou uma manjedoura como morada, no meio e dentro dos pobres de espírito e humilhados a terra". (Gerrard Winstanley, 1649) "A aflição religiosa é ao mesmo tempo expressão da aflição real e o protesto contra a aflição real. A aflição é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como a alma das condições desalmadas. É o ópio do povo". Karl Marx Começando por Santo Agostinho de Hipo, do século V, que codificou formalmente a doutrina do pecado original, os teólogos recorrem a ela frequentemente para explicar e assim justificar a escravidão. Seu raciocínio era que a instituição da escravidão, como outros tribulações da existência social, era um castigo divino pelo primeiro pecado de Adão e Eva. São frequentes as citações de Martinho Lutero dizendo que a imprensa foi o maior e mais recente dom de Deus. (referia-se as possibilidades da imprensa radical) Hans Hergot foi executado em Leipzig em 1527 por ter publicado duas vezes o panfleto Sobre a nova direção de uma vida cristã, que defendia a posse comum dos bens, incluindo a terra. No fina da década de 1950, Roy Thomson, o magnata da mídia no Reino Unido, ajuizara, por experiência própria, que obter uma licença para transmissões comerciais era obter "uma licença para imprimir dinheiro". É possível que as audiências norte-americanas não tenham preparo cultural para envolver-se com os assuntos tratados n os vídeos, já que não são apresentados no estilo sensacional que elas foram treinadas a valorizar. A despeito de todo esse potencial comunicativo, o desenvolvimento da internet como veículo democrático enfrenta problemas consideráveis e cada vez mais numerosos. Estudiosos como Carey e McChesney documentaram a trajetória de outros avanços tecnológicos introduzidos originalmente com expectativas utópicas de progresso democrático, como a eletricidade, o correio, o telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão e o fax. Esses meios converteram-se todos em indústrias dominadas pelo setor e negócios, cada novo desenvolvimento e suas tecnologias sendo manipulado para gerar lucros. Os críticos da Internet afirmam também que a informação que circula pela rede é muitas vezes inconfiável, transitória e tendenciosa. Com as campanhas comerciais e legislativas já em andamento para conrolar a comunicação pela Internet, é possível que, no futuro, os movimentos políticos populares não tenha a opção de se beneficiar da atual ciberdemocracia. Em julho e agosto de 1996, os zapatstas organizaram em Chiapas o Primeiro Encontro Intercontinental pela Humanindade e cotra o Neoliberalismo, ao qual compareceram 4 mil participantes de 42 países. A televisão tde acesso público começou na América o Norte no final da década de 1960 e início da década de 1970 como um experimento radical na comunicaçao democrática. Seus patrocinadores tinham a esperança de romper o cerco que os interesses comerciais impunham à televisão, levando diretamente à sala das pessoas uma programação política e cultural popular, sem fins lucrativos. A distribuição seria feita por transmissão a cabo. A promessa democrática do cabo foi abraçada pelas operadoras de cabo, pelos economistas da regulação, pelos liberais, pelos formuladores de políticas públicas e por grupos progressistas. Michael Shamberg e a Raindance Corporation, autores de Guerrilla Media, livro que se tornou conhecido como a bíblia da mídia alternativa, exaltaram o potencial do cabo de criar uma Estrutura alternativa de informação ou uma rede popular de atividade de mídia nativa. Não surpreende que a aliança de interesse com setores liberair tenha durado pouco. Grupos como a CLA, a PAper Tober TV, e a Deep Dish Satellite Network utilizam a TV comunitária para aer crítias e coentários à cultura comercial. A KPFA foi a primeira estação independente nos EUA a ser patrocnada pelos ouvintes, desde 15 de abril de 1949.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 8
    • 5 estrelas63%
    • 4 estrelas13%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%